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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Neurónio

Jeremias viajava de epitáfio em epitáfio à procura da despedida perfeita para aquele filho que queria fazer desaparecer. Jeremias sempre achou piada a quem bloga de segunda a sexta, descansando aos fins de semana, como se o ato de blogar fosse uma obrigação. Estranhos são os caminhos da contemporaneidade, pensava Jeremias. 
As palavras para Jeremias nunca tiveram sentido de oportunidade. Escrevia por absoluta necessidade. Porque era simplesmente humano e sempre era uma forma de estar bem com o mundo. Mas as suas palavras estavam a ficar cada vez mais afiadas, mais castradoras, mais venenosas para quem assumiu o desafio de lançar um filho de carne e osso - a sua única obra suprema - na roleta da vida. 
Aproximava-se a altura de Jeremias enclausurar as palavras, que têm vida própria e que nunca deixarão de fervilhar na sua cabeça, numa sala fechada com acesso restrito a um único neurónio – o de Jeremias…

O Pensamento do Mês

Há coisas nas Árvores que sempre me fascinaram. Dava tudo para poder ser Árvore. Isto de ser humano, além de ser uma carga de trabalhos, tem os dias contados…

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A Pergunta

Um dia perguntaram a Jeremias porque desenhava com exatidão as correntes que desaguavam nos ondulantes rios da Ironia? Jeremias, engoliu em seco, e respondeu que apesar de não ter tanto Mundo como gostaria, sempre viveu num país chamado Hipocrisia…

terça-feira, 23 de outubro de 2012

As Crises

Jeremias olhava para a propagada crise do Sporting como olhava para o buraco onde Portugal estava enterrado. Ambas as tormentas lembravam-lhe a música do Palma. Tinha uma secreta esperança que ainda houvesse caminho para percorrer, porque enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar… 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A Tragédia

Já era a segunda vez que Jeremias ouvia o seu filhote de 3 anos proclamar a alto e bom som que era do porto. Isto, logo quando entrava em casa e quando não existia nenhuma ligação imediata ao nível familiar que tornasse provável essa simpatia pelo clube da fruta. Ao que parece, uma tal de Salomé (coleguinha na escola) era a responsável por estes devaneios existências do sócio 81 474 da maior potência desportiva nacional - o melhor mesmo era olhar para a coisa somente neste prisma e não pensar muito no resto. Dizia-lhe a pequena que o Sporting não ganhava nada e que o porto é que era bom. Perante esta hecatombe emocional, Jeremias contemplava o infinito de forma apreensiva e interrogava-se devastado: será que aos 3 anos o puto já terá clarividência suficiente para perceber que as mulheres de olhos bonitos podem ser especialmente perigosas? É capaz de ser um pouco cedo para isso, meditava Jeremias. Agora, não restavam dúvidas a Jeremias, que o pimpolho começava cedo a apreender o conceito camiliano de amor de perdição…

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Menino do Rio

Jeremias tinha uma especial predileção por histórias de encantar. Contava, vá-se lá saber porquê, poucas histórias de encantar ao seu rebento. A verdade é que o Pimpolho adorava as lendárias histórias de encantar dos livros já escritas há muito tempo. O facto de pedir com insistência a leitura da bela e o monstro não deveria ter significado algum de relevo, refletia Jeremias. Provavelmente para um daqueles pedopsiquiatras que inundam as televisões e afins, tal tendência transformar-se-á no futuro num grave desequilíbrio mental. Loucos são quem ouve e dá importância a estes médicos que leem muitos livros técnicos, mas não sabem usar a cabeça - pensava Jeremias.
Hoje, Jeremias, lembrou-se da história do Menino do Rio para contar ao seu rebento:
O Menino do Rio foi um rapaz oriundo de famílias humildes que fez fama e fortuna à conta do seu talento para contar histórias de encantar a todos os outros meninos de origens igualmente humildes. O Menino do Rio cresceu, fez-se homem e, em nome do Pai, voltou um dia ao Bairro que o viu nascer para o mundo das Celebridades. O Menino do Rio tem hoje 5 netos, os quais embala harmoniosamente ao ritmo das suas famosas histórias de encantar…

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O Cálice

Jeremias gostava de sentir aquele prazer interior de voltar a locais onde viveu anteriormente dezenas de momentos de grande partilha. Um simples cálice de licor de nozes de produção caseira na aconchegadora adega de sempre, entre dois dedos de conversa, era motivo mais que suficiente para que a alma de Jeremias se comovesse discretamente com o simbolismo do reencontro. Para Jeremias e seus comparsas, o tempo já não voltava para trás. Restava-lhes o conforto do espírito para a coisa não se ter perdido na poeira da vida…

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Genialidade

Jeremias achava - tal como Salvador Dalí disse um dia praticamente do leito da morte num daqueles seus famosos acessos de humildade que o caracterizavam - que os Génios nunca deveriam morrer. 
Jeremias sentia a falta de João César. Para matar saudades, nada melhor que rever o olhar derradeiro que João César Monteiro fez questão de legar à eternidade. Os Génios não se abatem assim. Continuarão para todo o sempre a resgatar almas da neblina. 
Avé João César!…
 
Não, não é o fim do Hipocrisias Indígenas, para já. Mas que seria o epílogo perfeito para este Blogue, agora que penso nisso, seria...

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A Citação

"Quase todos os homens são capazes de superar a adversidade, mas se quiserem pôr à prova o carácter de um homem, dêem-lhe poder."
Abraham Lincoln

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O Remador

Remava contra ventos e marés, não porque fosse especialmente dotado do ponto de vista físico, mas porque era a única saída possível para aquele rio de amargura…

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A Metáfora

Jeremias era cada vez mais um tipo de deleites subtis, mas ao ouvir a primeira metáfora saída da boca do seu pimpolho não podia deixar de ficar com a alma estarrecida. É que os cabelos dançavam mesmo…

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Adiar

Portugal é um País de concretizações continuamente adiadas. De aventuras que não chegam a ser aventuras. Até para o cumprimento do défice, vamos ter de pedir mais tempo. No Futebol a seleção irá ganhar é em 2014 e por aí fora, num contínuo empurrar para terras do nunca daquilo que estava ali ao nosso alcance.

Jeremias no meio da sua habitual loucura pensava para com os seus botões que se 1% dos projetos idealizados à mesa do café,  e que acabam irremediavelmente proscritos na gaveta (ou na Pastelaria de O´Neill), pudessem ser incorporados no PIB não havia cá Alemanha que nos fizesse frente….

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Nepal

Perante a mesquinhez mais ignorante, Jeremias silenciava a sua revolta. Os silêncios esforçados de Jeremias ecoavam nas montanhas do Nepal... 

quarta-feira, 28 de março de 2012

O Homem que comeu rojões ao Jantar

O Homem que foi profissional de excelência na indústria da restauração comeu rojões ao jantar que lhe caíram mal. Parece que me estavam a atirar pedras ao estômago, foram as suas palavras. Por uma questão de cortesia para com o restaurante onde jantava (ele, que tratava todas as minúcias do negócio por tu) não quis fazer uma suprema desconsideração ao seu humilde servidor. Fez um esforço e comeu a refeição até ao fim. Como resultado do seu benevolente ato, levantou-se várias vezes durante a noite. O day after foi penoso para o Homem que tinha comido rojões ao jantar…

terça-feira, 20 de março de 2012

O Estranho

Jeremias olhava para as sombras do passado na ânsia de projectar o futuro. Jeremias tinha dificuldade em gostar de pessoas, mas a verdade é que também nunca gostou de animais. Como diria o velho James Douglas Morrison as pessoas são estranhas quando nós somos estranhos…

quarta-feira, 7 de março de 2012

A Saudação

Jeremias gostava de prestar atenção às diferentes formas com que as pessoas se saudavam habitualmente. Daí, surgiam sempre preciosos indicadores relativamente à personalidade das mesmas. De todas as possíveis variâncias a mais curiosa para Jeremias era a utilizada por um vizinho metafórico: "Cá vamos, neste Vale de Lágrimas"...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Homem que tinha uma memória prodigiosa

Havia um Homem que tinha tão boa memória que nunca se esquecia de nada. Até se lembrava de referir que tinha uma memória prodigiosa. Adorava Futebol. O seu Jogador preferido era aquele rapaz da Madeira, formado em Alvalade, o Cristiano Renato...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O Parque Automóvel

Jeremias andava com um carro de 10 anos que se puxasse muito por ele começava a fazer barulhos esquisitos. No entanto, na presente quadra o Pai Natal tinha sido amigo. Jeremias, viu-se de repente rodeado das mais potentes bombas, inclusive um Ferrari topo de gama. 
Das mais variadas marcas e cores, Jeremias possuía agora um parque automóvel de fazer inveja a muitos Ministérios….