Jeremias achava que o tempo era um perigoso bandido de asas levantadas. Derrubava tudo o que o rodeava com a maior das facilidades. Para Jeremias, alguém devia algemar o tempo…..
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A Crónica do Triste Fado
Portugal é hoje o que sempre foi e o que sempre será. Mesmo com as crescentes inovações tecnológicas tendencialmente “globalizantes” o fado português perdurará inalterável. Aliás, o fado é o nosso único grande desígnio. Cada nação tem a sorte que merece. O Brasil tem o samba. Querem lá coisa mais alegre? A nós calhou-nos o mais pesaroso dos estilos de música. Mais que uma maneira de ser esta tendência para o sombrio está-nos nos genes, corre-nos no sangue, atravessa-nos a pele. Por norma, para um brasileiro está tudo jóia, mas para um macambúzio de origem lusa vai-se andando, está-se assim-assim. Raramente, muito raramente, está tudo bem.
Como resultado desta apregoada taciturnidade em cada exemplar Tuga encontra-se um putativo escritor. Adaptando a emblemática letra revolucionária de Zeca Afonso: em cada esquina um poeta, em cada rosto sisudo uma inspiração. A poesia passeia pelas ruas de mãos dadas com a melancolia reinante.
País de navegadores e aventureiros, de ancestrais conquistadores, vivemos sempre - como agora - à beira do abismo. É verdade que partimos com frequência à aventura na esperança de um futuro mais risonho. A história de Portugal está cheia de períodos em que houve enormes níveis de emigração. No entanto, curiosamente, essa fuga somente se concretiza quando não existem mais alternativas. Muitas vezes a vontade de partir termina à mesa do café de Bairro numa avalanche contínua de lamentações e indignações. Reagimos somente em último recurso, quando não existe mais chão para pisar. Sempre foi assim, até nas graves crises económicas. Mais FMI, menos FMI, continuaremos eternamente com a nossa irrepreensível letargia. O comodismo é uma espécie de desporto nacional de eleição. Quando resolvemos fazer, normalmente até não nos saímos mal, contudo mantemos uma atávica resistência à mudança.
A incapacidade para planear minimamente o futuro e a falta de memória são outras idiossincrasias lusas. Com a mesma facilidade que trucidamos determinada personagem, amanhã colocamo-la no pedestal. É uma grave esquizofrenia, sem dúvida, mas funciona ao mesmo tempo como estimulo e alavanca social, designadamente ao nível das cabeleireiras de bairro.
Cada País tem os cidadãos que merece. O Brasil tem actualmente como Presidente um Lula, o que aparenta desde logo alguma vivacidade. Portugal tem como presidente uma espécie de múmia ressuscitada (mas pouco) de nome Cavaco, o que é francamente elucidativo....
Como resultado desta apregoada taciturnidade em cada exemplar Tuga encontra-se um putativo escritor. Adaptando a emblemática letra revolucionária de Zeca Afonso: em cada esquina um poeta, em cada rosto sisudo uma inspiração. A poesia passeia pelas ruas de mãos dadas com a melancolia reinante.
País de navegadores e aventureiros, de ancestrais conquistadores, vivemos sempre - como agora - à beira do abismo. É verdade que partimos com frequência à aventura na esperança de um futuro mais risonho. A história de Portugal está cheia de períodos em que houve enormes níveis de emigração. No entanto, curiosamente, essa fuga somente se concretiza quando não existem mais alternativas. Muitas vezes a vontade de partir termina à mesa do café de Bairro numa avalanche contínua de lamentações e indignações. Reagimos somente em último recurso, quando não existe mais chão para pisar. Sempre foi assim, até nas graves crises económicas. Mais FMI, menos FMI, continuaremos eternamente com a nossa irrepreensível letargia. O comodismo é uma espécie de desporto nacional de eleição. Quando resolvemos fazer, normalmente até não nos saímos mal, contudo mantemos uma atávica resistência à mudança.
A incapacidade para planear minimamente o futuro e a falta de memória são outras idiossincrasias lusas. Com a mesma facilidade que trucidamos determinada personagem, amanhã colocamo-la no pedestal. É uma grave esquizofrenia, sem dúvida, mas funciona ao mesmo tempo como estimulo e alavanca social, designadamente ao nível das cabeleireiras de bairro.
Cada País tem os cidadãos que merece. O Brasil tem actualmente como Presidente um Lula, o que aparenta desde logo alguma vivacidade. Portugal tem como presidente uma espécie de múmia ressuscitada (mas pouco) de nome Cavaco, o que é francamente elucidativo....
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Copie Conforme
Num dos mais aguardados filmes dos últimos tempos, o Iraniano Abbas Kiarostami aterra na Europa para criar mais uma das suas singulares obras desta vez com a tentadora companhia de Juliette Binoche no papel principal.
Binoche, qual vinho do porto, está cada vez melhor actriz. O seu rosto não é um poema, é um compêndio da mais excepcional poesia. Um dia ainda hei de escrever um cabrão dum texto sobre o rosto de Binoche...
Binoche, qual vinho do porto, está cada vez melhor actriz. O seu rosto não é um poema, é um compêndio da mais excepcional poesia. Um dia ainda hei de escrever um cabrão dum texto sobre o rosto de Binoche...
domingo, 28 de novembro de 2010
Acorda Sporting
O empate era para mim era o pior resultado possível para este escaldante Sporting-Porto. Por um lado não recuperamos terreno. Por outro, o revés não é suficiente para que a cabeça de Paulo Sérgio role e possa finalmente ir treinar o Moreirense. A sua continuidade, como já se percebeu, compromete quaisquer aspirações de ganhar algo esta época. E continuo a insistir, o Sporting não tem tão má equipa como parece. Além do mais continuamos atrás do Guimarães, ao qual fomos contratar este fabuloso treinador por 600 000 Euros. Em outros tempos, estar a 13 pontos da liderança no decorrer ainda da primeira volta do campeonato, com a possibilidade de ficar a cinco do segundo (ou seja, a depender de terceiros mesmo para o 2.ºlugar) seria motivo mais que suficiente para um levantamento em Alvalade.
Mas infelizmente o Sporting nos dias que correm não é mais que isto. É todavia de louvar os mais de 36 000 adeptos que, mesmo assim, se deslocaram a Alvalade (sendo que 5 000 ou mais eram do Porto) para apoiar uma equipa que durante 90 minutos não consegue fazer um cruzamento em condições para a área adversária (volta Abel, estás perdoado) e que a jogar contra dez, precisando impreterivelmente de vencer, não consegue efectuar um lançamento lateral de acordo com as leis do jogo.
A claque mais representativa do clube já nem sequer põe as habituais tarjas identificativas. Se por acaso foi uma forma de protesto contra um treinador de terceira categoria que até a fazer uma simples substituição demora uma eternidade, acho que fizeram muito bem.
Dizem que rematamos sempre muito. Sim, mas e daí? Em 10 remates o André Santos ou o Postiga acertam uma vez na baliza, sendo que normalmente esse remate não dá golo. A equipa remata de longe porque é desequilibrada emocionalmente. Ainda ontem houve duas, três situações em que jogadores nossos podiam ficar isolados, caso os companheiros não tomassem a péssima opção de rematar de longe.
Bettencourt com as declarações imbecis de meio da semana teve o que semeou e hoje foi o principal culpado do sporting não ter ganho. Fomos uma equipa de totós em solidariedade com o nosso presidente. O enxovalho de estar sentado ao lado de Pinto da Costa na tribuna em Alvalade foi a cereja em cima do bolo.
No fim de tudo isto, há sportinguistas por essa blogosfera a exultarem por termos ganho um ponto ao Guimarães, o que diz tudo relativamente ao estado a que o nosso Grande clube chegou.....
Mas infelizmente o Sporting nos dias que correm não é mais que isto. É todavia de louvar os mais de 36 000 adeptos que, mesmo assim, se deslocaram a Alvalade (sendo que 5 000 ou mais eram do Porto) para apoiar uma equipa que durante 90 minutos não consegue fazer um cruzamento em condições para a área adversária (volta Abel, estás perdoado) e que a jogar contra dez, precisando impreterivelmente de vencer, não consegue efectuar um lançamento lateral de acordo com as leis do jogo.
A claque mais representativa do clube já nem sequer põe as habituais tarjas identificativas. Se por acaso foi uma forma de protesto contra um treinador de terceira categoria que até a fazer uma simples substituição demora uma eternidade, acho que fizeram muito bem.
Dizem que rematamos sempre muito. Sim, mas e daí? Em 10 remates o André Santos ou o Postiga acertam uma vez na baliza, sendo que normalmente esse remate não dá golo. A equipa remata de longe porque é desequilibrada emocionalmente. Ainda ontem houve duas, três situações em que jogadores nossos podiam ficar isolados, caso os companheiros não tomassem a péssima opção de rematar de longe.
Bettencourt com as declarações imbecis de meio da semana teve o que semeou e hoje foi o principal culpado do sporting não ter ganho. Fomos uma equipa de totós em solidariedade com o nosso presidente. O enxovalho de estar sentado ao lado de Pinto da Costa na tribuna em Alvalade foi a cereja em cima do bolo.
No fim de tudo isto, há sportinguistas por essa blogosfera a exultarem por termos ganho um ponto ao Guimarães, o que diz tudo relativamente ao estado a que o nosso Grande clube chegou.....
sábado, 27 de novembro de 2010
O Equívoco
Reinava, não porque tivesse real competência para tal, mas porque o solícito compadrio lhe tinha batido à porta….
POEMA
A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Sophia de Mello Breyner Andresen
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Sophia de Mello Breyner Andresen
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Imperdível
O Ex-Primeiro-Ministro desta admirável bagunça que se chama Portugal - Pedro Santana Lopes - à falta de melhor ocupação anda a dissertar sobre os pneus do seu BMW. Com gente assim a governar-nos, ficamos mais elucidados acerca dos reais motivos que conduziram ao estado a que isto chegou. Tudo, aqui.
Mas atenção caros leitores, reparem por favor na destreza intelectual deste cidadão que atento ao mundo que o rodeia faz o seguinte comentário ao diligente post do Dr. Pedro Santana Lopes:
«Como o compreendo. Até minha carrinha Renault é assim! Traz kit de reparação cujo produto custa 70€ + IVA»....
Mas atenção caros leitores, reparem por favor na destreza intelectual deste cidadão que atento ao mundo que o rodeia faz o seguinte comentário ao diligente post do Dr. Pedro Santana Lopes:
«Como o compreendo. Até minha carrinha Renault é assim! Traz kit de reparação cujo produto custa 70€ + IVA»....
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
A Greve Geral
As greves na minha perspectiva deixaram de fazer sentido para aí há 20 anos. Hoje as realidades laborais são outras. As problemáticas com que as sociedades se debatem exigem outras respostas. As greves, pura e simplesmente, não resolvem nada e já não comovem ninguém.
Os próprios mentores desta greve geral dão toda a ideia que andam por ali somente por uma mera questão de tradição. E claro, porque têm alguma experiência que convém exercitar em organizar estas coisas. Nada mais que isso. O discurso é absolutamente inócuo, e em nada contribui para a recuperação económica do país.
Com franqueza, só consigo conceber esta greve na solidária perspectiva de haver algumas almas que se sentem purificadas pelo protesto maciço, e outras que vêem sinceramente esta como a única forma de exorcizar o seu legítimo desespero. O que não sendo tudo, já é alguma coisa....
Os próprios mentores desta greve geral dão toda a ideia que andam por ali somente por uma mera questão de tradição. E claro, porque têm alguma experiência que convém exercitar em organizar estas coisas. Nada mais que isso. O discurso é absolutamente inócuo, e em nada contribui para a recuperação económica do país.
Com franqueza, só consigo conceber esta greve na solidária perspectiva de haver algumas almas que se sentem purificadas pelo protesto maciço, e outras que vêem sinceramente esta como a única forma de exorcizar o seu legítimo desespero. O que não sendo tudo, já é alguma coisa....
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
O Particular
O papa veio abrir a porta ainda que de forma envergonhada à aceitação por parte da igreja católica do uso do preservativo, assumindo que se justifica em "casos particulares".
A Imprensa delira com a depravação demonstrada por Bento XVI. Por este andar, talvez ainda durante este século (faltam 90 anos) poderá a igreja católica vir a considerar a masturbação como uma prática aceitável, o que constituirá claramente uma autêntica loucura - para quem estiver vivo...
A Imprensa delira com a depravação demonstrada por Bento XVI. Por este andar, talvez ainda durante este século (faltam 90 anos) poderá a igreja católica vir a considerar a masturbação como uma prática aceitável, o que constituirá claramente uma autêntica loucura - para quem estiver vivo...
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
O Regabofe
Jeremias achava que Cavaco devia aproveitar para pedir a Obama uma ajudinha para pagar os submarinos…
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
36 Vistas do Monte Saint-Loup
De Jacques Rivette com Sergio Castellitto e a eterna companheira de Gainsbourg, a agora já sexagenária Jane Birkin, estreou há semanas 36 Vistas do Monte Saint-Loup.
Começa muito bem mais este filme de Rivette com um carro empanado à beira da estrada conduzido por uma mulher que está sozinha. A mulher acena a quem passa na esperança de obter ajuda. Há um homem, até aí estranho, que passa uma primeira vez sem parar. Inesperadamente volta depois atrás, como que motivado por um misterioso apelo de consciência, arranjando o carro da mulher e partindo sem proferir uma única palavra.
Acontece que este excepcional início de 36 Vistas do Monte Saint-Loup não tem depois sequência no resto do filme. O consagrado realizador que tem algumas obras apreciáveis perde-se numa encruzilhada centrada na obsessão de um homem por uma mulher. Nem a a própria fotografia do filme desperta imagens particularmente estimulantes. Seria talvez uma ideia interessante para uma peça de teatro, não mais que isso. Apesar de tudo, deixo o trailer...
Começa muito bem mais este filme de Rivette com um carro empanado à beira da estrada conduzido por uma mulher que está sozinha. A mulher acena a quem passa na esperança de obter ajuda. Há um homem, até aí estranho, que passa uma primeira vez sem parar. Inesperadamente volta depois atrás, como que motivado por um misterioso apelo de consciência, arranjando o carro da mulher e partindo sem proferir uma única palavra.
Acontece que este excepcional início de 36 Vistas do Monte Saint-Loup não tem depois sequência no resto do filme. O consagrado realizador que tem algumas obras apreciáveis perde-se numa encruzilhada centrada na obsessão de um homem por uma mulher. Nem a a própria fotografia do filme desperta imagens particularmente estimulantes. Seria talvez uma ideia interessante para uma peça de teatro, não mais que isso. Apesar de tudo, deixo o trailer...
terça-feira, 16 de novembro de 2010
A NATO
Jeremias pretendia perguntar aos senhores da NATO porque motivo se acham mais importantes que os Arcade Fire? Estes, ao menos, ainda conseguiriam fazer gente feliz…
Um Coração de Sangue
Um coração de sangue
Um coração de xisto e aço
Um coração angular e redondo
Como a pedra que te abre
Do interior do chão
Um coração solar
De granito
De carne
Curado da noite de nascença
Um coração de homem
Um coração de homem vivo
Um coração de criança ao colo
Interior
-Mais interior do que o sangue no coração que me darás-
Peço um coração
Nuclear
Daniel Faria
Um coração de xisto e aço
Um coração angular e redondo
Como a pedra que te abre
Do interior do chão
Um coração solar
De granito
De carne
Curado da noite de nascença
Um coração de homem
Um coração de homem vivo
Um coração de criança ao colo
Interior
-Mais interior do que o sangue no coração que me darás-
Peço um coração
Nuclear
Daniel Faria
domingo, 14 de novembro de 2010
A Salvação Nacional
Fala-se da hipotética criação de um governo de Salvação Nacional. A expressão até tem um sentido vagamente poético mas lirismos à parte, é bom que todos se comecem a convencer que isto só lá vai com intervenção externa. Somos demasiado mesquinhos, demasiado cobardes, demasiado comodistas, e estamos demasiado comprometidos para conseguir inverter a situação insustentável em que vivem as finanças públicas num Estado que, quer se queira quer não, tem um peso excessivo. Não estou a dizer com isto que o estado social deve ser desmantelado. Aliás, em muitas áreas até penso que o investimento devia ser aumentado. Agora, o que é impossível negar é o despesismo generalizado em que vivem, no geral, as instituições públicas. E o monstro não é de agora, tem vindo a florescer desde há pelo menos 25 anos. E se Passos Coelho quer mesmo punir criminalmente os responsáveis, como afirmou num daqueles seus delírios de populismo primário, então o melhor é começar por sentar no banco dos réus o professor que apoia para presidente da república.
A realidade é que a maioria da população depende de forma directa ou indirecta do Estado e isto é inegável. Não me estou a referi somente aos funcionários públicos, que muito injustamente são tratados por uma parte significativa da opinião pública como atrasados mentais.
O cerne da questão está precisamente no facto de parte significativa dos rendimentos que auferem os designados privados e muito curiosamente essa mesma opinião pública, que julga indiscriminadamente os outros, serem provenientes da mesmíssima e inesgotável fonte. Ou por serem professoresem Universidades Públicas , ou por terem avenças em órgãos de comunicação social controlados pelo Estado (de forma injustificada nalguns casos), ou por terem avenças em empresas financiadas, por este ou por aquele motivo, pelo erário público (às vezes até com desconhecimento dos próprios colaboradores) ou então através dos milhares de pareceres, avenças e prestações de serviços de todas as espécies e feitos que os organismos e empresas de capitais públicos pagam mensalmente a fornecedores. Ou seja, o dinheiro com que muita desta gente compra as suas prendas de natal e sustenta legitimamente as suas famílias, tem origem exactamente no mesmíssimo e famigerado Orçamento de Estado.
A única coisa que resta fazer a um País eternamente adiado é adiar – mais uma vez - o inevitável. Nisso, somos efectivamente bons. O talento na fuga para a frente, a arte de varrer para debaixo do tapete, a propensão para a dissimulação dos problemas são características inatas que não são compatíveis com ideias peregrinas de salvações.....
A realidade é que a maioria da população depende de forma directa ou indirecta do Estado e isto é inegável. Não me estou a referi somente aos funcionários públicos, que muito injustamente são tratados por uma parte significativa da opinião pública como atrasados mentais.
O cerne da questão está precisamente no facto de parte significativa dos rendimentos que auferem os designados privados e muito curiosamente essa mesma opinião pública, que julga indiscriminadamente os outros, serem provenientes da mesmíssima e inesgotável fonte. Ou por serem professores
A única coisa que resta fazer a um País eternamente adiado é adiar – mais uma vez - o inevitável. Nisso, somos efectivamente bons. O talento na fuga para a frente, a arte de varrer para debaixo do tapete, a propensão para a dissimulação dos problemas são características inatas que não são compatíveis com ideias peregrinas de salvações.....
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
A Obscuridade
O obscuro silêncio proporcionado pelo isolamento da sala de cinema transmitia a Jeremias uma estranha paz interior que não encontrava paralelo nem na essência subjectiva do existencialismo....
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
A Dívida Pública
Enquanto era encarcerado por ofensas à ordem pública, Jeremias continuava solenemente a jurar que nunca deveu nada a ninguém….
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Dans L'Obscurite
Dando continuidade a isto, fica a sexta curta retirada de “cada um o seu cinema” que serviu de comemoração aos 60 anos do Festival de Cannes. Desta vez com a singular e criativa participação dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne:
É caso para salientar a importância de ter um ladrão sempre à mão…..
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
A Condenação do Divino
Eu fui dos que defendi a contratação de André Vilas-Boas para o meu Sporting. Parecia-me, das poucas hipóteses portuguesas credíveis, aquela que reunia maior possibilidade de êxito. Hoje estou amplamente convencido que o negócio não avançou porque o próprio teve a percepção que tinha boas hipóteses de ir para o Porto - o seu clube do coração - e por esse motivo provocou o divórcio com Bettencourt. Foi assim que, para mal dos nossos pecados, surgiu Paulo Sérgio nas nossas vidas. Mas ainda não estou convencido que Vilas-Boas é um novo Mourinho. Tem dado boas indicações, é verdade, mas ainda é cedo para avaliar. Quanto a mim, o real valor deste porto está sobrevalorizado de momento. Existe demasiada dependência da capacidade de um jogador que, por mais incrível que possa ser, não resolverá todos os problemas. E estão claramente numa fase em que a confiança proporcionada por vitórias consecutivas ajuda a esconder debilidades, mas nem sempre será assim. Pelo menos é o que me parece. Agora para todos os efeitos já são campeões, desde a quarta jornada para ser preciso.
Relativamente a Jorge Jesus - que assinale-se nunca foi treinador do meu agrado com os seus rasgos discursivos absolutamente hilariantes – acho que foi infeliz de facto na opção Sidnei mas a crítica vermelha está a trucidá-lo de uma forma um pouco injusta, diga-se. A verdade é que dificilmente este frágil Benfica (com o qual o Sporting levou um banho de bola, lembras-te Paulo Sérgio?) poderia trazer alguma coisa do Dragão nesta fase…
Relativamente a Jorge Jesus - que assinale-se nunca foi treinador do meu agrado com os seus rasgos discursivos absolutamente hilariantes – acho que foi infeliz de facto na opção Sidnei mas a crítica vermelha está a trucidá-lo de uma forma um pouco injusta, diga-se. A verdade é que dificilmente este frágil Benfica (com o qual o Sporting levou um banho de bola, lembras-te Paulo Sérgio?) poderia trazer alguma coisa do Dragão nesta fase…
sábado, 6 de novembro de 2010
O Prenúncio
Não sei o que será mais deprimente. Os rostos risonhos dos deputados do PSD durante a discussão do orçamento na primeiras filas da Assembleia da República - rostos esses outrora fechados e pesarosos - certamente “esperançados” num futuro auspicioso para os seus umbigos? Ou as movimentações no PS com as habituais intrigas palacianas tendo em vista a sucessão de Sócrates?
Caros concidadãos, o Abismo está ao virar da esquina....
Caros concidadãos, o Abismo está ao virar da esquina....
A Fúria da Razão
Diz-se que os cegos não conhecem a luz, talvez porque
para a razão o sentimento Ihes reservou outros caminhos.
O melhor, contudo, é não acreditarmos nestas histórias.
É vê-los cair, arrastando na queda os instrumentos
de que se servem para nos entreter os sentidos.
Também não se atrevem a atravessar florestas
e quando a chuva cai, choram convulsivamente.
Ratos devoram-lhes o cérebro e arrastam segredos
para o cemitério. Para que quereriam a luz?
Mesmo quietos é difícil não perceber a violência.
Mas uma fúria incomunicável que os legitima
dentro. É sem palavras - ou imagens - o pensamento.
Quando juntos, abandonam as famílias - e riem-se
se à sua passagem, alguém lhes pede música.
Fernando Guerreiro
para a razão o sentimento Ihes reservou outros caminhos.
O melhor, contudo, é não acreditarmos nestas histórias.
É vê-los cair, arrastando na queda os instrumentos
de que se servem para nos entreter os sentidos.
Também não se atrevem a atravessar florestas
e quando a chuva cai, choram convulsivamente.
Ratos devoram-lhes o cérebro e arrastam segredos
para o cemitério. Para que quereriam a luz?
Mesmo quietos é difícil não perceber a violência.
Mas uma fúria incomunicável que os legitima
dentro. É sem palavras - ou imagens - o pensamento.
Quando juntos, abandonam as famílias - e riem-se
se à sua passagem, alguém lhes pede música.
Fernando Guerreiro
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
O Arcaísmo
Jeremias ouviu dizer que os Blogues estavam demodé. Para um desalinhado profissional, que andava sempre fora de tempo, essa simples constatação provocava um sorriso no rosto…
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
O Desafio
O Burro Jeremias reparava que ultimamente, de quando em vez, o seu pequeno burrito o olhava com um olhar diferente. Um olhar trocista que no fundo expunha o que lhe ia na alma. Algo do tipo: olha aqui para mim a fazer merda, afrontando as tuas reprimendas idiotas de pai da treta.
Por uma mera questão de pedagogia doutrinal, o Burro Jeremias gostava de manter a ilusão que era ele que mandava….
Por uma mera questão de pedagogia doutrinal, o Burro Jeremias gostava de manter a ilusão que era ele que mandava….
sábado, 30 de outubro de 2010
O Barrilete Cósmico
Para ouvir com som bem alto:
Diego Armando Maradona faz hoje 50 anos. Apesar de o considerar um Ser de outro planeta é pessoa que não tenho a mais pequena curiosidade de conhecer, mas perdurarão para sempre na minha memória momentos como este. E eu ainda vi jogar Diego uns minutos com estes olhinhos que a terra há-de comer (ou não) num Sporting-Nápoles de 1989....
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Gainsbourg: Vida Heróica
O que me levou a ir ver “Gainsbourg: Vida Heróica” foi uma vontade de conhecer melhor o músico e compositor francês. A geração a que pertenço, por norma, não conhece em profundidade a obra e o importante legado de Serge Gainsbourg.
O realizador Joann Sfar, que tem aqui a sua primeira longa-metragem, vem do universo da banda desenhada. Aliás, essa proveniência percebe-se automaticamente logo no início do filme. Utiliza variadíssimas vezes a animação com apreciável resultado, inclusive na criação de um alter-ego do protagonista.
Não estamos perante o tradicional filme biográfico. O realizador é um apaixonado assumido por Gainsbourg e aproveita o ensejo para criar uma periclitante fábula que seria certamente do agrado do próprio biografado.
Com base nos episódios mais mediáticos da vida do cantautor francês - por exemplo o badalado romance com Brigitte Bardot ou a intensíssima relação com Jane Birkin (donde nasceu Charlotte) - Sfar transforma a narrativa num conto bem ritmado cujo mérito deve ser repartido com Eric Elmosnino, que tem uma excelente interpretação no papel principal.
Sem ser absolutamente brilhante “Gainsbourg: Vida Heróica” é um filme eficaz, recomendável a quem tem especial predilecção por uma magnitude somente transmitida pelas vidas mais errantes....
O realizador Joann Sfar, que tem aqui a sua primeira longa-metragem, vem do universo da banda desenhada. Aliás, essa proveniência percebe-se automaticamente logo no início do filme. Utiliza variadíssimas vezes a animação com apreciável resultado, inclusive na criação de um alter-ego do protagonista.
Não estamos perante o tradicional filme biográfico. O realizador é um apaixonado assumido por Gainsbourg e aproveita o ensejo para criar uma periclitante fábula que seria certamente do agrado do próprio biografado.
Com base nos episódios mais mediáticos da vida do cantautor francês - por exemplo o badalado romance com Brigitte Bardot ou a intensíssima relação com Jane Birkin (donde nasceu Charlotte) - Sfar transforma a narrativa num conto bem ritmado cujo mérito deve ser repartido com Eric Elmosnino, que tem uma excelente interpretação no papel principal.
Sem ser absolutamente brilhante “Gainsbourg: Vida Heróica” é um filme eficaz, recomendável a quem tem especial predilecção por uma magnitude somente transmitida pelas vidas mais errantes....
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
A Ruptura
As negociações entre o Governo e o PSD aparentemente falharam. Romperam, não porque houvesse diferenças inconciliáveis entre ambas as posições, mas porque o que interessa verdadeiramente a Sócrates e Passos Coelho é o controlo dos danos políticos. A eventual imagem de fraqueza resultante de uma suposta cedência de alguma das partes é mais importante para eles que a sobrevivência do País. Portugal merecia gente melhor.
O problema - ainda mais grave - é que em todos os sectores da sociedade vão-se multiplicando os Sócrates e Passos Coelhos desta vida…..
O problema - ainda mais grave - é que em todos os sectores da sociedade vão-se multiplicando os Sócrates e Passos Coelhos desta vida…..
Reconhecimento à Loucura
Já alguém sentiu a loucura
vestir de repente o nosso corpo?
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem
nem resignação?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
e fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente
e ganhar-Ihe, e ganhar-Ihe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?
Tu Só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar
Almada Negreiros
vestir de repente o nosso corpo?
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem
nem resignação?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
e fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente
e ganhar-Ihe, e ganhar-Ihe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?
Tu Só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar
Almada Negreiros
terça-feira, 26 de outubro de 2010
O Candidato
A campanha eleitoral para a Presidência da República vai ser bastante interessante. Como aquelas misses que se candidatam para combater a fome em África, depois de uma profunda reflexão, Cavaco avança para vencer a crise....
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
O Grande ABELhudo
O meu Sporting venceu ontem o Rio Ave mesmo ao cair do pano. Foi uma vitória épica justificada pelos últimos 10 minutos, num jogo emotivo que na esmagadora fatia do tempo foi mais do mesmo.
Abel, sejamos justos, tem um prémio merecido. Mesmo nos maus momentos sempre foi dos poucos jogadores do Sporting com capacidade para centrar uma bola para a área em condições. Fico feliz também por ele. É jogador dedicado que sempre gostei e que merece inteiramente esta boa fase que está a atravessar.
Quanto à exibição da equipa, o costume. O que falta verdadeiramente é um clique psicológico mas tem de ser um líder com outra envergadura a impô-lo. Na primeira parte jogou-se a passo. Ninguém corria para marcar uma falta. Com Maniche e André Santos a jogarem juntos no miolo é complicado. O primeiro dá tudo, sobe bem, tenta ser pragmático, mas faltam-lhe as pernas e a velocidade de outros tempos. E esse problema não é compensado de maneira nenhuma por André Santos. É um jovem da casa, tem margem de progressão é verdade, mas é incapaz de arriscar um pouco. Falta-lhe ainda estofo para ser titular numa equipa de topo. Joga para trás e para os lados e das poucas vezes que avança no terreno, atira-se para o chão logo que tem oportunidade.
Uma última nota: Apesar de estar num excelente período de forma – impressionante a estatística de bolas ao barrote nos últimos meses – Hélder Postiga ontem com um árbitro mais rigoroso não tinha chegado ao fim do jogo como consequência dos seus insistentes e infrutíferos protestos. Outro sintoma de falta de liderança....
Abel, sejamos justos, tem um prémio merecido. Mesmo nos maus momentos sempre foi dos poucos jogadores do Sporting com capacidade para centrar uma bola para a área em condições. Fico feliz também por ele. É jogador dedicado que sempre gostei e que merece inteiramente esta boa fase que está a atravessar.
Quanto à exibição da equipa, o costume. O que falta verdadeiramente é um clique psicológico mas tem de ser um líder com outra envergadura a impô-lo. Na primeira parte jogou-se a passo. Ninguém corria para marcar uma falta. Com Maniche e André Santos a jogarem juntos no miolo é complicado. O primeiro dá tudo, sobe bem, tenta ser pragmático, mas faltam-lhe as pernas e a velocidade de outros tempos. E esse problema não é compensado de maneira nenhuma por André Santos. É um jovem da casa, tem margem de progressão é verdade, mas é incapaz de arriscar um pouco. Falta-lhe ainda estofo para ser titular numa equipa de topo. Joga para trás e para os lados e das poucas vezes que avança no terreno, atira-se para o chão logo que tem oportunidade.
Uma última nota: Apesar de estar num excelente período de forma – impressionante a estatística de bolas ao barrote nos últimos meses – Hélder Postiga ontem com um árbitro mais rigoroso não tinha chegado ao fim do jogo como consequência dos seus insistentes e infrutíferos protestos. Outro sintoma de falta de liderança....
domingo, 24 de outubro de 2010
O Povo
O povo de portugal podia estar na rua em protesto contra as medidas de austeridade. Mas o povo de portugal prefere desfrutar os efeitos proporcionados pela abertura dos hipermercados ao domingo....
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Concierto de Aranjuez - Joaquín Rodrigo
Três versões do magistral concierto de aranjuez do espanhol Joaquín Rodrigo:
Uma primeira de Orquestra com a participação do guitarrista Tariq Harb. Uma segunda versão - talvez uma das mais célebres - com o virtuoso da guitarra Paco de Lucía e uma última de Jazz através de Jim Hall acompanhado por uma banda da qual fazia parte também o trompetista Chet Baker. No total são aproximadamente 25 minutos de extraordinária qualidade musical…
Uma primeira de Orquestra com a participação do guitarrista Tariq Harb. Uma segunda versão - talvez uma das mais célebres - com o virtuoso da guitarra Paco de Lucía e uma última de Jazz através de Jim Hall acompanhado por uma banda da qual fazia parte também o trompetista Chet Baker. No total são aproximadamente 25 minutos de extraordinária qualidade musical…
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
O Submarino
Para Jeremias a compra de submarinos era um grande e redondo embuste que tinha nascido da ambição doentia de um ministro demagógico. A falta de coragem e discernimento mental dos governantes que o sucederam também é de louvar. A fantasia proporcionada pelos jogos cibernéticos de guerra tem custos francamente elevados. O reforço da defesa naval de um país em cacos, que já não tem dedos nem anéis para cobiçar, devia ser a última das prioridades de um estado soberano....
terça-feira, 19 de outubro de 2010
O Precipício
Em nome da estrada, vagueia-se por campos infinitos. Em nome da crise, caminha-se alegremente para o abismo.
Em cada esquina um Medina Carreira, em cada rosto desigualdade. Viva Portugal....
Em cada esquina um Medina Carreira, em cada rosto desigualdade. Viva Portugal....
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Cinéma Erotique
Na sequência de posts anteriores deixo a quinta curta retirada de "cada um o seu cinema" que serviu de comemoração aos 60 anos do Festival de Cannes.
Trazido pela experiente mão de Roman Polanski, cinéma erotique é uma anedota em movimento filmada com inegável engenho….
Trazido pela experiente mão de Roman Polanski, cinéma erotique é uma anedota em movimento filmada com inegável engenho….
domingo, 17 de outubro de 2010
A Singularidade
Jeremias não dava mostras de grande originalidade naquilo que mais gostava de fazer. A falta de criatividade era um problema irresolúvel porque não se pode dar asas a quem não sabe voar. Contudo, Jeremias possuía uma invulgar faculdade: Apesar de se entreter com fantasias infrutíferas tinha absoluta consciência da sua generalizada inaptidão….
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
A Ironia
Posso estar enganado mas cheira-me que para a maioria dos 33 mineiros chilenos que passaram 69 dias presos na mina de San José no norte do Chile este acidente foi a melhor coisa que lhes podia ter acontecido.
A iminente tragédia veio abrir as janelas que de uma outra forma permaneceriam para sempre lacradas....
A iminente tragédia veio abrir as janelas que de uma outra forma permaneceriam para sempre lacradas....
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
A Assembleia
Apesar de na generalidade detestar pessoas, Jeremias sentia especial predilecção por aglomerados de gente. Adorava insinuar-se à psicologia das multidões….
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Ela controla e Cristina - Roquivários
Dose dupla de uma banda injustamente esquecida e que teve presença assinalável nos primórdios do rock português…..
domingo, 10 de outubro de 2010
O Orçamento
Passos Coelho vacila embrulhado numa profunda crise existencial. Ou põe a corda toda ao pescoço ou senta-se directamente na cadeira eléctrica. É uma legítima indecisão....
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Ma Mere
"Minha Mãe" é o segundo filme do agora muito reconhecido Christophe Honoré. Datado de 2003, só agora o visionei, depois de conhecer obras posteriores do realizador francês que é aliás bastante do meu agrado.
O filme é uma adaptação livre de obra homónima de Georges Bataille. Com a sempre perturbante Isabelle Huppert no papel principal conta ainda com o jovem Louis Garrel como protagonista.
Uma extraordinária descida à intimidade desconcertante do perverso relacionamento entre uma mãe e um filho de férias nas Ilhas Canárias. Fugindo sempre ao apelo da leitura freudiana, o filme transmite uma energia assinalável que deixava desde logo antever que Honoré tinha muito cinema dentro de si.
Já perto do fim, a caminho da consumação do incesto, a mãe confessa que o pior não é desejar fazê-lo. O pior é fazê-lo e sobreviver. O epílogo deste interessante argumento baseado na obra de Bataille é magistral.
Como nota de rodapé fica também a chamada de atenção para a participação num pequeno papel do “Contemporâneo” Nuno Lopes - actor detentor de uma especial versatilidade....
O filme é uma adaptação livre de obra homónima de Georges Bataille. Com a sempre perturbante Isabelle Huppert no papel principal conta ainda com o jovem Louis Garrel como protagonista.
Uma extraordinária descida à intimidade desconcertante do perverso relacionamento entre uma mãe e um filho de férias nas Ilhas Canárias. Fugindo sempre ao apelo da leitura freudiana, o filme transmite uma energia assinalável que deixava desde logo antever que Honoré tinha muito cinema dentro de si.
Já perto do fim, a caminho da consumação do incesto, a mãe confessa que o pior não é desejar fazê-lo. O pior é fazê-lo e sobreviver. O epílogo deste interessante argumento baseado na obra de Bataille é magistral.
Como nota de rodapé fica também a chamada de atenção para a participação num pequeno papel do “Contemporâneo” Nuno Lopes - actor detentor de uma especial versatilidade....
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
O Poema do Não
Convoco todas as almas para a homilia da negação.
Vindes, vindes expiar os vossos pecados
capitulai perante o niilismo puro e duro.
Vós que caminhais pelos meandros das palavras
rendam-se aos prazeres do nada.
Não, não somos capazes.
Não, não voltarei a rebuscar pelos escombros da memória.
Não, não regressarei ao reino dos crédulos.
Não, não, para sempre não....
Vindes, vindes expiar os vossos pecados
capitulai perante o niilismo puro e duro.
Vós que caminhais pelos meandros das palavras
rendam-se aos prazeres do nada.
Não, não somos capazes.
Não, não voltarei a rebuscar pelos escombros da memória.
Não, não regressarei ao reino dos crédulos.
Não, não, para sempre não....
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
A Complacência
Jeremias não se identificava com ambientes de excessiva condescendência. Por norma, tal expediente acabava sempre no desmazelo mais disparatado….
A Impunidade
Mais uma aventura de Alice no País das Maravilhas.
Os absurdos argumentos de quem defende a não divulgação das escutas são no mínimo hilariantes. A esses iluminados, lanço-lhes a seguinte questão: E, se por acaso, uma escuta telefónica a que tiveram acesso indiciasse de forma brutal a autoria de um hipotético atentado contra um vosso familiar? O tribunal julgava e não condenava ninguém, apesar das evidentes provas. Divulgariam as escutas ou guardavam-nas debaixo da cama?
País de hipócritas, país de imundice, país de gente pequena.
País de hipócritas, país de imundice, país de gente pequena.
Entretanto, Jorge Nuno Pinto da Costa, Valentim Loureiro e seus comparsas continuam a andar por aí. No Pasa nada. Siga para Bingo....
Ao rosto vulgar dos dias
Monstros e homens lado a lado,
Não à margem, mas na própria vida.
Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.
Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.
Ao rosto vulgar dos dias,
A vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.
Imaginar, primeiro, é ver.
Imaginar é conhecer, portanto agir.
Alexandre O´Neill
Não à margem, mas na própria vida.
Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.
Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.
Ao rosto vulgar dos dias,
A vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.
Imaginar, primeiro, é ver.
Imaginar é conhecer, portanto agir.
Alexandre O´Neill
domingo, 3 de outubro de 2010
A Austeridade
Bastaram-me cinco minutos fora de casa após o anúncio das medidas de austeridade integradas no chamado PEC III para ficar com a certeza acerca da sentença que José Sócrates decretou a si próprio. A frase mais marcante foi um esclarecedor «andam a brincar com isto» ouvido pela boca de um indignado cidadão no café do bairro.
Sinceramente numa determinada perspectiva, analisado o documento que sustenta o plano, as medidas apresentadas na óptica do custo-benefício até são equilibradas. Dificilmente se conseguiria poupar o mesmo com menos custos sociais e há uma tentativa clara de sobrecarregar quem tem mais altos rendimentos, o que não deixa de ser de alguma forma justo.
O problema é que Sócrates não actuou quando devia. Funcionou por reacção quando já não havia mais chão para pisar. Além do mais, as previsões falharam num curto espaço de tempo o que custa muito a aceitar ao cidadão comum. Provavelmente, Teixeira dos Santos sempre soube que seria este o destino mas sacrificou a sua credibilidade e do seu Ministério em nome desta política de fachada centrada na imagem de Sócrates que, tal como previ aqui no passado, irá acabar por desencadear a sua queda.
Apesar de tudo, não deixa de ser um pouco cruel para este governo arcar com os custos desta situação que foi criada em grande parte por si, é verdade, mas que representa o maior acto de coragem politica de um governo da república dos últimos 20/25 anos. E se tem havido esta coragem no passado para acabar com os privilégios que foram sendo conquistados e reforçados por muita gente absolutamente ignóbil que por aí anda, as coisas não tinham chegado ao estado a que chegaram….
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
A Riqueza
Todo o dinheiro do mundo torna-se inútil quando confrontado com a efémera metáfora que é a vida.
Jeremias acreditava que não havia nada mais precioso que o Tempo, esse Bandido…..
Jeremias acreditava que não havia nada mais precioso que o Tempo, esse Bandido…..
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Party Girl – U2
Na semana em que regressam a Portugal deixo um dos meus temas preferidos dos U2, este party girl originalmente gravado em 1982.
Vi-os em Alvalade em 93 em concerto integrado numa das mais extraordinárias digressões musicais de que há memória - a Zoo TV Tour. E foi uma óptima decisão ter-me ficado por aí….
Vi-os em Alvalade em 93 em concerto integrado numa das mais extraordinárias digressões musicais de que há memória - a Zoo TV Tour. E foi uma óptima decisão ter-me ficado por aí….
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
A Idiotice
O Sporting proibiu internamente o uso de calças de ganga no âmbito de um conjunto de normas a adoptar pelos funcionários do Clube:
No meio da mais grave crise futebolística de que tenho memória fez-se finalmente luz na cabeça de quem tem dirigido o clube. Deixo outras pequenas sugestões para eventuais medidas a tomar:
- A partir de agora, só entra no estádio quem envergar polos da lacoste com o respectivo lagarto a reluzir;
- Os cinquenta mil fatos utilizados pelo Costinha durante a época vão ser expostos no Museu do Sporting em detrimento dos troféus conquistados ao longo dos mais de 100 anos de história do clube;
- Paulo Sérgio vai começar a ser vestido integralmente pela Armani. Perante a sua evidente incapacidade de criar uma equipa minimamente equilibrada, tal medida torna-se a sua derradeira tentativa de exibir alguma classe pelo relvado de Alvalade;
- Os Jogadores estão proibidos de treinar de calções evitando assim chocar a moral vigente. Muitos destes leões mansos não estranharão, de qualquer das formas já não sujavam os joelhos....
terça-feira, 28 de setembro de 2010
A Dança - Le Ballet de L'Opera de Paris
Frederick Wiseman realiza um desconcertante documentário sobre o dia-a-dia de uma das mais conceituadas escolas de ballet da Europa: a Ópera de Paris.
Mesmo para quem não é particularmente versado na nobre arte da dança, a forma precisa com que Wiseman filma faz com que reparemos em detalhes fascinantes que eram até aqui desconhecidos. Como se ouve em determinada cena numa deliciosa constatação: um bailarino tem que ser meio monge, meio boxer.
Wiseman é um realizador de documentários norte-americano de oitenta anos. Ao longo da sua já longa carreira parece que filmou hospitais, prisões, escolas, matadouros, tribunais, quartéis e teatros. Este “A Dança” deixa-me especialmente interessado em outros trabalhos do cineasta....
Mesmo para quem não é particularmente versado na nobre arte da dança, a forma precisa com que Wiseman filma faz com que reparemos em detalhes fascinantes que eram até aqui desconhecidos. Como se ouve em determinada cena numa deliciosa constatação: um bailarino tem que ser meio monge, meio boxer.
Wiseman é um realizador de documentários norte-americano de oitenta anos. Ao longo da sua já longa carreira parece que filmou hospitais, prisões, escolas, matadouros, tribunais, quartéis e teatros. Este “A Dança” deixa-me especialmente interessado em outros trabalhos do cineasta....
domingo, 26 de setembro de 2010
A Reunião do Condomínio (III)
A confusão está instalada. Os condóminos residentes há mais anos no prédio, insurgem-se contra a má frequência do mesmo. Daí ao insulto vai um pequeno passo.
Alcides Pinto, um jovem idealista que vive com a sua mulher no prédio há aproximadamente 2 anos pede a palavra para apelar ao bom senso e serenidade. Pelo menos era essa a sua nobre intenção: Não podemos nortear o nosso discurso pelo preconceito, explica. Qualquer pessoa que habite de forma legítima no prédio tem todo o direito de receber quem bem entende. O facto de serem cidadãs de origem brasileira é um preciosismo desnecessário e as considerações relativas às suas hipotéticas profissões são meras insinuações sem qualquer tipo de relevância. Caso façam demasiado barulho em horas impróprias, ou caso faltem ao respeito directamente a alguém, têm todo o direito de chamar a polícia. Mas nada disso aconteceu e assim sendo esta conversa não faz sentido, rematou.
Perante estas palavras, o Sr. Arnaldo Antunes do R/C B levanta-se enervadíssimo e exclama, enquanto aponta o dedo a Alcides Pinto: Cale-se seu comunista, eu andei na guerra do Ultramar e cheiro o perigo à distância. Ainda hoje tenho pesadelos com crápulas como você. Pela sua conversa não passa de um perigoso agitador, um comuna mal cheiroso, um canalha com a mania das igualdades.
Como resposta as ácidas provocações do Sr. Arnaldo, Alcides Pinto não se contém e acerta dois valentes socos no nariz do seu oponente, perante o olhar incrédulo dos restantes condóminos que tentam acalmar a situação. O Sr. Arnaldo levanta-se combalido e grita, vou matar-te meu patife, e ao mesmo tempo que arranca apressado, anuncia que vai a casa buscar a sua espingarda de caça.
Entretanto, na perspectiva de evitar mais confusões, Alcides Pinto pede desculpa aos presentes pelos tristes acontecimentos e retorna ao aconchego do lar. Minutos depois regressa o exaltado Arnaldo Antunes que é serenado pelos presentes. Depois de muitas ameaças vociferadas contra Alcides Pinto, finalmente acalma. O seu velho coração também clama por algum sossego depois de toda aquela agitação.
Acabou assim de forma tumultuosa a reunião do Condomínio. Nem sequer ficou definitivamente resolvida a urgente questão do orçamento para o arranjo do algeroz. O Sr. Neves do 5.º A, amigo do seu amigo, ficou de apresentar o prometido orçamento em conta numa futura reunião.
Com uma espingarda carregada em cima da mesa, o Administrador, o zeloso Sr. Narciso dá por findos os trabalhos enquanto tenta limpar o sangue de cima do livro de actas. Sangue esse que tinha jorrado do rosto do inefável Arnaldo Antunes.....
Alcides Pinto, um jovem idealista que vive com a sua mulher no prédio há aproximadamente 2 anos pede a palavra para apelar ao bom senso e serenidade. Pelo menos era essa a sua nobre intenção: Não podemos nortear o nosso discurso pelo preconceito, explica. Qualquer pessoa que habite de forma legítima no prédio tem todo o direito de receber quem bem entende. O facto de serem cidadãs de origem brasileira é um preciosismo desnecessário e as considerações relativas às suas hipotéticas profissões são meras insinuações sem qualquer tipo de relevância. Caso façam demasiado barulho em horas impróprias, ou caso faltem ao respeito directamente a alguém, têm todo o direito de chamar a polícia. Mas nada disso aconteceu e assim sendo esta conversa não faz sentido, rematou.
Perante estas palavras, o Sr. Arnaldo Antunes do R/C B levanta-se enervadíssimo e exclama, enquanto aponta o dedo a Alcides Pinto: Cale-se seu comunista, eu andei na guerra do Ultramar e cheiro o perigo à distância. Ainda hoje tenho pesadelos com crápulas como você. Pela sua conversa não passa de um perigoso agitador, um comuna mal cheiroso, um canalha com a mania das igualdades.
Como resposta as ácidas provocações do Sr. Arnaldo, Alcides Pinto não se contém e acerta dois valentes socos no nariz do seu oponente, perante o olhar incrédulo dos restantes condóminos que tentam acalmar a situação. O Sr. Arnaldo levanta-se combalido e grita, vou matar-te meu patife, e ao mesmo tempo que arranca apressado, anuncia que vai a casa buscar a sua espingarda de caça.
Entretanto, na perspectiva de evitar mais confusões, Alcides Pinto pede desculpa aos presentes pelos tristes acontecimentos e retorna ao aconchego do lar. Minutos depois regressa o exaltado Arnaldo Antunes que é serenado pelos presentes. Depois de muitas ameaças vociferadas contra Alcides Pinto, finalmente acalma. O seu velho coração também clama por algum sossego depois de toda aquela agitação.
Acabou assim de forma tumultuosa a reunião do Condomínio. Nem sequer ficou definitivamente resolvida a urgente questão do orçamento para o arranjo do algeroz. O Sr. Neves do 5.º A, amigo do seu amigo, ficou de apresentar o prometido orçamento em conta numa futura reunião.
Com uma espingarda carregada em cima da mesa, o Administrador, o zeloso Sr. Narciso dá por findos os trabalhos enquanto tenta limpar o sangue de cima do livro de actas. Sangue esse que tinha jorrado do rosto do inefável Arnaldo Antunes.....
Rifão quotidiano
Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece
Mário-Henrique Leiria
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece
Mário-Henrique Leiria
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
A Distância
Jeremias geria a distância para os outros com evidente mestria. Fazia uso do mais aprumado rigor empírico. Acreditava que a desmesurada tendência generalizada para promover a aproximação social era o derradeiro recurso dos eternamente fracos.…
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
O Conforto
Lutava com todas as forças quando lhe trocavam as voltas à vida. Detestava pessoas estranhas porque a clarividente inconsciência abafava a hipocrisia dominante. Chamavam-lhe giraço, mas ele pouco dado a adjectivos redundantes, preferia aguardar com a serenidade possível pelo reencontro com o aconchego que lhe inundaria de novo a alma de emoção….
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
O Pesadelo
A questão central é que o Sporting devia ter entrado na Luz com 12 pontos e não com 7. No entanto, o que achei mais estranho na exibição da equipa foi o facto de ter ficado com a nítida sensação que o jogo não foi bem preparado. Vejamos: o Benfica jogou e apresentou-se como habitual de uma forma ultra-previsível, utilizou o desequilibrador do costume (Cardoso) que, note-se, passou o jogo todo sem uma marcação minimamente eficiente. Bloqueou de forma também previsível as subidas dos nossos laterais. E nós sem nunca demonstrar um mero vestígio da existência de um plano de jogo. Mas claro, para Paulo Sérgio o Sporting teve as mesmas 3 ou 4 oportunidades do Benfica. Aliás, o jogo foi um péssimo espectáculo. Com outro Benfica ou com o actual Porto, tínhamos levado um saco cheio tal foi a nossa inoperância.
Se eventualmente se concretizar uma vitória do Porto hoje é o adeus ao título definitivo e nessa perspectiva acho que a Direcção deve meter o lugar à disposição dos sócios na próxima assembleia-geral. A demissão não faz sentido até porque tenho sérias dúvidas que apareça alguém mais credível que Bettencourt. O Sporting não pode ficar à mercê de qualquer pára-quedista. Agora, esta desastrosa política de contratação de treinadores tem que ser escrutinada antes que o forcado Paulo Sérgio agredia ainda algum adepto mais exaltado. Provavelmente ainda vamos chegar a esse ponto. As declarações surreais dele no fim do jogo são já de alguém que anda de cabeça perdida.
Fui sempre muito cuidadoso a criticar Paulo Sérgio. Não teria sido a melhor opção mas é o treinador do clube. Agora acabou. Fomos dar uma pipa de massa ao Guimarães por um treinador e agora estamos a 4 pontos daqueles a quem fomos encher os cofres.
Bettencourt tem de explicar aos sócios qual foi o critério para contratar Carvalhal e Paulo Sérgio? São de uma nova geração, gente aprumada, bem formados mas sem aquele carisma e toque de midas que um verdadeiro treinador de topo necessita. Como eles, há 500 por esse País fora. Eu também sou boa gente mas isso não me habilita a treinar o Grande Sporting.....
Se eventualmente se concretizar uma vitória do Porto hoje é o adeus ao título definitivo e nessa perspectiva acho que a Direcção deve meter o lugar à disposição dos sócios na próxima assembleia-geral. A demissão não faz sentido até porque tenho sérias dúvidas que apareça alguém mais credível que Bettencourt. O Sporting não pode ficar à mercê de qualquer pára-quedista. Agora, esta desastrosa política de contratação de treinadores tem que ser escrutinada antes que o forcado Paulo Sérgio agredia ainda algum adepto mais exaltado. Provavelmente ainda vamos chegar a esse ponto. As declarações surreais dele no fim do jogo são já de alguém que anda de cabeça perdida.
Fui sempre muito cuidadoso a criticar Paulo Sérgio. Não teria sido a melhor opção mas é o treinador do clube. Agora acabou. Fomos dar uma pipa de massa ao Guimarães por um treinador e agora estamos a 4 pontos daqueles a quem fomos encher os cofres.
Bettencourt tem de explicar aos sócios qual foi o critério para contratar Carvalhal e Paulo Sérgio? São de uma nova geração, gente aprumada, bem formados mas sem aquele carisma e toque de midas que um verdadeiro treinador de topo necessita. Como eles, há 500 por esse País fora. Eu também sou boa gente mas isso não me habilita a treinar o Grande Sporting.....
domingo, 19 de setembro de 2010
Um Presidente Valente
Delicio-me com os comentários que aparecem com frequência às crónicas de Vasco Pulido Valente no Público.
Antes de mais, gosto do personagem. Das suas idiossincrasias, divirto-me com as dificuldades que sente em adaptar-se ao formato televisivo. Acho graça à profunda alergia que tem a tudo o que mexe. Apesar desta admiração, concordo actualmente talvez apenas com 50 % do que escreve, não mais. Isto porque com o passar do tempo aquele anti-progressismo exacerbado foi-se acentuando e isso torna-o um homem de um outro tempo, desfasado da realidade dos tempos modernos. As suas por vezes geniais opiniões são cada vez menos compreensíveis para o meio circundante e, por isso, menos interessantes. Mantém todavia grandes momentos de sobriedade. Por exemplo, nos últimos tempos - como verdadeiro homem de liberdade que é no sentido desprendido do termo e aí dá lições a muitos esquerdistas de vão-de-escada - defendeu com a habitual sapiência que o caracteriza a condenação da expulsão dos ciganos pelo governo Sarkorzi. Dias antes com a mesmíssima acutilância comentou com ironia os novos ventos de mudança que sopram por Cuba com o líder histórico Fidel Castro a assumir uma viragem no modelo económico. Ambos os textos foram publicamente louvados, quer por tendências simpatizantes da esquerda, quer por tendências com ligações à direita. Ora, o suprapartidarismo deve ser algo semelhante. Talvez Vasco Pulido Valente me fizesse votar nas próximas presidências….
Antes de mais, gosto do personagem. Das suas idiossincrasias, divirto-me com as dificuldades que sente em adaptar-se ao formato televisivo. Acho graça à profunda alergia que tem a tudo o que mexe. Apesar desta admiração, concordo actualmente talvez apenas com 50 % do que escreve, não mais. Isto porque com o passar do tempo aquele anti-progressismo exacerbado foi-se acentuando e isso torna-o um homem de um outro tempo, desfasado da realidade dos tempos modernos. As suas por vezes geniais opiniões são cada vez menos compreensíveis para o meio circundante e, por isso, menos interessantes. Mantém todavia grandes momentos de sobriedade. Por exemplo, nos últimos tempos - como verdadeiro homem de liberdade que é no sentido desprendido do termo e aí dá lições a muitos esquerdistas de vão-de-escada - defendeu com a habitual sapiência que o caracteriza a condenação da expulsão dos ciganos pelo governo Sarkorzi. Dias antes com a mesmíssima acutilância comentou com ironia os novos ventos de mudança que sopram por Cuba com o líder histórico Fidel Castro a assumir uma viragem no modelo económico. Ambos os textos foram publicamente louvados, quer por tendências simpatizantes da esquerda, quer por tendências com ligações à direita. Ora, o suprapartidarismo deve ser algo semelhante. Talvez Vasco Pulido Valente me fizesse votar nas próximas presidências….
sábado, 18 de setembro de 2010
A 8944 km de Cannes
Dando continuidade a isto, isto, isto, isto e isto, a curta com que Walter Salles participou em cada um o seu cinema que serviu de comemoração aos 60 anos do Festival de Cannes.
Em frente a um pequeno cinema de província que exibe Les quatre cents coups de François Truffaut de 1959, o Cineasta cria uma notável “brasileirada” musical, avec Castanha et Caju, que tem como pano de fundo, claro está, Cannes….
Em frente a um pequeno cinema de província que exibe Les quatre cents coups de François Truffaut de 1959, o Cineasta cria uma notável “brasileirada” musical, avec Castanha et Caju, que tem como pano de fundo, claro está, Cannes….
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O Inconformismo
Jeremias era um inconformado por excelência. O seu inconformismo não tinha paralelo naquela parte do hemisfério. Por vezes, interrogava-se se teria nascido assim? O facto de ser um sonhador inveterado ajudava a explicar a coisa mas ainda gostaria um dia de perceber os reais motivos para aquela insatisfação permanente….
A fábrica que eu canto
Não sei o que produz, mas é enorme,
É feita de tijolo, cor de fogo,
A fábrica que eu canto.
E à noite, quando está iluminada,
(Naquele bairro soturno, à beira rio),
Parece incendiada,
A fábrica que eu canto.
Trabalha-se de noite, nessa fábrica,
E ninguém se revolta.
De dia, nem se sabe que ela existe:
Fica sombria como todo o bairro.
Sombria, fria, triste...
- E ninguém se revolta.
Ah! mas à noite, quando se ilumina
A fábrica que eu canto,
Tem a grandeza duma tempestade!...
É um monstro de fogo, apocalíptico,
Pairando na cidade,
A fábrica que eu canto!
Carlos Queiroz
É feita de tijolo, cor de fogo,
A fábrica que eu canto.
E à noite, quando está iluminada,
(Naquele bairro soturno, à beira rio),
Parece incendiada,
A fábrica que eu canto.
Trabalha-se de noite, nessa fábrica,
E ninguém se revolta.
De dia, nem se sabe que ela existe:
Fica sombria como todo o bairro.
Sombria, fria, triste...
- E ninguém se revolta.
Ah! mas à noite, quando se ilumina
A fábrica que eu canto,
Tem a grandeza duma tempestade!...
É um monstro de fogo, apocalíptico,
Pairando na cidade,
A fábrica que eu canto!
Carlos Queiroz
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
A Catarse
Jeremias como não tinha dinheiro nem paciência para Psiquiatras optou por criar um Blogue. Ficava mais em conta e sempre era uma forma relativamente sofisticada de abominar o mundo….
terça-feira, 14 de setembro de 2010
No Fun – Sex Pistols
Homenagem aos Sex Pistols através de uma cover de tema dos The Stooges do camaleónico Iggy Pop. A versão, saliente-se, saiu bem melhor que o original…
domingo, 12 de setembro de 2010
O Coleccionador de Garrafas de Vinho
Havia um homem que gostava tanto, mas tanto do seu neto, que decidiu comprar todas as garrafas de vinho que encontrava com o ano do nascimento do imberbe.
Assim, pé ante pé, quando o Puto fez 18 anos herdou uma extensa garrafeira com mais de 5 000 garrafas de vinho de todas as qualidades e proveniências produzidas no mesmíssimo ano. Nesse dia de aniversário - depois de noite inolvidável na companhia dos seus comparsas - ao deliciar-se com um vinho israelita de primeira água que o Avô tinha comprado por 600 €uros, o agora jovem adulto cantarolava feliz e embriagado aos primeiros fogachos da manhã:
Não me importava morrer, se lá no céu houvesse festa. Ai, se o São Pedro lá tivesse, se o São Pedro lá tivesse, uma pinguinha como esta....
Assim, pé ante pé, quando o Puto fez 18 anos herdou uma extensa garrafeira com mais de 5 000 garrafas de vinho de todas as qualidades e proveniências produzidas no mesmíssimo ano. Nesse dia de aniversário - depois de noite inolvidável na companhia dos seus comparsas - ao deliciar-se com um vinho israelita de primeira água que o Avô tinha comprado por 600 €uros, o agora jovem adulto cantarolava feliz e embriagado aos primeiros fogachos da manhã:
Não me importava morrer, se lá no céu houvesse festa. Ai, se o São Pedro lá tivesse, se o São Pedro lá tivesse, uma pinguinha como esta....
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
A Vergonha
Gilberto Madaíl - o mesmo que apareceu há dias a lamentar os episódios recentes ocorridos com a selecção nacional de futebol como se não fosse nada com ele - apareceu ao lado do Sr. Carvalho que leva pelo menos 25 anos de Direcção da Federação (o mesmo da enorme bagunça de Saltilllo no México 86) a anunciar a marcação de uma assembleia geral com vista à realização de novas eleições, às quais omitiu a sua verdadeira intenção sobre uma possível recandidatura.
O mundo pula e avança, as instituições supostamente modernizam-se, mas um sem vergonha é sempre um sem vergonha….
O mundo pula e avança, as instituições supostamente modernizam-se, mas um sem vergonha é sempre um sem vergonha….
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Entre Irmãos
Novo filme de Jim Sheridan, o mesmo do celebrado “em nome do pai” de 1993. Realizador Irlandês com tradição ao nível do cinema realista entra de tempos a tempos em território mais mainstream, fazendo incursões por terras americanas nem sempre com bons resultados.
Este “Entre Irmãos” conta com Tobey Maguire, Natalie Portman e Jake Gyllenhaal nos principais papéis. O filme conta a história de um capitão do exército dos EUA que se encontra em funções no Afeganistão quando o helicóptero onde segue é abatido nas montanhas. Na sequência do acidente é dado como morto, cabendo ao irmão a tarefa de prestar auxílio à família, criando laços cada vez mais fortes com a suposta viúva e com as suas duas sobrinhas. Meses depois sabe-se que, contra todas as expectativas, o capitão do exército acabou por sobreviver. E regressa altamente traumatizado com a experiência vivida num campo de detenção o que vai despoletar uma difícil e sinuosa reaproximação à sua família.
A perspectiva que mais me cativou no filme passa um pouco ao lado do problemático romance entre cunhados. Na senda de alguns notáveis filmes de guerra estreados nos últimos tempos, Jim Sheridan consegue orientar o espectador através do dilema do matar ou morrer. E mostra com nitidez os traumas decorrentes do peso subjacente às opções tomadas, quando se está debaixo de uma pressão insustentável.
Concluindo, apesar do argumento apresentar algumas inconsistências, a banda sonora e um conjunto de excelentes interpretações individuais faz com que se justifique o visionamento....
Este “Entre Irmãos” conta com Tobey Maguire, Natalie Portman e Jake Gyllenhaal nos principais papéis. O filme conta a história de um capitão do exército dos EUA que se encontra em funções no Afeganistão quando o helicóptero onde segue é abatido nas montanhas. Na sequência do acidente é dado como morto, cabendo ao irmão a tarefa de prestar auxílio à família, criando laços cada vez mais fortes com a suposta viúva e com as suas duas sobrinhas. Meses depois sabe-se que, contra todas as expectativas, o capitão do exército acabou por sobreviver. E regressa altamente traumatizado com a experiência vivida num campo de detenção o que vai despoletar uma difícil e sinuosa reaproximação à sua família.
A perspectiva que mais me cativou no filme passa um pouco ao lado do problemático romance entre cunhados. Na senda de alguns notáveis filmes de guerra estreados nos últimos tempos, Jim Sheridan consegue orientar o espectador através do dilema do matar ou morrer. E mostra com nitidez os traumas decorrentes do peso subjacente às opções tomadas, quando se está debaixo de uma pressão insustentável.
Concluindo, apesar do argumento apresentar algumas inconsistências, a banda sonora e um conjunto de excelentes interpretações individuais faz com que se justifique o visionamento....
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
A Sentença e a Dúvida
Os factos condenatórios do processo Casa Pia serão conhecidos integralmente esta semana e não me choca minimamente que não o tenham sido logo na sexta-feira. Até porque, pelo que percebi, todas as partes envolvidas estiveram de acordo com a apresentação sumária da sentença. O ruído a esse propósito nasce de reacções mais emocionais e menos ponderadas, que não podem nem devem ser levadas a sério. Obviamente que nesta sentença os réus viam a última oportunidade para limpar a sua imagem e evitar o eterno estigma a que estarão sujeitos, mas essa evidência apesar de atenuante não pode servir para desculpabilizar o injustificável....
Relativamente a todo este imbróglio tenho na minha cada vez menos convicta qualidade de cidadão de direito três certezas:
- Nunca ninguém vai saber toda a verdade sobre o que aconteceu, a não ser claro os directamente envolvidos;
- houve violações e abuso continuado de crianças indefesas com e sem o consentimento destas;
- existe por aí gente que vive em total impunidade e que são tão ou mais culpados dos que foram agora condenados. E aqui, devia ser tão importante para a opinião pública ser o zé da esquina o agressor ou figuras públicas relevantes.
Além destas certezas que valem o que valem, tenho também uma outra convicção profunda:
Como resultado de diversos factores a maioria dos agora condenados não voltará à prisão, apesar do teor das respectivas sentenças. É a Justiça que temos em Portugal....
Indubitavelmente, pairará sempre sobre o Processo Casa Pia a mais enraizada Dúvida. Se as condenações, como tudo indica, forem somente baseadas em provas testemunhais aumentará ainda mais a incerteza relativamente a todo o processo. Para mim, parece quase inverossímil como é que através de Carlos Silvino (o fio condutor de toda a história) não tenha sido possível localizar um contacto incriminatório, uma conversa telefónica, uma gravação em qualquer formato que incriminasse os hipotéticos culpados e que ajudasse a fundamentar a acusação de forma irrepreensível. Faz-me bastante confusão pensar que um colectivo de Juízes aparentemente experiente e responsável pode condenar pessoas com base única e exclusivamente em testemunhos – alguns algo confusos e até eventualmente sugestionados pela própria pressão mediática do caso.
Por outro lado, também faz imensa confusão à minha sensibilidade tentar descredibilizar e ridicularizar jovens que foram comprovadamente vítimas de abusos sexuais por não se lembrarem com precisão - à distância de mais de cinco anos - onde fica determinada divisão numa habitação anteriormente visitada. Para mim, uns meros três anos, seriam seguramente suficientes para não conseguir descrever com exactidão qualquer casa onde tivesse estado duas ou três vezes. Mas isto talvez seja só eu que tenho uma péssima memória....
Em suma, como Carlos Silvino disse em tribunal - também ele uma vítima durante anos a fio - somos todos culpados. Uns mais que outros, é verdade. O próprio cidadão de bem que vive confortavelmente naquilo que fantasia como um estado de direito é culpado por ter permitido que a Justiça chegasse ao ponto de estarmos 8 anos para obter uma sentença. Ainda em primeira instância, assinale-se....
Relativamente a todo este imbróglio tenho na minha cada vez menos convicta qualidade de cidadão de direito três certezas:
- Nunca ninguém vai saber toda a verdade sobre o que aconteceu, a não ser claro os directamente envolvidos;
- houve violações e abuso continuado de crianças indefesas com e sem o consentimento destas;
- existe por aí gente que vive em total impunidade e que são tão ou mais culpados dos que foram agora condenados. E aqui, devia ser tão importante para a opinião pública ser o zé da esquina o agressor ou figuras públicas relevantes.
Além destas certezas que valem o que valem, tenho também uma outra convicção profunda:
Como resultado de diversos factores a maioria dos agora condenados não voltará à prisão, apesar do teor das respectivas sentenças. É a Justiça que temos em Portugal....
Indubitavelmente, pairará sempre sobre o Processo Casa Pia a mais enraizada Dúvida. Se as condenações, como tudo indica, forem somente baseadas em provas testemunhais aumentará ainda mais a incerteza relativamente a todo o processo. Para mim, parece quase inverossímil como é que através de Carlos Silvino (o fio condutor de toda a história) não tenha sido possível localizar um contacto incriminatório, uma conversa telefónica, uma gravação em qualquer formato que incriminasse os hipotéticos culpados e que ajudasse a fundamentar a acusação de forma irrepreensível. Faz-me bastante confusão pensar que um colectivo de Juízes aparentemente experiente e responsável pode condenar pessoas com base única e exclusivamente em testemunhos – alguns algo confusos e até eventualmente sugestionados pela própria pressão mediática do caso.
Por outro lado, também faz imensa confusão à minha sensibilidade tentar descredibilizar e ridicularizar jovens que foram comprovadamente vítimas de abusos sexuais por não se lembrarem com precisão - à distância de mais de cinco anos - onde fica determinada divisão numa habitação anteriormente visitada. Para mim, uns meros três anos, seriam seguramente suficientes para não conseguir descrever com exactidão qualquer casa onde tivesse estado duas ou três vezes. Mas isto talvez seja só eu que tenho uma péssima memória....
Em suma, como Carlos Silvino disse em tribunal - também ele uma vítima durante anos a fio - somos todos culpados. Uns mais que outros, é verdade. O próprio cidadão de bem que vive confortavelmente naquilo que fantasia como um estado de direito é culpado por ter permitido que a Justiça chegasse ao ponto de estarmos 8 anos para obter uma sentença. Ainda em primeira instância, assinale-se....
As Palavras
Adiro a uma nova terra adiro a um novo corpo
As palavras identificam-se com o asfalto negro
o tropel das nuvens
a espessura azul das árvores acesas pelos faróis
o rumor verde
As palavras saem de um ferida exangue
de teclas de metal fresco
de caminhos e sombras
da vertigem de ser só um deserto
de armas de gume branco
Há palavras carregadas de noite e de ombros surdos
e há palavras como giestas vivas
Matrizes primordiais matéria habitada
forma indizível num rectângulo de argila
quem alimenta este silêncio senão o gosto de
colocar pedra sobre pedra até á oblíqua exactidão?
As palavras vêm de lugares fragmentários
de uma disseminação de iniciais
de magmas respirados
de odor de gérmen de olhos
As palavras podem formar uma escrita nativa
de corpos claros
Que são as palavras?Imprecisas armas
em praias concêntricas
torres de sílex e de cal
aves insólitas
As palavras são travessias brancas faces
giratórias
elas permitem a ascensão das formas
elevam-se estrato após estrato
ou voam em diagonal
até à cúpula diáfana
As palavras são por vezes um clarão no dia calcinado
Que enfrentam as palavras?O espelho
da noite a sua impossível
elipse
Saem da noite despedaçadas feridas
e são signos do acaso pedras de sol e sal
a da sua língua nascem estrelas trituradas
António Ramos Rosa
As palavras identificam-se com o asfalto negro
o tropel das nuvens
a espessura azul das árvores acesas pelos faróis
o rumor verde
As palavras saem de um ferida exangue
de teclas de metal fresco
de caminhos e sombras
da vertigem de ser só um deserto
de armas de gume branco
Há palavras carregadas de noite e de ombros surdos
e há palavras como giestas vivas
Matrizes primordiais matéria habitada
forma indizível num rectângulo de argila
quem alimenta este silêncio senão o gosto de
colocar pedra sobre pedra até á oblíqua exactidão?
As palavras vêm de lugares fragmentários
de uma disseminação de iniciais
de magmas respirados
de odor de gérmen de olhos
As palavras podem formar uma escrita nativa
de corpos claros
Que são as palavras?Imprecisas armas
em praias concêntricas
torres de sílex e de cal
aves insólitas
As palavras são travessias brancas faces
giratórias
elas permitem a ascensão das formas
elevam-se estrato após estrato
ou voam em diagonal
até à cúpula diáfana
As palavras são por vezes um clarão no dia calcinado
Que enfrentam as palavras?O espelho
da noite a sua impossível
elipse
Saem da noite despedaçadas feridas
e são signos do acaso pedras de sol e sal
a da sua língua nascem estrelas trituradas
António Ramos Rosa
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
A Carvalhesa
Já é tradição a homenagem anual que este blogue apolítico faz à festa do Avante - expoente máximo da excepcional organização dos Comunistas Portugueses - a decorrer por estes dias na Atalaia-Amora-Seixal. Não há mesmo festa como essa……
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
O Desalinhado
Jeremias vivia desfasado dos demais. Sabia que àquele aparente momento de contentamento generalizado sucederia outro em que os actores do costume assomariam na boca de cena mais devoradores que nunca. Jeremias não era apreciador de teatros supérfluos….
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
A Reunião de Condomínio (II)
O primeiro episódio da Reunião de Condomínio aqui.
A Dona Isaura não desarma e ameaça chamar a Polícia na próxima vez que ouvir risadas femininas vindas do andar de cima. Mora no prédio há mais de trinta anos e nunca, mas nunca, assistiu a uma pouca-vergonha daquela dimensão, salienta.
O Sr. Arnaldo do R/C B, aproveitando a deixa da Senhora Dona Isaura, e antes de se passar à votação dos pontos previstos na ordem de trabalhos, pede a palavra para se indignar (o condómino é também por norma um cidadão indignado) contra aquilo que diz ser um atentado à sua seriedade, e da sua Senhora, assinala. Num discurso emotivo, diz que jamais pactuará com a degradação na vivência do prédio. As pessoas sempre foram de uma educação e respeitabilidade notáveis. Viveram aqui Juízes e até Ministros. Este prédio foi sempre frequentado pela fina flor da sociedade e não será agora que irei deixar que se torne uma bandalheira repleta de gente ordinária.
Posto isto, e terminado o caloroso discurso do Sr. Arnaldo, os Condóminos olham-se incomodados. A coisa prometia aquecer.....
A Dona Isaura não desarma e ameaça chamar a Polícia na próxima vez que ouvir risadas femininas vindas do andar de cima. Mora no prédio há mais de trinta anos e nunca, mas nunca, assistiu a uma pouca-vergonha daquela dimensão, salienta.
O Sr. Arnaldo do R/C B, aproveitando a deixa da Senhora Dona Isaura, e antes de se passar à votação dos pontos previstos na ordem de trabalhos, pede a palavra para se indignar (o condómino é também por norma um cidadão indignado) contra aquilo que diz ser um atentado à sua seriedade, e da sua Senhora, assinala. Num discurso emotivo, diz que jamais pactuará com a degradação na vivência do prédio. As pessoas sempre foram de uma educação e respeitabilidade notáveis. Viveram aqui Juízes e até Ministros. Este prédio foi sempre frequentado pela fina flor da sociedade e não será agora que irei deixar que se torne uma bandalheira repleta de gente ordinária.
Posto isto, e terminado o caloroso discurso do Sr. Arnaldo, os Condóminos olham-se incomodados. A coisa prometia aquecer.....
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
A Rentrée
Fim de Agosto, princípio de Setembro, tempo de rentrées. Regressam os veraneantes enfeitiçados pela ilusão da sua apregoada importância.
Os Cretinos ressurgem de pele bronzeada, embrulhados agora em mais frescas roupagens. Voltam, dissertando com entusiasmo sobre novos projectos, sempre na ilusão de que são ouvidos.
Os Cretinos acreditam piamente que as suas ideias são excepcionais, esquecendo-se que outros já as tiveram antes. De aspecto, aparentam ser outros. No fundo, são a merda de sempre só que mais escurecida pelo sol....
Os Cretinos ressurgem de pele bronzeada, embrulhados agora em mais frescas roupagens. Voltam, dissertando com entusiasmo sobre novos projectos, sempre na ilusão de que são ouvidos.
Os Cretinos acreditam piamente que as suas ideias são excepcionais, esquecendo-se que outros já as tiveram antes. De aspecto, aparentam ser outros. No fundo, são a merda de sempre só que mais escurecida pelo sol....
sábado, 28 de agosto de 2010
Jimi Hendrix - Live at Woodstock '69
Em Setembro comemoram-se 40 anos sobre a morte de Jimi Hendrix - muito provavelmente o melhor guitarrista de todos os tempos. Em homenagem ao mito que como outros imortais faleceu com apenas 27 anos deixo a lendária actuação de Woodstock em 69.
Jimi Hendrix at Woodstock foi dirigido pela dupla Chris Hegedus e Erez Laufer. São 37 minutos de pura adrenalina…..
Jimi Hendrix at Woodstock foi dirigido pela dupla Chris Hegedus e Erez Laufer. São 37 minutos de pura adrenalina…..
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
O Entusiasmo Juvenil
Muito, muitos anos depois, mantinha o mesmo desvario ilusório que embateria sempre no mesmo muro de constrangimentos. Tinha contudo perdido aquele entusiasmo juvenil que nunca mais regressaria….
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Obrigado por acreditarem……
É com dias assim que me enganam e, já agora, é mesmo verdade: sem mim não há Campeões!........
terça-feira, 24 de agosto de 2010
A Reunião de Condomínio
Uma das mais extraordinárias instituições portuguesas dos tempos modernos é sem margem para qualquer dúvida a mítica reunião de condomínio. Para não poderem dizer que aqui não se faz serviço público ao mais alto nível cá vai o meu contributo para a canonização da coisa:
A Dona Odete do 1.º C e o Sr. Arnaldo do R/C B foram os primeiros a chegar, antes ainda do Sr. Narciso do 2.º A que actualmente é o zeloso Administrador do Condomínio. Entretanto, aparece o vizinho de 3.º C pedindo desculpa pelo atraso. Como diligentemente explica o prezado Administrador a reunião começou porque havia quórum para poder deliberar. O quórum é um termo técnico que convém dominar, visto que é bastante utilizado na esotérica terminologia dos condomínios.
Os orçamentos para o arranjo do algeroz - que é palavra que por si só impõe logo respeito - são rejeitados por serem demasiado onerosos. Nas Reuniões de Condomínio os orçamentos são sempre considerados elevados por uma maioria esclarecida. Trata-se de uma reparação fundamental que anda a ser adiada há anos e, face à visível deterioração da actual situação, pode a qualquer altura resultar numa despesa muito superior à proposta agora. A vizinha do 2.º B diz que este mês tem o seguro do Lamborghini topo de gama para pagar e que por esse motivo não tem condições para suportar mais esta despesa. A Dona Odete explica detalhadamente perante a habitual e mórbida curiosidade de todos os presentes que tem que pagar os caríssimos fármacos da senhora sua mãe que foi recentemente operada. Num acto de puro altruísmo, o Sr. Arnaldo confessa que tem a casa à venda e por esse motivo não lhe interessa entrar em despesas com a mesma.
Estava-se assim a entrar num impasse, eis senão quando o Sr. Neves do 5.º A propõe pedir um orçamento que antevê muito mais em conta a um primo que tem uma empresa que faz variadíssimas coisas sem se perceber muito bem o quê exactamente. Em Portugal, qualquer que seja o contexto, há sempre alguém com um qualquer conhecimento (um familiar, um amigo) que pode desenrascar a situação. O Biscate, como é entusiasticamente conhecido, é um monumento nacional. Normalmente recorrer a este expediente dá para o torto, mas o que é que isso interessa quando se pode fazer um favor a alguém que poderá a qualquer altura ser convenientemente retribuído.
Seguidamente a vizinha do R/C esquerdo, a Dona Isaura, queixa-se do barulho que desconfia - é esta a expressão utilizada (o condómino é por norma um cidadão desconfiado) – que vem do andar de cima onde (desconfia) existem festas nocturnas com presenças pouco recomendáveis de senhoras de origem brasileira.....
A Dona Odete do 1.º C e o Sr. Arnaldo do R/C B foram os primeiros a chegar, antes ainda do Sr. Narciso do 2.º A que actualmente é o zeloso Administrador do Condomínio. Entretanto, aparece o vizinho de 3.º C pedindo desculpa pelo atraso. Como diligentemente explica o prezado Administrador a reunião começou porque havia quórum para poder deliberar. O quórum é um termo técnico que convém dominar, visto que é bastante utilizado na esotérica terminologia dos condomínios.
Os orçamentos para o arranjo do algeroz - que é palavra que por si só impõe logo respeito - são rejeitados por serem demasiado onerosos. Nas Reuniões de Condomínio os orçamentos são sempre considerados elevados por uma maioria esclarecida. Trata-se de uma reparação fundamental que anda a ser adiada há anos e, face à visível deterioração da actual situação, pode a qualquer altura resultar numa despesa muito superior à proposta agora. A vizinha do 2.º B diz que este mês tem o seguro do Lamborghini topo de gama para pagar e que por esse motivo não tem condições para suportar mais esta despesa. A Dona Odete explica detalhadamente perante a habitual e mórbida curiosidade de todos os presentes que tem que pagar os caríssimos fármacos da senhora sua mãe que foi recentemente operada. Num acto de puro altruísmo, o Sr. Arnaldo confessa que tem a casa à venda e por esse motivo não lhe interessa entrar em despesas com a mesma.
Estava-se assim a entrar num impasse, eis senão quando o Sr. Neves do 5.º A propõe pedir um orçamento que antevê muito mais em conta a um primo que tem uma empresa que faz variadíssimas coisas sem se perceber muito bem o quê exactamente. Em Portugal, qualquer que seja o contexto, há sempre alguém com um qualquer conhecimento (um familiar, um amigo) que pode desenrascar a situação. O Biscate, como é entusiasticamente conhecido, é um monumento nacional. Normalmente recorrer a este expediente dá para o torto, mas o que é que isso interessa quando se pode fazer um favor a alguém que poderá a qualquer altura ser convenientemente retribuído.
Seguidamente a vizinha do R/C esquerdo, a Dona Isaura, queixa-se do barulho que desconfia - é esta a expressão utilizada (o condómino é por norma um cidadão desconfiado) – que vem do andar de cima onde (desconfia) existem festas nocturnas com presenças pouco recomendáveis de senhoras de origem brasileira.....
O quotidiano "não"
Estamos todos bem servidos
de solidão.
De manhã a recolhemos
do saco, em lugar de pão.
Pão é claro que temos
(não sou exageradão)
mas esta imagem do saco
contendo um pequeno «não»
não figura nesta prosa
assim do pé para a mão,
pois o saco utilizado,
que pode ser o do pão,
recebe modestamente
a corriqueira fracção
desse alimento que é
tão distribuído, tão
a domicílio como
o leite ou o pão.
Mas esse leitor aí
(bem real!) já diz que não,
que nunca viu no tal saco
o tal «não».
Ao que o poeta responde,
sem maior desilusão:
- Para dizer a verdade,
eu também não...
Mas estava confiante
na sua imaginação
(ou na minha...) e que sentia
como eu a solidão
e quanto ela é objecto
da carinhosa atenção
de quem hoje nos fornece
o quotidiano «não»,
por todos os meios, desde
a fingida distracção,
até ao entre-parêntesis
de qualquer reclusão...
Alexandre O´Neill
de solidão.
De manhã a recolhemos
do saco, em lugar de pão.
Pão é claro que temos
(não sou exageradão)
mas esta imagem do saco
contendo um pequeno «não»
não figura nesta prosa
assim do pé para a mão,
pois o saco utilizado,
que pode ser o do pão,
recebe modestamente
a corriqueira fracção
desse alimento que é
tão distribuído, tão
a domicílio como
o leite ou o pão.
Mas esse leitor aí
(bem real!) já diz que não,
que nunca viu no tal saco
o tal «não».
Ao que o poeta responde,
sem maior desilusão:
- Para dizer a verdade,
eu também não...
Mas estava confiante
na sua imaginação
(ou na minha...) e que sentia
como eu a solidão
e quanto ela é objecto
da carinhosa atenção
de quem hoje nos fornece
o quotidiano «não»,
por todos os meios, desde
a fingida distracção,
até ao entre-parêntesis
de qualquer reclusão...
Alexandre O´Neill
domingo, 22 de agosto de 2010
A Novela
O longo diferendo que ameaça opor o seleccionador nacional Carlos Queiroz e a Federação Portuguesa de Futebol é deveras esclarecedor relativamente à forma como as instituições que gerem dinheiros públicos em Portugal funcionam.
Carlos Queiroz tem certamente defeitos. Apresenta lacunas ao nível da liderança e muitas vezes - tal como Scolari, aliás - é demasiado irascível o que em matéria de facto não é abonatório para as funções que desempenha. Foi, contudo, o treinador eleito pelos dirigentes federativos para levar a bom porto o projecto selecção nacional. E, convém não esquecer, é figura de proa no actual futebol português a quem toda uma geração de jogadores muito deve. Isto, independentemente da quantidade e notoriedade das testemunhas abonatórias que apresentou, em mais um episódio absurdo e perfeitamente evitável nesta novela de terceira categoria.
Os iluminados do costume vociferam contra a sua prestação à frente da selecção. Vejo pessoas responsáveis e aparentemente sãs a dizer que Portugal devia ter sido campeão do mundo. Como se isso fosse uma coisa normal e com precedentes. Ou seja - ao nível dos resultados que é o que interessa ao erário público - a prestação de Queiroz à frente da equipa Lusa tem sido razoável e na linha do alcançado no Europeu de 2008.
Por outro lado, Gilberto Madaíl é daquelas figuras sinistras que nos aparecem em horário nobre há décadas e para a qual sempre olhei com desconfiança.
A sua principal referência passa pelas conhecidas caldeiradas de enguias (e sabe-se lá de que mais) com o major Valentim Loureiro em Aveiro. Sabemos também que dirige uma organização que centraliza todos os pecados capitais que proliferam na nação. A Federação Portuguesa de Futebol tem uma estrutura envelhecida e empestada de carreiristas inúteis provenientes das míticas associações distritais de futebol. Só assim se percebe que nas competições que ainda são organizadas pela federação reine o desmazelo total. Geralmente nessas provas, um terço dos bilhetes que deviam ser postos à venda, são destinados aos funcionários federativos e aos seus séquitos respectivos como já tive oportunidade de comprovar.
Gilberto Madaíl preside a uma organização caduca que no âmbito disciplinar, historicamente, demora eternidades a decidir o que quer que seja como é do conhecimento público. Nos quinze anos que leva de FPF o único momento feliz que retenho foi quando contratou com óptimos resultados Luís Filipe Scolari. De resto, é somente asneiras atrás de asneiras. Vive agarrado ao lugar e sempre pactuou com a podridão existente no Futebol Português. Foi incapaz de modernizar a estrutura e agora depois de contratar um seleccionador procura pretextos infantis para o despedir por justa causa. Eu, se fosse a Queiroz, jamais me demitiria. Podia até já nem ter condições nem autoridade para ocupar o lugar, como manifestamente acontece, mas esses senhores da federação deveriam assumir perante o País as consequências da sua incompetência e pagar o que têm a pagar pela rescisão unilateral.
Depois de mais este triste acontecimento, caso ainda restasse algumas migalhas de dignidade a Gilberto Madaíl a única saída possível seria a demissão. Portugal agradecia…..
Carlos Queiroz tem certamente defeitos. Apresenta lacunas ao nível da liderança e muitas vezes - tal como Scolari, aliás - é demasiado irascível o que em matéria de facto não é abonatório para as funções que desempenha. Foi, contudo, o treinador eleito pelos dirigentes federativos para levar a bom porto o projecto selecção nacional. E, convém não esquecer, é figura de proa no actual futebol português a quem toda uma geração de jogadores muito deve. Isto, independentemente da quantidade e notoriedade das testemunhas abonatórias que apresentou, em mais um episódio absurdo e perfeitamente evitável nesta novela de terceira categoria.
Os iluminados do costume vociferam contra a sua prestação à frente da selecção. Vejo pessoas responsáveis e aparentemente sãs a dizer que Portugal devia ter sido campeão do mundo. Como se isso fosse uma coisa normal e com precedentes. Ou seja - ao nível dos resultados que é o que interessa ao erário público - a prestação de Queiroz à frente da equipa Lusa tem sido razoável e na linha do alcançado no Europeu de 2008.
Por outro lado, Gilberto Madaíl é daquelas figuras sinistras que nos aparecem em horário nobre há décadas e para a qual sempre olhei com desconfiança.
A sua principal referência passa pelas conhecidas caldeiradas de enguias (e sabe-se lá de que mais) com o major Valentim Loureiro em Aveiro. Sabemos também que dirige uma organização que centraliza todos os pecados capitais que proliferam na nação. A Federação Portuguesa de Futebol tem uma estrutura envelhecida e empestada de carreiristas inúteis provenientes das míticas associações distritais de futebol. Só assim se percebe que nas competições que ainda são organizadas pela federação reine o desmazelo total. Geralmente nessas provas, um terço dos bilhetes que deviam ser postos à venda, são destinados aos funcionários federativos e aos seus séquitos respectivos como já tive oportunidade de comprovar.
Gilberto Madaíl preside a uma organização caduca que no âmbito disciplinar, historicamente, demora eternidades a decidir o que quer que seja como é do conhecimento público. Nos quinze anos que leva de FPF o único momento feliz que retenho foi quando contratou com óptimos resultados Luís Filipe Scolari. De resto, é somente asneiras atrás de asneiras. Vive agarrado ao lugar e sempre pactuou com a podridão existente no Futebol Português. Foi incapaz de modernizar a estrutura e agora depois de contratar um seleccionador procura pretextos infantis para o despedir por justa causa. Eu, se fosse a Queiroz, jamais me demitiria. Podia até já nem ter condições nem autoridade para ocupar o lugar, como manifestamente acontece, mas esses senhores da federação deveriam assumir perante o País as consequências da sua incompetência e pagar o que têm a pagar pela rescisão unilateral.
Depois de mais este triste acontecimento, caso ainda restasse algumas migalhas de dignidade a Gilberto Madaíl a única saída possível seria a demissão. Portugal agradecia…..
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HIPOCRISIAS INDÍGENAS
Não foi um diário intimista,
não foi um exercício de estilo,
não foi um livro de memórias.
Foi o que foi!
Sem uma carta
de intenções determinada.
Actualidades,
politica sem partidarismos,
arte de excepção,
temporalidades e
intemporalidades,
devaneios diversos,
o Grande Sporting
e outras amarguras,
foram assuntos recorrentes.
Foram 5 anos!...
Obrigado a todos os que
passaram por aqui.
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e entre nós e as palavras, o nosso dever falar...
Mário Cesariny
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