Água, areia, pedra, vegetação e ar, muito ar……
terça-feira, 10 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
O Passismo
Pedro Passos Coelho bem se esforça para demonstrar pose de estado e assim tentar camuflar a ansiedade que o persegue. Aqui ou ali, ainda que com alguma precipitação pelo meio, consegue até surpreender positivamente o cidadão comum.
Todavia, o maior problema - uma espécie de encruzilhada intransponível para Portugal - é que a gente que rodeia Pedro Passos Coelho é de uma incompetência atroz. Do pior que existe nos meandros partidários e na sociedade civil. Aliás já deambulam por aí, quais esfomeados com a língua de fora, sedentos de poder, cobiçando as habituais nomeações e os privilégios respectivos. São criaturas que não fazem a mais pequena ideia do que é governar um País e, mais grave, são incapazes de construir um pensamento válido para o horizonte da nação.
Portugal corre o sério risco de caminhar a Passos largos para o abismo….
Todavia, o maior problema - uma espécie de encruzilhada intransponível para Portugal - é que a gente que rodeia Pedro Passos Coelho é de uma incompetência atroz. Do pior que existe nos meandros partidários e na sociedade civil. Aliás já deambulam por aí, quais esfomeados com a língua de fora, sedentos de poder, cobiçando as habituais nomeações e os privilégios respectivos. São criaturas que não fazem a mais pequena ideia do que é governar um País e, mais grave, são incapazes de construir um pensamento válido para o horizonte da nação.
Portugal corre o sério risco de caminhar a Passos largos para o abismo….
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Canino
Um ovni cinematográfico que aterrou em Lisboa neste quente mês de Agosto. Vencedor em 2009 do prémio Un Certain Regard em Cannes, a segunda longa-metragem de Yorgos Lanthimos traz-nos a história de uma família que vive enclausurada à mercê da autoridade de um pai paranóico e delirante que entre outras demências patrocina o incesto entre os próprios filhos.
É daqueles filmes que ou se ama ou se odeia, mas a que ninguém fica indiferente. As comparações com algumas coisas de Michael Haneke fazem algum sentido, designadamente o assombroso funny games.
Canino, sem ser irrepreensivelmente um filme brilhante até porque é notória uma tendência deliberada para perturbar o espectador, é uma estimulante reflexão acerca das contemporâneas ameaças à nossa segurança e aos perigos a que estamos constantemente sujeitos. Interroga os limites para o instinto protector na adolescência. Escalpeliza sem pudor os efeitos dos desejos reprimidos….
É daqueles filmes que ou se ama ou se odeia, mas a que ninguém fica indiferente. As comparações com algumas coisas de Michael Haneke fazem algum sentido, designadamente o assombroso funny games.
Canino, sem ser irrepreensivelmente um filme brilhante até porque é notória uma tendência deliberada para perturbar o espectador, é uma estimulante reflexão acerca das contemporâneas ameaças à nossa segurança e aos perigos a que estamos constantemente sujeitos. Interroga os limites para o instinto protector na adolescência. Escalpeliza sem pudor os efeitos dos desejos reprimidos….
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
A Artificialidade
Tinha uma educação sofisticada, apurada e cheia de requinte, contudo faltava-lhe dominar os universos mais recônditos da natureza humana. Era detentor de uma sensibilidade de bicho do mato….
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Querido Agosto,
És de longe o melhor mês para estar em Lisboa o que me faz gostar imenso de ti. Mas noto que mesmo contigo, há cada vez mais carros, mais poluição, mais pessoas. Em suma, menos tranquilidade, infelizmente. Dizem que falta dinheiro. Talvez. A classe média anda asfixiada e o pequeno comércio está quase todo aberto. A crise está mesmo a deixar marcas.
Contigo, chegam sempre orlas de emigrantes. São por norma barulhentos e irritantes com as suas idiossincrasias mas transportam no peito um País. Essa paixão manifesta é um pouco estranha para quem vive nesta bagunça todo o ano. Mas são eles - mesmo que com a habitual boçalidade - quem melhor interpreta a verdadeira natureza do ser Português.
Há Blogues que vão de férias, encerram para balanço e vão a banhos o que, confesso, me faz confusão. Um blogue fechado para férias....Qualquer dia só há posts das nove às cinco. Ora, este Blogue não fecha em Agosto. Há que manter a palermice aguçada….
Como dizer o silêncio?
Se em folhagem de poema
me catais anacolutos
é vossa a fraude. A gema
não desce a sons prostitutos.
O saltério, diletante,
fere a Musa com um jasmim?
Só daí para diante
da busca estará o fim.
Aberta a porta selada,
sou pensada já não penso.
Se a Musa fica calada
como dizer o silêncio?
Atirar pérola a porco?
Não me queimo na parábola.
Em mãos que brincam com o fogo
é que eu não ponho a espada.
Dos confins, o peristilo
calo com pontas de fogo,
e desse casto sigilo
versos são só desafogo.
E também para que me lembrem
deixo-os no mercado negro,
que neles glórias se vendem
e eu não sou só desapego.
Raiz de Deus entre os dentes,
aí, pára a transmissão.
Ultra-sons dessas nascentes
só aves entenderão.
Natália Correia
domingo, 1 de agosto de 2010
O Carreirista Supersónico (V)
Na sequência da brava prestação como Assessor o nosso Armado foi convidado para Secretário de Estado das Obras Públicas - a sua última grande paixão. Na tomada de posse perante sua excelência o Presidente da República proclamou altivo, a alto e bom som: eu, abaixo-assinado, afirmo solenemente por minha honra que cumprirei fielmente as funções que me são confiadas. Aliás, a fidelidade mais calculista era coisa que há muito o nosso herói praticava com excesso de zelo.
Contudo, a cerimónia de tomada de posse efectuada ao ar livre não lhe correu totalmente de feição. Quando se posicionava na fila para o cumprimento da praxe ao Presidente teve uma súbita quebra de tensão e estatelou-se no chão tendo recuperado os sentidos segundos depois. Desculpou-se perante as individualidades presentes com o calor. Quando chegou a sua vez de estender a mão a sua Excelência, o Presidente, caiu-lhe uma grande bosta de caca de pássaro em cima da mão o que o fez sujar com aquele excremento abençoado a mão de sua Excelência o Presidente da República perante o olhar incrédulo de todos os presentes.
Como Secretário de Estado prometeu tudo fazer para moralizar o sector. A Transparência na adjudicação das obras seria o seu grande desígnio, a sua primordial frente de batalha.
Um das primeiras pastas que teve de gerir foi o concurso público para implementação de um projecto urbanístico de grande envergadura em frente ribeirinha emblemática. Sabendo à partida a proposta que queria vencedora, não fosse ele o nosso bom e leal Armando, rodeou-se de meia dúzia de Juristas de primeira água, pagos principescamente a peso de ouro pelo erário público, e encaminhou a coisa no sentido do óbvio favorecimento da candidatura preferida. Para esse efeito, passou horas a delinear e a discutir o teor dos pareceres jurídicos que sustentavam a decisão com os proeminentes Advogados antes de passar para o Ministro responsável pela tutela a decisão sobre a adjudicação final do Concurso Público.
A Construtora proposta como vencedora tinha como sócio gerente um velho comparsa a quem Armando devia um grande favor. A nora deste, Professora de Português, tinha passado na secundária o filho do nosso herói em dois anos seguidos com a inusual nota de 18. Isto apesar da total inaptidão do aluno que escrevia nos exames o nome do Pai como Amado em vez de Armando e começava inexplicavelmente todas as frases com a irritante expressão “é assim”. Este expediente veio permitir ao filho do nosso herói a entrada na faculdade pública em detrimento de outros alunos mais necessitados e bem mais merecedores de tal distinção….
Os episódios anteriores da saga o Carreirista Supersónico aqui: I, II, III e IV.
Contudo, a cerimónia de tomada de posse efectuada ao ar livre não lhe correu totalmente de feição. Quando se posicionava na fila para o cumprimento da praxe ao Presidente teve uma súbita quebra de tensão e estatelou-se no chão tendo recuperado os sentidos segundos depois. Desculpou-se perante as individualidades presentes com o calor. Quando chegou a sua vez de estender a mão a sua Excelência, o Presidente, caiu-lhe uma grande bosta de caca de pássaro em cima da mão o que o fez sujar com aquele excremento abençoado a mão de sua Excelência o Presidente da República perante o olhar incrédulo de todos os presentes.
Como Secretário de Estado prometeu tudo fazer para moralizar o sector. A Transparência na adjudicação das obras seria o seu grande desígnio, a sua primordial frente de batalha.
Um das primeiras pastas que teve de gerir foi o concurso público para implementação de um projecto urbanístico de grande envergadura em frente ribeirinha emblemática. Sabendo à partida a proposta que queria vencedora, não fosse ele o nosso bom e leal Armando, rodeou-se de meia dúzia de Juristas de primeira água, pagos principescamente a peso de ouro pelo erário público, e encaminhou a coisa no sentido do óbvio favorecimento da candidatura preferida. Para esse efeito, passou horas a delinear e a discutir o teor dos pareceres jurídicos que sustentavam a decisão com os proeminentes Advogados antes de passar para o Ministro responsável pela tutela a decisão sobre a adjudicação final do Concurso Público.
A Construtora proposta como vencedora tinha como sócio gerente um velho comparsa a quem Armando devia um grande favor. A nora deste, Professora de Português, tinha passado na secundária o filho do nosso herói em dois anos seguidos com a inusual nota de 18. Isto apesar da total inaptidão do aluno que escrevia nos exames o nome do Pai como Amado em vez de Armando e começava inexplicavelmente todas as frases com a irritante expressão “é assim”. Este expediente veio permitir ao filho do nosso herói a entrada na faculdade pública em detrimento de outros alunos mais necessitados e bem mais merecedores de tal distinção….
Os episódios anteriores da saga o Carreirista Supersónico aqui: I, II, III e IV.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
A Dádiva
Este Blogue detesta obituários mas não consegue ficar indiferente a estas palavras:
« Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento. Agradeçam, e não deixem nada por dizer, nada por fazer…»
António Feio, Março de 2010.
« Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento. Agradeçam, e não deixem nada por dizer, nada por fazer…»
António Feio, Março de 2010.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
O Lol e o Facebook
Jeremias não acreditava em pessoas de risos excessivos. Gostava e valorizava o riso, mas como tudo na vida, um riso regrado, discreto e triste. Bingo! Jeremias gostava de um riso triste. Sincero e efusivo, mas triste!
Agora, havia algo com que Jeremias nunca pactuaria por mais anos que vivesse. Jamais daria credibilidade a quem não escreve Ah, Ah! Ou Eh, Eh! Ou algo vagamente semelhante ao som proferido por uma gargalhada verdadeira. O Lol é um riso cobarde, uma espécie de orgasmo fingido. Simula uma felicidade perniciosa para quem o proclama. Jeremias, somente atribuiria importância a um Lol se fosse proferido por uma das Vacas do Farmville….
Agora, havia algo com que Jeremias nunca pactuaria por mais anos que vivesse. Jamais daria credibilidade a quem não escreve Ah, Ah! Ou Eh, Eh! Ou algo vagamente semelhante ao som proferido por uma gargalhada verdadeira. O Lol é um riso cobarde, uma espécie de orgasmo fingido. Simula uma felicidade perniciosa para quem o proclama. Jeremias, somente atribuiria importância a um Lol se fosse proferido por uma das Vacas do Farmville….
terça-feira, 27 de julho de 2010
A Congruência
Jeremias suportava temperaturas altas com espírito missionário. Já há muito tinha percebido que à medida que os termómetros sobem os cérebros definham. A Jeremias só restava o estoicismo mais extremado. Aguardava serenamente que a poeira se desvanecesse e que as cabeças desvairadas voltassem a reflectir a habitual insipiência.
Com o calor todos os corpos se tornavam demasiado imprevisíveis, demasiado periclitantes. Jeremias apreciava quem, como ele, fosse portador de uma demência mais constante....
Com o calor todos os corpos se tornavam demasiado imprevisíveis, demasiado periclitantes. Jeremias apreciava quem, como ele, fosse portador de uma demência mais constante....
segunda-feira, 26 de julho de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
Go Get some Rosemary
Filme vencedor do IndieLisboa - Go Get some Rosemary - escrito e realizado pelos irmãos Josh e Benny Safdie estreou agora comercialmente.
Sem ser uma obra-prima é uma encantadora reflexão acerca da ligação entre um Pai separado e os respectivos filhos no inferno da selva urbana.
Gravado com câmara à mão conta com um excelente Ronald Bronstein no exigente e, no caso, excêntrico papel de Pai.
Baseado no verdadeiro relacionamento que a dupla de irmãos teve com o seu próprio Progenitor este “Vão-me buscar alecrim” tem o mérito de filmar Nova Iorque com a crueza e o engenho que a cidade merece....
Sem ser uma obra-prima é uma encantadora reflexão acerca da ligação entre um Pai separado e os respectivos filhos no inferno da selva urbana.
Gravado com câmara à mão conta com um excelente Ronald Bronstein no exigente e, no caso, excêntrico papel de Pai.
Baseado no verdadeiro relacionamento que a dupla de irmãos teve com o seu próprio Progenitor este “Vão-me buscar alecrim” tem o mérito de filmar Nova Iorque com a crueza e o engenho que a cidade merece....
Papoilas em Julho
Pequenas papoilas, pequenas chamas infernais,
sois inofensivas?
Estremeceis. Não posso tocar-vos.
Ponho as minhas mãos por entre as chamas. Mas nada queima.
E fico exausta quando vos vejo
estremecer assim, pregueadas e rubras como a pele da boca.
Uma boca há pouco ensanguentada.
Pequenas orlas de sangue!
Há nela um fumo que não consigo tocar.
Onde está o vosso ópio, as vossas cápsulas nauseabundas?
Se eu pudesse esvair-me em sangue ou dormir!...
Se a minha boca conseguisse desposar uma tal ferida!
Ou os vossos licores me penetrassem, nesta cápsula de
vidro, trazendo-me a acalmia e o silêncio.
Mas sem cor. Sem nenhuma cor.
Sylvia Plath
sois inofensivas?
Estremeceis. Não posso tocar-vos.
Ponho as minhas mãos por entre as chamas. Mas nada queima.
E fico exausta quando vos vejo
estremecer assim, pregueadas e rubras como a pele da boca.
Uma boca há pouco ensanguentada.
Pequenas orlas de sangue!
Há nela um fumo que não consigo tocar.
Onde está o vosso ópio, as vossas cápsulas nauseabundas?
Se eu pudesse esvair-me em sangue ou dormir!...
Se a minha boca conseguisse desposar uma tal ferida!
Ou os vossos licores me penetrassem, nesta cápsula de
vidro, trazendo-me a acalmia e o silêncio.
Mas sem cor. Sem nenhuma cor.
Sylvia Plath
quarta-feira, 21 de julho de 2010
O Estado da Justiça
Falar da deplorável Justiça que temos em Portugal é assunto recorrente. O surrealismo subjacente ao estado a que isto chegou é incontornável. E é tema de fundamental importância para a vida do cidadão comum.
O processo Apito Dourado acabou sem uma única condenação. As escutas telefónicas postas a circular, e que nenhum dos envolvidos teve o descaramento de desmentir, não foram portanto suficientes para a Justiça Portuguesa perceber o quão baixo descemos.
A validade das escutas telefónicas é confirmada pelo próprio Ministério Público que tentou tirá-las do you tube (sem sucesso assinale-se) o que é elucidativo acerca da presunção jurídica da veracidade das mesmas.
A Justiça do meu País não conseguiu descortinar naquelas conversas sinais da evidente presença de corruptos e corruptores, nem a existência do tráfico de influências.
Eu, se fosse a Maria José Morgado, emigraria para bem longe daqui. Preferencialmente para um lugar onde ainda haja algumas réstias de razoabilidade…
Por outro lado recentemente fomos confrontados com a liberdade condicional de uns energúmenos que fugiram da Polícia no Algarve o que provocou uma perseguição policial à americana amplamente divulgada pela comunicação social, tendo obviamente essa tentativa de fuga colocado em risco a vida de pacatos cidadãos. Os infractores ficaram somente sujeitos a uma apresentação periódica às autoridades.
Acontece que o Magistrado ou a Magistrada que analisou a situação e proferiu a decisão achou que aquela fuga numa carrinha roubada (foi efectuada uma ligação directa na viatura que é visível nas imagens televisivas) não é factor fortemente indiciador de prática criminal violenta. Ou seja, para os nossos Juízes, quem foge daquela forma não tem nada a esconder. É uma situação normal.
Até posso parecer um gajo de direita a vociferar mas de facto não sou, ou pelo menos não me considero. Simplesmente sou um contribuinte cumpridor e indignado (que é palavra da moda e um direito, apesar de inconsequente) que se rege por leis de bom senso….
Brevemente teremos a sentença do caso Casa Pia, onde ao contrário do verificado nos casos acima, parece que se prenderam pessoas por indícios que foram posteriormente considerados ténues e sem sentido. Foi o que aconteceu no caso de Paulo Pedroso. No entanto, podemos estar descansados, o bastonário da ordem dos advogados, Marinho Pinto, com a sobriedade que lhe reconheço (pode-se contestar o estilo mas a sua frontalidade e seriedade são para mim inequívocas e clara prova de competência e imparcialidade) já nos veio garantir que o processo Casa Pia com as leis que temos prescreverá, de recurso em recurso, sem qualquer condenação o que - como cidadão - me deixa muito mais tranquilo….
Entretanto para Passos Coelho e Sócrates, discutir o essencial (Justiça, Saúde, Educação) interessa pouco….
O processo Apito Dourado acabou sem uma única condenação. As escutas telefónicas postas a circular, e que nenhum dos envolvidos teve o descaramento de desmentir, não foram portanto suficientes para a Justiça Portuguesa perceber o quão baixo descemos.
A validade das escutas telefónicas é confirmada pelo próprio Ministério Público que tentou tirá-las do you tube (sem sucesso assinale-se) o que é elucidativo acerca da presunção jurídica da veracidade das mesmas.
A Justiça do meu País não conseguiu descortinar naquelas conversas sinais da evidente presença de corruptos e corruptores, nem a existência do tráfico de influências.
Eu, se fosse a Maria José Morgado, emigraria para bem longe daqui. Preferencialmente para um lugar onde ainda haja algumas réstias de razoabilidade…
Por outro lado recentemente fomos confrontados com a liberdade condicional de uns energúmenos que fugiram da Polícia no Algarve o que provocou uma perseguição policial à americana amplamente divulgada pela comunicação social, tendo obviamente essa tentativa de fuga colocado em risco a vida de pacatos cidadãos. Os infractores ficaram somente sujeitos a uma apresentação periódica às autoridades.
Acontece que o Magistrado ou a Magistrada que analisou a situação e proferiu a decisão achou que aquela fuga numa carrinha roubada (foi efectuada uma ligação directa na viatura que é visível nas imagens televisivas) não é factor fortemente indiciador de prática criminal violenta. Ou seja, para os nossos Juízes, quem foge daquela forma não tem nada a esconder. É uma situação normal.
Até posso parecer um gajo de direita a vociferar mas de facto não sou, ou pelo menos não me considero. Simplesmente sou um contribuinte cumpridor e indignado (que é palavra da moda e um direito, apesar de inconsequente) que se rege por leis de bom senso….
Brevemente teremos a sentença do caso Casa Pia, onde ao contrário do verificado nos casos acima, parece que se prenderam pessoas por indícios que foram posteriormente considerados ténues e sem sentido. Foi o que aconteceu no caso de Paulo Pedroso. No entanto, podemos estar descansados, o bastonário da ordem dos advogados, Marinho Pinto, com a sobriedade que lhe reconheço (pode-se contestar o estilo mas a sua frontalidade e seriedade são para mim inequívocas e clara prova de competência e imparcialidade) já nos veio garantir que o processo Casa Pia com as leis que temos prescreverá, de recurso em recurso, sem qualquer condenação o que - como cidadão - me deixa muito mais tranquilo….
Entretanto para Passos Coelho e Sócrates, discutir o essencial (Justiça, Saúde, Educação) interessa pouco….
terça-feira, 20 de julho de 2010
O Epílogo
Julgavam-se muito modernos mas não passavam de banais intriguistas.
Viajavam de indignação em indignação, de insulto em insulto até ao dia do julgamento final - o dia em que todos os Blogues serão apagados do espaço virtual. Nesse momento, perante todas as suas fragilidades, desamparados pelos habituais escudos prepotentes, clamarão por um derradeiro post ao qual intitularão muito propositadamente: a última ceia....
Viajavam de indignação em indignação, de insulto em insulto até ao dia do julgamento final - o dia em que todos os Blogues serão apagados do espaço virtual. Nesse momento, perante todas as suas fragilidades, desamparados pelos habituais escudos prepotentes, clamarão por um derradeiro post ao qual intitularão muito propositadamente: a última ceia....
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Leão de Cara Lavada
Fica o bloco de notas do repórter indígena na apresentação aos sócios do Grande Sporting para a época 2010/2011 ontem no Alvalade XXI com uma vitória sobre o Lyon por duas bolas a zero.
Positivo:
- Razoável assistência o que pode ser um sinal positivo relativamente à recuperação do fervor leonino;
- a instalação sonora emite agora um rugido de leão de quando em quando. Uma apropriada ideia que fica mesmo assim aquém do desejado. Aquele rugido devia estar sempre a bombar. Intimidava os adversários e sempre calava o idiota do speaker;
- vitória justa e clara contra semifinalista da última liga dos campeões;
- finalmente temos dois laterais sólidos, Evaldo e João Pereira. Nenhum deles é o Maicon, mas dão garantias de competitividade;
- felizmente que com o Mundial, Miguel Veloso não teve tempo suficiente nas férias para engordar os habituais 10 quilos;
- André Santos e Salomão deram mostras de ter potencial;
- a escolha de Polga para a primeira opção como capitão parece-me acertada. É uma alternativa segura para o lugar. Alia experiência com serenidade (ás vezes até demais) e leva meia dúzia de anos de leão ao peito. Face à curva descendente em que se encontra a sua carreira, não me parece que seja capaz de possuir ainda ambições externas que ponham em causa a coesão do grupo. A realidade é que para um lugar tão fulcral como o de capitão, o clube não se pode dar ao luxo de errar novamente depois da caldeirada Moutinho que ainda continua a dar que falar;
- uma defesa alta em linha para os jogos em casa. Quem quer ser campeão tem que correr riscos. Agradou-me sobremaneira essa forma de encarar a partida mas é muito cedo para tirar mais ilações.
Morno:
- Pongolle e Matias Fernández têm tudo para explodir esta época mas as primeiras indicações não foram auspiciosas. Espero estar enganado. O Francês passa demasiado tempo ao lado do jogo. Tem dificuldades em provocar desequilíbrios. Por sua vez, o Chileno tem tudo para dar certo. Tem talento (o seu simples toque de bola não engana), tem velocidade explosiva e é bom nas bolas paradas, no entanto começo a ter aquela estranha sensação que me acompanhava quando via jogar Tonito aqui há uns anos atrás. Quando tem a bola controlada, em 90 % das situações Matias toma a decisão errada para o desenvolvimento da jogada ofensiva. Era isso que acontecia com o jogador espanhol que chegou a ser campeão, saliente-se. E não estou a comparar ambos os jogadores. Matias Fernández tem inegáveis qualidades e é a época do tudo ou nada para ele.
Negativo:
- Já escrevi tudo o que havia para escrever sobre Grimi. Já me faltam os adjectivos. A palavra anedota chateava-se;
- Carlos Saleiro não tem lugar neste plantel. É esforçado mas como jogador não enche as medidas a ninguém;
- faltam reforços e o retardamento da sua inclusão na equipa dificulta a construção e o crescimento do colectivo. Não nos podemos esquecer da valia dos plantéis rivais. A época vai ser longa e há constantemente jogadores lesionados. Neste momento, por exemplo, já estão impossibilitados dois presumíveis titulares, Carriço e Izmailov….
Positivo:
- Razoável assistência o que pode ser um sinal positivo relativamente à recuperação do fervor leonino;
- a instalação sonora emite agora um rugido de leão de quando em quando. Uma apropriada ideia que fica mesmo assim aquém do desejado. Aquele rugido devia estar sempre a bombar. Intimidava os adversários e sempre calava o idiota do speaker;
- vitória justa e clara contra semifinalista da última liga dos campeões;
- finalmente temos dois laterais sólidos, Evaldo e João Pereira. Nenhum deles é o Maicon, mas dão garantias de competitividade;
- felizmente que com o Mundial, Miguel Veloso não teve tempo suficiente nas férias para engordar os habituais 10 quilos;
- André Santos e Salomão deram mostras de ter potencial;
- a escolha de Polga para a primeira opção como capitão parece-me acertada. É uma alternativa segura para o lugar. Alia experiência com serenidade (ás vezes até demais) e leva meia dúzia de anos de leão ao peito. Face à curva descendente em que se encontra a sua carreira, não me parece que seja capaz de possuir ainda ambições externas que ponham em causa a coesão do grupo. A realidade é que para um lugar tão fulcral como o de capitão, o clube não se pode dar ao luxo de errar novamente depois da caldeirada Moutinho que ainda continua a dar que falar;
- uma defesa alta em linha para os jogos em casa. Quem quer ser campeão tem que correr riscos. Agradou-me sobremaneira essa forma de encarar a partida mas é muito cedo para tirar mais ilações.
Morno:
- Pongolle e Matias Fernández têm tudo para explodir esta época mas as primeiras indicações não foram auspiciosas. Espero estar enganado. O Francês passa demasiado tempo ao lado do jogo. Tem dificuldades em provocar desequilíbrios. Por sua vez, o Chileno tem tudo para dar certo. Tem talento (o seu simples toque de bola não engana), tem velocidade explosiva e é bom nas bolas paradas, no entanto começo a ter aquela estranha sensação que me acompanhava quando via jogar Tonito aqui há uns anos atrás. Quando tem a bola controlada, em 90 % das situações Matias toma a decisão errada para o desenvolvimento da jogada ofensiva. Era isso que acontecia com o jogador espanhol que chegou a ser campeão, saliente-se. E não estou a comparar ambos os jogadores. Matias Fernández tem inegáveis qualidades e é a época do tudo ou nada para ele.
Negativo:
- Já escrevi tudo o que havia para escrever sobre Grimi. Já me faltam os adjectivos. A palavra anedota chateava-se;
- Carlos Saleiro não tem lugar neste plantel. É esforçado mas como jogador não enche as medidas a ninguém;
- faltam reforços e o retardamento da sua inclusão na equipa dificulta a construção e o crescimento do colectivo. Não nos podemos esquecer da valia dos plantéis rivais. A época vai ser longa e há constantemente jogadores lesionados. Neste momento, por exemplo, já estão impossibilitados dois presumíveis titulares, Carriço e Izmailov….
sábado, 17 de julho de 2010
A Generosidade
Jeremias quando conduzia na auto-estrada gostava de ultrapassar carros mais potentes que o seu. O único objectivo era provocar a masculinidade (principalmente) ou a feminilidade (mais raramente) dos respectivos automobilistas no sentido de o ultrapassarem com rapidez. Como em 90 % dos casos estava perante previsíveis exemplares indígenas, isso acontecia com naturalidade.
Para Jeremias era um regalo apreciar o ar trocista com que os ávidos condutores triunfalmente o ultrapassavam. Nunca jamais abdicaria desses momentos de puro altruísmo.
Jeremias sempre gostou de fazer os outros Felizes.....
Para Jeremias era um regalo apreciar o ar trocista com que os ávidos condutores triunfalmente o ultrapassavam. Nunca jamais abdicaria desses momentos de puro altruísmo.
Jeremias sempre gostou de fazer os outros Felizes.....
quarta-feira, 14 de julho de 2010
O Carreirista Supersónico (IV)
O Carreirista Supersónico depois da passagem por director de serviços na cobrança de impostos acabou por ser promovido. As cada vez mais intensas ligações partidárias que alimentava começavam a dar frutos. Desta vez, uma mudança de governo valeu-lhe um convite para assessor de um secretário de estado com o qual tinha estabelecido uma conveniente amizade no Partido. Como lugar muito bem remunerado que era, tinha direito a algumas mordomias. Assim, o bom do Armando deu consigo circunstancialmente a ser conduzido por Motorista, o que para quem tinha nascido em Vilar do Ossos não estava nada mal, não senhor.
Como Assessor manteve relações privilegiadas com proeminentes jornalistas. Tratava por tu alguns directores de serviços noticiosos, forjava com frequência notícias que de alguma maneira valorizassem e enaltecessem o seu superior hierárquico.
Um dia, numa visita a uma escola do interior recentemente reconstruída, veio a conhecer um industrial de construção civil que o aliciou na perspectiva de Armando utilizar todas as suas influências no sentido de encaminhar a adjudicação de obra pública de grande envergadura para o dito construtor. Como contrapartida desse favorzinho, o bom do Armando receberia 200 000 em notas vivas ou, caso preferisse, obras de valor semelhante em casa própria ou em construção. O nosso Carreirista Supersónico meteu mãos à obra e desenvolveu todos os esforços fazendo uso de todas as suas reconhecidas capacidades na nobre arte da intrujice. Prometeu favores a Fulano e Sicrano até finalmente conseguir a ansiada adjudicação da obra para o seu aliado de circunstância.
Armando que tinha já umas poupanças para aplicar, amealhadas ao longo do seu exemplar e meritório percurso profissional, conseguiu desta forma a casa de sonho para a sua família com um amplo jardim e piscina, localizada a 30 minutos de Lisboa.
Como reflexo da sua inequívoca competência e ética profissional, passado pouco tempo, o nosso Armado foi convidado para Secretário de Estado das Obras Públicas - a sua última grande paixão.....
Os episódios anteriores da saga o Carreirista Supersónico aqui: I, II e III.
Como Assessor manteve relações privilegiadas com proeminentes jornalistas. Tratava por tu alguns directores de serviços noticiosos, forjava com frequência notícias que de alguma maneira valorizassem e enaltecessem o seu superior hierárquico.
Um dia, numa visita a uma escola do interior recentemente reconstruída, veio a conhecer um industrial de construção civil que o aliciou na perspectiva de Armando utilizar todas as suas influências no sentido de encaminhar a adjudicação de obra pública de grande envergadura para o dito construtor. Como contrapartida desse favorzinho, o bom do Armando receberia 200 000 em notas vivas ou, caso preferisse, obras de valor semelhante em casa própria ou em construção. O nosso Carreirista Supersónico meteu mãos à obra e desenvolveu todos os esforços fazendo uso de todas as suas reconhecidas capacidades na nobre arte da intrujice. Prometeu favores a Fulano e Sicrano até finalmente conseguir a ansiada adjudicação da obra para o seu aliado de circunstância.
Armando que tinha já umas poupanças para aplicar, amealhadas ao longo do seu exemplar e meritório percurso profissional, conseguiu desta forma a casa de sonho para a sua família com um amplo jardim e piscina, localizada a 30 minutos de Lisboa.
Como reflexo da sua inequívoca competência e ética profissional, passado pouco tempo, o nosso Armado foi convidado para Secretário de Estado das Obras Públicas - a sua última grande paixão.....
Os episódios anteriores da saga o Carreirista Supersónico aqui: I, II e III.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
O Snobismo
Snob é uma palavra que num inglês primitivo significava curiosamente o inverso do que significa hoje. De acordo com o dicionário actual da língua portuguesa o sentido que lhe damos resulta de uma manifestação de superioridade nas ideias, gostos e comportamentos e um menosprezo por aqueles que não têm prestígio ou posição social. E, perguntam os meus estimados leitores, por que carga de água é chamado para aqui o snobismo?
Porque é uma característica que assenta que nem uma luva nesta Portugalidade de princípio de século. Podia começar pelo snobismo intelectual - o mais interessante de escalpelizar. Talvez até houvesse aí matéria suficiente para escrever um livro. Abunda na opinião pública e nos círculos políticos. É usado e abusado por uma certa esquerda de referência que se julga muito letrada, muito sofisticada, muito equitativa, muito opinativa mas que depois à primeira oportunidade reprime e até escraviza eventuais subordinados. Amordaça opiniões alheias por serem divergentes das suas. Não tolera conviver com o contraditório por mais evidentes que sejam as fragilidades dos seus argumentos.
Provavelmente ainda voltarei a esta omnipresente arrogância intelectual no futuro....
Uma vertente mais dispersa, mas mais amputadora para o desenvolvimento sustentado do país é o Snobismo social. Herda-se de berço nalguns casos, noutros desenvolve-se nas juventudes partidárias e nas administrações das empresas. Floresce nos meios culturais. Existem situações em que nem se percebe muito bem de onde vem, mas está sempre presente, escondido, à espreita na esquina mais próxima.
Vivemos num tempo em que encontramos facilmente jovens adultos a administrar empresas públicas. Pessoas sem qualquer experiência significativa de vida ao nível pessoal, que é o mais importante na formação do individuo, e sem percursos meritórios de qualquer espécie.
Sempre que existe uma sensação de real poder, por mais vaga que seja, que incida sobre o controlo de recursos humanos ou financeiros emerge sempre em Portugal o Snobismo mais pacóvio. Uma espécie de eu sei que tu sabes que o meu lugar é este aqui, no pedestal, e o teu lugar é aí no meio do nada. Depois esmiúça-se o núcleo individual, a verdadeira essência, a putativa coluna vertebral desta gente que vive afundada num mar de aparências e encontra-se o.....vazio absoluto. Por mais estranho que possa parecer, os fantasmas e as frustrações que assolam esta espécie de pessoas é o que de mais autêntico possuem. De resto, vivem alimentadas por ambições doentias, ficções frívolas e ostentações fúteis. Habitam em condomínios privados de reinos desgovernados incapazes de escapar à superficialidade de um discurso convencional, bacoco e socialmente acomodado. Temem o confronto de ideias, receiam pontos de vista discordantes porque no essencial querem manter a supremacia a todo o custo.
Num país pequeno, que funciona à base de capelinhas sectoriais com grande parte dos dados viciados à partida, esta forma quase generalizada de agir torna-se castradora aos mais diversos níveis, incluindo numa área fundamental para a educação cívica como é a criação artística.....
Olhemos por exemplo para os nossos vizinhos espanhóis. Obviamente que o snobismo também terá os seus partidários mas tratam-se sempre de forma informal, normalmente por tu, independentemente de quem esteja do outro lado. Como perdem menos tempo com todas as futilidades inerentes ao posicionamento social são mais metódicos que nós, mais planeados, mais despreocupados, menos complicados e por isso vivem melhor e mais felizes....
Porque é uma característica que assenta que nem uma luva nesta Portugalidade de princípio de século. Podia começar pelo snobismo intelectual - o mais interessante de escalpelizar. Talvez até houvesse aí matéria suficiente para escrever um livro. Abunda na opinião pública e nos círculos políticos. É usado e abusado por uma certa esquerda de referência que se julga muito letrada, muito sofisticada, muito equitativa, muito opinativa mas que depois à primeira oportunidade reprime e até escraviza eventuais subordinados. Amordaça opiniões alheias por serem divergentes das suas. Não tolera conviver com o contraditório por mais evidentes que sejam as fragilidades dos seus argumentos.
Provavelmente ainda voltarei a esta omnipresente arrogância intelectual no futuro....
Uma vertente mais dispersa, mas mais amputadora para o desenvolvimento sustentado do país é o Snobismo social. Herda-se de berço nalguns casos, noutros desenvolve-se nas juventudes partidárias e nas administrações das empresas. Floresce nos meios culturais. Existem situações em que nem se percebe muito bem de onde vem, mas está sempre presente, escondido, à espreita na esquina mais próxima.
Vivemos num tempo em que encontramos facilmente jovens adultos a administrar empresas públicas. Pessoas sem qualquer experiência significativa de vida ao nível pessoal, que é o mais importante na formação do individuo, e sem percursos meritórios de qualquer espécie.
Sempre que existe uma sensação de real poder, por mais vaga que seja, que incida sobre o controlo de recursos humanos ou financeiros emerge sempre em Portugal o Snobismo mais pacóvio. Uma espécie de eu sei que tu sabes que o meu lugar é este aqui, no pedestal, e o teu lugar é aí no meio do nada. Depois esmiúça-se o núcleo individual, a verdadeira essência, a putativa coluna vertebral desta gente que vive afundada num mar de aparências e encontra-se o.....vazio absoluto. Por mais estranho que possa parecer, os fantasmas e as frustrações que assolam esta espécie de pessoas é o que de mais autêntico possuem. De resto, vivem alimentadas por ambições doentias, ficções frívolas e ostentações fúteis. Habitam em condomínios privados de reinos desgovernados incapazes de escapar à superficialidade de um discurso convencional, bacoco e socialmente acomodado. Temem o confronto de ideias, receiam pontos de vista discordantes porque no essencial querem manter a supremacia a todo o custo.
Num país pequeno, que funciona à base de capelinhas sectoriais com grande parte dos dados viciados à partida, esta forma quase generalizada de agir torna-se castradora aos mais diversos níveis, incluindo numa área fundamental para a educação cívica como é a criação artística.....
Olhemos por exemplo para os nossos vizinhos espanhóis. Obviamente que o snobismo também terá os seus partidários mas tratam-se sempre de forma informal, normalmente por tu, independentemente de quem esteja do outro lado. Como perdem menos tempo com todas as futilidades inerentes ao posicionamento social são mais metódicos que nós, mais planeados, mais despreocupados, menos complicados e por isso vivem melhor e mais felizes....
domingo, 11 de julho de 2010
Campeones
A Espanha sagrou-se muito justamente campeã mundial de futebol. Zapatero agradece. Nos próximos tempos os índices de produtividade certamente melhorarão.
Apesar de estar a torcer pelos holandeses reconheço que os espanhóis foram a melhor equipa durante a competição alicerçada num bom guarda-redes (capitão Casillas) e num extraordinário meio-campo composto por grandes executantes.
Apesar de estar a torcer pelos holandeses reconheço que os espanhóis foram a melhor equipa durante a competição alicerçada num bom guarda-redes (capitão Casillas) e num extraordinário meio-campo composto por grandes executantes.
À Holanda, que jogou a terceira final de um Mundial sem nunca ter ganho nenhum, resta a consolação de ter morrido na praia a cinco minutos de uma provável vitória nas grandes penalidades....
sábado, 10 de julho de 2010
A Consonância
Há muito que Jeremias não ouvia a expressão “em consonância”. Havia palavras que sempre se pautaram por lhe provocar aquele discreto contentamento. Arrebatavam-lhe a alma linguística. Naquele dia ao ouvir aquela mágica expressão pela boca de um ilustre desconhecido, Jeremias sentiu-se de bem com o Mundo.....
Como uma flor vermelha
À sua passagem a noite é vermelha,
E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia.
Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.
Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.
Sophia de Mello Breyner Andresen
E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia.
Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.
Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.
Sophia de Mello Breyner Andresen
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Shirin
Com a presença de Juliette Binoche, Shirin do iraniano Abbas Kiarostami é um tremendo objecto de arte em estado puro que parte de uma ideia simples: pôr 114 mulheres sentadas numa sala de cinema - 113 iranianas de várias idades e uma europeia (Binoche) - a assistirem à suposta encenação de um poema persa do século XII sobre os amores de uma princesa arménia de nome Shirin. A Câmara de Kiarostami debruça-se única e exclusivamente sobre os olhares, as expressões e as emoções dessas mulheres perante o desenrolar da peça, sem nunca vacilar no foco.
Obviamente que o filme de Kiarostami, além da motivação artística, tem claros objectivos políticos. O lugar submisso da mulher na sociedade irariana continua a ser alvo cirúrgico para o Realizador, na tentativa que esses ancestrais e inexplicáveis preconceitos sejam progressivamente abandonados por um regime que continua a ignorar as mais elementares regras na igualdade entre sexos.
Acima de tudo, este filme é uma experiência sensorial cativante e um estimulante desafio aos nossos sentidos. Cada espectador reagirá à sua maneira e formulará as suas próprias conclusões.
Shirin é uma apaixonante visão despudorada sobre a Liberdade porque ninguém pode reprimir as emoções contidas no olhar de uma mulher.....
Obviamente que o filme de Kiarostami, além da motivação artística, tem claros objectivos políticos. O lugar submisso da mulher na sociedade irariana continua a ser alvo cirúrgico para o Realizador, na tentativa que esses ancestrais e inexplicáveis preconceitos sejam progressivamente abandonados por um regime que continua a ignorar as mais elementares regras na igualdade entre sexos.
Acima de tudo, este filme é uma experiência sensorial cativante e um estimulante desafio aos nossos sentidos. Cada espectador reagirá à sua maneira e formulará as suas próprias conclusões.
Shirin é uma apaixonante visão despudorada sobre a Liberdade porque ninguém pode reprimir as emoções contidas no olhar de uma mulher.....
terça-feira, 6 de julho de 2010
A Loucura
Jeremias já tinha passado por muitas e variadas tormentas. Conhecia os misteriosos caminhos que levam à decadência humana e apesar das cicatrizes acumuladas, até ver, tinha sobrevivido a todas as tempestades.
Racionalmente devia temer a doença, a miséria e todo um conjunto de perigos nefastos que espreitam a cada esquina, a cada movimento em falso, em cada armadilha oculta. No entanto a única coisa que lhe provocava pavor, a única coisa que o assustava realmente era a possibilidade do filho poder vir a ser do Benfica....
Racionalmente devia temer a doença, a miséria e todo um conjunto de perigos nefastos que espreitam a cada esquina, a cada movimento em falso, em cada armadilha oculta. No entanto a única coisa que lhe provocava pavor, a única coisa que o assustava realmente era a possibilidade do filho poder vir a ser do Benfica....
domingo, 4 de julho de 2010
Adeus
João Moutinho vai embora e por mim faz muito bem. Tenho a perfeita noção que esta posição não é de todo unânime no universo leonino.
Comparar o Moutinho ao lendário capitão Manuel Fernandes como já vi alguns fazer é de rir. Sejamos sérios, anda tudo a chorar por um fedelho que queria trocar o Sporting pelo Everton, ouviram bem, pelo Everton. E que depois de ter tornado pública essa vontade, nunca mais jogou nada. Considerar aquele sujeito como símbolo da Academia – a maior fábrica de talentos de Portugal - é um atentado à minha sanidade leonina.
Já vai tarde. Esteve 2 anos a mais. Obviamente que não deverá sair a qualquer preço. E o futuro irá julgar este inusitado acto de gestão porque o beneficiado é incompreensivelmente um rival directo. A vontade do jogador falou mais alto e também não me parece que houvesse outras alternativas. Não nos podemos esquecer que o interesse de outros eventuais clubes estrangeiros terá arrefecido com a época apagada do jogador e pela ausência no lote de convocados para o Mundial.
Por conseguinte, não recordarei João Moutinho pelos golos ou por alguma marcante exibição que me tenha ficado na memória. A imagem com que fico de João Moutinho é o episódio verificado a 2 de Agosto de 2008, data da apresentação aos sócios da temporada 2008/2009, em que o topo sul do estádio José Alvalade XXI cantou em uníssono quando o jogador se preparava para fazer exercícios de aquecimento: “Moutinho, Cabrão, não és o Capitão”. Dias antes, perante os jornalistas, o jogador tinha manifestado vontade de sair para o Everton, um clube de segunda linha da Liga Inglesa…..
O Momento
a poesia sai à rua
no instante decisivo,
universos repartidos
em eternos destinos cruzados,
entender o passado
e viver o presente
debaixo desta luz
que nos persegue.
no instante decisivo,
universos repartidos
em eternos destinos cruzados,
entender o passado
e viver o presente
debaixo desta luz
que nos persegue.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
A Comoção
Jeremias fazia 200 kilómetros para que o seu Barbeiro lhe cortasse o cabelo. Se fosse necessário faria 500 porque há coisas que não se explicam.
Naquele dia ao despedir-se, depois de terminado o serviço, o camarada Barbeiro mandou um abraço ao filho ainda bebé de Jeremias e perguntou quando é que o veria por lá? Jeremias engoliu em seco, e como é seu hábito nessas circunstâncias abalou apressado desejando um bom fim-de-semana ao Barbeiro de toda uma vida….
Naquele dia ao despedir-se, depois de terminado o serviço, o camarada Barbeiro mandou um abraço ao filho ainda bebé de Jeremias e perguntou quando é que o veria por lá? Jeremias engoliu em seco, e como é seu hábito nessas circunstâncias abalou apressado desejando um bom fim-de-semana ao Barbeiro de toda uma vida….
Palavras para a Minha Mãe
mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.
às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.
lê isto: mãe, amo-te.
eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.
José Luís Peixoto
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.
às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.
lê isto: mãe, amo-te.
eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.
José Luís Peixoto
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Hasta la Vista
Acabou o sonho português por terras africanas. Para mim o essencial é que a Espanha ganhou bem porque tem melhor equipa. Então, ao nível da qualidade do meio-campo a diferença actual entre as equipas é abissal. Posto isto, discutir as restantes incidências da partida não faz sentido. Tudo normal, na minha opinião. Aliás, nos oitavos de final da prova não houve uma única surpresa. Os favoritos confirmaram a sua supremacia.
Sem dúvida que o comportamento de Cristiano Ronaldo foi infeliz e reprovável. No entanto, está a ser vítima de uma situação que não foi criada somente por ele. Dar-lhe a braçadeira de capitão foi um erro crasso. Contudo, agora é tarde para voltar atrás. Até porque se tudo correr normalmente Ronaldo ainda dará muitas alegrias ao futebol português. Aliás, o meu Sporting cometeu o mesmíssimo erro com João Moutinho. Entregou-lhe a mítica braçadeira de capitão de forma precipitada. São jogadores demasiado jovens, demasiado imaturos, demasiado deslumbrados para terem o perfil indicado para líderes do que quer que seja. No caso de João Moutinho, a acrescida responsabilidade, deu-lhe para anunciar através da comunicação social que gostaria de sair para um clube de menor dimensão - o Everton. A partir daí, deixei de apreciar o homem e o jogador. Curiosamente, o seu rendimento começou a cair a pique desde essa altura.
Independentemente do mau momento de Cristiano, comparar a postura dele com a de Eduardo como vi muitos analistas fazer, não lembra ao diabo. Ronaldo entrou no Mundial como o 2.º melhor do mundo, depois de uma primeira época bem conseguida no Real Madrid. Dele se esperava tudo e frente à Espanha todos os holofotes estavam focados nele. Eduardo até agora ninguém sabia quem era, e abandona o Mundial muito justamente como o guarda-redes menos batido da competição depois de uma extraordinária exibição frente à Espanha. Ou seja, depois de uma derrota e da consequente eliminação, qual dos dois jogadores está em melhores condições anímicas para dar a cara pela derrota?
A partir de agora, sou Holandês. E a bandeirinha que aqui aparece só não vai direitinha para a janela porque tenho medo que os Brasileiros cá do bairro me dêem uma valente coça….
Sem dúvida que o comportamento de Cristiano Ronaldo foi infeliz e reprovável. No entanto, está a ser vítima de uma situação que não foi criada somente por ele. Dar-lhe a braçadeira de capitão foi um erro crasso. Contudo, agora é tarde para voltar atrás. Até porque se tudo correr normalmente Ronaldo ainda dará muitas alegrias ao futebol português. Aliás, o meu Sporting cometeu o mesmíssimo erro com João Moutinho. Entregou-lhe a mítica braçadeira de capitão de forma precipitada. São jogadores demasiado jovens, demasiado imaturos, demasiado deslumbrados para terem o perfil indicado para líderes do que quer que seja. No caso de João Moutinho, a acrescida responsabilidade, deu-lhe para anunciar através da comunicação social que gostaria de sair para um clube de menor dimensão - o Everton. A partir daí, deixei de apreciar o homem e o jogador. Curiosamente, o seu rendimento começou a cair a pique desde essa altura.
Independentemente do mau momento de Cristiano, comparar a postura dele com a de Eduardo como vi muitos analistas fazer, não lembra ao diabo. Ronaldo entrou no Mundial como o 2.º melhor do mundo, depois de uma primeira época bem conseguida no Real Madrid. Dele se esperava tudo e frente à Espanha todos os holofotes estavam focados nele. Eduardo até agora ninguém sabia quem era, e abandona o Mundial muito justamente como o guarda-redes menos batido da competição depois de uma extraordinária exibição frente à Espanha. Ou seja, depois de uma derrota e da consequente eliminação, qual dos dois jogadores está em melhores condições anímicas para dar a cara pela derrota?
A partir de agora, sou Holandês. E a bandeirinha que aqui aparece só não vai direitinha para a janela porque tenho medo que os Brasileiros cá do bairro me dêem uma valente coça….
terça-feira, 29 de junho de 2010
24 City
Uma fábrica estatal de produção de aviões em Chengdu na China encerra e é obrigada a despedir grande parte dos seus empregados. No local da fábrica é construído o "24 City", um luxuoso condomínio.
Jia Zhang-ke, o mesmo de “Plataforma”, que chegou a ser objecto de culto por essa Europa fora, traz-nos uma narrativa seca que em determinados momentos consegue ser comovente.
Tal como em anteriores filmes, o realizador chinês continua a dissecar o processo de transformação da sociedade chinesa e os efeitos da progressiva abertura ao exterior. Desta vez, através dos extraordinários depoimentos de alguns dos envolvidos no processo, mostra-nos a devastação emocional por que passa uma comunidade que dependia essencialmente da fábrica cujos proprietários decidem deslocalizar e modernizar, esvaziando assim a vida de umas largas centenas de pessoas que sobrevivem sem perspectivas de um qualquer futuro tornando-as órfãs dos ideais que preconizavam.
Jia Zhang-ke confirma que tem talento suficiente para adequar discursos e realidades tão díspares como a resistência ao imperialismo americano e a procura de novos estímulos proporcionados pelo capitalismo globalizante. E é esse o principal e original mérito de Zhang-ke que, assinale-se, tem apenas 40 anos.
24 City é um recomendável filme com pessoas dentro, a que não falta a omnipresente Internacional cantada em mandarim…..
Jia Zhang-ke, o mesmo de “Plataforma”, que chegou a ser objecto de culto por essa Europa fora, traz-nos uma narrativa seca que em determinados momentos consegue ser comovente.
Tal como em anteriores filmes, o realizador chinês continua a dissecar o processo de transformação da sociedade chinesa e os efeitos da progressiva abertura ao exterior. Desta vez, através dos extraordinários depoimentos de alguns dos envolvidos no processo, mostra-nos a devastação emocional por que passa uma comunidade que dependia essencialmente da fábrica cujos proprietários decidem deslocalizar e modernizar, esvaziando assim a vida de umas largas centenas de pessoas que sobrevivem sem perspectivas de um qualquer futuro tornando-as órfãs dos ideais que preconizavam.
Jia Zhang-ke confirma que tem talento suficiente para adequar discursos e realidades tão díspares como a resistência ao imperialismo americano e a procura de novos estímulos proporcionados pelo capitalismo globalizante. E é esse o principal e original mérito de Zhang-ke que, assinale-se, tem apenas 40 anos.
24 City é um recomendável filme com pessoas dentro, a que não falta a omnipresente Internacional cantada em mandarim…..
sábado, 26 de junho de 2010
A Divina Poesia
Jeremias assistia incrédulo às traquinices daquele arlequim empertigado. No espaço de 5 minutos, aquele admirável pequeno ser conseguia gargalhar, chorar, enraivecer, bater, abraçar (e como era afectuoso aquele piolho atómico) e no fim voltar à euforia inicial. A sua energia não era originária certamente do mesmo núcleo galáctico de Jeremias.
Ao contrário do expectável, aquela pétala trepidante começou por gatinhar para trás. O mais difícil deve ser mais divertido terá pensado, no meio de mais uma das suas cagadelas estratosféricas. O que gostava mesmo era pôr-se de pé, de alto, a observar criteriosamente as idiotices alheias. Era um curioso desmesurado.
Todavia, o que mais impressionava Jeremias, era a capacidade lutadora que aquele pequeno ser demonstrava quando se sentia preso, ou de alguma forma, desprovido dos seus habituais movimentos. Batalhava literalmente até à exaustão como se aquela liberdade pontual, desprovida de qualquer sentido essencial, fosse a única coisa que o norteasse. Encarava cada luta como se fosse a mãe de todas as lutas. Para os olhos de um Jeremias desarmado (que até aí pensava, erradamente, já ter vivido umas merdas) aquela luta frenética representava a mais pura das visões e a mais sublime das Poesias….
Ao contrário do expectável, aquela pétala trepidante começou por gatinhar para trás. O mais difícil deve ser mais divertido terá pensado, no meio de mais uma das suas cagadelas estratosféricas. O que gostava mesmo era pôr-se de pé, de alto, a observar criteriosamente as idiotices alheias. Era um curioso desmesurado.
Todavia, o que mais impressionava Jeremias, era a capacidade lutadora que aquele pequeno ser demonstrava quando se sentia preso, ou de alguma forma, desprovido dos seus habituais movimentos. Batalhava literalmente até à exaustão como se aquela liberdade pontual, desprovida de qualquer sentido essencial, fosse a única coisa que o norteasse. Encarava cada luta como se fosse a mãe de todas as lutas. Para os olhos de um Jeremias desarmado (que até aí pensava, erradamente, já ter vivido umas merdas) aquela luta frenética representava a mais pura das visões e a mais sublime das Poesias….
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Torsiglieri
Marco Torsiglieri pode até não acrescentar nada ao meu Sporting mas já me conquistou. O central argentino contratado ao Vélez Sarsfield tem nome de jogador, tem estampa de jogador, por isso só pode ser bom jogador. E um gajo que se chama Marco Torsiglieri não vem para cá para estar com merdas.
Entretanto, como uma boa notícia nunca vem só, parece que Hugo Viana definitivamente não vem para o Sporting. Nunca me agradou essa possibilidade. Foi jogador que nunca me deixou saudades. Tem um bom pé esquerdo mas é pouco competitivo. Não serviu para o Osasuna, não serve para o Valência, serviu a espaços para o Braga mas não me parece que fosse uma mais-valia inquestionável numa equipa que se deseja ambiciosa e focada no título.
Evaldo e Maniche não me desagradam. O defesa-esquerdo até vem tarde face às evidentes debilidades que a equipa tem denotado nessa posição. Maniche é um risco, um enorme risco, mas compreendo o sentido da aposta. Pode ser um facto destabilizador, mas também pode ser o epicentro de uma equipa com garra, personalidade, maturidade e espírito vencedor….
Entretanto, como uma boa notícia nunca vem só, parece que Hugo Viana definitivamente não vem para o Sporting. Nunca me agradou essa possibilidade. Foi jogador que nunca me deixou saudades. Tem um bom pé esquerdo mas é pouco competitivo. Não serviu para o Osasuna, não serve para o Valência, serviu a espaços para o Braga mas não me parece que fosse uma mais-valia inquestionável numa equipa que se deseja ambiciosa e focada no título.
Evaldo e Maniche não me desagradam. O defesa-esquerdo até vem tarde face às evidentes debilidades que a equipa tem denotado nessa posição. Maniche é um risco, um enorme risco, mas compreendo o sentido da aposta. Pode ser um facto destabilizador, mas também pode ser o epicentro de uma equipa com garra, personalidade, maturidade e espírito vencedor….
quinta-feira, 24 de junho de 2010
O Horror
E agora como irá Portugal sobreviver a esta hecatombe? O Jornalismo esclarecido e rigoroso nunca mais será o mesmo. Este País necessita de referências como o 24 horas. Uma tragédia é o que é. Ninguém me tira da cabeça que o Correio da Manhã está por detrás disto.
O Estado devia ter uma Golden Share no 24 Horas para evitar esta perda irreparável. E o Professor Cavaco, aparecerá no Funeral?...
O Estado devia ter uma Golden Share no 24 Horas para evitar esta perda irreparável. E o Professor Cavaco, aparecerá no Funeral?...
terça-feira, 22 de junho de 2010
A Esquizofrenia
Jeremias - um misantropo moderado - assistia com curiosidade aos sintomas da esquizofrenia reinante que assaltava o Portugal contemporâneo.
Registava com minúcia as impurezas e as cabalas orquestradas. Farejava os trilhos esquivos da corrupção. Denunciava com clarividência os vícios da nobre e imortal nação na esperança de um dia ser goleado como os norte-coreanos. Jeremias, sempre sonhou ter um Grande Líder….
Registava com minúcia as impurezas e as cabalas orquestradas. Farejava os trilhos esquivos da corrupção. Denunciava com clarividência os vícios da nobre e imortal nação na esperança de um dia ser goleado como os norte-coreanos. Jeremias, sempre sonhou ter um Grande Líder….
Don't You Forget About Me – Simple Minds
Ainda adolescente vibrei com eles no velhinho estádio de Alvalade no já longínquo ano de 1991 onde, rezam as crónicas, deram por Lisboa um dos melhores concertos de sempre…..
domingo, 20 de junho de 2010
O Carreirista Supersónico (III)
Depois das acidentadas passagens pela ticket line e pela CP – Comboios de Portugal, Armado Vara recebe o justo prémio pelas trapalhadas efectuadas e é convidado para director de serviços de um organismo estatal ligado à cobrança de impostos onde será responsável pelo cumprimento escrupuloso dos procedimentos instituídos. O convite para tal posição – já com algum relevo – partiu de uns compadres ligados ao Partido que ocupava o poder com os quais tinha travado conhecimento numa cerimónia protocolar ocorrida quando exercia ainda funções na CP. Claro que o diligente Armando Vara depressa se inscreveu como militante do Partido em causa, tornando-se um hábil, empenhado e dinâmico propagandista dos interesses do mesmo, comparecendo diariamente de forma disciplinada na respectiva secção partidária.
No primeiro dia em que abraçou as novas funções, depois de ter sido apresentado aos seus subordinados, Vara promete logo ali num discurso inspirado e inflamado (previamente preparado por um antigo professor do Secundário com o qual mantinha cordiais relações a troco de 500 €uros pagos por debaixo da mesa sem que houvesse qualquer recibo válido como comprovativo do pagamento) tudo fazer para defender os interesses da equipa e ao mesmo tempo imprimir uma rigorosa eficácia na cobrança dos impostos….
No primeiro dia em que abraçou as novas funções, depois de ter sido apresentado aos seus subordinados, Vara promete logo ali num discurso inspirado e inflamado (previamente preparado por um antigo professor do Secundário com o qual mantinha cordiais relações a troco de 500 €uros pagos por debaixo da mesa sem que houvesse qualquer recibo válido como comprovativo do pagamento) tudo fazer para defender os interesses da equipa e ao mesmo tempo imprimir uma rigorosa eficácia na cobrança dos impostos….
Campeões!
Fim-de-semana em cheio. Tricampeões Nacionais de Juniores e novamente Campeões no Futsal, eu tinha avisado....
Um rio de luzes
Um rio de escondidas luzes
atravessa a invenção da voz
avança lentamente
mas de repente
irrompe fulminante
saindo-nos da boca
No espantoso momento
do agora da fala
é uma torrente enorme
um mar que se abre
na nossa garganta
Nesse rio
as palavras sobrevoam
as abruptas margens do sentido
Ana Hatherly
atravessa a invenção da voz
avança lentamente
mas de repente
irrompe fulminante
saindo-nos da boca
No espantoso momento
do agora da fala
é uma torrente enorme
um mar que se abre
na nossa garganta
Nesse rio
as palavras sobrevoam
as abruptas margens do sentido
Ana Hatherly
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Trois Minutes
No dia em que o agora eterno José Saramago partiu para junto do avô Jerónimo deixo, na sequência disto e disto, a Belíssima curta com que Theo Angelopoulos contribuiu para "Cada um o seu cinema" composto por 32 filmes com a precisa duração de 3 minutos que serviu de homenagem aos 60 anos do festival de Cannes.
Este fabuloso trois minutes é um tocante tributo a Marcello Mastroianni (mas podia ser também a Saramago) que conta com a sublime interpretação da fantástica Jeanne Moreau.…
quinta-feira, 17 de junho de 2010
O Portuguesismo
Sempre reconheci que padeço de clubite aguda - doença de Leão.
Apesar de não valorizar muito a selecção nacional ao ponto de me fazer sofrer, acompanho com óbvio interesse as campanhas nas grandes competições internacionais e desejo sempre que chegue o mais longe possível. Por esse motivo, não sou indiferente ao que se diz. Quem ouve, lê e vê os comentários ao empate português diante da Costa do Marfim sem saber o resultado final pensa que fomos goleados, tal é o pessimismo exacerbado que por aí abunda.
É verdade que não temos um líder dentro de campo. Cristiano Ronaldo sempre foi um equívoco a esse nível. Tem outras manifestas qualidades.
É verdade que Deco já passou a melhor fase da sua carreira e não temos substituto à altura nessa posição crucial do terreno.
É verdade que Queiroz não é um propriamente um portento na leitura do jogo mas daí até ser insultado por quase toda a gente vai (devia ir) uma grande distância. Até porque o Professor não merece esse tratamento pela sua inegável história na Selecção. Foi ele que abriu os horizontes a toda uma geração de jogadores e esse mérito é indestrutível. E convém também não esquecer que a Costa do Marfim é uma senhora equipa e que nada ainda está perdido para nós. Vejam-se os resultados da Espanha e Inglaterra para entender as dificuldades da competição.
Agora, independentemente das habituais controvérsias, temos de ter os pés assentes no chão. Se esta selecção porventura chegar aos quartos de final será sempre um resultado muito apreciável face ao peso da concorrência.
A realidade é que os resultados (anormais) alcançados no Euro 2004 e Mundial 2006 - 2.ª melhor selecção da Europa e 4.ª melhor do Mundo - foram fruto de circunstâncias muito especiais, entre as quais o factor sorte nos momentos cruciais, e uma carismática liderança de Luís Filipe Scolari que curiosamente ou talvez não apesar dos resultados conseguidos, andou também sempre a ser criticado pela opinião pública. Aliás, para um País da nossa dimensão, tenho sérias dúvidas que possamos chegar tão longe ao nível do futebol de Selecção como ocorrido no espaço desses 2 anos. Talvez, quem sabe, na reforma de José Mourinho quando este finalmente se resignar a ser simplesmente O Especial em bom português.…
Apesar de não valorizar muito a selecção nacional ao ponto de me fazer sofrer, acompanho com óbvio interesse as campanhas nas grandes competições internacionais e desejo sempre que chegue o mais longe possível. Por esse motivo, não sou indiferente ao que se diz. Quem ouve, lê e vê os comentários ao empate português diante da Costa do Marfim sem saber o resultado final pensa que fomos goleados, tal é o pessimismo exacerbado que por aí abunda.
É verdade que não temos um líder dentro de campo. Cristiano Ronaldo sempre foi um equívoco a esse nível. Tem outras manifestas qualidades.
É verdade que Deco já passou a melhor fase da sua carreira e não temos substituto à altura nessa posição crucial do terreno.
É verdade que Queiroz não é um propriamente um portento na leitura do jogo mas daí até ser insultado por quase toda a gente vai (devia ir) uma grande distância. Até porque o Professor não merece esse tratamento pela sua inegável história na Selecção. Foi ele que abriu os horizontes a toda uma geração de jogadores e esse mérito é indestrutível. E convém também não esquecer que a Costa do Marfim é uma senhora equipa e que nada ainda está perdido para nós. Vejam-se os resultados da Espanha e Inglaterra para entender as dificuldades da competição.
Agora, independentemente das habituais controvérsias, temos de ter os pés assentes no chão. Se esta selecção porventura chegar aos quartos de final será sempre um resultado muito apreciável face ao peso da concorrência.
A realidade é que os resultados (anormais) alcançados no Euro 2004 e Mundial 2006 - 2.ª melhor selecção da Europa e 4.ª melhor do Mundo - foram fruto de circunstâncias muito especiais, entre as quais o factor sorte nos momentos cruciais, e uma carismática liderança de Luís Filipe Scolari que curiosamente ou talvez não apesar dos resultados conseguidos, andou também sempre a ser criticado pela opinião pública. Aliás, para um País da nossa dimensão, tenho sérias dúvidas que possamos chegar tão longe ao nível do futebol de Selecção como ocorrido no espaço desses 2 anos. Talvez, quem sabe, na reforma de José Mourinho quando este finalmente se resignar a ser simplesmente O Especial em bom português.…
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Os Saltimbancos
Jeremias admirava, atónito, os acrobatas daquele magnífico circo. Transportavam com eles toda a leveza do mundo.
Jeremias sabia, contudo, que o seu estômago era demasiado sensível para todas aquelas cambalhotas….
Jeremias sabia, contudo, que o seu estômago era demasiado sensível para todas aquelas cambalhotas….
terça-feira, 15 de junho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
O Ópio do Povo
A bola já começou a rolar na África do Sul. As expectativas para o desempenho da selecção portuguesa são modestas. As ausências de Bosingwa e Nani também não ajudam a animar as hostes. Quando estão em forma são de facto dois desequilibradores natos e um tipo de jogadores que não abundam na actual selecção.
No entanto a realidade é que Queiroz por tudo o que já deu ao futebol português merece, no mínimo, o benefício de dúvida. Lembre-se que durante a fase de apuramento 95 % da população portuguesa já tinha dado como certa a ausência no Mundial, isto sem falar da imprensa especializada que crucificou antecipadamente o treinador.
A verdade é que por lá andamos a sonhar, e se de facto caímos num grupo difícil também é verdade que continuamos a apresentar bons argumentos para poder ir longe.
Relativamente aos favoritos toda a gente aposta no quarteto Brasil, Espanha, Argentina e Inglaterra. A Argentina muito provavelmente será uma desilusão. A mágica arte de Maradona esgotou-se dentro das quatro linhas e um conjunto de inquestionáveis bons jogadores não faz uma equipa. A esses quatro favoritos é sempre de acrescentar os históricos, Alemanha e Itália.
Por outro lado, tenho a convicção que desta vez os Deuses do Futebol vão finalmente fazer justiça a uma selecção que há muito merece um título mundial sem nunca o ter conseguido. A excelência futebolística apresentada pela Holanda no somatório de todos os Mundiais há muito que justificava uma consagração à escala planetária. À imagem do País que representa, o futebol holandês assenta quase sempre numa doutrina libertina que enaltece o espectáculo. Por norma, as suas equipas valorizam o êxtase do golo em detrimento de aspectos mais conservadoramente tácticos. Nesta perspectiva, Robben e Sneidjer podem vir a ser os heróis desta sempre entusiasmante laranja mecânica….
No entanto a realidade é que Queiroz por tudo o que já deu ao futebol português merece, no mínimo, o benefício de dúvida. Lembre-se que durante a fase de apuramento 95 % da população portuguesa já tinha dado como certa a ausência no Mundial, isto sem falar da imprensa especializada que crucificou antecipadamente o treinador.
A verdade é que por lá andamos a sonhar, e se de facto caímos num grupo difícil também é verdade que continuamos a apresentar bons argumentos para poder ir longe.
Relativamente aos favoritos toda a gente aposta no quarteto Brasil, Espanha, Argentina e Inglaterra. A Argentina muito provavelmente será uma desilusão. A mágica arte de Maradona esgotou-se dentro das quatro linhas e um conjunto de inquestionáveis bons jogadores não faz uma equipa. A esses quatro favoritos é sempre de acrescentar os históricos, Alemanha e Itália.
Por outro lado, tenho a convicção que desta vez os Deuses do Futebol vão finalmente fazer justiça a uma selecção que há muito merece um título mundial sem nunca o ter conseguido. A excelência futebolística apresentada pela Holanda no somatório de todos os Mundiais há muito que justificava uma consagração à escala planetária. À imagem do País que representa, o futebol holandês assenta quase sempre numa doutrina libertina que enaltece o espectáculo. Por norma, as suas equipas valorizam o êxtase do golo em detrimento de aspectos mais conservadoramente tácticos. Nesta perspectiva, Robben e Sneidjer podem vir a ser os heróis desta sempre entusiasmante laranja mecânica….
sexta-feira, 11 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Pára com isso
Decidi deixar este delicioso post, muito curiosamente, na semana em que o melhor e mais completo tenista de todos os tempos - Roger Federer - perdeu o lugar de número 1 do ranking:
Não faz assim…
Roger, pode passar lá pegar o troféu, pega o cheque, e aposenta. Pára com isso….
P.S – Tem que ser visionado com som.
As velas da memória
Há nos silvos que as manhãs me trazem
chaminés que se desmoronam:
são a infância e a praia os sonhos de partida.
Abrir esse portão junto ao vento que a vida
aquém ou além desta me abre?
Em que outro mundo ouvi o rouxinol
tão leve que o voo lhe aumentava as asas?
Onde adiava ele a morte contra os dias
essa primeira morte?
Vinham núpcias sem conto na inconcebível voz
Que plenitude aquela: cantar
como quem não tivesse nenhum pensamento.
Quem me deixou de novo aqui sentado à sombra
deste mês de junho? Como te chamas tu
que me enfunas as velas da memória ventilando: «aquela vez...»?
Quando aonde foi em que país?
Que vento faz quebrar nas costas destes dias
as ondas de uma antiga música que ouvida
obriga a recuar a noite prometida
em círculos quebrados para além das dunas
fazendo regressar rebanhos de alegrias
abrindo em plena tarde um espaço ao amor?
Que morte vem matar a lábil curva da dor?
Que dor me faz doer de não ter mais que morrer?
E ouve-se o silêncio descer pelas vertentes da tarde
chegar à boca da noite e responder.
Ruy Belo
chaminés que se desmoronam:
são a infância e a praia os sonhos de partida.
Abrir esse portão junto ao vento que a vida
aquém ou além desta me abre?
Em que outro mundo ouvi o rouxinol
tão leve que o voo lhe aumentava as asas?
Onde adiava ele a morte contra os dias
essa primeira morte?
Vinham núpcias sem conto na inconcebível voz
Que plenitude aquela: cantar
como quem não tivesse nenhum pensamento.
Quem me deixou de novo aqui sentado à sombra
deste mês de junho? Como te chamas tu
que me enfunas as velas da memória ventilando: «aquela vez...»?
Quando aonde foi em que país?
Que vento faz quebrar nas costas destes dias
as ondas de uma antiga música que ouvida
obriga a recuar a noite prometida
em círculos quebrados para além das dunas
fazendo regressar rebanhos de alegrias
abrindo em plena tarde um espaço ao amor?
Que morte vem matar a lábil curva da dor?
Que dor me faz doer de não ter mais que morrer?
E ouve-se o silêncio descer pelas vertentes da tarde
chegar à boca da noite e responder.
Ruy Belo
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Polícia sem Lei
Não conheço na íntegra a obra de Werner Herzog, mas do que vi no passado a sua faceta cinematograficamente contemplativa talvez seja mais sedutora e atraente. Fiquei assim um pouco surpreendido com este Polícia sem Lei que tem como protagonista o multifacetado e extraordinário actor que é, sem dúvida, Nicolas Cage.
A narrativa localiza-se nos tempos subsequentes à tragédia provocada pelo furacão Katrina em Nova Orleães e explora as fragilidades de um Polícia que vive constantemente sob pressão e que recorre ao perigoso mundo das drogas para se manter à superfície. Um remake do filme realizado em 1992 por Abel Ferrara, então com outro grandessíssimo actor como protagonista - Harvey Keitel.
Sem ser um filme inesquecível, tem um interessante epílogo esta “thrilleirada” de Herzog com uma belíssima última cena……
A narrativa localiza-se nos tempos subsequentes à tragédia provocada pelo furacão Katrina em Nova Orleães e explora as fragilidades de um Polícia que vive constantemente sob pressão e que recorre ao perigoso mundo das drogas para se manter à superfície. Um remake do filme realizado em 1992 por Abel Ferrara, então com outro grandessíssimo actor como protagonista - Harvey Keitel.
Sem ser um filme inesquecível, tem um interessante epílogo esta “thrilleirada” de Herzog com uma belíssima última cena……
domingo, 6 de junho de 2010
Diário do Mundial ou o Jornalismo do Futuro
Cristiano Ronaldo acordou com insónias às quatro da manhã. Além de ter aproveitado para fazer o xixizinho da ordem, desceu até à cozinha onde confeccionou uma sandes de salsicha que prontamente marchou acompanhada por uma diet pepsi. No caminho de regresso para o seu quarto deparou-se com uma empregada de limpeza do hotel que lhe esboçou um sorriso. Entretanto Carlos Queiroz, enquanto repousa no seu leito africano, coça o dedo grande do pé esquerdo com assinalável destreza. Na manhã seguinte Liedson dá um autógrafo a um emigrante trabalhador da construção civil, isto, enquanto telefona para a avó doente que se encontra em Salvador da Bahia a convalescer de um pêlo encravado no ânus. Ao mesmo tempo, no percurso para o autocarro, Tiago aproveita para espirrar perante o olhar cúmplice de Simão Sabrosa. Mais tarde, durante o treino uma jovem adepta descendente de portugueses descuida-se e solta uns gases flatulentes….
sábado, 5 de junho de 2010
Dois Anos
Hoje o Hipocrisias Indígenas está de parabéns pois completa dois anos de pacata existência. Depois do primeiro aniversário eis que chegamos ao segundo num abrir e fechar de olhos. Foi um instantinho até chegar aqui. Tudo começou assim com o primeiro de muitos posts.
Os visitantes continuam a ser pouquinhos. Alguns são conhecidos para mim, outros desconhecidos, mas humanamente falando todos do melhor como se falasse de velhos amigos.
Por ora, o Hipocrisias Indígenas vai continuar vestido deste branco angelical. Isto, apesar do seu carácter intrinsecamente herege, mas ou muito me engano ou mais dia menos dia haverão novidades no Styling para ajudar a disfarçar a falta de qualidade a outros níveis.....
Os visitantes continuam a ser pouquinhos. Alguns são conhecidos para mim, outros desconhecidos, mas humanamente falando todos do melhor como se falasse de velhos amigos.
Por ora, o Hipocrisias Indígenas vai continuar vestido deste branco angelical. Isto, apesar do seu carácter intrinsecamente herege, mas ou muito me engano ou mais dia menos dia haverão novidades no Styling para ajudar a disfarçar a falta de qualidade a outros níveis.....
quinta-feira, 3 de junho de 2010
As Velhas Comadres
O PS apoia Manuel Alegre. Dentro do PS há quem não goste da ideia. Soares diz que é um grave erro mas - vá-se lá saber porquê - não explica os motivos. Acha que está mal porque está mal, pronto.
Alegre diz que erro foi a recandidatura de Soares em 2006. Eu que não votarei em Alegre nem em qualquer outro, acho que Soares fez muito bem em recandidatar-se em 2006. Seguiu como sempre o apelo da sua livre consciência. E se os Portugueses não fossem os preconceituosos que são – nesse caso relativamente ao natural envelhecimento de um homem que foi um dos principais rostos desta coisa que convencionámos chamar democracia e que assim como assim nos dá um certo jeito - a Presidência estaria outra vez muito bem entregue.
Independentemente disso, escrever um artigo em que o único propósito é lançar farpas sobre um presumível candidato da mesma área política é pouco credível para quem quer que seja.
À margem destes ressabiamentos entre velhas comadres, Cavaco sorri e contemporiza com calculismo o anúncio da recandidatura.
No fim, ganhará o inefável Professor Cavaco….
Alegre diz que erro foi a recandidatura de Soares em 2006. Eu que não votarei em Alegre nem em qualquer outro, acho que Soares fez muito bem em recandidatar-se em 2006. Seguiu como sempre o apelo da sua livre consciência. E se os Portugueses não fossem os preconceituosos que são – nesse caso relativamente ao natural envelhecimento de um homem que foi um dos principais rostos desta coisa que convencionámos chamar democracia e que assim como assim nos dá um certo jeito - a Presidência estaria outra vez muito bem entregue.
Independentemente disso, escrever um artigo em que o único propósito é lançar farpas sobre um presumível candidato da mesma área política é pouco credível para quem quer que seja.
À margem destes ressabiamentos entre velhas comadres, Cavaco sorri e contemporiza com calculismo o anúncio da recandidatura.
No fim, ganhará o inefável Professor Cavaco….
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Os Epitáfios agora com graçola (pouca)
Jeremias, quando finasse, gostaria de ser cremado. Não obstante isso, havia algumas frases que assentariam na perfeição inscritas na sua putativa lápide, situada em lugar central no cemitério da santa terrinha:
- Obrigado por terem vindo. Tenho a certeza absoluta que um dia voltarão.
- A morte é mais ou menos como a vida, só que um pouco mais aborrecida.
- Proibido rezar. Beatas aqui, só mesmo fumaças.
- Um verdadeiro misantropo nunca morre, reinventa-se.
- Mesmo aqui, continuo cercado de idiotas….
- Obrigado por terem vindo. Tenho a certeza absoluta que um dia voltarão.
- A morte é mais ou menos como a vida, só que um pouco mais aborrecida.
- Proibido rezar. Beatas aqui, só mesmo fumaças.
- Um verdadeiro misantropo nunca morre, reinventa-se.
- Mesmo aqui, continuo cercado de idiotas….
segunda-feira, 31 de maio de 2010
The Final Countdown – Europe
Mais uma incursão nos admiráveis anos 80. Viva o Revivalismo. Quem não abanou o capacete pelo menos uma vez ao som deste estrondoso êxito que atire a primeira pedra….
domingo, 30 de maio de 2010
Garras de Leão
O desporto nacional está de parabéns, particularmente o andebol do qual já fui entusiasta praticante no passado, com a vitória do Sporting na taça challenge tornando-se assim o primeiro clube português a vencer um troféu europeu nesta modalidade.
Ao vencer competições europeias em 4 desportos diferentes (Futebol, Andebol, Hóquei em patins e Atletismo) o Sporting recupera a marca do Ecletismo que sempre o notabilizou e escreve mais uma página dourada da sua história ao entrar no restrito número de clubes de elite que já o tenha conseguido.
Num ano de tão má memória futebolística, o meu sportinguismo finalmente rejubila e diga-se a verdade já era tempo do mal amado - muito por culpa própria, diga-se - José Eduardo Bettencourt ter direito a uma alegria.
Agora para confirmar esta tendência vencedora de fim de época falta "cair " a revalidação do campeonato de juniores de futebol e o nacional de futsal…
Ao vencer competições europeias em 4 desportos diferentes (Futebol, Andebol, Hóquei em patins e Atletismo) o Sporting recupera a marca do Ecletismo que sempre o notabilizou e escreve mais uma página dourada da sua história ao entrar no restrito número de clubes de elite que já o tenha conseguido.
Num ano de tão má memória futebolística, o meu sportinguismo finalmente rejubila e diga-se a verdade já era tempo do mal amado - muito por culpa própria, diga-se - José Eduardo Bettencourt ter direito a uma alegria.
Agora para confirmar esta tendência vencedora de fim de época falta "cair " a revalidação do campeonato de juniores de futebol e o nacional de futsal…
sábado, 29 de maio de 2010
Recônditas palavras
Inquietam-me as dedadas
de deus rente à raiz da carne, ao indeciso
equilíbrio da alma
na balança, à cicatriz
azul do céu sobre o destino.
O mar pneumático, ao sabor
do qual contra os sentidos se nos fazem
e desfazem as ávidas lembranças,
assalta-me os sentidos, tenebrosas
crateras escavadas
no espírito e através
das quais, incandescentes, as imagens
do mundo sobre ele próprio se derramam
como uma lava espessa, esses sentidos
que, como aéreos
estigmas, nos imprimem
na carne a cicatriz do céu, a indecisa
maneira de as imagens
do mundo se guindarem
mais alto do que a alma ou o alento
de quem dentro de nós
aviva a sua chama. O que nos sai
do coração vem a ferver.
A carne, ao rés
da qual o céu se encurva, báscula
que deus deixou nos arredores
dum qualquer lugarejo
a encher-se de ferrugem, cicatriz
pesada, combustível, com raiz
nas mais profundas trevas, a carne âncora
submersa no destino, ergue-se a pique
de novo onde as lembranças
se fazem e desfazem
com todo o azul do céu
lá dentro a procurar rompê-Ia.
Sentados no convés, como se fosse
já noite e nos soubesse
o pão ao ranço da memória, contemplamos
os rudes marinheiros.
Depois que pela encosta procurámos
em vão uma escada de que o último
degrau fosse já dentro da memória,
suspenso na memória,
desfaz-se-nos dos ossos
a carne, com o seu quê de lírico e festivo,
em áreas portuárias onde o mar
nos sai do coração para galgar o molhe,
e, agora que começam
os anos a pesar
mais para trás que para a frente, acodem-nos
recônditas palavras aos ouvidos:
«Fecharam-se-te os olhos e eu fiquei de fora»,
«Nas tuas mãos começa o precipício».
Luís Miguel Nava
de deus rente à raiz da carne, ao indeciso
equilíbrio da alma
na balança, à cicatriz
azul do céu sobre o destino.
O mar pneumático, ao sabor
do qual contra os sentidos se nos fazem
e desfazem as ávidas lembranças,
assalta-me os sentidos, tenebrosas
crateras escavadas
no espírito e através
das quais, incandescentes, as imagens
do mundo sobre ele próprio se derramam
como uma lava espessa, esses sentidos
que, como aéreos
estigmas, nos imprimem
na carne a cicatriz do céu, a indecisa
maneira de as imagens
do mundo se guindarem
mais alto do que a alma ou o alento
de quem dentro de nós
aviva a sua chama. O que nos sai
do coração vem a ferver.
A carne, ao rés
da qual o céu se encurva, báscula
que deus deixou nos arredores
dum qualquer lugarejo
a encher-se de ferrugem, cicatriz
pesada, combustível, com raiz
nas mais profundas trevas, a carne âncora
submersa no destino, ergue-se a pique
de novo onde as lembranças
se fazem e desfazem
com todo o azul do céu
lá dentro a procurar rompê-Ia.
Sentados no convés, como se fosse
já noite e nos soubesse
o pão ao ranço da memória, contemplamos
os rudes marinheiros.
Depois que pela encosta procurámos
em vão uma escada de que o último
degrau fosse já dentro da memória,
suspenso na memória,
desfaz-se-nos dos ossos
a carne, com o seu quê de lírico e festivo,
em áreas portuárias onde o mar
nos sai do coração para galgar o molhe,
e, agora que começam
os anos a pesar
mais para trás que para a frente, acodem-nos
recônditas palavras aos ouvidos:
«Fecharam-se-te os olhos e eu fiquei de fora»,
«Nas tuas mãos começa o precipício».
Luís Miguel Nava
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Mother – Uma Força Única
Realizado pelo sul coreano Bong Joon-ho este “Mother” ficou – confesso - abaixo das minhas expectativas. Isto, atendendo ao grande entusiasmo com que me tenho habituado a apreciar praticamente todo o cinema asiático.
Tem uma interpretação poderosa da versátil Hye-ja Kim no papel da Mãe-coragem (na foto) mas só isso não chega para fazer um inolvidável filme. Possui alguns planos interessantes, apresenta uma narrativa coerente, mas em termos gerais pareceu-me aqui ou ali algo desconexo.
Ainda assim “Mother” vale a pena pela extraordinária visão do instinto maternal levado ao limite da razoabilidade. Apesar de esta ser uma ideia recorrente, tem sempre associada uma ternura avassaladora que nos interroga e emociona…..
Tem uma interpretação poderosa da versátil Hye-ja Kim no papel da Mãe-coragem (na foto) mas só isso não chega para fazer um inolvidável filme. Possui alguns planos interessantes, apresenta uma narrativa coerente, mas em termos gerais pareceu-me aqui ou ali algo desconexo.
Ainda assim “Mother” vale a pena pela extraordinária visão do instinto maternal levado ao limite da razoabilidade. Apesar de esta ser uma ideia recorrente, tem sempre associada uma ternura avassaladora que nos interroga e emociona…..
terça-feira, 25 de maio de 2010
A Lição
Jeremias não era o tipo de pessoa a quem eventuais repreensões totalitárias surtissem efeito. O seu rígido temperamento não tolerava intromissões abusivas, ainda para mais vindas de gente a quem não reconhecia capacidade para lhe ensinar algo. Mesmo nos casos em que havia esse reconhecimento intelectual era altamente céptico, pois nunca foi de navegar em verdades absolutas.
Jeremias gostava contudo de assimilar e compilar lições de vida. A última grande lição que tinha aprendido é que não se deve ousar ensinar algo a quem sabe mais que nós….
domingo, 23 de maio de 2010
O Carreirista Supersónico (II)
Armando Vara na sequência da sua meteórica progressão social passou rapidamente de vendedor de bilhetes na ticket line para supervisor de carruagens da Carris, um lugar que ambicionava há muito e para o qual contou com a preciosa colaboração do director de recursos humanos da CP, Arnaldo Antunes, colega de carteira na escola primária de Vilar de Ossos de onde ambos eram naturais. Como facilmente se percebe, já com parca idade o menino Vara mostrava uma clara aptidão para aquilo que o notabilizaria mais tarde, ou seja, subir a qualquer custo sem qualquer tipo de preocupações éticas.
Logo na primeira semana em que supervisionava as carruagens do comboio Alfa pendular Lisboa-Porto, fiscalizando o trabalho efectuado pelos restantes trabalhadores do comboio, Armando Vara assistiu a uma prometedora conversa entre um Vereador de uma importante autarquia da Nação e um empresário de Construção Civil. Prometia na dita conversa, o primeiro ao segundo, tudo fazer para facilitar a adjudicação de obra de grande envergadura no Município a troco de mão de obra gratuita na construção de uma vivenda a localizar em área protegida, contando para esse efeito o Vereador com a habitual negligência e generosidade dos técnicos da Autarquia na aprovação das obras.
Viu logo aí o menino Vara – um oportunista ortodoxo - uma grande possibilidade para se imiscuir nos podres corredores do poder. Assim, rapidamente se apresentou, e logo convidou os dois novos comparsas para uma bebida no bar do comboio onde tencionava expor uma ideia que o perseguia há meses e que consistia em abrir uma empresa fictícia com sede nas ilhas Caimão destinada a encobrir negociatas obscurasem Portugal. Para que esse objectivo se concretizasse o jovem Vara precisava de algumas alianças nevrálgicas, e este improvável encontro com estes dois companheiros de depravação, poderia ser um bom presságio para o seu ansiado projecto.
No entanto, para seu desespero, quando diligentemente abria a porta do bar do comboio para os seus convidados passarem, a porta caiu desamparada acabando por atingir o Vereador da Câmara no rosto, que seguia imediatamente atrás, ferindo-o com alguma gravidade. Para piorar as coisas a queda da porta fez quebrar o vidro de uma janela cujos estilhaços atingiram o construtor civil. A marcha do comboio teve de ser imediatamente travada sendo despoletados os meios de emergência habituais face ao aparato do acidente. Como resultado dessa incidência, o comboio acabou por se atrasar de forma irremediável, chegando com horas de atraso ao Porto.
Os Comboios de Portugal acabaram por ter de pagar avultadas indemnizações a dois clientes que provaram em tribunal que o atraso verificado na viagem lhes causou prejuízos irreparáveis.
Foi esta a segunda grande trapalhada do menino Vara….
Logo na primeira semana em que supervisionava as carruagens do comboio Alfa pendular Lisboa-Porto, fiscalizando o trabalho efectuado pelos restantes trabalhadores do comboio, Armando Vara assistiu a uma prometedora conversa entre um Vereador de uma importante autarquia da Nação e um empresário de Construção Civil. Prometia na dita conversa, o primeiro ao segundo, tudo fazer para facilitar a adjudicação de obra de grande envergadura no Município a troco de mão de obra gratuita na construção de uma vivenda a localizar em área protegida, contando para esse efeito o Vereador com a habitual negligência e generosidade dos técnicos da Autarquia na aprovação das obras.
Viu logo aí o menino Vara – um oportunista ortodoxo - uma grande possibilidade para se imiscuir nos podres corredores do poder. Assim, rapidamente se apresentou, e logo convidou os dois novos comparsas para uma bebida no bar do comboio onde tencionava expor uma ideia que o perseguia há meses e que consistia em abrir uma empresa fictícia com sede nas ilhas Caimão destinada a encobrir negociatas obscuras
No entanto, para seu desespero, quando diligentemente abria a porta do bar do comboio para os seus convidados passarem, a porta caiu desamparada acabando por atingir o Vereador da Câmara no rosto, que seguia imediatamente atrás, ferindo-o com alguma gravidade. Para piorar as coisas a queda da porta fez quebrar o vidro de uma janela cujos estilhaços atingiram o construtor civil. A marcha do comboio teve de ser imediatamente travada sendo despoletados os meios de emergência habituais face ao aparato do acidente. Como resultado dessa incidência, o comboio acabou por se atrasar de forma irremediável, chegando com horas de atraso ao Porto.
Os Comboios de Portugal acabaram por ter de pagar avultadas indemnizações a dois clientes que provaram em tribunal que o atraso verificado na viagem lhes causou prejuízos irreparáveis.
Foi esta a segunda grande trapalhada do menino Vara….
sábado, 22 de maio de 2010
Eu Não Vou
O meu conceito de Festival é um pouco diferente. Com menos gente e mais conteúdo, inclusive a nível musical.
E já agora, caros senhores, peço-vos encarecidamente o favor de não me acordarem o puto de 8 meses com o vosso fogo de artifício.
EU NÃO VOU, precisamente porque continuo a acreditar e a ter esperança num mundo melhor…
E já agora, caros senhores, peço-vos encarecidamente o favor de não me acordarem o puto de 8 meses com o vosso fogo de artifício.
EU NÃO VOU, precisamente porque continuo a acreditar e a ter esperança num mundo melhor…
quinta-feira, 20 de maio de 2010
A Desinspiração
Jeremias passava por uma fase de nítida falta de inspiração. As palavras não lhe sorriam. As mesmas palavras que vezes sem conta já o tinham algemado, conquistado, devastado, invadido, estrangulado, enfurecido, e muitas vezes liberto, não queriam, agora, nada com ele.
Jeremias como funcionário competente e dedicado da biblioteca itinerante da aldeia resignava-se à sua pobre e nova condição de desinspirado. Aguardava pacientemente na fila que o chamassem para receber o subsídio de desinspiração. A vida não estava para aventuras.….
Jeremias como funcionário competente e dedicado da biblioteca itinerante da aldeia resignava-se à sua pobre e nova condição de desinspirado. Aguardava pacientemente na fila que o chamassem para receber o subsídio de desinspiração. A vida não estava para aventuras.….
terça-feira, 18 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
O Desalento
Jeremias sentia uma tristeza proveniente bem lá do fundo da alma. Por experiências anteriores, já conhecia o seu significado, mas nada que igualasse aquele vazio interior. Até as paredes do estômago tremiam com o desencanto sombrio que lhe assolava o espírito.
Jeremias sabia que a vida podia ser madrasta e que quem anda à chuva molha-se, mas nunca tinha deparado com tamanho rolo compressor de confiança…
Jeremias sabia que a vida podia ser madrasta e que quem anda à chuva molha-se, mas nunca tinha deparado com tamanho rolo compressor de confiança…
domingo, 16 de maio de 2010
A Promessa
Já encanta em Cannes “Copie Conforme", um dos filmes mais aguardados dos últimos tempos, que junta Abbas Kiarostami e Juliette Binoche na primeira longa-metragem do realizador iraniano rodada no Ocidente.
Para já temos este teaser e a coisa promete….
Para já temos este teaser e a coisa promete….
Pela noite à eterna dor se chega
Pela noite à eterna dor se chega
cruel é a terra, diversa terra
quando teu rosto se esvai
e a névoa com voz de pranto
cai jamais leve sobre nós.
De breve uso, cresce no peito
uma tímida pálida alegria
precioso corpo luz, borboleta
de asas nítidas e tranquilas
que vigia o coração dos mortos.
Diz-me secretas brandas palavras
porque sou refúgio e escombro
de um vasto dia, áspero exílio
nas suaves sílabas de precisos
e curvos juncos, clarão sem sol.
Desce então pelo fulgor da luz
espírito suspenso em minhas mãos.
A espera é movimento cego.
Desce, sonâmbulo, extenso amor.
Ana Marques Gastão
cruel é a terra, diversa terra
quando teu rosto se esvai
e a névoa com voz de pranto
cai jamais leve sobre nós.
De breve uso, cresce no peito
uma tímida pálida alegria
precioso corpo luz, borboleta
de asas nítidas e tranquilas
que vigia o coração dos mortos.
Diz-me secretas brandas palavras
porque sou refúgio e escombro
de um vasto dia, áspero exílio
nas suaves sílabas de precisos
e curvos juncos, clarão sem sol.
Desce então pelo fulgor da luz
espírito suspenso em minhas mãos.
A espera é movimento cego.
Desce, sonâmbulo, extenso amor.
Ana Marques Gastão
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Líbano
Depois de Estado de Guerra mais uma descida cinematográfica ao inferno com resultados convincentes. Tratando-se de filmes diferentes, atendendo à proximidade nos seus lançamentos, é impossível fugir à perspectiva de complementaridade e também à inevitável comparação entre os mesmos.
Líbano traça as angústias por que passam quatro soldados israelitas que sobrevivem literalmente dentro de um tanque de guerra, sendo esse o cenário nevrálgico para toda a narrativa.
Um sopro do novo cinema israelita que se saúda e que nos trás um olhar descomplexado para as feridas lançadas pelos eternos conflitos no Médio Oriente.
Atendendo ao facto de o filme ser baseado nas experiências traumáticas de guerra do próprio realizador, Samuel Maoz, saliente-se pela negativa a sugerida impreparação com que os soldados israelitas são lançados para o campo de batalha. Isto num País que se orgulha amiúde da sua capacidade bélica.
Sai-se de Líbano com o desconforto próprio de quem viveu de perto os horrores da guerra. E depois do épico Apocalipse Now, não há assim tantos filmes dentro do género que nos proporcionem esse contacto, ainda que ténue, com a aterradora realidade do matar ou morrer.
Líbano tem um fim esplêndido a roçar o sublime. A constrangedora ajuda que um combatente dá a um prisioneiro de guerra para este urinar, no meio de expressivos olhares que trocam, é a síntese perfeita para o sofrimento que aqueles homens vivem.
A cereja no topo do bolo chega com a última cena. Quando o soldado sai por fim do tanque, a visão deslumbrante de um magnífico campo de girassóis em toda a sua plenitude deixa os espectadores petrificados e entregues às suas próprias inquietações….
Líbano traça as angústias por que passam quatro soldados israelitas que sobrevivem literalmente dentro de um tanque de guerra, sendo esse o cenário nevrálgico para toda a narrativa.
Um sopro do novo cinema israelita que se saúda e que nos trás um olhar descomplexado para as feridas lançadas pelos eternos conflitos no Médio Oriente.
Atendendo ao facto de o filme ser baseado nas experiências traumáticas de guerra do próprio realizador, Samuel Maoz, saliente-se pela negativa a sugerida impreparação com que os soldados israelitas são lançados para o campo de batalha. Isto num País que se orgulha amiúde da sua capacidade bélica.
Sai-se de Líbano com o desconforto próprio de quem viveu de perto os horrores da guerra. E depois do épico Apocalipse Now, não há assim tantos filmes dentro do género que nos proporcionem esse contacto, ainda que ténue, com a aterradora realidade do matar ou morrer.
Líbano tem um fim esplêndido a roçar o sublime. A constrangedora ajuda que um combatente dá a um prisioneiro de guerra para este urinar, no meio de expressivos olhares que trocam, é a síntese perfeita para o sofrimento que aqueles homens vivem.
A cereja no topo do bolo chega com a última cena. Quando o soldado sai por fim do tanque, a visão deslumbrante de um magnífico campo de girassóis em toda a sua plenitude deixa os espectadores petrificados e entregues às suas próprias inquietações….
quarta-feira, 12 de maio de 2010
O Julgamento
Lili Caneças é multada pela lendária Emel por estacionar indevidamente a sua potente viatura na avenida da moda. Quando Lili olha para a multa deixada pelo zeloso funcionário da Emel pensa que é um cheque-brinde de uma das lojas de luxo que habitualmente frequenta, por isso ignora o seu conteúdo.
Decorridos vários meses é notificada para comparecer em tribunal com vista a ser julgada pela infracção cometida.
Quando o Juiz entra na sala, proclama como habitualmente: levante-se a Ré!
Lili Caneças permanece sentada e grita de forma exaltada perante o estupefacto Juiz: sente-se você seu anormal. Não sabe que mandar levantar uma Senhora é má educação? Não conhece as regras de Etiqueta, seu brutamontes…..
Decorridos vários meses é notificada para comparecer em tribunal com vista a ser julgada pela infracção cometida.
Quando o Juiz entra na sala, proclama como habitualmente: levante-se a Ré!
Lili Caneças permanece sentada e grita de forma exaltada perante o estupefacto Juiz: sente-se você seu anormal. Não sabe que mandar levantar uma Senhora é má educação? Não conhece as regras de Etiqueta, seu brutamontes…..
terça-feira, 11 de maio de 2010
Ai Jesus
Admito e reconheço sem dificuldades que errei ao avaliar incorrectamente Jorge Jesus. A verdade é que nunca me passou pela cabeça que por trás daquele discurso bobo tivesse um líder capaz de triunfar. Sempre vi Jorge Jesus como uma espécie de José Peseiro, um treinador entendido e competente mas a falhar nos momentos cruciais. Ou seja, esta dupla vitória (campeonato + taça da liga) é a prova provada que para ser treinador de sucesso é mais importante saber ler bem o jogo do que conjugar verbos.
É verdade que Jesus – curiosamente sportinguista de coração como é notório pelo que deixa sempre por dizer - teve muito provavelmente à sua disposição o melhor de todos os plantéis mas em nenhuma circunstância esse facto pode retirar-lhe o mérito pela apropriada gestão de balneário efectuada e pela entusiasmante qualidade futebolística apresentada pela sua equipa ao longo da temporada.
Mais expulsão, menos expulsão dos adversários, mais túnel, menos túnel, o que vai ficar para a história é a vitória justa do Benfica neste campeonato porque, independentemente de tudo o resto, foram melhores dentro das quatro linhas. E basta pensar no último título encarnado em 2005 e na taça da liga do ano passado para verificar que com o Benfica isso nem sempre acontece.
Posto isto, parabéns à lampionagem de um lagarto tristonho mas esperançado que para o ano outro Leão rugirá.…
É verdade que Jesus – curiosamente sportinguista de coração como é notório pelo que deixa sempre por dizer - teve muito provavelmente à sua disposição o melhor de todos os plantéis mas em nenhuma circunstância esse facto pode retirar-lhe o mérito pela apropriada gestão de balneário efectuada e pela entusiasmante qualidade futebolística apresentada pela sua equipa ao longo da temporada.
Mais expulsão, menos expulsão dos adversários, mais túnel, menos túnel, o que vai ficar para a história é a vitória justa do Benfica neste campeonato porque, independentemente de tudo o resto, foram melhores dentro das quatro linhas. E basta pensar no último título encarnado em 2005 e na taça da liga do ano passado para verificar que com o Benfica isso nem sempre acontece.
Posto isto, parabéns à lampionagem de um lagarto tristonho mas esperançado que para o ano outro Leão rugirá.…
domingo, 9 de maio de 2010
O Título
Nunca gostei muito de futebol. É um desporto com demasiado contacto físico tendencialmente violento....
sábado, 8 de maio de 2010
O Carreirista Supersónico
Armando Vara – um jovem ambicioso – antes de atingir outros patamares na sua supersónica carreira que o levariam a Governador do Banco Central Europeu, começou como vendedor de bilhetes na ticket line.
Um dia, enquanto sonhava com caixas de robalos fresquinhos, entregou por pura distracção bilhetes para a ópera no São Carlos a quem pretendia adquirir ingressos para mais um concerto do mítico Toni Carreira no Pavilhão Atlântico.
Na sequência deste insólito acontecimento, o Barbeiro de Sevilha foi interrompido logo no seu início quando duas velhinhas histéricas subiram ao palco de soutien na cabeça, correndo atrás dos atónitos protagonistas da célebre ópera. As duas anciãs, ambas com problemas de visão, pensavam que estavam a perseguir o grande Toni.
Foi esta a primeira grande trapalhada do menino Vara……
Um dia, enquanto sonhava com caixas de robalos fresquinhos, entregou por pura distracção bilhetes para a ópera no São Carlos a quem pretendia adquirir ingressos para mais um concerto do mítico Toni Carreira no Pavilhão Atlântico.
Na sequência deste insólito acontecimento, o Barbeiro de Sevilha foi interrompido logo no seu início quando duas velhinhas histéricas subiram ao palco de soutien na cabeça, correndo atrás dos atónitos protagonistas da célebre ópera. As duas anciãs, ambas com problemas de visão, pensavam que estavam a perseguir o grande Toni.
Foi esta a primeira grande trapalhada do menino Vara……
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Compra-se Fé
Não me digam que mesmo com tanta “intolerância” de ponto ainda necessitam de mais pessoal para compor o ramalhete para Sua Santidade. E o pormenor da t-shirt alusiva ao evento fará certamente toda a diferença. Este País não passa de um evento, um enorme e estúpido evento.
Eu ando tão chateado com o Sporting – a minha única religião – que mesmo muito bondosamente pago não me apanhavam em Matosinhos para a última jornada da Liga....
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