quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010

Qual figura ornamental, Jeremias, esperava pelo novo ano com afinco. Desta vez é que será, pensava.
Não posso morrer sem deixar as minhas memórias eternizadas na película magnética. Amava o cinema. Encarava o silêncio sepulcral da sala de cinema como algo sacramental. Queria definitivamente deixar uma obra para a posteridade. O Cinema seria o seu derradeiro reduto. Depois disso nada mais o prenderia a esta vida.

No dia de ano novo, decidiu que o nome da fita seria precisamente o do novo ano que agora começava: 2010.
O filme estreou premeditadamente a 31 de Dezembro de 2010. Consistia a narrativa numa imagem palidamente branca durante todo o tempo, Um écran branco durante 118 minutos onde somente se ouviam duas frases, ambas proclamadas por Jeremias. A primeira, no início, em que se ouvia simplesmente: 01 de Janeiro de 2010 e uma última no fim dos 118 minutos de duração do filme que representavam os 365 dias do ano em que se gritava: 31 de Dezembro de 2010. Entre essas duas entoações, nada. Somente uma imagem branca e um silêncio absoluto. No fim, nos créditos finais aparecia somente um nome: produção, argumento e realização por Jeremias Sezinando.

Jeremias veio a enforcar-se no dia da estreia de 2010.

A visão do filme transmitiu aos espectadores precisamente o que Jeremias tinha sentido durante toda a sua vida. Uma sensação de vazio absoluto. O seu arrojo foi aclamado e elogiado por toda a crítica…..

Joan Miró


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O Alívio

Sonhava com uma espécie de liberdade inatingível ao ser humano. Fantasiava acerca de conquistas futuras sem lhe ocorrer que a realidade é puta fina, uma prostituta de luxo de acordo como os novos cânones.
Alcançou em parte o que pretendia sem comprometer o que tem de mais valioso: uma réstia de dignidade que apesar de exígua não trocava por nada.
Sentia-se desafogado porque o alívio é o afrodisíaco dos pobres….

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Abraços Desfeitos

“Los Abrazos Rotos”, o último filme de Pedro Almodóvar o qual apenas visionei agora é mais uma absorvente película do cineasta espanhol que conta mais uma vez com a apelativa Penélope Cruz como protagonista, bem como com outros habituais actores do universo almodoviano.
Não vem contudo acrescentar nada de essencial à cinematografia de Almodôvar, o que não significa que não tenha virtudes. Permanece cativante a cumplicidade com que o Realizador dirige os seus actores, o que faz com que a narrativa mantenha sempre um registo intimista.
Almodóvar é um sedutor inveterado e por isso o seu cinema - apesar de mais do mesmo - continua a fascinar…

domingo, 27 de dezembro de 2009

PonGOLLE

O Francês Sinama Pongolle é a terceira contratação de inverno do Sporting. O Jogador de 25 anos vem para fazer dupla com Liedson na frente de ataque. Esperemos que se venha a confirmar como um verdadeiro reforço. Continuo no entanto à espera do ansiado defesa-esquerdo.
Independentemente da valia dos reforços e das consequentes e legítimas expectativas dos adeptos, esta aposta no mercado de inverno deixa-me pensativo relativamente à pertinência da estratégia implementada.
Se de facto ainda havia margem de endividamento para investir a sério na equipa de futebol – suponho que não existem capitais próprios - porque não apostámos na contratação de um treinador de craveira quando o ciclo Paulo Bento terminou?
É que por mais que hajam teorias que possam defender o contrário - e apesar de Carlos Carvalhal continuar a merecer o benefício da dúvida - a verdade é que as grandes vitórias nascem normalmente com grandes e carismáticos timoneiros ao leme o que não é manifestamente o caso….

sábado, 26 de dezembro de 2009

Boas Festas (2)



De volta aos gloriosos anos 80 - mais concretamente a 1987 - para recuperar uma das mais belas canções de Natal de sempre: Fairytale Of New York interpretada pelos eternos The Pogues liderados pelo carismático Shane MacGowan que contam aqui com a preciosa voz da convidada Kirsty McColl, prematuramente falecida num controverso acidente no México em 2000.....

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Boas Festas




Duas prendas de Natal para os (as) Hereges que vão passando pelo Hipocrisias Indígenas com um denominador comum: William S. Burroughs.
Primeiro, a famosa Thanksgiving Prayer que é uma excelente entrada para ser servida em qualquer noite de consoada. Depois, uma curta de 1982 realizada por Gus Van Sant nos primórdios da sua carreira intitulada The Discipline of D.E (Do Easy) baseada num conto de Burroughs.....

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Sapatinho de Natal

Ano após ano limpava o sapatinho com toda a minúcia. Colocava-o estrategicamente pendurado na lareira. Sabia que na noite anunciada o Pai Natal desceria como habitual pela chaminé.
Para mal dos seus pecados, o Pai Natal chegou mais cedo este ano e roubou-lhe sem clemência o sapatinho mesmo estando vazio.
A crise chega a todos…..

O Pereira

O Sporting na segunda contratação de Inverno foi buscar João Pereira ao Braga. Como aspecto positivo realço o facto de somente se ter sabido quando a coisa já estava definitivamente tratada. Como aspecto menos positivo saliento que se devia ter começado pela lateral-esquerda, onde a insuficiência do plantel ainda é mais gritante do que na lateral-direita. Esperemos que exista ainda liquidez financeira para contratar um defesa-esquerdo de categoria.
João Pereira passou a infância no problemático Casal Ventoso. Está habituado a lutar até à exaustão. Facilmente cairá no coração dos adeptos. Desde que consiga controlar os seus ímpetos mais irracionais pode ser uma verdadeira mais-valia para este Leão moribundo….

Suave – Ban

domingo, 20 de dezembro de 2009

O Presente de Natal

Todos os anos, o ritual se repetia na família. Quando batia a meia-noite, os alegres comensais ordeiramente desembrulhavam as oferendas em animada cavaqueira.
Jeremias recebe do seu cunhado, Baltazar, um presente com a forma de garrafa. Enquanto olha para o colorido embrulho, ocorre-lhe que o papel lhe é de algum modo familiar. Desembrulha o mesmo e percebe que a garrafa de vinho do porto que agora o cunhado Baltazar lhe oferece é exactamente a mesma que Jeremias lhe tinha oferecido há dois natais atrás. Ao mesmo tempo que agradece a Baltazar a prenda Jeremias recorda-se que essa mesma garrafa de vinho do porto, que posteriormente ofereceu a Baltazar, lhe tinha sido presenteada pelo primo Jacinto três anos antes.
Sem confessar o insólito acontecimento ao distraído cunhado, e na perspectiva de evitar possíveis conflitos familiares no futuro, Jeremias resolve matar o mal pela raiz eliminado o foco de todas as confusões. Nesse sentido, senta-se junto a Baltazar e num ápice ambos esvaziam a maldita garrafa de vinho do Porto, terminado assim com o agitado percurso natalício da mesma.
Já embriagado, Jeremias levanta-se e ergue um cálice com o famigerado e viajado vinho do Porto, clamando para todos ouvirem:
Um Santo Natal para todos!….

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O Tremor

A terra tremeu enquanto eu ressonava.
Pelas correrias natalícias, pela euforia consumista nas ruas, parece que tal como eu ninguém deu por nada. O Natal é a estação predilecta dos distraídos. Só que eu sou distraído o ano todo….

O mundo precisava de um abalo a sério mas a escala medidora do impacto sucumbiu ao perverso poder dos homens normais. Era previsível....

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

MexerCedo

Mexer assina por duas temporadas e meia
CENTRAL DE 21 ANOS QUER AFIRMAR-SE NO CLUBE DO CORAÇÃO


Depois de um Caicedo que parece que caiu definitivamente e já não se levanta, contratamos numa aposta de futuro o Moçambicano Mexer. Esperemos que venha a ter mais sucesso em Alvalade que o também moçambicano defesa-esquerdo, Paíto, que actualmente joga no Sion da Suíça.
Para que conste, até acho que Felipe Caicedo não é assim tão mau como o pintam. O seu estilo corpulento podia ser útil como abre-latas para a velocidade de Liedson mas necessitava de um treinador com visão que confiasse nele com insistência. Isto, na opinião deste desolado Leão de bancada.....

O Braço de Ferro


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A Temperatura

Parece que os termómetros vão atingir valores negativos por esse País fora. Não passa de um Pleonasmo. Portugal já está há muito abaixo de zero, nos mais variados níveis….

sábado, 12 de dezembro de 2009

O Semblante

Entrava, consternado, absorvido pelos pensamentos que o assaltavam a toda a hora. Desprezava a ambição que toldava os alinhados. Renegava a fictícia segurança com que lhe acenavam. Nunca quis sentir-se seguro. Não acreditava em contratos vitalícios.
O Semblante carregado era o reflexo da sua alma. Trazia em si todas as iniquidades do mundo….

Claude Monet

Estamos pior quó Salazar


Força Portugal!....

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A Filosofia do Momento

Jeremias reflectia sobre o porquê das coisas acontecerem somente quando tinham de acontecer. Por vezes as próprias circunstâncias são manipuladas pelo tempo, pensava. O tempo não passa de um cabrão ressabiado, concluía.

Há alturas em que não se está apto para dar determinados passos e assumir as consequências dos actos praticados, no entanto pensa-se o contrário. As pessoas consideram estar sempre prontas para todos os desafios. O desejo fala sempre mais alto. Contudo, as coisas não se proporcionam quando as cobiçamos mas somente quando estamos verdadeiramente preparados para elas. Só com o cair da folha, com o peso dos anos, vimos a perceber isso com clareza.
O cabrão do tempo é um pérfido velhaco e o momento um insensível charlatão….