Toda a gente fala actualmente de insegurança. Há quem diga que é tema com o qual a esquerda tem dificuldade em lidar. Esse hipotético pouco à vontade a falar do assunto deve-se naturalmente ao facto de a criminalidade aparecer muitas vezes associada – por vezes injustamente - às classes socialmente mais desfavorecidas, a comunidades de imigrantes e a algumas minorias étnicas.
Eu que sou de uma esquerda indeterminada, seja lá o que isso for, não tenho dificuldades em falar sem preconceitos da questão.
Como cidadão preocupam-me obviamente alguns inquietantes indicadores ao nível da insegurança, no entanto como em tudo na vida é necessário separar o trigo do joio. Nesta fase, o desproporcionado aproveitamento que os media fazem de algumas situações levou a que se tivesse criado um clima geral de apreensão que em nada beneficia o trabalho preventivo das forças da ordem.
Por outro lado quem dirige os principais órgãos de comunicação social devia ter o cuidado de proporcionar uma formação mais consistente aos fazedores de noticias, ou no mínimo haver regras previamente estipuladas para todos, no sentido de se evitar cair em estigmatizações absurdas como aconteceu no recente e famigerado assalto à agência BES “por brasileiros” como foi amplamente e generalizadamente divulgado.
Os recentes acontecimentos da Quinta da Fonte em Loures são lamentáveis mas não deixo de os considerar, infelizmente, previsíveis.
Alguns dos nossos bairros sociais situados nas periferias das grandes cidades são autênticas bombas relógio que necessitam de muito pouco rastilho para rebentarem.
Ao contrário do que alguns pensam não existem soluções mágicas para fazer comunidades desavindas viverem em harmonia. É contudo possível efectuar um maior controlo efectivo por agentes devidamente preparados para lidar com populações carenciadas e complicadas. Por exemplo os ciganos são uma comunidade extraordinariamente fechada com a qual é extraordinariamente difícil negociar. Torna-se por isso um processo bastante demorado obter a necessária confiança da parte deles.
Outra possível resposta preventiva para o problema resulta do trabalho na inclusão social destas familias mais carenciadas, sendo que aqui é necessário uma melhor articulação entre as diversas instituições que trabalham a este nível o que não tem acontecido até aqui.
Sou um acérrimo defensor das polícias e das forças da ordem em geral. Muitas vezes sem condições mínimas de trabalho, com remunerações deficientes, exercendo a sua actividade em contextos extraordinariamente traumatizantes como já tive oportunidade de assistir, muito próximo de mim, em ambientes futebolísticos.
São sobretudo seres humanos que todos os dias dão a cara por todos nós. Sendo que depois de um dia de trabalho voltam, também, para junto dos seus, sabe-se lá em que condições anímicas.
A minha visão do assunto de momento em Portugal não é tão catastrófica como muitos tentam apregoar.
Julgo que Portugal apesar de já não ser o país dos brandos costumes do passado não está a saque nem nada que se pareça. Há sem duvida alguns tipos perigosos de criminalidade a florescer sendo que em outras áreas as mudanças e as evoluções também ocorrem.
É importante dar tempo também às forças da ordem e às próprias leis para se adaptarem a estas novas realidades. Concordo sem dificuldade que em algumas situações as leis têm que endurecer evitando mal maiores e actuando ao nível da prevenção dissuasora.
Também é importante sabermos situarmo-nos no tempo. O país vive uma conjuntura económica difícil o que arrasta sempre consigo um crescimento dos índices de crimes, nomeadamente ao nível dos pequenos furtos, originados em muitos casos pelo desespero de quem precisa e não tem.
O discurso sobre a nossa (in)segurança não é património da direita nem de ninguém em particular. Diz respeito a todos os cidadãos de bem…..