Encarava sempre cada desafio como se fosse o último, aproveitando o tempo para alimentar os seus doutos conhecimentos que o levaram a ser reconhecido mundialmente por possuir uma versatilidade ímpar, sendo constantemente requisitado para receber os mais variados prémios em múltiplas áreas.
Certo dia conheceu a mulher que criava demais e num ápice tudo mudou na vida do homem que sabia de mais.
Num momento mágico e após uns segundos de inspirador silêncio, empurrado por uma coragem que desconhecia ter, o homem que sabia demais acariciou com os seus graciosos dedos os lábios da mulher que criava demais. Após uns segundo em que os olhos lacrimejantes de emoção se contemplaram mutuamente os lábios de ambos aproximaram-se, envolvendo-se num beijo interminavelmente escaldante.
Num abrir e fechar de olhos, e perante o reflexo do espelho cintilante desenhado nas águas do Oceano, as mãos do homem que sabia demais deslizavam pela doce pele do deslumbrante corpo da mulher que criava demais. Os seus lábios extasiados percorriam o pescoço, os seios da mulher que criava demais perante os sussurros de prazer desta. Entregues sem contemplações à fogueira da paixão, as roupas de ambos pareceram voar para a eternidade, tal foi a velocidade a que foram despidas.
Enrolados pela areia húmida e sob o testemunho cúmplice de um luar luminoso os dois corpos fundiram-se num só alcançando em momentos o êxtase absoluto.
Dessa relação abençoada nasceu passados 9 meses aquele que viria a ser denominado anos mais tarde como o Homem que fazia demais.
Na senda dos seus progenitores prosseguiu de forma exemplar o brilhantismo herdado. Era um executor por excelência. Minucioso, ficou conhecido pela sua capacidade de fazer diversas coisas ao mesmo tempo, sem nunca perder o foco revelando sempre uma invulgar e elevada competência.
O Homem que sabia demais e a Mulher que criava demais tiveram ainda mais uma filha que ficou conhecida como a mulher que sentia demais.
Uma hipersensibilidade sem igual granjeou-lhe fama e fortuna tendo sido inclusivamente considerada a Rainha das Emoções. Dominava o Reino dos sentimentos com obstinação. Era a susceptibilidade em pessoa sem nunca demonstrar um mínimo sinal de racionalidade.
O homem que sabia demais e a mulher que criava demais separaram-se ao fim de 20 anos quando o pessimismo resultante do conhecimento empírico da realidade circundante do primeiro começou a esbarrar sistematicamente no optimismo proporcionado pela frutuosa imaginação criativa da segunda.
Passado aproximadamente um mês da separação, ambos vieram a falecer com um intervalo de uma semana.
Descobriu-se então que a arte e o saber, o saber e a arte, não sobrevivem por si sem coexistirem pacificamente de forma harmoniosa.
O homem que sabia demais sempre soube que a morte seria o seu fim….































