segunda-feira, 31 de maio de 2010

The Final Countdown – Europe



Mais uma incursão nos admiráveis anos 80. Viva o Revivalismo. Quem não abanou o capacete pelo menos uma vez ao som deste estrondoso êxito que atire a primeira pedra….

domingo, 30 de maio de 2010

Garras de Leão

O desporto nacional está de parabéns, particularmente o andebol do qual já fui entusiasta praticante no passado, com a vitória do Sporting na taça challenge tornando-se assim o primeiro clube português a vencer um troféu europeu nesta modalidade.
Ao vencer competições europeias em 4 desportos diferentes (Futebol, Andebol, Hóquei em patins e Atletismo) o Sporting recupera a marca do Ecletismo que sempre o notabilizou e escreve mais uma página dourada da sua história ao entrar no restrito número de clubes de elite que já o tenha conseguido.
Num ano de tão má memória futebolística, o meu sportinguismo finalmente rejubila e diga-se a verdade já era tempo do mal amado - muito por culpa própria, diga-se - José Eduardo Bettencourt ter direito a uma alegria.
Agora para confirmar esta tendência vencedora de fim de época falta "cair " a revalidação do campeonato de juniores de futebol e o nacional de futsal…

sábado, 29 de maio de 2010

Recônditas palavras

Inquietam-me as dedadas
de deus rente à raiz da carne, ao indeciso
equilíbrio da alma
na balança, à cicatriz
azul do céu sobre o destino.

O mar pneumático, ao sabor
do qual contra os sentidos se nos fazem
e desfazem as ávidas lembranças,
assalta-me os sentidos, tenebrosas

crateras escavadas
no espírito e através
das quais, incandescentes, as imagens
do mundo sobre ele próprio se derramam

como uma lava espessa, esses sentidos
que, como aéreos
estigmas, nos imprimem
na carne a cicatriz do céu, a indecisa
maneira de as imagens

do mundo se guindarem
mais alto do que a alma ou o alento
de quem dentro de nós
aviva a sua chama. O que nos sai
do coração vem a ferver.

A carne, ao rés
da qual o céu se encurva, báscula
que deus deixou nos arredores
dum qualquer lugarejo

a encher-se de ferrugem, cicatriz
pesada, combustível, com raiz
nas mais profundas trevas, a carne âncora
submersa no destino, ergue-se a pique

de novo onde as lembranças
se fazem e desfazem
com todo o azul do céu
lá dentro a procurar rompê-Ia.

Sentados no convés, como se fosse
já noite e nos soubesse
o pão ao ranço da memória, contemplamos
os rudes marinheiros.

Depois que pela encosta procurámos
em vão uma escada de que o último
degrau fosse já dentro da memória,
suspenso na memória,

desfaz-se-nos dos ossos
a carne, com o seu quê de lírico e festivo,
em áreas portuárias onde o mar
nos sai do coração para galgar o molhe,

e, agora que começam
os anos a pesar
mais para trás que para a frente, acodem-nos
recônditas palavras aos ouvidos:

«Fecharam-se-te os olhos e eu fiquei de fora»,

«Nas tuas mãos começa o precipício».

Luís Miguel Nava

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Mother – Uma Força Única

Realizado pelo sul coreano Bong Joon-ho este “Mother” ficou – confesso - abaixo das minhas expectativas. Isto, atendendo ao grande entusiasmo com que me tenho habituado a apreciar praticamente todo o cinema asiático.
Tem uma interpretação poderosa da versátil Hye-ja Kim no papel da Mãe-coragem (na foto) mas só isso não chega para fazer um inolvidável filme. Possui alguns planos interessantes, apresenta uma narrativa coerente, mas em termos gerais pareceu-me aqui ou ali algo desconexo.
Ainda assim “Mother” vale a pena pela extraordinária visão do instinto maternal levado ao limite da razoabilidade. Apesar de esta ser uma ideia recorrente, tem sempre associada uma ternura avassaladora que nos interroga e emociona…..

terça-feira, 25 de maio de 2010

Porque é que sou o Melhor do Mundo

A Lição

Jeremias não era o tipo de pessoa a quem eventuais repreensões totalitárias surtissem efeito. O seu rígido temperamento não tolerava intromissões abusivas, ainda para mais vindas de gente a quem não reconhecia capacidade para lhe ensinar algo. Mesmo nos casos em que havia esse reconhecimento intelectual era altamente céptico, pois nunca foi de navegar em verdades absolutas.
Jeremias gostava contudo de assimilar e compilar lições de vida. A última grande lição que tinha aprendido é que não se deve ousar ensinar algo a quem sabe mais que nós….

A Doca

domingo, 23 de maio de 2010

O Carreirista Supersónico (II)

Armando Vara na sequência da sua meteórica progressão social passou rapidamente de vendedor de bilhetes na ticket line para supervisor de carruagens da Carris, um lugar que ambicionava há muito e para o qual contou com a preciosa colaboração do director de recursos humanos da CP, Arnaldo Antunes, colega de carteira na escola primária de Vilar de Ossos de onde ambos eram naturais. Como facilmente se percebe, já com parca idade o menino Vara mostrava uma clara aptidão para aquilo que o notabilizaria mais tarde, ou seja, subir a qualquer custo sem qualquer tipo de preocupações éticas.
Logo na primeira semana em que supervisionava as carruagens do comboio Alfa pendular Lisboa-Porto, fiscalizando o trabalho efectuado pelos restantes trabalhadores do comboio, Armando Vara assistiu a uma prometedora conversa entre um Vereador de uma importante autarquia da Nação e um empresário de Construção Civil. Prometia na dita conversa, o primeiro ao segundo, tudo fazer para facilitar a adjudicação de obra de grande envergadura no Município a troco de mão de obra gratuita na construção de uma vivenda a localizar em área protegida, contando para esse efeito o Vereador com a habitual negligência e generosidade dos técnicos da Autarquia na aprovação das obras.
Viu logo aí o menino Vara – um oportunista ortodoxo - uma grande possibilidade para se imiscuir nos podres corredores do poder. Assim, rapidamente se apresentou, e logo convidou os dois novos comparsas para uma bebida no bar do comboio onde tencionava expor uma ideia que o perseguia há meses e que consistia em abrir uma empresa fictícia com sede nas ilhas Caimão destinada a encobrir negociatas obscuras em Portugal. Para que esse objectivo se concretizasse o jovem Vara precisava de algumas alianças nevrálgicas, e este improvável encontro com estes dois companheiros de depravação, poderia ser um bom presságio para o seu ansiado projecto.
No entanto, para seu desespero, quando diligentemente abria a porta do bar do comboio para os seus convidados passarem, a porta caiu desamparada acabando por atingir o Vereador da Câmara no rosto, que seguia imediatamente atrás, ferindo-o com alguma gravidade. Para piorar as coisas a queda da porta fez quebrar o vidro de uma janela cujos estilhaços atingiram o construtor civil. A marcha do comboio teve de ser imediatamente travada sendo despoletados os meios de emergência habituais face ao aparato do acidente. Como resultado dessa incidência, o comboio acabou por se atrasar de forma irremediável, chegando com horas de atraso ao Porto.
Os Comboios de Portugal acabaram por ter de pagar avultadas indemnizações a dois clientes que provaram em tribunal que o atraso verificado na viagem lhes causou prejuízos irreparáveis.
Foi esta a segunda grande trapalhada do menino Vara….

Pablo Picasso

sábado, 22 de maio de 2010

Eu Não Vou


O meu conceito de Festival é um pouco diferente. Com menos gente e mais conteúdo, inclusive a nível musical.
E já agora, caros senhores, peço-vos encarecidamente o favor de não me acordarem o puto de 8 meses com o vosso fogo de artifício.

EU NÃO VOU, precisamente porque continuo a acreditar e a ter esperança num mundo melhor…

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Desinspiração

Jeremias passava por uma fase de nítida falta de inspiração. As palavras não lhe sorriam. As mesmas palavras que vezes sem conta já o tinham algemado, conquistado, devastado, invadido, estrangulado, enfurecido, e muitas vezes liberto, não queriam, agora, nada com ele.
Jeremias como funcionário competente e dedicado da biblioteca itinerante da aldeia resignava-se à sua pobre e nova condição de desinspirado. Aguardava pacientemente na fila que o chamassem para receber o subsídio de desinspiração. A vida não estava para aventuras.….

Problema de Expressão – Clã

terça-feira, 18 de maio de 2010

O Homofóbico

Promulgo mas não aceito, digo que sim mas acho que não, sou um cretino mas quero ser reeleito…

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Desalento

Jeremias sentia uma tristeza proveniente bem lá do fundo da alma. Por experiências anteriores, já conhecia o seu significado, mas nada que igualasse aquele vazio interior. Até as paredes do estômago tremiam com o desencanto sombrio que lhe assolava o espírito.
Jeremias sabia que a vida podia ser madrasta e que quem anda à chuva molha-se, mas nunca tinha deparado com tamanho rolo compressor de confiança…

domingo, 16 de maio de 2010

A Promessa

Já encanta em Cannes “Copie Conforme", um dos filmes mais aguardados dos últimos tempos, que junta Abbas Kiarostami e Juliette Binoche na primeira longa-metragem do realizador iraniano rodada no Ocidente.
Para já temos este teaser e a coisa promete….

Pela noite à eterna dor se chega

Pela noite à eterna dor se chega
cruel é a terra, diversa terra
quando teu rosto se esvai
e a névoa com voz de pranto
cai jamais leve sobre nós.

De breve uso, cresce no peito
uma tímida pálida alegria
precioso corpo luz, borboleta
de asas nítidas e tranquilas
que vigia o coração dos mortos.

Diz-me secretas brandas palavras
porque sou refúgio e escombro
de um vasto dia, áspero exílio
nas suaves sílabas de precisos
e curvos juncos, clarão sem sol.

Desce então pelo fulgor da luz
espírito suspenso em minhas mãos.
A espera é movimento cego.
Desce, sonâmbulo, extenso amor.

Ana Marques Gastão

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Líbano

Depois de Estado de Guerra mais uma descida cinematográfica ao inferno com resultados convincentes. Tratando-se de filmes diferentes, atendendo à proximidade nos seus lançamentos, é impossível fugir à perspectiva de complementaridade e também à inevitável comparação entre os mesmos.

Líbano traça as angústias por que passam quatro soldados israelitas que sobrevivem literalmente dentro de um tanque de guerra, sendo esse o cenário nevrálgico para toda a narrativa.
Um sopro do novo cinema israelita que se saúda e que nos trás um olhar descomplexado para as feridas lançadas pelos eternos conflitos no Médio Oriente.
Atendendo ao facto de o filme ser baseado nas experiências traumáticas de guerra do próprio realizador, Samuel Maoz, saliente-se pela negativa a sugerida impreparação com que os soldados israelitas são lançados para o campo de batalha. Isto num País que se orgulha amiúde da sua capacidade bélica.

Sai-se de Líbano com o desconforto próprio de quem viveu de perto os horrores da guerra. E depois do épico Apocalipse Now, não há assim tantos filmes dentro do género que nos proporcionem esse contacto, ainda que ténue, com a aterradora realidade do matar ou morrer.
Líbano tem um fim esplêndido a roçar o sublime. A constrangedora ajuda que um combatente dá a um prisioneiro de guerra para este urinar, no meio de expressivos olhares que trocam, é a síntese perfeita para o sofrimento que aqueles homens vivem.
A cereja no topo do bolo chega com a última cena. Quando o soldado sai por fim do tanque, a visão deslumbrante de um magnífico campo de girassóis em toda a sua plenitude deixa os espectadores petrificados e entregues às suas próprias inquietações….

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Julgamento

Lili Caneças é multada pela lendária Emel por estacionar indevidamente a sua potente viatura na avenida da moda. Quando Lili olha para a multa deixada pelo zeloso funcionário da Emel pensa que é um cheque-brinde de uma das lojas de luxo que habitualmente frequenta, por isso ignora o seu conteúdo.
Decorridos vários meses é notificada para comparecer em tribunal com vista a ser julgada pela infracção cometida.
Quando o Juiz entra na sala, proclama como habitualmente: levante-se a Ré!
Lili Caneças permanece sentada e grita de forma exaltada perante o estupefacto Juiz: sente-se você seu anormal. Não sabe que mandar levantar uma Senhora é má educação? Não conhece as regras de Etiqueta, seu brutamontes…..

terça-feira, 11 de maio de 2010

Ai Jesus

Admito e reconheço sem dificuldades que errei ao avaliar incorrectamente Jorge Jesus. A verdade é que nunca me passou pela cabeça que por trás daquele discurso bobo tivesse um líder capaz de triunfar. Sempre vi Jorge Jesus como uma espécie de José Peseiro, um treinador entendido e competente mas a falhar nos momentos cruciais. Ou seja, esta dupla vitória (campeonato + taça da liga) é a prova provada que para ser treinador de sucesso é mais importante saber ler bem o jogo do que conjugar verbos.
É verdade que Jesus – curiosamente sportinguista de coração como é notório pelo que deixa sempre por dizer - teve muito provavelmente à sua disposição o melhor de todos os plantéis mas em nenhuma circunstância esse facto pode retirar-lhe o mérito pela apropriada gestão de balneário efectuada e pela entusiasmante qualidade futebolística apresentada pela sua equipa ao longo da temporada.
Mais expulsão, menos expulsão dos adversários, mais túnel, menos túnel, o que vai ficar para a história é a vitória justa do Benfica neste campeonato porque, independentemente de tudo o resto, foram melhores dentro das quatro linhas. E basta pensar no último título encarnado em 2005 e na taça da liga do ano passado para verificar que com o Benfica isso nem sempre acontece.
Posto isto, parabéns à lampionagem de um lagarto tristonho mas esperançado que para o ano outro Leão rugirá.…

Joana Vasconcelos