sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Eu voto Branco (parte II)

Depois de uma primeira abordagem nas Europeias voltarei a votar branco, por uma questão de consciência, nas eleições legislativas de Domingo.
E o que nos reservou esta campanha que agora entra na recta final:

Começando pelo PS, José Sócrates mantém a vontade e a determinação de governar e isso, quer se queira quer não, é um ponto a seu favor. Não se pode minimizar o facto de ser cada vez maior a aversão a cargos políticos na Sociedade Civil. Sócrates tem esse mérito. Sabe o que quer e luta com pragmatismo pelos seus objectivos sendo que obviamente não basta querer para que a obra nasça.
Mais contestação, menos contestação, mais magalhães, menos magalhães, que aliás é uma boa medida em qualquer parte do mundo, o Governo fez, quanto a mim, um trabalho aceitável na educação.
Na Saúde, com a saída de Correia de Campos, de longe o melhor e mais bem preparado Ministro da Saúde do pós 25 de Abril, Sócrates deu sinais de fraqueza. Correia de Campos não tinha a protecção dos media que o ridicularizavam constantemente mas é aí que se vê a diferença entre quem governa exclusivamente com base em critérios de imagem e quem governa com o desígnio de resolver os problemas dos cidadãos. Aliás, é curioso, mas de repente deixaram de ocorrer partos em ambulâncias por esse País fora. Como se isso fosse, de todo, possível…
O pecado capital deste Governo foi, quanto a mim, o excessivo peso dado à política de comunicação governativa e por aí merece ser penalizado. Sócrates, muitas das vezes, deixa passar a ideia de gerir uma imensa empresa de Marketing sem que daí advenham benefícios directos para as pessoas. Fez cedências inaceitáveis no sentido de controlar os soundbytes mais críticos. Fez grande alarido com eventos vazios de conteúdo. Tem Ministros que além de serem porta-vozes para isto e para aquilo, o caso de Pedro Silva Pereira por exemplo, não se lhes reconhece outras competências, o que até se torna extraordinariamente redutor para eles.
O Plano de reestruturação da administração pública, vulgo PRACE, deu parcos resultados, prolongando uma doença que parece incurável. Não se trata de despedir em grande escala mas de racionalizar recursos na Administração Central do Estado com objectividade e rentabilidade, algo que nunca foi conseguido.
Sócrates substituiu o Ministro das Finanças, o independente Campos e Cunha, demasiado cedo, o que deixou desde logo uma grande desconfiança relativamente ao rumo a seguir, tratando-se ainda para mais de um lugar nevrálgico na acção governativa. Valeu-lhe nesse ponto o versátil Teixeira dos Santos que fez sempre o jogo mais conveniente a Sócrates, com resultados ainda assim aceitáveis face ao contexto económico global.

O PSD, com o erro de casting de Ferreira Leite como líder, dificilmente poderá ambicionar mais que o ressurgimento do perverso bloco central de interesses de tão má memória para o País. A Campanha não me parece que tenha corrido extraordinariamente mal. Só quem viva em outro planeta podia ter expectativas mais elevadas….

O Bloco é uma fantasia e o seu programa assenta em grande parte em medidas não exequíveis que dependem de consensos internacionais impossíveis de obter. Por outro lado, o BE com o crescimento que continua a ostentar perde parte da credibilidade intelectual que possuía. Além do mais, ninguém me convence que Louça, no dia em que tiver responsabilidades governativas, não fugirá para parte incerta….

A CDU fez a Campanha do costume, partilhando alguns pecados com o Bloco. Jerónimo de Sousa compensou alguma impreparação em matérias mais técnicas com aquele entusiasmo, genuinidade e espontaneidade singulares que são a sua imagem de marca. Só por isso, Jerónimo, merece um bom resultado que contudo não será fácil obter.

O PP de Paulo Portas, cada vez menos CDS, prosseguiu a sua caminhada pelas feiras e mercados do Portugal profundo. Beneficiou durante a Campanha do grande à vontade do seu líder e também - há que admiti-lo - da sua inteligência quer nos debates, quer no contacto diário com os eleitores. Ninguém pode subvalorizar a experiência acentuada que possui na área da comunicação. Foi um bom Jornalista, o que nos dias que correm, atendendo à política que se faz, é uma mais-valia indesmentível.

Não acredito sinceramente que quer os debates, quer os casos ocorridos na Campanha possam ter grande impacto nos resultados finais.
Relativamente aos debates o facto mais saliente, na minha óptica, por ser inesperado, foi a “tareia” que Sócrates deu a Louça.
Paulo Portas é o terreno onde se sente obviamente mais confortável. Jerónimo não conseguiu esconder algumas fragilidades de perfil relativamente ao formato escolhido para os debates. Ferreira-Leite, apesar das gaffes, evitou o descalabro que alguns auguravam.
Nos casos mediáticos da Campanha, o episódio TVI é uma fantochada, e o das escutas, se põe alguém em cheque é Cavaco, como resultado do delicado momento escolhido para a demissão do seu leal assessor, sendo que aqui acredito que possa haver um voto residual, não muito significativo, que fuja do PSD favorecendo Sócrates.
Porém, um dos episódios mais interessantes desta campanha, na minha óptica, tem como alvo o até aqui impoluto Bloco de Esquerda. E é bastante elucidativo acerca do carácter da classe politica que nos governa. O facto de Louça ser titular de um PPR não chega a ser um caso até porque se trata de poupança pura e dura. O homem tem que pôr o dinheiro em algum lado. Agora o investimento em acções levado a cabo por aquelas caras bonitas pertencentes a duas ilustres deputadas da nação mediaticamente muito atraentes – Ana Drago e Joana Amaral Dias - merecia no mínimo um pedido de desculpas e uma justificação por parte das mesmas. É que são precisamente este tipo de hipocrisias decadentes que o BE - e muito bem – tem por hábito trazer para a praça pública. A malta defende, em grande medida, nacionalizações em diferentes sectores mas quando é o meu dinheirinho deixa cá fazer um investimentozinho na bela da privatização que é capaz de render. Obviamente que são questões pessoais, irrelevantes em termos políticos, mas diz muito acerca da falta de coluna vertebral dos nossos eleitos.

Depois das eleições de Domingo, qualquer que seja o desfecho, uma certeza eclodirá: o País caminha para a ingovernabilidade, mesmo que nos queiram convencer do contrário.

Brevemente, em um cinema perto de si, mais uma sequela do “eu voto branco” tendo com pano de fundo as Autárquicas 2009…..

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Ferros

O Sporting venceu sofregamente o recém-promovido Olhanense por 3 a 2 em partida que mais uma vez trouxe ao de cima as manifestas fragilidades na organização colectiva da equipa. Aliás, ultimamente até me tem faltado a paciência para falar deste Sporting tal é a previsibilidade do futebol apresentado. A carência no fio condutor do jogo é por demais evidente.
A sensação que tenho é que Paulo Bento leva a equipa para o abismo e por norma Liedson - hoje foram outros – somente vão adiando o inevitável. Isto apesar de o treinador ter 7 vidas como os gatos. Quando parece que finalmente vai cair, lá aparece um bom resultado ou uma exibição mais conseguida a adiar o desejado funeral. Penso aliás ser esse, neste momento, o desejo da esmagadora maioria dos adeptos. Pelo menos, dos mais esclarecidos.
A verdade é que a equipa joga um futebol desgarrado e sem nexo. Quer o Braga, quer o próprio Olhanense apresentam actualmente uma consistência táctica mais assertiva que o Sporting. Esta é que é a dura realidade, por muito que me custe verificar.
Na próxima semana visitamos o estádio do dragão e aí se verá a real ambição desta equipa. Um candidato assumido, na minha perspectiva, não se pode contentar com um empate em confronto com um concorrente directo….

O único factor positivo que descobri na exibição da equipa no jogo de hoje foi o facto de - graças à nossa inoperância - termos conseguido fazer com que Miguel Garcia tenha dado uns ares de algo vagamente semelhante a um jogador de futebol….

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Time After Time e True Colors - Cindy Lauper





Uma fabulosa intérprete despontada nos gloriosos anos 80 e muitas vezes injustamente esquecida..….

Poema do silêncio

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
-Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.

Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!

Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...

Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome.

José Régio

domingo, 20 de setembro de 2009

O Descalabro

A enxovalhante bandalheira que se tornou a presente campanha eleitoral para as legislativas é terceiro-mundista. Torna-se, contudo, extraordinariamente elucidativa do País dos Compadrios estabelecidos e da intriga rasteira em que, infelizmente, nos transformamos. Vale tudo menos tirar olhos…

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Génese

Por mais voltas que o mundo dê ninguém pode fugir às suas verdadeiras origens. Ninguém pergunta a um recém-nascido se pretende mesmo viver.

O nascimento é o mais puro, o mais belo, e o mais livre dos actos….

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Bloco

Continuo em grande medida a concordar com a relevância das questões que Francisco Louça e o Bloco de Esquerda trazem à luz do dia. Não foi por aí que tombou o meu entusiasmo. É nessas pequenas mas significativas aldrabices à Portuguesa, na corrupção de vão de escada, na hipocrisia reinante, na Chico-espertice saloia que continua a estar o atávico e irrecuperável atraso do País.
Continuo, inclusive, a achar que algumas das bandeiras ditas fracturantes levantadas pelo Bloco são de essencial importância para a evolução da sociedade Portuguesa.

Porém, existe uma grande incoerência na génese intrínseca do Bloco. Foge da zona de governabilidade como o diabo da cruz.
Apesar de intelectualmente cativante (também já foi mais) é um projecto político esgotado. Ou melhor, ficou esvaziado quando ultrapassou os 3% de votantes. Perdeu a piada quando deixou de estar limitado a uma imensa minoria. Esta é a verdade. O Programa eleitoral do BE de 2004 já era uma fantasia sem sentido.

O meu problema será quando os votos em branco atingirem os 5 %. Pelo que me parece já não deve faltar muito. A partir daí, tornar-se-á um voto de protesto obsoleto só me restando provavelmente deixar de votar. Atingirei talvez aí, finalmente, a maioridade democrática….

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A Cidade despida

És poesia de vão de escada
cheiras a sardinha de cheiro duvidoso
bebes o vinho de barril envelhecido
transportas contigo um charme florido.
Elevas a melancolia dos teus escritores
combinas a tradição e o modernismo
alias a tristeza e o gáudio metafísico
adormeces com quem mais te aprouver.


Lisboa sem o Tejo amanheceria despida…

terça-feira, 8 de setembro de 2009

John Garden hoje e sempre



Com carro oficial, sem carro oficial, esta campanha já não seria a mesma sem este estridente fuck them saído da boca do nosso eterno Palhaço de serviço.
Continuação da valiosa série "O Oásis de Jardim" iniciada aqui e aqui.
Força Portugal!...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Circo

Volta o Circo à cidade. Soltam os balões. Aparecem os Ursos e as Girafas. Os acrobatas fazem os habituais malabarismos.
O meu reino por um voto, clamam!

Porém, o tempo, não está para fantasias….

Vida Tão Estranha - Rodrigo Leão

sábado, 5 de setembro de 2009

O País da Barafunda

De todo este ruído em torno do caso Manuela Moura Guedes deixo algumas simples constatações que me parecem evidentes:

Ao contrário do que alguns já profetizam, não creio que neste episódio os benefícios eleitorais para Sócrates superem os custos. Mais, não me parece que tal possa ter um peso decisivo nas eleições.
Numa determinada perspectiva até acho justo que na área onde o governo meteu mais água – a comunicação – possa vir a ser penalizado, mas voltarei a este tema certamente mais à frente…

José Eduardo Moniz - Gestor de reconhecidas capacidades que não estão em causa - era Director Geral da TVI. Como se sabe deixou o cargo recentemente. É público que é também o marido de Manuela Moura Guedes, o que para o caso tem especial relevância….

No fundo, é tão absurda a impertinência revelada na decisão de suspender o telejornal das sextas-feiras na TVI praticamente em cima da pré-campanha, como são absolutamente ridículas as ondas de solidariedade com Manuela Moura Guedes que incluem, inclusive, vigílias….

O que aconteceu foi que algum profissional diligente teve coragem suficiente para fazer aquilo que alguém menos comprometido deveria ter feito há muito: acabar com uma fantochada deplorável que envergonhava toda uma classe e que era coordenada por alguém sem o mínimo de perfil para liderar aquele projecto.....

Não há Festa como essa!

Começou hoje na Quinta da Atalaia - Amora - Seixal mais uma demonstração de vitalidade dos Comunistas Portugueses sempre enquadrada pelos acordes da magnífica Carvalhesa idealizada por Kurt Schindler.

Este blogue é apolítico. O seu mentor vota branco por profunda convicção mas mesmo sem poder estar presente tem o espírito da Festa….

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Poeta castrado não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

José Carlos Ary dos Santos

O Viajante

Viajar era o seu verbo. Calcorreava pelo mundo com a mesma descontracção com que acendia mais um cigarro.
A solidão era o seu maior aliado. Possibilitava-lhe a segurança de nada esperar dos outros e dos outros nada esperarem de si. Quando viajava procurava companhia através de um rigor científico aprimorado nos assentos do desencanto mais amargurado.
Mesmo durante o sono descobria coisas grandiosas, viajando por lugares nunca antes visitados. No meio das suas habituais crises de sonambulismo era recorrente acordar à porta de agências de viagens.

Era verdadeiramente feliz porque o seu único desígnio era a fuga….

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sacanas sem Lei

The Inglorious Bastards, a última jóia de Quentin Tarantino já anda por aí a arrasar nas salas. Impressiona a forma como a genialidade do realizador se tornou apetecível para as massas fazendo com que inclusivamente se fale em records de bilheteira. Isto, sem recorrer a contraproducentes cedências à Indústria, o que somente vem valorizar a façanha.

Desde os proeminentes “Cães Danados” e "Pulp Fiction” que um filme de Tarantino não me entusiasmava tanto, confesso. É caso para dizer que os nazis tiveram finalmente o que mereciam.
O Tenente Aldo Raine mostra um arrojado Brad Pitt mas a melhor interpretação pertence inteiramente a Christoph Waltz no papel do Coronel Hans Landa, o caçador de Judeus, que muito propositadamente acaba o filme com a suástica cravada na testa.
Com uma fotografia absolutamente deslumbrante, the Inglorious Bastards vai intercalando os subtis diálogos - vulgares Tarantinadas - com acção a valer, sem nunca perder o fulgor. O primeiro capítulo passado no interior de uma rural quinta francesa é de um rigor artístico lapidar.

De Cinéfilo bulímico a Poeta das imagens, o Cineasta consegue através de algumas sequências transcendentais elevar a sala de cinema à categoria de santuário, tal é a entrega do espectador ao desenrolar dos seus argumentos.
No remate do filme, Quentin ironiza com o seu próprio talento, sugerindo a autoria de uma Obra-Prima. Para quem começou como empregado de um videoclube, não está nada mal…..