domingo, 14 de dezembro de 2008

O Fado

País que se acrescenta em cada tristeza
como luz que resplandece em cada novo dia,

o mar que espreita no cruzar do horizonte
nos entretantos desmistificados duma qualquer vida.


Planícies de bravura em terra sem pão
como ternura marítima em animais vadios.


Os poderosos versam sobre a cor do dinheiro
em círculos sinistros que prenunciam a podridão do rio.


Portugal de Merda, porque me persegues?
Vendes-te amiúde como uma reles Puta.


Enquanto alimentas as tuas vacas sagradas
deixa-me amar os meus descansadamente.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Melhor que nada

Subia descansado a avenida na sua rotina diária.
Somente guardava das conversas alheias o que mais lhe convinha. Era um curioso moderado…

A vida vivida da vidinha tinha-se encarregue de o isolar do resto da humanidade. Sonhava com o dia em que a solidão deixasse de ser a sua única companhia….

Um dia descobriu um homem estátua, que dia após dia o ouvia pacientemente sem nunca o interromper. Tinha encontrado a sua cara metade. Sempre era melhor que nada….

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Somos todos Gregos

Os Gregos estão na rua. A revolta juvenil agudiza a crise social. A rebelião alastra a todos os sectores da sociedade, dizem.
Quem sabe se não estaremos na génese de um novo Maio, maduro Maio, quarenta anos depois?

No fundo falamos dos grandes propulsores do pensamento universal que ainda hoje sustenta a cultura ocidental e onde sempre residiu o berço da Civilização.
Talvez por isso percebam primeiro que os restantes Povos o que está, hoje, verdadeiramente em causa…..

Paranoid Android – Radiohead

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O Porto

Gosto imenso do Porto. Para ser perfeito só lhe falta mesmo o Sporting…

Esta é a Cidade

Esta é a Cidade, e é bela.

Pela ocular da janela
foco o sémen da rua.
Um formigueiro se agita,
se esgueira, freme, crepita,
ziguezagueia e flutua.

Freme como a sede bebe
numa avidez de garganta,
como um cavalo se espanta
ou como um ventre concebe.

Treme e freme, freme e treme,
friorento voo de libélula
sobre o charco imundo e estreme.
Barco de incógnito leme
cada homem, cada célula.
É como um tecido orgânico
que não seca nem coagula,
que a si mesmo se estimula
e vai, num medido pânico.

Aperfeiçoo a focagem.
Olho imagem por imagem
numa comoção crescente.
Enchem-se-me os olhos de água.
Tanto sonho! Tanta mágoa!
Tanta coisa! Tanta gente!
São automóveis, lambretas,
motos, vespas, bicicletas,
carros, carrinhos, carretas,
e gente, sempre mais gente,
gente, gente, gente, gente,
num tumulto permanente
que não cansa nem descansa,
um rio que no mar se lança
em caudalosa corrente.

Tanto sonho! Tanta esperança!
Tanta mágoa! Tanta gente!

António Gedeão – Pseudónimo de Rómulo de Carvalho

sábado, 6 de dezembro de 2008

O Sabor da Melancia

Tsai Ming-Liang, realizador originário da Malásia, apresentou-nos em 2006 O Sabor da Melancia cuja recente visualização me desiludiu bastante. Retinha como referência deste cineasta oriental, o Rio, extraordinário filme de 1997 que me tinha ficado na memória e em que a acção se passava igualmente no Taiwan.
Apesar de continuar a cultivar com pertinácia toda a solidão a que se entregam habitualmente as suas personagens, Ming-Liang mais não faz do que repetir fórmulas anteriormente utilizadas tentando explorar um universo sexual, desta feita, pouco original e apelativo.
No sentido de atenuar o pouco interesse do filme o realizador tenta dispersar as atenções transformando-o num hipotético musical, mas mesmo nesse campo os resultados são, a meu ver, pouco estimulantes para o espectador.….

Eu quero ser campeão! (round 11) Estrela da Amadora 1 Sporting 3

Uma péssima exibição na primeira parte com prolongamento até aos cinco minutos da segunda, momento em que o Levezinho “passou o recibo” mais uma vez ao seu compincha Nélson. A partir daí controlo total do jogo acabando o Sporting por justificar largamente a vitória no dia do regresso de Vuk, o rebelde, aos golos.
A insistência na dupla Rochemback – Miguel Veloso no miolo só se pode justificar face à inexistência de alternativas mais consistentes. Aliás quanto a mim o meio campo é de longe o grande busílis desta equipa.
Entretanto uma possível vitória na próxima terça-feira em Basileia permitiria somar doze pontos equivalentes a 4 vitórias na Champions. Que bom seria para uma equipa com esta média de idades…..

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A excentricidade

Numa época em que o dinheiro do Zé Povinho parece somente servir para salvar bancos, banquinhos e banqueiros, a RTP anunciou um pouco envergonhadamente que já está acordada a terceira série dos Contemporâneos.
Uma notável extravagância deste nosso erário público ao disponibilizar-se para desviar recursos daquela que tem sido ultimamente a sua principal função:
Premiar a incompetência e a ganância!.....

A Horta


O casaco démodé

Saía de casa pela manhã com o seu precioso casaco vestido. Dia após dia, à medida que o rigor do inverno encarnava nos seus desgastados ossos emudecidos pelas agruras do tempo, subia mais um pouco o fecho até ficar completamente cerrado.
Compartilhou ao longo dos anos segredos e momentos inolvidáveis de felicidade com a sua jaqueta sem nunca a abandonar.
Vivia agora o chamado descanso do guerreiro. Entrava diariamente na carruagem do comboio com um ar triunfante. Sorria, ainda, às moçoilas reluzentes na esperança de somar um último triunfo no campo dos afectos que lhe preencheria o ego de forma desmesurada.
Tinha a perfeita consciência que o seu estimado casaco estava fora de moda há muito mas foi questão que nunca o preocupou sobremaneira. A própria vida não estava para modas.
Sabia que não encontraria mais ninguém com um casaco igual ao seu porque a natureza humana tornara-se previsível em demasia…..

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Eu quero ser campeão! (round 10) Sporting 2 Guimarães 0

No regresso ao campeonato na ressaca da insólita e copiosa derrota com o poderoso Barcelona em Alvalade para a Liga dos Campeões num jogo estranho em que ficou visível a ingenuidade e juventude da equipa, o Sporting venceu o Vitória de Guimarães de forma meritória e sem encontrar grande resistência por parte dos vitorianos, valha a verdade.
A insistência de Paulo Bento em Leandro Grimi depois da traumatizante exibição na última quarta-feira - para quem como eu assistiu - do lateral esquerdo argentino está muito para além da minha limitada compreensão táctica. Ainda para mais quando tem Ronny disponível que sendo um jogador imaturo a defender, encaixa perfeitamente no onze para os jogos em casa quando defrontamos equipas de valor teoricamente inferior. O treinador emendou a mão já na segunda parte mas para isso suceder foi necessário o rato Grimi ver um cartão amarelo…
Quanto ao mais, a equipa controlou sempre o jogo. Outro aspecto negativo surgido nos últimos jogos foi o regresso da insegurança de Rui Patrício que ilusoriamente pareceu em determinada altura estar definitivamente ultrapassada.
A esperança para os próximos jogos é o regresso de um Vukcevic interessado somente em jogar futebol. Imagino que deve ser mesmo para isso que aufere uma remuneração mensal. O Sporting necessita com urgência de uma “abre-latas” ao estilo do Montenegrino….

sábado, 29 de novembro de 2008

A Manela e o Zé



Já escrevi aqui ainda que muito sucintamente acerca de Manuela Ferreira Leite. Mas tão original criatura merece um pouco mais de dedicação deste imberbe escriba. É de facto um acontecimento inusitado nestes tempos que correm a entrega da liderança de um partido político da área do poder em Portugal a alguém com semelhante perfil.
Ferreira Leite como Ministra das Finanças assumiu, e foi o rosto de algumas medidas impopulares mas obrigatórias, tendo efectuado trabalho de rigor e contenção numa fase complicada para as finanças do País sendo independentemente de tudo o resto uma mulher de coragem possuindo personalidade desalinhada face a muitas das hipocrisias indígenas vigentes; idiossincrasia essa com que me identifico obviamente em grande parte. Do outro lado da fotografia surge-nos uma pessoa pouco aberta ao que se passa ao seu redor, com dificuldades em aceitar a normal evolução social nos costumes, pouco tolerante para com a diferença, mediocremente retrógrada…
À parte disso, a gincana idiota e sem regras em que se tornou o jogo político do século XXI não deixa espaço para que se diga a verdade sem contemplações, como tentou recentemente Ferreira Leite fazer ainda que de forma atabalhoada, ao dar a entender que hoje em dia não há espaço para grandes espíritos reformadores derivado às inevitáveis pressões mediáticas a que todos os Políticos estão sujeitos. E isso é tão evidente quanto demolidor para as sociedades actuais. No entanto a forma escolhida para se expressar revelou-se como se sabe desastrosa. Aliás, aquilo não se chama ironia, chame-se tiro no pé....
Como resultado dessa e de outras preciosidades de igual calibre vejo a pertinência de ter alguém como Ferreira Leite como líder partidária ao mesmo nível que veria por exemplo Zezé Camarinha como presumível candidato a Ministro da Cultura, isto se me faço entender….
O mais curioso e mesmo insólito nestas circunstâncias é o facto de alguém com as características de Ferreira Leite pactuar com este nível de exposição e as consequências que daí advém. É óbvio que foi pressionada para avançar para a liderança, desafio ao qual numa primeira fase conseguiu declinar. Ao aceitar conscientemente essas responsabilidades, mesmo que sob evidente pressão, tornou-se prisioneira de si própria.
Não significa esta reflexão que Manuela Ferreira Leite não possa chegar um dia a chefe de Governo. Duvido que chegue. Com o meu contributo não será certamente mas basta lembrar os casos de António Guterres e Durão Barroso, ambos amplamente e precipitadamente condenados por grande parte da opinião publicada antes de atingirem o governo. Inclusivamente o primeiro tinha o epíteto de Picareta Falante se bem se lembram….

Numa outra vertente parece afinal que o Zé deixou de fazer falta ao Bloco de Esquerda em Lisboa. Não conheço com grande detalhe o trabalho já desenvolvido por José Sá Fernandes como vereador democraticamente eleito em Lisboa mas vejo-o de facto como um cidadão empenhado em que se viva melhor na sua cidade que, imagino, gosta.
Provavelmente houve situações no passado em que não demonstrou um equilíbrio sensato entre as suas ambições pessoais e aquilo que seria pragmaticamente melhor para a cidade, no entanto sendo um conhecedor profundo das problemáticas existentes e pessoa com notória sensibilidade para diversas matérias agradou-me a aproximação efectuada ao executivo de António Costa. Isto porque Lisboa não se pode dar ao luxo de desperdiçar recursos humanos com incontestáveis conhecimentos ao nível dos problemas que apoquentam realmente os Munícipes, ainda para mais numa fase em que as finanças e os diversos dossiers jurídicos pendentes na Câmara não são motivadores para que apareça gente com qualidade disponível para trabalhar na sua recuperação e credibilização.
Mas falemos da posição política assumida pelo Bloco de Esquerda:
O BE ( para os amigos) achou sempre muito bem as posições assumidas pelo Vereador quando se limitavam a ser do contra, e por isso mais susceptíveis de proporcionarem relevo mediático. Agora que o homem resolveu ajudar a construir algo, trabalhando lado a lado com que de direito, resolve retirar-lhe o apoio político.
Deixo para os estudiosos da ciência política esta aversão histórica do Bloco de Esquerda a tudo o que cheira a poder, o que nos deixa muito tranquilos relativamente à vaga hipótese de algum dia serem alternativa para alguma coisa em Portugal. Talvez nesse dia, Francisco Louça – pessoa que sinceramente admiro – se lembre de fugir apavorado do País…..

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Vem – Madredeus

O Kamikaze Sonhador

Aspirava a um mundo despido de preconceitos.
Acreditava devotamente que o seu espírito guerreiro encontraria a paz interior que tanto ansiava. Lutou toda a vida por um ideal de justiça que julgava atingível.
Sonhou, sonhou, sonhou sem hesitar. Abdicou de tudo pelo seu sonho.
Até que um dia sonhou que era Kamikaze e nunca mais acordou…...

Um Natal Proletário

Ao que parece as grandes Instituições que tornaram este País grandioso como por exemplo o BCP - em caso de dúvida perguntem ao filho do Jardim Gonçalves (por curioso lapso da primeira vez escrevi em caso de dívida, em vez de dúvida ….) - vão deixar no corrente ano de apostar na quadra que se aproxima prescindindo de patrocinar a gigantesca árvore de natal que habitualmente congestiona o terreiro do paço.
Será que a Banca deixou mesmo de acreditar no Pai Natal? Ou pretendem substituí-lo pelo Pai Sócrates, que como se sabe é amigo de seu amigo?
O que não deixa de ser estranho é que o homem de barba banca que mais tem sido recordado ultimamente é mesmo Karl Marx. É caso para dizer, Pais Natal de tudo o mundo, uni-vos……

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Lisboa

por tràs dos muros da cidade
no seu coração profundo de alicerces
de argilas e de sísmicos arroios - cresce uma voz
que sobe e fende a brandura das casas
da escrita dos enumeráveis povos quase
nada resta - deitas-te exausto na lâmina da lua
sem saberes que o tejo te corrói e te suprime
de todas as idades da europa
mais além - para os lados do corpo - permanece
a tosse dos cacilheiros os olhos revirados
dos mendigos - o tecto onde um navio
nos separa de um vácuo alimentado a soro
plátanos brancos recortam-se luminescentes no olhar
de quem nos olha contra um céu desesperado - jardim
de iris açucenas palmeiras cobertas de rocio e
a ponte que nos leva aos campos do sul - lisboa
lugar derradeiro do riso
que já não te pode salvar do cemitério dos prazeres
e morres
carregado de tristezas e de mistérios - morres
algures
sentado numa praceta de bairro - o olhar fixo
no inferno marítimo das aves

Al Berto

A vida vivida da vidinha

A vida nasce com a manhã
numa existência vivida da alma
passa mais um dia resignado na vidinha….

domingo, 23 de novembro de 2008

A Turma

Com um nome bem mais interessante na denominação original do que na versão Portuguesa “Entre les murs” de Laurent Cantet, foi consagrado muito justamente este ano como Palma de Ouro em Cannes.
No seguimento de Recursos Humanos de 1999 e de o Emprego do Tempo de 2001 (dois belíssimos filmes) Cantet continua a presentear as suas personagens com um realismo inexorável e entusiasmante.
Cineasta de excepção, procura com esta obra explorar o universo multicultural de uma grande cidade como Paris. Os códigos e as referências utilizadas pelas diferentes etnias são desvendadas de forma natural, sobrando ainda espaço para vivermos lado a lado com a amargura de um Professor perante os complexos reptos que lhe são lançados pelos seus rebeldes, pertinentes e sagazes alunos.
A referida turma é formada por actores não-profissionais que foram seleccionados entre alunos de uma escola dum bairro problemático da cidade luz com quem o realizador trabalhou todas as semanas sem excepção - durante um ano lectivo - em diversos ateliers de improvisação.

Um filme bastante actual face aos desafios que as políticas de educação no nosso País têm estado sujeitas em diversos prismas durante o presente ano de 2008. Talvez advenha daí a excelente adesão de público que o filme tem demonstrado, o que esperemos possa ser um bom sinal para um País cada vez mais multi-étnico no caminho de uma sociedade mais tolerante face à diversidade...

Eu quero ser campeão! (round 9) Naval 0 Sporting 1

Numa jornada absolutamente decisiva como resultado das três derrotas entretanto acumuladas houve direito a heroísmo de leão na Figueira da Foz.
Paulo Bento pode muito bem ter ganho hoje uma equipa apesar da qualidade do jogo praticado continuar longe do que é exigido. Com excepção do jogo com o Porto para a taça - que até acabámos por perder - a equipa não tem conseguido apresentar um futebol acutilante e ambicioso. No entanto, só para que conste, eu sou daqueles que prefiro ganhar mal e porcamente por um a zero do que assistir a uma exibição de encher o olho sem vencer.
Como o verde será sempre a cor da esperança na próxima quarta-feira lá estaremos para ver Lionel Messi, Samuel Eto’o e companhia passarem um mau bocado em Alvalade – pelo menos assim o espero - apesar das inúmeras baixas que o Sporting certamente apresentará.
Relativamente ao jogo o segundo golo cruelmente desperdiçado por Liedshow quase no fim do mesmo daria, quanto a mim, maior justiça ao resultado. Quem reage como o Sporting reagiu a uma série de adversidades durante todo o encontro merecia mais essa recompensa.
Por outro lado, as expulsões incompreensíveis de dois jogadores experientes como são Derlei e Caneira deveriam ser alvo de um conduta disciplinar ao nível pecuniário por parte da SAD até porque ambos são reincidentes. Todavia relativamente a Derlei assinalo a seguinte questão:
O Jogador sempre teve mau feitio - não é de agora – mas nos tempos em que actuava no FCP não era tantas vezes expulso, isto se bem me lembro. Talvez os apitos nessa época fossem mais dourados e menos propensos a julgamentos precipitados?.....

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Porquê, só agora?

José Oliveira e Costa, ex-secretário de Estado de um dos governos do Professor Cavaco, fundador do grupo Sociedade Lusa de Negócios que integra o BPN, foi hoje detido na sequência de buscas domiciliárias efectuadas a duas das suas residências por suspeita de burla agravada, falsificação de documentos, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
Saliento que este homem foi Secretário de Estado de Assuntos Fiscais, uma área pela qual nutre, claramente, especial predilecção….

Mas porque é que Justiça em Portugal anda sistematicamente a reboque dos media e dos assuntos que estão na ordem do dia?
Mas porque é que a actuação da Justiça em Portugal está sujeita a critérios de oportunidade? Recordo-me da primeira detenção de Vale e Azevedo em que se aguardou que a Excelência deixasse de ser presidente de um clube de futebol para poder ser detido e constituído arguido….
E como é que os cidadãos de um estado constitucionalmente de direito podem ter confiança numa justiça que age desta forma?....

A detenção de Oliveira e Costa, tardiamente efectuada, somente serve para descredibilizar ainda mais um sistema que já não tinha credibilidade.
A Procuradoria-Geral da República tenta com esta operação defender o indefensável e justificar o que não tem justificação…….

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A Agonia

Repudiava com veemência as atrocidades cometidas. Envolto num oportunismo característico encarava cada pequena injustiça como se fosse a mãe de todas as lutas.
Possuía uma eloquência arrebatadora que oprimia qualquer tentativa de supremacia intelectual. Era um vencedor por natureza.

Um dia percebeu que estava a sufocar lentamente. Descomprimiu, repousou, pensou que podia voltar a ser quem foi mas aquele desespero inquietante nunca mais o abandonou. A sua luta terminou nesse momento.
Compreendeu assim que a agonia não estava para brincadeiras…..

Importa-se de repetir?

Ferreira Leite - o maior erro de casting de que há memória na política portuguesa - sugeriu hoje «se não seria bom haver seis meses sem democracia para pôr tudo na ordem»....
Força Portugal.....

domingo, 16 de novembro de 2008

DALI - pietà


A Notícia

Parece que PSP deteve hoje 30 membros da claque organizada do Benfica ““No Name Boys” tendo apreendido droga e tochas incendiárias.
Acontece que os serviços noticiosos das televisões têm dado destaque de abertura a este assunto. O mesmo se passa com os principais jornais online. No meu entender trata-se de uma questão absolutamente menor que não devia dar mais que uma nota de rodapé.
Clubismos à parte, constato que no fundo a verdadeira notícia é o facto dos rapazes sem nome, meros energúmenos imbecis, serem dignos deste destaque informativo. Isso sim, é notícia….

sábado, 15 de novembro de 2008

Eu quero ser campeão! (round 8) Sporting 0 Leixões 1

Depois de alcançado o apuramento para os oitavos da Champions e da injusta eliminação da taça diante do Porto, o Sporting voltou à Liga com uma comprometedora derrota caseira frente ao confiante líder Leixões averbando assim a terceira derrota em apenas 8 jogos.
Quando os dois melhores jogadores da equipa não rendem – Liedson e Izmailov – as probabilidades de vencer diminuem exponencialmente.
Numa prova de regularidade quando não se consegue ganhar seria importante não perder….
No entanto, ainda não é tempo de atirar a toalha ao chão.....

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Pennyroyal Tea – Nirvana



Podia mencionar Last Days do enormíssimo Gus Van Sant mas é preferível ficar com o último fôlego de um condenado pela voz e corpo do próprio........

Filosofia de época

A castanha assada já não é o que era.

Não tem problema, as pessoas também nunca são o que parecem…….

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A Bíblia

Guardava religiosamente a bíblia dentro da gaveta na mesa de cabeceira. Aliás, tinha uma bíblia escondida em cada divisão da casa.
Declamava religiosamente cada versículo com uma paixão exacerbada até à exaustão. Mesmo na casa de banho não dispensava a leitura dos ensinamentos do Senhor.
Acreditava religiosamente na verdade do que lia. Nunca pôs em causa qualquer das orientações sugeridas pelo Todo-Poderoso.
Desacreditava religiosamente que fosse algum dia pecar, pois o pecado era mau conselheiro.
Confiava religiosamente no objecto da sua fé. Ausentava-se somente para assistir à missa, levando sempre consigo a bíblia debaixo do braço.
Um dia, enquanto o Pároco da aldeia celebrava a missa, morreu de forma repentina. Religiosamente..….

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, para o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas.

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos – Heterónimo de Fernando Pessoa

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O Tapete Voador

Documentário realizado pelo sempre interessante João Mário Grilo, ao qual assisti recentemente no DocLisboa.
Remete-nos para a milenar tradição da tecelagem de tapetes numa extraordinária e maravilhosa viagem a um mundo improvável e desconhecido.
O Realizador pretende com esta magnifica experiência abordar o legado dessa tradição nas suas múltiplas perspectivas, o que a meu ver é amplamente conseguido.

As filmagens deste documentário decorreram no Irão – Teerão, Shiraz, Esfahan e Kashan, em Londres – Casa Museu Sigmund Freud e em Lisboa especialmente no Museu Nacional de Arte Antiga durante a exposição O Tapete Oriental em Portugal. Tapete e Pintura, séculos XV-XVIII.

Existe no filme um longo travelling, absolutamente fascinante, filmado numa Mesquita Iraniana. Mas o que mais impressiona é a dedicação consagrada pelos artesãos e artesãs à complexa arte de produção dos famosos tapetes.
A cena final do Documentário onde uma Senhora Iraniana recrimina a equipa de filmagem é absolutamente lapidar e a perfeita síntese do que se pretende transmitir com o mesmo.

Apesar de os Tapetes serem um tema pelo qual não tenha particular interesse ou sinta especial curiosidade não posso deixa de salientar o grande trabalho realizado por João Mário Grilo e a sua equipa, nesta viagem, por um universo tão particular….

O homem que sabia demais

Era uma vez um homem que sabia demais. Levantava-se manhã cedo espreguiçando-se penosamente perante a hesitação em enfrentar mais um dia.
Encarava sempre cada desafio como se fosse o último, aproveitando o tempo para alimentar os seus doutos conhecimentos que o levaram a ser reconhecido mundialmente por possuir uma versatilidade ímpar, sendo constantemente requisitado para receber os mais variados prémios em múltiplas áreas.

Certo dia conheceu a mulher que criava demais e num ápice tudo mudou na vida do homem que sabia de mais.
Apaixonaram-se numa noite de verão quando ambos passeavam os seus cães junto à marginal. Sentiram-se de imediato atraídos pelo saber e criatividade que inconscientemente ambos denunciavam. Falaram durante horas sobre a arte do saber discorrendo sobre os mais aprimorados temas.
Num momento mágico e após uns segundos de inspirador silêncio, empurrado por uma coragem que desconhecia ter, o homem que sabia demais acariciou com os seus graciosos dedos os lábios da mulher que criava demais. Após uns segundo em que os olhos lacrimejantes de emoção se contemplaram mutuamente os lábios de ambos aproximaram-se, envolvendo-se num beijo interminavelmente escaldante.
Num abrir e fechar de olhos, e perante o reflexo do espelho cintilante desenhado nas águas do Oceano, as mãos do homem que sabia demais deslizavam pela doce pele do deslumbrante corpo da mulher que criava demais. Os seus lábios extasiados percorriam o pescoço, os seios da mulher que criava demais perante os sussurros de prazer desta. Entregues sem contemplações à fogueira da paixão, as roupas de ambos pareceram voar para a eternidade, tal foi a velocidade a que foram despidas.
Enrolados pela areia húmida e sob o testemunho cúmplice de um luar luminoso os dois corpos fundiram-se num só alcançando em momentos o êxtase absoluto.

Dessa relação abençoada nasceu passados 9 meses aquele que viria a ser denominado anos mais tarde como o Homem que fazia demais.
Na senda dos seus progenitores prosseguiu de forma exemplar o brilhantismo herdado. Era um executor por excelência. Minucioso, ficou conhecido pela sua capacidade de fazer diversas coisas ao mesmo tempo, sem nunca perder o foco revelando sempre uma invulgar e elevada competência.

O Homem que sabia demais e a Mulher que criava demais tiveram ainda mais uma filha que ficou conhecida como a mulher que sentia demais.
Uma hipersensibilidade sem igual granjeou-lhe fama e fortuna tendo sido inclusivamente considerada a Rainha das Emoções. Dominava o Reino dos sentimentos com obstinação. Era a susceptibilidade em pessoa sem nunca demonstrar um mínimo sinal de racionalidade.

O homem que sabia demais e a mulher que criava demais separaram-se ao fim de 20 anos quando o pessimismo resultante do conhecimento empírico da realidade circundante do primeiro começou a esbarrar sistematicamente no optimismo proporcionado pela frutuosa imaginação criativa da segunda.
Passado aproximadamente um mês da separação, ambos vieram a falecer com um intervalo de uma semana.
Descobriu-se então que a arte e o saber, o saber e a arte, não sobrevivem por si sem coexistirem pacificamente de forma harmoniosa.

O homem que sabia demais sempre soube que a morte seria o seu fim….

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A Profecia

A vitória de Barack Obama nas eleições americanas é uma excelente noticia para a humanidade em geral e para os jovens em particular.
É um sinal incontestável que vivemos num mundo mais tolerante, mais plural que começa finalmente a deixar de parte divisões estéreis e inúteis.
As distinções sociais alicerçadas na cor de pele têm definitivamente os dias contados e isso é uma coisa extraordinária.
Para mim na mesma noite houve dois negros que me deram duas alegrias imensas. Derlei - o mágico - em Alvalade e Obama - o salvador - do outro lado do atlântico. Com evidências desta magnitude não podia mesmo ter quaisquer tendências racistas.

Ainda que tudo à sua volta seja demasiado encenado, Barack Obama possui uma capacidade de comunicação brilhante. O seu discurso de vitória é uma justa homenagem a todas as vítimas indefesas que tombaram na luta pelos direitos humanos.
Vai ser o presidente mais protegido na história da humanidade. Com a derrota dos republicanos ficaram muitos ódios reprimidos que podem explodir a qualquer momento.
Na ressaca da grande noite libertadora vão ressurgir movimentos radicais de extrema-direita tentando aproveitar ao máximo a incerteza dos tempos que correm. Além do mais, ao contrário do que muitos pensam, a América profunda não mudou. O triunfo de Obama é fruto de um contexto económico particularmente difícil.

Independentemente desta oportuníssima réstia de esperança no futuro da humanidade e de sentir uma alegria, ainda que efémera, pela morte politica do repugnante W. Bush não acredito, como já referi aqui, que algo de essencial mude com esta eleição.
A sociedade em que vivemos continuará a premiar o egoísmo e o umbiguismo. Continuará a valorizar a superficialidade das aparências. Continuará numa incessante caminhada rumo ao absoluto vazio.…

Concluindo, é absolutamente imprescindível hoje para mim recordar as palavras proféticas de Robert F.Kennedy quando em 1968 vaticinou que passados 40 anos haveria um Presidente negro nos Estados Unidos da América.
É necessário conhecer muito bem a terra que se pisa e ao mesmo tempo ser um profundo conhecedor da natureza humana para se proferir uma afirmação com essa longitude que passados precisamente 40 anos se cumpre em toda a sua plenitude.
E 40 anos foi demasiado tempo…….

Amadeo de Souza Cardoso


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A Santa Aliança

Podem rejubilar, a partir de agora o BPN é de todos nós.
Um presente antecipado para toda a população anunciando o natal que se aproxima. Um verdadeiro acto de puro altruísmo de quem nos vem governando….

Um regabofe, esta negociata nascida das intimas relações estabelecidas no âmbito do Bloco Central de interesses que vem dominando e já agora envenenando Portugal desde os primórdios da democracia.
O governo socialista resolveu dar a mão, neste caso muito pouco invisível, ao BPN que foi literalmente dizimado até ao actual estado de insustentabilidade e insolvabilidade financeira em que se encontra por ex-governantes, todos ligados ao PSD, limpando assim o Governo para debaixo do tapete toda a porcaria acumulada por esses senhores. Os nomes dos visados são do conhecimento público
Esta pérfida medida governamental, de um Governo amigo do seu amigo, vem simplesmente realçar o carácter promíscuo de toda esta gente que nos tem governado ou desgovernado ao longo dos anos….

O mais chocante, quanto a mim, é que não se vislumbrou no meio das declarações proferidas quer pelo Governo quer pelo Governador do Banco de Portugal até ao momento um mínimo sinal de repreensão (ou condenação) aos responsáveis por esta efectiva agressão aos cofres do estado e consequentemente ao bolso do pobre contribuinte…

Mais um dia normal de Alice no Pais da Maravilhas. Viva Portugal.….

domingo, 2 de novembro de 2008

Um fim do dia com José Sócrates (ou como transformar uma excelente ideia inicial numa enfadonha obsessão)

Olá querida, hoje foi um dia complicadíssimo.
Tomei o pequeno-almoço com o Ministro Magalhães com o objectivo de agilizar os procedimentos para expedição dos Magalhães para África. Depois estive numa reunião com o Assessor Magalhães onde preparámos a cerimónia de entrega de mais uns Magalhães numa escola. Seguidamente almocei com o gestor da empresa fornecedora do Magalhães tendo a conversa consistido em saber que mais podemos fazer para produzir um maior número de Magalhães no mais curto espaço de tempo possível. Depois fui fazer uma conferência solicitada pelo Presidente Magalhães para dar a conhecer os benefícios trazidos pelo Magalhães ao mundo....
À tardinha como era aniversário do Secretário Magalhães fomos todos comer e beber uns Magalhães. Embriagados pelo Magalhães ficámos ainda umas valentes horas a Magalhanzar….
Vem querida, vem deitar-te aqui com o Magalhães.

Porreiro, pá!….

Eu quero ser campeão! (round 7) Rio Ave 0 Sporting 1

O verdadeiro resultado foi Rio Ave - 0 Liedson - 2 mas somente 1 dos 2 golos facturados pelo levezinho é que contou.
Aliás gostava que alguém me dissesse com precisão quantos golos limpos é que já foram injustamente invalidados ao brasileiro no decorrer dos 6 anos que está em Portugal? Os dedos de ambas as mãos não sei se seriam suficientes para essa contabilização…
Mas o mais importante é que foi uma vitória alcançada com toda a justiça, em terreno difícil, num jogo crucial para as aspirações da equipa. Diria mesmo que com esta vitória recuperamos os 2 pontos perdidos na passada semana em Paços de Ferreira.
Em suma, foi a classe, determinação e a tenacidade de um incansável lutador que fazendo uso da sua habitual abnegação RESOLVEU o que tinha de ser RESOLVIDO!...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O futuro

Obedecem inertes e aceitam impavidamente aquilo que para eles é a ordem normal das coisas sem nunca se aperceberem que as coisas não são normalizáveis.
Esqueceram-se irreversivelmente que o universo das coisas não se esgota na imensidão da terra.


Não contem comigo para mudar o futuro…

Born of Frustration – James

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Portugal Futuro

O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável.
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e lhe chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz.
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz.
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão.
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro

Ruy Belo

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O ideal surreal (com o meu aval)

A sociedade atingiu o chamado ponto de rebuçado com o aval dado pelos diversos Estados, incluindo Portugal, aos verdadeiramente poderosos deste mundo. Trata-se de uma situação absolutamente surreal.
Somente numa época sem ideais, em que os valores estão completamente invertidos e onde as únicas coisas valorizáveis são bens materiais é que esta situação pode ocorrer.
A única excepção à apatia generalizada com que se vive esta realidade é a perplexidade resistente de alguns lunáticos entre os quais me incluo.

Todas as entidades financeiras facilitaram o acesso generalizado ao crédito sem qualquer restrição e sem a existência de qualquer regulação por parte das Entidades supostamente reguladoras. À conta dessa e de outras preciosidades idênticas, a Banca distribuiu lucros avultados pelos seus accionistas e colaboradores. Obviamente que uma parte significativa da população beneficiou com isto; ou porque a sua subsistência laboral depende directa ou indirectamente de serviços ligados às grandes instituições financeiras ou porque acedeu ilusoriamente a uma condição efémera de vida sem qualquer perspectiva de sustentabilidade futura.
E agora ao nível puramente ético, quem deveria pagar a crise?
A Banca deveria pedir a devolução dos lucros avultadíssimos que distribuiu?
Os Gestores de topo dessas empresas deveriam devolver as mordomias e principescos prémios auferidos durante todos esses anos?
Que nada, isso são coisas operacionalmente inviáveis….
A melhor forma de combater a crise é aumentando a divida pública. Afinal justo, justo é serem os contribuintes a pagar a irresponsabilidade e ganância de alguns privilegiados….

O mais engraçado é que não existem alternativas de combate imediato a uma crise desta dimensão. Os erros foram-se acumulando ao longo dos anos ao ponto de se concluir que o sistema de que todos beneficiaram foi, é, um embuste.
O mundo está completamente refém do consumismo. As pessoas vivem o dia a dia sem qualquer preocupação com o amanhã. E quer se queira, quer não, essa parece ser a única forma de sobreviver...
Marx nunca foi tão actual, dizem muitos. É verdade, sempre acreditei em grande parte nisso mas Marx está morto e enterrado e não me parece que queiramos mesmo ressuscitá-lo…..

O capitalismo não morreu. Reerguer-se-á das cinzas utilizando uma roupagem mais discreta, talvez menos espampanante. Lentamente encarregar-se-á novamente de seduzir todos os que passeiam à sua volta, mesmo os mais insuspeitos....


E tudo isto, com o meu triste aval…..

domingo, 26 de outubro de 2008

Eu quero ser campeão! (round 6) Paços de Ferreira 0 Sporting 0

Em Paços de Ferreira, na ressaca da vitória em Donetsk para a liga dos campeões, nem Liedson conseguiu resolver.
O mais preocupante é a total incompatibilidade entre jogos onde o Sporting participa e resquícios de um bom espectáculo. A equipa pratica um futebol aos repelões com pouca clarividência na zona nevrálgica do meio campo.
João Moutinho ainda não fez um jogo de nível esta época e por este andar a melhor solução passa por vendê-lo - bem vendido claro - ao Everton em Dezembro, conforme é seu desejo expresso, dando-lhe assim oportunidade para ir lutar por uma empolgante permanência na primeira liga inglesa….
Vukcevic é um activo do clube em acentuada desvalorização e em rota de colisão com o resto do mundo. O curioso é que foi precisamente um jogador com as características dele quem mais falta fez no jogo de hoje. Necessitamos de um substituto à altura mas convém que goste de treinar, coisa que o Montenegrino não acha essencial na profissão que tem….
Num jogo onde Grimi foi dos menos maus está tudo dito....
Resta-me esperar por dias melhores…

O mar queimado


sábado, 25 de outubro de 2008

O Magalhães

Apesar de ser tema demasiado debatido e exageradamente propagandeado pelo Governo (como habitual aliás), é da mais pura justiça salientar que qualquer que seja a perspectiva a distribuição dos portáteis pelas escolas é uma excelente medida.
Um país para ser viável tem de ser capaz de efectuar um investimento sério na formação daqueles que construirão o amanhã. Obviamente que a habitual demagogia reinante em muitas hipocrisias indígenas nunca entenderá esta verdade indesmentível.
Por breves instantes, até ficamos com a momentânea sensação que vivemos num País a sério, onde a igualdade de oportunidades é uma realidade….
No entanto, logo acordamos...E continuamos com a nossa vida…..

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Lisboa a inundada

As cheias ocorridas no último fim de semana em Lisboa vieram mais uma vez alertar a população da Capital para a catástrofe iminente que espreita em cada esquina, em cada casa em ruínas, em cada obra inacabada, em cada estrada esburacada…

A questão do escoamento das águas numa cidade ribeirinha como é Lisboa nem sequer é o pior problema, infelizmente.
A cidade vive diariamente em constante sobressalto sem um mínimo de preparação para lidar com situações ditas anormais como as ocorridas com as chuvas diluvianas do último sábado…

António Costa, apesar de tudo um homem de coragem, tem-se esforçado no sentido de mostrar obra mas as circunstâncias em que iniciou o seu curto mandato faz com que os resultados visíveis para o cidadão comum sejam praticamente inexistentes.
Pelos indicadores que tem dado e à revelia do seu mentor intelectual (o Pacheco) Ferreira Leite prepara-se para lançar Santana Lopes como candidato do PSD à Câmara da Capital. Uma caixinha de surpresas essa senhora, de facto. No fundo não foge à regra do politicamente correcto em que estamos afundados. Mais vale calá-lo, porque é uma voz incómoda que provoca desgaste dando-lhe um rebuçado para lhe estimular o ego.
É esta a estratégia de Ferreira Leite numa visão bem portuguesa, aliás….

Independentemente de tudo o resto, Santana Lopes prepara-se com todo o afinco para ser mais uma vez o bobo de serviço da nação. Ele que seria uma má opção até para presidente da associação de pais da escola de um dos filhos é um eterno candidato recorrente. Inclusive a sua profissão mais conhecida é justamente a de candidato a candidato…
Relembro que estamos a falar do pior Primeiro Ministro de que há memória na história das democracias à escala Planetária, com os devidos agradecimentos a Jorge Sampaio que permitiu tamanha façanha durante ainda uns bons meses.
No entanto, reconheço, Santana Lopes possui um determinado magnetismo que dá brilho a determinados momentos. Assim, com a sua recandidatura há toda uma classe - mais precisamente os humoristas – a rejubilar com os tempos que se aproximam. Inclusivamente nos media é visível a felicidade com mais este regresso do menino guerreiro….

Analisando pela positiva, António Costa terá uma boa oportunidade para construir à sua volta uma aliança de gente de esquerda com oportunidade e substância, coisa a que Portugal não está habituado….

Na galeria dos imortais

Hoje entrou definitivamente na história do grande Sporting ao alcançar os até aqui intocáveis Manuel Fernandes e Jordão como melhores marcadores nas competições europeias atingindo a apetecível marca de 19 golos…

Liedson da Silva Muniz continua a resolver e a despachar jogos com a mesma destreza com que embalava as compras dos clientes no supermercado onde trabalhava na sua Bahia natal….
Liedson da Silva Muniz continua a ultrapassar os defesas adversários com a mesma simplicidade com que fazia os trocos na caixa do supermercado onde trabalhava na sua amada Bahia

Festeja os golos desenhando um coração com as próprias mãos.
A forma astuta como ludibria as defesas contrárias também vai aquecendo o meu simples e singelo coração de leão…

A genuína humildade não tem preço. O talento também não…

Diego Velázquez - as meninas


domingo, 19 de outubro de 2008

O silêncio secreto das palavras

Domina a mágica utilização dos adjectivos e advérbios, recita poesia com encanto e sabedoria, conhece os mais obscuros segredos da vivência humana. Dizem-lhe com frequência que escreve desmesuradamente bem.
Um dia de tanto procurar a perfeição no que escrevia irritou de forma irreversível as palavras. Como retaliação as palavras nunca mais lhe sorriram. Calaram-se para todo o sempre….
Morreu ao fim de dois dias. Por inadaptação ao silêncio secreto das palavras….

sábado, 18 de outubro de 2008

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Portugal, Portugal - Jorge Palma



Memorável hino de um portentoso “cantador” de histórias como é e sempre foi Jorge Palma.
Gravado pela primeira vez em 1982 no álbum acto contínuo....

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O homem providencial

Chega sempre com esperança num dia mais risonho. Sorri para os sorrisos alheios, trata o outro de forma afável. As pontes comunicacionais para ele não têm segredos. Adora falar ao telefone porque aí é rei e senhor de um mundo que lhe pertence por completo.
Não arrisca um milímetro na sua legítima expectativa de vida. A sua ambição esgota-se na rotina do dia a dia sem um mero vislumbre de mais pequena aspiração a algo. Mesmo os seus pensamentos são funcionalmente contidos.

Lentamente, sem se aperceber, torna-se no último homem à face da terra.
Todos os outros - os ambiciosamente egoístas - acabam asfixiados na sua própria ganância.
Dá por si sem ter ninguém para tagarelar ao telefone. A perda da sua mais aprazível aptidão torna-o supérfluo.

No fim, feitas as contas, a providência acabou por acabar com o homem providencial…..

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Olha que dois!

Poucos terão sido os fotógrafos com o condão de sintetizar a bestialidade humana de forma tão astutamente convincente….

A fotografia é de Kevin Lamarque da agência Reuters.
Os meus sinceros Parabéns, pá!

Um Adeus Português

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti

ALEXANDRE O'NEILL

domingo, 12 de outubro de 2008

Isto é Portugal!

Lobo Antunes em entrevista de hoje na revista Pública depois de confrontado com a seguinte questão:
«Se lhe telefonassem a dizer: "O Nobel é seu", em quem é que pensaria?»

Resposta do Escritor:
«Mas isso não tem que ver com a literatura, não torna os livros melhores ou piores. Se me disser o nome de um jurado, digo-lhe quem ganha. Em Portugal, se conhecer os membros do júri, sei quem vai ganhar o prémio»….


Querem retrato melhor do Portugalzinho do século XXI, onde os meios culturais infelizmente não são excepção?
Elementar, meus caros concidadãos, elementar….

Gomorra

Aplaudido pela crítica e premiado no Festival de Cannes deste ano, Gomorra, do italiano Matteo Garrone, baseado no livro de Roberto Saviano é qualquer que seja a perspectiva um filme absolutamente extraordinário….

Ao visioná-lo ocorreu-me a célebre frase de Francis Ford Coppola sobre Apocalypse Now: «Não é um filme sobre o Vietnam. Ele é o Vietnam». Não diria melhor sobre Gomorra, não é um filme sobre a máfia. Ele é a máfia…

Com uma fulgurante fotografia Gomorra “vive” com uma intensidade desarmante. Apresenta-nos sem pestanejar e com uma autenticidade arrebatadora um dos maiores hipermercado de droga da Europa – Bairro de Scampia em Nápoles - como na realidade ele é, proporcionando-nos uma viagem ao âmago dos círculos apodrecidos de poder controlados pela máfia.
A própria ingenuidade dos protagonistas é profundamente humana o que não deixa de ser fascinante.
E quem conhece ou no mínimo visitou bairros sociais onde prevalece um ambiente deste género percebe e sabe do que Gomorra fala……

Um retrato robusto da Camorra Napolitana que ronda a perfeição conceptual e que volta a pôr a doce Itália na senda do grande cinema que se faz por essa Europa fora….

sábado, 11 de outubro de 2008

A Bolacha Maria

A presidência da república em Portugal sempre teve pouco para fazer de verdadeiramente interessante, restando-lhes a gestão de pequenas inutilidades como a atribuição de distinções, condecorações e afins…
Não me querendo de todo intrometer nessa estimulante tarefa acho pertinente levantar a seguinte questão:
Atendendo a que anda para aí tanta gente ignóbil que já foi presenteada com inúmeros galardões, para quando a homenagem e o justo reconhecimento aos inventores da imortal Bolacha Maria?.....

A sempre magnífica Lisboa




sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O eterno ausente

Deambula pelas largas avenidas como quem foge da própria vida.
A absurda ternura das pedras ordenadas no passeio fascina-o….
Uma singular luz ofusca-lhe o olhar fugidio.
Pressente o brilho na alma e senta-se. Aproveitando para contemplar o espaço ao redor…

Prima sempre pela ausência. Porque mesmo quando está fisicamente presente é um ausente por convicção…

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O terramoto financeiro

O melhor é chamar o Marquês de Pombal. Pelo menos com esse tínhamos a certeza que não havia espaço para liberalismos…

Uma das suas mais importantes reformas foi a criação de companhias corporativas que regulavam a actividade comercial o que lhe granjeou a animosidade das classes sociais mais altas, em especial da aristocracia daquela época…..

Volta pá, a malta precisa de ti!....

Henri Matisse


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A economia do pânico

Na sequência do afundanço dia após dia das Bolsas mundiais os bancos centrais, agindo de forma concertada, decidiram finalmente baixar as taxas de juro que servem de referência aos mercados financeiros.
No entanto as bolsas não reagiram. Ou melhor, reagiram continuando em queda acentuada.
É oficial, o pânico está instalado em Wall Street e congéneres.
Qualquer tentativa de assumir uma acção retemperadora é interpretada pelo mercado como sintoma de recessão…

Insinuamos uma abdicação por íntima conveniência mas sofremos com as nefastas consequências da cretinice alheia.
Amedrontam-nos as nossas próprias atitudes. Sentimos na pele os incessantes efeitos do egoísmo humano.
A educação convencionada torna-nos ébrios selvagens incapazes de distinguir a realidade dos corpos.
O prazer é efémero, a dignidade não!
O pânico economiza-se, a devassidão entroniza-se........

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Wise Up - Aimee Mann



Do fabuloso Magnólia de Paul Thomas Anderson.......

Eu quero ser campeão! (round 5) Sporting 1 Porto 2

Na sequência do que tinha previsto esta equipa com Rochemback e Miguel Veloso no meio campo joga a passo de caracol e, assim sendo, dificilmente pode ganhar.
Curiosamente Paulo Bento diz que complicámos na primeira parte…………
E o facto de Romagnoli entrar somente a meio da 2.ª parte está muito para além da minha limitada compreensão, no entanto penso que não se pode crucificar desde já o treinador. É no fim da época que se fazem os balanços. E os constantes assobios à equipa também não ajudam nada, reconheça-se…
Do jogo fica uma vitória justa do Porto e mais uma arbitragem paupérrima de Lucílio Batista como é seu hábito aliás….
Grimi é um jogador mediano sem estofo para os grandes jogos.
Mais, estou convencido que com Caneira (elemento fundamental na coesão da equipa) não tínhamos perdido nenhum dos clássicos…
Eu continuo a querer ser campeão! Agora com estes gordos leõzinhos não vamos lá…..

domingo, 5 de outubro de 2008

La Soledad

Um filme espanhol de 2007 actualmente em exibição com realização de Jaime Rosales. Conta as histórias de duas mulheres residentes em Madrid que podiam perfeitamente ser a nossa vizinha do lado…..
De uma crueza rigorosa põe-nos frente a frente com as repetidas angustias das protagonistas no meio da azáfama de uma grande cidade.
Rosales disserta sobre o isolamento na sua forma mais trágica mas deixa espaço para que a vida continue, embora enterrada no desespero mais sombrio....
La Soledad mostra-nos a solidão como se fosse a nossa mais fiel companhia...
Estamos sempre sós, perante tudo e perante todos….

sábado, 4 de outubro de 2008

Um país chamado estupidez

Hoje ao passar na auto-estrada estive aproximadamente 10 minutos parado como resultado de obras momentâneas em uma das vias. Quando esperava passou a comitiva, presumo, de sua excelência o Presidente da Republica antecedida pela brigada de trânsito da sempre leal GNR que tratou de abrir caminho para as eminências passarem.
Estavam com pressa provavelmente para ir para um daqueles banquetes que todos pagamos….
Para o digníssimo Presidente da República não existem obras que o segurem.
Por que razão será o tempo dele mais precioso que o meu, ou de um qualquer trabalhador que ali estivesse especado?........

Por outro lado, existem algumas tendências a florescer na tentativa de branquear os tristes factos ocorridos na Câmara Municipal de Lisboa relacionados com as rendas praticadas a preço de amigo.
Esta não é de todo uma questão cultural. O quem tem a Dina Aguiar (uma vulgar jornalista se bem me lembro) num sector onde aliás infelizmente existe um monstruoso desemprego que outras(os) colegas não tenham?
O que está verdadeiramente em causa é perceber quais são ou quais foram os critérios desses arrendamentos? E eu, não percebo...Ou melhor, percebo que é assunto de amigos....Que resulta do crime que fez e continua a fazer escola neste Portugal democrático. Tem um nome esse crime, chama-se tráfico de influências e é praticado diariamente um pouco por todo o lado com uma leviana impunidade.....
O que eu sei é que recebi esta semana a factura das taxas de resíduos para pagar à Câmara de Lisboa. Vai ficar pendurada até aparecer um qualquer amigo interessado em pagá-la por mim.....

A dieta Rochemback

Fábio Rochemback e Miguel Veloso quando jogam juntos no meio campo do Sporting, melhor, quando tentam jogar juntos no meio campo do Sporting o mundo pula e avança porque tem mais que tempo para isso.
A lentidão com que ambos desenham um simples movimento é de tal forma aflitiva para quem os vê que dá vontade de chamar o célebre bombeiro de Mafamude, certamente mais expedito a salvar uma vida alheia, por mais impossível que possa parecer….
Amanhã contra o Porto, com as lesões de Vuckevic e Izmailov, temo que Paulo Bento perpetue o erro fazendo coincidir ambos no onze inicial…
Entretanto Rochemback - o brasileiro pastelão - já tem um weblog só para si. E dos bons…….

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O erro de Sócrates

Hoje sou obrigado a concordar com Manuel Alegre (coisa que me chateia, como devem saber as duas pessoas que têm acompanhado este blog desde o inicio) quando afirma que a decisão do grupo parlamentar socialista de impor a disciplina de voto nos projectos sobre os casamentos homossexuais é um crasso erro político.

Detesto a vertente mais apalhaçada deste governo que faz frequentemente com que confundamos o Conselho de Ministros com a administração da maior empresa de comunicação do Pais e o Primeiro-Ministro com o respectivo Presidente do Conselho de Administração……
No entanto o perfil de Sócrates nem é o pior deste governo. Tem algumas particularidades que considero positivas. É pragmático, decidido e relativamente frontal….

Independentemente do seu perfil, o Engenheiro (ou lá ou que é) Sócrates tem habituado o País a um rigoroso e calculista planeamento da sua acção. Sempre demonstrou uma hábil identificação com os infelizes mecanismos actuais de fazer politica.
Por isso não posso deixar de lamentar por um lado, e estranhar por outro, esta autoritária imposição da disciplina de voto que deixa espaço ao maior partido da oposição para fazer o óbvio e dar liberdade de voto aos seus deputados na questão do casamento homossexual, abrindo ainda espaço para um manancial de ataques ao governo vindos um pouco de todo o lado…..

A justificação de que tal matéria não fazia parte do programa de governo é inoportuna e estúpida mas talvez seja esta a oportunidade ideal para se levantar a questão essencial que está subjacente a esta tomada de posição do partido do Governo em Portugal:
Qual é o verdadeiro peso da Igreja Católica na Sociedade Portuguesa?
Quando começar a ser escavado esse buraco negro, muitas cabeças irão pasmar….

O sol e a nuvem




terça-feira, 30 de setembro de 2008

Um fartar vilanagem

A Câmara de Lisboa tem - apesar da grave crise que atravessa - uma vertente social mais evidente do que era expectante….
O problema é que os arrendamentos a preço de amigo são efectuados com base em conhecimentos sociais....Quando deveriam combater reais problemas sociais como mandaria o bom rigor na utilização dos impostos cobrados aos munícipes….

E tu, Baptista Bastos (pessoa que até admiro pela sua interessante sapiência) onde estavas no 25 de Abril?
A lutar pelos direitos dos trabalhadores?….A lutar por uma justa distribuição da riqueza?….
Uhmm, não acredito!...

Amanhã é dia de regresso da Champions a Alvalade

domingo, 28 de setembro de 2008

Isto sim, cheira a modernidade!

Morreu Paul Newman e no Algarve chove a cântaros........
Enquanto isso nos meandros da igreja discute-se a possibilidade de se formalizarem as confissões através da Internet…..

A comunidade católica portuguesa, maioritariamente não praticante (seja lá o que isso signifique) deverá sair bastante favorecida com a implementação deste procedimento, pois quem não exercia até aqui assertiva e declaradamente a sua fé tem assim possibilidade de o fazer no recato e pacatez do seu lar...…

Eu, que alterno períodos de um ateísmo militante com um agnosticismo convicto, sorrio, e imagino pecados capitais acompanhados pelas respectivas encíclicas redentoras a serem difundidos através da net, qual big brother vigente, sob a chancela do todo poderoso Vaticano…..

Eu quero ser campeão! (round 4) Benfica 2 Sporting 0

Em dia de regresso do levezinho foi Caneira quem mais falta fez pois representa o equilíbrio que faltou a esta equipa….
O Sporting perdeu bem porque não soube ser eficaz. Ao contrário do seu adversário que aproveitou para se relançar.
Quando assim é, resta-me esperar por dias melhores….