Portugal é muito justamente gozado em alguns meios internacionais pelo recuo integral às anunciadas alterações à TSU. Passos Coelho já não faz a mais pequena ideia do que anda a fazer. Ligou o piloto automático da imbecilidade e, como o tempo tudo revela, hoje percebe-se claramente que por trás da retórica ultra-liberal reside o mais confrangedor vazio político.
Obviamente que a medida tomada isoladamente e apresentada da forma atabalhoada como foi, representava um roubo aos olhos dos trabalhadores portugueses e uma tremenda injustiça para o cidadão comum. Mas continuo a achar que a medida em si, desde que alicerçada numa verdadeira reforma laboral e não em operações de cosmética, poderia fazer sentido. Aliás, o momento ideal para a implementação das medidas estruturais que a economia do país necessitava era logo de início quando ocorreu a entrada da troika em Portugal, como os seus próprios técnicos competentemente diagnosticaram.
Se tivéssemos um Governo que explicasse logo quando toma posse para o que vem, e quais os objectivos a alcançar com o rumo a seguir, os portugueses com a sua habitual benevolência compreenderiam. Algo do género: vamos fazer reformas profundas a ocorrer em 2 anos com a implementação de medidas duríssimas a todos os níveis. Passado esse período começaremos a crescer paulatinamente. A questão é que estes palhaços, que se dizem políticos, quando tomam posse estão totalmente condicionados pelas promessas eleitorais que fizeram na ânsia de chegar ao inebriante - para eles - poder. No fim, acabam por não cumprir as promessas eleitorais e deixam o país ainda pior do que o encontraram, com as pessoas na rua em desespero porque não se deslumbra uma luz (pequena que seja) ao fundo do túnel.
Muito a propósito, ontem tive conhecimento de mais um exemplo perfeito de como não se deve governar um país. Evidentemente que face à trapalhada em que o governo se meteu, agora tem de arranjar soluções para substituir as alterações à TSU. Uma das alternativas que vai avançar é o corte substancial no financiamento a fundações e a extinção de muitas delas. Parece-me bem, estamos a atacar a despesa, sendo que mesmo aí é para mim absolutamente incompreensível acabar com os apoios à casa-museu da Paula Rego quando estamos perante, talvez, a maior artista portuguesa viva. Devia ser apoiada na perspectiva de dar a conhecer a sua obra à juventude de um país culturalmente ainda atrasado. Mas como Paula Rego é low profile, e não trabalha as relações públicas (e muitas vezes promiscuas) como Joana Vasconcelos (cuja obra também gosto, assinalo) é nitidamente alvo de ostracismo. Mas isso dava matéria para outro post.
Acontece que depois de mais um daqueles proeminentes estudos que os governos de Portugal passam o tempo a fazer, decidiram quais as fundações a extinguir. Uma delas, pasmem-se, tinha sido criada em 2011. Não interessa o nome da Fundação, nem o que fazia, não é relevante, mas o governo do nosso país custeou a implementação de uma nova fundação com todas as despesas inerentes (contratação de pessoal, obras no espaço, decoração, etc) porque tinha concluído há aproximadamente um ano (provavelmente depois de mais um estudo e já em período de grave crise) que a sua existência seria imprescindível...
O Desnorte tomou de forma definitiva conta de Portugal…