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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Hipocrisia do Consumismo

Porque será que esta notícia teve tão pouco destaque na nossa comunicação social?
Apple. Entre a espada e os chineses
Gostava de convidar políticos de todos os quadrantes, proeminentes jornalistas, ilustres comentadores, e restantes especialistas de tudo e mais alguma coisa a pronunciarem-se sobre esta questão. Quem está disponível para deixar de utilizar os iPhones e iPads com que norteiam as suas vidas fabricados objetivamente com recurso a trabalho escravo?? Pois, uhhmm...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Bandeira

A mediocridade em que Portugal tem caído, fruto grande parte da visão da gente que nos tem governado, tem como consequência a histeria coletiva que rodeia um caso banal - trágico mas banal – do psicopata de Beja.
Aliás Portugal, enquanto escava cada vem mais fundo o buraco onde provavelmente vai acabar enterrado, rejubila com casos grotescos de foro policial como esse de Beja e o que envolve o mítico criador da “Ternura dos 40” - Paco Bandeira. Mas enquanto a primeira novela não tem qualquer tipo de interesse, a situação que envolve o cantor alentejano é importante do ponto de vista sociológico e deveras elucidativa relativamente à suposta e perigosa impunidade que normalmente goza quem tem algum Poder mediático no nosso país. O Poder, na grande maioria dos casos em Portugal, tem sido utilizado para camuflar vícios proibidos e comportamentos deploráveis. Reside aqui em grande parte a origem das nossas atuais agruras…

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Desacordo

Tem existido grande polémica por aí relativamente à obrigatoriedade do novo acordo ortográfico. Polémica essa que surgiu como resultado da insubmissão de Vasco Graça Moura à aplicação do mesmo nos serviços que agora dirige no CCB.
Primeiro ponto: Se Portugal fosse um País onde imperasse a meritocracia Graça Moura não poderia estar neste momento à frente dos destinos da Instituição. O anterior responsável foi competente, inclusive a gerir a diminuição de recursos que teve ao dispor. Substituir alguém que está a fazer um bom trabalho por razões políticas é estúpido e Francisco José Viegas não fica, de todo, bem na fotografia. Já vi por menos pedirem-se demissões. E o próprio devia refletir bem se não há "relvas" a mais no seu jardim de incongruências.

O Hipocrisias Indígenas utiliza a nova grafia desde o início do ano, não porque ache que seja uma coisa absolutamente indispensável para a felicidade ou sobrevivência do país, mas porque sou um progressista. E tendo um filho ainda petiz tenho a consciência que é nessa escrita que irá aprender a expandir os seus dizeres.

O novo acordo é aceitável na lógica da irreversível globalização, mas não me choca nada que não seja aceite por muita gente. A língua portuguesa é das mais ricas do mundo, e talvez das mais difíceis de dominar na totalidade. Num país de escritores reconhecidos, e muitos frustrados, mexer com umas das coisas que mais nos diferencia é natural que dê azo a diferentes interpretações. Mas Portugal não acaba aqui…

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

As Pieguices

Sempre gostei da palavra “Piegas” e agradeço sinceramente ao Sr. Primeiro-Ministro por a ter trazido para a ordem do dia. É muito mais agradável ler dezenas de vezes a palavra “Piegas” do que palavras como “mercados”, “juros”, “défice” ou mesmo “Buraco”. Pieguices minhas….

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Europa

A Grécia continua a estar no epicentro do vulcão europeu. A grave situação portuguesa pouco tem a ver com a calamidade grega. Estruturalmente a sociedade grega consegue ser mais clientelar que a nossa, por difícil que isso possa parecer. Mas se não houver um fim à vista para a derrocada da economia europeia podemos acabar ainda pior do que estamos.
Entretanto, Merkel refere os túneis e autoestradas da Madeira como péssimo exemplo de aplicação dos fundos europeus. Definitivamente, acabou o Carnaval de Jardim. O último a sair que apague as luzes do túnel. Alberto João é um cadáver político…

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Carvalho

Carvalho da Silva foi-se. Sucede-lhe um jovem lobo de quem ainda não fixei o nome a que todos auguram um grande futuro. Neste contexto específico do sindicalismo a denominação de jovem promessa é relativa. A jovem promessa pode ter perto de sessenta anos, por exemplo, o que não deixa de ser um valente contributo para a justa valorização de uma classe etária mal compreendida e até para o retardamento da idade da reforma.
Mas o que interessa verdadeiramente nesta discussão à volta da CGTP é que o sindicalismo que preconizam está caduco. Perguntem às pessoas na rua o que pensam deles? É simples. E perceberão imediatamente que a insatisfação que as pessoas sentem não é de nenhuma forma enquadrável nas suas ancestrais formas de combate. Pensem na adesão que os movimentos de cidadãos apolíticos estão a conseguir e talvez comecem a perceber o que já deviam ter percebido há muito.
Reunir centenas de delegados em congresso utilizando as mesmas bandeiras, proferindo as mesmas palavras de ordem, e entoando os mesmos hinos dos anos 80 (altura em que também houve uma intervenção do FMI em Portugal) é um exercício que não faz qualquer tipo de sentido. O sindicalismo, tal como o conhecemos, está morto. A Sociedade mudou. Ao nível laboral, a realidade está presentemente a sofrer profundas alterações que marcarão indelevelmente as gerações futuras. A associação de pessoas com interesses comuns em salvaguardar os seus direitos continuarão a existir, e farão sempre sentido, até porque a liberdade foi a mais preciosa conquista de todas. Agora, as formas de intervenção sofrem adaptações inevitáveis que não passam pelas atuais bases do sindicalismo que temos. Não perceber isto, é caminhar para uma sala escura à prova de ruído…

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Cineasta

Sucumbiu um dos melhores cineastas da atualidade. Apesar de filmar pouco, Théo Angelopoulos era dos mais brilhantes da sua geração. Num país em cacos como é hoje a Grécia, morreu na sequência de um atropelamento nos arredores de Atenas. Dificilmente haveria melhor analogia para o declínio da Europa.
A propósito desde desaparecimento, ouçam aqui o magnífico Sinais de hoje na TSF com a habitual assinatura de Fernando Alves, recordando a emblemática obra do Realizador Grego - O Olhar de Ulisses - onde Angelopoulos exacerbava de forma magistral a sua paixão pelo Cinema. 


Angelopoulos foi-se num dia cinzento, mas o seu cinema de um outro mundo fica para a eternidade....

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

As Despesas do Professor

Cavaco numa daquelas suas recorrentes paragens cerebrais confessou que as verbas que aufere de reforma nem sequer dão para as despesas. No passado, já nos tinha brindado com a importante informação de que a sua mulher recebia 800 € de reforma por ter sido professora. Com todo o respeito que tenho pelas Senhoras que vendem peixe, é uma conversa de Peixeiras. Mas o nível intelectual do professor cavaco fica em demasiadas coisas aquém do das Senhoras do Peixe. Esta é que é a verdade. Ainda para mais, num segundo mandato onde já não tem de estar preocupado com a reeleição, estes atestados de senilidade por parte do professor serão certamente mais frequentes.

O Presidente da República relativamente ao assunto em questão só tem que fazer duas coisas:
1) Exige uma mudança da lei para que, excecionalmente, o vencimento do mais alto representante da nação seja objeto de uma imediata revisão para valores consentâneos com a dignidade a que a função obriga. Essa revisão permitirá que o Chefe de Estado em exercício não tenha de optar por receber pensões mais elevadas do que o próprio salário de Presidente. Por exemplo, uma remuneração mensal na ordem dos 20 000 € mais despesas de representação não me pareceria desajustado face aquilo que é na generalidade a realidade das remunerações auferidas por Chefes de Estado por esse mundo fora.
2) Informa o País que como consequência da alteração da lei - até deixar as funções de Presidente da República - ficam congeladas as reformas que hipoteticamente teria direito como resultado dos descontos que efetuou ao longo da sua carreira contributiva.

Esta é a única abordagem possível para o problema. Não tendo coragem para o assumir, o Presidente da República só pode estar caladinho e meter o rabinho entre as pernas. Dizer aos Portugueses nesta altura que os rendimentos mensais que aufere na ordem dos 9 500 € (a que acrescem 2 500 € de despesas de representação como Presidente) não dão sequer para as suas despesas só pode ser uma brincadeira de mau gosto. Obviamente que a comunicação social agradece o brinde e rejubila com tamanha fantochada proporcionada pelo Palhaço-Mor da Nação….

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A Democracia Representativa

Cada mais gente pensa que a democracia não é o melhor sistema. O que é deveras preocupante. Este facto deveria abrir uma reflexão profunda na opinião pública e na sociedade civil. A distância entre eleitos e eleitores é assustadora e tende a aumentar no atual contexto de grave crise económica que vivemos.
Os círculos uninominais são a alternativa mais sustentável ao sistema parlamentar que temos. Ao votarmos num só candidato estamos a responsabilizá-lo diretamente pelas suas intervenções na esfera pública, o que o obrigará a comportar-se de forma mais condigna no domínio privado. A isto chama-se prestação de contas. E ao mesmo tempo introduz-se transparência num sistema decrépito, onde ninguém sabe verdadeiramente quais são os limites para a indecência no meio desta praga que se chama tráfico de influências que corrói aterradoramente, e de forma progressiva, a sociedade portuguesa…

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O Catroga

Catroga como qualquer cidadão com curriculum adequado tem todo o direito de ser convidado a liderar a EDP, mesmo auferindo de remuneração a obscenidade que se fala. Parece-me um processo normal para os costumes enraizados. São cargos de confiança politica, quer se queira quer não. E o que os governantes eleitos dizem em campanha (não há empregos para amigos) só acredita quem quer. E eu nunca acreditei. A única forma de acabar com este banquete é acabar com as empresas públicas. Mas aí, a esquerda já não se manifestaria de forma tão perentória.

Agora, o que é deveras relevante nesta história é o facto de Catroga ir receber 9 693 € de pensão vitalícia resultante da sua legítima carreira contributiva de muitos anos. Nada a opor ao cálculo efetuado. Mas se houver um simples dia em que acumule essa reforma com a exorbitância que vai receber como líder na EDP é caso para os cidadãos de bem saírem à rua, pegarem em armas, e rumarem a São Bento. Tem de haver limites para a pouca vergonha….

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A China

Ainda nem a meio de janeiro vamos, mas o nosso governo já anuncia uma derrapagem previsível no défice do ano, o que obrigará a novas medidas de austeridade a anunciar oportunamente.
Portugal bem que podia tornar-se definitivamente um protetorado da China. Nem que fosse para colocar os comunistas portugueses numa posição deveras inebriante e ao mesmo tempo insólita, pois as suas idiossincrasias ficavam irreversivelmente - se não estão já - completamente desajustadas da realidade contemporânea.
Os Chinocas são trabalhadores incansáveis. Gostam especialmente do nosso sol, da nossa tranquila pequenez e da nossa aparente arte de bem receber. E têm pilim a dar com um pau. Por mim, avancem com isso. Eu sou do Pequim desde pequenino…

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O Pingo Doce

O patrão da Jerónimo Martins falou demais em tempos. Defendeu o Patriotismo entre outros lugares-comuns. Nos tempos conturbados que vivemos tem que ser ter muito cuidado com o que se diz. Só por essa incoerência pode ser criticável o facto de mudar a sede da empresa para a Holanda onde tem impostos mais baixos e, no atual contexto, acesso a financiamento mais facilitado. Para mim, se com essa medida conseguir evitar o despedimento de meia-dúzia de funcionários, já valeu a pena. O objetivo de uma entidade privada é gerar lucro salvaguardando sempre o cumprimento integral das leis em vigor. E, ao que consta, tal transferência é legal. Culpem a Merkel e Durão Barroso. Ao mesmo tempo, acho legitimo que haja gente que se sinta indignada e deixe de ir ao Pingo Doce. Eu não vou deixar de ir pelos mesmos motivos quer me fazem nunca ter deixado de pagar impostos....

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Maçonaria

Num país pequeno onde todos frequentam os mesmos círculos, o líder parlamentar do PSD Luís Montenegro não assumiu quando devia a incompatibilidade que resulta do facto de pertencer à Maçonaria. Acontece que da mesma loja maçónica faz parte Jorge Silva Carvalho, o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED). Montenegro é membro da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Liberdades e Garantias, que tem investigado as irregularidades no SIED, que envolvem Jorge Silva Carvalho. Até percebo que numa sinistra organização, predominantemente secreta, onde ninguém sabe muito bem o que por lá se passa, não faça muito sentido os seus membros andarem para aí a vangloriarem-se disto ou daquilo. Mas agora que a coisa é pública, se fosse sério e despido da sede de poder que o levou a integrar a Maçonaria, a Montenegro só lhe restava um caminho: a demissão.
A corja de cretinos que rodeiam passos coelho estão a começar a dar à costa...

sábado, 31 de dezembro de 2011

O Pão

Que 2012 traga Pão, Saúde e que se respeitem as Liberdades individuais. O resto também interessa, mas não é essencial. Bom 2012….

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Bigodes

A Passos Coelho fugiu a boca para a verdade, como se costuma dizer em bom português. Devo dizer que não me chocam grandemente as palavras do nosso Primeiro. Não devemos acusar os Políticos por serem hipócritas e pelo seu contrário. Concordo que é uma bela argumentação para ser utilizada em privado, mas que é matéria algo sensível para ser ouvida pela boca do responsável máximo pelo estaminé. Seria uma grande tirada para animar um jantar de amigos nesta quadra natalícia. Mas Passos Coelho mediu bem o que disse e sabia ao que ia. A cartilha liberal paulatinamente vai seguindo o seu rumo e ele continua em estado de graça porque tem gerido bem as suas declarações ao longo destes meses. Tem esse mérito e, quanto a mim, não tem sido tão mau Primeiro-Ministro como eu supunha inicialmente. Obviamente que as minhas expectativas eram abaixo de cão. Agora, apesar de algumas escolhas felizes para pastas-chave, está rodeado de cretinos que mais tarde ou mais cedo vão emergir à superfície. E nesta história dos professores há um dado incontornável: cada vez há menos jovens em idade escolar e cada vez há mais professores saídos das faculdades disto e daquilo, e essa realidade nenhum sindicalista de bigode pode contrapor com argumentos da idade da pedra. Eu que sou de uma Esquerda Indeterminada penso que a Esquerda de Combate precisa de novas ideias e de novos rostos. Com ou sem bigode....

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Dilema

Portugal vive tempos de completo desnorte. A ficção reina. Num país que vive à beira do precipício sem qualquer fundo de tesouraria que permita aliviar as depuradas contas públicas e, por conseguinte, as carteiras dos contribuintes, perdeu-se imenso tempo a discutir o que se deveria fazer com um famigerado excedente que resulta dos fundos de pensões da banca que o estado vai receber ainda este ano. Aliás, é engraçado como um negócio ruinoso no médio/longo prazo para os cofres do estado dá azo a tanta fantasia. Eu diria que basta esperar pelo surgimento de novo buraco orçamental, o que, atendendo ao nosso histórico recente, não tardará a acontecer. Haverá sempre um BPN num qualquer Jardim do Atlântico para ajudar a resolver o Dilema…

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Excedente

Passos Coelho descobriu debaixo do tapete um excedente de dois mil milhões para injectar na economia. Estamos a entrar numa quadra marcada pela fantasia e o nosso Primeiro gosta de brincar com os palhaços que vão no comboio ao circo. A leviandade neste governo vai subindo de tom e antevejo grandes concretizações em 2012 a esse nível. Portugal tem um grupo complicado. O Sorteio foi azarento. Mas temos jogadores de qualidade que nos podem trazer o caneco de campeões da europa da Demagogia….

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Contágio

Até a Alemanha começa a ser pressionada pelos mercados. Ao menos o raio da velha também há de ir ao fundo, pensam muitos. Por seu turno, a Espanha virou à direita numa tentativa de fugir ao inevitável.
Em Portugal discutem-se migalhas nos subsídios dos funcionários públicos com o objectivo único de ficar bem na fotografia final do Orçamento. Seguro politicamente não passa de um interlúdio pastoral. Otelo está senil e Soares tenta usar o que resta da sua legítima e merecida margem de influência democrática para tentar suavizar os danos. A Europa que Mário Soares ajudou a criar está decrépita e sem rumo. Ninguém o ouve porque, além de não apresentar alternativas válidas, é personagem que já não pertence a este filme…

sábado, 26 de novembro de 2011

O Derby do Povo

Hoje é dia de Benfica-Sporting. Hoje é dia do Derby dos Derbys. De há uns anos para cá, com a explosão futebolística do Porto, os duelos entre portistas e benfiquistas talvez se tenham tornado mais intensos. Mas o verdadeiro derby do futebol português, o que exacerba mais as emoções dos adeptos, nunca deixou de ser este. Clubes que vivem separados por apenas umas centenas de metros, partilham umas das mais belas cidades do mundo. De um lado vermelhos de ardor, do outro lado verdes de esperança. Hoje é dia de emoção, picardias várias e cafés a abarrotar com gritos efusivos por tudo o mundo português. Hoje é dia de casos de arbitragem e espectáculo garantido. Hoje não se fala de outra coisa. No fim, qualquer que seja o resultado, continuarão as rivalidades, as discussões e as provocações entre colegas, amigos e vizinhos. Hoje é dia de Paixão em Portugal. A Crise que se lixe. Os mercados que se danem. Hoje é dia do ópio do povo. Hoje é dia de Derby…

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A Banca

O capitalismo selvagem dos tempos modernos mergulhou a sociedade num ciclo vicioso que demorará anos a ser invertido. Portugal endividou-se à custa das campanhas dos principais bancos que ofereciam dinheiro a quem lhes entrasse pela porta, muitas vezes nem era preciso tanto, bastava um telefonema. Obviamente que os banqueiros enriqueceram imenso à conta disso e sobredimensionaram as instituições que lideram a um volume de negócios que não era sustentável a longo-prazo. Ao mesmo tempo, financiavam as famosas parcerias público-privadas, ficando credores em muitos milhões do próprio Estado. Com o sistema em declínio como resultado da deterioração dos tais “mercados” que os Banqueiros idolatravam, e com o avolumar da pressão internacional para que os rácios financeiros do sistema bancário apresentem valores razoáveis de solvabilidade, a Banca portuguesa está entre a espada e a parede. Convém também salientar que os principais bancos empregam milhares e milhares de pessoas para os quais pura e simplesmente vai deixar de haver trabalho. É impossível fugir a esta realidade, porque o crescimento dos bancos foi sendo construído debaixo de alicerces frágeis, frágeis como uma bola de neve. Semearam a ilusão de uma vida de sonho aos clientes e agora pagam o preço. O facilitismo acaba sempre mal.
A tendência, a começar pelo fundo de pensões dos bancários, é os recursos humanos da banca passarem gradualmente para a esfera pública, o que torna todo este jogo de interesses ainda mais surreal para o bolso do contribuinte.
Recapitalizar a banca sem contrapartidas, resolveria alguns problemas da Economia a curto-prazo, mas provavelmente o problema de fundo manter-se-ia e até se agravaria. Convém também esclarecer que nem todos os banqueiros são iguais a Oliveira e Costa e nem todos os bancos são o BPN. Existe ainda algum fundo de responsabilidade em alguns dos poderosos. Aliás em França e nos Estados Unidos alguns dos milionários até acham que devem pagar mais impostos.
Resumindo, os banqueiros beneficiaram de uma pervertida supervisão por parte do Estado para crescerem e multiplicarem dividendos. Em contrapartida, financiavam investimentos públicos que permitiram algumas realizações ao País. Com a explosão da crise, nem o Estado tem condições para amortizar os avultados financiamentos que a banca lhe concedeu, nem os bancos têm margem para libertar capital para revitalizar a economia.
O Mundo muda cada vez mais depressa...