segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Corpo
que te seja leve o peso das estrelas
e de tua boca irrompa a inocência nua
dum lírio cujo caule se estende e
ramifica para lá dos alicerces da casa
abre a janela debruça-te
deixa que o mar inunde os órgãos do corpo
espalha lume na ponta dos dedos e toca
ao de leve aquilo que deve ser preservado
mas olho para as mãos e leio
o que o vento norte escreveu sobre as dunas
levanto-me do fundo de ti humilde lama
e num soluço da respiração sei que estou vivo
sou o centro sísmico do mundo
Al Berto
sábado, 15 de agosto de 2009
40 anos de Woodstock
Em 1969 eu ainda não era nascido mas quem esteve presente garante que foram 3 dias que ajudaram a mudar o mundo.
Fica um excerto de 9 minutos e meio do histórico documentário realizado por Michael Wadleigh, censurado pela PIDE em 71, ao qual assisti na íntegra há uns anos atrás na Cinemateca.....
A Descrença
Na primeira jornada da Liga de Futebol o Sporting manteve a tradição e empatou no terreno do Nacional da Madeira, clube que esta época vai nitidamente lutar para não descer, o que diz muito acerca da qualidade futebolística com que a equipa iniciou o campeonato.Desde os derradeiros tempos de Peseiro que não me lembro de ver o Sporting jogar um futebol tão desgarrado, tão desesperante, onde não se descortina um mero vestígio, uma simples ideia que ligue a uma determinada concepção de jogo.
Podia falar mais uma vez das incompreensíveis opções iniciais de Paulo Bento (Fábio Rochemback?) mas nem vale a pena entrar por aí. O próprio terá certamente dificuldades em explicar o inexplicável mas o que fica para a história é que até aqui, nesta época, o Sporting em 7 jogos ganhou um, contra o Cacém…..
Independentemente disso, não posso deixar de me distanciar das severas críticas a que tem estado sujeito o ainda recente Presidente do Clube, José Eduardo Bettencourt, que tem sido abusivamente crucificado em alguns meios, designadamente na blogosfera.
Penso que o clube tem na liderança alguém determinado, competente e com provas dadas o que já não acontecia há algum tempo. Não me ocorre uma única alternativa credível para a Presidência que queira assumir semelhante desafio nesta altura.
Apesar da descrença generalizada que paira sobre a massa adepta não passa pela cabeça de ninguém despedir um treinador à primeira jornada.
JEB está a ter um início de mandato mais complicado do que provavelmente previa mas merece a confiança de todos, e mesmo com Paulo Bento, vamos acreditar que podemos passar o play-off que dá acesso à Champions. Eu, muito a custo, é verdade, ainda acredito e por isso lá estarei na terça em Alvalade confiando que podemos bater o pé aos Italianos….
Os Limites do Controlo
Cinema de Autor é conceito usado muitas vezes a despropósito. Jim Jarmusch é com conhecimento de causa o homem certo para abordar o tema.Ícone do cinema independente americano tornou-se com a sua brilhante filmografia objecto de culto por toda a Europa sendo igualmente muito apreciado por este pobre escriba.
Curiosamente os seus filmes estão repletos de grandes nomes nos respectivos elencos mas no entanto é sempre a sua concepção de cinema que prevalece. Os actores são de facto ilustríssimos mas se fossem outros de menor nomeada, o impacto dos filmes não sairia prejudicado com isso.
O condão de Jarmusch proporciona-lhe a particularidade de transformar em arte sacra tudo o que cria e isso é algo que não tem preço. Na actualidade, não existem muitos realizadores, Europeus ou Asiáticos, com o toque de midas do americano.
“Limites do Controlo” decorre no eixo Andaluzia-Madrid com guitarras, visitas ao Museu Rainha Sofia e muito flamengo pelo meio. Narra a história de um estratagema levado a cabo por um profissional do crime com o intuito de concretizar um homicídio. Fala disso, mas se falasse de tourada ou fado o resultado não era diferente, pois é a essência redentora do universo Jarmuschiano que sustenta, catalisa e engrandece tudo o resto.
No epílogo do filme o protagonista afirma que a vingança é inútil, contudo concretiza a vendetta assassinando a sua vítima sem recorrer a explicações supérfluas para o contraditório. Afinal, não há limites para a cólera. Como aparece por diversas vezes escrito no meio do filme “La vida no vale nada”……
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
A Enfermidade
O seu horizonte mais risonho era a hipocondria….
A Fantasia
Entregava-se aos seus de forma obsessiva. Lamentava a sua sorte com brio. Vivia na ilusão de ter uma vida mas o máximo que logrou atingir até então era o rótulo de suis generis…..
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
A Sobriedade
Perguntaram-lhe o porquê de ser tão pouco efusivo? Respondeu que não via razões para ser imbecil….
sábado, 8 de agosto de 2009
E agora, algo completamente diferente
O mítico combate de boxe entre o memorável Muhammad Ali e George Foreman, realizado a 30 de Outubro de 1974 em Kinshasa no Zaire, agora República Democrática do Congo.
São 25 minutos e 45 segundos que ficaram para sempre na história do desporto universal…..
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
O Advento
O ancestral egoísmo dissipava-se em cada laivo de respiração, em cada movimento em falso, em cada frustração acumulada, em cada sapo engolido com náusea.
Com o decorrer dos anos, com o desgaste nos pneus, começamos a perceber a pequenez dos nossos supérfluos ideais perante a incondicionalidade de certos argumentos.
Vinham aí as eleições legislativas.
Não contem comigo pra mudar o mundo. Nunca passei de uma reles Puta inebriada pelos ventos libertinos e falaciosos de uma democracia de ostentação.
O meu raio de acção não tem mais que um metro. Até porque cada vez me custa mais dobrar a espinha….
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
A Analogia
Existe um Partido em Portugal que ambiciona ser Governo a curto-prazo. No entanto - para umas eleições que se realizam daqui a um mês e meio e que estão previstas há pelo menos 4 anos - não pensa ser de fundamental importância a apresentação de um Programa de Governo aos Cidadãos. Sugerem inclusive que ainda têm tempo suficiente para o efeito. Não vêem grande interesse em que os eleitores conheçam com o devido tempo as suas propostas. Não querem partilhar com ninguém uma ideia, mesmo que vaga, do que pretendem fazer com as nossas vidas….
O PSD como é do conhecimento público e como orgulhosamente defendem os seus apaniguados é desde a sua fundação a mais perfeita amostra de Portugal. Isto deve-se, historicamente, à diversidade cultural e social dos seus militantes com caracteristicas muito semelhantes à população portuguesa.
É o Partido da Bases e o partido dos Barões, relembro. Nunca em nenhum outro partido estes dois epítetos foram utilizados com tanta apropriação.
Assim, cada vez que se tem de formar uma lista quer seja para a mais recôndita junta de freguesia, quer seja para a assembleia da república há uma inevitável colisão entre facções com direito a troca de insultos e outros impropérios. De um lado da barricada temos os magnânimos Barões, do outro, as valorosas Bases. Acho que Pacheco Pereira, pelo seu aspecto aristocrata, só pode mesmo ser Barão……
Querem melhor retrato do Portugal de 2009 que o proporcionado pelas habituais mesquinhices, as vinganças ressabiadas, as invejas ancestrais, as superficialidades doentias de um qualquer processo de escolha das listas de candidatos do PSD?
Duvido que encontrem…..
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Milagre, Senhor!
O Sporting salvou a face através de uma chouriçada às três tabelas no último minuto provocada por Rui Patrício, numa das piores prestações europeias de que tenho memória.E chamemos as coisas pelos nomes, Paulo Bento pode agradecer aos Deuses da fortuna o apuramento tal foi o amontoado de asneiras que cometeu desta vez.
Começou logo com as infelizes declarações no lançamento do jogo ao afirmar que Moutinho continua a marcar penalties quando tem um jogador titular, Matias Fernandez, que nunca falhou nenhum. Isto não é proteger o balneário e muito menos o capitão de equipa. É ser Estúpido, e de forma gratuita.
Depois, no desenho inicial da equipa, deu logo uma vantagem considerável aos adversários ao começar com menos uma unidade no centro do terreno quando face ao que já se tinha visto no jogo da primeira mão era precisamente esse o sector mais forte dos holandeses.
Ao intervalo resolveu tirar o Chileno, um dos poucos que podia fazer num lance individual a diferença, cometendo a proeza de manter Yannick Djaló 95 minutos em jogo. Como foi possível, pergunto-me? Mais uma vez, com esta atitude está a prejudicar o jogador em vez de lhe dar confiança. Tirá-lo da equipa nesta fase seria um elementar acto de bom senso e de boa gestão.
O Twente teve o que semeou. Respeitou demasiado o Sporting. Até porque quando arriscou foi sempre superior. Demonstrou-o com facilidade na fase inicial de ambos os jogos. Acusou também alguma falta de experiência internacional, felizmente para nós.
Caicedo foi importante no assalto final e Liedson está muito longe da forma ideal. Esperemos que volte depressa ao nível a que nos tem “bem habituados”.
Além da notória falta de um trinco de categoria e de um defesa esquerdo o Sporting não tem - apesar deste protagonismo momentâneo de Patrício - um guarda-redes de dimensão europeia. Aliás, ter até tem, está é incompatibilizado com o treinador.
As perspectivas por enquanto não são boas mas vamos aguardar pelo início do campeonato para tirar mais ilações.
Não temos como outros um Jesus, mas um milagrezinho, esta época, já ninguém nos tira….
Herberto Hélder
pernas e dois braços, dois olhos,
tem nariz e boca e come, vive
numa casa, espreita pelas janelas,
por vezes sai à rua, sozinho ou
acompanhado, a falar, apanha
chuva, liga a televisão, sabe onde
fica a França, lembra-se quando
era pequenino, inclusive
teve mãe e pai. É
impressionante o quanto um poeta
se pode assemelhar
às pessoas! A última vez que
falei com ele mandou-me um abraço.
Valter Hugo Mãe
domingo, 2 de agosto de 2009
Ai Jesus
Num inesperado regresso ao passado Portugal vive inebriado com o facto de o Benfica andar a ganhar, ainda que transitoriamente. Este regozijo ganha maior expressão como resultado da equipa se apresentar sob a batuta de um Jesus que por conseguinte - e também pelo teor do seu arrojado discurso - tem o rótulo de Milagreiro.
Uma parte substancial do País, especificamente a facção mais nostálgica, rejubila de contentamento. É uma espécie de retorno a um tempo em que Fátima era a menina dos olhos do Regime e em que no Futebol, o Benfica, vencia com frequência.
Para complementar a infeliz trilogia salazarenta dos três F’s falta somente uma condição. Nessa perspectiva, a médio-prazo, prevejo que os três F’s possam ser definitivamente recuperados. A Catedral da Luz será o palco escolhido para a reaparição do terceiro "F" com a inevitável e previsível chegada do triste Fado encarnado….
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Frost / Nixon
Filme, documento histórico, dirigido com alguma eficácia pelo mainstream Ron Howard e que tinha debaixo de olho há algum tempo.Apesar de tudo, a política é tema que sempre prendeu a minha atenção. Gosto de assistir a um bom debate, acutilante, com discussões e trocas incisivas de argumentos, o que nos tempos que correm face aos políticos de plástico que temos é difícil descortinar, infelizmente.
O último debate que me lembro de ter acompanhado com entusiasmo foi um entre Pacheco Pereira e Maria Carrilho há já alguns anos atrás. Nem me lembro bem a propósito de quê…..
Em 1977, três anos depois de renunciar à presidência dos Estados Unidos por causa de Watergate, Richard Nixon concordou finalmente em quebrar o silêncio e conceder uma entrevista antecedida, contudo, de apuradas negociações.
David Frost, apresentador de programas de entretenimento foi o jornalista que se propôs fazê-lo. O resultado das quatro longas sessões de perguntas e respostas - comparável a um autêntico combate de boxe - foi um êxito televisivo que catapultou Frost, ainda mais, para a fama.
Nixon, o homem que sempre foi perseguido pela cativante aparência de Kennedy, foi uma das personalidades mais interessantes e polémicas do século XX.
A sua visão fechada, belicista e inquisitória da governação trouxe provavelmente graves prejuízos à humanidade, no entanto a sua notável expressividade e aquela sua faceta de patinho feio, sempre me provocaram uma espécie de fascínio histórico por este ex-presidente americano.
Deixo um excerto, por sinal dos mais quentes, da genuína entrevista de Frost a Nixon:
quinta-feira, 30 de julho de 2009
O País
Em vésperas de Agosto, o correio já anda com pelo menos dois dias de atraso. Um dia vem outro não. Continuamos mestres na arte de bem planear. O meu País é um Regabofe…
Na antecâmara da silly season por excelência e da natural debandada geral, recupero parte deste post escrito há sensivelmente um ano trás:
O ideal seria passarmos mais tempo sem juízes nem tribunais, sem absurdas medidas anunciadas com grande alarido, sem estúpidos pareceres pagos a peso de ouro. Um país sem decisões significaria um país eternamente despido dos habituais disparates. Em que igualdade e desenvolvimento seriam finalmente uma realidade para todos.
Um Portugal sem portugueses é a minha utopia...
quarta-feira, 29 de julho de 2009
A Estrela
Condimentava os seus dizeres com mestria.
Provocava nos interlocutores um interesse desmedido, sagazmente alimentado.
Avançava com hesitação porque não se pode conhecer o desconhecido.
Possuía um talento espontâneo mas polido, intemporal mas manifesto, irreverente mas irrepreensível.
Era a mais formosa estrela de todas as constelações….



