quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Submarino

Para Jeremias a compra de submarinos era um grande e redondo embuste que tinha nascido da ambição doentia de um ministro demagógico. A falta de coragem e discernimento mental dos governantes que o sucederam também é de louvar. A fantasia proporcionada pelos jogos cibernéticos de guerra tem custos francamente elevados. O reforço da defesa naval de um país em cacos, que já não tem dedos nem anéis para cobiçar, devia ser a última das prioridades de um estado soberano....

Wassily Kandinsky

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Precipício

Em nome da estrada, vagueia-se por campos infinitos. Em nome da crise, caminha-se alegremente para o abismo.
Em cada esquina um Medina Carreira, em cada rosto desigualdade. Viva Portugal....

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cinéma Erotique

Na sequência de posts anteriores deixo a quinta curta retirada de "cada um o seu cinema"  que serviu de comemoração aos 60 anos do Festival de Cannes.
Trazido pela experiente mão de Roman Polanski, cinéma erotique é uma anedota em movimento filmada com inegável engenho….

domingo, 17 de outubro de 2010

A Singularidade

Jeremias não dava mostras de grande originalidade naquilo que mais gostava de fazer. A falta de criatividade era um problema irresolúvel porque não se pode dar asas a quem não sabe voar. Contudo, Jeremias possuía uma invulgar faculdade: Apesar de se entreter com fantasias infrutíferas tinha absoluta consciência da sua generalizada inaptidão….

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A Ironia

Posso estar enganado mas cheira-me que para a maioria dos 33 mineiros chilenos que passaram 69 dias presos na mina de San José no norte do Chile este acidente foi a melhor coisa que lhes podia ter acontecido.
A iminente tragédia veio abrir as janelas que de uma outra forma permaneceriam para sempre lacradas....

Os Telhados de Lisboa

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Assembleia

Apesar de na generalidade detestar pessoas, Jeremias sentia especial predilecção por aglomerados de gente. Adorava insinuar-se à psicologia das multidões….

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ela controla e Cristina - Roquivários





Dose dupla de uma banda injustamente esquecida e que teve presença assinalável nos primórdios do rock português…..

domingo, 10 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Ma Mere

"Minha Mãe" é o segundo filme do agora muito reconhecido Christophe Honoré. Datado de 2003, só agora o visionei, depois de conhecer obras posteriores do realizador francês que é aliás bastante do meu agrado.
O filme é uma adaptação livre de obra homónima de Georges Bataille. Com a sempre perturbante Isabelle Huppert no papel principal conta ainda com o jovem Louis Garrel como protagonista.
Uma extraordinária descida à intimidade desconcertante do perverso relacionamento entre uma mãe e um filho de férias nas Ilhas Canárias. Fugindo sempre ao apelo da leitura freudiana, o filme transmite uma energia assinalável que deixava desde logo antever que Honoré tinha muito cinema dentro de si.
Já perto do fim, a caminho da consumação do incesto, a mãe confessa que o pior não é desejar fazê-lo. O pior é fazê-lo e sobreviver. O epílogo deste interessante argumento baseado na obra de Bataille é magistral.
Como nota de rodapé fica também a chamada de atenção para a participação num pequeno papel do “Contemporâneo” Nuno Lopes - actor detentor de uma especial versatilidade....

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Poema do Não

Convoco todas as almas para a homilia da negação.

Vindes, vindes expiar os vossos pecados
capitulai perante o niilismo puro e duro.
Vós que caminhais pelos meandros das palavras
rendam-se aos prazeres do nada.

Não, não somos capazes.

Não, não voltarei a rebuscar pelos escombros da memória.
Não, não regressarei ao reino dos crédulos.
Não, não, para sempre não....

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A Complacência

Jeremias não se identificava com ambientes de excessiva condescendência. Por norma, tal expediente acabava sempre no desmazelo mais disparatado….

A Impunidade



Mais uma aventura de Alice no País das Maravilhas.
Os absurdos argumentos de quem defende a não divulgação das escutas são no mínimo hilariantes. A esses iluminados, lanço-lhes a seguinte questão: E, se por acaso, uma escuta telefónica a que tiveram acesso indiciasse de forma brutal a autoria de um hipotético atentado contra um vosso familiar? O tribunal julgava e não condenava ninguém, apesar das evidentes provas. Divulgariam as escutas ou guardavam-nas debaixo da cama?
País de hipócritas, país de imundice, país de gente pequena.
Entretanto, Jorge Nuno Pinto da Costa, Valentim Loureiro e seus comparsas continuam a andar por aí. No Pasa nada. Siga para Bingo....

Ao rosto vulgar dos dias

Monstros e homens lado a lado,
Não à margem, mas na própria vida.

Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.

Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.

Ao rosto vulgar dos dias,
A vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.

Imaginar, primeiro, é ver.
Imaginar é conhecer, portanto agir.

Alexandre O´Neill

domingo, 3 de outubro de 2010

A Austeridade

Bastaram-me cinco minutos fora de casa após o anúncio das medidas de austeridade integradas no chamado PEC III para ficar com a certeza acerca da sentença que José Sócrates decretou a si próprio. A frase mais marcante foi um esclarecedor «andam a brincar com isto» ouvido pela boca de um indignado cidadão no café do bairro.
Sinceramente numa determinada perspectiva, analisado o documento que sustenta o plano, as medidas apresentadas na óptica do custo-benefício até são equilibradas. Dificilmente se conseguiria poupar o mesmo com menos custos sociais e há uma tentativa clara de sobrecarregar quem tem mais altos rendimentos, o que não deixa de ser de alguma forma justo.
O problema é que Sócrates não actuou quando devia. Funcionou por reacção quando já não havia mais chão para pisar. Além do mais, as previsões falharam num curto espaço de tempo o que custa muito a aceitar ao cidadão comum. Provavelmente, Teixeira dos Santos sempre soube que seria este o destino mas sacrificou a sua credibilidade e do seu Ministério em nome desta política de fachada centrada na imagem de Sócrates que, tal como previ aqui no passado, irá acabar por desencadear a sua queda.
Apesar de tudo, não deixa de ser um pouco cruel para este governo arcar com os custos desta situação que foi criada em grande parte por si, é verdade, mas que representa o maior acto de coragem politica de um governo da república dos últimos 20/25 anos. E se tem havido esta coragem no passado para acabar com os privilégios que foram sendo conquistados e reforçados por muita gente absolutamente ignóbil que por aí anda, as coisas não tinham chegado ao estado a que chegaram….

A Simbiose

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A Riqueza

Todo o dinheiro do mundo torna-se inútil quando confrontado com a efémera metáfora que é a vida.
Jeremias acreditava que não havia nada mais precioso que o Tempo, esse Bandido…..