segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Indomável

O último Cohen é brilhante. Quando me refiro ao último Cohen obviamente que o que está em causa é o mais recente filme de Ethan e Joel Coen.
Indomável, com Jeff Bridges como grande candidato ao óscar no papel de Rooster Cogburn, conta ainda com as assinaláveis presenças de Hailee Steinfeld e do versátil Matt Damon. O filme recupera uma história clássica dos westerns em que uma filha procura vingança pelo assassinato do pai.
Com 10 nomeações para os Óscares antevejo grande estardalhaço à volta deste filme, aposto que nem sempre pelos motivos certos.
Tem boas interpretações, de bons actores, sem contudo serem memoráveis. É verdade. Recupera um estilo – o Western – que ultimamente andava um bocado votado ao abandono abrindo-lhe novos caminhos, outra verdade. No entanto o que mais me agradou nesta última criação dos irmãos Cohen é o regresso a uma cintilante ironia que já não se encontrava há algum tempo nos filmes da dupla. Como que por magia, cada palavra aparece cirurgicamente colocada no sítio certo. Como se o cinema excepcional que ambos respiram fosse simples de fazer e não desse trabalho algum….

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Utente Supersónico

Por causa deste delicioso, mas lamentável, acontecimento:
Armando Vara passou à frente de utentes de centro de saúde.
Recupero os 5 episódios da saga lançada aqui no Hipocrisias intitulada O Carreirista Supersónico: I, II, III, IV e V.
Um Bom Fim de Semana....

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Guerra

Quem vai à guerra, dá e leva. Jeremias gostava de se aviar em terra.
Perdia eternidades a remoer traições e a conjecturar cenários maquiavélicos porque sabia que à esquina, o punhal perduraria afiado para a última e derradeira facada. Por vezes, sentia-se preso a uma angústia avassaladora e interminável, no entanto tinha a consciência que trabalhava no sentido de estar preparado para todas as contingências.
Jeremias sabia por experiência própria que a guerra não era pra meninos…..

Meus Pensamentos são Nómadas

Meus pensamentos são nómadas
e vagarosos
como a água que vem da montanha
e não sabe nada
do coração dos homens. O meu, por exemplo,
tem a leveza do vento
e corre para casa como se fosse
um cão que precede
os passos do dono.

Casimiro de Brito

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A Imbecilidade

Jeremias há muito que lidava diariamente com mentes mesquinhas, medíocres, bajuladoras e doentias. O que Jeremias não sabia era que a imbecilidade era contagiosa. O mundo de Jeremias estava repleto de vírus maléficos…..

A Obra-Prima

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A Geração

Já fui da geração rasca, da geração à rasca, da geração disto e daquilo e ainda só ando pelos trintas.
A discussão só me interessa do ponto de vista sociológico, nada mais que isso. Isto porque as novas gerações, muito por culpa própria, tornaram-se bem mais cínicas que as anteriores, apesar de terem acesso a outros níveis de informação. A cultura de facilitismo que se vive nas sociedades actuais faz com que os filhos se tornem, em muitos casos, mais perigosos e mais cretinos que os próprios pais. A questão é que dantes as pessoas eram ignorantes e tinham essa consciência. Hoje continuam a ser ignorantes, mas pensam que sabem muito. Hoje em dia toda a gente se acha tendencialmente o máximo, e isso torna-se um problema numa sociedade onde proliferam os compadrios, as cunhas e o tráfico de influências.

Por outro lado a precariedade nas relações laborais é uma realidade que se tem vindo a agravar ao longo dos anos. Relativamente a isso não há dúvidas. Portugal desde Roberto Carneiro que está a pagar o preço por uma imprudente ambição desmedida e pelo desfasamento existente ao nível dos diversos factores económicos. O crescimento sustentado para nós nunca passou de uma miragem, muito por culpa dos políticos e das políticas que temos tido.
A questão fulcral é que vivemos num País que pouca ou nenhuma riqueza cria e, como consequência dessa situação, o cenário é inevitavelmente negro.

O facto de uma malta bem bebida num dia de fim-de-semana à noite ter achado piada a uma letra (até um bocado primária, diga-se) de uma qualquer música apresentada pela primeira vez, não é coisa que me comova por aí além. Ainda para mais em concertos para os quais, presumo, os bilhetes nem eram baratos. E que se localizaram em algumas das principais salas de espectáculos das duas mais desenvolvidas cidades do País.

A Geração que está verdadeiramente lixada é aquela que, sem óbvias perspectivas de vida, há muito morre ao abandono, vitima de uma coisa que se convencionou chamar envelhecimento da população e que, agora de repente, todos se lembraram de falar....

Bairro do Oriente – Rui Veloso

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O Egipto

Sopram ventos de mudança pela África Setentrional. Depois da Tunísia, o Egipto, e outros provavelmente se seguirão.
As amarras ditatoriais acabam sempre por ceder. Por vezes demora muito, muito, tempo demais….mas nunca ninguém conquistou poder discricionário suficiente para impedir o sol de nascer….

Edward Hopper

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Bom Soldado

Realizado pelo japonês Koji Wakamatsu que vê agora finalmente a sua obra reconhecida na Europa é um filme sobre tudo e sobre nada pois existe alguma descontinuidade nos universos que pretende abordar. O que não é obrigatoriamente depreciativo, assinale-se. Acima de tudo, é um improvável filme de guerra, apesar de numa análise mais superficial poder não parecer.
Os efeitos da guerra no Japão imperial são abordados na perspectiva de um relacionamento conjugal entre o tenente Kurokawa (Keigo Kasuya) que regressa à aldeia de origem condecorado e cheio de insígnias, mas surdo, mudo e com pernas e braços amputados e Shigeko (Shinobu Terajima), a jovem mulher do tenente, que de acordo com o convencionado deve honrar o Japão cumprindo o seu dever ao devotar a vida a um ex-combatente que, apesar de desfigurado e dependente não deixa de ser um herói. Acontece que à medida que o tempo vai passando, a relação entre ambos caminha perigosamente para um doentio jogo de poder baseado em obsessões várias.
Caterpillar - nome na versão original - funciona bem como catarse para as memórias de guerra de um País martirizado e tem o mérito de desvendar sem contemplações o que são verdadeiros traumas de guerra….

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Censura

O Bloco de Esquerda anunciou hoje a apresentação de uma moção de censura ao governo. Numa altura em que se deviam cerrar fileiras, censura-se porque fica bem contestar mesmo não fazendo a mais pequena ideia do que se pretende com tal iniciativa, como é manifestamente o caso.
Se o Governo vier a cair, será desta que Chico Louça fugirá para a Sibéria onde provavelmente encontrará o local ideal para viver....

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

As Algemas da Minha Memória

Levanto-me ensonada. Tive uma noite complicada e desgastante. Primeiro foi aquela sessão com o casal gay mexicano. Depois aqueles alemães nojentos que puxaram por mim até à exaustão. A vida não está fácil. Para quando a criação de um sindicato das algemas, pergunto? Podíamos fazer como a polícia marcando uma manifestação para o terreiro do paço que é coisa que sempre me impressionou. Aliás, a Policia é uma classe com a qual temos um relacionamento profissional privilegiado. Digamos que andam sempre comigo à cintura. Maior proximidade é difícil.

A vida para as algemas está mesmo decadente. As condições são péssimas. Agora querem-nos tirar o subsídio de transporte que me permitia deslocar de serviço para serviço. Como conseguirei a partir de agora ajudar a prender bandidos e gravar filmes pornográficos, tudo numa mesma noite? É que pelo meio tenho de ter tempo para reconverter a imagem. Não posso ir prender os gatunos de casaco de peles vestido.
Dantes é que era. As coisas corriam muito melhor. Tínhamos rendimentos equilibrados. Agora nunca se sabe o que esperar no fim do mês. Bons tempos esses, mas o melhor é não libertar a minha memória....

A vida sem palavras

Entre riso e sangue,
cabeça e espada,
entrada e saída,
flor e escarro,
sempre a vida,
a vida sem mais nada,
entre estrela e barro.

Entre homens e bichos,
entre rua e escadas,
entre grito e nojo,
a vida com seus lixos
e mãos violadas,
entre mar e tojo.

Entre uivo e poema,
entre trégua e luta,
vida no cinema,
no café, na cama,
vida absoluta.

António Rebordão Navarro

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Calvário

Paulo Sérgio e Costinha deviam demitir-se de imediato. Agora, isso é uma questão que só o íntimo deles poderá responder. Paulo Sérgio está a ser teimoso. E tal posição torna-se prejudicial inclusive para a sua carreira. Por outro lado, Costinha até pode dar um bom director desportivo no futuro mas o actual Sporting, que até aceito ser o seu clube de coração, não é de todo o clube ideal para ir adquirindo experiência…

O Arco-íris

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O Populismo

Um tipo com os meus princípios, ou melhor com aquilo que entendo serem os meus princípios, dificilmente poderia ceder a um discurso tendencialmente demagogo. Pois bem, meus caros e minhas caras, estou farto de project finances, de reestruturações organizacionais e raios que os partam a todos.

Nem vou querer saber se o dinheiro vem de Angola, das Arábias, ou do tráfico de Periquitos. Eu quero é Craques que joguem à bola e que me levem a festejar Vitórias. Venha o Populismo......

Katsushika Hokusai