terça-feira, 9 de setembro de 2008

Família rodante

Filme argentino de 2004 dirigido por Pablo Trapero.
Um interessante road movie latino-americano que conta a história de uma típica família do país das pampas que parte de Buenos Aires com destino a uma cidade do interior junto à fronteira com o Brasil.

O objectivo da viagem é presenciar um casamento e rever parentes distantes. A ideia da deslocação é de Emilia - a matriarca da família - uma senhora octogenária muito vigorosa e animada.
Durante a imensa viagem numa clássica roulotte somos confrontados com as fragilidades das relações entre os elementos da família em múltiplas dimensões.

Os dois planos de início e fim, ambos de Emilia a matriarca são magistralmente belos e justificam só por si o visionamento do filme…..

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Este país te mata lentamente

Camões e a tença

Irás ao paço.
Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.

Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.

E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.

Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.
Este país te mata lentamente.

Sophia de Mello Breyner

domingo, 7 de setembro de 2008

A Ministra e o direito à privacidade

Rachida Dati é a actual Ministra da Justiça de França. Nascida em território francês com mãe argelina (que ao que consta não sabia ler nem escrever) e pai operário.
Subiu a pulso passando por várias actividades profissionais. Diplomada em 1999 pela «École National de la Magistrature» entrou na política em 2002 como conselheira de Sarkozy.
Um dos seus primeiros actos oficiais depois de tomar posse foi a deslocação a um centro de detenção para jovens nos arredores de Paris para observar directamente as condições de detenção dos menores. Assunto este que sempre a preocupou….

Esta semana confirmou que está grávida mas não quis revelar a identidade do pai.
O ex-presidente do governo espanhol, José Maria Aznar, já desmentiu as notícias vinculadas por um jornal digital Marroquino nas quais surge ligado à gravidez de Rachida Dati. Algumas mentes mais perversamente maldosas sugerem, inclusive, que o Pai da criança possa ser o próprio Nicolas Sarkozy …..
«Quero continuar prudente porque não está ainda consolidada. Estou ainda numa zona de risco. Tenho 42 anos», afirmou Dati.
«Tenho uma vida complicada e é o limite que me imponho face à imprensa. Não direi mais nada para além disto», explicou…..

Felizmente ainda há quem consiga manter a dignidade de ver a sua vida privada sair incólume do mediatismo exacerbado em que vivemos.
Por tudo isto, aquilo que não devia passar de um normal acto de bom senso, merece registo…….

sábado, 6 de setembro de 2008

O sex symbol

Eu é que sou o ícone sexual das septuagenárias do meu prédio......

Não há chuva como esta!

A Festa do Avante começou ontem ao fim da tarde na Atalaia – Amora – Seixal com o discurso de Jerónimo de Sousa.
O comunismo pode não fazer já sentido mas ao contrário do resto de Portugal que não faz outra coisa senão lamentar-se desta chuva de Setembro como se não houvesse mais nada para fazer, a Festa continuou pela noite dentro no meio de meticulosa organização tendo por base a habitual militância voluntária. Isto, apesar do cancelamento da ópera prevista para a noite de abertura.
O comunismo anda de facto com tosse abundante a augurar velhice...Mas nunca teve receio de apanhar constipações......

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

City Sickness – Tindersticks

O jornalismo dos tempos modernos

Somos diariamente inundados com notícias provenientes de “fontes” não identificadas. Uma particularidade estapafúrdia (uma palavra que estava desertinho para utilizar no blog ) que se aplica a todo o tipo de serviços noticiosos neste País. Será reflexo das nossas atávicas cobardias ou será assim um pouco por todo o lado, pergunto-me?...

Sabemos que no meio da competitividade desenfreada em que vivemos, à qual os principais canais televisivos e principais periódicos não são excepção, existem pressões substanciais para os jornalistas assumirem posturas inqualificáveis e vergonhosas em nome sabe-se lá de quê, denegrindo assim, esses putativos profissionais, toda uma classe…
Sempre me fez confusão a insistência de muitos jornalistas em perseguirem determinadas pessoas contra a sua própria vontade, mesmo depois dessas pessoas demonstrarem de forma inequívoca que não querem ser incomodadas ou, melhor, que não têm nada para dizer. Isso acontece-me desde sempre, independentemente dos perseguidos serem o Juiz Rui Teixeira, o Paulo Pedroso, o Vale e Azevedo ou sei lá quem mais….

Não tenho qualquer conhecimento privilegiado do sector, nem qualquer experiência de trabalho na comunicação social. A minha perspectiva é simplesmente de ávido consumidor de tudo o que é informação.
Agora o que me parece a mim é que os jornalistas são frágeis porque se deixam fragilizar. Obviamente que não me passa pela cabeça fazer generalizações absurdas. Há bons e maus profissionais em todos os sectores de actividade mas tenhamos discernimento intelectual para observar a realidade das coisas. Somos diariamente confrontados com sucessivas ridicularias praticadas por pseudo-jornalistas. Onde é que está a coluna vertebral dessa gentinha?
E não me venham com aquela conversa de que têm filhos para comer em casa porque é com posições dessa dimensão que se cria um País de analfabetos…..Tão ao gosto do Professor Cavaco aliás. Estamos ainda a pagar o preço das políticas de educação calamitosas nos 10 anos dos seus sucessivos governos….

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A luz



O silêncio das palavras

As palavras que nunca direi
neste planeta que lentamente me consome

os sorrisos que nunca partilhei
na imensidão de fogos ateados em noites ardentes

as velas que nunca acendi
nas secretas margens de rios imaginados

a luz emanada por este luar que me prende à vida…

Eu quero ser campeão! (round 2) Braga 0 Sporting 1

Entrar bem, marcar cedo e depois controlar, até parece simples. Deve ser isto que se chama ter estofo de campeão. A equipa está de facto mais experiente........
Sempre gostei do Abel, apesar das críticas. Dizem que defende mal mas o Sporting em 90 por cento dos jogos tem que jogar é ao ataque. E os laterais actualmente são fundamentais para isso. Grande parte do golo vitorioso de Postiga pertence-lhe…..
Começar a ganhar fora, o grande busílis da época passada, é muito positivo.
Ao que parece, não sou só eu que quero ser campeão……

sábado, 30 de agosto de 2008

A (in)segurança

Toda a gente fala actualmente de insegurança. Há quem diga que é tema com o qual a esquerda tem dificuldade em lidar. Esse hipotético pouco à vontade a falar do assunto deve-se naturalmente ao facto de a criminalidade aparecer muitas vezes associada – por vezes injustamente - às classes socialmente mais desfavorecidas, a comunidades de imigrantes e a algumas minorias étnicas.
Eu que sou de uma esquerda indeterminada, seja lá o que isso for, não tenho dificuldades em falar sem preconceitos da questão.

Como cidadão preocupam-me obviamente alguns inquietantes indicadores ao nível da insegurança, no entanto como em tudo na vida é necessário separar o trigo do joio. Nesta fase, o desproporcionado aproveitamento que os media fazem de algumas situações levou a que se tivesse criado um clima geral de apreensão que em nada beneficia o trabalho preventivo das forças da ordem.
Por outro lado quem dirige os principais órgãos de comunicação social devia ter o cuidado de proporcionar uma formação mais consistente aos fazedores de noticias, ou no mínimo haver regras previamente estipuladas para todos, no sentido de se evitar cair em estigmatizações absurdas como aconteceu no recente e famigerado assalto à agência BES “por brasileiros” como foi amplamente e generalizadamente divulgado.

Os recentes acontecimentos da Quinta da Fonte em Loures são lamentáveis mas não deixo de os considerar, infelizmente, previsíveis.
Alguns dos nossos bairros sociais situados nas periferias das grandes cidades são autênticas bombas relógio que necessitam de muito pouco rastilho para rebentarem.
Ao contrário do que alguns pensam não existem soluções mágicas para fazer comunidades desavindas viverem em harmonia. É contudo possível efectuar um maior controlo efectivo por agentes devidamente preparados para lidar com populações carenciadas e complicadas. Por exemplo os ciganos são uma comunidade extraordinariamente fechada com a qual é extraordinariamente difícil negociar. Torna-se por isso um processo bastante demorado obter a necessária confiança da parte deles.
Outra possível resposta preventiva para o problema resulta do trabalho na inclusão social destas familias mais carenciadas, sendo que aqui é necessário uma melhor articulação entre as diversas instituições que trabalham a este nível o que não tem acontecido até aqui.

Sou um acérrimo defensor das polícias e das forças da ordem em geral. Muitas vezes sem condições mínimas de trabalho, com remunerações deficientes, exercendo a sua actividade em contextos extraordinariamente traumatizantes como já tive oportunidade de assistir, muito próximo de mim, em ambientes futebolísticos.
São sobretudo seres humanos que todos os dias dão a cara por todos nós. Sendo que depois de um dia de trabalho voltam, também, para junto dos seus, sabe-se lá em que condições anímicas.

A minha visão do assunto de momento em Portugal não é tão catastrófica como muitos tentam apregoar.
Julgo que Portugal apesar de já não ser o país dos brandos costumes do passado não está a saque nem nada que se pareça. Há sem duvida alguns tipos perigosos de criminalidade a florescer sendo que em outras áreas as mudanças e as evoluções também ocorrem.
É importante dar tempo também às forças da ordem e às próprias leis para se adaptarem a estas novas realidades. Concordo sem dificuldade que em algumas situações as leis têm que endurecer evitando mal maiores e actuando ao nível da prevenção dissuasora.
Também é importante sabermos situarmo-nos no tempo. O país vive uma conjuntura económica difícil o que arrasta sempre consigo um crescimento dos índices de crimes, nomeadamente ao nível dos pequenos furtos, originados em muitos casos pelo desespero de quem precisa e não tem.
O discurso sobre a nossa (in)segurança não é património da direita nem de ninguém em particular. Diz respeito a todos os cidadãos de bem…..

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Pictures of you – The Cure

A filosofia do tempo

Com o avançar dos anos perde-se a impetuosidade dos incautos mas ganha-se a sabedoria dos vigorosos….

Com o angustiante peso das batalhas vividas prefere-se a segurança do seguidismo frouxo à loucura imprevisível dos sonhadores utópicos….

A utopia definitivamente não é para todos…..

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Aquele querido mês de Agosto

Miguel Gomes, ainda um jovem realizador, apresenta-nos um filme lapidar mas já suficientemente polido e amadurecido que nos surpreende a cada momento.
Na senda da obra-prima o realizador presenteia-nos com uma descida vertiginosa ao Portugal profundo, longe das rotas turísticas proporcionados pelas auto-estradas do Professor Cavaco e das apalhaçadas inaugurações (e afins) do Engenheiro Sócrates.…

Um filme que me fascinou particularmente talvez por ser nascido e criado na província tal como Miguel Gomes. Eventualmente por isso as referências (e as raízes) possam ser semelhantes.
O único aspecto menos positivo que encontro no filme é a excessiva participação da própria equipa de produção no mesmo, incluído o realizador, a espreitar também nitidamente um universo godardiano que seria quanto a mim dispensável. Isto apesar de eu próprio ser um grande apreciador do Cineasta Francês…

Aquele querido mês de Agosto permite-nos uma prodigiosa elevação ao fascinante mundo das festas de verão nas pequenas aldeias ao ponto de nos extasiarmos ao som do tradicional fogo de artificio. Proporciona-nos uma fantástica contemplação de toda a sua envolvente, da religiosidade santificada, dos imaginários odores intensos, das paixões nos corpos quentes.
Tudo de uma beleza simples e estonteante numa aproximação perfeita aos contornos efémeros da natureza humana.
Filmado sem paternalismos de alcova, o filme na fronteira entre realidade e ficção olha para as personagens – tudo actores não profissionais - de forma sumptuosa assumindo as suas idiossincrasias diversas sem complacências desnecessárias.
Uma certa forma de ser Portugal filmado com um cinismo preciso, sem espaço para sociologias da treta….

Quem filma assim não engana. Miguel Gomes respira cinema pelos poros concretos da vida. Quem dirige a câmara com esta perspectiva cirúrgica só pode mesmo caminhar para a obra-prima absoluta. Há já muito tempo que não se via filmar assim.
Para mim, venha o que vier, está desde já encontrado um dos grandes filmes de 2008….

terça-feira, 26 de agosto de 2008

É sempre a somar, o bom do Vicente!

Depois de ter chocado o país desta forma, o presidente do Comité Olímpico de Portugal Vicente Moura continua em grande com declarações deste calibre.....
Parece que o Governo não está pelos ajustes descartando a sua hipotética continuidade. Não percebo pá, o homem até diz que ultrapassámos a Grécia!...
Independentemente da forma como o estúpido ranking oficial está organizado, esqueceu-se o bom do Vicente foi de referir que a Grécia conseguiu o dobro das nossas medalhas.....

Jackson Pollock


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O guia turístico endiabrado

Num passeio turístico por Berlim tive oportunidade de descobrir – é o melhor termo - um guia inglês alucinado.
Licenciado em Filosofia, estudou em Oxford tendo ido para Berlim apaixonado pela imensa vida nocturna da cidade e por causa das gajas, confessou a quem o ouvia.
Porque demonstrou um enorme profissionalismo e um humor invulgarmente requintado aqui fica a devida homenagem, dear Will….

Eu quero ser campeão! (round 1) Sporting 3 Trofense 1

É o que se pode chamar uma entrada a todo o vapor. Ao intervalo o Grande Sporting vencia três a zero. E sem Liedson e Vukcevic atente-se. Obviamente que o adversário era o modesto e recente primodivisionário Trofense que contudo revelou-se uma equipa bastante aguerrida e lutadora.
Principais ilações retiradas por este treinador de sofá / bancada:
Miguel Veloso actualmente não tem lugar nesta equipa. E caso entre, só se for para o lugar de João Moutinho um mal amado neste blog, aliás. Correndo o risco de estar a ser implicativo parece-me que João Moutinho anda com menos influência no jogo do Sporting, esconde-se mais do que era habitual e receia rematar à baliza. Relembro que foi ele, e mais ninguém por ele, que se meteu na situação delicada em que ainda se encontra.
Realço a importância que Derlei tem actualmente na equipa. Um jogador experiente, bom tacticamente, aparece com força, determinado e aparentemente recuperado das lesões que o tem apoquentado.
Djaló está bem e recomenda-se. Rochemback está de facto em grande forma, no entanto lembro-me que na anterior passagem pelo clube tinha também grandes inícios de época e depois enfraquecia com o decorrer da mesma. Atendendo a que o seu futebol é muito físico era importante para o colectivo que demonstrasse uma grande regularidade durante a época, o que não prevejo que aconteça.
Dois aspectos negativos no jogo, ambos no mesmo lance:
Um jogador com a experiência de Polga não pode arriscar a expulsão daquela forma a ganhar por três a zero. Um acto irreflectido que deve ficar como ensinamento para o futuro.
A arbitragem, Paulo Bento tem razão quando afirma que é preocupante.
Apesar de num passado próximo nem sempre ter sido assim, pessoalmente não acredito que hoje os árbitros errem deliberadamente. Parece-me mais uma questão de competência, ou neste caso de falta dela, pois os nossos juízes são de facto extraordinariamente maus.
Somente árbitros com real falta de vocação podem no decorrer do primeiro jogo um pouco mais mediático do campeonato meterem-se numa embrulhada daquelas.
Independentemente dessa constatação, a mim o que me faz mais confusão como simples espectador é que no meio da discussão do lance entre árbitros e jogadores, que dura nestes casos sempre uns bons minutos, o quarto árbitro tem tempo mais que suficiente para rever e comunicar através do intercomunicador a injustiça da decisão. Assim, a verdade desportiva seria de imediato reposta sem mais espaço para polémicas.
Se quem manda no futebol não percebe isto, então expliquem-nos para que servem na realidade os quartos árbitros e os intercomunicadores?....

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Hallelujah - Jeff Buckley


Versão de um original de Leonard Cohen gravado por este em 1984 no álbum Various Positions.....