domingo, 19 de dezembro de 2010

O Sentido da Crise

Parece que na presente época natalícia está-se a gastar mais que o ano passado.
Jeremias, para não fugir à tendência geral, estava a pensar este ano oferecer  um presente também a um tal de FMI......

California Sun - Ramones

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Inside Job - A Verdade da Crise

Um documentário de Charles Ferguson que revela alguns dos motivos para o despoletar da grande crise mundial de 2008, que de resto ainda sentimos na pele em Portugal. E de que maneira.
Com narração de Matt Damon o que quer se queira quer não ajuda a credibilizar a coisa é um documentário que, com as devidas distâncias, faz lembrar Michael Moore. A associação com o Realizador de Fahrenheit 9/11 faz mais sentido nas partes em que Ferguson arrasa alguns dos poderosos com responsabilidades na altura dos factos. Por exemplo o ainda presidente da reserva federal americana, Ben Bernanke, que muito estranhamente no início do corrente ano foi reconduzido no cargo. Dá que pensar esta recondução de Bernanke por Obama. Pessoalmente nunca me iludi extraordinariamente com Obama, mas não deixa de ser um ângulo interessante esta primeira abordagem cinematográfica menos positiva ao desempenho do Presidente Americano.
Outra perspectiva possível para Inside Job é a realidade assustadora que apresenta, mas aí só se chocará quem acreditava que o capitalismo mais selvagem não tinha um lado B, bem menos idílico do que os prazeres subjacentes à sociedade de consumo.
Nos tempos do Wikileaks, das revelações à escala mundial dos podres escondidos nas relações diplomáticas e da discussão generalizada da existência ou não de limites para a liberdade de expressão, não deixa de ser esclarecedor o visionamento deste documentário no sentido de percebermos como "os governos de Wall Street" controlam o mundo em que vivemos…

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Indesmentível

Se Adão e Eva não tivessem pecado, não havia pecadores....

GIN SEM TÓNICA

Uma garrafa de gin
estava a preocupar
o pescador
a garoupa e o rodovalho
não tinham aparecido
pró jantar
que fazer?
telefonou ao ministro
da Pesca e do Trabalho
mas o ministro
estava a trabalhar na cama
com a mulher
foi então
que a garrafa de gin
sugeriu discretamente
porque não
telefonar ao presidente?
telefonaram
o presidente da nação
estava em acção
na cama
com a mulher
nessa altura
até que enfim
encontraram a solução
o pescador
foi para a cama
com a garrafa de gin

Mário-Henrique Leiria

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Lutador

Já há algum tempo que este Blogue não andava às voltas com o inefável John Garden, personagem que abomino mas em quem reconheço excelentes qualidades humorísticas. Aqui fica serviço público ao mais alto nível. A celestial inspiração de um verdadeiro Lutador nestes tempos difíceis em que vivemos….

A Fonte

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Divina Hipocrisia

Sustentam-se decisões com base em critérios inexplicáveis. Investem-se fortunas para elevar o que não é digno sequer de registo. Evocam-se solidariedades como se a merda fosse transparente.
O importante para os vampiros é ir salvando o umbigo….

Edward Hopper

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

José e Pilar

Filme de Miguel Gonçalves Mendes que já tinha realizado Autografia dedicado a Mário Cesariny. São documentários diferentes. Pessoalmente, identifico-me mais com a obra sobre Cesariny. Autografia transpirava genuinidade. Em José e Pilar existe alguma artificialidade camuflada. Nota-se que existe por parte do casal, na minha modesta perspectiva, uma ténue mas visível vontade de manipular o resultado final. Isto, por mais que o realizador o negue. Existe também aqui ou ali sinais de uma produção demasiado estilizada a cair para o televisivo. A esse propósito, saliente-se que a SIC era um dos parceiros do projecto. Durante o visionamento torna-se evidente que Saramago estava imbuído do espírito de querer deixar um legado. E este filme era um bom veículo para esse fim.

Não se pense pelas minhas palavras que não estamos perante um grande e recomendável filme. Pessoalmente, não me interessa o julgamento positivo ou negativo que se possa fazer do papel de Pilar na vida de Saramago. O mais fascinante é a cadência narrativa imposta por Miguel Gonçalves Mendes que consegue levar o filme através de uma emotividade congruente.
Com uma soberba montagem, José e Pilar revela com exactidão os segredos para a complementaridade harmoniosa entre duas pessoas. A melancolia de um português triste, por mais genial que possa ter sido, cruzada com a energia e a vivacidade de uma andaluza espontânea e electrizante só pode resultar num argumento acutilante.

Para além de todas as conhecidas virtudes, José Saramago era senhor de uma invulgar coerência e de uma notável sobriedade que o levou à melhor definição de sempre para a velhice. Algo como: «A velhice é sentir cada fim do dia como uma perda irreparável».
A não perder, José e Pilar, que podia muito bem ser Pilar e José...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Quadra

O Alvoroço Natalício apodera-se progressivamente das ruas. Jeremias - um Ateu inveterado - habituou-se ao longo dos tempos a encarar o natal como uma espécie de evento gastronómico…...

Peso de Outono

Eu vi o Outono desprender suas folhas,
cair no regaço de mulheres muito loucas.
Cem duzentas pessoas num café cheio de fumo
na cidade de Heidelberg pronta para a neve
saboreavam tepidamente a sua ignorância.

Eu vi as amantes ensandecerem
com esse peso de Outono. Perderam as forças
com o Outono masculino e sangrento.
Os gritos a meio da noite
das amantes a meio da loucura voavam
como facas para o meu peito.

Alguns poetas li-os melhor no Outono,
certos amores só poderia tê-los,
como tive, nos dias doces da vindima.

Fernando Assis Pacheco

domingo, 5 de dezembro de 2010

O Objectivo


Ainda mais absurdo que a actual situação em que o Grande Sporting se encontra são as declarações do nosso pequeno (pequenino) treinador que no Record de hoje afirma que o objectivo ainda é o primeiro lugar. Muito justamente, face ao insólito das mesmas, essas declarações são chamadas para a primeira página. A que será que Paulo Sérgio (futuro treinador do Moreirense ou  desempregado no activo como Carvalhal) se estava a referir:
- Ao campeonato do berlinde do bairro do lumiar?
- Ao campeonato de tiro à carica de Alvalade?
- À pesca do Besugo?
Com um treinador com estes níveis de sobriedade, mesmo assim não estamos muito mal, e temos boas hipóteses de chegar a um digno terceiro lugar.
A equipa não é má de todo mas depois de se perder a hipótese de em confronto directo com o líder diminuir a desvantagem para 10, repito 10 pontos, continuado a uns escassos 13, repito 13 pontos, vir dizer que o objectivo ainda é o primeiro lugar, diz muito acerca da desorientação generalizada que floresce em Alvalade.

E posso estar enganado, mas para nosso azar, vamos andar com esta apatia conformista até ao fim da época. Mesmo com a contestação crescente. Porque a equipa agora até vai ganhar uns joguitos, beneficiando do facto de alguns dos principais jogadores estarem recuperados de lesões, e até é capaz de consolidar o terceiro lugar. Sendo que com esta equipa técnica tenho sérias dúvidas que possamos ganhar alguma das taças ainda em disputa, mas se as coisas correrem normalmente isso só se decidirá lá mais para o fim da época. Ou seja, o problema será adiado mas a inevitável saída de Paulo Sérgio é uma mera questão de tempo.

Costinha não é de todo o principal culpado. Estou mesmo convencido que se começasse a sua carreira de director desportivo num clube mais estável certamente que teria sucesso. Sendo que no caso Izmailov (ainda hoje mal explicado) tem de facto também ele culpa no cartório porque tem sido um processo pessimamente gerido por toda a estrutura.

Quanto a José Eduardo Bettencourt tenho muita pena das coisas não estarem a resultar até porque tenho a certeza, tal como eu, trata-se de um sportinguista apaixonado. Mas na gestão do futebol (o mais importante) tem-se revelado um autêntico flop com muitos laivos de incompetência pelo meio.
Relativamente ao futuro, posso estar muito enganado mas cheira-me que vão aparecer muitas alternativas ao lugar de Bettencourt. Agora se existirão soluções credíveis ou não, só o tempo o dirá. Até porque já há imenso tempo que anda muita gente a cheirar a podridão e hoje a presidência do Sporting é bem mais apelativa do que era há uns meses atrás. Isto por duas razões:
1) Fazer pior do que nas duas últimas épocas é difícil, e então escolher um treinador para a equipa de futebol menos capacitado dos que os escolhidos por Bettencourt é praticamente impossível.
2) A casa agora encontra-se mais arrumada e menos endividada. Mérito deste presidente (honra lhe seja feita) que tirando o mais importante - o futebol - até tem feito um trabalho meritório a outros níveis......

As Nuvens

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010