Os factos condenatórios do processo Casa Pia serão conhecidos integralmente esta semana e não me choca minimamente que não o tenham sido logo na sexta-feira. Até porque, pelo que percebi, todas as partes envolvidas estiveram de acordo com a apresentação sumária da sentença. O ruído a esse propósito nasce de reacções mais emocionais e menos ponderadas, que não podem nem devem ser levadas a sério. Obviamente que nesta sentença os réus viam a última oportunidade para limpar a sua imagem e evitar o eterno estigma a que estarão sujeitos, mas essa evidência apesar de atenuante não pode servir para desculpabilizar o injustificável....
Relativamente a todo este imbróglio tenho na minha cada vez menos convicta qualidade de cidadão de direito três certezas:
- Nunca ninguém vai saber toda a verdade sobre o que aconteceu, a não ser claro os directamente envolvidos;
- houve violações e abuso continuado de crianças indefesas com e sem o consentimento destas;
- existe por aí gente que vive em total impunidade e que são tão ou mais culpados dos que foram agora condenados. E aqui, devia ser tão importante para a opinião pública ser o zé da esquina o agressor ou figuras públicas relevantes.
Além destas certezas que valem o que valem, tenho também uma outra convicção profunda:
Como resultado de diversos factores a maioria dos agora condenados não voltará à prisão, apesar do teor das respectivas sentenças. É a Justiça que temos em Portugal....
Indubitavelmente, pairará sempre sobre o Processo Casa Pia a mais enraizada Dúvida. Se as condenações, como tudo indica, forem somente baseadas em provas testemunhais aumentará ainda mais a incerteza relativamente a todo o processo. Para mim, parece quase inverossímil como é que através de Carlos Silvino (o fio condutor de toda a história) não tenha sido possível localizar um contacto incriminatório, uma conversa telefónica, uma gravação em qualquer formato que incriminasse os hipotéticos culpados e que ajudasse a fundamentar a acusação de forma irrepreensível. Faz-me bastante confusão pensar que um colectivo de Juízes aparentemente experiente e responsável pode condenar pessoas com base única e exclusivamente em testemunhos – alguns algo confusos e até eventualmente sugestionados pela própria pressão mediática do caso.
Por outro lado, também faz imensa confusão à minha sensibilidade tentar descredibilizar e ridicularizar jovens que foram comprovadamente vítimas de abusos sexuais por não se lembrarem com precisão - à distância de mais de cinco anos - onde fica determinada divisão numa habitação anteriormente visitada. Para mim, uns meros três anos, seriam seguramente suficientes para não conseguir descrever com exactidão qualquer casa onde tivesse estado duas ou três vezes. Mas isto talvez seja só eu que tenho uma péssima memória....
Em suma, como Carlos Silvino disse em tribunal - também ele uma vítima durante anos a fio - somos todos culpados. Uns mais que outros, é verdade. O próprio cidadão de bem que vive confortavelmente naquilo que fantasia como um estado de direito é culpado por ter permitido que a Justiça chegasse ao ponto de estarmos 8 anos para obter uma sentença. Ainda em primeira instância, assinale-se....
Relativamente a todo este imbróglio tenho na minha cada vez menos convicta qualidade de cidadão de direito três certezas:
- Nunca ninguém vai saber toda a verdade sobre o que aconteceu, a não ser claro os directamente envolvidos;
- houve violações e abuso continuado de crianças indefesas com e sem o consentimento destas;
- existe por aí gente que vive em total impunidade e que são tão ou mais culpados dos que foram agora condenados. E aqui, devia ser tão importante para a opinião pública ser o zé da esquina o agressor ou figuras públicas relevantes.
Além destas certezas que valem o que valem, tenho também uma outra convicção profunda:
Como resultado de diversos factores a maioria dos agora condenados não voltará à prisão, apesar do teor das respectivas sentenças. É a Justiça que temos em Portugal....
Indubitavelmente, pairará sempre sobre o Processo Casa Pia a mais enraizada Dúvida. Se as condenações, como tudo indica, forem somente baseadas em provas testemunhais aumentará ainda mais a incerteza relativamente a todo o processo. Para mim, parece quase inverossímil como é que através de Carlos Silvino (o fio condutor de toda a história) não tenha sido possível localizar um contacto incriminatório, uma conversa telefónica, uma gravação em qualquer formato que incriminasse os hipotéticos culpados e que ajudasse a fundamentar a acusação de forma irrepreensível. Faz-me bastante confusão pensar que um colectivo de Juízes aparentemente experiente e responsável pode condenar pessoas com base única e exclusivamente em testemunhos – alguns algo confusos e até eventualmente sugestionados pela própria pressão mediática do caso.
Por outro lado, também faz imensa confusão à minha sensibilidade tentar descredibilizar e ridicularizar jovens que foram comprovadamente vítimas de abusos sexuais por não se lembrarem com precisão - à distância de mais de cinco anos - onde fica determinada divisão numa habitação anteriormente visitada. Para mim, uns meros três anos, seriam seguramente suficientes para não conseguir descrever com exactidão qualquer casa onde tivesse estado duas ou três vezes. Mas isto talvez seja só eu que tenho uma péssima memória....
Em suma, como Carlos Silvino disse em tribunal - também ele uma vítima durante anos a fio - somos todos culpados. Uns mais que outros, é verdade. O próprio cidadão de bem que vive confortavelmente naquilo que fantasia como um estado de direito é culpado por ter permitido que a Justiça chegasse ao ponto de estarmos 8 anos para obter uma sentença. Ainda em primeira instância, assinale-se....



























