terça-feira, 2 de setembro de 2008

Eu quero ser campeão! (round 2) Braga 0 Sporting 1

Entrar bem, marcar cedo e depois controlar, até parece simples. Deve ser isto que se chama ter estofo de campeão. A equipa está de facto mais experiente........
Sempre gostei do Abel, apesar das críticas. Dizem que defende mal mas o Sporting em 90 por cento dos jogos tem que jogar é ao ataque. E os laterais actualmente são fundamentais para isso. Grande parte do golo vitorioso de Postiga pertence-lhe…..
Começar a ganhar fora, o grande busílis da época passada, é muito positivo.
Ao que parece, não sou só eu que quero ser campeão……

sábado, 30 de agosto de 2008

A (in)segurança

Toda a gente fala actualmente de insegurança. Há quem diga que é tema com o qual a esquerda tem dificuldade em lidar. Esse hipotético pouco à vontade a falar do assunto deve-se naturalmente ao facto de a criminalidade aparecer muitas vezes associada – por vezes injustamente - às classes socialmente mais desfavorecidas, a comunidades de imigrantes e a algumas minorias étnicas.
Eu que sou de uma esquerda indeterminada, seja lá o que isso for, não tenho dificuldades em falar sem preconceitos da questão.

Como cidadão preocupam-me obviamente alguns inquietantes indicadores ao nível da insegurança, no entanto como em tudo na vida é necessário separar o trigo do joio. Nesta fase, o desproporcionado aproveitamento que os media fazem de algumas situações levou a que se tivesse criado um clima geral de apreensão que em nada beneficia o trabalho preventivo das forças da ordem.
Por outro lado quem dirige os principais órgãos de comunicação social devia ter o cuidado de proporcionar uma formação mais consistente aos fazedores de noticias, ou no mínimo haver regras previamente estipuladas para todos, no sentido de se evitar cair em estigmatizações absurdas como aconteceu no recente e famigerado assalto à agência BES “por brasileiros” como foi amplamente e generalizadamente divulgado.

Os recentes acontecimentos da Quinta da Fonte em Loures são lamentáveis mas não deixo de os considerar, infelizmente, previsíveis.
Alguns dos nossos bairros sociais situados nas periferias das grandes cidades são autênticas bombas relógio que necessitam de muito pouco rastilho para rebentarem.
Ao contrário do que alguns pensam não existem soluções mágicas para fazer comunidades desavindas viverem em harmonia. É contudo possível efectuar um maior controlo efectivo por agentes devidamente preparados para lidar com populações carenciadas e complicadas. Por exemplo os ciganos são uma comunidade extraordinariamente fechada com a qual é extraordinariamente difícil negociar. Torna-se por isso um processo bastante demorado obter a necessária confiança da parte deles.
Outra possível resposta preventiva para o problema resulta do trabalho na inclusão social destas familias mais carenciadas, sendo que aqui é necessário uma melhor articulação entre as diversas instituições que trabalham a este nível o que não tem acontecido até aqui.

Sou um acérrimo defensor das polícias e das forças da ordem em geral. Muitas vezes sem condições mínimas de trabalho, com remunerações deficientes, exercendo a sua actividade em contextos extraordinariamente traumatizantes como já tive oportunidade de assistir, muito próximo de mim, em ambientes futebolísticos.
São sobretudo seres humanos que todos os dias dão a cara por todos nós. Sendo que depois de um dia de trabalho voltam, também, para junto dos seus, sabe-se lá em que condições anímicas.

A minha visão do assunto de momento em Portugal não é tão catastrófica como muitos tentam apregoar.
Julgo que Portugal apesar de já não ser o país dos brandos costumes do passado não está a saque nem nada que se pareça. Há sem duvida alguns tipos perigosos de criminalidade a florescer sendo que em outras áreas as mudanças e as evoluções também ocorrem.
É importante dar tempo também às forças da ordem e às próprias leis para se adaptarem a estas novas realidades. Concordo sem dificuldade que em algumas situações as leis têm que endurecer evitando mal maiores e actuando ao nível da prevenção dissuasora.
Também é importante sabermos situarmo-nos no tempo. O país vive uma conjuntura económica difícil o que arrasta sempre consigo um crescimento dos índices de crimes, nomeadamente ao nível dos pequenos furtos, originados em muitos casos pelo desespero de quem precisa e não tem.
O discurso sobre a nossa (in)segurança não é património da direita nem de ninguém em particular. Diz respeito a todos os cidadãos de bem…..

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Pictures of you – The Cure

A filosofia do tempo

Com o avançar dos anos perde-se a impetuosidade dos incautos mas ganha-se a sabedoria dos vigorosos….

Com o angustiante peso das batalhas vividas prefere-se a segurança do seguidismo frouxo à loucura imprevisível dos sonhadores utópicos….

A utopia definitivamente não é para todos…..

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Aquele querido mês de Agosto

Miguel Gomes, ainda um jovem realizador, apresenta-nos um filme lapidar mas já suficientemente polido e amadurecido que nos surpreende a cada momento.
Na senda da obra-prima o realizador presenteia-nos com uma descida vertiginosa ao Portugal profundo, longe das rotas turísticas proporcionados pelas auto-estradas do Professor Cavaco e das apalhaçadas inaugurações (e afins) do Engenheiro Sócrates.…

Um filme que me fascinou particularmente talvez por ser nascido e criado na província tal como Miguel Gomes. Eventualmente por isso as referências (e as raízes) possam ser semelhantes.
O único aspecto menos positivo que encontro no filme é a excessiva participação da própria equipa de produção no mesmo, incluído o realizador, a espreitar também nitidamente um universo godardiano que seria quanto a mim dispensável. Isto apesar de eu próprio ser um grande apreciador do Cineasta Francês…

Aquele querido mês de Agosto permite-nos uma prodigiosa elevação ao fascinante mundo das festas de verão nas pequenas aldeias ao ponto de nos extasiarmos ao som do tradicional fogo de artificio. Proporciona-nos uma fantástica contemplação de toda a sua envolvente, da religiosidade santificada, dos imaginários odores intensos, das paixões nos corpos quentes.
Tudo de uma beleza simples e estonteante numa aproximação perfeita aos contornos efémeros da natureza humana.
Filmado sem paternalismos de alcova, o filme na fronteira entre realidade e ficção olha para as personagens – tudo actores não profissionais - de forma sumptuosa assumindo as suas idiossincrasias diversas sem complacências desnecessárias.
Uma certa forma de ser Portugal filmado com um cinismo preciso, sem espaço para sociologias da treta….

Quem filma assim não engana. Miguel Gomes respira cinema pelos poros concretos da vida. Quem dirige a câmara com esta perspectiva cirúrgica só pode mesmo caminhar para a obra-prima absoluta. Há já muito tempo que não se via filmar assim.
Para mim, venha o que vier, está desde já encontrado um dos grandes filmes de 2008….

terça-feira, 26 de agosto de 2008

É sempre a somar, o bom do Vicente!

Depois de ter chocado o país desta forma, o presidente do Comité Olímpico de Portugal Vicente Moura continua em grande com declarações deste calibre.....
Parece que o Governo não está pelos ajustes descartando a sua hipotética continuidade. Não percebo pá, o homem até diz que ultrapassámos a Grécia!...
Independentemente da forma como o estúpido ranking oficial está organizado, esqueceu-se o bom do Vicente foi de referir que a Grécia conseguiu o dobro das nossas medalhas.....

Jackson Pollock


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O guia turístico endiabrado

Num passeio turístico por Berlim tive oportunidade de descobrir – é o melhor termo - um guia inglês alucinado.
Licenciado em Filosofia, estudou em Oxford tendo ido para Berlim apaixonado pela imensa vida nocturna da cidade e por causa das gajas, confessou a quem o ouvia.
Porque demonstrou um enorme profissionalismo e um humor invulgarmente requintado aqui fica a devida homenagem, dear Will….

Eu quero ser campeão! (round 1) Sporting 3 Trofense 1

É o que se pode chamar uma entrada a todo o vapor. Ao intervalo o Grande Sporting vencia três a zero. E sem Liedson e Vukcevic atente-se. Obviamente que o adversário era o modesto e recente primodivisionário Trofense que contudo revelou-se uma equipa bastante aguerrida e lutadora.
Principais ilações retiradas por este treinador de sofá / bancada:
Miguel Veloso actualmente não tem lugar nesta equipa. E caso entre, só se for para o lugar de João Moutinho um mal amado neste blog, aliás. Correndo o risco de estar a ser implicativo parece-me que João Moutinho anda com menos influência no jogo do Sporting, esconde-se mais do que era habitual e receia rematar à baliza. Relembro que foi ele, e mais ninguém por ele, que se meteu na situação delicada em que ainda se encontra.
Realço a importância que Derlei tem actualmente na equipa. Um jogador experiente, bom tacticamente, aparece com força, determinado e aparentemente recuperado das lesões que o tem apoquentado.
Djaló está bem e recomenda-se. Rochemback está de facto em grande forma, no entanto lembro-me que na anterior passagem pelo clube tinha também grandes inícios de época e depois enfraquecia com o decorrer da mesma. Atendendo a que o seu futebol é muito físico era importante para o colectivo que demonstrasse uma grande regularidade durante a época, o que não prevejo que aconteça.
Dois aspectos negativos no jogo, ambos no mesmo lance:
Um jogador com a experiência de Polga não pode arriscar a expulsão daquela forma a ganhar por três a zero. Um acto irreflectido que deve ficar como ensinamento para o futuro.
A arbitragem, Paulo Bento tem razão quando afirma que é preocupante.
Apesar de num passado próximo nem sempre ter sido assim, pessoalmente não acredito que hoje os árbitros errem deliberadamente. Parece-me mais uma questão de competência, ou neste caso de falta dela, pois os nossos juízes são de facto extraordinariamente maus.
Somente árbitros com real falta de vocação podem no decorrer do primeiro jogo um pouco mais mediático do campeonato meterem-se numa embrulhada daquelas.
Independentemente dessa constatação, a mim o que me faz mais confusão como simples espectador é que no meio da discussão do lance entre árbitros e jogadores, que dura nestes casos sempre uns bons minutos, o quarto árbitro tem tempo mais que suficiente para rever e comunicar através do intercomunicador a injustiça da decisão. Assim, a verdade desportiva seria de imediato reposta sem mais espaço para polémicas.
Se quem manda no futebol não percebe isto, então expliquem-nos para que servem na realidade os quartos árbitros e os intercomunicadores?....

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Hallelujah - Jeff Buckley


Versão de um original de Leonard Cohen gravado por este em 1984 no álbum Various Positions.....

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vou sair mas pensando melhor sou capaz de ficar!


Com dirigentes assim, demonstrando este nível de convicções, o Nélson Évora fez mesmo um milagre......

A cidade mártir

Visitar Berlim em poucos dias implica uma selecção prévia do que se quer ver. É a sugestão que deixo para eventuais futuros viajantes pois existe uma grande quantidade de locais de interesse potencialmente visitáveis…..


É admirável o que a cidade já teve de ultrapassar para se redescobrir por duas vezes.
Como resultado das suas dementes acções, Adolf Hitler foi indirectamente responsável pela destruição massiva de Berlim durante a segunda grande guerra. Mais tarde, depois da queda do muro houve necessidade de reorganizar por completo a cidade reunificando o oeste e o este depois de muitos anos a viverem de costas voltadas.
Apesar destes obstáculos, Berlim volta a ser nos dias que correm unanimemente considerada como um dos principais pólos aglutinadores ao nível cultural na Europa…
Não deixa de ser irónico perceber que o antigo bunker de Hitler hoje é um vulgar parque de estacionamento. Apesar de não ser uma questão consensual, agrada-me sobremaneira esta faceta pouco pudica dos alemães de mostrar, sem exageros mercantilistas, a faceta macabra de um regime horrendo e tirano que conduziu à mais terrível das tragédias, o Holocausto.
Penso mesmo que os mais maléficos períodos da história mundial não devem ser ocultos em secretismos estéreis. Devem, sim, ser assimilados, estudados e compreendidos no sentido de poderem vir a ser frontalmente rejeitados pelas gerações futuras…


Visitei o antigo campo de concentração de Sachsenhausen a norte de Berlim e tive oportunidade de me confrontar com a degradação humana a que os prisioneiros foram submetidos, principalmente, mas não exclusivamente, os Judeus. A mágoa que sentimos ao estarmos frente a frente com as prisões e as câmaras de gás de Hitler é inexplicável. O trabalho liberta lê-se na entrada do campo. A estupidez humana não tem limites…..

Pessoalmente o que mais me fascinou em Berlim foi a forma como toda a simbologia relativa ao muro e à sua história aparece integrada na vida quotidiana da cidade numa simbiose perfeita. A guerra fria, as histórias de quem viveu separado por muitos anos, as tentativas bem sucedidas e as goradas de quem arriscou a passagem para o outro lado da antiga muralha berlinense são imagens e sobretudo memórias de um peso histórico irrecusável…


Cidade que apesar das convulsões viveu sempre na vanguarda da arquitectura mundial viu recentemente a parte leste profundamente modernizada e reconstruída....
Existe uma nova Berlim a explorar, sempre e cada vez mais multicultural, que promete boas sensações a quem a visita.....

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O Violoncelo da Liberdade






















Após a queda do Muro em 1989 Mstislav Rostropowitsch violoncelista e maestro russo chegou de imprevisto a Berlim para fazer um concerto totalmente improvisado ao lado dos primeiros destroços do muro. «Foi o que meu coração ditou», disse ele mais tarde...….

O músico foi sempre ao longo da sua vida e carreira um defensor intransigente dos direitos humanos. Em 1970, quando o regime soviético renegou o escritor Soljenitsin pelo "Arquipélago de Gulag", Rostropovich ofereceu-lhe “asilo” em sua casa, coisa que mais ninguém teve coragem de fazer. Devido a esta atitude, o regime soviético cancelou-lhe concertos, gravações e foi inclusivamente proibido de viajar para o estrangeiro. Em 1974, o casal Rostropovich conseguiu sair da União Soviética só tendo voltado com a sua dissolução. Morreu aos oitenta anos.

Tocou Bach de forma magistral, diz quem ouviu naquele dia em Berlim….

Agora sim, vem aí progresso!

Ao que parece, o presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, defendeu este domingo a criação de um novo partido que faça oposição a sério e que contribua para mudar o país e descentralizar o poder em Portugal. Com a designação de Partido Social Federalista, o hipotético movimento seria um partido ao centro, com base nos grandes princípios de justiça distributiva e da doutrina social da Igreja....

Era precisamente isto que todo o país ansiava. O alarve-mor da nação a criar um novo partido apadrinhado pela santa madre igreja….
E a Dra. Ferreira Leite, o que achará de tudo isto???....

domingo, 17 de agosto de 2008

Rupprecht Geiger

Coincidindo com o primeiro centenário do nascimento do genial artista e arquitecto Rupprecht Geiger, a Neue Nationalgalerie de Berlim realiza uma exposição sobre o seu trabalho, que poderá visitar-se até dia 5 de Outubro de 2008. Na sala dedicada às artes gráficas mostra-se uma selecção de peças que datam da década de 40, enquanto no piso superior podem contemplar-se algumas obras de grande escala, cujas cores vibrantes parecem mais intensas graças ao espaço diáfano e transparente do museu alemão. Caracterizadas pela intensidades das suas gamas de tons, encontramos nas obras de Geiger uma tendência cada vez maior para o monocromatismo a partir dos anos 70, enquanto que a paleta de vermelhos se vai convertendo paulatinamente em protagonista das mesmas. O facto de ser arquitecto e artista é especialmente relevante para compreender a sua produção, já que nesta encontramos um significativo interesse pela exploração do espaço através da pintura, pelos novos e livres formatos, as figuras geométricas ou o uso da pintura de spray, assim como por conseguir integrar o seu trabalho com o ambiente em que se expõe. Podemos comprová-lo nesta exposição, graças a peças como The Rote Trombe (1985) ou Abend Rot and Morgen Rot (2000), dois bons exemplos do trabalho do alemão, cuja mágica intensidade se aprecia com maior magnitude dentro das salas do edifício de Mies van der Rohe.


Visitei esta exposição em Berlim e posso assegurar que vale bem a pena....

É nossa!

Em Berlim, sê Berliner

Estive uns dias a visitar Berlim, capital da Alemanha reunificada. Cidade de um património histórico notavelmente impressionante….
Falarei mais detalhadamente de Berlim em próximos posts…

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O riso dos outros

As sociedades vivem obcecadas com o conceito de felicidade.
A verdadeira felicidade é indefinida por natureza e impossível de quantificar porque as pessoas valorizam obviamente coisas diferentes. Ou melhor, permanecerá inqualificável até uma qualquer cabeça se lembrar que um medidor de felicidade pode ser fazível e vendável…..

A minha sensação, nada científica, é que as pessoas de bem com a vida geralmente sorriem pouco. Talvez porque não tenham necessidade de rir de forma desmesurada como as restantes…..

Eu, um misantropo feliz, adoro deliciar-me com a tristeza que transparece do riso supérfluo dos outros….