domingo, 28 de dezembro de 2008

A Ponte


O 2008

Chegados ao fim de mais um ano e na antecâmara de 2009 é tempo de balanços, antevisões, etc e tal. O hipocrisias indígenas - qual carneiro mal morto - segue disciplinadamente o resto da carneirada….


Assim em 2008, o mais marcante em termos internacionais foi sem dúvida a derrocada daquilo que na generalidade se convencionou chamar de capitalismo - eu prefiro chamar-lhe umbiguismo - que veio desiludir drasticamente quem nele confiou sem restrições.
Parece que finalmente estamos a perceber que o egoísmo desenfreado que norteia as nossas vidas e que se reflecte em todos os aspectos da nossa existência não está a funcionar como devia. Esta ganância generalizada torna-se visível na competitividade feroz sentida a todos os níveis desta sociedade selvagem em que vivemos e também na gritante incapacidade de nos colocarmos na pele do nosso vizinho do lado.
Um excelente retrato do umbiguismo no seu melhor é a simples constatação de que o âmago da actual crise está centrada precisamente na desconfiança e no pavor que os banqueiros têm uns dos outros, não estimulando a concessão de crédito dentro do próprio sistema bancário. Ninguém arrisca hoje um milímetro mesmo sabendo que a médio prazo esse risco será recompensado com melhorias ao nível da conjuntura económica que a todos beneficiará.
A humanidade nos dias que correm valoriza sobretudo o hoje - querendo todos alcançar tudo, já e agora - sendo a natureza humana incapaz de temporizar determinados objectivos com vista a atingir benefícios futuros mais equitativamente distribuídos.

2008 teve ainda um protagonista relativamente inesperado que abriu novos caminhos para a palavra esperança. Falo de Barack Obama.
Em Portugal destaco a consagração dos Contemporâneos como novo fenómeno mediático, conquistando muito meritoriamente a "bota de ouro" do humor aos até aqui inigualáveis Fedorentos…...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Joan Miró


O abandono

Agia com soberba, desprezando constantemente os mais incautos. A sua arma mais mortífera era o sarcasmo. Essa arte foi progressivamente aperfeiçoada nos bancos da escola das escolas, aquela que representa a excelência numa educação de vanguarda. Teve a felicidade de ser formado na universidade da vida.

Acabou os seus dias entregue à mais pura das solidões. Foi, desprezadamente, deixado ao abandono….

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Um Natal Português

Para abertura das hostilidades, umas azeitoninhas cobertas de uma incessante injustiça social apimentadas com uns pozinhos de enriquecimento ilícito.
Depois, um bacalhauzinho cozido com todos numa situação de desemprego, regado com uma desigualdade social de fazer inveja a um qualquer visitante pois é com certeza de uma casa portuguesa que falamos.
Na sobremesa, um fondue de greves estrategicamente coladas ao fim de semana para inverter os históricos e malfadados índices de produtividade.
Para finalizar o repasto - a acompanhar o inevitável café feito na nespresso da ordem (claro está) - um chocolatinho recheado de hipocrisia com um cálice de megalomania reinante para rematar uma refeição que celebra festivamente a Portugalidade….

domingo, 21 de dezembro de 2008

Verdes Anos – Carlos Paredes



Uma guitarra enamorada por Lisboa....

Eu quero ser campeão! (round 12) Sporting 0 Académica 0

Empate comprometedor na véspera da paragem de inverno que deixa a massa adepta com uma azia muito pouco natalícia. O que a equipa fez na 2.ª parte até justificava algo mais. Existem dois aspectos dignos de registo:
- Hélder Postiga tem sido uma desilusão. Porventura esforça-se mais do que era expectável, mas além de se revelar muito perdulário com as consequências nefastas que isso representa para a equipa, não tem trazido a qualidade técnica que prometia.
- Só o insondável íntimo de Paulo Bento poderá esclarecer os motivos de Pipi Romagnoli estar 64, repito, 64 minutos em campo sem acrescentar rigorosamente nada de produtivo ….

sábado, 20 de dezembro de 2008

A alienação natalícia (a minha)

Ides, ide todos invadir os centros comerciais com a vossa ganância despudorada incapaz de enfrentar o periclitante coxear duma Rena cadavérica.

A loucura do homem começa onde acaba a noção do absurdo. A noção do absurdo acaba onde começa a loucura humana.

E eu, um mero terráqueo, onde me situo no meio desta desenfreada demência?
Como um Pai Natal eternamente desalinhado, decerto adormecerei embriagado numa descida vertiginosa dentro de uma qualquer chaminé em ruínas…

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Mala Noche

Mala Noche é o primeiro filme realizado por Gus Van Sant - cineasta que muito aprecio - e um dos poucos que eu ainda não tinha visto. Filmado a preto e branco em 16 milímetros no ano de 1985 permaneceu inédito na Europa até 2006 com excepção de algumas projecções pontuais em festivais.
O filme nasceu da adaptação do diário íntimo de Walt Curtis e passa-se em Portland, Oregon. Um homem (Walt Curtis) apaixona-se perdidamente por Johnny, um emigrante mexicano clandestino que não fala uma palavra de inglês e ainda nem fez 18 anos...
Gus Vant Sant começava aqui a desenhar os contornos cintilantes da sua riquíssima filmografia. Num preto e branco visceral, mostra-nos através de um olhar e fotografia fulgurantes, os problemas com que se batem os imigrantes mexicanos nos Estados Unidos, vestindo as suas personagens com a habitual humanidade que invade todo o seu cinema.
Ainda trago na memória a frase absolutamente arrasadora que marca indelevelmente o último Vant Sant de 2007 e que sintetiza de forma brilhante toda a sua obra:
«Nunca ninguém está preparado para Paranoid Park»........

O Caçador de ilusões

Seguia persistentemente no encalço das suas presas indo ao encontro dos seus instintos mais primários. A fantasia alheia era a alvo a abater
Defendia com intransigência o mundo das megalomanias mais despudoradamente desviantes. Nunca prometia nada que não soubesse cumprir. Agia de forma persecutória perante todos os que perdiam tempo sonhando com conjunturas infrutíferas.
Julgava-se detentor de uma razão impossível de contestar com credibilidade. Sentia-se acima da lei.
Até que numa caçada aparentemente normal um prestigiado caçador da razão acertou-lhe em cheio no peito com uma bala assassina. Desnorteado caiu hirto no chão. Por um momento o Caçador de ilusões tentou agarrar-se à ilusão de continuar vivo renegando tudo o que sempre preconizou. Infelizmente para ele, a ilusão tinha boa memória…...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

In-I.flv - Juliette Binoche e Akram Khan



Juliette Binoche anda actualmente empenhada num espectáculo de dança contemporânea com o bailarino e coreógrafo britânico Akram Khan que elogiou a coragem e tenacidade da actriz francesa, de 44 anos. "Ela sempre quis dançar" e "não se deixou intimidar", diz o bailarino sobre Binoche que até aqui nunca dançara em palco.....

O Natal



segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A Inveja



O que tenho eu em comum com um Jornalista Iraquiano de nome Muntadar al-Zaidi?
Nada, mesmo, nada!
Eu nunca fui consequente nos meus intentos contra Bush. Além de possuir o pecado capital da inveja, não passo de um valente cobardolas…

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Fado

País que se acrescenta em cada tristeza
como luz que resplandece em cada novo dia,

o mar que espreita no cruzar do horizonte
nos entretantos desmistificados duma qualquer vida.


Planícies de bravura em terra sem pão
como ternura marítima em animais vadios.


Os poderosos versam sobre a cor do dinheiro
em círculos sinistros que prenunciam a podridão do rio.


Portugal de Merda, porque me persegues?
Vendes-te amiúde como uma reles Puta.


Enquanto alimentas as tuas vacas sagradas
deixa-me amar os meus descansadamente.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Melhor que nada

Subia descansado a avenida na sua rotina diária.
Somente guardava das conversas alheias o que mais lhe convinha. Era um curioso moderado…

A vida vivida da vidinha tinha-se encarregue de o isolar do resto da humanidade. Sonhava com o dia em que a solidão deixasse de ser a sua única companhia….

Um dia descobriu um homem estátua, que dia após dia o ouvia pacientemente sem nunca o interromper. Tinha encontrado a sua cara metade. Sempre era melhor que nada….

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Somos todos Gregos

Os Gregos estão na rua. A revolta juvenil agudiza a crise social. A rebelião alastra a todos os sectores da sociedade, dizem.
Quem sabe se não estaremos na génese de um novo Maio, maduro Maio, quarenta anos depois?

No fundo falamos dos grandes propulsores do pensamento universal que ainda hoje sustenta a cultura ocidental e onde sempre residiu o berço da Civilização.
Talvez por isso percebam primeiro que os restantes Povos o que está, hoje, verdadeiramente em causa…..

Paranoid Android – Radiohead