quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Party Girl – U2



Na semana em que regressam a Portugal deixo um dos meus temas preferidos dos U2, este party girl originalmente gravado em 1982.
Vi-os em Alvalade em 93 em concerto integrado numa das mais extraordinárias digressões musicais de que há memória - a Zoo TV Tour. E foi uma óptima decisão ter-me ficado por aí….

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A Idiotice

O Sporting proibiu internamente o uso de calças de ganga no âmbito de um conjunto de normas a adoptar pelos funcionários do Clube:
No meio da mais grave crise futebolística de que tenho memória fez-se finalmente luz na cabeça de quem tem dirigido o clube. Deixo outras pequenas sugestões para eventuais medidas a tomar:
  • A partir de agora, só entra no estádio quem envergar polos da lacoste com o respectivo lagarto a reluzir;
  • Os cinquenta mil fatos utilizados pelo Costinha durante a época vão ser expostos no Museu do Sporting em detrimento dos troféus conquistados ao longo dos mais de 100 anos de história do clube;
  • Paulo Sérgio vai começar a ser vestido integralmente pela Armani. Perante a sua evidente incapacidade de criar uma equipa minimamente equilibrada, tal medida torna-se a sua derradeira tentativa de exibir alguma classe pelo relvado de Alvalade;
  • Os Jogadores estão proibidos de treinar de calções evitando assim chocar a moral vigente. Muitos destes leões mansos não estranharão, de qualquer das formas já não sujavam os joelhos....
É por esta e por outras que estou quase, quase a desejar o aparecimento de um qualquer D. Sebastião de capa e espada que se candidate à presidência do clube, nem que isso represente o regresso a um presidente analfabeto e populista como Sousa Cintra, por exemplo. Já não sei o que me envergonharia mais....

Tamara de Lempicka

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Dança - Le Ballet de L'Opera de Paris

Frederick Wiseman realiza um desconcertante documentário sobre o dia-a-dia de uma das mais conceituadas escolas de ballet da Europa: a Ópera de Paris.
Mesmo para quem não é particularmente versado na nobre arte da dança, a forma precisa com que Wiseman filma faz com que reparemos em detalhes fascinantes que eram até aqui desconhecidos. Como se ouve em determinada cena numa deliciosa constatação: um bailarino tem que ser meio monge, meio boxer.
Wiseman é um realizador de documentários norte-americano de oitenta anos. Ao longo da sua já longa carreira parece que filmou hospitais, prisões, escolas, matadouros, tribunais, quartéis e teatros. Este “A Dança” deixa-me especialmente interessado em outros trabalhos do cineasta....

domingo, 26 de setembro de 2010

A Reunião do Condomínio (III)

Os episódios anteriores da Reunião de Condomínio: I e II.
A confusão está instalada. Os condóminos residentes há mais anos no prédio, insurgem-se contra a má frequência do mesmo. Daí ao insulto vai um pequeno passo.

Alcides Pinto, um jovem idealista que vive com a sua mulher no prédio há aproximadamente 2 anos pede a palavra para apelar ao bom senso e serenidade. Pelo menos era essa a sua nobre intenção: Não podemos nortear o nosso discurso pelo preconceito, explica. Qualquer pessoa que habite de forma legítima no prédio tem todo o direito de receber quem bem entende. O facto de serem cidadãs de origem brasileira é um preciosismo desnecessário e as considerações relativas às suas hipotéticas profissões são meras insinuações sem qualquer tipo de relevância. Caso façam demasiado barulho em horas impróprias, ou caso faltem ao respeito directamente a alguém, têm todo o direito de chamar a polícia. Mas nada disso aconteceu e assim sendo esta conversa não faz sentido, rematou.
Perante estas palavras, o Sr. Arnaldo Antunes do R/C B levanta-se enervadíssimo e exclama, enquanto aponta o dedo a Alcides Pinto: Cale-se seu comunista, eu andei na guerra do Ultramar e cheiro o perigo à distância. Ainda hoje tenho pesadelos com crápulas como você. Pela sua conversa não passa de um perigoso agitador, um comuna mal cheiroso, um canalha com a mania das igualdades.
Como resposta as ácidas provocações do Sr. Arnaldo, Alcides Pinto não se contém e acerta dois valentes socos no nariz do seu oponente, perante o olhar incrédulo dos restantes condóminos que tentam acalmar a situação. O Sr. Arnaldo levanta-se combalido e grita, vou matar-te meu patife, e ao mesmo tempo que arranca apressado, anuncia que vai a casa buscar a sua espingarda de caça.
Entretanto, na perspectiva de evitar mais confusões, Alcides Pinto pede desculpa aos presentes pelos tristes acontecimentos e retorna ao aconchego do lar. Minutos depois regressa o exaltado Arnaldo Antunes que é serenado pelos presentes. Depois de muitas ameaças vociferadas contra Alcides Pinto, finalmente acalma. O seu velho coração também clama por algum sossego depois de toda aquela agitação.

Acabou assim de forma tumultuosa a reunião do Condomínio. Nem sequer ficou definitivamente resolvida a urgente questão do orçamento para o arranjo do algeroz. O Sr. Neves do 5.º A, amigo do seu amigo, ficou de apresentar o prometido orçamento em conta numa futura reunião.
Com uma espingarda carregada em cima da mesa, o Administrador, o zeloso Sr. Narciso dá por findos os trabalhos enquanto tenta limpar o sangue de cima do livro de actas. Sangue esse que tinha jorrado do rosto do inefável Arnaldo Antunes.....

Rifão quotidiano

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Mário-Henrique Leiria

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A Distância

Jeremias geria a distância para os outros com evidente mestria. Fazia uso do mais aprumado rigor empírico. Acreditava que a desmesurada tendência generalizada para promover a aproximação social era o derradeiro recurso dos eternamente fracos.…

A Fortaleza

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O Conforto

Lutava com todas as forças quando lhe trocavam as voltas à vida. Detestava pessoas estranhas porque a clarividente inconsciência abafava a hipocrisia dominante. Chamavam-lhe giraço, mas ele pouco dado a adjectivos redundantes, preferia aguardar com a serenidade possível pelo reencontro com o aconchego que lhe inundaria de novo a alma de emoção….

Já Rockas à Toa - Grupo De Baile

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Pesadelo

A questão central é que o Sporting devia ter entrado na Luz com 12 pontos e não com 7. No entanto, o que achei mais estranho na exibição da equipa foi o facto de ter ficado com a nítida sensação que o jogo não foi bem preparado. Vejamos: o Benfica jogou e apresentou-se como habitual de uma forma ultra-previsível, utilizou o desequilibrador do costume (Cardoso) que, note-se, passou o jogo todo sem uma marcação minimamente eficiente. Bloqueou de forma também previsível as subidas dos nossos laterais. E nós sem nunca demonstrar um mero vestígio da existência de um plano de jogo. Mas claro, para Paulo Sérgio o Sporting teve as mesmas 3 ou 4 oportunidades do Benfica. Aliás, o jogo foi um péssimo espectáculo. Com outro Benfica ou com o actual Porto, tínhamos levado um saco cheio tal foi a nossa inoperância.
Se eventualmente se concretizar uma vitória do Porto hoje é o adeus ao título definitivo e nessa perspectiva acho que a Direcção deve meter o lugar à disposição dos sócios na próxima assembleia-geral. A demissão não faz sentido até porque tenho sérias dúvidas que apareça alguém mais credível que Bettencourt. O Sporting não pode ficar à mercê de qualquer pára-quedista. Agora, esta desastrosa política de contratação de treinadores tem que ser escrutinada antes que o forcado Paulo Sérgio agredia ainda algum adepto mais exaltado. Provavelmente ainda vamos chegar a esse ponto. As declarações surreais dele no fim do jogo são já de alguém que anda de cabeça perdida.
Fui sempre muito cuidadoso a criticar Paulo Sérgio. Não teria sido a melhor opção mas é o treinador do clube. Agora acabou. Fomos dar uma pipa de massa ao Guimarães por um treinador e agora estamos a 4 pontos daqueles a quem fomos encher os cofres.
Bettencourt tem de explicar aos sócios qual foi o critério para contratar Carvalhal e Paulo Sérgio? São de uma nova geração, gente aprumada, bem formados mas sem aquele carisma e toque de midas que um verdadeiro treinador de topo necessita. Como eles, há 500 por esse País fora. Eu também sou boa gente mas isso não me habilita a treinar o Grande Sporting.....

domingo, 19 de setembro de 2010

Um Presidente Valente

Delicio-me com os comentários que aparecem com frequência às crónicas de Vasco Pulido Valente no Público.
Antes de mais, gosto do personagem. Das suas idiossincrasias, divirto-me com as dificuldades que sente em adaptar-se ao formato televisivo. Acho graça à profunda alergia que tem a tudo o que mexe. Apesar desta admiração, concordo actualmente talvez apenas com 50 % do que escreve, não mais. Isto porque com o passar do tempo aquele anti-progressismo exacerbado foi-se acentuando e isso torna-o um homem de um outro tempo, desfasado da realidade dos tempos modernos. As suas por vezes geniais opiniões são cada vez menos compreensíveis para o meio circundante e, por isso, menos interessantes. Mantém todavia grandes momentos de sobriedade. Por exemplo, nos últimos tempos - como verdadeiro homem de liberdade que é no sentido desprendido do termo e aí dá lições a muitos esquerdistas de vão-de-escada - defendeu com a habitual sapiência que o caracteriza a condenação da expulsão dos ciganos pelo governo Sarkorzi. Dias antes com a mesmíssima acutilância comentou com ironia os novos ventos de mudança que sopram por Cuba com o líder histórico Fidel Castro a assumir uma viragem no modelo económico. Ambos os textos foram publicamente louvados, quer por tendências simpatizantes da esquerda, quer por tendências com ligações à direita. Ora, o suprapartidarismo deve ser algo semelhante. Talvez Vasco Pulido Valente me fizesse votar nas próximas presidências….

Paul Ranson

sábado, 18 de setembro de 2010

A 8944 km de Cannes

Dando continuidade a isto, isto, isto, isto e isto, a curta com que Walter Salles participou em cada um o seu cinema que serviu de comemoração aos 60 anos do Festival de Cannes.
Em frente a um pequeno cinema de província que exibe Les quatre cents coups de François Truffaut de 1959, o Cineasta cria uma notável “brasileirada” musical, avec Castanha et Caju, que tem como pano de fundo, claro está, Cannes….

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O Inconformismo

Jeremias era um inconformado por excelência. O seu inconformismo não tinha paralelo naquela parte do hemisfério. Por vezes, interrogava-se se teria nascido assim? O facto de ser um sonhador inveterado ajudava a explicar a coisa mas ainda gostaria um dia de perceber os reais motivos para aquela insatisfação permanente….

A fábrica que eu canto

Não sei o que produz, mas é enorme,
É feita de tijolo, cor de fogo,
A fábrica que eu canto.
E à noite, quando está iluminada,
(Naquele bairro soturno, à beira rio),
Parece incendiada,
A fábrica que eu canto.

Trabalha-se de noite, nessa fábrica,
E ninguém se revolta.
De dia, nem se sabe que ela existe:
Fica sombria como todo o bairro.
Sombria, fria, triste...
- E ninguém se revolta.

Ah! mas à noite, quando se ilumina
A fábrica que eu canto,
Tem a grandeza duma tempestade!...
É um monstro de fogo, apocalíptico,
Pairando na cidade,
A fábrica que eu canto!

Carlos Queiroz

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Catarse

Jeremias como não tinha dinheiro nem paciência para Psiquiatras optou por criar um Blogue. Ficava mais em conta e sempre era uma forma relativamente sofisticada de abominar o mundo….

A Baía

terça-feira, 14 de setembro de 2010

No Fun – Sex Pistols



Homenagem aos Sex Pistols através de uma cover de tema dos The Stooges do camaleónico Iggy Pop. A versão, saliente-se, saiu bem melhor que o original…

domingo, 12 de setembro de 2010

O Coleccionador de Garrafas de Vinho

Havia um homem que gostava tanto, mas tanto do seu neto, que decidiu comprar todas as garrafas de vinho que encontrava com o ano do nascimento do imberbe.
Assim, pé ante pé, quando o Puto fez 18 anos herdou uma extensa garrafeira com mais de 5 000 garrafas de vinho de todas as qualidades e proveniências produzidas no mesmíssimo ano. Nesse dia de aniversário - depois de noite inolvidável na companhia dos seus comparsas - ao deliciar-se com um vinho israelita de primeira água que o Avô tinha comprado por 600 €uros, o agora jovem adulto cantarolava feliz e embriagado aos primeiros fogachos da manhã:
Não me importava morrer, se lá no céu houvesse festa. Ai, se o São Pedro lá tivesse, se o São Pedro lá tivesse, uma pinguinha como esta....