Todos os anos, o ritual se repetia na família. Quando batia a meia-noite, os alegres comensais ordeiramente desembrulhavam as oferendas em animada cavaqueira.
Jeremias recebe do seu cunhado, Baltazar, um presente com a forma de garrafa. Enquanto olha para o colorido embrulho, ocorre-lhe que o papel lhe é de algum modo familiar. Desembrulha o mesmo e percebe que a garrafa de vinho do porto que agora o cunhado Baltazar lhe oferece é exactamente a mesma que Jeremias lhe tinha oferecido há dois natais atrás. Ao mesmo tempo que agradece a Baltazar a prenda Jeremias recorda-se que essa mesma garrafa de vinho do porto, que posteriormente ofereceu a Baltazar, lhe tinha sido presenteada pelo primo Jacinto três anos antes.
Sem confessar o insólito acontecimento ao distraído cunhado, e na perspectiva de evitar possíveis conflitos familiares no futuro, Jeremias resolve matar o mal pela raiz eliminado o foco de todas as confusões. Nesse sentido, senta-se junto a Baltazar e num ápice ambos esvaziam a maldita garrafa de vinho do Porto, terminado assim com o agitado percurso natalício da mesma.
Já embriagado, Jeremias levanta-se e ergue um cálice com o famigerado e viajado vinho do Porto, clamando para todos ouvirem:
Um Santo Natal para todos!….