domingo, 23 de maio de 2010

O Carreirista Supersónico (II)

Armando Vara na sequência da sua meteórica progressão social passou rapidamente de vendedor de bilhetes na ticket line para supervisor de carruagens da Carris, um lugar que ambicionava há muito e para o qual contou com a preciosa colaboração do director de recursos humanos da CP, Arnaldo Antunes, colega de carteira na escola primária de Vilar de Ossos de onde ambos eram naturais. Como facilmente se percebe, já com parca idade o menino Vara mostrava uma clara aptidão para aquilo que o notabilizaria mais tarde, ou seja, subir a qualquer custo sem qualquer tipo de preocupações éticas.
Logo na primeira semana em que supervisionava as carruagens do comboio Alfa pendular Lisboa-Porto, fiscalizando o trabalho efectuado pelos restantes trabalhadores do comboio, Armando Vara assistiu a uma prometedora conversa entre um Vereador de uma importante autarquia da Nação e um empresário de Construção Civil. Prometia na dita conversa, o primeiro ao segundo, tudo fazer para facilitar a adjudicação de obra de grande envergadura no Município a troco de mão de obra gratuita na construção de uma vivenda a localizar em área protegida, contando para esse efeito o Vereador com a habitual negligência e generosidade dos técnicos da Autarquia na aprovação das obras.
Viu logo aí o menino Vara – um oportunista ortodoxo - uma grande possibilidade para se imiscuir nos podres corredores do poder. Assim, rapidamente se apresentou, e logo convidou os dois novos comparsas para uma bebida no bar do comboio onde tencionava expor uma ideia que o perseguia há meses e que consistia em abrir uma empresa fictícia com sede nas ilhas Caimão destinada a encobrir negociatas obscuras em Portugal. Para que esse objectivo se concretizasse o jovem Vara precisava de algumas alianças nevrálgicas, e este improvável encontro com estes dois companheiros de depravação, poderia ser um bom presságio para o seu ansiado projecto.
No entanto, para seu desespero, quando diligentemente abria a porta do bar do comboio para os seus convidados passarem, a porta caiu desamparada acabando por atingir o Vereador da Câmara no rosto, que seguia imediatamente atrás, ferindo-o com alguma gravidade. Para piorar as coisas a queda da porta fez quebrar o vidro de uma janela cujos estilhaços atingiram o construtor civil. A marcha do comboio teve de ser imediatamente travada sendo despoletados os meios de emergência habituais face ao aparato do acidente. Como resultado dessa incidência, o comboio acabou por se atrasar de forma irremediável, chegando com horas de atraso ao Porto.
Os Comboios de Portugal acabaram por ter de pagar avultadas indemnizações a dois clientes que provaram em tribunal que o atraso verificado na viagem lhes causou prejuízos irreparáveis.
Foi esta a segunda grande trapalhada do menino Vara….

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