Independentemente disso, por questões operacionais, não sei se irei ou não votar no próximo Domingo mas se tal suceder votarei certamente branco na senda das anteriores eleições de 2009. Aliás, o Concelho onde estou recenseado é um caso típico da decadência do Poder Autárquico em Portugal. O Presidente da Câmara está no poder há 24 anos com as vicissitudes que isso representa. No caso, felizmente sem sacos azuis e afins, pelo menos que sejam do conhecimento público.
A conclusão óbvia que o cidadão comum retira é que a lei de limitação dos mandatos pecou por tardia e também por ser branda ao permitir mais quatro anos de permanência em funções a quem já se vem perpetuando no poder. Num país com os ancestrais problemas que Portugal continua a ter – olhe-se para os índices galopantes de corrupção – a durabilidade da permanência dos Autarcas à frente das Câmaras é um crime absolutamente sufocante para o desenvolvimento do País.
O problema central é que o conceito de serviço público nasce precisamente da lógica inversa. Ou seja, as pessoas durante um determinado período da sua vida abdicam das suas carreiras profissionais para, caso sejam eleitos e a troco de uma remuneração, exercerem as nobres funções de Autarcas tendo como desígnio servir os seus conterrâneos. Acontece que na grande maioria dos casos as pessoas fazem disso a sua profissão e quando assim é aparecem os Isaltinos e as Felgueiras deste mundo….
Basta pensar no caos urbanístico das nossas cidades e na tendência generalizada que existe para negociatas com construtores civis, basta pensar na estúpida propensão para construir rotundas sem sentido, basta pensar nas mordomias auto-proclamadas pelos caciques que estão pregados ao poder, basta pensar que num país ainda do respeitinho as Câmaras Municipais são as maiores entidades empregadoras, basta pensar na apetência instituída para formar círculos de poder com base em relações puramente pessoais sem o mínimo de respeito por critérios de competência, basta pensar nisto tudo e percebemos o porquê do atraso irreparável do País…
No entanto, caso já estivesse recenseado em Lisboa muito provavelmente iria escapar à minha tendência pela brancura em eleições. Não por apoiar declaradamente esta ou aquela candidatura mas por não poder perder a oportunidade de votar contra Santana Lopes e assim tentar contribuir para que ele não atinja os seus objectivos.
Tendencialmente votaria António Costa. Apesar de um mandato bastante limitado pelas circunstâncias - onde objectivamente não existe obra visível - tenho a convicção de ser pessoa séria, corajosa e competente. Seria obviamente uma excepção à minha consciência cívica que me obriga a votar normalmente em branco. Justifica-se esta minha recaída pelo simples facto de que votaria contra Santana Lopes qualquer que fosse a eleição. Se hipoteticamente Santana Lopes se candidatar a secretário de um associação de Pais de uma qualquer escola, voto contra. Se Santana Lopes se candidatar a tesoureiro da associação cultural e recreativa dos amigos da pinga, voto contra. Isto pelo simples facto de entender que Pedro Santana Lopes é um péssimo, um terrível candidato a algo que seja..….

































