sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Eu voto Branco (parte III)

Estou ainda recenseado fora de Lisboa, provavelmente por pouco tempo, pois brevemente terei de requerer o cartão do cidadão e a partir desse momento começarei a votar em Lisboa.
Independentemente disso, por questões operacionais, não sei se irei ou não votar no próximo Domingo mas se tal suceder votarei certamente branco na senda das anteriores eleições de 2009. Aliás, o Concelho onde estou recenseado é um caso típico da decadência do Poder Autárquico em Portugal. O Presidente da Câmara está no poder há 24 anos com as vicissitudes que isso representa. No caso, felizmente sem sacos azuis e afins, pelo menos que sejam do conhecimento público.
A conclusão óbvia que o cidadão comum retira é que a lei de limitação dos mandatos pecou por tardia e também por ser branda ao permitir mais quatro anos de permanência em funções a quem já se vem perpetuando no poder. Num país com os ancestrais problemas que Portugal continua a ter – olhe-se para os índices galopantes de corrupção – a durabilidade da permanência dos Autarcas à frente das Câmaras é um crime absolutamente sufocante para o desenvolvimento do País.
O problema central é que o conceito de serviço público nasce precisamente da lógica inversa. Ou seja, as pessoas durante um determinado período da sua vida abdicam das suas carreiras profissionais para, caso sejam eleitos e a troco de uma remuneração, exercerem as nobres funções de Autarcas tendo como desígnio servir os seus conterrâneos. Acontece que na grande maioria dos casos as pessoas fazem disso a sua profissão e quando assim é aparecem os Isaltinos e as Felgueiras deste mundo….

Basta pensar no caos urbanístico das nossas cidades e na tendência generalizada que existe para negociatas com construtores civis, basta pensar na estúpida propensão para construir rotundas sem sentido, basta pensar nas mordomias auto-proclamadas pelos caciques que estão pregados ao poder, basta pensar que num país ainda do respeitinho as Câmaras Municipais são as maiores entidades empregadoras, basta pensar na apetência instituída para formar círculos de poder com base em relações puramente pessoais sem o mínimo de respeito por critérios de competência, basta pensar nisto tudo e percebemos o porquê do atraso irreparável do País…

No entanto, caso já estivesse recenseado em Lisboa muito provavelmente iria escapar à minha tendência pela brancura em eleições. Não por apoiar declaradamente esta ou aquela candidatura mas por não poder perder a oportunidade de votar contra Santana Lopes e assim tentar contribuir para que ele não atinja os seus objectivos.
Tendencialmente votaria António Costa. Apesar de um mandato bastante limitado pelas circunstâncias - onde objectivamente não existe obra visível - tenho a convicção de ser pessoa séria, corajosa e competente. Seria obviamente uma excepção à minha consciência cívica que me obriga a votar normalmente em branco. Justifica-se esta minha recaída pelo simples facto de que votaria contra Santana Lopes qualquer que fosse a eleição. Se hipoteticamente Santana Lopes se candidatar a secretário de um associação de Pais de uma qualquer escola, voto contra. Se Santana Lopes se candidatar a tesoureiro da associação cultural e recreativa dos amigos da pinga, voto contra. Isto pelo simples facto de entender que Pedro Santana Lopes é um péssimo, um terrível candidato a algo que seja..….

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Arena + Taking Woodstock

A curta-metragem Arena, primeiro filme do realizador português João Salaviza, que recebeu a Palma de Ouro da categoria no Festival de Cannes aparece como complemento a Taking Woodstock e deixa muita expectativa relativamente ao percurso futuro do jovem cineasta. E não é pelo prémio que apesar de prestigiante, não significa por si grande coisa. Arena é uma bela metáfora à brava vida das sociedades actuais. A narrativa, ou melhor os gladiadores, encontram-se no Bairro da Flamenga em Chelas mas podiam estar em luta selvática pela sobrevivência noutro lugar qualquer….

 
Baseado numa história real, Taking Woodstock realizado pelo consagrado - e agora muito americanizado Ang Lee - é um mergulho na cultura hippie dos anos 60 e uma atraente perspectiva de um dos seus marcos mais inolvidáveis: o festival de Woodstock que juntou mais de 500 000 pessoas em 3 dias de Paz e Música .
Estávamos em 1969, os Estados Unidos enterravam-se no Vietname e o Homem tinha acabado de chegar à lua. Quando o hotel dos pais de Elliot, o personagem principal no filme de Lee, é ameaçado de despejo, este oferece o terreno para promover o festival rock e assim arrecadar algum dinheiro para pagamento da hipoteca do hotel. Não imaginava ele as enormes proporções que tal gesto provocaria na história da cultura musical.
Sem ser um dos melhores filmes de Ang Lee, e sem acrescentar algo de extraordinário à sua obra, fica como mais uma interessante abordagem ao fenómeno ocorrido no mítico festival de Woodstock, onde durante 3 dias tudo pareceu possível. Infelizmente foi sol de pouca dura pois o capitalismo mais desenfreado espreitava, desvairado, ao dobrar da esquina….

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A Teimosia

O Orgulho toldava-lhe a visão das coisas. Sentia-se cada vez mais perto do fim, contudo num último acervo de dignidade resolveu adiar o inevitável. Nada lhe restava na vida. Tinha perdido a própria vergonha. A teimosia era o seu último reduto, a sua derradeira crença……

sábado, 3 de outubro de 2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Cobardia

Numa das piores exibições que tenho memória para uma competição europeia, o grande Sporting derrotou os alemães do Hertha Berlim por um a zero.

Fui um dos 17 000 masoquistas que foram a Alvalade - valorosos sobreviventes à infeliz PauloBentização do clube - e não consegui vislumbrar um mero vestígio de um rasgo, qualquer que ele fosse, no futebol do Sporting. Nem mesmo Liedson escapou à vulgaridade. Paulo Bento no fim do jogo fugiu para os balneários deixando os jogadores sozinhos, entregues a si próprios, a serem vaiados no centro do terreno....

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O Bidé da Maria

A nota de maior destaque no empolgante rosário aos Portugueses do Professor Cavaco foi, entre outras vacuidades, a pertinente observação relativa ao mail do seu computador pessoal.
Fico na expectativa de no próximo sermão possamos finalmente ficar a conhecer os hábitos higiénicos da primeira-dama da nação.

Este País não é para ser levado a sério. Portugal é uma enorme mentira……

sábado, 26 de setembro de 2009

A Normalidade


Um jogo normal.
Uma derrota normal.
Uma arbitragem normal.
Um Grimi normal….

Falta de ambição inicial.
Más opções técnicas.
Um treinador de cabeça perdida e o meu Sporting a oito pontos do Braga e atrás do Rio Ave….

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Eu voto Branco (parte II)

Depois de uma primeira abordagem nas Europeias voltarei a votar branco, por uma questão de consciência, nas eleições legislativas de Domingo.
E o que nos reservou esta campanha que agora entra na recta final:

Começando pelo PS, José Sócrates mantém a vontade e a determinação de governar e isso, quer se queira quer não, é um ponto a seu favor. Não se pode minimizar o facto de ser cada vez maior a aversão a cargos políticos na Sociedade Civil. Sócrates tem esse mérito. Sabe o que quer e luta com pragmatismo pelos seus objectivos sendo que obviamente não basta querer para que a obra nasça.
Mais contestação, menos contestação, mais magalhães, menos magalhães, que aliás é uma boa medida em qualquer parte do mundo, o Governo fez, quanto a mim, um trabalho aceitável na educação.
Na Saúde, com a saída de Correia de Campos, de longe o melhor e mais bem preparado Ministro da Saúde do pós 25 de Abril, Sócrates deu sinais de fraqueza. Correia de Campos não tinha a protecção dos media que o ridicularizavam constantemente mas é aí que se vê a diferença entre quem governa exclusivamente com base em critérios de imagem e quem governa com o desígnio de resolver os problemas dos cidadãos. Aliás, é curioso, mas de repente deixaram de ocorrer partos em ambulâncias por esse País fora. Como se isso fosse, de todo, possível…
O pecado capital deste Governo foi, quanto a mim, o excessivo peso dado à política de comunicação governativa e por aí merece ser penalizado. Sócrates, muitas das vezes, deixa passar a ideia de gerir uma imensa empresa de Marketing sem que daí advenham benefícios directos para as pessoas. Fez cedências inaceitáveis no sentido de controlar os soundbytes mais críticos. Fez grande alarido com eventos vazios de conteúdo. Tem Ministros que além de serem porta-vozes para isto e para aquilo, o caso de Pedro Silva Pereira por exemplo, não se lhes reconhece outras competências, o que até se torna extraordinariamente redutor para eles.
O Plano de reestruturação da administração pública, vulgo PRACE, deu parcos resultados, prolongando uma doença que parece incurável. Não se trata de despedir em grande escala mas de racionalizar recursos na Administração Central do Estado com objectividade e rentabilidade, algo que nunca foi conseguido.
Sócrates substituiu o Ministro das Finanças, o independente Campos e Cunha, demasiado cedo, o que deixou desde logo uma grande desconfiança relativamente ao rumo a seguir, tratando-se ainda para mais de um lugar nevrálgico na acção governativa. Valeu-lhe nesse ponto o versátil Teixeira dos Santos que fez sempre o jogo mais conveniente a Sócrates, com resultados ainda assim aceitáveis face ao contexto económico global.

O PSD, com o erro de casting de Ferreira Leite como líder, dificilmente poderá ambicionar mais que o ressurgimento do perverso bloco central de interesses de tão má memória para o País. A Campanha não me parece que tenha corrido extraordinariamente mal. Só quem viva em outro planeta podia ter expectativas mais elevadas….

O Bloco é uma fantasia e o seu programa assenta em grande parte em medidas não exequíveis que dependem de consensos internacionais impossíveis de obter. Por outro lado, o BE com o crescimento que continua a ostentar perde parte da credibilidade intelectual que possuía. Além do mais, ninguém me convence que Louça, no dia em que tiver responsabilidades governativas, não fugirá para parte incerta….

A CDU fez a Campanha do costume, partilhando alguns pecados com o Bloco. Jerónimo de Sousa compensou alguma impreparação em matérias mais técnicas com aquele entusiasmo, genuinidade e espontaneidade singulares que são a sua imagem de marca. Só por isso, Jerónimo, merece um bom resultado que contudo não será fácil obter.

O PP de Paulo Portas, cada vez menos CDS, prosseguiu a sua caminhada pelas feiras e mercados do Portugal profundo. Beneficiou durante a Campanha do grande à vontade do seu líder e também - há que admiti-lo - da sua inteligência quer nos debates, quer no contacto diário com os eleitores. Ninguém pode subvalorizar a experiência acentuada que possui na área da comunicação. Foi um bom Jornalista, o que nos dias que correm, atendendo à política que se faz, é uma mais-valia indesmentível.

Não acredito sinceramente que quer os debates, quer os casos ocorridos na Campanha possam ter grande impacto nos resultados finais.
Relativamente aos debates o facto mais saliente, na minha óptica, por ser inesperado, foi a “tareia” que Sócrates deu a Louça.
Paulo Portas é o terreno onde se sente obviamente mais confortável. Jerónimo não conseguiu esconder algumas fragilidades de perfil relativamente ao formato escolhido para os debates. Ferreira-Leite, apesar das gaffes, evitou o descalabro que alguns auguravam.
Nos casos mediáticos da Campanha, o episódio TVI é uma fantochada, e o das escutas, se põe alguém em cheque é Cavaco, como resultado do delicado momento escolhido para a demissão do seu leal assessor, sendo que aqui acredito que possa haver um voto residual, não muito significativo, que fuja do PSD favorecendo Sócrates.
Porém, um dos episódios mais interessantes desta campanha, na minha óptica, tem como alvo o até aqui impoluto Bloco de Esquerda. E é bastante elucidativo acerca do carácter da classe politica que nos governa. O facto de Louça ser titular de um PPR não chega a ser um caso até porque se trata de poupança pura e dura. O homem tem que pôr o dinheiro em algum lado. Agora o investimento em acções levado a cabo por aquelas caras bonitas pertencentes a duas ilustres deputadas da nação mediaticamente muito atraentes – Ana Drago e Joana Amaral Dias - merecia no mínimo um pedido de desculpas e uma justificação por parte das mesmas. É que são precisamente este tipo de hipocrisias decadentes que o BE - e muito bem – tem por hábito trazer para a praça pública. A malta defende, em grande medida, nacionalizações em diferentes sectores mas quando é o meu dinheirinho deixa cá fazer um investimentozinho na bela da privatização que é capaz de render. Obviamente que são questões pessoais, irrelevantes em termos políticos, mas diz muito acerca da falta de coluna vertebral dos nossos eleitos.

Depois das eleições de Domingo, qualquer que seja o desfecho, uma certeza eclodirá: o País caminha para a ingovernabilidade, mesmo que nos queiram convencer do contrário.

Brevemente, em um cinema perto de si, mais uma sequela do “eu voto branco” tendo com pano de fundo as Autárquicas 2009…..

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Ferros

O Sporting venceu sofregamente o recém-promovido Olhanense por 3 a 2 em partida que mais uma vez trouxe ao de cima as manifestas fragilidades na organização colectiva da equipa. Aliás, ultimamente até me tem faltado a paciência para falar deste Sporting tal é a previsibilidade do futebol apresentado. A carência no fio condutor do jogo é por demais evidente.
A sensação que tenho é que Paulo Bento leva a equipa para o abismo e por norma Liedson - hoje foram outros – somente vão adiando o inevitável. Isto apesar de o treinador ter 7 vidas como os gatos. Quando parece que finalmente vai cair, lá aparece um bom resultado ou uma exibição mais conseguida a adiar o desejado funeral. Penso aliás ser esse, neste momento, o desejo da esmagadora maioria dos adeptos. Pelo menos, dos mais esclarecidos.
A verdade é que a equipa joga um futebol desgarrado e sem nexo. Quer o Braga, quer o próprio Olhanense apresentam actualmente uma consistência táctica mais assertiva que o Sporting. Esta é que é a dura realidade, por muito que me custe verificar.
Na próxima semana visitamos o estádio do dragão e aí se verá a real ambição desta equipa. Um candidato assumido, na minha perspectiva, não se pode contentar com um empate em confronto com um concorrente directo….

O único factor positivo que descobri na exibição da equipa no jogo de hoje foi o facto de - graças à nossa inoperância - termos conseguido fazer com que Miguel Garcia tenha dado uns ares de algo vagamente semelhante a um jogador de futebol….

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Time After Time e True Colors - Cindy Lauper





Uma fabulosa intérprete despontada nos gloriosos anos 80 e muitas vezes injustamente esquecida..….

Poema do silêncio

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
-Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.

Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!

Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...

Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome.

José Régio

domingo, 20 de setembro de 2009

O Descalabro

A enxovalhante bandalheira que se tornou a presente campanha eleitoral para as legislativas é terceiro-mundista. Torna-se, contudo, extraordinariamente elucidativa do País dos Compadrios estabelecidos e da intriga rasteira em que, infelizmente, nos transformamos. Vale tudo menos tirar olhos…

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Génese

Por mais voltas que o mundo dê ninguém pode fugir às suas verdadeiras origens. Ninguém pergunta a um recém-nascido se pretende mesmo viver.

O nascimento é o mais puro, o mais belo, e o mais livre dos actos….

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Bloco

Continuo em grande medida a concordar com a relevância das questões que Francisco Louça e o Bloco de Esquerda trazem à luz do dia. Não foi por aí que tombou o meu entusiasmo. É nessas pequenas mas significativas aldrabices à Portuguesa, na corrupção de vão de escada, na hipocrisia reinante, na Chico-espertice saloia que continua a estar o atávico e irrecuperável atraso do País.
Continuo, inclusive, a achar que algumas das bandeiras ditas fracturantes levantadas pelo Bloco são de essencial importância para a evolução da sociedade Portuguesa.

Porém, existe uma grande incoerência na génese intrínseca do Bloco. Foge da zona de governabilidade como o diabo da cruz.
Apesar de intelectualmente cativante (também já foi mais) é um projecto político esgotado. Ou melhor, ficou esvaziado quando ultrapassou os 3% de votantes. Perdeu a piada quando deixou de estar limitado a uma imensa minoria. Esta é a verdade. O Programa eleitoral do BE de 2004 já era uma fantasia sem sentido.

O meu problema será quando os votos em branco atingirem os 5 %. Pelo que me parece já não deve faltar muito. A partir daí, tornar-se-á um voto de protesto obsoleto só me restando provavelmente deixar de votar. Atingirei talvez aí, finalmente, a maioridade democrática….

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A Cidade despida

És poesia de vão de escada
cheiras a sardinha de cheiro duvidoso
bebes o vinho de barril envelhecido
transportas contigo um charme florido.
Elevas a melancolia dos teus escritores
combinas a tradição e o modernismo
alias a tristeza e o gáudio metafísico
adormeces com quem mais te aprouver.


Lisboa sem o Tejo amanheceria despida…

terça-feira, 8 de setembro de 2009

John Garden hoje e sempre



Com carro oficial, sem carro oficial, esta campanha já não seria a mesma sem este estridente fuck them saído da boca do nosso eterno Palhaço de serviço.
Continuação da valiosa série "O Oásis de Jardim" iniciada aqui e aqui.
Força Portugal!...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Circo

Volta o Circo à cidade. Soltam os balões. Aparecem os Ursos e as Girafas. Os acrobatas fazem os habituais malabarismos.
O meu reino por um voto, clamam!

Porém, o tempo, não está para fantasias….

Vida Tão Estranha - Rodrigo Leão

sábado, 5 de setembro de 2009

O País da Barafunda

De todo este ruído em torno do caso Manuela Moura Guedes deixo algumas simples constatações que me parecem evidentes:

Ao contrário do que alguns já profetizam, não creio que neste episódio os benefícios eleitorais para Sócrates superem os custos. Mais, não me parece que tal possa ter um peso decisivo nas eleições.
Numa determinada perspectiva até acho justo que na área onde o governo meteu mais água – a comunicação – possa vir a ser penalizado, mas voltarei a este tema certamente mais à frente…

José Eduardo Moniz - Gestor de reconhecidas capacidades que não estão em causa - era Director Geral da TVI. Como se sabe deixou o cargo recentemente. É público que é também o marido de Manuela Moura Guedes, o que para o caso tem especial relevância….

No fundo, é tão absurda a impertinência revelada na decisão de suspender o telejornal das sextas-feiras na TVI praticamente em cima da pré-campanha, como são absolutamente ridículas as ondas de solidariedade com Manuela Moura Guedes que incluem, inclusive, vigílias….

O que aconteceu foi que algum profissional diligente teve coragem suficiente para fazer aquilo que alguém menos comprometido deveria ter feito há muito: acabar com uma fantochada deplorável que envergonhava toda uma classe e que era coordenada por alguém sem o mínimo de perfil para liderar aquele projecto.....

Não há Festa como essa!

Começou hoje na Quinta da Atalaia - Amora - Seixal mais uma demonstração de vitalidade dos Comunistas Portugueses sempre enquadrada pelos acordes da magnífica Carvalhesa idealizada por Kurt Schindler.

Este blogue é apolítico. O seu mentor vota branco por profunda convicção mas mesmo sem poder estar presente tem o espírito da Festa….

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Poeta castrado não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

José Carlos Ary dos Santos

O Viajante

Viajar era o seu verbo. Calcorreava pelo mundo com a mesma descontracção com que acendia mais um cigarro.
A solidão era o seu maior aliado. Possibilitava-lhe a segurança de nada esperar dos outros e dos outros nada esperarem de si. Quando viajava procurava companhia através de um rigor científico aprimorado nos assentos do desencanto mais amargurado.
Mesmo durante o sono descobria coisas grandiosas, viajando por lugares nunca antes visitados. No meio das suas habituais crises de sonambulismo era recorrente acordar à porta de agências de viagens.

Era verdadeiramente feliz porque o seu único desígnio era a fuga….

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sacanas sem Lei

The Inglorious Bastards, a última jóia de Quentin Tarantino já anda por aí a arrasar nas salas. Impressiona a forma como a genialidade do realizador se tornou apetecível para as massas fazendo com que inclusivamente se fale em records de bilheteira. Isto, sem recorrer a contraproducentes cedências à Indústria, o que somente vem valorizar a façanha.

Desde os proeminentes “Cães Danados” e "Pulp Fiction” que um filme de Tarantino não me entusiasmava tanto, confesso. É caso para dizer que os nazis tiveram finalmente o que mereciam.
O Tenente Aldo Raine mostra um arrojado Brad Pitt mas a melhor interpretação pertence inteiramente a Christoph Waltz no papel do Coronel Hans Landa, o caçador de Judeus, que muito propositadamente acaba o filme com a suástica cravada na testa.
Com uma fotografia absolutamente deslumbrante, the Inglorious Bastards vai intercalando os subtis diálogos - vulgares Tarantinadas - com acção a valer, sem nunca perder o fulgor. O primeiro capítulo passado no interior de uma rural quinta francesa é de um rigor artístico lapidar.

De Cinéfilo bulímico a Poeta das imagens, o Cineasta consegue através de algumas sequências transcendentais elevar a sala de cinema à categoria de santuário, tal é a entrega do espectador ao desenrolar dos seus argumentos.
No remate do filme, Quentin ironiza com o seu próprio talento, sugerindo a autoria de uma Obra-Prima. Para quem começou como empregado de um videoclube, não está nada mal…..

domingo, 30 de agosto de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

E agora?

Aconteceu, quanto a mim, o pior cenário.
Fomos eliminados. Jogámos benzinho. Fugimos à goleada de Munique. No entanto haverão certamente muitos adeptos a pensar se não será melhor empatar ou perder também em Coimbra.
O Sportinguismo é uma doença e eu sou doente....

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Decência

Gostava de se imaginar como uma pessoa decorosa. No fundo não passava de um nostálgico desalinhado da ortodoxia vigente.

A sua Mãe era a grande culpada da sua decência. Nunca lhe agradeceu esse predicado pois a maldita consciência revelava-lhe que tal decoro era substancialmente prejudicial à sua parca ambição.

Morreu, um dia, sem ter onde cair morto. De acordo com o comentado pelas diligentes vizinhas, acabou por ter uma morte indecorosamente indecente…..

Edgar Degas

domingo, 23 de agosto de 2009

O Zé do Quintal

País forrado de lixo chique
vive afogado em imundice.
Inveja o vizinho de mãos nos bolsos
enganando o pobre e o remediado.
Foste Rei do Mar no passado,
quiseste dirigir destinos alheios
acabaste a chafurdar na lama
salvando-se a pesca da sardinha.
País nascido de equívocos,
ensombrado por passionais crimes,
deita-se à noite com a pequena corrupção
num manto inexplorável de delitos.
O meu Pais chama-se Portugal
acha-se na vanguarda do Ocidente
adormece diariamente sem perceber
que caberia no mais exíguo quintal....

A Anátema

Sabia - tinha ouvido dizer - que havia coisas do arco-da-velha.
Fazia-se à vida diariamente na tentativa de esquecer o que não podia ser esquecido. Sobrevivia com o credo na boca pois não conseguia desamarrar a memória. O seu destino estava há muito traçado. Seria amordaçado por uma maldição traiçoeira.
Um dia a maldita praga resolveu encarnar de anjo protector e o destino, entrando em parafuso, resolveu fugir para a América atrás de um futuro promissor….

Romaria – Elis Regina

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Carta a um Bebé

Querido Filho,

Quando faltavam ainda mais de 2 meses para acabar o período de gravidez, já eras quase kilo e meio de gente, e a médica chamou-te cabeçudo.
Deixa lá, ela é que era cabeçuda. Cabeçuda e metediça, é o que te digo!
Agora já pesas à volta de 2 kilos e meio. Provavelmente vais nascer com um peso equilibrado. Algo que eu não consegui. Quando nasci já era um peso excessivo para toda a gente. Mas tu não, vais nascer com uma elegância exemplar….

Desculpa por nesta fase andares constantemente a ser vasculhado por médicos. É coisa que vais ter de continuar a suportar quando tiveres cá fora. Apesar do cuidado que devemos ter como as generalizações, fica sabendo que os médicos pertencem a uma classe corporativista em excesso, representam um lobby obscenamente poderoso e são uns cagões que vivem com o Rei na barriga. Na sua grande maioria são incapazes de olhar o mundo com olhos de ver. Possuem ainda uma característica que os distingue dos demais: s
ão de uma dissonância inigualável. Sobre o mesmo problema, dois médicos têm por norma opiniões diferentes. É profissão que não te recomendo, digo-te!…

Em breve verás a luz deste pobre mundo. Ao princípio, podes não achar grande piada mas vais-te divertir à brava, vais ver!
Deste lado as pessoas são estranhas, vivem entregues às suas angústias, aos seus problemas, têm pouco tempo para pensar nos outros. Tendencialmente são umbiguistas, que é palavra que agora anda na moda.
Aqui, tudo o que parece normalmente não é. Tens que ser, por princípio, céptico. Verás e viverás coisas extraordinárias, goza-as bem e com critério. É o meu primeiro conselho para ti…

Apesar de ter deixado de fumar há quase dois anos, no dia em que resolveres aparecer fumarei um dos charutos que trouxe da Ilha e beberei uma Cuba livre em tua homenagem. Assim como assim, sempre é uma forma calorosa de te dar as boas vindas, pá!....

Estás quase a chegar. Já tens um quartinho todo aprimorado e preparado com todo a ternura. Não te escreverei mais aqui no Blog. Foram quatro cartas de Pai para Filho. A partir de agora, com o teu nascimento, tudo mudará.
Serás tu, e só tu, a escrever as palavras que ilustrarão o livro mais valioso de todos: a tua própria vida….Espero que a aproveites da melhor forma.
Eu, na medida do possível, cá estarei para te amparar nas quedas, para te empurrar nas subidas mais íngremes, para te alertar para as armadilhas ocultas...

Tenho pensado diversas vezes se tu aí, na tua actual casinha, não estarás mais protegido do que cá fora? Apesar de ser já um exíguo T0. Pelo menos aí, sempre sabemos por onde andas.
Mas deixa, não vale a pena perder tempo com cenários infrutíferos. Tens que sair e pronto. Pouco a pouco vais ter de te fazer à vida que é expressão que sempre gostei…..

Sê bem-vindo, Puto! Welcome to the jungle:


Corpo

corpo
que te seja leve o peso das estrelas
e de tua boca irrompa a inocência nua
dum lírio cujo caule se estende e
ramifica para lá dos alicerces da casa

abre a janela debruça-te
deixa que o mar inunde os órgãos do corpo
espalha lume na ponta dos dedos e toca
ao de leve aquilo que deve ser preservado

mas olho para as mãos e leio
o que o vento norte escreveu sobre as dunas

levanto-me do fundo de ti humilde lama
e num soluço da respiração sei que estou vivo
sou o centro sísmico do mundo

Al Berto

O Palco


sábado, 15 de agosto de 2009

40 anos de Woodstock



Em 1969 eu ainda não era nascido mas quem esteve presente garante que foram 3 dias que ajudaram a mudar o mundo.
Fica um excerto de 9 minutos e meio do histórico documentário realizado por Michael Wadleigh, censurado pela PIDE em 71, ao qual assisti na íntegra há uns anos atrás na Cinemateca.....

A Descrença

Na primeira jornada da Liga de Futebol o Sporting manteve a tradição e empatou no terreno do Nacional da Madeira, clube que esta época vai nitidamente lutar para não descer, o que diz muito acerca da qualidade futebolística com que a equipa iniciou o campeonato.
Desde os derradeiros tempos de Peseiro que não me lembro de ver o Sporting jogar um futebol tão desgarrado, tão desesperante, onde não se descortina um mero vestígio, uma simples ideia que ligue a uma determinada concepção de jogo.
Podia falar mais uma vez das incompreensíveis opções iniciais de Paulo Bento (Fábio Rochemback?) mas nem vale a pena entrar por aí. O próprio terá certamente dificuldades em explicar o inexplicável mas o que fica para a história é que até aqui, nesta época, o Sporting em 7 jogos ganhou um, contra o Cacém…..

Independentemente disso, não posso deixar de me distanciar das severas críticas a que tem estado sujeito o ainda recente Presidente do Clube, José Eduardo Bettencourt, que tem sido abusivamente crucificado em alguns meios, designadamente na blogosfera.
Penso que o clube tem na liderança alguém determinado, competente e com provas dadas o que já não acontecia há algum tempo. Não me ocorre uma única alternativa credível para a Presidência que queira assumir semelhante desafio nesta altura.
Apesar da descrença generalizada que paira sobre a massa adepta não passa pela cabeça de ninguém despedir um treinador à primeira jornada.
JEB está a ter um início de mandato mais complicado do que provavelmente previa mas merece a confiança de todos, e mesmo com Paulo Bento, vamos acreditar que podemos passar o play-off que dá acesso à Champions. Eu, muito a custo, é verdade, ainda acredito e por isso lá estarei na terça em Alvalade confiando que podemos bater o pé aos Italianos….

Os Limites do Controlo

Cinema de Autor é conceito usado muitas vezes a despropósito. Jim Jarmusch é com conhecimento de causa o homem certo para abordar o tema.
Ícone do cinema independente americano tornou-se com a sua brilhante filmografia objecto de culto por toda a Europa sendo igualmente muito apreciado por este pobre escriba.
Curiosamente os seus filmes estão repletos de grandes nomes nos respectivos elencos mas no entanto é sempre a sua concepção de cinema que prevalece. Os actores são de facto ilustríssimos mas se fossem outros de menor nomeada, o impacto dos filmes não sairia prejudicado com isso.
O condão de Jarmusch proporciona-lhe a particularidade de transformar em arte sacra tudo o que cria e isso é algo que não tem preço. Na actualidade, não existem muitos realizadores, Europeus ou Asiáticos, com o toque de midas do americano.

“Limites do Controlo” decorre no eixo Andaluzia-Madrid com guitarras, visitas ao Museu Rainha Sofia e muito flamengo pelo meio. Narra a história de um estratagema levado a cabo por um profissional do crime com o intuito de concretizar um homicídio. Fala disso, mas se falasse de tourada ou fado o resultado não era diferente, pois é a essência redentora do universo Jarmuschiano que sustenta, catalisa e engrandece tudo o resto.
No epílogo do filme o protagonista afirma que a vingança é inútil, contudo concretiza a vendetta assassinando a sua vítima sem recorrer a explicações supérfluas para o contraditório. Afinal, não há limites para a cólera. Como aparece por diversas vezes escrito no meio do filme “La vida no vale nada”……

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A Enfermidade

O seu espírito de gato esquivo encontrava amiúde pela frente o mais duro dos adversários. Sobrevivia com o receio de não ter tempo para saborear condignamente as distintas vidas que estupidamente projectava.
O seu horizonte mais risonho era a hipocondria….

A Fantasia

Entregava-se aos seus de forma obsessiva. Lamentava a sua sorte com brio. Vivia na ilusão de ter uma vida mas o máximo que logrou atingir até então era o rótulo de suis generis…..

sábado, 8 de agosto de 2009

E agora, algo completamente diferente



O mítico combate de boxe entre o memorável Muhammad Ali e George Foreman, realizado a 30 de Outubro de 1974 em Kinshasa no Zaire, agora República Democrática do Congo.
São 25 minutos e 45 segundos que ficaram para sempre na história do desporto universal…..

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Advento

Devaneava de forma afincada. Como era alienadamente distraído, não lhe ocorria que o globo terrestre iria ter em breve um novo centro nevrálgico.
O ancestral egoísmo dissipava-se em cada laivo de respiração, em cada movimento em falso, em cada frustração acumulada, em cada sapo engolido com náusea.
Com o decorrer dos anos, com o desgaste nos pneus, começamos a perceber a pequenez dos nossos supérfluos ideais perante a incondicionalidade de certos argumentos.
Vinham aí as eleições legislativas.
Não contem comigo pra mudar o mundo. Nunca passei de uma reles Puta inebriada pelos ventos libertinos e falaciosos de uma democracia de ostentação.
O meu raio de acção não tem mais que um metro. Até porque cada vez me custa mais dobrar a espinha….

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Adeus tristeza – Fernando Tordo

A Analogia

Existe um Partido em Portugal que ambiciona ser Governo a curto-prazo. No entanto - para umas eleições que se realizam daqui a um mês e meio e que estão previstas há pelo menos 4 anos - não pensa ser de fundamental importância a apresentação de um Programa de Governo aos Cidadãos. Sugerem inclusive que ainda têm tempo suficiente para o efeito. Não vêem grande interesse em que os eleitores conheçam com o devido tempo as suas propostas. Não querem partilhar com ninguém uma ideia, mesmo que vaga, do que pretendem fazer com as nossas vidas….

O PSD como é do conhecimento público e como orgulhosamente defendem os seus apaniguados é desde a sua fundação a mais perfeita amostra de Portugal. Isto deve-se, historicamente, à diversidade cultural e social dos seus militantes com caracteristicas muito semelhantes à população portuguesa.
É o Partido da Bases e o partido dos Barões, relembro. Nunca em nenhum outro partido estes dois epítetos foram utilizados com tanta apropriação.
Assim, cada vez que se tem de formar uma lista quer seja para a mais recôndita junta de freguesia, quer seja para a assembleia da república há uma inevitável colisão entre facções com direito a troca de insultos e outros impropérios. De um lado da barricada temos os magnânimos Barões, do outro, as valorosas Bases. Acho que Pacheco Pereira, pelo seu aspecto aristocrata, só pode mesmo ser Barão……

Querem melhor retrato do Portugal de 2009 que o proporcionado pelas habituais mesquinhices, as vinganças ressabiadas, as invejas ancestrais, as superficialidades doentias de um qualquer processo de escolha das listas de candidatos do PSD?
Duvido que encontrem…..

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Milagre, Senhor!

O Sporting salvou a face através de uma chouriçada às três tabelas no último minuto provocada por Rui Patrício, numa das piores prestações europeias de que tenho memória.

E chamemos as coisas pelos nomes, Paulo Bento pode agradecer aos Deuses da fortuna o apuramento tal foi o amontoado de asneiras que cometeu desta vez.
Começou logo com as infelizes declarações no lançamento do jogo ao afirmar que Moutinho continua a marcar penalties quando tem um jogador titular, Matias Fernandez, que nunca falhou nenhum. Isto não é proteger o balneário e muito menos o capitão de equipa. É ser Estúpido, e de forma gratuita.
Depois, no desenho inicial da equipa, deu logo uma vantagem considerável aos adversários ao começar com menos uma unidade no centro do terreno quando face ao que já se tinha visto no jogo da primeira mão era precisamente esse o sector mais forte dos holandeses.
Ao intervalo resolveu tirar o Chileno, um dos poucos que podia fazer num lance individual a diferença, cometendo a proeza de manter Yannick Djaló 95 minutos em jogo. Como foi possível, pergunto-me? Mais uma vez, com esta atitude está a prejudicar o jogador em vez de lhe dar confiança. Tirá-lo da equipa nesta fase seria um elementar acto de bom senso e de boa gestão.

O Twente teve o que semeou. Respeitou demasiado o Sporting. Até porque quando arriscou foi sempre superior. Demonstrou-o com facilidade na fase inicial de ambos os jogos. Acusou também alguma falta de experiência internacional, felizmente para nós.

Caicedo foi importante no assalto final e Liedson está muito longe da forma ideal. Esperemos que volte depressa ao nível a que nos tem “bem habituados”.
Além da notória falta de um trinco de categoria e de um defesa esquerdo o Sporting não tem - apesar deste protagonismo momentâneo de Patrício - um guarda-redes de dimensão europeia. Aliás, ter até tem, está é incompatibilizado com o treinador.

As perspectivas por enquanto não são boas mas vamos aguardar pelo início do campeonato para tirar mais ilações.
Não temos como outros um Jesus, mas um milagrezinho, esta época, já ninguém nos tira….

Herberto Hélder

O Herberto Helder tem duas
pernas e dois braços, dois olhos,
tem nariz e boca e come, vive
numa casa, espreita pelas janelas,
por vezes sai à rua, sozinho ou
acompanhado, a falar, apanha
chuva, liga a televisão, sabe onde
fica a França, lembra-se quando
era pequenino, inclusive
teve mãe e pai. É
impressionante o quanto um poeta
se pode assemelhar
às pessoas! A última vez que
falei com ele mandou-me um abraço.

Valter Hugo Mãe

domingo, 2 de agosto de 2009

Ai Jesus

Num inesperado regresso ao passado Portugal vive inebriado com o facto de o Benfica andar a ganhar, ainda que transitoriamente. Este regozijo ganha maior expressão como resultado da equipa se apresentar sob a batuta de um Jesus que por conseguinte - e também pelo teor do seu arrojado discurso - tem o rótulo de Milagreiro.
Uma parte substancial do País, especificamente a facção mais nostálgica, rejubila de contentamento. É uma espécie de retorno a um tempo em que Fátima era a menina dos olhos do Regime e em que no Futebol, o Benfica, vencia com frequência.

Para complementar a infeliz trilogia salazarenta dos três F’s falta somente uma condição. Nessa perspectiva, a médio-prazo, prevejo que os três F’s possam ser definitivamente recuperados. A Catedral da Luz será o palco escolhido para a reaparição do terceiro "F" com a inevitável e previsível chegada do triste Fado encarnado….

As Luzes


sexta-feira, 31 de julho de 2009

Frost / Nixon

Filme, documento histórico, dirigido com alguma eficácia pelo mainstream Ron Howard e que tinha debaixo de olho há algum tempo.
Apesar de tudo, a política é tema que sempre prendeu a minha atenção. Gosto de assistir a um bom debate, acutilante, com discussões e trocas incisivas de argumentos, o que nos tempos que correm face aos políticos de plástico que temos é difícil descortinar, infelizmente.
O último debate que me lembro de ter acompanhado com entusiasmo foi um entre Pacheco Pereira e Maria Carrilho há já alguns anos atrás. Nem me lembro bem a propósito de quê…..

Em 1977, três anos depois de renunciar à presidência dos Estados Unidos por causa de Watergate, Richard Nixon concordou finalmente em quebrar o silêncio e conceder uma entrevista antecedida, contudo, de apuradas negociações.
David Frost, apresentador de programas de entretenimento foi o jornalista que se propôs fazê-lo. O resultado das quatro longas sessões de perguntas e respostas - comparável a um autêntico combate de boxe - foi um êxito televisivo que catapultou Frost, ainda mais, para a fama.

Nixon, o homem que sempre foi perseguido pela cativante aparência de Kennedy, foi uma das personalidades mais interessantes e polémicas do século XX.
A sua visão fechada, belicista e inquisitória da governação trouxe provavelmente graves prejuízos à humanidade, no entanto a sua notável expressividade e aquela sua faceta de patinho feio, sempre me provocaram uma espécie de fascínio histórico por este ex-presidente americano.
Deixo um excerto, por sinal dos mais quentes, da genuína entrevista de Frost a Nixon:

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O País

Em vésperas de Agosto, o correio já anda com pelo menos dois dias de atraso. Um dia vem outro não. Continuamos mestres na arte de bem planear. O meu País é um Regabofe…

Na antecâmara da silly season por excelência e da natural debandada geral, recupero parte deste post escrito há sensivelmente um ano trás:
O ideal seria passarmos mais tempo sem juízes nem tribunais, sem absurdas medidas anunciadas com grande alarido, sem estúpidos pareceres pagos a peso de ouro. Um país sem decisões significaria um país eternamente despido dos habituais disparates. Em que igualdade e desenvolvimento seriam finalmente uma realidade para todos.
Um Portugal sem portugueses é a minha utopia...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A Estrela

Condimentava os seus dizeres com mestria.
Provocava nos interlocutores um interesse desmedido, sagazmente alimentado.
Avançava com hesitação porque não se pode conhecer o desconhecido.
Possuía um talento espontâneo mas polido, intemporal mas manifesto, irreverente mas irrepreensível.
Era a mais formosa estrela de todas as constelações….

Pablo Picasso

Sentido propositadamente invertido...

terça-feira, 28 de julho de 2009

A Antologia do Esquecimento

Ultrapassado um curto período de hibernação introspectiva, o Henrique - velho Companheiro de combate - está de volta. E como habitual já anda a bombar, agora no Antologia do Esquecimento......

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A Gripe

Aproveitando uma oportuna gripe, Ferreira Leite recusou o convite de João Jardim para participar no Chão da Lagoa na popular festa dos sociais democratas da Madeira.
Já havia a Gripe Suína, agora existe a gripe Anti-Suíno instituída por Manuela Ferreira Leite.....

Entretanto, Jardim e os seus apaniguados continuam a desafiar os limites da cretinice:
Tal como Jorge Sampaio fez durante 10 anos, o Professor Cavaco continua a assobiar para o ar…..

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A Ambivalência

Caminhava absorto no deambular de mais um dia. Conduzia os seus impulsos viscerais em direcção às assombrações provocadas pelos seus desejos mais recônditos.
Queria - sempre quis - o possível e o impossível, o óbvio e o menos óbvio, a consciência e a inconsciência, o real e o surreal, a razão e o coração.
Era titubeante por natureza. Receava o carácter vinculativo das suas acções. Opinava sobre tudo com a mesma destreza com que, dia após dia, fugia do seu destino.
O seu único desígnio era a Ambivalência…..

Garras dos sentidos

Não quero cantar amores,
Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.

São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas,
não quero cantar amores.

Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.

São demências dos olhares,
Alegre festa de pranto,
São furor obediente,
São frios raios solares.

Dá má sorte defendidos
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.

Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos

Agustina Bessa-Luis

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Os Delfins

Dias Loureiro, Arlindo de Carvalho, Oliveira e Costa e Manuela Ferreira Leite têm em comum o facto de serem figuras que ganharam protagonismo através das cirúrgicas escolhas do Professor Cavaco, actual Presidente da República, para elencos governativos....
O País é pequeno, é verdade! Todos os putativos Ministeriáveis frequentam os mesmos círculos independentemente dos partidos, também é verdade! O ser arguido está já de tal forma generalizado que já ninguém liga, outra verdade!
Pode ser capricho meu, mas o cenário perfeitamente admissível de termos Cavaco como Presidente e Ferreira Leite como chefe do Governo, provoca-me, no mínimo, uma medonha apreensão….

A Canonização dos No Name Boys

Simplesmente inacreditável! A partir de hoje quem quer ser campeão, basta planear uma invasão...Força Portugal!....

terça-feira, 21 de julho de 2009

A Obediência

Obedecia inerte às convenientes subordinações.
Sabia que não passava de uma formiga miserável. A sua ambição era proporcional à sua insignificância.
A Liberdade é filha da submissão....

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Lua

Faz 40 anos que o Homem chegou à Lua.
Um passo gigante para a humanidade, disseram!
Quando nasci, já o Homem tinha chegado à Lua.

Faz 40 anos que o Homem chegou à Lua.
Quando a observo de olho cheio, imagino no seu interior casas e árvores de encantar.

A Lua é minha derradeira ligação ao etéreo mundo da candura….

A Cor de Lisboa


domingo, 19 de julho de 2009

O Começo

Na apresentação aos sócios, que vão crescendo em número em sinal de vitalidade, o grande Sporting perdeu dois a um com o Feyenoord depois de já ter sido batido a semana passada pelos ingleses do Notingham Forest.
Vi ambos os encontros pela TV e realço que as exibições me pareceram bem melhores do que os resultados deixam antever, no entanto não deixa de ser inquietante a falta de competitividade da equipa poucos dias antes de entrar em acção no precioso apuramento para a Liga dos Campeões.

Não sendo um particular adepto de Paulo Bento. Penso, aliás, que já há muito devia ter saído, admito contudo que Bettencourt faz bem em enaltecê-lo e protegê-lo. Se é de facto a sua aposta, deve ser de confiança a imagem transmitida pelo Presidente.
Obviamente que o Treinador, atendendo à péssima época passada, devia ter nos tempos que se avizinham uma margem de manobra reduzidíssima mas Bettencourt merece, para mim, o beneficio da dúvida. O Sporting tem finalmente um Presidente à altura da sua brilhante História.

Relativamente à equipa delineada para esta época, as primeiras impressões de Matias Fernandez são positivas. Parece-me um jogador de remate fácil, sem receio de assumir responsabilidades, e isso são características muito importantes num típico número 10. Esperemos que não defraude as expectativas e que tenha sorte em Alvalade.
No que diz respeito ao restante plantel, não concordo que as principais carências sejam no ataque e que a prioridade seja a contratação do tão falado avançado. Até porque entre Postiga e Djaló, estou esperançado que pelo menos um deles desabrochará esta época para fazer companhia a Liedson.
Penso que a equipa precisava, como de pão para a boca, de um trinco de dimensão internacional e de um defesa esquerdo que dê garantias. Não acredito em Grimi, André Marques parece pouco experiente, e relativamente à possibilidade de Rochemback ser uma opção válida estamos conversados. O desempenho de Miguel Veloso é a incógnita habitual e isto tudo junto parece-me muito pouco para quem quer ser Campeão.
Mais uma vez saliente-se que Paulo Bento estabelecendo a prioridade assumida do avançado – não quero acreditar que as contratações não sejam iniciativa do treinador – está mais uma vez a ir pelo caminho errado. Terá de tentar compensar estas perceptíveis lacunas com o natural entrosamento existente no seio da equipa, facilitado pelo facto de haver poucas mexidas.

Um aspecto negativo neste princípio de época é a lesão de Izmailov, talvez o jogador mais equilibrado deste plantel. O departamento médico, ao que parece, defende que o Russo não quis ser operado na época passada mas esta tendência para os tratamentos conservadores já prejudicaram o Sporting no passado, por exemplo no caso de Vuckevic, o que vem provar alguma dificuldade em aprender com os erros.
Talvez o problema de fundo esteja mesmo ao nível da comunicação com os jogadores. Se existe a necessidade de operar e se é a alternativa menos prejudicial para os superiores interesses desportivos do clube, então que se opere. Agora não se pode é passar a mensagem errada aos jogadores, dando-lhes a entender que podem ir jogando, mesmo não estando a 100 %, como infelizmente tem acontecido.

Apesar de todas as dificuldades estou esperançado numa época positiva e no tão almejado campeonato. Um mau início de época, mesmo pensando que as exibições até têm sido razoáveis, já proporcionou por diversas vezes na história do clube temporadas inolvidáveis. Espero que seja uma dessas épocas coroadas de um Verde Glória….

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O Oásis de Jardim (II)

Meses depois do episódio aqui escalpelizado, John Garden está de volta aos grandes momentos com o anúncio da proposta de revisão constitucional patrocinada pelo PSD/Madeira onde, entre outras preciosidades, se prevê a proibição do comunismo numa tentativa grosseira e demagógica de comparar o incomparável….

Seguramente que daqui para a frente, o Senhor da Madeira prosseguirá os seus intentos proibicionistas.
O Hipocrisias Indígenas deixa algumas sugestões para serem implementadas na Região Autónoma:

  • proibir o turismo;
  • proibir a zona franca da Madeira;
  • proibir a entrada de subvenções oriundas do Continente;
  • proibir a ascensão de imbecis seguidistas do Rei;
  • proibir a democracia. Ups! Esta proibição já está implementada….

    Força Portugal…..

    Dunas – GNR

    terça-feira, 14 de julho de 2009

    Lar Doce Lar

    A primeira longa-metragem da suíça Ursula Meier intitulada “Home” na versão original, actualmente em exibição em Lisboa, surpreende-nos pela positiva.
    Percebe-se com o seu desenrolar que o filme é, acima de tudo, uma poética descrição da desintegração familiar. Tem ainda o condão de aproveitar ao máximo as interpretações fabulosas de dois actores em absoluta sintonia, confirmando uma previsível junção perfeita de talento entre Isabelle Huppert e Olivier Gourmet.

    A abertura de uma auto-estrada com todo o barulho propiciado pela passagem dos carros vai destruindo paulatinamente a vida harmoniosa de uma família que vive, literalmente, à sua beira.
    O filme disserta essencialmente, na minha óptica, sobre a magnitude da família explicando como uma separação, um simples desentendimento, a mera quebra de um elo, pode fazer desmoronar tudo o que a sustenta de uma forma brutal. No fundo, como um carro à deriva numa auto-estrada sem fim..…

    O Poema

    O poema não é o canto
    que do grilo para a rosa cresce.
    O poema é o grilo
    é a rosa
    e é aquilo que cresce.

    É o pensamento que exclui
    uma determinação
    na fonte donde ele flui
    e naquilo que descreve.
    O poema é o que no homem
    para lá do homem se atreve.

    Os acontecimentos são pedras
    e a poesia transcendê-las
    na já longínqua noção
    de descrevê-las.

    E essa própria noção é só
    uma saudade que se desvanece
    na poesia. Pura intenção
    de cantar o que não conhece.

    Natália Correia

    domingo, 12 de julho de 2009

    A Urgência

    Era indispensável fazer algo. As coisas não podiam continuar daquela forma, naquela letargia imensa, naquela espécie de limbo pardacento que antecipava a chegada da irreversível modorra.
    Os abutres acotovelavam-se perigosamente. As ameaças espreitavam a cada esquina, a cada movimento em surdina, em cada frase escrita na pedra desgastada pela vida.
    Havia, desde há muito, deixado de olhar os outros nos olhos. O peso dos anos tinha-lhe levado o sorriso delicado. Passava os minutos preso a uma angústia desarmante propiciada pelo lento entorpecimento dos ponteiros do relógio.

    Urgia clamar pela Urgência….

    O Último dos Génios Puros



    "Queriam telenovela, era?".....



    "Eu quero que o Público Português se foda"….

    quinta-feira, 9 de julho de 2009

    Liedson para Sempre!

    E o teu lugar é no Sporting! És humildade e talento de mãos dadas num recital de dedicação.....

    A Vacuidade

    Esperam que o barco atraque com laivos de solenidade. Desesperam por notícias frescas com rasgos de festividade.

    Combinam reuniões idílicas estupidificando os participantes. Dissertam sobre conjunturas infrutíferas emparvecendo espíritos navegantes.

    Demonstram as ambições mais recônditas surpreendendo os incautos. Fodem a palavra Hombridade enganando os aprumados.

    O Vácuo habita na clandestinidade do tempo….

    terça-feira, 7 de julho de 2009

    O Niilismo

    Rejubilam na mera apresentação de um jogador de futebol com o mesmo entusiasmo que dispensam ao funeral de um comum mortal.
    Não lhes ocorre que todos os dias se apresentam nos seus locais de trabalho milhões de novos trabalhadores esperançados numa progressão profissional.
    Não se lembram que todos os dias morrem inúmeros cidadãos anónimos, possuidores dos mais diversos talentos que deixam um legado de coragem e humildade a quem os ama….

    Alfred Gockel


    domingo, 5 de julho de 2009

    A Ameaça

    Amedrontava todos com seus actos incriminatórios. Sabia que o pacóvio pavor pelo desconhecido lhe garantia o marasmo generalizado….

    Pretendia controlar tudo. Estava prestes a cumprir uma das suas ambições mais cobiçadas. Em breve teria o caminho aberto para concretizar as suas apregoadas intenções….

    Desesperava quando aparecia uma formiga rebelde no seu caminho. Ignorava que não podia controlar a vontade alheia. Transparecia impreparação quando tinha que lidar com quem não se deixava impressionar por ameaças…

    Não pode ser verdade

    O socialista António Costa e o social-democrata Pedro Santana Lopes aparecem empatados nas projecções de voto para as eleições autárquicas em Lisboa. Segundo a sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica para a RTP, Antena 1, JN e DN, Costa com 38% das intenções de voto, tem apenas uma ligeira vantagem sobre Santana de um ponto percentual.

    Mas é! O nível zero da política à portuguesa está de volta. Santana, o renegado, o menino guerreiro, o imbecil magnético que por não saber fazer mais nada está constantemente a regressar….
    Cada Cidade tem o povo que merece e a Lisboa que adoro merecia gente com outra memória e com maior discernimento democrático….

    sexta-feira, 3 de julho de 2009

    O Bode

    Alguém tem dúvidas que se Sócrates tivesse nesta fase outra imprensa, e que Pinho não tivesse no currículo as asneiradas que sabemos, todo este episódio não passaria de um momento infeliz resolvido com um público pedido de desculpas?….

    Aceito até que o Ministro da Economia já devia ter sido remodelado antes, mas não sei porquê, prefiro gestos inadmissíveis às claras do que as negociatas obscuramente pornográficas do bloco central de interesses que governa Portugal há mais de 30 anos….