quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

À Minha Maneira – Xutos & Pontapés



Há 20 anos atrás, quando via isto, até as entranhas ficavam em alvoroço. A raiva (a minha e a deles) dissipou-se com o tempo mas ficou para sempre a atitude rebelde. Resta-me assinalar o agradecimento. Obrigado, Srs. Comendadores!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O Entrudo

Jeremias execrava o Carnaval. E tinha boas razões para isso. Um ano mascarou-se de político e acabou enredado nas teias da corrupção.
Este ano pensou mascarar-se de Palhaço mas o respectivo disfarce já se encontrava reservado. E eram inúmeros os pretendentes em fila de espera….

O Túnel


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Sol de Inverno


A montanha pariu um rato. Este País só dá mesmo para rir. A primeira página sensacionalista do Sol (O Polvo em letras garrafais acompanhado pelo perfil do totó do Sócrates) é um nojo do ponto de vista jornalístico. Lê-se os subtítulos e percebe-se o embuste criado.
Anda meio mundo há anos (com muita gente incompetente pelo meio – Moura Guedes, etc) a tentar apanhar com a boca na botija um idiota que nem sabe quem é o José Luís Peixoto e o máximo que conseguem é isto. Ainda vão acabar por descobrir que o homem vai às compras ao Domingo….

Quem ouve Felícia Cabrita muito perturbada a falar deste caso na TVI e constata ao mesmo tempo que o famigerado “Sol” é vendido em Angola com uma edição diferente, omitindo muito convenientemente as escutas envolvendo o empresário Joaquim Oliveira para não comprometer as negociatas com José Eduardo dos Santos, percebe o pântano em que estamos atolados. Pela mais suprema ironia são precisamente nestas chico-espertices que está a génese do que o Sol denuncia. E há ainda quem faça filas para comprar o jornal fabricado por esta gentinha…

Relativamente às escutas propriamente ditas observo que este pobre país sempre teve como desígnio o servilismo mais inquietante. Este caso vem evidenciar essa atávica característica lusa. De resto, as conversas relatadas tratam de minudências sem sentido que todos já sabíamos, infelizmente, existir...

A realidade é que o Jornalismo em Portugal anda pelas ruas da amargura. Isto sem generalizações abusivas. Há excelentes profissionais, é certo. Agora se houvesse integridade e imparcialidade na classe não germinariam oportunidades para estas manipulações orquestradas que são aliás cozinhadas em todos os quadrantes políticos sem excepção. A verdade pura e dura é que o quarto poder, o mais decisivo nos dias que correm, está nas mãos de meia dúzia de débeis mentais, alguns bem incompetentes por sinal…

A um outro nível, José Sócrates sempre foi obcecado com os media e isso vai-lhe custar caro, como aliás sempre foi previsível. Deveria como Primeiro-Ministro manter uma atitude mais distante, ignorando o que se diz dele e limitando-se a governar que foi para isso que foi eleito. Não é legitimo atribuir-lhe culpas pelos anseios dos seus subordinados em agradar ao Chefe. Não é legitimo acusá-lo por não saber escolher os amigos (os critérios são pessoais e intransmissíveis) mas é já impossível passar incólume de mais este degradante episódio. Sair agora de cena, estendendo a passadeira a António Costa – mais low profile e menos irascível que Sócrates – não seria tão má ideia quanto isso……

Do Outro Lado

Fatih Akin, cineasta alemão de ascendência turca, dirigiu em 2007 “Do Outro Lado”. É o primeiro filme que visiono deste jovem cineasta de 36 anos o qual me surpreendeu pela positiva.

Nejat (Baki Davrak) reprova de início a mulher que o seu pai viúvo escolhe para viver - uma prostituta imigrante turca na cidade alemã de Bremen - mas depressa descobre que Yeter (Nursel Koese) tem uma filha na Turquia a quem envia dinheiro com frequência, o que o leva a simpatizar com aquela invulgar mulher. Depois do falecimento de Yeter, através de um homicídio involuntário provocado pelo seu Pai, Nejat vai à procura da tal filha para a Turquia na expectativa de a ajudar. A rapariga é contudo uma activista política com uma vida bastante atribulada. Estão assim lançados os dados para o desenrolar de uma narrativa intensa e envolvente.

Em “Do Outro Lado” o realizador vai dissecando as fragilidades próprias da vida dos imigrantes sem esconder as idiossincrasias culturais da Turquia muçulmana. Em determinada altura, as consequências da adesão do país à União Europeia são inclusivamente debatidas com pertinência numa discussão envolvendo duas das personagens, sobre os efeitos sociais desigualitários da globalização.
Os desde há muito elevados índices de imigração Turca na Alemanha que acentuam os laços existentes entre estes dois Países faz com este “Do Outro Lado” seja um pertinente e interessante exercício de análise sociológica a esta Europa multicultural em que vivemos. Cada vez mais são essenciais políticas de integração com base em princípios de tolerância, o que nem sempre acontece infelizmente.…


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Romantismo de Vanguarda

Ao contrário do instituído pelos modernos manuais de convivência social, Jeremias era incapaz de fugir a um conflito. Estava-lhe no sangue o carácter guerreiro. Não ia a combate pelo prazer de ganhar mas simplesmente porque gostava de dar trabalho aos hipócritas que alastravam pelo mundo. Corria, não por ambição, mas por uma espécie de orgulho romântico….

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Lição

Jeremias pecava por excesso de racionalidade. A sua prudência normalmente revelava-se boa conselheira mas nem sempre lhe garantia a escolha do melhor caminho. Encarava a sensatez como a arma mais valiosa a utilizar qualquer que fosse o contexto.
Um dia, não havendo outra solução, recorreram a ele para arbitrar um conflito entre um Xadrezista e uma Vendedora de Peixe. O Xadrezista, habitualmente cerebral, perdeu a cabeça e agrediu a Vendedora de Peixe sem apelo nem agravo. A habitualmente precipitada Vendedora de Peixe, fazendo uso de uma serenidade que até então desconhecia - mesmo tendo absoluta razão no conflito em questão - não retaliou e resolveu não apresentar queixa do xadrezista às autoridades competentes.
A partir desse dia, perante tamanha lição de vida, Jeremias, tornou-se um emotivo inveterado passando simultaneamente a alimentar-se somente de peixe em homenagem à heróica Vendedora….

A Arte Poética

A poesia do abstracto...
Talvez.
Mas um pouco de calor,
A exaltação de cada momento
É melhor.
Quando sopra o vento
Há um corpo na lufada;
Quando o fogo alteou
A primeira fogueira,
Apagando-se fica alguma coisa queimada.
É melhor...
Uma ideia
Só como sangue de problemas;
No mais, não,
Não me interessa.
Uma ideia
Vale como promessa
E prometer é arquear
A grande flecha.
O flanco das coisas só sangrando me comove,
E uma pergunta é dolorida
Quando abre brecha.
Abstracto!
O abstracto é sempre redução,
Secura;
Perde -
E diante de mim o mar que se levanta é verde:
Molha e amplia...
Por isso, não:
Nem o abstracto nem o concreto
São propriamente poesia.
A poesia é outra coisa.
Poesia e abstracto, não.

Vitorino Nemésio

Até me assustei....

Bettencourt renovou contrato a Carvalhal até 2015

Assim de repente, pensei que fosse a sério. Estamos mal, mas acho que ainda não enlouquecemos....

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Bater no fundo

Uma equipa que tem um treinador incapaz de perceber que é preferível pôr a titular o defesa-esquerdo da equipa dos juniores em vez de Leandro Grimi é uma equipa que não merece ganhar jogo nenhum.
O Sporting bateu no fundo. Mesmo os bons jogadores desta equipa; Liedson e João Pereira por exemplo, já não conseguem remar contra a maré.
A Direcção de Bettencourt está debaixo de fogo cerrado. Apesar de ter sido eleito com 90 e tal por cento de apoio, se as eleições ocorressem hoje muito provavelmente não passaria dos 10 por cento. E até a altura escolhida para gozar umas legítimas férias na companhia da família – aproveitando uma aparente fase de bonança numa época complicada - correu mal ao Presidente. Agora a verdade é que esta inusitada situação nunca sucederia no Porto, por exemplo. E é também verdade que os erros têm sido clamorosos. Desde o adiamento até ao limite das contratações, permitindo a fuga de Saviola para o Benfica que face à sua qualidade foi oferecido ao Sporting a preço muito razoável, até à infeliz contratação de um treinador sem currículo por 6 meses (como já li com alguma piada temos um treinador trabalhando precariamente a recibos verdes), as más e precipitadas decisões desta direcção têm-se infelizmente acumulado.

A boa notícia é que mesmo perdendo continuamos oito pontos à frente da Académica. Vilas-Boas que recusou vir para Alvalade há uns meses atrás - mesmo comandando uma equipa fraquíssima - deu um banho táctico a Carvalhal na segunda parte. Ou muito me engano, ou já está apalavrado com Pinto da Costa para a próxima época.
Outra boa notícia é que Grimi se lesionou na cabeça levando ao que parece cinco pontos. Existe assim a esperança que não jogue contra o Benfica. Qualquer treinador de quarta categoria que jogue actualmente conta o Sporting direcciona a sua equipa no sentido de atacar preferencialmente pelo lado direito, ou seja pela asa esquerda do Sporting. Basta pensar nos primeiros 10 minutos da vergonhosa derrocada contra o Porto para perceber essa evidência. A má notícia é que o eventual substituto de Grimi é Pedro Silva. Outro erro de palmatória desta direcção: havendo dinheiro fresco para investir como é possível não considerar como absoluta prioridade a contratação de um defesa-esquerdo?

No entanto o verdadeiro problema do Sporting é quanto a mim a crónica redução progressiva dos níveis de exigência. A fasquia parece estar sempre abaixo daquilo que deveriam ser as reais aspirações de um clube com a dimensão e o historial do Sporting Clube de Portugal. Além disso, é um clube historicamente de anjinhos e isso continua a ser prejudicial no presente. Basta olhar para actual equipa de futebol: Rui Patrício, Carlos Saleiro, Bruno Pereirinha tudo gente da casa, tudo bons rapazes, contudo sem estofo de campeões. Já não me lembro da última defesa de Patrício, ultimamente é cada tiro, cada melro.
Mais exemplos da nossa parca ambição: Se hipoteticamente vencermos na próxima terça-feira o Benfica aposto que depressa os adeptos se conformarão com o estado das coisas. É mais um reflexo da apatia em que caiu o universo leonino. Uma simples vitória perante um rival é suficiente para satisfazer a massa adepta
Outro exemplo: se por acaso Carvalhal ganhar a taça da liga ou chegar longe na Liga Europa tenho a certeza que haverão adeptos a defender a continuidade deste treinador medíocre, o que diz muito acerca desta falta de ambição generalizada que infelizmente tem paralisado Alvalade
…..

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A Madeira

Já fui algumas vezes à Ilha da Madeira e basta passear por aquelas agradáveis ruas (reconheça-se) uns minutos para perceber de imediato que não justifica dar para lá um cêntimo. Têm um turismo dinâmico, bem planificado e rentável, comparativamente por exemplo ao Algarve. Ninguém de bom senso lhes pode tirar esse mérito. Souberam aproveitar eficazmente os recursos disponíveis e também os disponibilizados por terceiros. Obviamente que existe alguma exclusão social, hipocritamente escondida por João Jardim, para evitar embaraços e não afugentar o precioso turismo de luxo....

Sinceramente tenho dificuldades em perceber a posição do PCP e do BE em matéria tão fundamental e simbólica como a lei das finanças regionais. Pôr a Madeira e os Açores no mesmo limiar de carência de fundos é uma afronta à inteligência dos Portugueses. Parece que um dos argumentos é que no ano passado até se deu mais à Madeira do que o agora proposto. Deu-se mais e deu-se erradamente. Se este ano houver coragem para corrigir esse erro, melhor.
Evidentemente que tenho consciência que o PS faz disto um drama político com objectivos mediáticos (aliás, hoje já é claro que o que fará cair Sócrates é a sua obsessão pela comunicação social) mas a questão essencial para mim como contribuinte é a possibilidade de finalmente deixar de financiar as indecências de John Garden. É que nunca gostei de gastar dinheiro com fantochadas, ainda por cima de baixo nível….

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Carnaval

Dizem que Sócrates - agastado com os constantes ultimatos internacionais e condicionado pelo avolumar da dívida pública e do défice - aproveitou o famigerado Conselho de Estado para ameaçar a demissão, o que vem provar afinal que tal órgão serve para alguma coisa: produzir ameaças.
Como isto anda tudo ligado, uma das personagens mais mencionadas neste pobre blogue – John Garden – desejou a todos um bom carnaval. Bem, para mim, o único carnaval que aprecio são as hilariantes campanhas eleitorais proporcionadas por esta nossa democracia. Por isso, preparem-se, o regresso do corso carnavalesco está para breve…..

A Praça da Figueira


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Laço Branco

A Palma de Ouro do festival de Cannes em 2009 premiou o filme de Michael Haneke, o Laço Branco.
Depois dos elogiados Funny Games de 1997 e a Pianista de 2001 com uma inolvidável Isabelle Huppert como protagonista, Cannes consagrou finalmente o cineasta austríaco que já tinha sido galardoado como realizador de “nada a esconder” de 2005, então com Juliette Binoche.
Foi no entanto o magnífico “Código desconhecido”, datado de 2000, o filme de Haneke que mais apreciei. Aí, chegou mesmo a roçar os limites da obra-prima absoluta. Talvez por isso, vejo mais esta Palma de Ouro como um justo prémio pela carreira profícua do Realizador nos últimos anos do que pelas virtudes deste filme agora coroado.

O Laço Branco filmado a preto e branco conta com uma fotografia rigorosíssima. Apesar da intensa mise-en-scène de Haneke e de algumas boas interpretações deixa-nos com a frustrante sensação de não chegar a descolar para voos mais condizentes com a verdadeira capacidade do Realizador. No entanto, mantém o traço essencial e a visão inconfundível que são a marca do Cineasta. Nessa perspectiva o genérico final - sem qualquer música de fundo - é já uma imagem distintiva de Haneke. Deixa o espectador entregue a si próprio, às suas fragilidades, às suas incertezas relativamente ao desenlace da narrativa. No cinema de Haneke não sobra espaço para artifícios. Abandona-nos, sem vestígios de uma qualquer rede, deixando-nos entregues às nossas próprias vulnerabilidades…

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A Cretinice

Caiu na real quando percebeu que lhe estavam a ir ao bolso. Acordou nesse momento para as ancestrais injustiças de um mundo desigual. Imaginou que escasseariam os recursos para adquirir as habituais sumptuosidades com que satisfaz os desafortunados filhos.
A Cretinice acaba sempre por assomar à superfície…

Salvador Dalí


sábado, 30 de janeiro de 2010

O Conselho de Estado

O presidente da República, Cavaco Silva, convocou o pomposamente denominado Conselho de Estado para a próxima quarta-feira.
Mais um tiro para o ar do nosso ilustre Presidente. O que sairá dali?
Como é normal em Cavaco servirá simplesmente para demonstrar que está vivo. Efectivamente, olhando para ele é uma dúvida legítima que nos assalta.
Fiquem descansados, do Conselho de Estado não sairá nada de significativo, ou melhor, como habitual sairá uma qualquer vacuidade indicativa de coisa nenhuma....

Testamento do Poeta

Todo esse vosso esforço é vão, amigos:
Não sou dos que se aceita... a não ser mortos.
Demais, já desisti de quaisquer portos;
Não peço a vossa esmola de mendigos.

O mesmo vos direi, sonhos antigos
De amor! olhos nos meus outrora absortos!
Corpos já hoje inchados, velhos, tortos,
Que fostes o melhor dos meus pascigos!

E o mesmo digo a tudo e a todos, - hoje
Que tudo e todos vejo reduzidos,
E ao meu próprio Deus nego, e o ar me foge.

Para reaver, porém, todo o Universo,
E amar! e crer! e achar meus mil sentidos!....
Basta-me o gesto de contar um verso.

José Régio

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Revolução

Fotografava, captava instantes decisivos, não porque tivesse meios sofisticados para esse efeito mas porque o coração assim o ordenava.
Idolatrava o sexo oposto, vivia de amores intensos, até que um dia deparou com algo mais atraente que o corpo feminino. Tinha acabado de conhecer os caminhos da Revolução. Descobriu desse modo que nada é mais apaixonante que o espírito Revolucionário….

A Avaliação

Avaliavam-se, julgavam-se reciprocamente, não porque daí tirassem algum benefício mas porque tal procedimento aparentava contemporaneidade....

A Morte Saiu à Rua - Zeca Afonso

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Leões Assanhados

Estive para passar por cima do assunto. Comentei no Cacifo. Hesitei várias vezes antes de resolver escrever sobre este caso que entristece certamente todos os verdadeiros sportinguistas. No entanto não resisto a transcrever para aqui as minhas biqueiradas de Leão.

Vamos a factos: Liedson é um grande jogador e um óptimo profissional tal como foi Jardel que nos “ofereceu” um campeonato. Agora quer um, quer o outro não deixam de ser mercenários da bola, tal como Simão, Futre e outros que passaram por Alvalade. Até mesmo Figo nunca foi propriamente um exemplo de amor incondicional ao clube que o catapultou para a glória. A história do amor à camisola e de beijar o leão só foi para mim verdadeiramente credível nos tempos de Manuel Fernandes. Esse, eu sabia, sentia, que estava a ser sincero.
O que se passou neste lamentável episódio - acreditando na versão que Sá Pinto ontem defendeu - não vem permitir que Liedson deixe de ser aos nossos olhos um grandessíssimo profissional. Dentro do campo defende intransigentemente, como poucos aliás, os superiores interesses desportivos do clube.
Tem feito algumas asneiras, é verdade. Sou apaixonado pelo jogador e admiro o seu percurso de vida, mas fico-me por aí. A sua postura nem sempre tem sido a melhor mas a realidade é que já leva sete anos de leão ao peito o que faz com que obrigatoriamente tenha carinho pelo clube.
Se Liedson insultou efectivamente os adeptos e o clube, mesmo que de cabeça quente, é absolutamente condenável e nessa perspectiva a multa pecuniária até peca por escassa. São profissionais principescamente pagos e têm de ter estômago para o superior julgamento dos associados e adeptos que são a razão de ser do Sporting Clube de Portugal. Se insultou o País, não me apoquenta minimamente. De qualquer das formas somos mesmo um país de patetas. Restringindo-me somente ao futebol, basta pensar na impunidade com que Pinto da Costa e Valentim Loureiro continuam a andar por aí.

Em resumo, foi um episódio triste e era bom que ficasse enterrado de vez. Sá Pinto quis limpar a face com esta última conferência de imprensa porque tem ainda ambições futuras dentro de um clube que, reconheça-se, vive de forma apaixonada. Todavia - e isto é outro facto - ao longo da sua vida desportiva já prejudicou mais o clube do que o beneficiou. E convém não esquecer que Sá Pinto não é Leão de berço. Vem de uma outra escola menos íntegra onde os métodos sicilianos sempre justificaram os fins….

A Essência


domingo, 24 de janeiro de 2010

A Morte Lenta

Semana após semana, Jeremias passava por um cemitério construído há aproximadamente cinco anos o qual se apresentava cada vez mais composto de campas. Progressivamente, as simbólicas cruzes iam ocupando o terreno livre. Apesar disso, e atendendo ao espaço ainda disponível, o aglomerado de lápides ainda não cobria sequer metade do cemitério.
Quando lá passava, Jeremias - que gostaria de ser cremado quando finasse porque sempre teve medo de bicharada - pensava com os seus botões se teria ainda tempo suficiente para assistir ao preenchimento completo daquele estranho Jardim de Pedra…

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tetro

Filme de Francis Ford Coppola com a presença de Vincent Gallo.
O consagrado Realizador de Apocalypse Now aproveita a unanimidade à volta da sua obra para efectuar mais uma incursão pelos contornos do cinema independente, o que representará certamente para si um maior estimulo intelectual. E Tetro demonstra de início potencialidades que depois não cumpre. Um atraente argumento não chega para fazer um inolvidável filme.
A narrativa parte de um encontro de irmãos entre Tetro e o jovem Bennie de apenas 17 anos, que não vê o irmão mais velho há dez. Tudo isto tendo como pano de fundo uma fascinante Buenos Aires e o mítico bairro de Boca. A chegada de Bennie ao convívio com o pretenso irmão vai contribuir inevitavelmente para o desmembramento familiar. Os fantasmas vão assomar à superfície sem apelo nem agravo.
Vicent Gallo vem provar aquilo que já era para mim uma evidência. Vale muito mais como Realizador (Buffalo ‘66 e Brown Bunny) do que como actor. Isto, não obstante ser sempre o protagonista dos filmes que realiza, dando asas ao seu reconhecido egocentrismo. Não conheço por aí além a sua faceta de músico mas como actor no papel de Tetro volta novamente a ser uma grande desilusão…

Vincent Van Gogh


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Portugal

Um post que define um País:



«Mas ó Major, veja lá isso!»... E isto nem sequer é o mais grave. Tudo clarinho como a água aqui.

Em tribunal, o veredicto final foi e será para Pintos da Costa e Loureiros, inocentes. Como pode um qualquer cidadão cumpridor respeitar este Estado de Direito?
A Impunidade prospera em Portugal...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A Subserviência

Cumpria escrupulosamente o sugestionado pelos seus superiores, não porque concordasse taxativamente com o seu conteúdo, mas porque era incapaz de assumir uma posição de discordância.
Tinha receio da própria sombra. Esquecia-se que estava a vender a alma ao diabo e que por norma os diabos infernizam as vidas alheias.
Era incapaz de planear o futuro. Não porque lhe faltasse competência para tal mas porque estava demasiado preocupado com o presente.
O seu único desígnio era o seguidismo frouxo……

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

E de Novo, Lisboa...

E de novo, Lisboa, te remancho,
numa deriva de quem tudo olha
de viés: esvaído, o boi no gancho,
ou o outro vermelho que te molha.

Sangue na serradura ou na calçada,
que mais faz se é de homem ou de boi?
O sangue é sempre uma papoila errada,
cerceado do coração que foi.

Groselha, na esplanada, bebe a velha,
e um cartaz, da parede, nos convida
a dar o sangue. Franzo a sobrancelha:
dizem que o sangue é vida; mas que vida?

Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,
na terra onde nasceste e eu nasci?

Alexandre O'Neill

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

De Ouro e Prata

Qual Pai apalermado, Jeremias, à falta de melhor imaginação e na esperança de interromper o pranto compulsivo do Puto de 4 meses, dá por si enquanto embala o incrédulo pequeno ser a cantarolar o seguinte:
O meu Papá é de Ouro e Prata e os outros papás são de casca de batata….

Getting Away With It (All Messed Up) – James


Uma grande música e uma grande interpretação de uma banda notável…

domingo, 17 de janeiro de 2010

O Alegrete

Manuel Alegre com um ano de antecedência anunciou a recandidatura a Belém.
Alegre vale menos do que muita gente pensa. Os resultados das últimas presidenciais resultaram de circunstâncias muito especiais. Não é consensual à esquerda mesmo com o eventual apoio acumulado do BE, PS e PCP. E para mal dos nossos pecados o Portugal real, não o dos blogues, continua a ter uma predilecção - uma espécie de atracção envergonhada e não assumida - pelo conservadorismo de Cavaco….

Olha quem voltou

Dois minutos em campo, dois toques na bola e golo. O futebol é afinal mais científico do que se pensa. Não é definitivamente para quem quer (Postiga e Saleiro) mas para quem sabe….
Liedson da Silva Muniz precisou de 120 segundos para provar mais uma vez que os homens não se medem aos palmos. Dois simples toques mágicos na redondinha foram suficientes para aquecer a noite de todos os verdadeiros Leões de raça espalhados por esse mundo fora.

Na transmissão televisiva da Sport TV assisti a um dos melhores momentos humorísticos de que tenho memória nos últimos tempos. Um dos comentadores de serviço a insinuar que no lance do primeiro golo, caso Liedson não marcasse, estava lá Grimi para facturar. De facto ele estava lá mas Puta que os pariu, cambada de incompetentes não gozem com o meu Sportinguismo. Grimi não tira o lugar ao defesa-esquerdo do Olhanense. Vale mais uma amostra de penugem da ponta da crista do Levezinho que todo o peso balofo do rato Grimi….

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

One Fine Day



A admirável curta com que Takeshi Kitano participou em Cada um o seu cinema apresentado em Cannes, do qual já falei aqui.

A síntese perfeita de toda a sua genialidade em aproximadamente 3 minutos com imagens de um outro filme de Kitano - Kids Return - e um assombroso plano final....

O Cubo Mágico


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O Czar

Se tal transferência se concretizasse estaria pela primeira vez assumidamente contra as posições defendidas por José Eduardo Bettencourt na presidência do Sporting. Isto, apesar de no passado já ter havido variadíssimas razões para tal. É que vender um jogador com a valia desportiva de Izmailov, que ainda por cima tem uma cláusula de rescisão de 25 milhões por uma verba entre 6 e 8 milhões, é um acto de gestão ruinoso para qualquer Sociedade em qualquer parte do mundo.

Marat Izmailov é astuto, forte mentalmente, acutilante e desequilibrador. E dos poucos que consegue jogar continuamente em pressão. Não é genial, mas é o único jogador verdadeiramente consistente do plantel. Mesmo com 27 anos vale, para mim, mais que Miguel Veloso. Vender o jogador Russo mesmo que por 8 milhões seria mais um erro colossal na história do Grande Sporting…..

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O Rejúbilo

Vivia cada momento com a inconsciência própria de quem aprende os primeiros suspiros. Não temia o perigo, pois não conhecia os seus trilhos.
Rejubilava, não porque visse razões extraordinárias para tal, mas porque era a melhor forma que conhecia de se sentir vivo.
Era detentor do melhor rejúbilo do mundo…

Nikias Skapinakis


sábado, 9 de janeiro de 2010

A Mãe Liberdade

A proposta de lei que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi finalmente ontem aprovada no Parlamento. Trata-se tão só de permitir a quem o deseja, sem discriminações, a formalização de uma união conjugal.
E não deixa de ser irónico, esta aprovação acontecer numa época em que o casamento heterossexual enfrenta uma crise de descrença generalizada. Atendendo ao País tacanho em que vivemos, esta aprovação da lei por parte do Partido Socialista (mas pouco) leva-me a crer que somente ocorreu para salvar a indústria dos casamentos da falência e do ostracismo. No fundo, como tudo em Portugal, a justa aprovação de uma lei indispensável nasceria assim da pressão de um lobby, o que não deixaria de ter a sua piada….

No entanto, o essencial são os efeitos imediatos de uma lei que vem permitir a muitos casais gay cumprirem um sonho que lhes era até aqui interdito. E isso merece ser enaltecido e festejado. Até porque não há assim tantos países onde esta questão esteja já resolvida e arrumada. É acima de tudo uma vitória para os direitos humanos e um passo importante para a necessária Igualdade neste Portugal democrático.
Sou totalmente a favor de todas as formas de relacionamento entre pessoas desde que desejadas e consentidas pelas mesmas. Obviamente que a Pedofilia não cabe nesta definição e representa uma problemática completamente à parte desta discussão. A simples liberdade de opção, e é de isso que se trata na realidade, devia estar sempre ao alcance de todos sem qualquer tipo de restrições.…..

Curiosamente nestas questões de consciência individual, nunca fui assim tão entusiasta da liberalização quando se fala da adopção por casais homossexuais. Todavia, perante a pergunta num hipotético referendo votaria tendencialmente a favor. Isto porque nessas circunstâncias, sentir-me-ia obrigado a valorizar as dificuldades por que passam aquelas crianças que vivem entregues a instituições de carácter social pertencentes ao estado ou a outros, e que vivem autenticamente na corda bamba sem perspectivas de um futuro digno. E também, porque sei que existe uma legítima vontade, uma afectividade extrema e as necessárias capacidades económicas em muitos casais homossexuais para assumirem essa responsabilidade.
Independentemente destas evidências, a verdade é que uma criança para crescer de forma harmoniosa necessita da referência materna e da referência paterna, de cujo relacionamento e envolvimento a criança é concebida. Não me parece que se possa dispensar num processo educacional o modelo feminino ou masculino. Isto é o que penso, genericamente, como princípio, digamos assim. Agora, admito que o importante é que as crianças sejam felizes, seja lá o que isso for. E aí, reconheço, tanto o podem ser (ou não) vivendo com um casal Homo ou Hetero……

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Revolutionary Road

Obra de Sam Mendes que visionei agora em DVD adaptada de uma novela de Richard Yates trouxe novamente para a ribalta o realizador do surpreendente Beleza Americana. É também o filme que marca o reencontro de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet uma década depois do mediaticamente torturante "Titanic".
Na sequência do olhar dilacerante que Sam Mendes lançou sobre a família americana em American Beauty este Revolutionay Road continua a atirar cirúrgicas farpas sobre o american life style. E o melhor exemplo dessa decadência familiar que submerge no universo de Mendes é precisamente a última cena do filme em que um aborrecido Marido desliga o aparelho auditivo para assim deixar de ouvir a sua Esposa deixando a pobre mulher, literalmente, a falar sozinha.
Revolutionary Road não é nem de perto nem de longe uma obra-prima mas é importante não perder de vista o valioso Realismo de Sam Mendes….

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Divina Criação

Pensava, estupidamente, que os olhos não passavam das janelas da alma até que um dia percebeu que os olhos são na verdade a única criação espledorosamente divina.....

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A Perfeição

Jeremias ouvia com toda a atenção aquele homem. Reconhecia-lhe sem dificuldade inúmeras virtudes. Era elegante, exacto, metódico, medianamente inteligente e aparentemente equilibrado. Havia no entanto algo que não batia certo naquela eloquência, naquele optimismo suspeito, naquela assertividade de fachada. O Homem falava, expunha as ideias exactamente da mesma forma que as pensava. Naquele homem não havia espaço intermédio para a meditação, para uma simples introspecção reflexiva. Tudo era exactamente como devia ser. A forma com que debitava palavras assemelhava-se à queda de água numa qualquer cascata mecânica.
Jeremias - um céptico profundo - desconfiava naturalmente da perfeição…..

Fake Plastic Trees – Radiohead

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ano Novo, Vida Nova

O Sporting entrou a ganhar no novo ano e mesmo que tal tenha acontecido numa competição menor como é a actual taça da liga é sempre entusiasmante, ainda para mais contra o até aqui surpreendente líder do campeonato.
Contudo, as ilações a tirar não deverão de nenhuma forma resvalar em euforias desmedidas. A equipa por vezes já se solta jogando um futebol mais prazenteiro mas os jogadores que acabaram por decidir o jogo são os únicos que estão verdadeiramente confiantes, Saleiro e Veloso. O primeiro está com pé quente mas não é um craque, apesar de poder ser bastante útil esta temporada. Quanto a Miguel Veloso, era bem vendido desde já. Tem tiques de jogador de classe mas nunca será uma grande estrela. O ano passado demonstrou que não tem consistência psicológica. Na minha opinião, vendê-lo por 15 milhões daria para recuperar o investimento feito neste mercado de inverno. Os comentados 10 milhões acho pouco como retorno para quem lança e fabrica talentos com a regularidade com que o Sporting Clube de Portugal o faz.
Adrien - um jogador de qualidade - começa finalmente a ganhar espaço e Izmailov mesmo sem deslumbrar, enche-me as medidas. Nunca perde a noção do jogo e aumenta consideravelmente a acutilância ofensiva da equipa. É, a par de Liedson, o jogador mais competitivo deste plantel…

Sísifo

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga

sábado, 2 de janeiro de 2010

Ruptura Explosiva

O Professor Cavaco acha que o país está à beira da catástrofe. Tem uma memória muito selectiva. Não lhe ocorre que foi durante o seu reinado de dez anos que se começou a alimentar o monstro da dívida pública. Esqueceu-se que foi com ele que a administração pública engordou de forma irreversível. Não se recorda que foram precisamente os seus governos que mais desbarataram os milhões provenientes dos fundos europeus sem um mínimo de critério…..

O Boneco

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010

Qual figura ornamental, Jeremias, esperava pelo novo ano com afinco. Desta vez é que será, pensava.
Não posso morrer sem deixar as minhas memórias eternizadas na película magnética. Amava o cinema. Encarava o silêncio sepulcral da sala de cinema como algo sacramental. Queria definitivamente deixar uma obra para a posteridade. O Cinema seria o seu derradeiro reduto. Depois disso nada mais o prenderia a esta vida.

No dia de ano novo, decidiu que o nome da fita seria precisamente o do novo ano que agora começava: 2010.
O filme estreou premeditadamente a 31 de Dezembro de 2010. Consistia a narrativa numa imagem palidamente branca durante todo o tempo, Um écran branco durante 118 minutos onde somente se ouviam duas frases, ambas proclamadas por Jeremias. A primeira, no início, em que se ouvia simplesmente: 01 de Janeiro de 2010 e uma última no fim dos 118 minutos de duração do filme que representavam os 365 dias do ano em que se gritava: 31 de Dezembro de 2010. Entre essas duas entoações, nada. Somente uma imagem branca e um silêncio absoluto. No fim, nos créditos finais aparecia somente um nome: produção, argumento e realização por Jeremias Sezinando.

Jeremias veio a enforcar-se no dia da estreia de 2010.

A visão do filme transmitiu aos espectadores precisamente o que Jeremias tinha sentido durante toda a sua vida. Uma sensação de vazio absoluto. O seu arrojo foi aclamado e elogiado por toda a crítica…..

Joan Miró


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O Alívio

Sonhava com uma espécie de liberdade inatingível ao ser humano. Fantasiava acerca de conquistas futuras sem lhe ocorrer que a realidade é puta fina, uma prostituta de luxo de acordo como os novos cânones.
Alcançou em parte o que pretendia sem comprometer o que tem de mais valioso: uma réstia de dignidade que apesar de exígua não trocava por nada.
Sentia-se desafogado porque o alívio é o afrodisíaco dos pobres….

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Abraços Desfeitos

“Los Abrazos Rotos”, o último filme de Pedro Almodóvar o qual apenas visionei agora é mais uma absorvente película do cineasta espanhol que conta mais uma vez com a apelativa Penélope Cruz como protagonista, bem como com outros habituais actores do universo almodoviano.
Não vem contudo acrescentar nada de essencial à cinematografia de Almodôvar, o que não significa que não tenha virtudes. Permanece cativante a cumplicidade com que o Realizador dirige os seus actores, o que faz com que a narrativa mantenha sempre um registo intimista.
Almodóvar é um sedutor inveterado e por isso o seu cinema - apesar de mais do mesmo - continua a fascinar…

domingo, 27 de dezembro de 2009

PonGOLLE

O Francês Sinama Pongolle é a terceira contratação de inverno do Sporting. O Jogador de 25 anos vem para fazer dupla com Liedson na frente de ataque. Esperemos que se venha a confirmar como um verdadeiro reforço. Continuo no entanto à espera do ansiado defesa-esquerdo.
Independentemente da valia dos reforços e das consequentes e legítimas expectativas dos adeptos, esta aposta no mercado de inverno deixa-me pensativo relativamente à pertinência da estratégia implementada.
Se de facto ainda havia margem de endividamento para investir a sério na equipa de futebol – suponho que não existem capitais próprios - porque não apostámos na contratação de um treinador de craveira quando o ciclo Paulo Bento terminou?
É que por mais que hajam teorias que possam defender o contrário - e apesar de Carlos Carvalhal continuar a merecer o benefício da dúvida - a verdade é que as grandes vitórias nascem normalmente com grandes e carismáticos timoneiros ao leme o que não é manifestamente o caso….

sábado, 26 de dezembro de 2009

Boas Festas (2)



De volta aos gloriosos anos 80 - mais concretamente a 1987 - para recuperar uma das mais belas canções de Natal de sempre: Fairytale Of New York interpretada pelos eternos The Pogues liderados pelo carismático Shane MacGowan que contam aqui com a preciosa voz da convidada Kirsty McColl, prematuramente falecida num controverso acidente no México em 2000.....

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Boas Festas




Duas prendas de Natal para os (as) Hereges que vão passando pelo Hipocrisias Indígenas com um denominador comum: William S. Burroughs.
Primeiro, a famosa Thanksgiving Prayer que é uma excelente entrada para ser servida em qualquer noite de consoada. Depois, uma curta de 1982 realizada por Gus Van Sant nos primórdios da sua carreira intitulada The Discipline of D.E (Do Easy) baseada num conto de Burroughs.....

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Sapatinho de Natal

Ano após ano limpava o sapatinho com toda a minúcia. Colocava-o estrategicamente pendurado na lareira. Sabia que na noite anunciada o Pai Natal desceria como habitual pela chaminé.
Para mal dos seus pecados, o Pai Natal chegou mais cedo este ano e roubou-lhe sem clemência o sapatinho mesmo estando vazio.
A crise chega a todos…..

O Pereira

O Sporting na segunda contratação de Inverno foi buscar João Pereira ao Braga. Como aspecto positivo realço o facto de somente se ter sabido quando a coisa já estava definitivamente tratada. Como aspecto menos positivo saliento que se devia ter começado pela lateral-esquerda, onde a insuficiência do plantel ainda é mais gritante do que na lateral-direita. Esperemos que exista ainda liquidez financeira para contratar um defesa-esquerdo de categoria.
João Pereira passou a infância no problemático Casal Ventoso. Está habituado a lutar até à exaustão. Facilmente cairá no coração dos adeptos. Desde que consiga controlar os seus ímpetos mais irracionais pode ser uma verdadeira mais-valia para este Leão moribundo….

Suave – Ban

domingo, 20 de dezembro de 2009

O Presente de Natal

Todos os anos, o ritual se repetia na família. Quando batia a meia-noite, os alegres comensais ordeiramente desembrulhavam as oferendas em animada cavaqueira.
Jeremias recebe do seu cunhado, Baltazar, um presente com a forma de garrafa. Enquanto olha para o colorido embrulho, ocorre-lhe que o papel lhe é de algum modo familiar. Desembrulha o mesmo e percebe que a garrafa de vinho do porto que agora o cunhado Baltazar lhe oferece é exactamente a mesma que Jeremias lhe tinha oferecido há dois natais atrás. Ao mesmo tempo que agradece a Baltazar a prenda Jeremias recorda-se que essa mesma garrafa de vinho do porto, que posteriormente ofereceu a Baltazar, lhe tinha sido presenteada pelo primo Jacinto três anos antes.
Sem confessar o insólito acontecimento ao distraído cunhado, e na perspectiva de evitar possíveis conflitos familiares no futuro, Jeremias resolve matar o mal pela raiz eliminado o foco de todas as confusões. Nesse sentido, senta-se junto a Baltazar e num ápice ambos esvaziam a maldita garrafa de vinho do Porto, terminado assim com o agitado percurso natalício da mesma.
Já embriagado, Jeremias levanta-se e ergue um cálice com o famigerado e viajado vinho do Porto, clamando para todos ouvirem:
Um Santo Natal para todos!….

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O Tremor

A terra tremeu enquanto eu ressonava.
Pelas correrias natalícias, pela euforia consumista nas ruas, parece que tal como eu ninguém deu por nada. O Natal é a estação predilecta dos distraídos. Só que eu sou distraído o ano todo….

O mundo precisava de um abalo a sério mas a escala medidora do impacto sucumbiu ao perverso poder dos homens normais. Era previsível....

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

MexerCedo

Mexer assina por duas temporadas e meia
CENTRAL DE 21 ANOS QUER AFIRMAR-SE NO CLUBE DO CORAÇÃO


Depois de um Caicedo que parece que caiu definitivamente e já não se levanta, contratamos numa aposta de futuro o Moçambicano Mexer. Esperemos que venha a ter mais sucesso em Alvalade que o também moçambicano defesa-esquerdo, Paíto, que actualmente joga no Sion da Suíça.
Para que conste, até acho que Felipe Caicedo não é assim tão mau como o pintam. O seu estilo corpulento podia ser útil como abre-latas para a velocidade de Liedson mas necessitava de um treinador com visão que confiasse nele com insistência. Isto, na opinião deste desolado Leão de bancada.....

O Braço de Ferro


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A Temperatura

Parece que os termómetros vão atingir valores negativos por esse País fora. Não passa de um Pleonasmo. Portugal já está há muito abaixo de zero, nos mais variados níveis….

sábado, 12 de dezembro de 2009

O Semblante

Entrava, consternado, absorvido pelos pensamentos que o assaltavam a toda a hora. Desprezava a ambição que toldava os alinhados. Renegava a fictícia segurança com que lhe acenavam. Nunca quis sentir-se seguro. Não acreditava em contratos vitalícios.
O Semblante carregado era o reflexo da sua alma. Trazia em si todas as iniquidades do mundo….

Claude Monet

Estamos pior quó Salazar


Força Portugal!....

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A Filosofia do Momento

Jeremias reflectia sobre o porquê das coisas acontecerem somente quando tinham de acontecer. Por vezes as próprias circunstâncias são manipuladas pelo tempo, pensava. O tempo não passa de um cabrão ressabiado, concluía.

Há alturas em que não se está apto para dar determinados passos e assumir as consequências dos actos praticados, no entanto pensa-se o contrário. As pessoas consideram estar sempre prontas para todos os desafios. O desejo fala sempre mais alto. Contudo, as coisas não se proporcionam quando as cobiçamos mas somente quando estamos verdadeiramente preparados para elas. Só com o cair da folha, com o peso dos anos, vimos a perceber isso com clareza.
O cabrão do tempo é um pérfido velhaco e o momento um insensível charlatão….

Che

Dividido em duas partes o filme de Steven Soderbergh com Benicio Del Toro no papel de Guevara foi prenda de natal antecipada que ofereci a mim próprio. Acabei por não visionar nenhum dos dois filmes em sala pensando já na altura adquirir a caixa com ambos os DVD’s.
Relativamente à componente biográfica o que a obra representa é de interesse garantido.Toda a mitologia que rodeia a figura do Comandante Ernesto Guevara de la Serna, conhecido universalmente como Che Guevara, será sempre uma aposta segura qualquer que seja o realizador que se proponha fazê-lo. Ainda assim, Soderbergh dirige com segurança e eficácia as mais de 4 horas de duração da fita – duas horas e tal por filme.
Benicio Del Toro tem um papel assinalável. Sobressai no seu desempenho uma evidente procura de perfeição na representação do ícone da Revolução Cubana. Um grande trabalho para um carismático actor.

O melhor elogio que se pode fazer à complementaridade da obra é que não se consegue afirmar com clareza que um dos filmes é melhor que o outro. Nunca, em nenhuma sequência, os filmes perdem o ritmo. Aliás, essa característica é uma das particularidades do cinema de Soderbergh.
A primeira parte intitulada “O Argentino” narra a ascensão vitoriosa dos princípios revolucionários em Cuba e a ligação de Guevara a Fidel Castro. A segunda denominada “O Guerrilheiro” descreve curiosamente o processo inverso, ou seja a captura e morte de Che no meio da derrocada Boliviana onde os valores da Revolução são menosprezados e ostensivamente derrotados.

Che foi um caçador de injustiças. Certamente que também as terá cometido, designadamente através dos condenáveis fuzilamentos que praticou em Cuba contra adversários políticos.
Independentemente desse aspecto mais negro da sua história foi - na minha perspectiva e acima de tudo - um exemplo de coragem para as gerações vindouras e por isso é idolatrado à escala universal.
Identificou - com base na sua visão da sociedade - a luta armada como a única saída para a fúria que o perseguia em proporcionar melhores condições de vida para os mais necessitados.

Che, o guerrilheiro dos ideais, ícone eterno de um inconformismo rebelde, tinha sido ironicamente declarado inapto para o serviço militar pelo exército argentino….

domingo, 6 de dezembro de 2009

A Resistência

Conformava-se com as suas limitações fazendo uso da mesma destreza com que assistia ao deslizar do tempo.

Moldava-se às circunstâncias com o mesmo desencanto que dedicava a contemplar as cicatrizes das batalhas perdidas.

Resistia não por ser mais forte que outros mas porque a sua frustração era superior aos demais…..

sábado, 5 de dezembro de 2009

Lithium – Nirvana



Em 1992, memorável actuação no festival de Reading, recentemente imortalizada em DVD na sequência dos vinte anos da gravação do álbum de estreia intitulado "Bleach”.…

Um País Exonerado

Já há quem peça a exoneração de José Sócrates - Chefe de Governo democraticamente eleito há dois meses e um mero oportunista ambicioso, esclareça-se - por cometer o pecado capital de falar ao telemóvel. Parto do princípio que seria Cavaco a exonerá-lo. E quem exonera Cavaco, questiono? Mantém um suspeito de condutas impróprias no seu Gabinete que pelos vistos foi até recentemente promovido.
O Procurador, exonere-se também. Desconfio que tem telemóvel e por esse simples motivo deve também ser escutado por alguém e, por conseguinte, exonerado.
Somos todos exoneráveis e escutáveis. Um País de exonerados seria a melhor garantia para o nosso futuro…

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O Equívoco

Vivia com o coração ao pé da boca. Afundava-se progressivamente num mar de equívocos. Era por natureza angustiado e atormentado.
Bem vistas as coisas também a humanidade bíblica nasceu a partir de um dilema, um embaraço inquestionável. Adão fornicou a puta da Eva e não consta que tenham casado primeiro. Aliás, se tal tivesse ocorrido quem levaria o raio das alianças?....

A dispersão dispersa-se no cansaço dos dias. Foca-se o essencial com clareza mas a incompreensível visão obscurece as almas desertoras.
As marionetas prosperam e os cristalinos arruínam-se. Naufragam sem contemplações.

A sua insustentável existência era o maior equívoco de todos….

(dedicado à memória de Mário Sá Carneiro)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Dispersão

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
é com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é família,
é bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).

O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.

A grande ave doirada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projecto.

Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... mas recordo.

A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...)

E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.

Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas p'ra se dar...
Ninguém mas quis apertar...
Tristes mãos longas e lindas...

Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...

Desceu-me n'alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.

Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida
Eu sigo-a, mas permaneço...

.......................................
Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba...
.......................................

Mário de Sá Carneiro

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Carvalhadas


Depois de uma das maiores vitórias morais de que tenho memória na história do Sporting parece que, inclusivamente, a alegria voltou ao balneário. Ou seja, parte-se do príncipio que até aqui os nossos jogadores - principescamente pagos - andavam tristonhos.....
Independentemente de tudo o resto, Carlos Carvalhal está nitidamente a dar o litro e há um aspecto em que desde já o seu mérito é evidente. Veio provar, com aparente facilidade, as limitações tácticas que assolavam Paulo Bento....
Contudo, falta-lhe agora a tarefa mais hercúlea. Fazer com que Pedro Silva, Angulo e Grimi se assemelhem a algo vagamente comparável a jogadores competitivos de futebol profissional....
Só é mesmo pena é continuarmos num honroso sétimo lugar. A partir de agora só pode ser mesmo sempre a subir.....

domingo, 29 de novembro de 2009

A Desventura

Procurava sem encontrar um consolo desconsolado. Era um trabalhador precário ao nível dos sentimentos. Sonhava mudar de vida mas a única coisa em que inovava era a facilidade com que chegava a um infindável pranto. Não se queixava da sorte porque sabia que era merecedor do perverso destino que a vida lhe tinha reservado. Segundo os historiadores, psicólogos e restantes estudiosos que desfilavam na televisão, tinha passado ao lado de uma grande carreira….

O Marquês


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Assim Falava Jeremias

Inexistia socialmente. Para se fazer ouvir, a única alternativa que lhe restava era falar com as árvores nos outonais Jardins de Lisboa.
Entre cigarros e ocasionalmente uma ou outra cerveja, falava, dissertava, justificava, julgava, censurava, condenava. Os transeuntes olhavam-no com admiração. Por vezes juntavam-se pequenos grupos de curiosos deliciados com a estranha eloquência daquele homem de barbas cumpridas.
Inexistia socialmente mas a sua voz inquieta agitava os corações tristes dos remediados….

Maradona - Messi



Curiosa e emocionante partida de futevoley datada de 2005 que opôs o actual melhor do mundo contra o - pra mim - melhor de todos os tempos com a participação especial de outros dois compinchas Argentinos, Tevez e Crespo…

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Negociador

Negociava de forma calculista e fria sem nunca vacilar. Conhecia os perigos vigentes, caso aparentasse fragilidades. Adaptava-se a tudo com destreza apesar das habituais reticências iniciais. Era um sobrevivente por natureza. Arriscava, mesmo conhecendo as evidentes limitações dos seus argumentos. Lutava porque a era a única forma que conhecia de se manter inquieto. Perdia, mesmo quando ganhava. Não tinha nascido para aquilo mas era a única saída que lhe restava….

Pierre-Auguste Renoir


domingo, 22 de novembro de 2009

A Lucidez

Tinha estabelecido em tempos um pacto com o Diabo em que se comprometia a manter a sobriedade em qualquer circunstância. Quase cumpriu a promessa. Morreu ébrio atirando-se do cimo do prédio mais alto da cidade. Perdeu finalmente, assim, a Puta da Lucidez. Como o Chico Buarque tinha profetizado, tropeçou à entrada do céu como se fosse um bêbado….

sábado, 21 de novembro de 2009

Mi Hermano Fidel

 
Como já tinha escrito aqui, um extraordinário filme/documentário (curta metragem com 16 minutos) de 1977 realizado por Santiago Alvarez. O argumento é do próprio e de Rebeca Chávez. Finalmente encontro-o disponível na Net e aqui fica em versão integral para devida apreciação. Esta curta cubana retrata o diálogo de Salustiano Leyva com Fidel Castro a quem Leyvia vai narrando o seu encontro com o grande revolucionário cubano, José Martí ocorrido, imagine-se, em 1895. Salustiano com 92 anos em 1977, tinha apenas 11 anos quando conheceu Martí. O diálogo que flui naturalmente com Fidel é absolutamente fascinante e demonstra-nos com alguma comoção pelo meio o que é a genuína humildade....

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Professor e a Senhora Gorda















O dia é inteiramente de Carlos Queiroz depois de Portugal ter conseguido o apuramento para o Mundial. Sempre gostei do seu aspecto ponderado e estudioso próprio de um verdadeiro gentleman. Lembro-me da mágoa que senti por não ter conseguido ser campeão como treinador do meu Sporting onde ganhou somente uma Taça de Portugal.
Realço, hoje, a extrema importância da paciência e cordialidade que Queiroz sempre demonstrou, mesmo quando 90 % do País achava que só um milagre levaria Portugal ao Mundial da África do Sul em 2010. Se Queiroz fosse Maradona e Portugal a Argentina, hoje o Seleccionador teria de pedir certamente desculpa às Senhoras.
Os pseudo-doutos psicólogos do futebol que se julgam detentores da verdade absoluta já há muito tinham feito o funeral a esta selecção. Carlos Queiroz manteve sempre um discurso coerente, sem contudo fugir às responsabilidades, mesmo quando saiu humilhado do Brasil em jogo que Portugal saiu copiosamente derrotado.
Acreditou sempre no seu trabalho evidenciando um optimismo muito pouco Português. Para ele, que passou seis anos em Inglaterra coadjuvando Ferguson no Machester United, It's not over until the fat lady sings e a Senhora Gorda ainda não tinha cantado……

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Amizade

A verdadeira amizade é equivalente a uma memória metafísica que de tempos a tempos, pelos mais variados motivos, suspeitamos conhecer. Muitos dissertam sobre ela mas poucos conhecem o seu verdadeiro significado.
A Amizade não é para meninos….

Construção - Chico Buarque

«E tropeçou no céu como se fosse um bêbado»...Grande Chico!

domingo, 15 de novembro de 2009

A Surpresa e a Desilusão

José Eduardo Bettencourt anunciou ontem uma surpresa para o lugar de treinador sem contudo avançar com o nome. Nessa óptica, está de parabéns, pois Carlos Carvalhal é de facto um nome surpreendente, melhor, insólito para um clube com os pergaminhos do Grande Sporting e por conseguinte para toda a família Sportiguista.

Apesar de no mundo do futebol todos, sem excepção, merecerem o benefício da dúvida a verdade é que Carvalhal não serviu para o Marítimo. Nessa perspectiva muito dificilmente poderá ter êxito no Sporting. Trata-se nitidamente de uma solução de recurso até ao final da época. E trata-se também, na minha opinião, do assumir da época perdida por parte da direcção do clube. Ao não ter argumentos para convencer um treinador de nomeada a vir para Alvalade, fica claro que não existirá em Dezembro dinheiro para reforços que sejam uma verdadeira mais-valia para a equipa.
A única diferença que Carvalhal apresenta para Paulo Bento é que ainda não está desgastado junto da massa adepta. Caso não vença os primeiros jogos ficará exactamente na mesma situação que o anterior treinador pois não tem prestígio, nem estatuto que suporte uma fase de adaptação menos vitoriosa. Nesse negro cenário as criticas a Bettencourt subirão de tom, Alvalade continuará cada vez mais às moscas e o desespero tomará de assalto a massa associativa.
Não sei mesmo se, sendo uma solução transitória, não valeria mais a pena ir buscar um homem da casa como é o velho capitão Manuel Fernandes actualmente a treinar o Setúbal, o único clube onde curiosamente Carvalhal deu nas vistas.

A Carvalhal peço somente coisas triviais como por exemplo a motivação do grupo de trabalho que, diga-se, não é tão mau como o querem pintar. Além disso, exijo-lhe um lugar na Europa e que vença a taça de Portugal ou no mínimo a taça da Liga.
A Bettencourt peço que aprenda a lidar melhor com a pressão de liderar o clube, que acredite nas suas capacidades e que se aguente na Presidência contra ventos e marés pois não se vislumbram alternativas mais credíveis. Peço-lhe também que planeie a próxima época com tempo, profissionalismo e empenho, e que se livre de no fim da mesma exercer a cláusula de opção renovando com este treinador sem estofo por mais uma época, isto mesmo que por ironia do destino Carvalhal fique em segundo lugar no campeonato ou alcance uma improvável final da Liga Europa…..

Há Palavras que Nos Beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperançar louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

sábado, 14 de novembro de 2009

Escutas

Agora escutas tu, agora escuto eu.
O País transformou-se num imenso antro de bisbilhotice. E se há caracterísitica que assenta quem nem uma luva ao Português - esse animal irracional - é precisamente essa preocupação doentia com o vizinho do lado. É acima de tudo uma forma de estar, uma filosofia de vida.
Estou convencido que os operacionais que fazem as escutas, mesmo sabendo de antemão que não o deviam fazer sem a devida autorização a determinadas pessoas, o fazem impulsionados por uma espécie de curiosidade mórbida. É um desporto nacional nos dias que correm.
Independentemente disso, Sócrates não é uma vítima. Nós é que somos em grande parte vítimas da ambição desmedida dos corruptos carreiristas que proliferam nos partidos políticos.....

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Coração de Leão

Ricardo Coração de Leão volta ao Sporting agora como Director de Futebol. Nunca fui dos adeptos mais incondicionais de Sá Pinto. Sempre apreciei a sua paixão mas nunca o vi como um símbolo inquestionável. Os seus acessos de indisciplina lesaram bastantes vezes o clube. Além do mais, a sua última época como futebolista profissional no Sporting em 2005/2006 também me pareceu desnecessária, não tendo acrescentado nada à equipa.

Bettencourt ao elegê-lo para estas funções tenta claramente transmitir mais emotividade e sangue na guelra ao grupo de trabalho. Por outro lado, certamente que nas suas intenções estará também aproveitar uma maior predilecção mediática de Sá Pinto, comparativamente ao seu antecessor Pedro Barbosa, capaz de competir em visibilidade com quem tem as mesmas funções, ou parecidas, nos outros clubes grandes. E essas características de Ricardo Sá Pinto resultarão seguramente em melhores condições para o treinador vindouro concretizar o seu trabalho. Assim o esperamos, ou não fosse o verde esperança a nossa cor….

A Roda


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A Mãe Coragem

Olhava para os outros com audácia pois o seguidismo frouxo deles transmitia-lhe uma espécie de compaixão poética. Era de alguma forma estranha a sensação que abraçara. Não tinha descido à face da terra para fazer amizades. Os seus amigos há muito que estavam escolhidos. Tinha pouco a perder e por isso a sua coragem era infinita….

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Homem que conduzia de noite

Era uma vez um homem que era Motorista de pesados. Fazia todos os seus trabalhos durante a noite. No meio dos seus fretes dissertava mentalmente sobre as causas do mundo. Ocorria-lhe amiúde que o seu universo profissional era demasiado limitado para a sua invulgar capacidade reflexiva. Era um leitor bulímico, um profundo apreciador de poesia na qual já se iniciará através de um imenso caderno que o acompanhava para todo o lado. Era também um apaixonado por música clássica que ouvia a toda a hora durante as suas intermináveis viagens. Idolatrava Bach, o seu compositor preferido.

Numa noite, vencido pelo cansaço, adormeceu ao volante quando conduzia ao longo de uma rotineira auto-estrada. Por mero capricho do destino começou a sonhar que acompanhava ao piano o allegro do Concerto de Brandenburgo n.º 3. No meio do sonho, enquanto tocava uma nota com maior exuberância, sobressaltou-se, o que fez com que despertasse ainda a tempo de evitar a colisão frontal com uma estação de serviço situada mesmo à beira da estrada.

A sua erudição tinha-lhe salvo a vida. Percebeu nesse dia a verdadeira razão pela qual o saber não ocupa lugar…

Paula Rego


domingo, 8 de novembro de 2009

O Coração de Rostropowitsch

Vinte anos depois da queda do muro, recupero este post escrito em Agosto de 2008 na sequência de uma visita dessa altura à ressuscitada Berlim….

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Fim de Linha

No acto da demissão, Paulo Bento provou aquilo que já se suspeitava mas que ainda assim havia dúvidas. É um Homem sério, íntegro e de carácter. Ao admitir que esteve quatro meses a mais no Sporting veio ao encontro daquilo que foi a opinião deste leão de bancada, e de muitos outros assinale-se, no início da época.

Bettencourt teve declarações ambíguas. Por um lado, fez o seu papel ao enaltecer a rectidão de Paulo Bento que sai, saliente-se, sem quaisquer custos acrescidos para o clube. Por outro lado, deixou-me no mínimo preocupado com a confissão de que nesta fase não existia ainda um plano B. Isto, caso esta declaração seja verdadeira. Contudo, a mudança era inevitável e desejável como aliás provam as boas notícias provenientes do mercado bolsista:
As acções do Sporting estão a subir mais de 8%, depois do anúncio da demissão de Paulo Bento, que foi revelado esta manhã pelo clube, em comunicado enviado à CMVM. Paulo Bento pediu a demissão por não estarem reunidas as condições para se manter no comando técnico da equipa, segundo o comunicado.

Relativamente ao futuro próximo, espero sinceramente que a escolha não venha a cair sobre Manuel Machado como muitos já profetizam. Seria mais um treinador sem dimensão, nem currículo para liderar um projecto ambicioso alicerçado numa equipa de futebol vencedora.
Se eu mandasse, o telefone deste horrível senhor como demonstro abaixo – o Holandês Leo Beenhakker – já tinha tocado durante o dia de hoje. É que nunca gostei de gajos bonitos…..

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A Noite – Sitiados




Como homenagem a João Aguardela - falecido em Janeiro último - deixo o tema com que os Sitiados participaram no 5º Concurso de Música Moderna do mítico Rock Rendez Vous em 1989.
Este original de Aguardela/Sitiados foi mais tarde gravado e celebrizado pelos Resistência através da voz inconfundível de Tim....

O Tempo

O Tempo sempre foi um bandido encapuçado. Em todas as circunstâncias. Para o bem e para o mal. A mim dá-me para inchar. Mas havia Pessoas para quem o Tempo não passava da mesma maneira. O seu sorriso, apesar de tudo, passava imune às agruras dos dias. Para essas vidas sobrenaturais o sacana do tempo não podia deixar marcas naquilo que têm de mais valioso: uma Alma Singular!..

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Portugal

Avivo no teu rosto o rosto que me deste,
E torno mais real o rosto que te dou.
Mostro aos olhos que não te desfigura
Quem te desfigurou.
Criatura da tua criatura,
Serás sempre o que sou.

E eu sou a liberdade dum perfil
Desenhado no mar.
Ondulo e permaneço.
Cavo, remo, imagino,
E descubro na bruma o meu destino
Que de antemão conheço:

Teimoso aventureiro da ilusão,
Surdo às razões do tempo e da fortuna,
Achar sem nunca achar o que procuro,
Exilado
Na gávea do futuro,
Mais alta ainda do que no passado.

Miguel Torga