Jeremias sobrevivia com a habitual perseverança aos ataques cínicos que o seu carácter despoletava. A corrosão era algo com que teve de aprender a lidar….
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
O Horizonte
Dissecava as minuciosidades sempre com harmonia. Representava a velha e encantadora idoneidade com estoicismo. Arrebatava facilmente quem se atravessasse pela frente. O seu deslumbramento funcionava como uma lanterna a piscar num horizonte longínquo…...
O Fascínio
Jeremias viva inebriado com o perfume daquela pétala irrequieta. Já não concebia a filosofia da vida sem aquela voracidade frenética. A velocidade estonteante com que eram quebradas as barreiras da aprendizagem ia muito para além do seu limitado universo….
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Ainda há quem acredite na história da carochinha
Laurentino Dias convicto de FC Porto-Benfica sem incidentes.
Talvez seja consequência da vinda de sua Eminência, o Papa, mas os nossos Governantes andam a ficar com convicções tão estapafúrdias que só podem mesmo ser justificadas por uma crença cega no divino….
Talvez seja consequência da vinda de sua Eminência, o Papa, mas os nossos Governantes andam a ficar com convicções tão estapafúrdias que só podem mesmo ser justificadas por uma crença cega no divino….
domingo, 25 de abril de 2010
25 De Abril
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
sexta-feira, 23 de abril de 2010
A Poesia
Em cada canto, um poeta
em cada lua, um trovador
ao menos dêem-nos letras
para a sopa dos pobres líricos.
O Poema como a voz do povo
a luz que incendeia as almas
o destino que submerge incauto
o fim que desafia a normalidade.
Um rascunho que não chegou a livro
com as palavras que nunca foram ditas….
em cada lua, um trovador
ao menos dêem-nos letras
para a sopa dos pobres líricos.
O Poema como a voz do povo
a luz que incendeia as almas
o destino que submerge incauto
o fim que desafia a normalidade.
Um rascunho que não chegou a livro
com as palavras que nunca foram ditas….
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Canção de Amor e Saúde + Ruínas + Pare, Escute, Olhe
Dois documentários e uma curta-metragem actualmente em exibição nas salas portuguesas e tudo devidamente apreciado num único post. É necessário poupar espaço virtual.
Começando pela curta de 30 minutos que aparece como complemento a Ruínas, João Nicolau apresenta “Canção de Amor e Saúde” uma onírica história de amor em que a câmara é manejada com inegável talento. No entanto o resultado final é algo insípido e inconsequente. Rodada no Porto entre o centro comercial Brasília e o Parque da Serralves mostra contudo algumas ideias interessantes das quais sobressai o fascínio do protagonista por uma máquina (foto abaixo) onde constantemente faz o teste do amor….
Manuel Mozos - um dos mais personalizados realizadores portugueses - continua a sua resistente caminhada pelo cinema Luso agora com Ruínas. Uma interessante descida aos confins perdidos de um Portugal esquecido, através da visita a alguns edifícios que foram um dia emblemáticos e que actualmente se encontram à beira da ruína e em acelerada decadência.
Com uma fotografia e sonoplastia assinaláveis o filme revela-nos por exemplo, entre outras realidades, o que resta de alguns dos teatros do Parque Mayer, do restaurante panorâmico de Monsanto, do Sanatório da Covilhã ou da Estação Ferroviária de Barca d'Alva.
Em suma, um belo poema sobre as cicatrizes progressivas deixadas pelo passar do tempo, escrito pela mão de um eterno combatente como é Manuel Mozos…..
Através de um documentário inquestionavelmente bem produzido e a que ninguém fica indiferente intitulado “Pare, Escute, Olhe”, Jorge Pelicano dedica à Região do Tua, muito justamente, um postal lindíssimo. E convém realçar que falamos de umas das mais belas Regiões de Portugal, o que só por si vale o preço do bilhete.
No entanto “Pare, Escute, Olhe” tem quanto a mim algumas evidentes fragilidades. A meio caminho da reportagem televisiva, o documentário é assolado de alguma demagogia a cair para o politicamente correcto. Por exemplo, a comparação com o turismo levado a cabo na Suíça é de uma imbecilidade gratuita e sem qualquer sentido. Trata-se de tentar comparar o incomparável. O facto de se valorizar os argumentos da associação ambientalista sem escalpelizar de forma mais sustentada as vantagens e desvantagens da construção da barragem também me parece um pouco precipitado e forçado. Falta ainda notoriamente dar voz à CP. Aos Caminhos de Ferro Portugueses são efectuadas acusações directas e indirectas e que justificavam e careciam de defesa. Ou seja, numa perspectiva fria e distante Pare, Escute, Olhe não é dos documentos intelectualmente mais honestos. Obviamente que estas lacunas não põem em causa a importância de pôr a nu as desigualdades que continuam a existir no Portugal do século XXI bem como ostracismo a que as populações da zona são abandonadas. E aí admito, o documentário cumpre o seu papel com eficácia e visível notoriedade…
Começando pela curta de 30 minutos que aparece como complemento a Ruínas, João Nicolau apresenta “Canção de Amor e Saúde” uma onírica história de amor em que a câmara é manejada com inegável talento. No entanto o resultado final é algo insípido e inconsequente. Rodada no Porto entre o centro comercial Brasília e o Parque da Serralves mostra contudo algumas ideias interessantes das quais sobressai o fascínio do protagonista por uma máquina (foto abaixo) onde constantemente faz o teste do amor….
Manuel Mozos - um dos mais personalizados realizadores portugueses - continua a sua resistente caminhada pelo cinema Luso agora com Ruínas. Uma interessante descida aos confins perdidos de um Portugal esquecido, através da visita a alguns edifícios que foram um dia emblemáticos e que actualmente se encontram à beira da ruína e em acelerada decadência.
Com uma fotografia e sonoplastia assinaláveis o filme revela-nos por exemplo, entre outras realidades, o que resta de alguns dos teatros do Parque Mayer, do restaurante panorâmico de Monsanto, do Sanatório da Covilhã ou da Estação Ferroviária de Barca d'Alva.
Em suma, um belo poema sobre as cicatrizes progressivas deixadas pelo passar do tempo, escrito pela mão de um eterno combatente como é Manuel Mozos…..
Através de um documentário inquestionavelmente bem produzido e a que ninguém fica indiferente intitulado “Pare, Escute, Olhe”, Jorge Pelicano dedica à Região do Tua, muito justamente, um postal lindíssimo. E convém realçar que falamos de umas das mais belas Regiões de Portugal, o que só por si vale o preço do bilhete.
No entanto “Pare, Escute, Olhe” tem quanto a mim algumas evidentes fragilidades. A meio caminho da reportagem televisiva, o documentário é assolado de alguma demagogia a cair para o politicamente correcto. Por exemplo, a comparação com o turismo levado a cabo na Suíça é de uma imbecilidade gratuita e sem qualquer sentido. Trata-se de tentar comparar o incomparável. O facto de se valorizar os argumentos da associação ambientalista sem escalpelizar de forma mais sustentada as vantagens e desvantagens da construção da barragem também me parece um pouco precipitado e forçado. Falta ainda notoriamente dar voz à CP. Aos Caminhos de Ferro Portugueses são efectuadas acusações directas e indirectas e que justificavam e careciam de defesa. Ou seja, numa perspectiva fria e distante Pare, Escute, Olhe não é dos documentos intelectualmente mais honestos. Obviamente que estas lacunas não põem em causa a importância de pôr a nu as desigualdades que continuam a existir no Portugal do século XXI bem como ostracismo a que as populações da zona são abandonadas. E aí admito, o documentário cumpre o seu papel com eficácia e visível notoriedade…
terça-feira, 20 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O Vulcão
Apesar da grave crise económica que atravessa a Islândia, afinal, continua a dar cartas. De erupção em erupção consegue levar a Europa ao desespero.
Se a nuvem maldita pairasse sobre Portugal da mesma forma que vem assolando o norte da Europa estaríamos praticamente isolados. Talvez assim se comece a pensar a sério em investir nas vias férreas de alta-velocidade - bem mais importante, mais premente e estrategicamente mais inteligente que um novo Aeroporto.
Já viajei diversas vezes de comboio por essa Europa fora e é por demais evidente que a esse nível Portugal está na cauda da cauda da Europa. E quem não percebe isto, não percebe nada….
Se a nuvem maldita pairasse sobre Portugal da mesma forma que vem assolando o norte da Europa estaríamos praticamente isolados. Talvez assim se comece a pensar a sério em investir nas vias férreas de alta-velocidade - bem mais importante, mais premente e estrategicamente mais inteligente que um novo Aeroporto.
Já viajei diversas vezes de comboio por essa Europa fora e é por demais evidente que a esse nível Portugal está na cauda da cauda da Europa. E quem não percebe isto, não percebe nada….
sábado, 17 de abril de 2010
Build e Caravan of love - The Housemartins
The Housemartins em dose dupla. Mais uma lendária Banda dos gloriosos anos 80. Além destes dois excelentes temas podíamos ainda referir Happy Hour ou Five Get Over Excited como outras boas recordações da banda inglesa….
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Chama-lhe um Figo
O único critério utilizado por Luís Figo na gestão da sua brilhante carreira futebolística foi o monetário. Também por isso, mas não só, encaro o seu Sportinguismo com relativa genuinidade. Acontece que Luís Figo afirma que apoiou Sócrates de forma descomprometida e sincera. Eu acredito, até porque não havia (nem há) alternativas credíveis a este Governo. Agora não me peçam para acreditar que aquele pequeno-almoço cirúrgico no último dia da Campanha não teve nada a ver com o contrato assinado com a TagusPark….
O Papa
Sua Santidade está para chegar. O Estado constitucionalmente Laico ajoelha-se perante sua eminência e não estou a falar de Pedofilia…
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Duas vezes nada
É assim, amiga. Encontramo-nos
quando calha nos bares de antigamente,
deixando que sobre o tampo azul
das mesas volte a pousar
um baço cemitério de garrafas.
Constatamos o pior, os seus aspectos.
Corpos e livros que foram ficando
por ler na voracidade da noite de Lisboa.
De facto, crescemos em alcoolémia,
acordamos tarde, em pânico,
e perdemos os dias e os dentes
com uma espécie de resignação.
Não temos, ao que parece, serventia.
Sorrimos um pouco, ao terceiro
gin, como quem renasce para a morte,
seus gestos de ternura ou de exuberância.
Talvez tenhamos calculado mal
o ângulo da queda, esta vitória
sem nobreza dos venenos todos.
Mas agora é tarde. Tudo fechou
para nós, para sempre. O amor,
o desejo, até o onanismo da destruição.
Antes de procurares a esmola
do último táxi, fica esta imagem
parada, a desvanecer-se
no frio mais frio da memória:
não dois corpos sentados a trocarem
medo, cigarros e palavras póstumas,
mas duas vezes nada, ninguém,
o silêncio da noite destronando
as cadeiras onde por razão nenhuma
nos sentámos. Os anos, amiga, passaram.
Manuel de Freitas
quando calha nos bares de antigamente,
deixando que sobre o tampo azul
das mesas volte a pousar
um baço cemitério de garrafas.
Constatamos o pior, os seus aspectos.
Corpos e livros que foram ficando
por ler na voracidade da noite de Lisboa.
De facto, crescemos em alcoolémia,
acordamos tarde, em pânico,
e perdemos os dias e os dentes
com uma espécie de resignação.
Não temos, ao que parece, serventia.
Sorrimos um pouco, ao terceiro
gin, como quem renasce para a morte,
seus gestos de ternura ou de exuberância.
Talvez tenhamos calculado mal
o ângulo da queda, esta vitória
sem nobreza dos venenos todos.
Mas agora é tarde. Tudo fechou
para nós, para sempre. O amor,
o desejo, até o onanismo da destruição.
Antes de procurares a esmola
do último táxi, fica esta imagem
parada, a desvanecer-se
no frio mais frio da memória:
não dois corpos sentados a trocarem
medo, cigarros e palavras póstumas,
mas duas vezes nada, ninguém,
o silêncio da noite destronando
as cadeiras onde por razão nenhuma
nos sentámos. Os anos, amiga, passaram.
Manuel de Freitas
terça-feira, 13 de abril de 2010
A Coragem
Jeremias somente possuía duas certezas. A primeira era que nada no mundo era perfeito. A segunda era que o poder corrompia.
Com o decorrer do tempo tinha perdido entusiasmo. Aquele ímpeto vagamente juvenil nunca mais se repetiria. A contrapartida era filha da bravura. A coragem é a derradeira âncora de todos os condenados….
Com o decorrer do tempo tinha perdido entusiasmo. Aquele ímpeto vagamente juvenil nunca mais se repetiria. A contrapartida era filha da bravura. A coragem é a derradeira âncora de todos os condenados….
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Diario di uno spettatore
Na sequência de post anterior fica também a magnífica curta em versão não legendada que Nanni Moretti levou para Cada um o seu cinema, filme de homenagem aos 60 anos do festival de Cannes:


Para visionar, é necessário entrar na imagem....
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