Dividido em duas partes o filme de Steven Soderbergh com Benicio Del Toro no papel de Guevara foi prenda de natal antecipada que ofereci a mim próprio. Acabei por não visionar nenhum dos dois filmes em sala pensando já na altura adquirir a caixa com ambos os DVD’s.Relativamente à componente biográfica o que a obra representa é de interesse garantido.Toda a mitologia que rodeia a figura do Comandante Ernesto Guevara de la Serna, conhecido universalmente como Che Guevara, será sempre uma aposta segura qualquer que seja o realizador que se proponha fazê-lo. Ainda assim, Soderbergh dirige com segurança e eficácia as mais de 4 horas de duração da fita – duas horas e tal por filme.
Benicio Del Toro tem um papel assinalável. Sobressai no seu desempenho uma evidente procura de perfeição na representação do ícone da Revolução Cubana. Um grande trabalho para um carismático actor.
O melhor elogio que se pode fazer à complementaridade da obra é que não se consegue afirmar com clareza que um dos filmes é melhor que o outro. Nunca, em nenhuma sequência, os filmes perdem o ritmo. Aliás, essa característica é uma das particularidades do cinema de Soderbergh.
A primeira parte intitulada “O Argentino” narra a ascensão vitoriosa dos princípios revolucionários em Cuba e a ligação de Guevara a Fidel Castro. A segunda denominada “O Guerrilheiro” descreve curiosamente o processo inverso, ou seja a captura e morte de Che no meio da derrocada Boliviana onde os valores da Revolução são menosprezados e ostensivamente derrotados.
Che foi um caçador de injustiças. Certamente que também as terá cometido, designadamente através dos condenáveis fuzilamentos que praticou em Cuba contra adversários políticos.
Independentemente desse aspecto mais negro da sua história foi - na minha perspectiva e acima de tudo - um exemplo de coragem para as gerações vindouras e por isso é idolatrado à escala universal.
Identificou - com base na sua visão da sociedade - a luta armada como a única saída para a fúria que o perseguia em proporcionar melhores condições de vida para os mais necessitados.
Che, o guerrilheiro dos ideais, ícone eterno de um inconformismo rebelde, tinha sido ironicamente declarado inapto para o serviço militar pelo exército argentino….



































