A singularidade é filha da mais pura das alienações....
terça-feira, 15 de junho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
O Ópio do Povo
A bola já começou a rolar na África do Sul. As expectativas para o desempenho da selecção portuguesa são modestas. As ausências de Bosingwa e Nani também não ajudam a animar as hostes. Quando estão em forma são de facto dois desequilibradores natos e um tipo de jogadores que não abundam na actual selecção.
No entanto a realidade é que Queiroz por tudo o que já deu ao futebol português merece, no mínimo, o benefício de dúvida. Lembre-se que durante a fase de apuramento 95 % da população portuguesa já tinha dado como certa a ausência no Mundial, isto sem falar da imprensa especializada que crucificou antecipadamente o treinador.
A verdade é que por lá andamos a sonhar, e se de facto caímos num grupo difícil também é verdade que continuamos a apresentar bons argumentos para poder ir longe.
Relativamente aos favoritos toda a gente aposta no quarteto Brasil, Espanha, Argentina e Inglaterra. A Argentina muito provavelmente será uma desilusão. A mágica arte de Maradona esgotou-se dentro das quatro linhas e um conjunto de inquestionáveis bons jogadores não faz uma equipa. A esses quatro favoritos é sempre de acrescentar os históricos, Alemanha e Itália.
Por outro lado, tenho a convicção que desta vez os Deuses do Futebol vão finalmente fazer justiça a uma selecção que há muito merece um título mundial sem nunca o ter conseguido. A excelência futebolística apresentada pela Holanda no somatório de todos os Mundiais há muito que justificava uma consagração à escala planetária. À imagem do País que representa, o futebol holandês assenta quase sempre numa doutrina libertina que enaltece o espectáculo. Por norma, as suas equipas valorizam o êxtase do golo em detrimento de aspectos mais conservadoramente tácticos. Nesta perspectiva, Robben e Sneidjer podem vir a ser os heróis desta sempre entusiasmante laranja mecânica….
No entanto a realidade é que Queiroz por tudo o que já deu ao futebol português merece, no mínimo, o benefício de dúvida. Lembre-se que durante a fase de apuramento 95 % da população portuguesa já tinha dado como certa a ausência no Mundial, isto sem falar da imprensa especializada que crucificou antecipadamente o treinador.
A verdade é que por lá andamos a sonhar, e se de facto caímos num grupo difícil também é verdade que continuamos a apresentar bons argumentos para poder ir longe.
Relativamente aos favoritos toda a gente aposta no quarteto Brasil, Espanha, Argentina e Inglaterra. A Argentina muito provavelmente será uma desilusão. A mágica arte de Maradona esgotou-se dentro das quatro linhas e um conjunto de inquestionáveis bons jogadores não faz uma equipa. A esses quatro favoritos é sempre de acrescentar os históricos, Alemanha e Itália.
Por outro lado, tenho a convicção que desta vez os Deuses do Futebol vão finalmente fazer justiça a uma selecção que há muito merece um título mundial sem nunca o ter conseguido. A excelência futebolística apresentada pela Holanda no somatório de todos os Mundiais há muito que justificava uma consagração à escala planetária. À imagem do País que representa, o futebol holandês assenta quase sempre numa doutrina libertina que enaltece o espectáculo. Por norma, as suas equipas valorizam o êxtase do golo em detrimento de aspectos mais conservadoramente tácticos. Nesta perspectiva, Robben e Sneidjer podem vir a ser os heróis desta sempre entusiasmante laranja mecânica….
sexta-feira, 11 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Pára com isso
Decidi deixar este delicioso post, muito curiosamente, na semana em que o melhor e mais completo tenista de todos os tempos - Roger Federer - perdeu o lugar de número 1 do ranking:
Não faz assim…
Roger, pode passar lá pegar o troféu, pega o cheque, e aposenta. Pára com isso….
P.S – Tem que ser visionado com som.
As velas da memória
Há nos silvos que as manhãs me trazem
chaminés que se desmoronam:
são a infância e a praia os sonhos de partida.
Abrir esse portão junto ao vento que a vida
aquém ou além desta me abre?
Em que outro mundo ouvi o rouxinol
tão leve que o voo lhe aumentava as asas?
Onde adiava ele a morte contra os dias
essa primeira morte?
Vinham núpcias sem conto na inconcebível voz
Que plenitude aquela: cantar
como quem não tivesse nenhum pensamento.
Quem me deixou de novo aqui sentado à sombra
deste mês de junho? Como te chamas tu
que me enfunas as velas da memória ventilando: «aquela vez...»?
Quando aonde foi em que país?
Que vento faz quebrar nas costas destes dias
as ondas de uma antiga música que ouvida
obriga a recuar a noite prometida
em círculos quebrados para além das dunas
fazendo regressar rebanhos de alegrias
abrindo em plena tarde um espaço ao amor?
Que morte vem matar a lábil curva da dor?
Que dor me faz doer de não ter mais que morrer?
E ouve-se o silêncio descer pelas vertentes da tarde
chegar à boca da noite e responder.
Ruy Belo
chaminés que se desmoronam:
são a infância e a praia os sonhos de partida.
Abrir esse portão junto ao vento que a vida
aquém ou além desta me abre?
Em que outro mundo ouvi o rouxinol
tão leve que o voo lhe aumentava as asas?
Onde adiava ele a morte contra os dias
essa primeira morte?
Vinham núpcias sem conto na inconcebível voz
Que plenitude aquela: cantar
como quem não tivesse nenhum pensamento.
Quem me deixou de novo aqui sentado à sombra
deste mês de junho? Como te chamas tu
que me enfunas as velas da memória ventilando: «aquela vez...»?
Quando aonde foi em que país?
Que vento faz quebrar nas costas destes dias
as ondas de uma antiga música que ouvida
obriga a recuar a noite prometida
em círculos quebrados para além das dunas
fazendo regressar rebanhos de alegrias
abrindo em plena tarde um espaço ao amor?
Que morte vem matar a lábil curva da dor?
Que dor me faz doer de não ter mais que morrer?
E ouve-se o silêncio descer pelas vertentes da tarde
chegar à boca da noite e responder.
Ruy Belo
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Polícia sem Lei
Não conheço na íntegra a obra de Werner Herzog, mas do que vi no passado a sua faceta cinematograficamente contemplativa talvez seja mais sedutora e atraente. Fiquei assim um pouco surpreendido com este Polícia sem Lei que tem como protagonista o multifacetado e extraordinário actor que é, sem dúvida, Nicolas Cage.
A narrativa localiza-se nos tempos subsequentes à tragédia provocada pelo furacão Katrina em Nova Orleães e explora as fragilidades de um Polícia que vive constantemente sob pressão e que recorre ao perigoso mundo das drogas para se manter à superfície. Um remake do filme realizado em 1992 por Abel Ferrara, então com outro grandessíssimo actor como protagonista - Harvey Keitel.
Sem ser um filme inesquecível, tem um interessante epílogo esta “thrilleirada” de Herzog com uma belíssima última cena……
A narrativa localiza-se nos tempos subsequentes à tragédia provocada pelo furacão Katrina em Nova Orleães e explora as fragilidades de um Polícia que vive constantemente sob pressão e que recorre ao perigoso mundo das drogas para se manter à superfície. Um remake do filme realizado em 1992 por Abel Ferrara, então com outro grandessíssimo actor como protagonista - Harvey Keitel.
Sem ser um filme inesquecível, tem um interessante epílogo esta “thrilleirada” de Herzog com uma belíssima última cena……
domingo, 6 de junho de 2010
Diário do Mundial ou o Jornalismo do Futuro
Cristiano Ronaldo acordou com insónias às quatro da manhã. Além de ter aproveitado para fazer o xixizinho da ordem, desceu até à cozinha onde confeccionou uma sandes de salsicha que prontamente marchou acompanhada por uma diet pepsi. No caminho de regresso para o seu quarto deparou-se com uma empregada de limpeza do hotel que lhe esboçou um sorriso. Entretanto Carlos Queiroz, enquanto repousa no seu leito africano, coça o dedo grande do pé esquerdo com assinalável destreza. Na manhã seguinte Liedson dá um autógrafo a um emigrante trabalhador da construção civil, isto, enquanto telefona para a avó doente que se encontra em Salvador da Bahia a convalescer de um pêlo encravado no ânus. Ao mesmo tempo, no percurso para o autocarro, Tiago aproveita para espirrar perante o olhar cúmplice de Simão Sabrosa. Mais tarde, durante o treino uma jovem adepta descendente de portugueses descuida-se e solta uns gases flatulentes….
sábado, 5 de junho de 2010
Dois Anos
Hoje o Hipocrisias Indígenas está de parabéns pois completa dois anos de pacata existência. Depois do primeiro aniversário eis que chegamos ao segundo num abrir e fechar de olhos. Foi um instantinho até chegar aqui. Tudo começou assim com o primeiro de muitos posts.
Os visitantes continuam a ser pouquinhos. Alguns são conhecidos para mim, outros desconhecidos, mas humanamente falando todos do melhor como se falasse de velhos amigos.
Por ora, o Hipocrisias Indígenas vai continuar vestido deste branco angelical. Isto, apesar do seu carácter intrinsecamente herege, mas ou muito me engano ou mais dia menos dia haverão novidades no Styling para ajudar a disfarçar a falta de qualidade a outros níveis.....
Os visitantes continuam a ser pouquinhos. Alguns são conhecidos para mim, outros desconhecidos, mas humanamente falando todos do melhor como se falasse de velhos amigos.
Por ora, o Hipocrisias Indígenas vai continuar vestido deste branco angelical. Isto, apesar do seu carácter intrinsecamente herege, mas ou muito me engano ou mais dia menos dia haverão novidades no Styling para ajudar a disfarçar a falta de qualidade a outros níveis.....
quinta-feira, 3 de junho de 2010
As Velhas Comadres
O PS apoia Manuel Alegre. Dentro do PS há quem não goste da ideia. Soares diz que é um grave erro mas - vá-se lá saber porquê - não explica os motivos. Acha que está mal porque está mal, pronto.
Alegre diz que erro foi a recandidatura de Soares em 2006. Eu que não votarei em Alegre nem em qualquer outro, acho que Soares fez muito bem em recandidatar-se em 2006. Seguiu como sempre o apelo da sua livre consciência. E se os Portugueses não fossem os preconceituosos que são – nesse caso relativamente ao natural envelhecimento de um homem que foi um dos principais rostos desta coisa que convencionámos chamar democracia e que assim como assim nos dá um certo jeito - a Presidência estaria outra vez muito bem entregue.
Independentemente disso, escrever um artigo em que o único propósito é lançar farpas sobre um presumível candidato da mesma área política é pouco credível para quem quer que seja.
À margem destes ressabiamentos entre velhas comadres, Cavaco sorri e contemporiza com calculismo o anúncio da recandidatura.
No fim, ganhará o inefável Professor Cavaco….
Alegre diz que erro foi a recandidatura de Soares em 2006. Eu que não votarei em Alegre nem em qualquer outro, acho que Soares fez muito bem em recandidatar-se em 2006. Seguiu como sempre o apelo da sua livre consciência. E se os Portugueses não fossem os preconceituosos que são – nesse caso relativamente ao natural envelhecimento de um homem que foi um dos principais rostos desta coisa que convencionámos chamar democracia e que assim como assim nos dá um certo jeito - a Presidência estaria outra vez muito bem entregue.
Independentemente disso, escrever um artigo em que o único propósito é lançar farpas sobre um presumível candidato da mesma área política é pouco credível para quem quer que seja.
À margem destes ressabiamentos entre velhas comadres, Cavaco sorri e contemporiza com calculismo o anúncio da recandidatura.
No fim, ganhará o inefável Professor Cavaco….
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Os Epitáfios agora com graçola (pouca)
Jeremias, quando finasse, gostaria de ser cremado. Não obstante isso, havia algumas frases que assentariam na perfeição inscritas na sua putativa lápide, situada em lugar central no cemitério da santa terrinha:
- Obrigado por terem vindo. Tenho a certeza absoluta que um dia voltarão.
- A morte é mais ou menos como a vida, só que um pouco mais aborrecida.
- Proibido rezar. Beatas aqui, só mesmo fumaças.
- Um verdadeiro misantropo nunca morre, reinventa-se.
- Mesmo aqui, continuo cercado de idiotas….
- Obrigado por terem vindo. Tenho a certeza absoluta que um dia voltarão.
- A morte é mais ou menos como a vida, só que um pouco mais aborrecida.
- Proibido rezar. Beatas aqui, só mesmo fumaças.
- Um verdadeiro misantropo nunca morre, reinventa-se.
- Mesmo aqui, continuo cercado de idiotas….
segunda-feira, 31 de maio de 2010
The Final Countdown – Europe
Mais uma incursão nos admiráveis anos 80. Viva o Revivalismo. Quem não abanou o capacete pelo menos uma vez ao som deste estrondoso êxito que atire a primeira pedra….
domingo, 30 de maio de 2010
Garras de Leão
O desporto nacional está de parabéns, particularmente o andebol do qual já fui entusiasta praticante no passado, com a vitória do Sporting na taça challenge tornando-se assim o primeiro clube português a vencer um troféu europeu nesta modalidade.
Ao vencer competições europeias em 4 desportos diferentes (Futebol, Andebol, Hóquei em patins e Atletismo) o Sporting recupera a marca do Ecletismo que sempre o notabilizou e escreve mais uma página dourada da sua história ao entrar no restrito número de clubes de elite que já o tenha conseguido.
Num ano de tão má memória futebolística, o meu sportinguismo finalmente rejubila e diga-se a verdade já era tempo do mal amado - muito por culpa própria, diga-se - José Eduardo Bettencourt ter direito a uma alegria.
Agora para confirmar esta tendência vencedora de fim de época falta "cair " a revalidação do campeonato de juniores de futebol e o nacional de futsal…
Ao vencer competições europeias em 4 desportos diferentes (Futebol, Andebol, Hóquei em patins e Atletismo) o Sporting recupera a marca do Ecletismo que sempre o notabilizou e escreve mais uma página dourada da sua história ao entrar no restrito número de clubes de elite que já o tenha conseguido.
Num ano de tão má memória futebolística, o meu sportinguismo finalmente rejubila e diga-se a verdade já era tempo do mal amado - muito por culpa própria, diga-se - José Eduardo Bettencourt ter direito a uma alegria.
Agora para confirmar esta tendência vencedora de fim de época falta "cair " a revalidação do campeonato de juniores de futebol e o nacional de futsal…
sábado, 29 de maio de 2010
Recônditas palavras
Inquietam-me as dedadas
de deus rente à raiz da carne, ao indeciso
equilíbrio da alma
na balança, à cicatriz
azul do céu sobre o destino.
O mar pneumático, ao sabor
do qual contra os sentidos se nos fazem
e desfazem as ávidas lembranças,
assalta-me os sentidos, tenebrosas
crateras escavadas
no espírito e através
das quais, incandescentes, as imagens
do mundo sobre ele próprio se derramam
como uma lava espessa, esses sentidos
que, como aéreos
estigmas, nos imprimem
na carne a cicatriz do céu, a indecisa
maneira de as imagens
do mundo se guindarem
mais alto do que a alma ou o alento
de quem dentro de nós
aviva a sua chama. O que nos sai
do coração vem a ferver.
A carne, ao rés
da qual o céu se encurva, báscula
que deus deixou nos arredores
dum qualquer lugarejo
a encher-se de ferrugem, cicatriz
pesada, combustível, com raiz
nas mais profundas trevas, a carne âncora
submersa no destino, ergue-se a pique
de novo onde as lembranças
se fazem e desfazem
com todo o azul do céu
lá dentro a procurar rompê-Ia.
Sentados no convés, como se fosse
já noite e nos soubesse
o pão ao ranço da memória, contemplamos
os rudes marinheiros.
Depois que pela encosta procurámos
em vão uma escada de que o último
degrau fosse já dentro da memória,
suspenso na memória,
desfaz-se-nos dos ossos
a carne, com o seu quê de lírico e festivo,
em áreas portuárias onde o mar
nos sai do coração para galgar o molhe,
e, agora que começam
os anos a pesar
mais para trás que para a frente, acodem-nos
recônditas palavras aos ouvidos:
«Fecharam-se-te os olhos e eu fiquei de fora»,
«Nas tuas mãos começa o precipício».
Luís Miguel Nava
de deus rente à raiz da carne, ao indeciso
equilíbrio da alma
na balança, à cicatriz
azul do céu sobre o destino.
O mar pneumático, ao sabor
do qual contra os sentidos se nos fazem
e desfazem as ávidas lembranças,
assalta-me os sentidos, tenebrosas
crateras escavadas
no espírito e através
das quais, incandescentes, as imagens
do mundo sobre ele próprio se derramam
como uma lava espessa, esses sentidos
que, como aéreos
estigmas, nos imprimem
na carne a cicatriz do céu, a indecisa
maneira de as imagens
do mundo se guindarem
mais alto do que a alma ou o alento
de quem dentro de nós
aviva a sua chama. O que nos sai
do coração vem a ferver.
A carne, ao rés
da qual o céu se encurva, báscula
que deus deixou nos arredores
dum qualquer lugarejo
a encher-se de ferrugem, cicatriz
pesada, combustível, com raiz
nas mais profundas trevas, a carne âncora
submersa no destino, ergue-se a pique
de novo onde as lembranças
se fazem e desfazem
com todo o azul do céu
lá dentro a procurar rompê-Ia.
Sentados no convés, como se fosse
já noite e nos soubesse
o pão ao ranço da memória, contemplamos
os rudes marinheiros.
Depois que pela encosta procurámos
em vão uma escada de que o último
degrau fosse já dentro da memória,
suspenso na memória,
desfaz-se-nos dos ossos
a carne, com o seu quê de lírico e festivo,
em áreas portuárias onde o mar
nos sai do coração para galgar o molhe,
e, agora que começam
os anos a pesar
mais para trás que para a frente, acodem-nos
recônditas palavras aos ouvidos:
«Fecharam-se-te os olhos e eu fiquei de fora»,
«Nas tuas mãos começa o precipício».
Luís Miguel Nava
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Mother – Uma Força Única
Realizado pelo sul coreano Bong Joon-ho este “Mother” ficou – confesso - abaixo das minhas expectativas. Isto, atendendo ao grande entusiasmo com que me tenho habituado a apreciar praticamente todo o cinema asiático.
Tem uma interpretação poderosa da versátil Hye-ja Kim no papel da Mãe-coragem (na foto) mas só isso não chega para fazer um inolvidável filme. Possui alguns planos interessantes, apresenta uma narrativa coerente, mas em termos gerais pareceu-me aqui ou ali algo desconexo.
Ainda assim “Mother” vale a pena pela extraordinária visão do instinto maternal levado ao limite da razoabilidade. Apesar de esta ser uma ideia recorrente, tem sempre associada uma ternura avassaladora que nos interroga e emociona…..
Tem uma interpretação poderosa da versátil Hye-ja Kim no papel da Mãe-coragem (na foto) mas só isso não chega para fazer um inolvidável filme. Possui alguns planos interessantes, apresenta uma narrativa coerente, mas em termos gerais pareceu-me aqui ou ali algo desconexo.
Ainda assim “Mother” vale a pena pela extraordinária visão do instinto maternal levado ao limite da razoabilidade. Apesar de esta ser uma ideia recorrente, tem sempre associada uma ternura avassaladora que nos interroga e emociona…..
terça-feira, 25 de maio de 2010
A Lição
Jeremias não era o tipo de pessoa a quem eventuais repreensões totalitárias surtissem efeito. O seu rígido temperamento não tolerava intromissões abusivas, ainda para mais vindas de gente a quem não reconhecia capacidade para lhe ensinar algo. Mesmo nos casos em que havia esse reconhecimento intelectual era altamente céptico, pois nunca foi de navegar em verdades absolutas.
Jeremias gostava contudo de assimilar e compilar lições de vida. A última grande lição que tinha aprendido é que não se deve ousar ensinar algo a quem sabe mais que nós….
domingo, 23 de maio de 2010
O Carreirista Supersónico (II)
Armando Vara na sequência da sua meteórica progressão social passou rapidamente de vendedor de bilhetes na ticket line para supervisor de carruagens da Carris, um lugar que ambicionava há muito e para o qual contou com a preciosa colaboração do director de recursos humanos da CP, Arnaldo Antunes, colega de carteira na escola primária de Vilar de Ossos de onde ambos eram naturais. Como facilmente se percebe, já com parca idade o menino Vara mostrava uma clara aptidão para aquilo que o notabilizaria mais tarde, ou seja, subir a qualquer custo sem qualquer tipo de preocupações éticas.
Logo na primeira semana em que supervisionava as carruagens do comboio Alfa pendular Lisboa-Porto, fiscalizando o trabalho efectuado pelos restantes trabalhadores do comboio, Armando Vara assistiu a uma prometedora conversa entre um Vereador de uma importante autarquia da Nação e um empresário de Construção Civil. Prometia na dita conversa, o primeiro ao segundo, tudo fazer para facilitar a adjudicação de obra de grande envergadura no Município a troco de mão de obra gratuita na construção de uma vivenda a localizar em área protegida, contando para esse efeito o Vereador com a habitual negligência e generosidade dos técnicos da Autarquia na aprovação das obras.
Viu logo aí o menino Vara – um oportunista ortodoxo - uma grande possibilidade para se imiscuir nos podres corredores do poder. Assim, rapidamente se apresentou, e logo convidou os dois novos comparsas para uma bebida no bar do comboio onde tencionava expor uma ideia que o perseguia há meses e que consistia em abrir uma empresa fictícia com sede nas ilhas Caimão destinada a encobrir negociatas obscurasem Portugal. Para que esse objectivo se concretizasse o jovem Vara precisava de algumas alianças nevrálgicas, e este improvável encontro com estes dois companheiros de depravação, poderia ser um bom presságio para o seu ansiado projecto.
No entanto, para seu desespero, quando diligentemente abria a porta do bar do comboio para os seus convidados passarem, a porta caiu desamparada acabando por atingir o Vereador da Câmara no rosto, que seguia imediatamente atrás, ferindo-o com alguma gravidade. Para piorar as coisas a queda da porta fez quebrar o vidro de uma janela cujos estilhaços atingiram o construtor civil. A marcha do comboio teve de ser imediatamente travada sendo despoletados os meios de emergência habituais face ao aparato do acidente. Como resultado dessa incidência, o comboio acabou por se atrasar de forma irremediável, chegando com horas de atraso ao Porto.
Os Comboios de Portugal acabaram por ter de pagar avultadas indemnizações a dois clientes que provaram em tribunal que o atraso verificado na viagem lhes causou prejuízos irreparáveis.
Foi esta a segunda grande trapalhada do menino Vara….
Logo na primeira semana em que supervisionava as carruagens do comboio Alfa pendular Lisboa-Porto, fiscalizando o trabalho efectuado pelos restantes trabalhadores do comboio, Armando Vara assistiu a uma prometedora conversa entre um Vereador de uma importante autarquia da Nação e um empresário de Construção Civil. Prometia na dita conversa, o primeiro ao segundo, tudo fazer para facilitar a adjudicação de obra de grande envergadura no Município a troco de mão de obra gratuita na construção de uma vivenda a localizar em área protegida, contando para esse efeito o Vereador com a habitual negligência e generosidade dos técnicos da Autarquia na aprovação das obras.
Viu logo aí o menino Vara – um oportunista ortodoxo - uma grande possibilidade para se imiscuir nos podres corredores do poder. Assim, rapidamente se apresentou, e logo convidou os dois novos comparsas para uma bebida no bar do comboio onde tencionava expor uma ideia que o perseguia há meses e que consistia em abrir uma empresa fictícia com sede nas ilhas Caimão destinada a encobrir negociatas obscuras
No entanto, para seu desespero, quando diligentemente abria a porta do bar do comboio para os seus convidados passarem, a porta caiu desamparada acabando por atingir o Vereador da Câmara no rosto, que seguia imediatamente atrás, ferindo-o com alguma gravidade. Para piorar as coisas a queda da porta fez quebrar o vidro de uma janela cujos estilhaços atingiram o construtor civil. A marcha do comboio teve de ser imediatamente travada sendo despoletados os meios de emergência habituais face ao aparato do acidente. Como resultado dessa incidência, o comboio acabou por se atrasar de forma irremediável, chegando com horas de atraso ao Porto.
Os Comboios de Portugal acabaram por ter de pagar avultadas indemnizações a dois clientes que provaram em tribunal que o atraso verificado na viagem lhes causou prejuízos irreparáveis.
Foi esta a segunda grande trapalhada do menino Vara….
sábado, 22 de maio de 2010
Eu Não Vou
O meu conceito de Festival é um pouco diferente. Com menos gente e mais conteúdo, inclusive a nível musical.
E já agora, caros senhores, peço-vos encarecidamente o favor de não me acordarem o puto de 8 meses com o vosso fogo de artifício.
EU NÃO VOU, precisamente porque continuo a acreditar e a ter esperança num mundo melhor…
E já agora, caros senhores, peço-vos encarecidamente o favor de não me acordarem o puto de 8 meses com o vosso fogo de artifício.
EU NÃO VOU, precisamente porque continuo a acreditar e a ter esperança num mundo melhor…
quinta-feira, 20 de maio de 2010
A Desinspiração
Jeremias passava por uma fase de nítida falta de inspiração. As palavras não lhe sorriam. As mesmas palavras que vezes sem conta já o tinham algemado, conquistado, devastado, invadido, estrangulado, enfurecido, e muitas vezes liberto, não queriam, agora, nada com ele.
Jeremias como funcionário competente e dedicado da biblioteca itinerante da aldeia resignava-se à sua pobre e nova condição de desinspirado. Aguardava pacientemente na fila que o chamassem para receber o subsídio de desinspiração. A vida não estava para aventuras.….
Jeremias como funcionário competente e dedicado da biblioteca itinerante da aldeia resignava-se à sua pobre e nova condição de desinspirado. Aguardava pacientemente na fila que o chamassem para receber o subsídio de desinspiração. A vida não estava para aventuras.….
terça-feira, 18 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
O Desalento
Jeremias sentia uma tristeza proveniente bem lá do fundo da alma. Por experiências anteriores, já conhecia o seu significado, mas nada que igualasse aquele vazio interior. Até as paredes do estômago tremiam com o desencanto sombrio que lhe assolava o espírito.
Jeremias sabia que a vida podia ser madrasta e que quem anda à chuva molha-se, mas nunca tinha deparado com tamanho rolo compressor de confiança…
Jeremias sabia que a vida podia ser madrasta e que quem anda à chuva molha-se, mas nunca tinha deparado com tamanho rolo compressor de confiança…
domingo, 16 de maio de 2010
A Promessa
Já encanta em Cannes “Copie Conforme", um dos filmes mais aguardados dos últimos tempos, que junta Abbas Kiarostami e Juliette Binoche na primeira longa-metragem do realizador iraniano rodada no Ocidente.
Para já temos este teaser e a coisa promete….
Para já temos este teaser e a coisa promete….
Pela noite à eterna dor se chega
Pela noite à eterna dor se chega
cruel é a terra, diversa terra
quando teu rosto se esvai
e a névoa com voz de pranto
cai jamais leve sobre nós.
De breve uso, cresce no peito
uma tímida pálida alegria
precioso corpo luz, borboleta
de asas nítidas e tranquilas
que vigia o coração dos mortos.
Diz-me secretas brandas palavras
porque sou refúgio e escombro
de um vasto dia, áspero exílio
nas suaves sílabas de precisos
e curvos juncos, clarão sem sol.
Desce então pelo fulgor da luz
espírito suspenso em minhas mãos.
A espera é movimento cego.
Desce, sonâmbulo, extenso amor.
Ana Marques Gastão
cruel é a terra, diversa terra
quando teu rosto se esvai
e a névoa com voz de pranto
cai jamais leve sobre nós.
De breve uso, cresce no peito
uma tímida pálida alegria
precioso corpo luz, borboleta
de asas nítidas e tranquilas
que vigia o coração dos mortos.
Diz-me secretas brandas palavras
porque sou refúgio e escombro
de um vasto dia, áspero exílio
nas suaves sílabas de precisos
e curvos juncos, clarão sem sol.
Desce então pelo fulgor da luz
espírito suspenso em minhas mãos.
A espera é movimento cego.
Desce, sonâmbulo, extenso amor.
Ana Marques Gastão
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Líbano
Depois de Estado de Guerra mais uma descida cinematográfica ao inferno com resultados convincentes. Tratando-se de filmes diferentes, atendendo à proximidade nos seus lançamentos, é impossível fugir à perspectiva de complementaridade e também à inevitável comparação entre os mesmos.
Líbano traça as angústias por que passam quatro soldados israelitas que sobrevivem literalmente dentro de um tanque de guerra, sendo esse o cenário nevrálgico para toda a narrativa.
Um sopro do novo cinema israelita que se saúda e que nos trás um olhar descomplexado para as feridas lançadas pelos eternos conflitos no Médio Oriente.
Atendendo ao facto de o filme ser baseado nas experiências traumáticas de guerra do próprio realizador, Samuel Maoz, saliente-se pela negativa a sugerida impreparação com que os soldados israelitas são lançados para o campo de batalha. Isto num País que se orgulha amiúde da sua capacidade bélica.
Sai-se de Líbano com o desconforto próprio de quem viveu de perto os horrores da guerra. E depois do épico Apocalipse Now, não há assim tantos filmes dentro do género que nos proporcionem esse contacto, ainda que ténue, com a aterradora realidade do matar ou morrer.
Líbano tem um fim esplêndido a roçar o sublime. A constrangedora ajuda que um combatente dá a um prisioneiro de guerra para este urinar, no meio de expressivos olhares que trocam, é a síntese perfeita para o sofrimento que aqueles homens vivem.
A cereja no topo do bolo chega com a última cena. Quando o soldado sai por fim do tanque, a visão deslumbrante de um magnífico campo de girassóis em toda a sua plenitude deixa os espectadores petrificados e entregues às suas próprias inquietações….
Líbano traça as angústias por que passam quatro soldados israelitas que sobrevivem literalmente dentro de um tanque de guerra, sendo esse o cenário nevrálgico para toda a narrativa.
Um sopro do novo cinema israelita que se saúda e que nos trás um olhar descomplexado para as feridas lançadas pelos eternos conflitos no Médio Oriente.
Atendendo ao facto de o filme ser baseado nas experiências traumáticas de guerra do próprio realizador, Samuel Maoz, saliente-se pela negativa a sugerida impreparação com que os soldados israelitas são lançados para o campo de batalha. Isto num País que se orgulha amiúde da sua capacidade bélica.
Sai-se de Líbano com o desconforto próprio de quem viveu de perto os horrores da guerra. E depois do épico Apocalipse Now, não há assim tantos filmes dentro do género que nos proporcionem esse contacto, ainda que ténue, com a aterradora realidade do matar ou morrer.
Líbano tem um fim esplêndido a roçar o sublime. A constrangedora ajuda que um combatente dá a um prisioneiro de guerra para este urinar, no meio de expressivos olhares que trocam, é a síntese perfeita para o sofrimento que aqueles homens vivem.
A cereja no topo do bolo chega com a última cena. Quando o soldado sai por fim do tanque, a visão deslumbrante de um magnífico campo de girassóis em toda a sua plenitude deixa os espectadores petrificados e entregues às suas próprias inquietações….
quarta-feira, 12 de maio de 2010
O Julgamento
Lili Caneças é multada pela lendária Emel por estacionar indevidamente a sua potente viatura na avenida da moda. Quando Lili olha para a multa deixada pelo zeloso funcionário da Emel pensa que é um cheque-brinde de uma das lojas de luxo que habitualmente frequenta, por isso ignora o seu conteúdo.
Decorridos vários meses é notificada para comparecer em tribunal com vista a ser julgada pela infracção cometida.
Quando o Juiz entra na sala, proclama como habitualmente: levante-se a Ré!
Lili Caneças permanece sentada e grita de forma exaltada perante o estupefacto Juiz: sente-se você seu anormal. Não sabe que mandar levantar uma Senhora é má educação? Não conhece as regras de Etiqueta, seu brutamontes…..
Decorridos vários meses é notificada para comparecer em tribunal com vista a ser julgada pela infracção cometida.
Quando o Juiz entra na sala, proclama como habitualmente: levante-se a Ré!
Lili Caneças permanece sentada e grita de forma exaltada perante o estupefacto Juiz: sente-se você seu anormal. Não sabe que mandar levantar uma Senhora é má educação? Não conhece as regras de Etiqueta, seu brutamontes…..
terça-feira, 11 de maio de 2010
Ai Jesus
Admito e reconheço sem dificuldades que errei ao avaliar incorrectamente Jorge Jesus. A verdade é que nunca me passou pela cabeça que por trás daquele discurso bobo tivesse um líder capaz de triunfar. Sempre vi Jorge Jesus como uma espécie de José Peseiro, um treinador entendido e competente mas a falhar nos momentos cruciais. Ou seja, esta dupla vitória (campeonato + taça da liga) é a prova provada que para ser treinador de sucesso é mais importante saber ler bem o jogo do que conjugar verbos.
É verdade que Jesus – curiosamente sportinguista de coração como é notório pelo que deixa sempre por dizer - teve muito provavelmente à sua disposição o melhor de todos os plantéis mas em nenhuma circunstância esse facto pode retirar-lhe o mérito pela apropriada gestão de balneário efectuada e pela entusiasmante qualidade futebolística apresentada pela sua equipa ao longo da temporada.
Mais expulsão, menos expulsão dos adversários, mais túnel, menos túnel, o que vai ficar para a história é a vitória justa do Benfica neste campeonato porque, independentemente de tudo o resto, foram melhores dentro das quatro linhas. E basta pensar no último título encarnado em 2005 e na taça da liga do ano passado para verificar que com o Benfica isso nem sempre acontece.
Posto isto, parabéns à lampionagem de um lagarto tristonho mas esperançado que para o ano outro Leão rugirá.…
É verdade que Jesus – curiosamente sportinguista de coração como é notório pelo que deixa sempre por dizer - teve muito provavelmente à sua disposição o melhor de todos os plantéis mas em nenhuma circunstância esse facto pode retirar-lhe o mérito pela apropriada gestão de balneário efectuada e pela entusiasmante qualidade futebolística apresentada pela sua equipa ao longo da temporada.
Mais expulsão, menos expulsão dos adversários, mais túnel, menos túnel, o que vai ficar para a história é a vitória justa do Benfica neste campeonato porque, independentemente de tudo o resto, foram melhores dentro das quatro linhas. E basta pensar no último título encarnado em 2005 e na taça da liga do ano passado para verificar que com o Benfica isso nem sempre acontece.
Posto isto, parabéns à lampionagem de um lagarto tristonho mas esperançado que para o ano outro Leão rugirá.…
domingo, 9 de maio de 2010
O Título
Nunca gostei muito de futebol. É um desporto com demasiado contacto físico tendencialmente violento....
sábado, 8 de maio de 2010
O Carreirista Supersónico
Armando Vara – um jovem ambicioso – antes de atingir outros patamares na sua supersónica carreira que o levariam a Governador do Banco Central Europeu, começou como vendedor de bilhetes na ticket line.
Um dia, enquanto sonhava com caixas de robalos fresquinhos, entregou por pura distracção bilhetes para a ópera no São Carlos a quem pretendia adquirir ingressos para mais um concerto do mítico Toni Carreira no Pavilhão Atlântico.
Na sequência deste insólito acontecimento, o Barbeiro de Sevilha foi interrompido logo no seu início quando duas velhinhas histéricas subiram ao palco de soutien na cabeça, correndo atrás dos atónitos protagonistas da célebre ópera. As duas anciãs, ambas com problemas de visão, pensavam que estavam a perseguir o grande Toni.
Foi esta a primeira grande trapalhada do menino Vara……
Um dia, enquanto sonhava com caixas de robalos fresquinhos, entregou por pura distracção bilhetes para a ópera no São Carlos a quem pretendia adquirir ingressos para mais um concerto do mítico Toni Carreira no Pavilhão Atlântico.
Na sequência deste insólito acontecimento, o Barbeiro de Sevilha foi interrompido logo no seu início quando duas velhinhas histéricas subiram ao palco de soutien na cabeça, correndo atrás dos atónitos protagonistas da célebre ópera. As duas anciãs, ambas com problemas de visão, pensavam que estavam a perseguir o grande Toni.
Foi esta a primeira grande trapalhada do menino Vara……
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Compra-se Fé
Não me digam que mesmo com tanta “intolerância” de ponto ainda necessitam de mais pessoal para compor o ramalhete para Sua Santidade. E o pormenor da t-shirt alusiva ao evento fará certamente toda a diferença. Este País não passa de um evento, um enorme e estúpido evento.
Eu ando tão chateado com o Sporting – a minha única religião – que mesmo muito bondosamente pago não me apanhavam em Matosinhos para a última jornada da Liga....
terça-feira, 4 de maio de 2010
O Exagero
Jeremias era versado no exagero. Sabia contudo vagamente que a ficção por mais amplificada que fosse nunca se compararia à realidade. A criatividade era filha de um talento que era para si desconhecido.
Como um vagabundo impoluto na peugada de um poeta solitário, Jeremias perseguia a sina na esperança de esta lhe cuspir na cara.
Como um bom cristão que esperava a chegada de Sua Santidade, o Papa, Jeremias não conseguia resistir à tentação de cair no manifesto exagero……
Como um vagabundo impoluto na peugada de um poeta solitário, Jeremias perseguia a sina na esperança de esta lhe cuspir na cara.
Como um bom cristão que esperava a chegada de Sua Santidade, o Papa, Jeremias não conseguia resistir à tentação de cair no manifesto exagero……
Maio Maduro Maio
Maio maduro Maio, quem te pintou?
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou.
Raiava o sol já no Sul.
E uma falua vinha lá de Istambul.
Sempre depois da sesta chamando as flores.
Era o dia da festa Maio de amores.
Era o dia de cantar.
E uma falua andava ao longe a varar.
Maio com meu amigo quem dera já.
Sempre no mês do trigo se cantará.
Qu’importa a fúria do mar.
Que a voz não te esmoreça vamos lutar.
Numa rua comprida El-rei pastor.
Vende o soro da vida que mata a dor.
Anda ver, Maio nasceu.
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu.
Zeca Afonso
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou.
Raiava o sol já no Sul.
E uma falua vinha lá de Istambul.
Sempre depois da sesta chamando as flores.
Era o dia da festa Maio de amores.
Era o dia de cantar.
E uma falua andava ao longe a varar.
Maio com meu amigo quem dera já.
Sempre no mês do trigo se cantará.
Qu’importa a fúria do mar.
Que a voz não te esmoreça vamos lutar.
Numa rua comprida El-rei pastor.
Vende o soro da vida que mata a dor.
Anda ver, Maio nasceu.
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu.
Zeca Afonso
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Catarse Leonina
Estava prometida uma análise à péssima época do Grande Sporting. Agora que assegurámos um vergonhoso quarto lugar - curiosamente ou talvez não - com mais uma derrota é a altura ideal para o fazer. Talvez assim o meu coração de leão fique mais purificado.
Assim sendo, importa determinar sequencialmente no tempo os crassos erros estratégicos cometidos ao longo da temporada:
1) O primeiro e o mais grave equívoco pois condicionou inapelavelmente tudo o resto foi como é óbvio a continuidade da aposta em Paulo Bento para treinador quando era por demais evidente que o seu ciclo tinha chegado ao fim, como o próprio mais tarde admitiu;
2) O segundo erro crasso foi não ter investido mais em reforços de qualidade no início da época mesmo que a isso correspondesse um assinalável esforço financeiro. É verdade que Soares Franco - incompreensivelmente diga-se - não facilitou ao arrastar as eleições para Junho, dificultando assim a preparação da época também a esse nível;
3) O terceiro erro histórico - na minha óptica de treinador de bancada - foi ter deixado fugir Javier Saviola, um extraordinário jogador capaz de fazer a diferença, para os velhos rivais da segunda circular. Até porque hoje é do conhecimento público que o jogador foi oferecido ao Sporting. Além disso, havia verbas a receber do Real Madrid resultantes dos direitos de formação de Cristiano Ronaldo na milionária transferência do Machester United, o que poderia facilitar um eventual entendimento;
4) O último erro ocorreu em Novembro com a contratação do técnico Carlos Carvalhal, a prazo e com declarações presidenciais de amor ao anterior treinador pelo meio, quando a equipa e os adeptos necessitavam claramente de um treinador de créditos firmados que se impusesse de imediato e que entusiasmasse as hostes. Esse equívoco foi ainda mais notório quando se percebeu que na mesma altura apareceu dinheiro fresco para reforço da equipa. Ou seja, ainda hoje não se percebeu muito bem quem avalizou os reforços? Isto independentemente do inegável valor dos Jogadores. Aliás, espero muitas coisas boas de Pedro Mendes, João Pereira e Pongolle na próxima época.
Com esta ordem cronológica perdeu-se tudo o que havia para perder e foram-se defraudando progressivamente as expectativas da nação leonina. Obviamente que o péssimo timing e conteúdo de algumas declarações de José Eduardo Bettencourt ainda ajudaram mais à Hecatombe. Espero sinceramente que comece a medir melhor o que diz no futuro.
É difícil apontar pontos altos numa época tão tristonha mas sem dúvida que é de realçar o balão de oxigénio que em determinada altura representou a Liga Europa que fez encher Alvalade de cor e paixão no duelo com o Atlético de Madrid. Infelizmente, foi sol de pouca dura….
sexta-feira, 30 de abril de 2010
A Corrosão
Jeremias sobrevivia com a habitual perseverança aos ataques cínicos que o seu carácter despoletava. A corrosão era algo com que teve de aprender a lidar….
quinta-feira, 29 de abril de 2010
O Horizonte
Dissecava as minuciosidades sempre com harmonia. Representava a velha e encantadora idoneidade com estoicismo. Arrebatava facilmente quem se atravessasse pela frente. O seu deslumbramento funcionava como uma lanterna a piscar num horizonte longínquo…...
O Fascínio
Jeremias viva inebriado com o perfume daquela pétala irrequieta. Já não concebia a filosofia da vida sem aquela voracidade frenética. A velocidade estonteante com que eram quebradas as barreiras da aprendizagem ia muito para além do seu limitado universo….
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Ainda há quem acredite na história da carochinha
Laurentino Dias convicto de FC Porto-Benfica sem incidentes.
Talvez seja consequência da vinda de sua Eminência, o Papa, mas os nossos Governantes andam a ficar com convicções tão estapafúrdias que só podem mesmo ser justificadas por uma crença cega no divino….
Talvez seja consequência da vinda de sua Eminência, o Papa, mas os nossos Governantes andam a ficar com convicções tão estapafúrdias que só podem mesmo ser justificadas por uma crença cega no divino….
domingo, 25 de abril de 2010
25 De Abril
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
sexta-feira, 23 de abril de 2010
A Poesia
Em cada canto, um poeta
em cada lua, um trovador
ao menos dêem-nos letras
para a sopa dos pobres líricos.
O Poema como a voz do povo
a luz que incendeia as almas
o destino que submerge incauto
o fim que desafia a normalidade.
Um rascunho que não chegou a livro
com as palavras que nunca foram ditas….
em cada lua, um trovador
ao menos dêem-nos letras
para a sopa dos pobres líricos.
O Poema como a voz do povo
a luz que incendeia as almas
o destino que submerge incauto
o fim que desafia a normalidade.
Um rascunho que não chegou a livro
com as palavras que nunca foram ditas….
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Canção de Amor e Saúde + Ruínas + Pare, Escute, Olhe
Dois documentários e uma curta-metragem actualmente em exibição nas salas portuguesas e tudo devidamente apreciado num único post. É necessário poupar espaço virtual.
Começando pela curta de 30 minutos que aparece como complemento a Ruínas, João Nicolau apresenta “Canção de Amor e Saúde” uma onírica história de amor em que a câmara é manejada com inegável talento. No entanto o resultado final é algo insípido e inconsequente. Rodada no Porto entre o centro comercial Brasília e o Parque da Serralves mostra contudo algumas ideias interessantes das quais sobressai o fascínio do protagonista por uma máquina (foto abaixo) onde constantemente faz o teste do amor….
Manuel Mozos - um dos mais personalizados realizadores portugueses - continua a sua resistente caminhada pelo cinema Luso agora com Ruínas. Uma interessante descida aos confins perdidos de um Portugal esquecido, através da visita a alguns edifícios que foram um dia emblemáticos e que actualmente se encontram à beira da ruína e em acelerada decadência.
Com uma fotografia e sonoplastia assinaláveis o filme revela-nos por exemplo, entre outras realidades, o que resta de alguns dos teatros do Parque Mayer, do restaurante panorâmico de Monsanto, do Sanatório da Covilhã ou da Estação Ferroviária de Barca d'Alva.
Em suma, um belo poema sobre as cicatrizes progressivas deixadas pelo passar do tempo, escrito pela mão de um eterno combatente como é Manuel Mozos…..
Através de um documentário inquestionavelmente bem produzido e a que ninguém fica indiferente intitulado “Pare, Escute, Olhe”, Jorge Pelicano dedica à Região do Tua, muito justamente, um postal lindíssimo. E convém realçar que falamos de umas das mais belas Regiões de Portugal, o que só por si vale o preço do bilhete.
No entanto “Pare, Escute, Olhe” tem quanto a mim algumas evidentes fragilidades. A meio caminho da reportagem televisiva, o documentário é assolado de alguma demagogia a cair para o politicamente correcto. Por exemplo, a comparação com o turismo levado a cabo na Suíça é de uma imbecilidade gratuita e sem qualquer sentido. Trata-se de tentar comparar o incomparável. O facto de se valorizar os argumentos da associação ambientalista sem escalpelizar de forma mais sustentada as vantagens e desvantagens da construção da barragem também me parece um pouco precipitado e forçado. Falta ainda notoriamente dar voz à CP. Aos Caminhos de Ferro Portugueses são efectuadas acusações directas e indirectas e que justificavam e careciam de defesa. Ou seja, numa perspectiva fria e distante Pare, Escute, Olhe não é dos documentos intelectualmente mais honestos. Obviamente que estas lacunas não põem em causa a importância de pôr a nu as desigualdades que continuam a existir no Portugal do século XXI bem como ostracismo a que as populações da zona são abandonadas. E aí admito, o documentário cumpre o seu papel com eficácia e visível notoriedade…
Começando pela curta de 30 minutos que aparece como complemento a Ruínas, João Nicolau apresenta “Canção de Amor e Saúde” uma onírica história de amor em que a câmara é manejada com inegável talento. No entanto o resultado final é algo insípido e inconsequente. Rodada no Porto entre o centro comercial Brasília e o Parque da Serralves mostra contudo algumas ideias interessantes das quais sobressai o fascínio do protagonista por uma máquina (foto abaixo) onde constantemente faz o teste do amor….
Manuel Mozos - um dos mais personalizados realizadores portugueses - continua a sua resistente caminhada pelo cinema Luso agora com Ruínas. Uma interessante descida aos confins perdidos de um Portugal esquecido, através da visita a alguns edifícios que foram um dia emblemáticos e que actualmente se encontram à beira da ruína e em acelerada decadência.
Com uma fotografia e sonoplastia assinaláveis o filme revela-nos por exemplo, entre outras realidades, o que resta de alguns dos teatros do Parque Mayer, do restaurante panorâmico de Monsanto, do Sanatório da Covilhã ou da Estação Ferroviária de Barca d'Alva.
Em suma, um belo poema sobre as cicatrizes progressivas deixadas pelo passar do tempo, escrito pela mão de um eterno combatente como é Manuel Mozos…..
Através de um documentário inquestionavelmente bem produzido e a que ninguém fica indiferente intitulado “Pare, Escute, Olhe”, Jorge Pelicano dedica à Região do Tua, muito justamente, um postal lindíssimo. E convém realçar que falamos de umas das mais belas Regiões de Portugal, o que só por si vale o preço do bilhete.
No entanto “Pare, Escute, Olhe” tem quanto a mim algumas evidentes fragilidades. A meio caminho da reportagem televisiva, o documentário é assolado de alguma demagogia a cair para o politicamente correcto. Por exemplo, a comparação com o turismo levado a cabo na Suíça é de uma imbecilidade gratuita e sem qualquer sentido. Trata-se de tentar comparar o incomparável. O facto de se valorizar os argumentos da associação ambientalista sem escalpelizar de forma mais sustentada as vantagens e desvantagens da construção da barragem também me parece um pouco precipitado e forçado. Falta ainda notoriamente dar voz à CP. Aos Caminhos de Ferro Portugueses são efectuadas acusações directas e indirectas e que justificavam e careciam de defesa. Ou seja, numa perspectiva fria e distante Pare, Escute, Olhe não é dos documentos intelectualmente mais honestos. Obviamente que estas lacunas não põem em causa a importância de pôr a nu as desigualdades que continuam a existir no Portugal do século XXI bem como ostracismo a que as populações da zona são abandonadas. E aí admito, o documentário cumpre o seu papel com eficácia e visível notoriedade…
terça-feira, 20 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O Vulcão
Apesar da grave crise económica que atravessa a Islândia, afinal, continua a dar cartas. De erupção em erupção consegue levar a Europa ao desespero.
Se a nuvem maldita pairasse sobre Portugal da mesma forma que vem assolando o norte da Europa estaríamos praticamente isolados. Talvez assim se comece a pensar a sério em investir nas vias férreas de alta-velocidade - bem mais importante, mais premente e estrategicamente mais inteligente que um novo Aeroporto.
Já viajei diversas vezes de comboio por essa Europa fora e é por demais evidente que a esse nível Portugal está na cauda da cauda da Europa. E quem não percebe isto, não percebe nada….
Se a nuvem maldita pairasse sobre Portugal da mesma forma que vem assolando o norte da Europa estaríamos praticamente isolados. Talvez assim se comece a pensar a sério em investir nas vias férreas de alta-velocidade - bem mais importante, mais premente e estrategicamente mais inteligente que um novo Aeroporto.
Já viajei diversas vezes de comboio por essa Europa fora e é por demais evidente que a esse nível Portugal está na cauda da cauda da Europa. E quem não percebe isto, não percebe nada….
sábado, 17 de abril de 2010
Build e Caravan of love - The Housemartins
The Housemartins em dose dupla. Mais uma lendária Banda dos gloriosos anos 80. Além destes dois excelentes temas podíamos ainda referir Happy Hour ou Five Get Over Excited como outras boas recordações da banda inglesa….
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Chama-lhe um Figo
O único critério utilizado por Luís Figo na gestão da sua brilhante carreira futebolística foi o monetário. Também por isso, mas não só, encaro o seu Sportinguismo com relativa genuinidade. Acontece que Luís Figo afirma que apoiou Sócrates de forma descomprometida e sincera. Eu acredito, até porque não havia (nem há) alternativas credíveis a este Governo. Agora não me peçam para acreditar que aquele pequeno-almoço cirúrgico no último dia da Campanha não teve nada a ver com o contrato assinado com a TagusPark….
O Papa
Sua Santidade está para chegar. O Estado constitucionalmente Laico ajoelha-se perante sua eminência e não estou a falar de Pedofilia…
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Duas vezes nada
É assim, amiga. Encontramo-nos
quando calha nos bares de antigamente,
deixando que sobre o tampo azul
das mesas volte a pousar
um baço cemitério de garrafas.
Constatamos o pior, os seus aspectos.
Corpos e livros que foram ficando
por ler na voracidade da noite de Lisboa.
De facto, crescemos em alcoolémia,
acordamos tarde, em pânico,
e perdemos os dias e os dentes
com uma espécie de resignação.
Não temos, ao que parece, serventia.
Sorrimos um pouco, ao terceiro
gin, como quem renasce para a morte,
seus gestos de ternura ou de exuberância.
Talvez tenhamos calculado mal
o ângulo da queda, esta vitória
sem nobreza dos venenos todos.
Mas agora é tarde. Tudo fechou
para nós, para sempre. O amor,
o desejo, até o onanismo da destruição.
Antes de procurares a esmola
do último táxi, fica esta imagem
parada, a desvanecer-se
no frio mais frio da memória:
não dois corpos sentados a trocarem
medo, cigarros e palavras póstumas,
mas duas vezes nada, ninguém,
o silêncio da noite destronando
as cadeiras onde por razão nenhuma
nos sentámos. Os anos, amiga, passaram.
Manuel de Freitas
quando calha nos bares de antigamente,
deixando que sobre o tampo azul
das mesas volte a pousar
um baço cemitério de garrafas.
Constatamos o pior, os seus aspectos.
Corpos e livros que foram ficando
por ler na voracidade da noite de Lisboa.
De facto, crescemos em alcoolémia,
acordamos tarde, em pânico,
e perdemos os dias e os dentes
com uma espécie de resignação.
Não temos, ao que parece, serventia.
Sorrimos um pouco, ao terceiro
gin, como quem renasce para a morte,
seus gestos de ternura ou de exuberância.
Talvez tenhamos calculado mal
o ângulo da queda, esta vitória
sem nobreza dos venenos todos.
Mas agora é tarde. Tudo fechou
para nós, para sempre. O amor,
o desejo, até o onanismo da destruição.
Antes de procurares a esmola
do último táxi, fica esta imagem
parada, a desvanecer-se
no frio mais frio da memória:
não dois corpos sentados a trocarem
medo, cigarros e palavras póstumas,
mas duas vezes nada, ninguém,
o silêncio da noite destronando
as cadeiras onde por razão nenhuma
nos sentámos. Os anos, amiga, passaram.
Manuel de Freitas
terça-feira, 13 de abril de 2010
A Coragem
Jeremias somente possuía duas certezas. A primeira era que nada no mundo era perfeito. A segunda era que o poder corrompia.
Com o decorrer do tempo tinha perdido entusiasmo. Aquele ímpeto vagamente juvenil nunca mais se repetiria. A contrapartida era filha da bravura. A coragem é a derradeira âncora de todos os condenados….
Com o decorrer do tempo tinha perdido entusiasmo. Aquele ímpeto vagamente juvenil nunca mais se repetiria. A contrapartida era filha da bravura. A coragem é a derradeira âncora de todos os condenados….
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Diario di uno spettatore
Na sequência de post anterior fica também a magnífica curta em versão não legendada que Nanni Moretti levou para Cada um o seu cinema, filme de homenagem aos 60 anos do festival de Cannes:


Para visionar, é necessário entrar na imagem....
domingo, 11 de abril de 2010
A Pena
Também tenho pena e face às notícias mais recentes estou muito apreensivo relativamente ao nome do senhor que se segue.
Agora que o rapaz se penitenciou façam lá as pazes. É jovem, ambicioso, conhece a realidade do Sporting e tem um discurso arrojado….
Agora que o rapaz se penitenciou façam lá as pazes. É jovem, ambicioso, conhece a realidade do Sporting e tem um discurso arrojado….
quinta-feira, 8 de abril de 2010
A Contemporaneidade
Inês de Medeiros – uma razoável actriz - optou na presente fase da sua vida por uma incursão pelos corredores do poder. Foi eleita pelas listas do Partido Socialista deputada à Assembleia da República. Algumas das suas intervenções, e a postura assumida em Comissões da qual fez parte, deixam-me a pensar que fez mal em mudar de ramo mas está obviamente no seu direito. E sempre se deve ganhar melhor. Quem a elegeu – os votantes do PS pelo círculo de Lisboa - também lhe devem ter reconhecido qualidades para tal ou talvez não. A assustadora realidade do ancestral sistema eleitoral em vigor é que ninguém conhece grande parte dos candidatos a deputados. Aliás, é um dos latentes motivos que contribui para a minha brancura em matéria de eleições.
Acontece que anda para aí um grande frenesi por causa de eventuais ajudas de custo a pagar à proeminente deputada da nação por ter de se deslocar semanalmente a Paris onde legitimamente reside com a sua família. Há quem ache escandaloso e critique a sua pretensão (com razão face ao envolvimento de dinheiros públicos) mas não me interessa entrar por aí. Existe um vazio legal face à especificidade da situação que tem de ser ultrapassado.
A questão central para mim é que uma cidadã portuguesa - democraticamente eleita e que nunca faltou à verdade no desenrolar do processo - tem uma questão pendente para resolver pelo principal órgão de soberania legislativo do País há seis meses. Questão essa que inclusivamente põe em causa a sua dignidade pessoal aos olhos de uma opinião pública sedenta de sangue e de fait-divers inconsequentes.
Ou seja, ninguém quer assumir a responsabilidade por uma decisão. Ninguém se quer comprometer. O rigorosíssimo (mas muito selectivo) presidente da Assembleia da República - Jaime Gama - empurra para o Conselho de Administração que por sua vez aguarda os principescamente pagos pareceres jurídicos.
Ou seja, ninguém quer assumir a responsabilidade por uma decisão. Ninguém se quer comprometer. O rigorosíssimo (mas muito selectivo) presidente da Assembleia da República - Jaime Gama - empurra para o Conselho de Administração que por sua vez aguarda os principescamente pagos pareceres jurídicos.
O epílogo natural desta história bem portuguesa e reveladora do submundo politicamente correcto em que estamos enterrados é que os custos a pagar pelo somatório dos pareceres jurídicos necessários até alguém ter coragem para assumir uma decisão irão superar os custos com as ajudas de custo resultantes das viagens da deputada de pelo menos um ano.…
Portugal é isto, nada mais que isto, e quem pensa o contrário é tolo….
terça-feira, 6 de abril de 2010
A Coerência
Jeremias agia de acordo com o que as circunstâncias exigiam. No entanto a sua conduta respeitava escrupulosamente – por vezes de uma forma doentia – os sãos princípios que havia preconizado na sua já longa existência. Tinha ouvido dizer que a vida sorria com mais facilidade aos incoerentes mas sabia que cada dia que passava era mais tarde para mudar. No fundo, gostava de continuar a dar trabalho aos hipócritas desde mundo. Desconfiava, contudo, que a puta da coerência era o seu maior inimigo mas já era tarde pra mudar….
Gaivota
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
morreria no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Alexandre O'Neill
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
morreria no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Alexandre O'Neill
domingo, 4 de abril de 2010
A Páscoa
No Domingo de Páscoa, Jeremias continuava sem vacilar entregue à amargura mais sombria.
Tinha nascido dos escombros do Maoísmo. Fez a escola no que restava do chamado Socialismo de intervenção. Posteriormente conheceu como poucos a hipocrisia subjacente à Social-democracia dominante. Acabou por fazer carreira no Liberalismo mais vanguardista antes de assentar arraiais no catolicismo mais exacerbado. A Religião tinha-o encurralado.
Tinha nascido dos escombros do Maoísmo. Fez a escola no que restava do chamado Socialismo de intervenção. Posteriormente conheceu como poucos a hipocrisia subjacente à Social-democracia dominante. Acabou por fazer carreira no Liberalismo mais vanguardista antes de assentar arraiais no catolicismo mais exacerbado. A Religião tinha-o encurralado.
Felizmente acabou por falecer, antes de enveredar pelos misteriosos caminhos da Pedofilia. Misteriosos são os caminhos do Senhor......
Nota: Post escrito originalmente aqui, e agora muito apropriadamente editado.
Nota: Post escrito originalmente aqui, e agora muito apropriadamente editado.
sábado, 3 de abril de 2010
Estado de Guerra
Pondo de parte as desnecessárias demagogias cinematográficas estamos perante um extraordinário filme de guerra. Sem dúvida um dos melhores dos últimos anos. Fazendo jus ao género apresenta todos os ingredientes fundamentais de forma simples e com uma notável coerência. A valentia, o medo, a camaradagem e a alucinação são alguns dos conceitos explorados, sempre em doses equilibradas, pela realizadora norte-americana.
Kathryn Bigelow demonstra com este filme que fez muitíssimo bem em separar-se do hollywoodesco James Cameron - um megalómano inveterado que vive de sistemáticas concessões à indústria - que só podia ser mesmo péssima companhia para ela.
The Hurt Locker - Estado de Guerra na versão portuguesa - não é um filme de actores mas uma violenta e realista descida aos confins mais íntimos da condição humana. Sem procurar subterfúgios no politicamente correcto, demonstra-nos com precisão a angústia os diferentes estados de espírito por quem passam os soldados no limiar da barreira invisível que os separa da morte….
Kathryn Bigelow demonstra com este filme que fez muitíssimo bem em separar-se do hollywoodesco James Cameron - um megalómano inveterado que vive de sistemáticas concessões à indústria - que só podia ser mesmo péssima companhia para ela.
The Hurt Locker - Estado de Guerra na versão portuguesa - não é um filme de actores mas uma violenta e realista descida aos confins mais íntimos da condição humana. Sem procurar subterfúgios no politicamente correcto, demonstra-nos com precisão a angústia os diferentes estados de espírito por quem passam os soldados no limiar da barreira invisível que os separa da morte….
sexta-feira, 2 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
O Messias
Cada vez gosto mais de análise política à portuguesa. Senão vejamos; quiseram fazer a cama a Cavaco. Todos diziam que estava acabado mas a verdade é que ele - um Triste - vai previsivelmente continuar Presidente com uma maioria confortável passando por cima dos Alegres desta vida. Isto, para mal dos nossos pecados.
Agora com grande alarido pelo meio Pedro Passos Coelho é o novo D. Sebastião da direita Portuguesa. Logo ele, um pateta ambicioso com ares de super-homem que tem como principal característica a inconsequência. Será que ainda ninguém reparou que o discurso da criatura é de um vazio total?
O problema de Sócrates é ele próprio, as suas tendências controladoras suicidas, e a conjuntura internacional. Passos Coelho não assusta ninguém, o que não significa que face a factores imprevisiveis – exógenos ao seu próprio desempenho - não possa chegar a Primeiro-Ministro.
De uma coisa tenho a certeza, à primeira oportunidade Sócrates trucida Passos Coelho, tamanha é a diferença no background político de ambos…..
Agora com grande alarido pelo meio Pedro Passos Coelho é o novo D. Sebastião da direita Portuguesa. Logo ele, um pateta ambicioso com ares de super-homem que tem como principal característica a inconsequência. Será que ainda ninguém reparou que o discurso da criatura é de um vazio total?
O problema de Sócrates é ele próprio, as suas tendências controladoras suicidas, e a conjuntura internacional. Passos Coelho não assusta ninguém, o que não significa que face a factores imprevisiveis – exógenos ao seu próprio desempenho - não possa chegar a Primeiro-Ministro.
De uma coisa tenho a certeza, à primeira oportunidade Sócrates trucida Passos Coelho, tamanha é a diferença no background político de ambos…..
FARISEIAS
Gostam de ser cumprimentadas nas praças
e de ter o primeiro lugar
à mesa dos banquetes
são calculistas
formigas carreiristas
cheias de sucesso
e tudo usam e tudo gastam
indistintamente
porque são altas as suas entropias
e depois não sabem dar
os bons-dias às mulheres-a-dias
Gosto de me deitar
sem sono
para ficar
a lembrar-me
das coisas boas
deitada
dentro da cama
às escuras
de olhos fechados
abraçada a mim
Adília Lopes
e de ter o primeiro lugar
à mesa dos banquetes
são calculistas
formigas carreiristas
cheias de sucesso
e tudo usam e tudo gastam
indistintamente
porque são altas as suas entropias
e depois não sabem dar
os bons-dias às mulheres-a-dias
Gosto de me deitar
sem sono
para ficar
a lembrar-me
das coisas boas
deitada
dentro da cama
às escuras
de olhos fechados
abraçada a mim
Adília Lopes
domingo, 28 de março de 2010
O PEC
Adia-se a resolução do irresolúvel. Transfigura-se a caracterização do imutável. Assobiamos para o ar quando o ar já há muito de tornou irrespirável neste mar de aparências com nome de País.
A Grécia foi o berço da civilização. Portugal é o jazigo da ostentação. O Plano de Estabilidade e Crescimento é o simples reflexo da atávica megalomania nacional….
A Grécia foi o berço da civilização. Portugal é o jazigo da ostentação. O Plano de Estabilidade e Crescimento é o simples reflexo da atávica megalomania nacional….
sábado, 27 de março de 2010
Parvalhal
Depois da derrota na Madeira o treinador do Sporting na respectiva conferência de Imprensa parece que declarou a seguinte pérola:
« Tem sido uma época atípica. E na minha modesta opinião acho que nos estamos a sair até muito bem »…
Eu ainda estou para fazer o balanço da triste época leonina mas indo ao encontro do que sempre disse aquando da sua surpreendente contratação, exercer o direito de opção sobre Carvalhal em Maio seria mais um erro histórico numa época cheia de equívocos. Presumo que é impossível cometer tantos erros em tão pouco tempo. Seria o culminar da dilapidação total das ambições do clube. Não posso nem quero acreditar que haja hipóteses de isso acontecer. Isto, sem nenhuma desconsideração pelo Homem, Carlos Carvalhal…
« Tem sido uma época atípica. E na minha modesta opinião acho que nos estamos a sair até muito bem »…
Eu ainda estou para fazer o balanço da triste época leonina mas indo ao encontro do que sempre disse aquando da sua surpreendente contratação, exercer o direito de opção sobre Carvalhal em Maio seria mais um erro histórico numa época cheia de equívocos. Presumo que é impossível cometer tantos erros em tão pouco tempo. Seria o culminar da dilapidação total das ambições do clube. Não posso nem quero acreditar que haja hipóteses de isso acontecer. Isto, sem nenhuma desconsideração pelo Homem, Carlos Carvalhal…
quinta-feira, 25 de março de 2010
2 Dias em Paris
Surpreendente este 2 Dias em Paris, filme de 2007 realizado pela multifacetada Julie Delpy o qual somente visionei agora.
Já conhecíamos os seus méritos como actriz - bastante personalizada e talentosa - mas esta sua estreia na realização supera de longe as melhores expectativas.
Com a excelente presença de Adam Goldberg, 2 dias em Paris retrata as dificuldades por que passa o relacionamento entre um jovem casal. Com diálogos pujantes e intensos o filme tem um sentido bem mais incisivo do que uma mera comédia romântica podia sugerir; género que é contudo impossível de dissociar da concepção estrutural do enredo de Delpy.
O único senão na minha perspectiva é o epílogo que podia ser mais conseguido caso arriscasse fugir ao apelo supérfluo do happy end. De qualquer das formas estamos perante uma poderosíssima primeira obra merecedora dos mais vibrantes elogios…..
Já conhecíamos os seus méritos como actriz - bastante personalizada e talentosa - mas esta sua estreia na realização supera de longe as melhores expectativas.
Com a excelente presença de Adam Goldberg, 2 dias em Paris retrata as dificuldades por que passa o relacionamento entre um jovem casal. Com diálogos pujantes e intensos o filme tem um sentido bem mais incisivo do que uma mera comédia romântica podia sugerir; género que é contudo impossível de dissociar da concepção estrutural do enredo de Delpy.
O único senão na minha perspectiva é o epílogo que podia ser mais conseguido caso arriscasse fugir ao apelo supérfluo do happy end. De qualquer das formas estamos perante uma poderosíssima primeira obra merecedora dos mais vibrantes elogios…..
quarta-feira, 24 de março de 2010
A Transmutação
O poder tingiu-lhe as ideias. A ilusão que possuía algum ascendente sobre outros corrompeu-lhe a mente. Deu por si a perguntar ao espelho se haveria algum chefe mais desejado que ele. Esquecia-se que a sobriedade não era filha da autoridade….
terça-feira, 23 de março de 2010
A Casmurrice
Jeremias possuía um génio de excepção, um carácter peculiar. Era insocial mas respeitado, sorumbático mas apreciado, macambúzio mas competente, irreverente mas calculista. Apesar das cicatrizeis acumuladas, resistia a todas as intempéries com o mesmo estoicismo que sempre preconizou na vida. O seu único intuito era fugir à carneirada mole que dominava os bastidores da hipocrisia reinante.
Não havia ninguém nas redondezas com igual vocação para enxotar os outros. Jeremias era o campeão da casmurrice, e ao menos desse título não tencionava abrir mão….
Não havia ninguém nas redondezas com igual vocação para enxotar os outros. Jeremias era o campeão da casmurrice, e ao menos desse título não tencionava abrir mão….
sábado, 20 de março de 2010
Words - F.R. David
Incontestavelmente anos 80. Mais um glorioso regresso à mítica década. Quem não cantarolou isto pelo menos uma vez, que atire a primeira pedra….
A Chafurdice
Acordei a sonhar que era possível limpar toda a porcaria que grassa por esse Portugal fora. Cheguei à conclusão que seria impossível. O egoísmo inebriante, a corrupção galopante, o tráfico de influências desesperante, o servilismo inquietante e a ganância perturbante continuam prosperamente a sobreviver.
O meu País vive atolado em chafurdice….
sexta-feira, 19 de março de 2010
Orgulho de Leão
Esta eliminatória ingloriamente perdida com o Atlético (Kun Agüero) de Madrid valeu pelo ressurgimento do fervor leonino em toda a sua majestosa grandeza evidenciada pelas perto de 45 mil almas que ocorreram ontem ao Zé Alvalade XXI.
Deixarei para mais tarde uma análise à péssima época leonina. A seu tempo, dissecarei sobre as causas do descalabro verde e branco em 2009/2010....…..
Um Homem
De repente
como uma flor violenta
um homem com uma bomba à altura do peito
e que chora convulsivamente
um homem belo minúsculo
como uma estrela cadente
e que sangra
como uma estátua jacente
esmagada sob as asas do crepúsculo
um homem com uma bomba
como uma rosa na boca
negra surpreendente
e à espera da festa louca
onde o coração lhe rebente
um homem de face aguda
e uma bomba
cega
surda
muda
António José Forte
como uma flor violenta
um homem com uma bomba à altura do peito
e que chora convulsivamente
um homem belo minúsculo
como uma estrela cadente
e que sangra
como uma estátua jacente
esmagada sob as asas do crepúsculo
um homem com uma bomba
como uma rosa na boca
negra surpreendente
e à espera da festa louca
onde o coração lhe rebente
um homem de face aguda
e uma bomba
cega
surda
muda
António José Forte
quarta-feira, 17 de março de 2010
A Ambição
Viviam enredados na ganância mais desmedida. A voracidade com que defendiam o seu umbigo toldava a última réstia de bom senso do menos ambicioso. O pragmatismo que exibiam era filho da incapacidade mais desarmante. Só lhes restava mesmo dar asas à Patetice mais saloia....
terça-feira, 16 de março de 2010
O Mestre
Derivado em grande parte a assim e assado, o legado artístico do Mestre César Monteiro está novamente nas bocas do mundo. Independentemente desse facto, este blogue de tempos a tempos já tem por hábito prestar-lhe reverência.
Assim, deixo o genial início de Recordações da Casa Amarela, um dos filmes lapidares da obra do assombroso João César Monteiro….....
Assim, deixo o genial início de Recordações da Casa Amarela, um dos filmes lapidares da obra do assombroso João César Monteiro….....
sábado, 13 de março de 2010
O PPD/PSD
Neste fim-de-semana o país está mais uma vez em ebulição mediática com a ressurreição dessa mítica instituição portuguesa que dá pelo nome de congresso do PPD/PSD.Seja ordinário, seja extraordinário, dificilmente se encontrará fotografia mais perfeita da Portugalidade em todas as suas idiossincrasias. Ali, como habitual, proliferarão as indignações espalhafatosas, os acertos de contas tácticos, as vinganças ressabiadas, o cinismo aprimorado.
A única certeza inquestionável é que - face à superficialidade nalguns casos doentia dos protagonistas - não sairá dali uma ideia, por mais vaga que seja, para governar Portugal….
O Deslumbramento
Como algo feérico, invisível no fundo da sua altivez, Jeremias possuído por uma inspiração que até então desconhecia apareceu titubeante ao fim de anos em total hibernação clamando por Liberdade. O deslumbramento auxiliava a fuga ao perceptível inquietantemente empobrecedor. São cravos, Senhor!..
quinta-feira, 11 de março de 2010
Shutter Island
O último de Martin Scorcese é mais um contributo inestimável para a sua colectânea de grandes filmes. Com uma deslumbrante fotografia, Shutter Island, a ilha dos dementes, é um exercício destemido de um realizador que continua visivelmente apaixonado pelo Cinema.
Baseado no livro "Paciente 67" de Dennis Lehane é uma perturbante descida aos lugares mais recônditos da natureza humana onde habitam os fantasmas que nos assombram constantemente e que estão sempre presentes em tudo o que fazemos. É ainda um mergulho arrojado no universo dos grandes thrillers conspirativos onde a alucinação é uma constante.
Com a participação de Leonardo DiCaprio no papel do agente Teddy Daniels e um impecável Mark Ruffalo - actor cada vez mais do meu agrado - fazendo do seu colega Chuck Aule, o filme conta ainda com a participação de Ben Kingsley como director da insólita prisão de Shutter Island.
Existem algumas pontas menos afiadas no filme de Scorcese. Além das passagens oníricas do protagonista serem algo repetidos não acrescentando nada de substancial - algumas são mesmo desnecessárias - fico um pouco com a sensação que DiCaprio não tem argumentos suficientes para a complexidade do papel desempenhado. Contudo, Shutter Island é uma viagem imperdível à Ilha da loucura e uma excelente catarse para espíritos mais sombrios…
Baseado no livro "Paciente 67" de Dennis Lehane é uma perturbante descida aos lugares mais recônditos da natureza humana onde habitam os fantasmas que nos assombram constantemente e que estão sempre presentes em tudo o que fazemos. É ainda um mergulho arrojado no universo dos grandes thrillers conspirativos onde a alucinação é uma constante.
Com a participação de Leonardo DiCaprio no papel do agente Teddy Daniels e um impecável Mark Ruffalo - actor cada vez mais do meu agrado - fazendo do seu colega Chuck Aule, o filme conta ainda com a participação de Ben Kingsley como director da insólita prisão de Shutter Island.
Existem algumas pontas menos afiadas no filme de Scorcese. Além das passagens oníricas do protagonista serem algo repetidos não acrescentando nada de substancial - algumas são mesmo desnecessárias - fico um pouco com a sensação que DiCaprio não tem argumentos suficientes para a complexidade do papel desempenhado. Contudo, Shutter Island é uma viagem imperdível à Ilha da loucura e uma excelente catarse para espíritos mais sombrios…
terça-feira, 9 de março de 2010
A Crença
Jeremias - um fervoroso Ateu - mantinha todavia uma última crença. Acreditava no carácter sarcástico das coisas. E essa simples convicção, bem vistas as coisas, sempre era uma forma de estar com o cabrão do mundo….
domingo, 7 de março de 2010
A Emboscada
O grande Urso branco vivia receoso que o momento chegasse. Entregava-se, apreensivo, aos caprichos do destino pois não conhecia nenhuma alternativa a essa inevitabilidade. Detestava - sempre o assustou - perder o domínio da situação. Apesar de conhecer como ninguém a floresta por onde andava, sabia que a armadilha estava montada. Não conseguia imaginar nenhuma forma de fugir a cilada tão maquiavélica quanto aquela que lhe tinham armado.
Perante a Emboscada, não vacilou. Deu um passo em frente e caiu no buraco mais profundo. Acontece que no mesmo buraco tinha caído há pouco tempo uma grande Ursa castanha pela qual o grande Urso branco se apaixonou perdidamente de imediato.
O grande Urso branco e a grande Ursa castanha viveram felizes para todo o sempre…
Perante a Emboscada, não vacilou. Deu um passo em frente e caiu no buraco mais profundo. Acontece que no mesmo buraco tinha caído há pouco tempo uma grande Ursa castanha pela qual o grande Urso branco se apaixonou perdidamente de imediato.
O grande Urso branco e a grande Ursa castanha viveram felizes para todo o sempre…
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HIPOCRISIAS INDÍGENAS
Não foi um diário intimista,
não foi um exercício de estilo,
não foi um livro de memórias.
Foi o que foi!
Sem uma carta
de intenções determinada.
Actualidades,
politica sem partidarismos,
arte de excepção,
temporalidades e
intemporalidades,
devaneios diversos,
o Grande Sporting
e outras amarguras,
foram assuntos recorrentes.
Foram 5 anos!...
Obrigado a todos os que
passaram por aqui.
não foi um exercício de estilo,
não foi um livro de memórias.
Foi o que foi!
Sem uma carta
de intenções determinada.
Actualidades,
politica sem partidarismos,
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temporalidades e
intemporalidades,
devaneios diversos,
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e outras amarguras,
foram assuntos recorrentes.
Foram 5 anos!...
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Acerca de mim
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar...
Mário Cesariny
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Mário Cesariny





























