quarta-feira, 17 de novembro de 2010

36 Vistas do Monte Saint-Loup

De Jacques Rivette com Sergio Castellitto e a eterna companheira de Gainsbourg, a agora já sexagenária Jane Birkin, estreou há semanas 36 Vistas do Monte Saint-Loup.
Começa muito bem mais este filme de Rivette com um carro empanado à beira da estrada conduzido por uma mulher que está sozinha. A mulher acena a quem passa na esperança de obter ajuda. Há um homem, até aí estranho, que passa uma primeira vez sem parar. Inesperadamente volta depois atrás, como que motivado por um misterioso apelo de consciência, arranjando o carro da mulher e partindo sem proferir uma única palavra.
Acontece que este excepcional início de 36 Vistas do Monte Saint-Loup não tem depois sequência no resto do filme. O consagrado realizador que tem algumas obras apreciáveis perde-se numa encruzilhada centrada na obsessão de um homem por uma mulher. Nem a a própria fotografia do filme desperta imagens particularmente estimulantes. Seria talvez uma ideia interessante para uma peça de teatro, não mais que isso. Apesar de tudo, deixo o trailer...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A NATO

Jeremias pretendia perguntar aos senhores da NATO porque motivo se acham mais importantes que os Arcade Fire? Estes, ao menos, ainda conseguiriam fazer gente feliz…

Um Coração de Sangue

Um coração de sangue
Um coração de xisto e aço
Um coração angular e redondo
Como a pedra que te abre
Do interior do chão

Um coração solar
De granito
De carne
Curado da noite de nascença

Um coração de homem
Um coração de homem vivo
Um coração de criança ao colo
Interior
-Mais interior do que o sangue no coração que me darás-

Peço um coração
Nuclear

Daniel Faria

domingo, 14 de novembro de 2010

A Salvação Nacional

Fala-se da hipotética criação de um governo de Salvação Nacional. A expressão até tem um sentido vagamente poético mas lirismos à parte, é bom que todos se comecem a convencer que isto só lá vai com intervenção externa. Somos demasiado mesquinhos, demasiado cobardes, demasiado comodistas, e estamos demasiado comprometidos para conseguir inverter a situação insustentável em que vivem as finanças públicas num Estado que, quer se queira quer não, tem um peso excessivo. Não estou a dizer com isto que o estado social deve ser desmantelado. Aliás, em muitas áreas até penso que o investimento devia ser aumentado. Agora, o que é impossível negar é o despesismo generalizado em que vivem, no geral, as instituições públicas. E o monstro não é de agora, tem vindo a florescer desde há pelo menos 25 anos. E se Passos Coelho quer mesmo punir criminalmente os responsáveis, como afirmou num daqueles seus delírios de populismo primário, então o melhor é começar por sentar no banco dos réus o professor que apoia para presidente da república.

A realidade é que a maioria da população depende de forma directa ou indirecta do Estado e isto é inegável. Não me estou a referi somente aos funcionários públicos, que muito injustamente são tratados por uma parte significativa da opinião pública como atrasados mentais.
O cerne da questão está precisamente no facto de parte significativa dos rendimentos que auferem os designados privados e muito curiosamente essa mesma opinião pública, que julga indiscriminadamente os outros, serem provenientes da mesmíssima e inesgotável fonte. Ou por serem professores em Universidades Públicas, ou por terem avenças em órgãos de comunicação social controlados pelo Estado (de forma injustificada nalguns casos), ou por terem avenças em empresas financiadas, por este ou por aquele motivo, pelo erário público (às vezes até com desconhecimento dos próprios colaboradores) ou então através dos milhares de pareceres, avenças e prestações de serviços de todas as espécies e feitos que os organismos e empresas de capitais públicos pagam mensalmente a fornecedores. Ou seja, o dinheiro com que muita desta gente compra as suas prendas de natal e sustenta legitimamente as suas famílias, tem origem exactamente no mesmíssimo e famigerado Orçamento de Estado.

A única coisa que resta fazer a um País eternamente adiado é adiar – mais uma vez - o inevitável. Nisso, somos efectivamente bons. O talento na fuga para a frente, a arte de varrer para debaixo do tapete, a propensão para a dissimulação dos problemas são características inatas que não são compatíveis com ideias peregrinas de salvações.....

A Modernidade

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Obscuridade

O obscuro silêncio proporcionado pelo isolamento da sala de cinema transmitia a Jeremias uma estranha paz interior que não encontrava paralelo nem na essência subjectiva do existencialismo....

Censurados – Censurados

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dans L'Obscurite

Dando continuidade a isto, fica a sexta curta retirada de “cada um o seu cinema” que serviu de comemoração aos 60 anos do Festival de Cannes. Desta vez com a singular e criativa participação dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne:


É caso para salientar a importância de ter um ladrão sempre à mão…..

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Condenação do Divino

Eu fui dos que defendi a contratação de André Vilas-Boas para o meu Sporting. Parecia-me, das poucas hipóteses portuguesas credíveis, aquela que reunia maior possibilidade de êxito. Hoje estou amplamente convencido que o negócio não avançou porque o próprio teve a percepção que tinha boas hipóteses de ir para o Porto - o seu clube do coração - e por esse motivo provocou o divórcio com Bettencourt. Foi assim que, para mal dos nossos pecados, surgiu Paulo Sérgio nas nossas vidas. Mas ainda não estou convencido que Vilas-Boas é um novo Mourinho. Tem dado boas indicações, é verdade, mas ainda é cedo para avaliar. Quanto a mim, o real valor deste porto está sobrevalorizado de momento. Existe demasiada dependência da capacidade de um jogador que, por mais incrível que possa ser, não resolverá todos os problemas. E estão claramente numa fase em que a confiança proporcionada por vitórias consecutivas ajuda a esconder debilidades, mas nem sempre será assim. Pelo menos é o que me parece. Agora para todos os efeitos já são campeões, desde a quarta jornada para ser preciso.
Relativamente a Jorge Jesus - que assinale-se nunca foi treinador do meu agrado com os seus rasgos discursivos absolutamente hilariantes – acho que foi infeliz de facto na opção Sidnei mas a crítica vermelha está a trucidá-lo de uma forma um pouco injusta, diga-se. A verdade é que dificilmente este frágil Benfica (com o qual o Sporting levou um banho de bola, lembras-te Paulo Sérgio?) poderia trazer alguma coisa do Dragão nesta fase…

sábado, 6 de novembro de 2010

O Prenúncio

Não sei o que será mais deprimente. Os rostos risonhos dos deputados do PSD durante a discussão do orçamento na primeiras filas da Assembleia da República - rostos esses outrora fechados e pesarosos - certamente “esperançados” num futuro auspicioso para os seus umbigos? Ou as movimentações no PS com as habituais intrigas palacianas tendo em vista a sucessão de Sócrates?
Caros concidadãos, o Abismo está ao virar da esquina....

A Fúria da Razão

Diz-se que os cegos não conhecem a luz, talvez porque
para a razão o sentimento Ihes reservou outros caminhos.
O melhor, contudo, é não acreditarmos nestas histórias.
É vê-los cair, arrastando na queda os instrumentos
de que se servem para nos entreter os sentidos.
Também não se atrevem a atravessar florestas
e quando a chuva cai, choram convulsivamente.
Ratos devoram-lhes o cérebro e arrastam segredos
para o cemitério. Para que quereriam a luz?
Mesmo quietos é difícil não perceber a violência.
Mas uma fúria incomunicável que os legitima
dentro. É sem palavras - ou imagens - o pensamento.
Quando juntos, abandonam as famílias - e riem-se
se à sua passagem, alguém lhes pede música.

Fernando Guerreiro

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Desafio

O Burro Jeremias reparava que ultimamente, de quando em vez, o seu pequeno burrito o olhava com um olhar diferente. Um olhar trocista que no fundo expunha o que lhe ia na alma. Algo do tipo: olha aqui para mim a fazer merda, afrontando as tuas reprimendas idiotas de pai da treta.
Por uma mera questão de pedagogia doutrinal, o Burro Jeremias gostava de manter a ilusão que era ele que mandava….

Je T'aime Moi Non Plus - Serge Gainsbourg e Jane Birkin