Na sequência da minha recente predilecção pela cor dos anjos (ver post anterior) votarei branco nas eleições europeias de hoje.
No fundo pertenço a uma imensa minoria silenciosa que tem vindo a aumentar de forma progressiva. Recordo que nas últimas europeias de 2004 foram 2,57 %, o que significa que já é o maior dos considerados partidos pequenos. Isto, sem juntarmos os nulos. Anular o voto sempre me pareceu um desperdício de tinta inútil, mas também há bons argumentos a favor desta tendência vanguardista. Um bom impropério colocado no sítio certo é coisa para entusiasmar e serenar muitas almas.
Ando assim curioso para saber quantos formarão a imensa minoria branca nestas eleições….
Relativamente ao habitual folclore proporcionado por mais uma campanha eleitoral deixo algumas considerações:
Vital Moreira revelou-se uma má opção para Sócrates. Demonstrou nitidamente ser peixe fora de água, assinando uma inusitada campanha onde foi lançando repetidos ataques à oposição numa lógica sem sentido, o que poderá provocar merecidos dissabores aos socialistas (que como se sabe, o são, só no papel)….
Paulo Rangel beneficiou do facto das expectativas relativamente a si serem extremamente baixas. Fez uma boa campanha conseguindo com a sua espontaneidade resguardar o esforço hercúleo e ridículo que Ferreira Leite tem feito no sentido de aparecer mais sorridente….
O Bloco de Esquerda do qual já fui eleitor - quando tinham piada e representavam não mais que 2% - fez uma campanha melhor do que algumas das últimas, com inovação, criatividade e sangue na guelra. O aspecto menos positivo é assumirem em eleições europeias primazia por outras questões, que sendo obviamente de fundamental importância, não correspondem ao que está em debate neste sufrágio. Estas tomadas de posição servem somente para acentuar a desvalorização generalizada que existe relativamente aos assuntos europeus.
Apesar da presença sempre jovial de Ilda Figueiredo, a dúbia e irrealista posição dos comunistas relativamente à integração europeia faz sempre com que estas campanhas sejam terreno minado para os seus ancestrais argumentos. O facto é que Portugal sem a Europa - com todas as coisas positivas e negativas que daí advêm - estaria cinquenta vezes pior..…
Do partido de Paulo Portas já se sabe o que se pode esperar. De feira em feira, de terriola em terriola, passando pelo Norte profundo com a habitual demagogia pelo meio e juras de amor eterno à lavoura. Tudo isto com o objectivo de tentar segurar o que resta do seu eleitorado conservador….
Ao contrário do que alguns vão preconizar, os Resultados não serão minimamente conclusivos relativamente a eleições futuras e a abstenção terá maioria absolutíssima como merecem em grande parte os nossos dignos mandatários nesta coisa a que chamam democracia representativa.
Apesar de ser um defensor da participação cívica em todos os actos eleitorais constato que o País, ao abster-se massivamente, começa de facto a ganhar maturidade democrática...
Como nota final, ou muito me engano ou este post terá ainda duas sequelas este ano…..