Cinema de Autor é conceito usado muitas vezes a despropósito. Jim Jarmusch é com conhecimento de causa o homem certo para abordar o tema.Ícone do cinema independente americano tornou-se com a sua brilhante filmografia objecto de culto por toda a Europa sendo igualmente muito apreciado por este pobre escriba.
Curiosamente os seus filmes estão repletos de grandes nomes nos respectivos elencos mas no entanto é sempre a sua concepção de cinema que prevalece. Os actores são de facto ilustríssimos mas se fossem outros de menor nomeada, o impacto dos filmes não sairia prejudicado com isso.
O condão de Jarmusch proporciona-lhe a particularidade de transformar em arte sacra tudo o que cria e isso é algo que não tem preço. Na actualidade, não existem muitos realizadores, Europeus ou Asiáticos, com o toque de midas do americano.
“Limites do Controlo” decorre no eixo Andaluzia-Madrid com guitarras, visitas ao Museu Rainha Sofia e muito flamengo pelo meio. Narra a história de um estratagema levado a cabo por um profissional do crime com o intuito de concretizar um homicídio. Fala disso, mas se falasse de tourada ou fado o resultado não era diferente, pois é a essência redentora do universo Jarmuschiano que sustenta, catalisa e engrandece tudo o resto.
No epílogo do filme o protagonista afirma que a vingança é inútil, contudo concretiza a vendetta assassinando a sua vítima sem recorrer a explicações supérfluas para o contraditório. Afinal, não há limites para a cólera. Como aparece por diversas vezes escrito no meio do filme “La vida no vale nada”……

































