Estava prometida uma análise à péssima época do Grande Sporting. Agora que assegurámos um vergonhoso quarto lugar - curiosamente ou talvez não - com mais uma derrota é a altura ideal para o fazer. Talvez assim o meu coração de leão fique mais purificado.
Assim sendo, importa determinar sequencialmente no tempo os crassos erros estratégicos cometidos ao longo da temporada:
1) O primeiro e o mais grave equívoco pois condicionou inapelavelmente tudo o resto foi como é óbvio a continuidade da aposta em Paulo Bento para treinador quando era por demais evidente que o seu ciclo tinha chegado ao fim, como o próprio mais tarde admitiu;
2) O segundo erro crasso foi não ter investido mais em reforços de qualidade no início da época mesmo que a isso correspondesse um assinalável esforço financeiro. É verdade que Soares Franco - incompreensivelmente diga-se - não facilitou ao arrastar as eleições para Junho, dificultando assim a preparação da época também a esse nível;
3) O terceiro erro histórico - na minha óptica de treinador de bancada - foi ter deixado fugir Javier Saviola, um extraordinário jogador capaz de fazer a diferença, para os velhos rivais da segunda circular. Até porque hoje é do conhecimento público que o jogador foi oferecido ao Sporting. Além disso, havia verbas a receber do Real Madrid resultantes dos direitos de formação de Cristiano Ronaldo na milionária transferência do Machester United, o que poderia facilitar um eventual entendimento;
4) O último erro ocorreu em Novembro com a contratação do técnico Carlos Carvalhal, a prazo e com declarações presidenciais de amor ao anterior treinador pelo meio, quando a equipa e os adeptos necessitavam claramente de um treinador de créditos firmados que se impusesse de imediato e que entusiasmasse as hostes. Esse equívoco foi ainda mais notório quando se percebeu que na mesma altura apareceu dinheiro fresco para reforço da equipa. Ou seja, ainda hoje não se percebeu muito bem quem avalizou os reforços? Isto independentemente do inegável valor dos Jogadores. Aliás, espero muitas coisas boas de Pedro Mendes, João Pereira e Pongolle na próxima época.
Com esta ordem cronológica perdeu-se tudo o que havia para perder e foram-se defraudando progressivamente as expectativas da nação leonina. Obviamente que o péssimo timing e conteúdo de algumas declarações de José Eduardo Bettencourt ainda ajudaram mais à Hecatombe. Espero sinceramente que comece a medir melhor o que diz no futuro.
É difícil apontar pontos altos numa época tão tristonha mas sem dúvida que é de realçar o balão de oxigénio que em determinada altura representou a Liga Europa que fez encher Alvalade de cor e paixão no duelo com o Atlético de Madrid. Infelizmente, foi sol de pouca dura….