segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Homem que conduzia de noite

Era uma vez um homem que era Motorista de pesados. Fazia todos os seus trabalhos durante a noite. No meio dos seus fretes dissertava mentalmente sobre as causas do mundo. Ocorria-lhe amiúde que o seu universo profissional era demasiado limitado para a sua invulgar capacidade reflexiva. Era um leitor bulímico, um profundo apreciador de poesia na qual já se iniciará através de um imenso caderno que o acompanhava para todo o lado. Era também um apaixonado por música clássica que ouvia a toda a hora durante as suas intermináveis viagens. Idolatrava Bach, o seu compositor preferido.

Numa noite, vencido pelo cansaço, adormeceu ao volante quando conduzia ao longo de uma rotineira auto-estrada. Por mero capricho do destino começou a sonhar que acompanhava ao piano o allegro do Concerto de Brandenburgo n.º 3. No meio do sonho, enquanto tocava uma nota com maior exuberância, sobressaltou-se, o que fez com que despertasse ainda a tempo de evitar a colisão frontal com uma estação de serviço situada mesmo à beira da estrada.

A sua erudição tinha-lhe salvo a vida. Percebeu nesse dia a verdadeira razão pela qual o saber não ocupa lugar…

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