O "espirro" do Ministro da Economia ameaçando, é este o termo, as empresas do sector de uma regulação mais efectiva fez com que estas recuassem nos preços dos combustíveis como ainda não tinham feito até aqui. Pelo menos até ver.….
Mas o mais interessante desta discussão é que veio levantar algumas questões entretanto adormecidas, essenciais para quem vive em sociedade.
Arrisco mesmo dizer que há muito tempo que não se via discutir politica a sério, à maneira do antigamente, com algumas trocas de argumentos acaloradas e comprometidas….
Mas o que faz com que o preço da gasolina não desça com a celeridade com que sobe, assumindo como referência o preço do barril de petróleo nos mercados internacionais?
A razão chama-se liberalismo económico, nada mais que isso....
Por razões evidentes – sobressai agora o acentuado efeito que a alta dos combustíveis têm nos bolsos das pessoas, por exemplo – o Estado nunca deveria abrir mão de um residual poder regulador em determinados sectores. Chamemos-lhe uma reserva táctica que permita evitar situações como esta que se verifica actualmente.
Cometido o erro estratégico apontado o mercado funcionou como é suposto funcionar, criaram-se expectativas em empresários e investidores, a concorrência bem ou mal fez o seu papel e tal como é injusto para o consumidor final o preço a que paga os combustíveis, também sinceramente não me parece muito justo que o estado venha agora obrigar as gasolineiras a baixar os preços limitando assim de forma arbitrária os seus ganhos.
E as teorias económicas acerca do livre mercado, da livre concorrência, etc e tal? Já não servem para nada?
Foi o próprio Estado, independentemente dos governos, que se meteu nesta trapalhada. Isto vindo de uma entidade que deveria pautar a sua actuação por sãos princípios éticos de igualdade e coerência, de acordo com a constituição portuguesa aliás.
Chegamos ao ponto de ver ilustres personalidades a solicitarem responsabilidade social às empresas com uma frequência assustadora. Responsáveis socialmente devemos ser todos, todos os dias, mas onde diz que as gasolineiras deverão abdicar do lucro (o seu objecto enquanto empresas cotadas em bolsa) em detrimento da apregoada responsabilidade social?
No fundo, o que destaco com veemência nesta sucessão de acontecimentos é o deplorável papel do Estado como pessoa de bem que devia ser e não é.
Deixo obviamente claro que como consumidor final fico satisfeito com a intervenção estatal, qualquer que seja a forma, desde que desça os preços claro está, mas não posso deixar de assinalar o quanto esta história cheira a esturro ou, melhor, a uma poluente gasolina adulterada….












































