sábado, 13 de fevereiro de 2010

Sol de Inverno


A montanha pariu um rato. Este País só dá mesmo para rir. A primeira página sensacionalista do Sol (O Polvo em letras garrafais acompanhado pelo perfil do totó do Sócrates) é um nojo do ponto de vista jornalístico. Lê-se os subtítulos e percebe-se o embuste criado.
Anda meio mundo há anos (com muita gente incompetente pelo meio – Moura Guedes, etc) a tentar apanhar com a boca na botija um idiota que nem sabe quem é o José Luís Peixoto e o máximo que conseguem é isto. Ainda vão acabar por descobrir que o homem vai às compras ao Domingo….

Quem ouve Felícia Cabrita muito perturbada a falar deste caso na TVI e constata ao mesmo tempo que o famigerado “Sol” é vendido em Angola com uma edição diferente, omitindo muito convenientemente as escutas envolvendo o empresário Joaquim Oliveira para não comprometer as negociatas com José Eduardo dos Santos, percebe o pântano em que estamos atolados. Pela mais suprema ironia são precisamente nestas chico-espertices que está a génese do que o Sol denuncia. E há ainda quem faça filas para comprar o jornal fabricado por esta gentinha…

Relativamente às escutas propriamente ditas observo que este pobre país sempre teve como desígnio o servilismo mais inquietante. Este caso vem evidenciar essa atávica característica lusa. De resto, as conversas relatadas tratam de minudências sem sentido que todos já sabíamos, infelizmente, existir...

A realidade é que o Jornalismo em Portugal anda pelas ruas da amargura. Isto sem generalizações abusivas. Há excelentes profissionais, é certo. Agora se houvesse integridade e imparcialidade na classe não germinariam oportunidades para estas manipulações orquestradas que são aliás cozinhadas em todos os quadrantes políticos sem excepção. A verdade pura e dura é que o quarto poder, o mais decisivo nos dias que correm, está nas mãos de meia dúzia de débeis mentais, alguns bem incompetentes por sinal…

A um outro nível, José Sócrates sempre foi obcecado com os media e isso vai-lhe custar caro, como aliás sempre foi previsível. Deveria como Primeiro-Ministro manter uma atitude mais distante, ignorando o que se diz dele e limitando-se a governar que foi para isso que foi eleito. Não é legitimo atribuir-lhe culpas pelos anseios dos seus subordinados em agradar ao Chefe. Não é legitimo acusá-lo por não saber escolher os amigos (os critérios são pessoais e intransmissíveis) mas é já impossível passar incólume de mais este degradante episódio. Sair agora de cena, estendendo a passadeira a António Costa – mais low profile e menos irascível que Sócrates – não seria tão má ideia quanto isso……

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