sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Optimista

A perspectiva optimista/pessimista do copo meio cheio/meio vazio no início de mais um ano tornou-se corriqueira, aborrecida e demasiado simplista.
Para mim, o pessimista é o gajo que bebe uma garrafa do melhor rum cubano e no fim lamenta ter acabado. O optimista bebe igualmente toda a garrafa, contudo consegue manter a sobriedade suficiente para a imaginar ainda cheia.....

Salvador Dalí

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Anna

Na sequência desta empreitada cinematográfica, deixo mais uma pujante Curta que integrou "Cada um o seu cinema" composto por 32 filmes com a duração de 3 minutos que serviu de homenagem aos 60 anos do festival de Cannes.
Desta vez fica “Anna”, a singular contribuição de Alejandro González Iñarritu para a celebração do festival francês. E os alicerces da sua visão de cinema estão todos aqui. É um pequeno filme intensíssimo, no mínimo….



No Barrote...

Não sou um adepto de Paulo Sérgio, das desculpabilizações inusitadas, e muito menos do nível exibicional patenteado por este Sporting, mas a tendência para acertar nos barrotes das balizas é deveras impressionante. A estatística diz que só Postiga já leva 7 bolas nos postes e barras esta época, contra apenas 6 golos marcados curiosamente. Ou seja acerta mais vezes nos ferros do que na baliza, o que é bem mais difícil. No total o Sporting já leva com 20 bolas nos barrotes (em jogos oficiais, não contando com jogos particulares) das quais 10 foram no Campeonato. E pelo que deu para ver do jogo de ontem contra a Naval, a saga é para continuar em 2011....

domingo, 2 de janeiro de 2011

Os Votos

Jeremias deseja um Bom Ano Novo para quem vá continuando a cometer a insensatez de passar por aqui....

O 2011

As previsões mais optimistas variam entre a catástrofe, a hecatombe e o apocalipse. Jeremias como nunca foi homem de verdades absoluta paga para ver.....

As casas

As casas habitadas são belas
se parecem ainda uma casa vazia
sem a pretensão de ocupá-las
tornam-se ténues disposições
os sinais da nossa presença:
um livro
a roupa que chegou da lavandaria
por arrumar em cima da cama
o modo como toda a tarde a luz foi
entregue ao seu silêncio

Em certos dias, nem sabemos porquê
sentimo-nos estranhamente perto
daquelas coisas que buscamos muito
e continuam, no entanto, perdidas
dentro da nossa casa

José Tolentino Mendonça

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A Ladroagem

Jeremias preparava-se para o ano de todas as crises com o afinco possível. De qualquer das maneiras já estava habituado a que lhe fossem ao bolso. Contudo, face ao aumento considerável em 2011 dos focos originários da roubalheira, temia pela banalização do conceito.
Jeremias, como cidadão responsável que era, preocupava-se com a sobrevivência de toda uma classe profissional representada pelos ladrões verdadeiros….

Telepatia – Lara Li

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O Natal da Pouca-Vergonha

O Natal de muitos dos que vão embrulhando os nossos presentes, funcionários de algumas das mais badaladas empresas e que são remunerados a 4 €uros por cada hora extraordinária. Acrescentando-se que esse processamento é efectuado como reembolso de despesas com combustíveis em viaturas pessoais. Este expediente utilizado por inúmeras grandes empresas, além de ser uma maciça e escandalosa fuga ao Fisco, contraria as mais elementares leis laborais ao remunerar da mesma formas todas as horas extraordinárias, independentemente do dia da semana, e do período do dia em que são efectuadas. Pena é que os administradores dessas empresas não sejam obrigados a trabalhar nas mesmíssimas condições de forma ininterrupta, pelo menos, até ao próximo natal….

Georgia O'Keefe

sábado, 25 de dezembro de 2010

Close–up

Um filme de Abbas Kiarostami datado de 1990 que só agora visionei e que me agradou sobremaneira.
Após ler uma reportagem jornalística sobre um homem chamado Hossain Sabzian, que se fez passar pelo realizador Mohsen Makhmalbaf junto de uma pacata família Iraniana e por esse motivo foi acusado de fraude, Kiarostami percebeu que tinha matéria para um grande filme. E se bem o pensou, melhor o executou.
Na fronteira entre o documentário e a ficção, com os reais protagonistas da história como actores não profissionais, Close-up junta-se para mim a “O Sabor da Cereja” como obras-primas absolutas na cinematografia do Iraniano.
Em Close-up o espectador entrega-se completamente nas mãos do Realizador que maneja a narrativa (mais real que ficcionada) com mestria.
As dissertações do acusado durante o julgamento sobre o cinema, sobre o seu papel na sociedade, sobre a nobre arte de representar, sobre as razões que o levaram a cometer o delito são de um sublime humanismo e de um esplendor sem limites.....

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Embuste Natalício

No intervalo da chuva os corpos correm sôfregos pelos destroços dos dias. A quadra é propícia à solidariedade mais fraternal contudo é a falsidade que alimenta os espíritos....

Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos

Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
detidos: hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado
em cada espelho. O próprio
movimento o entenebrece. Mas chamejam os lábios
dos animais. Deixarei as constelações panorâmicas destes dias
internos.

Vou morrer assim, arfando
entre o mar fotográfico
e côncavo
e as paredes com as pérolas afundadas. E a lua desencadeia nas grutas
o sangue que se agrava.

Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança
contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio
que soprou nos estúdios cavados. É a cólera que me leva
aos precipícios de agosto, e a mansidão
traz-me às janelas. São únicas as colinas como o ar
palpitante fechado num espelho. É a estação dos planetas.
Cada dia é um abismo atómico.

E o leite faz-se tenro durante
os eclipses. Bate em mim cada pancada do pedreiro
que talha no calcário a rosa congenital.
A carne, asfixiam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.
É em nós que se encurva o nervo do arco
contra a flecha. Deus ataca-me
na candura. Fica, fria,
esta rede de jardins diante dos incêndios. E uma criança
dá a volta à noite, acesa completamente
pelas mãos.

Herberto Hélder

Velho Capitão 0 - Sporting 3

A questão que se coloca hoje é porque é que não entramos assim no jogo da taça que até era mais decisivo que este? A resposta é simples, porque não temos treinador. A equipa só rende quando sente os calos apertados pela direcção e é esse motivo que tem evitado a terceira derrota consecutiva. Já esteve duas vezes à beira de acontecer. O treinador, que nem é mau rapaz, não tem mão na equipa. Qualquer atrasado percebe isso, até o bom do Djaló. Basta fazer uma sondagem aos adeptos a perguntar se com Paulo Sérgio ao leme alguém acredita que o Sporting vai ganhar algum título? E os clubes, para o bem e para o mal, vivem de títulos....

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Sentido da Crise

Parece que na presente época natalícia está-se a gastar mais que o ano passado.
Jeremias, para não fugir à tendência geral, estava a pensar este ano oferecer  um presente também a um tal de FMI......

California Sun - Ramones

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Inside Job - A Verdade da Crise

Um documentário de Charles Ferguson que revela alguns dos motivos para o despoletar da grande crise mundial de 2008, que de resto ainda sentimos na pele em Portugal. E de que maneira.
Com narração de Matt Damon o que quer se queira quer não ajuda a credibilizar a coisa é um documentário que, com as devidas distâncias, faz lembrar Michael Moore. A associação com o Realizador de Fahrenheit 9/11 faz mais sentido nas partes em que Ferguson arrasa alguns dos poderosos com responsabilidades na altura dos factos. Por exemplo o ainda presidente da reserva federal americana, Ben Bernanke, que muito estranhamente no início do corrente ano foi reconduzido no cargo. Dá que pensar esta recondução de Bernanke por Obama. Pessoalmente nunca me iludi extraordinariamente com Obama, mas não deixa de ser um ângulo interessante esta primeira abordagem cinematográfica menos positiva ao desempenho do Presidente Americano.
Outra perspectiva possível para Inside Job é a realidade assustadora que apresenta, mas aí só se chocará quem acreditava que o capitalismo mais selvagem não tinha um lado B, bem menos idílico do que os prazeres subjacentes à sociedade de consumo.
Nos tempos do Wikileaks, das revelações à escala mundial dos podres escondidos nas relações diplomáticas e da discussão generalizada da existência ou não de limites para a liberdade de expressão, não deixa de ser esclarecedor o visionamento deste documentário no sentido de percebermos como "os governos de Wall Street" controlam o mundo em que vivemos…

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Indesmentível

Se Adão e Eva não tivessem pecado, não havia pecadores....

GIN SEM TÓNICA

Uma garrafa de gin
estava a preocupar
o pescador
a garoupa e o rodovalho
não tinham aparecido
pró jantar
que fazer?
telefonou ao ministro
da Pesca e do Trabalho
mas o ministro
estava a trabalhar na cama
com a mulher
foi então
que a garrafa de gin
sugeriu discretamente
porque não
telefonar ao presidente?
telefonaram
o presidente da nação
estava em acção
na cama
com a mulher
nessa altura
até que enfim
encontraram a solução
o pescador
foi para a cama
com a garrafa de gin

Mário-Henrique Leiria

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Lutador

Já há algum tempo que este Blogue não andava às voltas com o inefável John Garden, personagem que abomino mas em quem reconheço excelentes qualidades humorísticas. Aqui fica serviço público ao mais alto nível. A celestial inspiração de um verdadeiro Lutador nestes tempos difíceis em que vivemos….

A Fonte

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Divina Hipocrisia

Sustentam-se decisões com base em critérios inexplicáveis. Investem-se fortunas para elevar o que não é digno sequer de registo. Evocam-se solidariedades como se a merda fosse transparente.
O importante para os vampiros é ir salvando o umbigo….

Edward Hopper

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

José e Pilar

Filme de Miguel Gonçalves Mendes que já tinha realizado Autografia dedicado a Mário Cesariny. São documentários diferentes. Pessoalmente, identifico-me mais com a obra sobre Cesariny. Autografia transpirava genuinidade. Em José e Pilar existe alguma artificialidade camuflada. Nota-se que existe por parte do casal, na minha modesta perspectiva, uma ténue mas visível vontade de manipular o resultado final. Isto, por mais que o realizador o negue. Existe também aqui ou ali sinais de uma produção demasiado estilizada a cair para o televisivo. A esse propósito, saliente-se que a SIC era um dos parceiros do projecto. Durante o visionamento torna-se evidente que Saramago estava imbuído do espírito de querer deixar um legado. E este filme era um bom veículo para esse fim.

Não se pense pelas minhas palavras que não estamos perante um grande e recomendável filme. Pessoalmente, não me interessa o julgamento positivo ou negativo que se possa fazer do papel de Pilar na vida de Saramago. O mais fascinante é a cadência narrativa imposta por Miguel Gonçalves Mendes que consegue levar o filme através de uma emotividade congruente.
Com uma soberba montagem, José e Pilar revela com exactidão os segredos para a complementaridade harmoniosa entre duas pessoas. A melancolia de um português triste, por mais genial que possa ter sido, cruzada com a energia e a vivacidade de uma andaluza espontânea e electrizante só pode resultar num argumento acutilante.

Para além de todas as conhecidas virtudes, José Saramago era senhor de uma invulgar coerência e de uma notável sobriedade que o levou à melhor definição de sempre para a velhice. Algo como: «A velhice é sentir cada fim do dia como uma perda irreparável».
A não perder, José e Pilar, que podia muito bem ser Pilar e José...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Quadra

O Alvoroço Natalício apodera-se progressivamente das ruas. Jeremias - um Ateu inveterado - habituou-se ao longo dos tempos a encarar o natal como uma espécie de evento gastronómico…...

Peso de Outono

Eu vi o Outono desprender suas folhas,
cair no regaço de mulheres muito loucas.
Cem duzentas pessoas num café cheio de fumo
na cidade de Heidelberg pronta para a neve
saboreavam tepidamente a sua ignorância.

Eu vi as amantes ensandecerem
com esse peso de Outono. Perderam as forças
com o Outono masculino e sangrento.
Os gritos a meio da noite
das amantes a meio da loucura voavam
como facas para o meu peito.

Alguns poetas li-os melhor no Outono,
certos amores só poderia tê-los,
como tive, nos dias doces da vindima.

Fernando Assis Pacheco

domingo, 5 de dezembro de 2010

O Objectivo


Ainda mais absurdo que a actual situação em que o Grande Sporting se encontra são as declarações do nosso pequeno (pequenino) treinador que no Record de hoje afirma que o objectivo ainda é o primeiro lugar. Muito justamente, face ao insólito das mesmas, essas declarações são chamadas para a primeira página. A que será que Paulo Sérgio (futuro treinador do Moreirense ou  desempregado no activo como Carvalhal) se estava a referir:
- Ao campeonato do berlinde do bairro do lumiar?
- Ao campeonato de tiro à carica de Alvalade?
- À pesca do Besugo?
Com um treinador com estes níveis de sobriedade, mesmo assim não estamos muito mal, e temos boas hipóteses de chegar a um digno terceiro lugar.
A equipa não é má de todo mas depois de se perder a hipótese de em confronto directo com o líder diminuir a desvantagem para 10, repito 10 pontos, continuado a uns escassos 13, repito 13 pontos, vir dizer que o objectivo ainda é o primeiro lugar, diz muito acerca da desorientação generalizada que floresce em Alvalade.

E posso estar enganado, mas para nosso azar, vamos andar com esta apatia conformista até ao fim da época. Mesmo com a contestação crescente. Porque a equipa agora até vai ganhar uns joguitos, beneficiando do facto de alguns dos principais jogadores estarem recuperados de lesões, e até é capaz de consolidar o terceiro lugar. Sendo que com esta equipa técnica tenho sérias dúvidas que possamos ganhar alguma das taças ainda em disputa, mas se as coisas correrem normalmente isso só se decidirá lá mais para o fim da época. Ou seja, o problema será adiado mas a inevitável saída de Paulo Sérgio é uma mera questão de tempo.

Costinha não é de todo o principal culpado. Estou mesmo convencido que se começasse a sua carreira de director desportivo num clube mais estável certamente que teria sucesso. Sendo que no caso Izmailov (ainda hoje mal explicado) tem de facto também ele culpa no cartório porque tem sido um processo pessimamente gerido por toda a estrutura.

Quanto a José Eduardo Bettencourt tenho muita pena das coisas não estarem a resultar até porque tenho a certeza, tal como eu, trata-se de um sportinguista apaixonado. Mas na gestão do futebol (o mais importante) tem-se revelado um autêntico flop com muitos laivos de incompetência pelo meio.
Relativamente ao futuro, posso estar muito enganado mas cheira-me que vão aparecer muitas alternativas ao lugar de Bettencourt. Agora se existirão soluções credíveis ou não, só o tempo o dirá. Até porque já há imenso tempo que anda muita gente a cheirar a podridão e hoje a presidência do Sporting é bem mais apelativa do que era há uns meses atrás. Isto por duas razões:
1) Fazer pior do que nas duas últimas épocas é difícil, e então escolher um treinador para a equipa de futebol menos capacitado dos que os escolhidos por Bettencourt é praticamente impossível.
2) A casa agora encontra-se mais arrumada e menos endividada. Mérito deste presidente (honra lhe seja feita) que tirando o mais importante - o futebol - até tem feito um trabalho meritório a outros níveis......

As Nuvens

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A Crónica do Triste Fado

Portugal é hoje o que sempre foi e o que sempre será. Mesmo com as crescentes inovações tecnológicas tendencialmente “globalizantes” o fado português perdurará inalterável. Aliás, o fado é o nosso único grande desígnio. Cada nação tem a sorte que merece. O Brasil tem o samba. Querem lá coisa mais alegre? A nós calhou-nos o mais pesaroso dos estilos de música. Mais que uma maneira de ser esta tendência para o sombrio está-nos nos genes, corre-nos no sangue, atravessa-nos a pele. Por norma, para um brasileiro está tudo jóia, mas para um macambúzio de origem lusa vai-se andando, está-se assim-assim. Raramente, muito raramente, está tudo bem.
Como resultado desta apregoada taciturnidade em cada exemplar Tuga encontra-se um putativo escritor. Adaptando a emblemática letra revolucionária de Zeca Afonso: em cada esquina um poeta, em cada rosto sisudo uma inspiração. A poesia passeia pelas ruas de mãos dadas com a melancolia reinante.
País de navegadores e aventureiros, de ancestrais conquistadores, vivemos sempre - como agora - à beira do abismo. É verdade que partimos com frequência à aventura na esperança de um futuro mais risonho. A história de Portugal está cheia de períodos em que houve enormes níveis de emigração. No entanto, curiosamente, essa fuga somente se concretiza quando não existem mais alternativas. Muitas vezes a vontade de partir termina à mesa do café de Bairro numa avalanche contínua de lamentações e indignações. Reagimos somente em último recurso, quando não existe mais chão para pisar. Sempre foi assim, até nas graves crises económicas. Mais FMI, menos FMI, continuaremos eternamente com a nossa irrepreensível letargia. O comodismo é uma espécie de desporto nacional de eleição. Quando resolvemos fazer, normalmente até não nos saímos mal, contudo mantemos uma atávica resistência à mudança.
A incapacidade para planear minimamente o futuro e a falta de memória são outras idiossincrasias lusas. Com a mesma facilidade que trucidamos determinada personagem, amanhã colocamo-la no pedestal. É uma grave esquizofrenia, sem dúvida, mas funciona ao mesmo tempo como estimulo e alavanca social, designadamente ao nível das cabeleireiras de bairro.
Cada País tem os cidadãos que merece. O Brasil tem actualmente como Presidente um Lula, o que aparenta desde logo alguma vivacidade. Portugal tem como presidente uma espécie de múmia ressuscitada (mas pouco) de nome Cavaco, o que é francamente elucidativo....

Don Li-Leger

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Copie Conforme

Num dos mais aguardados filmes dos últimos tempos, o Iraniano Abbas Kiarostami aterra na Europa para criar mais uma das suas singulares obras desta vez com a tentadora companhia de Juliette Binoche no papel principal.
Binoche, qual vinho do porto, está cada vez melhor actriz. O seu rosto não é um poema, é um compêndio da mais excepcional poesia. Um dia ainda hei de escrever um cabrão dum texto sobre o rosto de Binoche...

domingo, 28 de novembro de 2010

Acorda Sporting

O empate era para mim era o pior resultado possível para este escaldante Sporting-Porto. Por um lado não recuperamos terreno. Por outro, o revés não é suficiente para que a cabeça de Paulo Sérgio role e possa finalmente ir treinar o Moreirense. A sua continuidade, como já se percebeu, compromete quaisquer aspirações de ganhar algo esta época. E continuo a insistir, o Sporting não tem tão má equipa como parece. Além do mais continuamos atrás do Guimarães, ao qual fomos contratar este fabuloso treinador por 600 000 Euros. Em outros tempos, estar a 13 pontos da liderança no decorrer ainda da primeira volta do campeonato, com a possibilidade de ficar a cinco do segundo (ou seja, a depender de terceiros mesmo para o 2.ºlugar) seria motivo mais que suficiente para um levantamento em Alvalade.

Mas infelizmente o Sporting nos dias que correm não é mais que isto. É todavia de louvar os mais de 36 000 adeptos que, mesmo assim, se deslocaram a Alvalade (sendo que 5 000 ou mais eram do Porto) para apoiar uma equipa que durante 90 minutos não consegue fazer um cruzamento em condições para a área adversária (volta Abel, estás perdoado) e que a jogar contra dez, precisando impreterivelmente de vencer, não consegue efectuar um lançamento lateral de acordo com as leis do jogo.
A claque mais representativa do clube já nem sequer põe as habituais tarjas identificativas. Se por acaso foi uma forma de protesto contra um treinador de terceira categoria que até a fazer uma simples substituição demora uma eternidade, acho que fizeram muito bem.
Dizem que rematamos sempre muito. Sim, mas e daí? Em 10 remates o André Santos ou o Postiga acertam uma vez na baliza, sendo que normalmente esse remate não dá golo. A equipa remata de longe porque é desequilibrada emocionalmente. Ainda ontem houve duas, três situações em que jogadores nossos podiam ficar isolados, caso os companheiros não tomassem a péssima opção de rematar de longe.
Bettencourt com as declarações imbecis de meio da semana teve o que semeou e hoje foi o principal culpado do sporting não ter ganho. Fomos uma equipa de totós em solidariedade com o nosso presidente. O enxovalho de estar sentado ao lado de Pinto da Costa na tribuna em Alvalade foi a cereja em cima do bolo.
No fim de tudo isto, há sportinguistas por essa blogosfera a exultarem por termos ganho um ponto ao Guimarães, o que diz tudo relativamente ao estado a que o nosso Grande clube chegou.....

sábado, 27 de novembro de 2010

O Equívoco

Reinava, não porque tivesse real competência para tal, mas porque o solícito compadrio lhe tinha batido à porta….

POEMA

A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita

Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará

Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento

A terra o sol o vento o mar
São minha biografia e são meu rosto

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Imperdível

O Ex-Primeiro-Ministro desta admirável bagunça que se chama Portugal - Pedro Santana Lopes - à falta de melhor ocupação anda a dissertar sobre os pneus do seu BMW. Com gente assim a governar-nos, ficamos mais elucidados acerca dos reais motivos que conduziram ao estado a que isto chegou. Tudo, aqui.

Mas atenção caros leitores, reparem por favor na destreza intelectual deste cidadão que atento ao mundo que o rodeia faz o seguinte comentário ao diligente post do Dr. Pedro Santana Lopes:
«Como o compreendo. Até minha carrinha Renault é assim! Traz kit de reparação cujo produto custa 70€ + IVA»....

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A Greve Geral

As greves na minha perspectiva deixaram de fazer sentido para aí há 20 anos. Hoje as realidades laborais são outras. As problemáticas com que as sociedades se debatem exigem outras respostas. As greves, pura e simplesmente, não resolvem nada e já não comovem ninguém.
Os próprios mentores desta greve geral dão toda a ideia que andam por ali somente por uma mera questão de tradição. E claro, porque têm alguma experiência que convém exercitar em organizar estas coisas. Nada mais que isso. O discurso é absolutamente inócuo, e em nada contribui para a recuperação económica do país.
Com franqueza, só consigo conceber esta greve na solidária perspectiva de haver algumas almas que se sentem purificadas pelo protesto maciço, e outras que vêem sinceramente esta como a única forma de exorcizar o seu legítimo desespero. O que não sendo tudo, já é alguma coisa....

Lisbon Story

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Particular

O papa veio abrir a porta ainda que de forma envergonhada à aceitação por parte da igreja católica do uso do preservativo, assumindo que se justifica em "casos particulares".
A Imprensa delira com a depravação demonstrada por Bento XVI. Por este andar, talvez ainda durante este século (faltam 90 anos) poderá a igreja católica vir a considerar a masturbação como uma prática aceitável, o que constituirá claramente uma autêntica loucura - para quem estiver vivo...

Será - Pedro Abrunhosa

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

36 Vistas do Monte Saint-Loup

De Jacques Rivette com Sergio Castellitto e a eterna companheira de Gainsbourg, a agora já sexagenária Jane Birkin, estreou há semanas 36 Vistas do Monte Saint-Loup.
Começa muito bem mais este filme de Rivette com um carro empanado à beira da estrada conduzido por uma mulher que está sozinha. A mulher acena a quem passa na esperança de obter ajuda. Há um homem, até aí estranho, que passa uma primeira vez sem parar. Inesperadamente volta depois atrás, como que motivado por um misterioso apelo de consciência, arranjando o carro da mulher e partindo sem proferir uma única palavra.
Acontece que este excepcional início de 36 Vistas do Monte Saint-Loup não tem depois sequência no resto do filme. O consagrado realizador que tem algumas obras apreciáveis perde-se numa encruzilhada centrada na obsessão de um homem por uma mulher. Nem a a própria fotografia do filme desperta imagens particularmente estimulantes. Seria talvez uma ideia interessante para uma peça de teatro, não mais que isso. Apesar de tudo, deixo o trailer...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A NATO

Jeremias pretendia perguntar aos senhores da NATO porque motivo se acham mais importantes que os Arcade Fire? Estes, ao menos, ainda conseguiriam fazer gente feliz…

Um Coração de Sangue

Um coração de sangue
Um coração de xisto e aço
Um coração angular e redondo
Como a pedra que te abre
Do interior do chão

Um coração solar
De granito
De carne
Curado da noite de nascença

Um coração de homem
Um coração de homem vivo
Um coração de criança ao colo
Interior
-Mais interior do que o sangue no coração que me darás-

Peço um coração
Nuclear

Daniel Faria

domingo, 14 de novembro de 2010

A Salvação Nacional

Fala-se da hipotética criação de um governo de Salvação Nacional. A expressão até tem um sentido vagamente poético mas lirismos à parte, é bom que todos se comecem a convencer que isto só lá vai com intervenção externa. Somos demasiado mesquinhos, demasiado cobardes, demasiado comodistas, e estamos demasiado comprometidos para conseguir inverter a situação insustentável em que vivem as finanças públicas num Estado que, quer se queira quer não, tem um peso excessivo. Não estou a dizer com isto que o estado social deve ser desmantelado. Aliás, em muitas áreas até penso que o investimento devia ser aumentado. Agora, o que é impossível negar é o despesismo generalizado em que vivem, no geral, as instituições públicas. E o monstro não é de agora, tem vindo a florescer desde há pelo menos 25 anos. E se Passos Coelho quer mesmo punir criminalmente os responsáveis, como afirmou num daqueles seus delírios de populismo primário, então o melhor é começar por sentar no banco dos réus o professor que apoia para presidente da república.

A realidade é que a maioria da população depende de forma directa ou indirecta do Estado e isto é inegável. Não me estou a referi somente aos funcionários públicos, que muito injustamente são tratados por uma parte significativa da opinião pública como atrasados mentais.
O cerne da questão está precisamente no facto de parte significativa dos rendimentos que auferem os designados privados e muito curiosamente essa mesma opinião pública, que julga indiscriminadamente os outros, serem provenientes da mesmíssima e inesgotável fonte. Ou por serem professores em Universidades Públicas, ou por terem avenças em órgãos de comunicação social controlados pelo Estado (de forma injustificada nalguns casos), ou por terem avenças em empresas financiadas, por este ou por aquele motivo, pelo erário público (às vezes até com desconhecimento dos próprios colaboradores) ou então através dos milhares de pareceres, avenças e prestações de serviços de todas as espécies e feitos que os organismos e empresas de capitais públicos pagam mensalmente a fornecedores. Ou seja, o dinheiro com que muita desta gente compra as suas prendas de natal e sustenta legitimamente as suas famílias, tem origem exactamente no mesmíssimo e famigerado Orçamento de Estado.

A única coisa que resta fazer a um País eternamente adiado é adiar – mais uma vez - o inevitável. Nisso, somos efectivamente bons. O talento na fuga para a frente, a arte de varrer para debaixo do tapete, a propensão para a dissimulação dos problemas são características inatas que não são compatíveis com ideias peregrinas de salvações.....

A Modernidade

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Obscuridade

O obscuro silêncio proporcionado pelo isolamento da sala de cinema transmitia a Jeremias uma estranha paz interior que não encontrava paralelo nem na essência subjectiva do existencialismo....

Censurados – Censurados

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dans L'Obscurite

Dando continuidade a isto, fica a sexta curta retirada de “cada um o seu cinema” que serviu de comemoração aos 60 anos do Festival de Cannes. Desta vez com a singular e criativa participação dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne:


É caso para salientar a importância de ter um ladrão sempre à mão…..

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Condenação do Divino

Eu fui dos que defendi a contratação de André Vilas-Boas para o meu Sporting. Parecia-me, das poucas hipóteses portuguesas credíveis, aquela que reunia maior possibilidade de êxito. Hoje estou amplamente convencido que o negócio não avançou porque o próprio teve a percepção que tinha boas hipóteses de ir para o Porto - o seu clube do coração - e por esse motivo provocou o divórcio com Bettencourt. Foi assim que, para mal dos nossos pecados, surgiu Paulo Sérgio nas nossas vidas. Mas ainda não estou convencido que Vilas-Boas é um novo Mourinho. Tem dado boas indicações, é verdade, mas ainda é cedo para avaliar. Quanto a mim, o real valor deste porto está sobrevalorizado de momento. Existe demasiada dependência da capacidade de um jogador que, por mais incrível que possa ser, não resolverá todos os problemas. E estão claramente numa fase em que a confiança proporcionada por vitórias consecutivas ajuda a esconder debilidades, mas nem sempre será assim. Pelo menos é o que me parece. Agora para todos os efeitos já são campeões, desde a quarta jornada para ser preciso.
Relativamente a Jorge Jesus - que assinale-se nunca foi treinador do meu agrado com os seus rasgos discursivos absolutamente hilariantes – acho que foi infeliz de facto na opção Sidnei mas a crítica vermelha está a trucidá-lo de uma forma um pouco injusta, diga-se. A verdade é que dificilmente este frágil Benfica (com o qual o Sporting levou um banho de bola, lembras-te Paulo Sérgio?) poderia trazer alguma coisa do Dragão nesta fase…

sábado, 6 de novembro de 2010

O Prenúncio

Não sei o que será mais deprimente. Os rostos risonhos dos deputados do PSD durante a discussão do orçamento na primeiras filas da Assembleia da República - rostos esses outrora fechados e pesarosos - certamente “esperançados” num futuro auspicioso para os seus umbigos? Ou as movimentações no PS com as habituais intrigas palacianas tendo em vista a sucessão de Sócrates?
Caros concidadãos, o Abismo está ao virar da esquina....

A Fúria da Razão

Diz-se que os cegos não conhecem a luz, talvez porque
para a razão o sentimento Ihes reservou outros caminhos.
O melhor, contudo, é não acreditarmos nestas histórias.
É vê-los cair, arrastando na queda os instrumentos
de que se servem para nos entreter os sentidos.
Também não se atrevem a atravessar florestas
e quando a chuva cai, choram convulsivamente.
Ratos devoram-lhes o cérebro e arrastam segredos
para o cemitério. Para que quereriam a luz?
Mesmo quietos é difícil não perceber a violência.
Mas uma fúria incomunicável que os legitima
dentro. É sem palavras - ou imagens - o pensamento.
Quando juntos, abandonam as famílias - e riem-se
se à sua passagem, alguém lhes pede música.

Fernando Guerreiro

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Desafio

O Burro Jeremias reparava que ultimamente, de quando em vez, o seu pequeno burrito o olhava com um olhar diferente. Um olhar trocista que no fundo expunha o que lhe ia na alma. Algo do tipo: olha aqui para mim a fazer merda, afrontando as tuas reprimendas idiotas de pai da treta.
Por uma mera questão de pedagogia doutrinal, o Burro Jeremias gostava de manter a ilusão que era ele que mandava….

Je T'aime Moi Non Plus - Serge Gainsbourg e Jane Birkin

sábado, 30 de outubro de 2010

O Barrilete Cósmico

Para ouvir com som bem alto:


Diego Armando Maradona faz hoje 50 anos. Apesar de o considerar um Ser de outro planeta é pessoa que não tenho a mais pequena curiosidade de conhecer, mas perdurarão para sempre na minha memória momentos como este. E eu ainda vi jogar Diego uns minutos com estes olhinhos que a terra há-de comer (ou não) num Sporting-Nápoles de 1989....

Alfred Gockel

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Gainsbourg: Vida Heróica

O que me levou a ir ver “Gainsbourg: Vida Heróica” foi uma vontade de conhecer melhor o músico e compositor francês. A geração a que pertenço, por norma, não conhece em profundidade a obra e o importante legado de Serge Gainsbourg.
O realizador Joann Sfar, que tem aqui a sua primeira longa-metragem, vem do universo da banda desenhada. Aliás, essa proveniência percebe-se automaticamente logo no início do filme. Utiliza variadíssimas vezes a animação com apreciável resultado, inclusive na criação de um alter-ego do protagonista.
Não estamos perante o tradicional filme biográfico. O realizador é um apaixonado assumido por Gainsbourg e aproveita o ensejo para criar uma periclitante fábula que seria certamente do agrado do próprio biografado.
Com base nos episódios mais mediáticos da vida do cantautor francês - por exemplo o badalado romance com Brigitte Bardot ou a intensíssima relação com Jane Birkin (donde nasceu Charlotte) - Sfar transforma a narrativa num conto bem ritmado cujo mérito deve ser repartido com Eric Elmosnino, que tem uma excelente interpretação no papel principal.
Sem ser absolutamente brilhante “Gainsbourg: Vida Heróica” é um filme eficaz, recomendável a quem tem especial predilecção por uma magnitude somente transmitida pelas vidas mais errantes....

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Ruptura

As negociações entre o Governo e o PSD aparentemente falharam. Romperam, não porque houvesse diferenças inconciliáveis entre ambas as posições, mas porque o que interessa verdadeiramente a Sócrates e Passos Coelho é o controlo dos danos políticos. A eventual imagem de fraqueza resultante de uma suposta cedência de alguma das partes é mais importante para eles que a sobrevivência do País. Portugal merecia gente melhor.
O problema  - ainda mais grave - é que em todos os sectores da sociedade vão-se multiplicando os Sócrates e Passos Coelhos desta vida…..

Reconhecimento à Loucura

Já alguém sentiu a loucura
vestir de repente o nosso corpo?
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem
nem resignação?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
e fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente
e ganhar-Ihe, e ganhar-Ihe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?

Tu Só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar

Almada Negreiros

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Candidato

A campanha eleitoral para a Presidência da República vai ser bastante interessante. Como aquelas misses que se candidatam para combater a fome em África, depois de uma profunda reflexão, Cavaco avança para vencer a crise....

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Grande ABELhudo

O meu Sporting venceu ontem o Rio Ave mesmo ao cair do pano. Foi uma vitória épica justificada pelos últimos 10 minutos, num jogo emotivo que na esmagadora fatia do tempo foi mais do mesmo.
Abel, sejamos justos, tem um prémio merecido. Mesmo nos maus momentos sempre foi dos poucos jogadores do Sporting com capacidade para centrar uma bola para a área em condições. Fico feliz também por ele. É jogador dedicado que sempre gostei e que merece inteiramente esta boa fase que está a atravessar.

Quanto à exibição da equipa, o costume. O que falta verdadeiramente é um clique psicológico mas tem de ser um líder com outra envergadura a impô-lo. Na primeira parte jogou-se a passo. Ninguém corria para marcar uma falta. Com Maniche e André Santos a jogarem juntos no miolo é complicado. O primeiro dá tudo, sobe bem, tenta ser pragmático, mas faltam-lhe as pernas e a velocidade de outros tempos. E esse problema não é compensado de maneira nenhuma por André Santos. É um jovem da casa, tem margem de progressão é verdade, mas é incapaz de arriscar um pouco. Falta-lhe ainda estofo para ser titular numa equipa de topo. Joga para trás e para os lados e das poucas vezes que avança no terreno, atira-se para o chão logo que tem oportunidade.
Uma última nota: Apesar de estar num excelente período de forma – impressionante a estatística de bolas ao barrote nos últimos meses – Hélder Postiga ontem com um árbitro mais rigoroso não tinha chegado ao fim do jogo como consequência dos seus insistentes e infrutíferos protestos. Outro sintoma de falta de liderança....

O Céu de Lisboa

domingo, 24 de outubro de 2010

O Povo

O povo de portugal podia estar na rua em protesto contra as medidas de austeridade. Mas o povo de portugal prefere desfrutar os efeitos proporcionados pela abertura dos hipermercados ao domingo....

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Concierto de Aranjuez - Joaquín Rodrigo

Três versões do magistral concierto de aranjuez do espanhol Joaquín Rodrigo:
Uma primeira de Orquestra com a participação do guitarrista Tariq Harb. Uma segunda versão - talvez uma das mais célebres - com o virtuoso da guitarra Paco de Lucía e uma última de Jazz através de Jim Hall acompanhado por uma banda da qual fazia parte também o trompetista Chet Baker. No total são aproximadamente 25 minutos de extraordinária qualidade musical…




quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Submarino

Para Jeremias a compra de submarinos era um grande e redondo embuste que tinha nascido da ambição doentia de um ministro demagógico. A falta de coragem e discernimento mental dos governantes que o sucederam também é de louvar. A fantasia proporcionada pelos jogos cibernéticos de guerra tem custos francamente elevados. O reforço da defesa naval de um país em cacos, que já não tem dedos nem anéis para cobiçar, devia ser a última das prioridades de um estado soberano....

Wassily Kandinsky

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Precipício

Em nome da estrada, vagueia-se por campos infinitos. Em nome da crise, caminha-se alegremente para o abismo.
Em cada esquina um Medina Carreira, em cada rosto desigualdade. Viva Portugal....

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cinéma Erotique

Na sequência de posts anteriores deixo a quinta curta retirada de "cada um o seu cinema"  que serviu de comemoração aos 60 anos do Festival de Cannes.
Trazido pela experiente mão de Roman Polanski, cinéma erotique é uma anedota em movimento filmada com inegável engenho….

domingo, 17 de outubro de 2010

A Singularidade

Jeremias não dava mostras de grande originalidade naquilo que mais gostava de fazer. A falta de criatividade era um problema irresolúvel porque não se pode dar asas a quem não sabe voar. Contudo, Jeremias possuía uma invulgar faculdade: Apesar de se entreter com fantasias infrutíferas tinha absoluta consciência da sua generalizada inaptidão….

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A Ironia

Posso estar enganado mas cheira-me que para a maioria dos 33 mineiros chilenos que passaram 69 dias presos na mina de San José no norte do Chile este acidente foi a melhor coisa que lhes podia ter acontecido.
A iminente tragédia veio abrir as janelas que de uma outra forma permaneceriam para sempre lacradas....

Os Telhados de Lisboa

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Assembleia

Apesar de na generalidade detestar pessoas, Jeremias sentia especial predilecção por aglomerados de gente. Adorava insinuar-se à psicologia das multidões….

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ela controla e Cristina - Roquivários





Dose dupla de uma banda injustamente esquecida e que teve presença assinalável nos primórdios do rock português…..

domingo, 10 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Ma Mere

"Minha Mãe" é o segundo filme do agora muito reconhecido Christophe Honoré. Datado de 2003, só agora o visionei, depois de conhecer obras posteriores do realizador francês que é aliás bastante do meu agrado.
O filme é uma adaptação livre de obra homónima de Georges Bataille. Com a sempre perturbante Isabelle Huppert no papel principal conta ainda com o jovem Louis Garrel como protagonista.
Uma extraordinária descida à intimidade desconcertante do perverso relacionamento entre uma mãe e um filho de férias nas Ilhas Canárias. Fugindo sempre ao apelo da leitura freudiana, o filme transmite uma energia assinalável que deixava desde logo antever que Honoré tinha muito cinema dentro de si.
Já perto do fim, a caminho da consumação do incesto, a mãe confessa que o pior não é desejar fazê-lo. O pior é fazê-lo e sobreviver. O epílogo deste interessante argumento baseado na obra de Bataille é magistral.
Como nota de rodapé fica também a chamada de atenção para a participação num pequeno papel do “Contemporâneo” Nuno Lopes - actor detentor de uma especial versatilidade....

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Poema do Não

Convoco todas as almas para a homilia da negação.

Vindes, vindes expiar os vossos pecados
capitulai perante o niilismo puro e duro.
Vós que caminhais pelos meandros das palavras
rendam-se aos prazeres do nada.

Não, não somos capazes.

Não, não voltarei a rebuscar pelos escombros da memória.
Não, não regressarei ao reino dos crédulos.
Não, não, para sempre não....

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A Complacência

Jeremias não se identificava com ambientes de excessiva condescendência. Por norma, tal expediente acabava sempre no desmazelo mais disparatado….

A Impunidade



Mais uma aventura de Alice no País das Maravilhas.
Os absurdos argumentos de quem defende a não divulgação das escutas são no mínimo hilariantes. A esses iluminados, lanço-lhes a seguinte questão: E, se por acaso, uma escuta telefónica a que tiveram acesso indiciasse de forma brutal a autoria de um hipotético atentado contra um vosso familiar? O tribunal julgava e não condenava ninguém, apesar das evidentes provas. Divulgariam as escutas ou guardavam-nas debaixo da cama?
País de hipócritas, país de imundice, país de gente pequena.
Entretanto, Jorge Nuno Pinto da Costa, Valentim Loureiro e seus comparsas continuam a andar por aí. No Pasa nada. Siga para Bingo....

Ao rosto vulgar dos dias

Monstros e homens lado a lado,
Não à margem, mas na própria vida.

Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.

Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.

Ao rosto vulgar dos dias,
A vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.

Imaginar, primeiro, é ver.
Imaginar é conhecer, portanto agir.

Alexandre O´Neill

domingo, 3 de outubro de 2010

A Austeridade

Bastaram-me cinco minutos fora de casa após o anúncio das medidas de austeridade integradas no chamado PEC III para ficar com a certeza acerca da sentença que José Sócrates decretou a si próprio. A frase mais marcante foi um esclarecedor «andam a brincar com isto» ouvido pela boca de um indignado cidadão no café do bairro.
Sinceramente numa determinada perspectiva, analisado o documento que sustenta o plano, as medidas apresentadas na óptica do custo-benefício até são equilibradas. Dificilmente se conseguiria poupar o mesmo com menos custos sociais e há uma tentativa clara de sobrecarregar quem tem mais altos rendimentos, o que não deixa de ser de alguma forma justo.
O problema é que Sócrates não actuou quando devia. Funcionou por reacção quando já não havia mais chão para pisar. Além do mais, as previsões falharam num curto espaço de tempo o que custa muito a aceitar ao cidadão comum. Provavelmente, Teixeira dos Santos sempre soube que seria este o destino mas sacrificou a sua credibilidade e do seu Ministério em nome desta política de fachada centrada na imagem de Sócrates que, tal como previ aqui no passado, irá acabar por desencadear a sua queda.
Apesar de tudo, não deixa de ser um pouco cruel para este governo arcar com os custos desta situação que foi criada em grande parte por si, é verdade, mas que representa o maior acto de coragem politica de um governo da república dos últimos 20/25 anos. E se tem havido esta coragem no passado para acabar com os privilégios que foram sendo conquistados e reforçados por muita gente absolutamente ignóbil que por aí anda, as coisas não tinham chegado ao estado a que chegaram….

A Simbiose

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A Riqueza

Todo o dinheiro do mundo torna-se inútil quando confrontado com a efémera metáfora que é a vida.
Jeremias acreditava que não havia nada mais precioso que o Tempo, esse Bandido…..

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Party Girl – U2



Na semana em que regressam a Portugal deixo um dos meus temas preferidos dos U2, este party girl originalmente gravado em 1982.
Vi-os em Alvalade em 93 em concerto integrado numa das mais extraordinárias digressões musicais de que há memória - a Zoo TV Tour. E foi uma óptima decisão ter-me ficado por aí….

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A Idiotice

O Sporting proibiu internamente o uso de calças de ganga no âmbito de um conjunto de normas a adoptar pelos funcionários do Clube:
No meio da mais grave crise futebolística de que tenho memória fez-se finalmente luz na cabeça de quem tem dirigido o clube. Deixo outras pequenas sugestões para eventuais medidas a tomar:
  • A partir de agora, só entra no estádio quem envergar polos da lacoste com o respectivo lagarto a reluzir;
  • Os cinquenta mil fatos utilizados pelo Costinha durante a época vão ser expostos no Museu do Sporting em detrimento dos troféus conquistados ao longo dos mais de 100 anos de história do clube;
  • Paulo Sérgio vai começar a ser vestido integralmente pela Armani. Perante a sua evidente incapacidade de criar uma equipa minimamente equilibrada, tal medida torna-se a sua derradeira tentativa de exibir alguma classe pelo relvado de Alvalade;
  • Os Jogadores estão proibidos de treinar de calções evitando assim chocar a moral vigente. Muitos destes leões mansos não estranharão, de qualquer das formas já não sujavam os joelhos....
É por esta e por outras que estou quase, quase a desejar o aparecimento de um qualquer D. Sebastião de capa e espada que se candidate à presidência do clube, nem que isso represente o regresso a um presidente analfabeto e populista como Sousa Cintra, por exemplo. Já não sei o que me envergonharia mais....

Tamara de Lempicka

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Dança - Le Ballet de L'Opera de Paris

Frederick Wiseman realiza um desconcertante documentário sobre o dia-a-dia de uma das mais conceituadas escolas de ballet da Europa: a Ópera de Paris.
Mesmo para quem não é particularmente versado na nobre arte da dança, a forma precisa com que Wiseman filma faz com que reparemos em detalhes fascinantes que eram até aqui desconhecidos. Como se ouve em determinada cena numa deliciosa constatação: um bailarino tem que ser meio monge, meio boxer.
Wiseman é um realizador de documentários norte-americano de oitenta anos. Ao longo da sua já longa carreira parece que filmou hospitais, prisões, escolas, matadouros, tribunais, quartéis e teatros. Este “A Dança” deixa-me especialmente interessado em outros trabalhos do cineasta....