Dois documentários e uma curta-metragem actualmente em exibição nas salas portuguesas e tudo devidamente apreciado num único post. É necessário poupar espaço virtual.
Começando pela curta de 30 minutos que aparece como complemento a Ruínas, João Nicolau apresenta “Canção de Amor e Saúde” uma onírica história de amor em que a câmara é manejada com inegável talento. No entanto o resultado final é algo insípido e inconsequente. Rodada no Porto entre o centro comercial Brasília e o Parque da Serralves mostra contudo algumas ideias interessantes das quais sobressai o fascínio do protagonista por uma máquina (foto abaixo) onde constantemente faz o teste do amor….
Manuel Mozos - um dos mais personalizados realizadores portugueses - continua a sua resistente caminhada pelo cinema Luso agora com Ruínas. Uma interessante descida aos confins perdidos de um Portugal esquecido, através da visita a alguns edifícios que foram um dia emblemáticos e que actualmente se encontram à beira da ruína e em acelerada decadência.
Com uma fotografia e sonoplastia assinaláveis o filme revela-nos por exemplo, entre outras realidades, o que resta de alguns dos teatros do Parque Mayer, do restaurante panorâmico de Monsanto, do Sanatório da Covilhã ou da Estação Ferroviária de Barca d'Alva.
Em suma, um belo poema sobre as cicatrizes progressivas deixadas pelo passar do tempo, escrito pela mão de um eterno combatente como é Manuel Mozos…..
Através de um documentário inquestionavelmente bem produzido e a que ninguém fica indiferente intitulado “Pare, Escute, Olhe”, Jorge Pelicano dedica à Região do Tua, muito justamente, um postal lindíssimo. E convém realçar que falamos de umas das mais belas Regiões de Portugal, o que só por si vale o preço do bilhete.
No entanto “Pare, Escute, Olhe” tem quanto a mim algumas evidentes fragilidades. A meio caminho da reportagem televisiva, o documentário é assolado de alguma demagogia a cair para o politicamente correcto. Por exemplo, a comparação com o turismo levado a cabo na Suíça é de uma imbecilidade gratuita e sem qualquer sentido. Trata-se de tentar comparar o incomparável. O facto de se valorizar os argumentos da associação ambientalista sem escalpelizar de forma mais sustentada as vantagens e desvantagens da construção da barragem também me parece um pouco precipitado e forçado. Falta ainda notoriamente dar voz à CP. Aos Caminhos de Ferro Portugueses são efectuadas acusações directas e indirectas e que justificavam e careciam de defesa. Ou seja, numa perspectiva fria e distante Pare, Escute, Olhe não é dos documentos intelectualmente mais honestos. Obviamente que estas lacunas não põem em causa a importância de pôr a nu as desigualdades que continuam a existir no Portugal do século XXI bem como ostracismo a que as populações da zona são abandonadas. E aí admito, o documentário cumpre o seu papel com eficácia e visível notoriedade…
Começando pela curta de 30 minutos que aparece como complemento a Ruínas, João Nicolau apresenta “Canção de Amor e Saúde” uma onírica história de amor em que a câmara é manejada com inegável talento. No entanto o resultado final é algo insípido e inconsequente. Rodada no Porto entre o centro comercial Brasília e o Parque da Serralves mostra contudo algumas ideias interessantes das quais sobressai o fascínio do protagonista por uma máquina (foto abaixo) onde constantemente faz o teste do amor….
Manuel Mozos - um dos mais personalizados realizadores portugueses - continua a sua resistente caminhada pelo cinema Luso agora com Ruínas. Uma interessante descida aos confins perdidos de um Portugal esquecido, através da visita a alguns edifícios que foram um dia emblemáticos e que actualmente se encontram à beira da ruína e em acelerada decadência.
Com uma fotografia e sonoplastia assinaláveis o filme revela-nos por exemplo, entre outras realidades, o que resta de alguns dos teatros do Parque Mayer, do restaurante panorâmico de Monsanto, do Sanatório da Covilhã ou da Estação Ferroviária de Barca d'Alva.
Em suma, um belo poema sobre as cicatrizes progressivas deixadas pelo passar do tempo, escrito pela mão de um eterno combatente como é Manuel Mozos…..
Através de um documentário inquestionavelmente bem produzido e a que ninguém fica indiferente intitulado “Pare, Escute, Olhe”, Jorge Pelicano dedica à Região do Tua, muito justamente, um postal lindíssimo. E convém realçar que falamos de umas das mais belas Regiões de Portugal, o que só por si vale o preço do bilhete.
No entanto “Pare, Escute, Olhe” tem quanto a mim algumas evidentes fragilidades. A meio caminho da reportagem televisiva, o documentário é assolado de alguma demagogia a cair para o politicamente correcto. Por exemplo, a comparação com o turismo levado a cabo na Suíça é de uma imbecilidade gratuita e sem qualquer sentido. Trata-se de tentar comparar o incomparável. O facto de se valorizar os argumentos da associação ambientalista sem escalpelizar de forma mais sustentada as vantagens e desvantagens da construção da barragem também me parece um pouco precipitado e forçado. Falta ainda notoriamente dar voz à CP. Aos Caminhos de Ferro Portugueses são efectuadas acusações directas e indirectas e que justificavam e careciam de defesa. Ou seja, numa perspectiva fria e distante Pare, Escute, Olhe não é dos documentos intelectualmente mais honestos. Obviamente que estas lacunas não põem em causa a importância de pôr a nu as desigualdades que continuam a existir no Portugal do século XXI bem como ostracismo a que as populações da zona são abandonadas. E aí admito, o documentário cumpre o seu papel com eficácia e visível notoriedade…












