sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Volte-face Coelhio

Eu, tal como anunciado, estava para seguir o meu ímpeto habitual mas de há uma semana para cá que andava a reflectir com base em argumentos muito semelhantes a estes e estes.
Chamem-lhe voto de protesto ou o que mais quiserem, mas um gajo que oferece um submarino de brincar ao Paulo Portas, para ele poder meter onde desejar, merece o meu apoio. Depois, também não quero ficar com o peso na consciência de ter contribuído com um voto em branco para a inevitável maioria absoluta do professor que criou o monstro.
O Tipo pode até não saber conjugar verbos mas eu também vou votar no Coelho….

Foram Cardos Foram Prosas – Ritual Tejo


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Concurso

Ou anda tudo maluco ou efectivamente esta corrida às presidências é na verdade um concurso de tiros no próprio pé.
Cavaco, dia após dia, ataca o governo prometendo endurecer a fiscalização num hipotético novo mandato, insinuando mesmo uma crise política. Por outro lado, Alegre diz que votar em Cavaco é um perigo para a democracia.
Ora bem, assim fica difícil, do que é que um eleitorado normalmente sereno e com uma aversão crónica a instabilidades poderá gostar mais?....

Vincent Van Gogh

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O Preço da Traição

Atom Egoyan apresenta-nos este “Chloe”, assim denominado na versão original, interpretado por Julianne Moore e Liam Neeson. Baseado no argumento original de Natalie - filme francês de 2003 realizado por Anne Fontaine - conta a história de um, à primeira vista, casal perfeito. Felizes e com um filho adolescente parecem ter uma vida idílica, mas quando a mulher começa a suspeitar que o companheiro pode ter uma amante tudo muda. Assim, decide contratar uma acompanhante de nome Chloe interpretada por Amanda Seyfried, para seduzir o marido e testar a sua verdadeira lealdade. Tal acto, porém, pode vir a revelar-se um autêntico pesadelo que colocará toda a família em perigo.
Sem ser um filme grandioso, o que o torna mais marcante é sem dúvida a magnífica interpretação, mais uma vez, de Julianne Moore que não tendo demonstrado até aqui grande versatilidade, possui de facto um talento especial para este tipo de papéis de índole familiar com uma dose generosa de perversidade pelo meio….

domingo, 16 de janeiro de 2011

A Chicotada

José Eduardo Bettencourt demitiu-se da presidência do Sporting. Independentemente desse facto, importa separar o trigo do joio. JEB foi, é, um grande sportinguista. Aliás, eu seria incapaz de insultar um presidente. Treinadores e outros funcionários, talvez possa fazer sentido em determinadas circunstâncias, mas insultar quem está acima na estrutura pode resultar em situações um pouco inusitadas como esta. E depois quantos dos que insultam Bettencourt estariam dispostos a ir ganhar metade do que ganham para servir o Sporting? Não interessa se é muito ou pouco, mas ele certamente que também terá as suas obrigações familiares, como todos nós aliás.

Se acho que ele devia continuar? Só a consciência do próprio podia decidir. Deu mostras de inequívoca incompetência à frente do futebol e esta desistência era uma hipótese. A outra era ter coragem para fazer o que tinha de ser feito, o que provavelmente nunca sucederia  por  evidente falta de perfil. Dificilmente sobreviveria a mais um treinador sendo que para mim a solução ideal seria nesta fase a demissão de Paulo Sérgio. Até porque a certidão de óbito de Bettencourt foi assinada quando escolheu Paulo Sérgio para suceder a Carvalhal. Quanto a mim, a maior demonstração de incompetência deste mandato é mesmo deixar um treinador anedótico com contrato de mais ano e meio sem o conseguir convencer a bater também com a porta. Aliás, como é que perante as suas declarações de ontem em que garantiu que não se demite, Paulo Sérgio consegue dormir tranquilo? Que falta de hombridade e, já agora, de solidariedade para com quem deu 600 000 € para o contratar.

Estou convencido que irão aparecer vários candidatos à Presidência do Clube. Posso estar enganado mas parece-me que sim. Só espero é que a história que já cheira mal da auditoria geral às contas do clube seja posta definitivamente de lado, o que infelizmente acho pouco provável. As contas do clube são auditadas anualmente por entidades isentas e credenciadas. A questão é que as contas são más como na generalidade dos clubes portugueses, aliás como a KPMG refere claramente no último relatório. Chega de desenterrar fantasmas. Os Presidentes que têm passado pelo clube com todos os seus defeitos e virtudes fizeram o seu melhor. O Clube deve seguir em frente e focar-se no essencial que é construir uma grande equipa de futebol para voltar a ser respeitado. Hoje e sempre, viva o Sporting....

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Cinismo

Jeremias observava com redobrado espanto o agravamento do cinismo mais desenfreado. Espremem-se as cândidas almas, acenando-lhes com notas de ilusão. Os pacóvios fingem-se contrariados, mas no fundo adoram o festim. O último a sair que apague a luz.....

Luiz Pacheco

Monólogo do 1º Cornudo

I
Acordei num triste dia
com uns cornos bem bonitos.
E perguntei à Maria
por que me pôs os palitos.

II
Jurou por alma da mãe
com mil tretas de mulher
que era mentira. Também
inda me custava a crer...

III
Fiquei de olho espevitado
que o calado é o melhor
e para não re-ser enganado,
redobrei gozos de amor.

IV
Tais canseiras dei ao físico,
tal ardor pus nos abraços
que caí morto de tísico
com o sexo em pedaços!

V
Esperava por isto a magana?
Já previa o que se deu?...
Do Além vi-a na cama
com um tipo pior que eu!

VI
Vi-o dar ao rabo a valer
fornicando a preceito...
Sabia daquele mister
que puxa muito do peito.

VII
Foi a hora de me eu rir
que a vingança tem seus quês:
«O mais certo é pràqui vir,
inda antes que passe um mês.»

VIII
Arranjei-lhe um bom lugar
na pensão de Mestre Pedro
(onde todos vão parar
embora com muito medo...).

IX
Passava duma semana
o meu dito estava escrito
vítima daquela magana
pobre tísico, tadito!

Dueto dos 2 Comudos

X
Agora já somos dois
a espreitar de cá de cima
calados como dois bois
vendo o que faz a ladina.

XI
Meteu na cama mais gente,
um, dois, três... logo a seguir!
Não há piça que a contente
é tudo que tiver de vir!

São Pedro, indignado, pragueja

XII
- É demais!... Arre, diabo!
- berra São Pedra, sandeu.
E mortos por dar ao rabo
lá vêm eles prò Céu!

Coro, pianíssimo, lirismo nas vozes

XIII
Que morre como um anjinho
quem morre por muito amar!

Coro, agora narrativo ou explicativo

Já formamos um ranchinho
de cá de cima, a espreitar.

XIV
Passam meses, passa tempo
e a bela não se consola...
Já semos um regimento
como esses que vão prà Ingola!

(Aparte do autor das coplas: "Coitadinhos!»)

XV
Fazemos apostas lindas
sempre que vem cara nova.
Cálculos, medidas infindas
como ela terá a cova.

XVI
Há quem diga que por si
já não lhe topou o fundo...
Outros juram que era assi
do tamanho... deste Mundo!

XVII
- Parecia uma piscina!
diz um do lado, espantado.
- Nunca vi uma menina
num estado tão desgraçado!

Aparte do autor,
antigo militante das esquerdas (baixas)

XVIII
(Um estado tão desgraçado?!...
Parece-me ouvir o Povo
chorando seu triste fado
nas garras do Estado Novo!)

XIX
O último que chegou cá
morreu que nem um patego:
afogado, ieramá,
nos abismos daquele pego.

O coro dos cornudos,
acompanhado por São Pedro em surdina,
entoa a moralidade, após ter limpado as últimas lagrimetas
e suspirando como só os cornudos sabem

XX
Mulher não queiras sabida
nem com vício desusado,
que podes perder a vida
na estafa de dar ao rabo.

XXI
Escolhe donzela discreta
com os três no seu lugar.
Examina-lhe bem a greta,
não te vá ela enganar...

XXII
E depois de veres o bicho
e as maneiras que tem
a funcionar a capricho,
já sabes se te convém.

XXIII
Mulher calma, é estimá-la
como a santa no altar.
Cabra douda, é rifá-la...
- Que não venhas cá parar.

XXIV
Este conselho te dão,
e não te levam dinheiro...
os cornudos que aqui estão
com São Pedro hospitaleiro.

XXV
Invejosos quase todos
dos conos que o mundo guarda.

Fazem mais um bocado de lamentação.
(Nota do autor: «Quase», porque entretanto brincavam uns com os outros.
«Rabolices!» )

Mas se fornicas a rodos
tua vinda aqui não tarda!

Recomeça a moralidade,
estilo estão verdes, não prestam. Alguns bêbados,
cornudos despeitados ou amargurados.
Vozes pastosas. Deve ler-se: viiinho... velhiiinho...

XXVI
Melhor que a mulher é o vinho
que faz esquecer a mulher...
que faz dum amor já velhinho
ressurgir novo prazer.

Finale, muito católico

XXVII
Assim termina o lamento
pois recordar é sofrer.
Ama e fode. É bom sustento!
E por nós reza um pater.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O Perfeito Clone

José Manuel Coelho categórico joga ao ataque. O candidato da Nova Democracia às presidenciais afirma perentoriamente que é o José Mourinho da politica portuguesa. Bem precisamos. Mourinho representa mais e melhor Portugal no mundo que Cavaco, Sócrates, Alegre e Durão Barroso juntos.....

A Bracara Augusta

domingo, 9 de janeiro de 2011

Eu Voto Branco (parte IV)

No dia em que arranca a campanha eleitoral, para terminar a saga das três eleições ocorridas em 2009 (europeias, legislativas e autárquicas) só falta mesmo declarar a minha irrepreensível brancura também ao nível das Presidenciais.
O lugar de Presidente da República é em si mesmo ambíguo e um pouco vazio. Se por exemplo nestes tempos de vacas magras aparecesse algum qualquer iluminado a reivindicar uma revisão constitucional que pura e simplesmente acabasse com a figura e o séquito que a rodeia, não me pareceria completamente disparatado. Além do necessário controlo efectivo que é efectuado aos governos, não me ocorre mais nenhuma atribuição essencial subjacente ao cargo que não pudesse ser levada a cabo pelos próprios Executivos.

Nas últimas presidenciais votei Soares e acho que foi a última vez que não votei branco. Fi-lo por uma questão de dívida de gratidão. Coisas da minha geração, sendo que a recandidatura de Soares foi preconceituosamente mal interpretada pela população portuguesa que acha que uma pessoa aos 80 anos tem que ir para casa cuidar da lenha para a lareira, tal como o Manuel de Oliveira faz, só para dar um exemplo.

Relativamente aos actuais candidatos, há desilusões, confirmações e surpresas:
Cavaco é igual a Cavaco. Anda há trinta anos em lugares de topo e acha (e pelos vistos o povo também) que não tem qualquer responsabilidade no estado a que isto chegou. No período de dez anos em que não teve funções de Estado entreteve-se a multiplicar os seus rendimentos (seus e dos familiares directos, assinale-se) através de negociatas promovidas por aqueles a quem tinha anteriormente facultado acesso aos corredores do poder. Cavaco é portanto um exemplo da Portugalidade mais genuína. É amigo do seu amigo. Em público gosta de aparentar um carácter muito austero, muito rigoroso, bem exemplificado pela jogada inteligente de abdicar dos onerosos outdoors de campanha. Em privado, bora lá comprar as acções a preço de amigo ao companheiro Oliveira e Costa.
De Manuel Alegre já falei diversas vezes. É figura a quem para mim falta credibilidade. Falta um fio condutor no seu percurso e por isso não me inspira confiança. É um aristocrata severo com laivos de humildade. Sempre teve peso a mais dentro do PS e não merece a relevância que tem na opinião pública. O seu lirismo quando confrontado com o instinto político de Cavaco perde aos pontos. Mas entre Alegre e Cavaco preferia claramente o poeta, mesmo que a sua poesia me cheire a intrujice.
Fernando Nobre é um bom candidato. Aliás se votasse em alguém, votaria provavelmente nele. Tem um argumento quanto a mim imbatível. Não tem ligações profissionais a esta corja que nos tem desgovernado ao longo dos anos e que fez do tráfico de influências a razão de ser de um País. Tem experiência de vida assinalável debaixo de condições difíceis. Conhece os problemas reais das pessoas. É corajoso. Não se acobardaria diante dos poderes instituídos. Contudo, a sua campanha está a deixar um pouco a desejar. Tem falhado num aspecto essencial que é a adequação do seu discurso ao lugar a que se candidata. Dá a entender que conhece mal as funções - essencialmente decorativas é verdade - que estão destinadas a um Presidente da República. O seu discurso faria mais sentido se tivesse na génese de um novo partido político.
Do candidato da CDU não há muito a dizer. Francisco Lopes faz o papel que outro qualquer militante faria. O facto de se sair razoavelmente bem em televisão poderá abrir-lhe no futuro algumas portas na organização comunista.
Defensor de Moura cumpre provavelmente um sonho de criança e no fundo usufrui de um direito consignado a qualquer cidadão maior de 35 anos. E no distrito de Viana do Castelo é bem capaz de ter meia-dúzia de votos.
José Manuel Coelho é o candidato surpresa e vale bem a pena ouvi-lo. Não traz nada de novo no discurso, é verdade, mas só o facto de ser uma voz permanentemente incómoda no reinado de João Jardim na Madeira já é suficiente para ser merecedor de respeito. E depois, como não tem quaisquer amarras ao politicamente correcto que nos tem enterrado ao longo dos anos, sempre vai espetando algumas farpas bem direccionadas.

No fim de tudo isto como há muito enunciei ganha Cavaco, porque o Portugal Real continua a gostar de gente assim. Triste e sem chama. Para o Portugal Real aquele discurso sorumbático continua a ser inspirador e referência de confiança. O Portugal Real continua a imaginar que fica mais seguro se o presidente da república manter o discurso, a pose, o conservadorismo e a aparente honestidade do pacato funcionário da repartição de finanças local que já lá trabalha vai para 30 anos....

She sells Sanctuary – The Cult

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Optimista

A perspectiva optimista/pessimista do copo meio cheio/meio vazio no início de mais um ano tornou-se corriqueira, aborrecida e demasiado simplista.
Para mim, o pessimista é o gajo que bebe uma garrafa do melhor rum cubano e no fim lamenta ter acabado. O optimista bebe igualmente toda a garrafa, contudo consegue manter a sobriedade suficiente para a imaginar ainda cheia.....

Salvador Dalí

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Anna

Na sequência desta empreitada cinematográfica, deixo mais uma pujante Curta que integrou "Cada um o seu cinema" composto por 32 filmes com a duração de 3 minutos que serviu de homenagem aos 60 anos do festival de Cannes.
Desta vez fica “Anna”, a singular contribuição de Alejandro González Iñarritu para a celebração do festival francês. E os alicerces da sua visão de cinema estão todos aqui. É um pequeno filme intensíssimo, no mínimo….



No Barrote...

Não sou um adepto de Paulo Sérgio, das desculpabilizações inusitadas, e muito menos do nível exibicional patenteado por este Sporting, mas a tendência para acertar nos barrotes das balizas é deveras impressionante. A estatística diz que só Postiga já leva 7 bolas nos postes e barras esta época, contra apenas 6 golos marcados curiosamente. Ou seja acerta mais vezes nos ferros do que na baliza, o que é bem mais difícil. No total o Sporting já leva com 20 bolas nos barrotes (em jogos oficiais, não contando com jogos particulares) das quais 10 foram no Campeonato. E pelo que deu para ver do jogo de ontem contra a Naval, a saga é para continuar em 2011....

domingo, 2 de janeiro de 2011

Os Votos

Jeremias deseja um Bom Ano Novo para quem vá continuando a cometer a insensatez de passar por aqui....

O 2011

As previsões mais optimistas variam entre a catástrofe, a hecatombe e o apocalipse. Jeremias como nunca foi homem de verdades absoluta paga para ver.....

As casas

As casas habitadas são belas
se parecem ainda uma casa vazia
sem a pretensão de ocupá-las
tornam-se ténues disposições
os sinais da nossa presença:
um livro
a roupa que chegou da lavandaria
por arrumar em cima da cama
o modo como toda a tarde a luz foi
entregue ao seu silêncio

Em certos dias, nem sabemos porquê
sentimo-nos estranhamente perto
daquelas coisas que buscamos muito
e continuam, no entanto, perdidas
dentro da nossa casa

José Tolentino Mendonça