Sócrates prepara o terreno para a demissão através de uma estratégia de vitimização. E agora Professor Cavaco? Apelar à rebelião é uma chatice! A Constituição devia obrigar Cavaco Silva a governar, dando-lhe assim muito justamente oportunidade para acabar de enterrar o País moribundo. Recorde-se que foi ele que começou a abrir a cova em 6 de Novembro de 1985 quanto tomou posse a primeira vez como Primeiro-Ministro de Portugal. Isso sim, seria uma política de responsabilização efectiva…..
segunda-feira, 14 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
A Manifestação
Jeremias solidariza-se com todas as formas de reivindicação desde que não envolvam qualquer tipo de violência. Contudo, como já não tem perfil nem paciência para tais façanhas, não contem com ele para passear bandeiras e entoar cânticos giros. Mais depressa, Jeremias pegaria em armas com o objectivo de fazer uma revolução a sério que afastasse do poder os cretinos que somente ambicionam o poder pelo poder….
Praia do Esquecimento
Fujo da sombra; cerro os olhos: não há nada.
A minha vida nem consente
rumor de gente
na praia desolada.
Apenas decisão de esquecimento:
mas só neste momento eu a descubro
como a um fruto rubro
de que, sem já sabê-lo, me sustento.
E do Sol amarelo que há no céu
somente sei que me queimou a pele.
Juro: nem dei por ele
quando nasceu.
David Mourão-Ferreira
A minha vida nem consente
rumor de gente
na praia desolada.
Apenas decisão de esquecimento:
mas só neste momento eu a descubro
como a um fruto rubro
de que, sem já sabê-lo, me sustento.
E do Sol amarelo que há no céu
somente sei que me queimou a pele.
Juro: nem dei por ele
quando nasceu.
David Mourão-Ferreira
quinta-feira, 10 de março de 2011
O Manual
Consta por aí que Passos Coelho tem um manual para governar o País. Dava jeito que no meio da grave crise económica que atravessamos fosse um manual de instruções personalizado para cada cidadão. Assim, antes de sairmos diariamente de casa iríamos ler a recomendação que, com base na sua imensa sabedoria, Pedro Passos nos havia preparado. Teríamos nas nossas vidinhas um guia espiritual acima de qualquer suspeita.
Depois da ambição doentia de Sócrates, abram alas para a palermice aguçada de Passos Coelho. O Circo vai girar mas a macacada mantém-se activa.
Entretanto, Chico Louça continua a tripar. Depois de mostrar ao país como se pode perder toda a credibilidade adquirida durante anos num ápice, agora diz que o futuro nos trará um governo PS-PSD. Pelos vistos, não leu o Manual…
Depois da ambição doentia de Sócrates, abram alas para a palermice aguçada de Passos Coelho. O Circo vai girar mas a macacada mantém-se activa.
Entretanto, Chico Louça continua a tripar. Depois de mostrar ao país como se pode perder toda a credibilidade adquirida durante anos num ápice, agora diz que o futuro nos trará um governo PS-PSD. Pelos vistos, não leu o Manual…
terça-feira, 8 de março de 2011
A Luta
Mais vale ver uns homens na Luta, mesmo que essa luta seja fictícia, do que observar continuamente amostras de seres humanos a digladiarem-se por migalhas de um inebriante poder....
domingo, 6 de março de 2011
O Debate
Não houve nenhuma revelação bombástica mas foi esclarecedor em muitos aspectos o debate de ontem à noite com os candidatos a presidente do Grande Sporting. Para mim, houve claramente dois vencedores: Bruno de Carvalho e Dias Ferreira e dois derrotados: Pedro Baltazar e Zeferino Boal, sendo que deste segundo, já pouco se esperava. A ideia do asilo na Academia é de facto Leonina.
Relativamente a Bruno de Carvalho é sem dúvida o candidato da nova geração de adeptos blogosféricos e das redes sociais. Aliás tem muitas semelhanças com os adeptos do teclado onde realisticamente também me incluo: afirma, analisa, especula, avança com soluções, muitas vezes sem ter a real dimensão dos problemas. É dinâmico e ambicioso. Pareceu-me demasiado agressivo para Godinho Lopes mas como lê muitos blogues está perdoado. Tenho algum receio que todo aquele ímpeto esconda alguma impreparação para o lugar. De qualquer das formas está a marcar pontos e se não for lá desta vez é um putativo presidente de futuro. As suas aspirações actuais podem ficar definitivamente comprometidas se apresentar um Leonardo Jardim qualquer para treinador, isto atendendo a que deu a entender que poderia avançar com uma solução portuguesa para treinar a equipa de futebol.
Godinho Lopes parece-me ter o projecto a apresentar aos sócios bem estruturado o que dá alguma credibilidade à coisa. Fez bem em não enveredar pelo ataque pessoal, fugindo ao isco deitado por Bruno de Carvalho, e ao pôr o seu projecto à disposição do futuro presidente caso perca, mas esteve quanto a mim mal quando demonstrou desconhecer o nome do adversário num acto de snobismo evitável. A sua lista tem evidentes fragilidades mas o candidato demonstra algumas competências importantes para o lugar. Parece conhecer bem o terreno que pisa. Contra sim tem também a assumida responsabilidade pela construção de um Estádio com evidentes lacunas.
Dias Ferreira está a ganhar pontos porque no mais importante que é o futebol apresenta um projecto coerente. Quer se queira, quer não uma equipa com Dias Ferreira, Futre, Rijkaard e Oceano tem muitos kilómetros de balneário nas pernas. É tudo gente que fala a mesma língua e isso pode ser aspecto fundamental para o êxito desportivo. Obviamente que como homem da comunicação social, sendo ainda para mais o debate na Sic Notícias, mostrou-se mais à vontade que os restantes candidatos.
Pedro Baltazar foi uma desilusão completa e depois deste debate duvido que chegue às eleições. Por vezes as dificuldades pontuais em comunicar desvirtuam certas avaliações que fazemos mas fiquei com a sensação que estava perante um clone de Santana Lopes o que significa que estaria perante uma atroz incompetência. Nem na opção Zico, que me parecia uma boa solução, soube ser assertivo.
Abrantes foi sério, ponderado, e o candidato que demonstrou maior paixão. Acontece que nos tempos que correm, felizmente ou infelizmente, isso já não é o mais importante.
Como curiosidade fica o facto de quase todos os candidatos de início afirmarem que se deve desvalorizar em termos mediáticos a crise financeira, porque não é essa a essência do clube, e no decorrer do debate todos acabarem por recorrer a ela para justificar uma ou outra ideia.
Fica também como aspecto positivo a grande dignidade com que o debate ocorreu, sem ninguém exigir as propagadas auditorias que aliás são desnecessárias. As contas são infelizmente péssimas mas reflectem a realidade do clube.
O tom cordato com que decorreu um debate com 6 candidatos, com uma ou outra acusação mais viva sem grandes consequências, prova que o Sporting é de facto um clube diferente. Não acredito que essa elevação fosse mantida caso fossem outros clubes grandes de Portugal a estar nestas condições.
Continuo convencido que no final teremos apenas 4 candidatos. Ou seja provavelmente abdicarão dois ainda, o que poderá ajudar a definir melhor as posições. A esse nível pareceu-me que Dias Ferreira poderá vir a beneficiar de alguma desistência mas poderá também ser outro o beneficiado. É uma incógnita. A ver vamos. O meu voto vale muito pouco, mas é altamente escrupuloso relativamente aos projectos delineados e inevitavelmente exigente com o nome do treinador a apresentar...
Relativamente a Bruno de Carvalho é sem dúvida o candidato da nova geração de adeptos blogosféricos e das redes sociais. Aliás tem muitas semelhanças com os adeptos do teclado onde realisticamente também me incluo: afirma, analisa, especula, avança com soluções, muitas vezes sem ter a real dimensão dos problemas. É dinâmico e ambicioso. Pareceu-me demasiado agressivo para Godinho Lopes mas como lê muitos blogues está perdoado. Tenho algum receio que todo aquele ímpeto esconda alguma impreparação para o lugar. De qualquer das formas está a marcar pontos e se não for lá desta vez é um putativo presidente de futuro. As suas aspirações actuais podem ficar definitivamente comprometidas se apresentar um Leonardo Jardim qualquer para treinador, isto atendendo a que deu a entender que poderia avançar com uma solução portuguesa para treinar a equipa de futebol.
Godinho Lopes parece-me ter o projecto a apresentar aos sócios bem estruturado o que dá alguma credibilidade à coisa. Fez bem em não enveredar pelo ataque pessoal, fugindo ao isco deitado por Bruno de Carvalho, e ao pôr o seu projecto à disposição do futuro presidente caso perca, mas esteve quanto a mim mal quando demonstrou desconhecer o nome do adversário num acto de snobismo evitável. A sua lista tem evidentes fragilidades mas o candidato demonstra algumas competências importantes para o lugar. Parece conhecer bem o terreno que pisa. Contra sim tem também a assumida responsabilidade pela construção de um Estádio com evidentes lacunas.
Dias Ferreira está a ganhar pontos porque no mais importante que é o futebol apresenta um projecto coerente. Quer se queira, quer não uma equipa com Dias Ferreira, Futre, Rijkaard e Oceano tem muitos kilómetros de balneário nas pernas. É tudo gente que fala a mesma língua e isso pode ser aspecto fundamental para o êxito desportivo. Obviamente que como homem da comunicação social, sendo ainda para mais o debate na Sic Notícias, mostrou-se mais à vontade que os restantes candidatos.
Pedro Baltazar foi uma desilusão completa e depois deste debate duvido que chegue às eleições. Por vezes as dificuldades pontuais em comunicar desvirtuam certas avaliações que fazemos mas fiquei com a sensação que estava perante um clone de Santana Lopes o que significa que estaria perante uma atroz incompetência. Nem na opção Zico, que me parecia uma boa solução, soube ser assertivo.
Abrantes foi sério, ponderado, e o candidato que demonstrou maior paixão. Acontece que nos tempos que correm, felizmente ou infelizmente, isso já não é o mais importante.
Como curiosidade fica o facto de quase todos os candidatos de início afirmarem que se deve desvalorizar em termos mediáticos a crise financeira, porque não é essa a essência do clube, e no decorrer do debate todos acabarem por recorrer a ela para justificar uma ou outra ideia.
Fica também como aspecto positivo a grande dignidade com que o debate ocorreu, sem ninguém exigir as propagadas auditorias que aliás são desnecessárias. As contas são infelizmente péssimas mas reflectem a realidade do clube.
O tom cordato com que decorreu um debate com 6 candidatos, com uma ou outra acusação mais viva sem grandes consequências, prova que o Sporting é de facto um clube diferente. Não acredito que essa elevação fosse mantida caso fossem outros clubes grandes de Portugal a estar nestas condições.
Continuo convencido que no final teremos apenas 4 candidatos. Ou seja provavelmente abdicarão dois ainda, o que poderá ajudar a definir melhor as posições. A esse nível pareceu-me que Dias Ferreira poderá vir a beneficiar de alguma desistência mas poderá também ser outro o beneficiado. É uma incógnita. A ver vamos. O meu voto vale muito pouco, mas é altamente escrupuloso relativamente aos projectos delineados e inevitavelmente exigente com o nome do treinador a apresentar...
sexta-feira, 4 de março de 2011
I Travelled 9.000 km to Give it to You
Dando continuidade à saga cada um o seu cinema, deixo a Curta com que Wong Kar-Wai participou no filme que serviu de comemoração aos 60 anos do Festival de Cannes. Inconfundível, é a palavra que melhor a define….
quarta-feira, 2 de março de 2011
O Contribuinte Exemplar
Vivia, não porque fizesse grande questão nisso, mas porque se porventura falecesse não tinha ninguém para lhe pagar os impostos....
Soneto Inglês
Como o silêncio do punhal num peito,
O silêncio do sangue a converter
Em fio breve o coração desfeito
Que nas pedras acaba de morrer,
Vive em mim o teu nome, tão perfeito
Que mais ninguém o pode conhecer!
É a morte que vivo e não aceito;
É a vida que espero não perder.
Viver a vida e não viver a morte;
Procurar noutros olhos a medida,
Vencer o tempo, dominar a sorte,
Atraiçoar a morte com a vida!
Depois morrer de coração aberto
E no sangue o teu nome já liberto...
Alexandre O´Neill
O silêncio do sangue a converter
Em fio breve o coração desfeito
Que nas pedras acaba de morrer,
Vive em mim o teu nome, tão perfeito
Que mais ninguém o pode conhecer!
É a morte que vivo e não aceito;
É a vida que espero não perder.
Viver a vida e não viver a morte;
Procurar noutros olhos a medida,
Vencer o tempo, dominar a sorte,
Atraiçoar a morte com a vida!
Depois morrer de coração aberto
E no sangue o teu nome já liberto...
Alexandre O´Neill
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Graças a Deus
Como diria o Padre Vítor Melícias, confesso Sportinguista, graças a Deus. Eu apesar de Ateu, corroboro. A Euforia dá-me para isto...
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
A Cultura
Como não me apetece falar de futebol faço aqui a minha vénia aos adeptos do Glasgow Rangers. No passado fim de semana levaram 3 a zero do eterno rival Celtic e mesmo assim invadiram Lisboa enchendo as principais artérias da cidade e o Alvalade XXI de cor, alegria e claro muita, muita cerveja. Até o sol ajudou. É realmente outra cultura….
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
A Superficialidade
Jeremias olhava para aquela vivacidade estonteante e pensava no bom que seria desconhecer os meandros da maldita consciência....
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
O Ridículo
Sou adepto do clube mais ridículo do mundo com os adeptos mais malucos do mundo, o que me leva a pensar que terei tomado a decisão certa.
Indo por partes, não morro de amores pela figura mas desta vez revejo-me inteiramente nestas palavras:
Indo por partes, não morro de amores pela figura mas desta vez revejo-me inteiramente nestas palavras:
Depois, além de termos gajos que gostam de distribuir fruta pelas forças policiais, temos ainda na agremiação adeptos que escrevem pérolas como estas:
Sabereis também que, no vasto mundo lá fora, Mubarak se demitiu antes de Paulo Sérgio, embora do ponto de vista humanitário os pretextos para as respectivas demissões sejam equivalentes.
Hélder Postiga encara a armadilha do fora-de-jogo como uma tecnologia misteriosa proveniente de uma civilização superior: como se não houvesse nada a fazer....Sabereis também que, no vasto mundo lá fora, Mubarak se demitiu antes de Paulo Sérgio, embora do ponto de vista humanitário os pretextos para as respectivas demissões sejam equivalentes.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Indomável
O último Cohen é brilhante. Quando me refiro ao último Cohen obviamente que o que está em causa é o mais recente filme de Ethan e Joel Coen.
Indomável, com Jeff Bridges como grande candidato ao óscar no papel de Rooster Cogburn, conta ainda com as assinaláveis presenças de Hailee Steinfeld e do versátil Matt Damon. O filme recupera uma história clássica dos westerns em que uma filha procura vingança pelo assassinato do pai.
Com 10 nomeações para os Óscares antevejo grande estardalhaço à volta deste filme, aposto que nem sempre pelos motivos certos.
Tem boas interpretações, de bons actores, sem contudo serem memoráveis. É verdade. Recupera um estilo – o Western – que ultimamente andava um bocado votado ao abandono abrindo-lhe novos caminhos, outra verdade. No entanto o que mais me agradou nesta última criação dos irmãos Cohen é o regresso a uma cintilante ironia que já não se encontrava há algum tempo nos filmes da dupla. Como que por magia, cada palavra aparece cirurgicamente colocada no sítio certo. Como se o cinema excepcional que ambos respiram fosse simples de fazer e não desse trabalho algum….
Indomável, com Jeff Bridges como grande candidato ao óscar no papel de Rooster Cogburn, conta ainda com as assinaláveis presenças de Hailee Steinfeld e do versátil Matt Damon. O filme recupera uma história clássica dos westerns em que uma filha procura vingança pelo assassinato do pai.
Com 10 nomeações para os Óscares antevejo grande estardalhaço à volta deste filme, aposto que nem sempre pelos motivos certos.
Tem boas interpretações, de bons actores, sem contudo serem memoráveis. É verdade. Recupera um estilo – o Western – que ultimamente andava um bocado votado ao abandono abrindo-lhe novos caminhos, outra verdade. No entanto o que mais me agradou nesta última criação dos irmãos Cohen é o regresso a uma cintilante ironia que já não se encontrava há algum tempo nos filmes da dupla. Como que por magia, cada palavra aparece cirurgicamente colocada no sítio certo. Como se o cinema excepcional que ambos respiram fosse simples de fazer e não desse trabalho algum….
sábado, 19 de fevereiro de 2011
O Utente Supersónico
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
A Guerra
Quem vai à guerra, dá e leva. Jeremias gostava de se aviar em terra.
Perdia eternidades a remoer traições e a conjecturar cenários maquiavélicos porque sabia que à esquina, o punhal perduraria afiado para a última e derradeira facada. Por vezes, sentia-se preso a uma angústia avassaladora e interminável, no entanto tinha a consciência que trabalhava no sentido de estar preparado para todas as contingências.
Jeremias sabia por experiência própria que a guerra não era pra meninos…..
Perdia eternidades a remoer traições e a conjecturar cenários maquiavélicos porque sabia que à esquina, o punhal perduraria afiado para a última e derradeira facada. Por vezes, sentia-se preso a uma angústia avassaladora e interminável, no entanto tinha a consciência que trabalhava no sentido de estar preparado para todas as contingências.
Jeremias sabia por experiência própria que a guerra não era pra meninos…..
Meus Pensamentos são Nómadas
Meus pensamentos são nómadas
e vagarosos
como a água que vem da montanha
e não sabe nada
do coração dos homens. O meu, por exemplo,
tem a leveza do vento
e corre para casa como se fosse
um cão que precede
os passos do dono.
Casimiro de Brito
e vagarosos
como a água que vem da montanha
e não sabe nada
do coração dos homens. O meu, por exemplo,
tem a leveza do vento
e corre para casa como se fosse
um cão que precede
os passos do dono.
Casimiro de Brito
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
A Imbecilidade
Jeremias há muito que lidava diariamente com mentes mesquinhas, medíocres, bajuladoras e doentias. O que Jeremias não sabia era que a imbecilidade era contagiosa. O mundo de Jeremias estava repleto de vírus maléficos…..
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
A Geração
Já fui da geração rasca, da geração à rasca, da geração disto e daquilo e ainda só ando pelos trintas.
A discussão só me interessa do ponto de vista sociológico, nada mais que isso. Isto porque as novas gerações, muito por culpa própria, tornaram-se bem mais cínicas que as anteriores, apesar de terem acesso a outros níveis de informação. A cultura de facilitismo que se vive nas sociedades actuais faz com que os filhos se tornem, em muitos casos, mais perigosos e mais cretinos que os próprios pais. A questão é que dantes as pessoas eram ignorantes e tinham essa consciência. Hoje continuam a ser ignorantes, mas pensam que sabem muito. Hoje em dia toda a gente se acha tendencialmente o máximo, e isso torna-se um problema numa sociedade onde proliferam os compadrios, as cunhas e o tráfico de influências.
Por outro lado a precariedade nas relações laborais é uma realidade que se tem vindo a agravar ao longo dos anos. Relativamente a isso não há dúvidas. Portugal desde Roberto Carneiro que está a pagar o preço por uma imprudente ambição desmedida e pelo desfasamento existente ao nível dos diversos factores económicos. O crescimento sustentado para nós nunca passou de uma miragem, muito por culpa dos políticos e das políticas que temos tido.
A questão fulcral é que vivemos num País que pouca ou nenhuma riqueza cria e, como consequência dessa situação, o cenário é inevitavelmente negro.
O facto de uma malta bem bebida num dia de fim-de-semana à noite ter achado piada a uma letra (até um bocado primária, diga-se) de uma qualquer música apresentada pela primeira vez, não é coisa que me comova por aí além. Ainda para mais em concertos para os quais, presumo, os bilhetes nem eram baratos. E que se localizaram em algumas das principais salas de espectáculos das duas mais desenvolvidas cidades do País.
A Geração que está verdadeiramente lixada é aquela que, sem óbvias perspectivas de vida, há muito morre ao abandono, vitima de uma coisa que se convencionou chamar envelhecimento da população e que, agora de repente, todos se lembraram de falar....
A discussão só me interessa do ponto de vista sociológico, nada mais que isso. Isto porque as novas gerações, muito por culpa própria, tornaram-se bem mais cínicas que as anteriores, apesar de terem acesso a outros níveis de informação. A cultura de facilitismo que se vive nas sociedades actuais faz com que os filhos se tornem, em muitos casos, mais perigosos e mais cretinos que os próprios pais. A questão é que dantes as pessoas eram ignorantes e tinham essa consciência. Hoje continuam a ser ignorantes, mas pensam que sabem muito. Hoje em dia toda a gente se acha tendencialmente o máximo, e isso torna-se um problema numa sociedade onde proliferam os compadrios, as cunhas e o tráfico de influências.
Por outro lado a precariedade nas relações laborais é uma realidade que se tem vindo a agravar ao longo dos anos. Relativamente a isso não há dúvidas. Portugal desde Roberto Carneiro que está a pagar o preço por uma imprudente ambição desmedida e pelo desfasamento existente ao nível dos diversos factores económicos. O crescimento sustentado para nós nunca passou de uma miragem, muito por culpa dos políticos e das políticas que temos tido.
A questão fulcral é que vivemos num País que pouca ou nenhuma riqueza cria e, como consequência dessa situação, o cenário é inevitavelmente negro.
O facto de uma malta bem bebida num dia de fim-de-semana à noite ter achado piada a uma letra (até um bocado primária, diga-se) de uma qualquer música apresentada pela primeira vez, não é coisa que me comova por aí além. Ainda para mais em concertos para os quais, presumo, os bilhetes nem eram baratos. E que se localizaram em algumas das principais salas de espectáculos das duas mais desenvolvidas cidades do País.
A Geração que está verdadeiramente lixada é aquela que, sem óbvias perspectivas de vida, há muito morre ao abandono, vitima de uma coisa que se convencionou chamar envelhecimento da população e que, agora de repente, todos se lembraram de falar....
domingo, 13 de fevereiro de 2011
O Egipto
Sopram ventos de mudança pela África Setentrional. Depois da Tunísia, o Egipto, e outros provavelmente se seguirão.
As amarras ditatoriais acabam sempre por ceder. Por vezes demora muito, muito, tempo demais….mas nunca ninguém conquistou poder discricionário suficiente para impedir o sol de nascer….
As amarras ditatoriais acabam sempre por ceder. Por vezes demora muito, muito, tempo demais….mas nunca ninguém conquistou poder discricionário suficiente para impedir o sol de nascer….
sábado, 12 de fevereiro de 2011
O Bom Soldado
Realizado pelo japonês Koji Wakamatsu que vê agora finalmente a sua obra reconhecida na Europa é um filme sobre tudo e sobre nada pois existe alguma descontinuidade nos universos que pretende abordar. O que não é obrigatoriamente depreciativo, assinale-se. Acima de tudo, é um improvável filme de guerra, apesar de numa análise mais superficial poder não parecer.
Os efeitos da guerra no Japão imperial são abordados na perspectiva de um relacionamento conjugal entre o tenente Kurokawa (Keigo Kasuya) que regressa à aldeia de origem condecorado e cheio de insígnias, mas surdo, mudo e com pernas e braços amputados e Shigeko (Shinobu Terajima), a jovem mulher do tenente, que de acordo com o convencionado deve honrar o Japão cumprindo o seu dever ao devotar a vida a um ex-combatente que, apesar de desfigurado e dependente não deixa de ser um herói. Acontece que à medida que o tempo vai passando, a relação entre ambos caminha perigosamente para um doentio jogo de poder baseado em obsessões várias.
Caterpillar - nome na versão original - funciona bem como catarse para as memórias de guerra de um País martirizado e tem o mérito de desvendar sem contemplações o que são verdadeiros traumas de guerra….
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
A Censura
O Bloco de Esquerda anunciou hoje a apresentação de uma moção de censura ao governo. Numa altura em que se deviam cerrar fileiras, censura-se porque fica bem contestar mesmo não fazendo a mais pequena ideia do que se pretende com tal iniciativa, como é manifestamente o caso.
Se o Governo vier a cair, será desta que Chico Louça fugirá para a Sibéria onde provavelmente encontrará o local ideal para viver....
Se o Governo vier a cair, será desta que Chico Louça fugirá para a Sibéria onde provavelmente encontrará o local ideal para viver....
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
As Algemas da Minha Memória
Levanto-me ensonada. Tive uma noite complicada e desgastante. Primeiro foi aquela sessão com o casal gay mexicano. Depois aqueles alemães nojentos que puxaram por mim até à exaustão. A vida não está fácil. Para quando a criação de um sindicato das algemas, pergunto? Podíamos fazer como a polícia marcando uma manifestação para o terreiro do paço que é coisa que sempre me impressionou. Aliás, a Policia é uma classe com a qual temos um relacionamento profissional privilegiado. Digamos que andam sempre comigo à cintura. Maior proximidade é difícil.
A vida para as algemas está mesmo decadente. As condições são péssimas. Agora querem-nos tirar o subsídio de transporte que me permitia deslocar de serviço para serviço. Como conseguirei a partir de agora ajudar a prender bandidos e gravar filmes pornográficos, tudo numa mesma noite? É que pelo meio tenho de ter tempo para reconverter a imagem. Não posso ir prender os gatunos de casaco de peles vestido.
Dantes é que era. As coisas corriam muito melhor. Tínhamos rendimentos equilibrados. Agora nunca se sabe o que esperar no fim do mês. Bons tempos esses, mas o melhor é não libertar a minha memória....
A vida para as algemas está mesmo decadente. As condições são péssimas. Agora querem-nos tirar o subsídio de transporte que me permitia deslocar de serviço para serviço. Como conseguirei a partir de agora ajudar a prender bandidos e gravar filmes pornográficos, tudo numa mesma noite? É que pelo meio tenho de ter tempo para reconverter a imagem. Não posso ir prender os gatunos de casaco de peles vestido.
Dantes é que era. As coisas corriam muito melhor. Tínhamos rendimentos equilibrados. Agora nunca se sabe o que esperar no fim do mês. Bons tempos esses, mas o melhor é não libertar a minha memória....
A vida sem palavras
Entre riso e sangue,
cabeça e espada,
entrada e saída,
flor e escarro,
sempre a vida,
a vida sem mais nada,
entre estrela e barro.
Entre homens e bichos,
entre rua e escadas,
entre grito e nojo,
a vida com seus lixos
e mãos violadas,
entre mar e tojo.
Entre uivo e poema,
entre trégua e luta,
vida no cinema,
no café, na cama,
vida absoluta.
António Rebordão Navarro
cabeça e espada,
entrada e saída,
flor e escarro,
sempre a vida,
a vida sem mais nada,
entre estrela e barro.
Entre homens e bichos,
entre rua e escadas,
entre grito e nojo,
a vida com seus lixos
e mãos violadas,
entre mar e tojo.
Entre uivo e poema,
entre trégua e luta,
vida no cinema,
no café, na cama,
vida absoluta.
António Rebordão Navarro
domingo, 6 de fevereiro de 2011
O Calvário
Paulo Sérgio e Costinha deviam demitir-se de imediato. Agora, isso é uma questão que só o íntimo deles poderá responder. Paulo Sérgio está a ser teimoso. E tal posição torna-se prejudicial inclusive para a sua carreira. Por outro lado, Costinha até pode dar um bom director desportivo no futuro mas o actual Sporting, que até aceito ser o seu clube de coração, não é de todo o clube ideal para ir adquirindo experiência…
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
O Populismo
Um tipo com os meus princípios, ou melhor com aquilo que entendo serem os meus princípios, dificilmente poderia ceder a um discurso tendencialmente demagogo. Pois bem, meus caros e minhas caras, estou farto de project finances, de reestruturações organizacionais e raios que os partam a todos.
Nem vou querer saber se o dinheiro vem de Angola, das Arábias, ou do tráfico de Periquitos. Eu quero é Craques que joguem à bola e que me levem a festejar Vitórias. Venha o Populismo......
Nem vou querer saber se o dinheiro vem de Angola, das Arábias, ou do tráfico de Periquitos. Eu quero é Craques que joguem à bola e que me levem a festejar Vitórias. Venha o Populismo......
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Um Ano Mais
Another Year é mais uma sublime criação de um dos meus cineastas preferidos, Mike Leigh - um dos filhos mais consagrados do realismo inglês.
Depois de alguns filmes menos conseguidos, Leigh já tinha voltado à grande forma com Happy-go-lucky. Neste “Um ano mais” a acção centra-se numa pacata família inglesa de classe média que vai gerindo a sua rede de ligações com um extraordinário bom senso, curiosamente sempre bem regado por inspiradores néctares inebriantes, revelando-nos os contornos da arte de saber envelhecer. A narrativa tem a precisa duração de um ano e é enquadrada pelas quatro habituais estações e o que representam em sentido metafórico: Primavera – Verão – Outono – Inverno por esta ordem de apresentação.
Na sequência do peculiar e singular método de trabalho que Mike Leigh estabelece com os seus Actores, assombram em Another Year duas magníficas interpretações: Lesley Manville e Jim Broadbent. A personagem interpretada por Manville - uma neurótica Mary - podia muito bem ser a nossa vizinha do lado. E que melhor elogio se pode fazer a um filme….
Depois de alguns filmes menos conseguidos, Leigh já tinha voltado à grande forma com Happy-go-lucky. Neste “Um ano mais” a acção centra-se numa pacata família inglesa de classe média que vai gerindo a sua rede de ligações com um extraordinário bom senso, curiosamente sempre bem regado por inspiradores néctares inebriantes, revelando-nos os contornos da arte de saber envelhecer. A narrativa tem a precisa duração de um ano e é enquadrada pelas quatro habituais estações e o que representam em sentido metafórico: Primavera – Verão – Outono – Inverno por esta ordem de apresentação.
Na sequência do peculiar e singular método de trabalho que Mike Leigh estabelece com os seus Actores, assombram em Another Year duas magníficas interpretações: Lesley Manville e Jim Broadbent. A personagem interpretada por Manville - uma neurótica Mary - podia muito bem ser a nossa vizinha do lado. E que melhor elogio se pode fazer a um filme….
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
O Levezinho
Cheira-me que a despedida de Liedson está para breve. O Levezinho deverá mesmo estar de saída. Geralmente as suas segundas metades das épocas são melhores que as primeiras, mas também é verdade que está a entrar na curva descendente da carreira e não convém mesmo nada começar a arrastar-se face ao elevado salário que aufere. E se hoje, há quem esteja disposto a pagar por ele, amanhã pode ser diferente.
Se tal saída se concretizar ficará para sempre na grandiosa história do clube e merecerá sem dúvida uma festa de despedida condizente com os momentos mágicos que proporcionou aos adeptos. Não ter sido campeão no Sporting fica como uma das maiores injustiças desportivas de que tenho memória…..
Se tal saída se concretizar ficará para sempre na grandiosa história do clube e merecerá sem dúvida uma festa de despedida condizente com os momentos mágicos que proporcionou aos adeptos. Não ter sido campeão no Sporting fica como uma das maiores injustiças desportivas de que tenho memória…..
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
O Nobre
Ainda no rescaldo das presidenciais não me sai da cabeça que Fernando Nobre tinha todas as condições para roubar a maioria a cavaco, obrigando-o a uma segunda volta. Esqueçamos Alegre que paga agora o preço pela sua imprudência e pelo seu excessivo lirismo.
Esta constatação resulta da elevada abstenção que ocorreu, bem como dos mais de 6 % de votos brancos e nulos, e até daqueles 4,5 % que como eu votaram um pouco por reinação em Coelho. Tudo gente descontente que poderia sem grande esforço engrossar a votação em Nobre.
Apareceu como um excelente candidato, um homem do terreno, de irrepreensível competência, rigoroso, com pontes bem consolidadas para as pessoas comuns, rodeado de gente credível e, muito importante, sem ligações de relevo aos partidos e às habituais intrujices politicas. A grande maioria das coisas que nascem da aclamada sociedade civil sofre de um pecado capital. Refiro-me à falta de um fio condutor que faz logo suspeitar dos reais propósitos, das reais intenções dos promotores dessas iniciativas. Mas neste caso, não. Fernando Nobre teve esse mérito. Como homem de causas entregou-se sem pestanejar à cidadania e ao escrutínio popular.
Mas na prática o que aconteceu foi que a mensagem durante a campanha foi ficando cada vez mais encriptada. Talvez até derivado a algum cansaço do candidato, não sei. Numas vezes denotava desconhecimento das reais funções do cargo a que se candidatava. Em outras, misturava auto-elogios em demasia com agressividade excessiva. Terminou a dizer que só um tiro na cabeça o impediria de chegar a Belém. É verdade que o nível das campanhas das outras candidaturas também não ajudaram, mas Fernando Nobre tinha ganho mais se tivesse fugido desse pântano. Como alguém diria, é a comunicação estúpido, é a comunicação.
Concluindo, a candidatura de Fernando Nobre dará um excelente case study. Provavelmente o movimento que lhe deu azo perder-se-á no tempo mas quando na noite das eleições vejo Nobre a declarar-se ganhador, fico na dúvida se sobre o seu íntimo sobrevoava a consciência que tinha perdido uma excelente oportunidade para começar a mudar o rumo do país.....
Esta constatação resulta da elevada abstenção que ocorreu, bem como dos mais de 6 % de votos brancos e nulos, e até daqueles 4,5 % que como eu votaram um pouco por reinação em Coelho. Tudo gente descontente que poderia sem grande esforço engrossar a votação em Nobre.
Apareceu como um excelente candidato, um homem do terreno, de irrepreensível competência, rigoroso, com pontes bem consolidadas para as pessoas comuns, rodeado de gente credível e, muito importante, sem ligações de relevo aos partidos e às habituais intrujices politicas. A grande maioria das coisas que nascem da aclamada sociedade civil sofre de um pecado capital. Refiro-me à falta de um fio condutor que faz logo suspeitar dos reais propósitos, das reais intenções dos promotores dessas iniciativas. Mas neste caso, não. Fernando Nobre teve esse mérito. Como homem de causas entregou-se sem pestanejar à cidadania e ao escrutínio popular.
Mas na prática o que aconteceu foi que a mensagem durante a campanha foi ficando cada vez mais encriptada. Talvez até derivado a algum cansaço do candidato, não sei. Numas vezes denotava desconhecimento das reais funções do cargo a que se candidatava. Em outras, misturava auto-elogios em demasia com agressividade excessiva. Terminou a dizer que só um tiro na cabeça o impediria de chegar a Belém. É verdade que o nível das campanhas das outras candidaturas também não ajudaram, mas Fernando Nobre tinha ganho mais se tivesse fugido desse pântano. Como alguém diria, é a comunicação estúpido, é a comunicação.
Concluindo, a candidatura de Fernando Nobre dará um excelente case study. Provavelmente o movimento que lhe deu azo perder-se-á no tempo mas quando na noite das eleições vejo Nobre a declarar-se ganhador, fico na dúvida se sobre o seu íntimo sobrevoava a consciência que tinha perdido uma excelente oportunidade para começar a mudar o rumo do país.....
Um poema tenrinho pode ser
Um poema tenrinho pode ser
quando tu morreres vou tirar a carta
ou
o mosteiro dos pulmões ataca uma barriga sem grades
e nasce uma quantidade razoável de imagens
indo da agulha de cintilo
aos dentes de um morcego beija-mão.
mas pode ser escrever chamar otários
sabrões
zarpos
garôlos
altos comissários
nas paredes para as ruas
das garagens-oficina nova era automóvel.
mas pode ser amor drógádo
síque
não presta.
mas pode ser tão difícil.
mas pode ser
liga à tua antiga madrinha-de-guerra
vai ter com ela saca-a ao marido
mexe com esta merda
pá.
Nuno Moura
quando tu morreres vou tirar a carta
ou
o mosteiro dos pulmões ataca uma barriga sem grades
e nasce uma quantidade razoável de imagens
indo da agulha de cintilo
aos dentes de um morcego beija-mão.
mas pode ser escrever chamar otários
sabrões
zarpos
garôlos
altos comissários
nas paredes para as ruas
das garagens-oficina nova era automóvel.
mas pode ser amor drógádo
síque
não presta.
mas pode ser tão difícil.
mas pode ser
liga à tua antiga madrinha-de-guerra
vai ter com ela saca-a ao marido
mexe com esta merda
pá.
Nuno Moura
domingo, 23 de janeiro de 2011
A Vitória
Como bom português que sou, pelo menos esforço-me para isso, fui um dos grandes vencedores das eleições desta noite além da absolutíssima abstenção, claro. O facto de ter alterado excepcionalmente o sentido do meu voto de branco para um dos candidatos adversários de Cavaco Silva, foi comprovadamente uma boa decisão que me deixa satisfeito. E isto porquê? Porque se a totalidade dos votos brancos e nulos tivessem sido colocados em Alegre, Nobre, Lopes, Coelho ou Moura tínhamos seguramente uma segunda volta, o que seria até imerecido para Alegre, diga-se. Para chegar a esta conclusão, basta fazer as contas.
Relativamente a Cavaco, o fascínio que o Portugal cinzentão e triste tem pela criatura ultrapassa-me por completo. Deixa-me sem palavras.
Quanto a Manuel Alegre, há muito que eu tinha percebido que isto ia acabar assim.....
Relativamente a Cavaco, o fascínio que o Portugal cinzentão e triste tem pela criatura ultrapassa-me por completo. Deixa-me sem palavras.
Quanto a Manuel Alegre, há muito que eu tinha percebido que isto ia acabar assim.....
A Reflexão
Jeremias achava que a reflexão devia estender-se ao próprio dia das eleições e quem sabe, atendendo ao actual estado das coisas, prolongar-se por um ano. Um país parado a reflectir é uma imagem esmagadora e profundamentemente poética que agrada a Jeremias. Assim como assim, a produtividade nunca foi o nosso forte e sempre se evitavam mais algumas trapalhadas….
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Volte-face Coelhio
Eu, tal como anunciado, estava para seguir o meu ímpeto habitual mas de há uma semana para cá que andava a reflectir com base em argumentos muito semelhantes a estes e estes.
Chamem-lhe voto de protesto ou o que mais quiserem, mas um gajo que oferece um submarino de brincar ao Paulo Portas, para ele poder meter onde desejar, merece o meu apoio. Depois, também não quero ficar com o peso na consciência de ter contribuído com um voto em branco para a inevitável maioria absoluta do professor que criou o monstro.
O Tipo pode até não saber conjugar verbos mas eu também vou votar no Coelho….
Chamem-lhe voto de protesto ou o que mais quiserem, mas um gajo que oferece um submarino de brincar ao Paulo Portas, para ele poder meter onde desejar, merece o meu apoio. Depois, também não quero ficar com o peso na consciência de ter contribuído com um voto em branco para a inevitável maioria absoluta do professor que criou o monstro.
O Tipo pode até não saber conjugar verbos mas eu também vou votar no Coelho….
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
As Responsabilidades
Paulo Sérgio arranjou uma forma absolutamente inovadora de assumir Responsabilidades...
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
O Concurso
Ou anda tudo maluco ou efectivamente esta corrida às presidências é na verdade um concurso de tiros no próprio pé.
Cavaco, dia após dia, ataca o governo prometendo endurecer a fiscalização num hipotético novo mandato, insinuando mesmo uma crise política. Por outro lado, Alegre diz que votar em Cavaco é um perigo para a democracia.
Ora bem, assim fica difícil, do que é que um eleitorado normalmente sereno e com uma aversão crónica a instabilidades poderá gostar mais?....
Cavaco, dia após dia, ataca o governo prometendo endurecer a fiscalização num hipotético novo mandato, insinuando mesmo uma crise política. Por outro lado, Alegre diz que votar em Cavaco é um perigo para a democracia.
Ora bem, assim fica difícil, do que é que um eleitorado normalmente sereno e com uma aversão crónica a instabilidades poderá gostar mais?....
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
O Preço da Traição
Atom Egoyan apresenta-nos este “Chloe”, assim denominado na versão original, interpretado por Julianne Moore e Liam Neeson. Baseado no argumento original de Natalie - filme francês de 2003 realizado por Anne Fontaine - conta a história de um, à primeira vista, casal perfeito. Felizes e com um filho adolescente parecem ter uma vida idílica, mas quando a mulher começa a suspeitar que o companheiro pode ter uma amante tudo muda. Assim, decide contratar uma acompanhante de nome Chloe interpretada por Amanda Seyfried, para seduzir o marido e testar a sua verdadeira lealdade. Tal acto, porém, pode vir a revelar-se um autêntico pesadelo que colocará toda a família em perigo.
Sem ser um filme grandioso, o que o torna mais marcante é sem dúvida a magnífica interpretação, mais uma vez, de Julianne Moore que não tendo demonstrado até aqui grande versatilidade, possui de facto um talento especial para este tipo de papéis de índole familiar com uma dose generosa de perversidade pelo meio….
Sem ser um filme grandioso, o que o torna mais marcante é sem dúvida a magnífica interpretação, mais uma vez, de Julianne Moore que não tendo demonstrado até aqui grande versatilidade, possui de facto um talento especial para este tipo de papéis de índole familiar com uma dose generosa de perversidade pelo meio….
domingo, 16 de janeiro de 2011
A Chicotada
José Eduardo Bettencourt demitiu-se da presidência do Sporting. Independentemente desse facto, importa separar o trigo do joio. JEB foi, é, um grande sportinguista. Aliás, eu seria incapaz de insultar um presidente. Treinadores e outros funcionários, talvez possa fazer sentido em determinadas circunstâncias, mas insultar quem está acima na estrutura pode resultar em situações um pouco inusitadas como esta. E depois quantos dos que insultam Bettencourt estariam dispostos a ir ganhar metade do que ganham para servir o Sporting? Não interessa se é muito ou pouco, mas ele certamente que também terá as suas obrigações familiares, como todos nós aliás.
Se acho que ele devia continuar? Só a consciência do próprio podia decidir. Deu mostras de inequívoca incompetência à frente do futebol e esta desistência era uma hipótese. A outra era ter coragem para fazer o que tinha de ser feito, o que provavelmente nunca sucederia por evidente falta de perfil. Dificilmente sobreviveria a mais um treinador sendo que para mim a solução ideal seria nesta fase a demissão de Paulo Sérgio. Até porque a certidão de óbito de Bettencourt foi assinada quando escolheu Paulo Sérgio para suceder a Carvalhal. Quanto a mim, a maior demonstração de incompetência deste mandato é mesmo deixar um treinador anedótico com contrato de mais ano e meio sem o conseguir convencer a bater também com a porta. Aliás, como é que perante as suas declarações de ontem em que garantiu que não se demite, Paulo Sérgio consegue dormir tranquilo? Que falta de hombridade e, já agora, de solidariedade para com quem deu 600 000 € para o contratar.
Estou convencido que irão aparecer vários candidatos à Presidência do Clube. Posso estar enganado mas parece-me que sim. Só espero é que a história que já cheira mal da auditoria geral às contas do clube seja posta definitivamente de lado, o que infelizmente acho pouco provável. As contas do clube são auditadas anualmente por entidades isentas e credenciadas. A questão é que as contas são más como na generalidade dos clubes portugueses, aliás como a KPMG refere claramente no último relatório. Chega de desenterrar fantasmas. Os Presidentes que têm passado pelo clube com todos os seus defeitos e virtudes fizeram o seu melhor. O Clube deve seguir em frente e focar-se no essencial que é construir uma grande equipa de futebol para voltar a ser respeitado. Hoje e sempre, viva o Sporting....
Se acho que ele devia continuar? Só a consciência do próprio podia decidir. Deu mostras de inequívoca incompetência à frente do futebol e esta desistência era uma hipótese. A outra era ter coragem para fazer o que tinha de ser feito, o que provavelmente nunca sucederia por evidente falta de perfil. Dificilmente sobreviveria a mais um treinador sendo que para mim a solução ideal seria nesta fase a demissão de Paulo Sérgio. Até porque a certidão de óbito de Bettencourt foi assinada quando escolheu Paulo Sérgio para suceder a Carvalhal. Quanto a mim, a maior demonstração de incompetência deste mandato é mesmo deixar um treinador anedótico com contrato de mais ano e meio sem o conseguir convencer a bater também com a porta. Aliás, como é que perante as suas declarações de ontem em que garantiu que não se demite, Paulo Sérgio consegue dormir tranquilo? Que falta de hombridade e, já agora, de solidariedade para com quem deu 600 000 € para o contratar.
Estou convencido que irão aparecer vários candidatos à Presidência do Clube. Posso estar enganado mas parece-me que sim. Só espero é que a história que já cheira mal da auditoria geral às contas do clube seja posta definitivamente de lado, o que infelizmente acho pouco provável. As contas do clube são auditadas anualmente por entidades isentas e credenciadas. A questão é que as contas são más como na generalidade dos clubes portugueses, aliás como a KPMG refere claramente no último relatório. Chega de desenterrar fantasmas. Os Presidentes que têm passado pelo clube com todos os seus defeitos e virtudes fizeram o seu melhor. O Clube deve seguir em frente e focar-se no essencial que é construir uma grande equipa de futebol para voltar a ser respeitado. Hoje e sempre, viva o Sporting....
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
O Cinismo
Jeremias observava com redobrado espanto o agravamento do cinismo mais desenfreado. Espremem-se as cândidas almas, acenando-lhes com notas de ilusão. Os pacóvios fingem-se contrariados, mas no fundo adoram o festim. O último a sair que apague a luz.....
Luiz Pacheco
Monólogo do 1º Cornudo
I
Acordei num triste dia
com uns cornos bem bonitos.
E perguntei à Maria
por que me pôs os palitos.
II
Jurou por alma da mãe
com mil tretas de mulher
que era mentira. Também
inda me custava a crer...
III
Fiquei de olho espevitado
que o calado é o melhor
e para não re-ser enganado,
redobrei gozos de amor.
IV
Tais canseiras dei ao físico,
tal ardor pus nos abraços
que caí morto de tísico
com o sexo em pedaços!
V
Esperava por isto a magana?
Já previa o que se deu?...
Do Além vi-a na cama
com um tipo pior que eu!
VI
Vi-o dar ao rabo a valer
fornicando a preceito...
Sabia daquele mister
que puxa muito do peito.
VII
Foi a hora de me eu rir
que a vingança tem seus quês:
«O mais certo é pràqui vir,
inda antes que passe um mês.»
VIII
Arranjei-lhe um bom lugar
na pensão de Mestre Pedro
(onde todos vão parar
embora com muito medo...).
IX
Passava duma semana
o meu dito estava escrito
vítima daquela magana
pobre tísico, tadito!
Dueto dos 2 Comudos
X
Agora já somos dois
a espreitar de cá de cima
calados como dois bois
vendo o que faz a ladina.
XI
Meteu na cama mais gente,
um, dois, três... logo a seguir!
Não há piça que a contente
é tudo que tiver de vir!
São Pedro, indignado, pragueja
XII
- É demais!... Arre, diabo!
- berra São Pedra, sandeu.
E mortos por dar ao rabo
lá vêm eles prò Céu!
Coro, pianíssimo, lirismo nas vozes
XIII
Que morre como um anjinho
quem morre por muito amar!
Coro, agora narrativo ou explicativo
Já formamos um ranchinho
de cá de cima, a espreitar.
XIV
Passam meses, passa tempo
e a bela não se consola...
Já semos um regimento
como esses que vão prà Ingola!
(Aparte do autor das coplas: "Coitadinhos!»)
XV
Fazemos apostas lindas
sempre que vem cara nova.
Cálculos, medidas infindas
como ela terá a cova.
XVI
Há quem diga que por si
já não lhe topou o fundo...
Outros juram que era assi
do tamanho... deste Mundo!
XVII
- Parecia uma piscina!
diz um do lado, espantado.
- Nunca vi uma menina
num estado tão desgraçado!
Aparte do autor,
antigo militante das esquerdas (baixas)
XVIII
(Um estado tão desgraçado?!...
Parece-me ouvir o Povo
chorando seu triste fado
nas garras do Estado Novo!)
XIX
O último que chegou cá
morreu que nem um patego:
afogado, ieramá,
nos abismos daquele pego.
O coro dos cornudos,
acompanhado por São Pedro em surdina,
entoa a moralidade, após ter limpado as últimas lagrimetas
e suspirando como só os cornudos sabem
XX
Mulher não queiras sabida
nem com vício desusado,
que podes perder a vida
na estafa de dar ao rabo.
XXI
Escolhe donzela discreta
com os três no seu lugar.
Examina-lhe bem a greta,
não te vá ela enganar...
XXII
E depois de veres o bicho
e as maneiras que tem
a funcionar a capricho,
já sabes se te convém.
XXIII
Mulher calma, é estimá-la
como a santa no altar.
Cabra douda, é rifá-la...
- Que não venhas cá parar.
XXIV
Este conselho te dão,
e não te levam dinheiro...
os cornudos que aqui estão
com São Pedro hospitaleiro.
XXV
Invejosos quase todos
dos conos que o mundo guarda.
Fazem mais um bocado de lamentação.
(Nota do autor: «Quase», porque entretanto brincavam uns com os outros.
«Rabolices!» )
Mas se fornicas a rodos
tua vinda aqui não tarda!
Recomeça a moralidade,
estilo estão verdes, não prestam. Alguns bêbados,
cornudos despeitados ou amargurados.
Vozes pastosas. Deve ler-se: viiinho... velhiiinho...
XXVI
Melhor que a mulher é o vinho
que faz esquecer a mulher...
que faz dum amor já velhinho
ressurgir novo prazer.
Finale, muito católico
XXVII
Assim termina o lamento
pois recordar é sofrer.
Ama e fode. É bom sustento!
E por nós reza um pater.
I
Acordei num triste dia
com uns cornos bem bonitos.
E perguntei à Maria
por que me pôs os palitos.
II
Jurou por alma da mãe
com mil tretas de mulher
que era mentira. Também
inda me custava a crer...
III
Fiquei de olho espevitado
que o calado é o melhor
e para não re-ser enganado,
redobrei gozos de amor.
IV
Tais canseiras dei ao físico,
tal ardor pus nos abraços
que caí morto de tísico
com o sexo em pedaços!
V
Esperava por isto a magana?
Já previa o que se deu?...
Do Além vi-a na cama
com um tipo pior que eu!
VI
Vi-o dar ao rabo a valer
fornicando a preceito...
Sabia daquele mister
que puxa muito do peito.
VII
Foi a hora de me eu rir
que a vingança tem seus quês:
«O mais certo é pràqui vir,
inda antes que passe um mês.»
VIII
Arranjei-lhe um bom lugar
na pensão de Mestre Pedro
(onde todos vão parar
embora com muito medo...).
IX
Passava duma semana
o meu dito estava escrito
vítima daquela magana
pobre tísico, tadito!
Dueto dos 2 Comudos
X
Agora já somos dois
a espreitar de cá de cima
calados como dois bois
vendo o que faz a ladina.
XI
Meteu na cama mais gente,
um, dois, três... logo a seguir!
Não há piça que a contente
é tudo que tiver de vir!
São Pedro, indignado, pragueja
XII
- É demais!... Arre, diabo!
- berra São Pedra, sandeu.
E mortos por dar ao rabo
lá vêm eles prò Céu!
Coro, pianíssimo, lirismo nas vozes
XIII
Que morre como um anjinho
quem morre por muito amar!
Coro, agora narrativo ou explicativo
Já formamos um ranchinho
de cá de cima, a espreitar.
XIV
Passam meses, passa tempo
e a bela não se consola...
Já semos um regimento
como esses que vão prà Ingola!
(Aparte do autor das coplas: "Coitadinhos!»)
XV
Fazemos apostas lindas
sempre que vem cara nova.
Cálculos, medidas infindas
como ela terá a cova.
XVI
Há quem diga que por si
já não lhe topou o fundo...
Outros juram que era assi
do tamanho... deste Mundo!
XVII
- Parecia uma piscina!
diz um do lado, espantado.
- Nunca vi uma menina
num estado tão desgraçado!
Aparte do autor,
antigo militante das esquerdas (baixas)
XVIII
(Um estado tão desgraçado?!...
Parece-me ouvir o Povo
chorando seu triste fado
nas garras do Estado Novo!)
XIX
O último que chegou cá
morreu que nem um patego:
afogado, ieramá,
nos abismos daquele pego.
O coro dos cornudos,
acompanhado por São Pedro em surdina,
entoa a moralidade, após ter limpado as últimas lagrimetas
e suspirando como só os cornudos sabem
XX
Mulher não queiras sabida
nem com vício desusado,
que podes perder a vida
na estafa de dar ao rabo.
XXI
Escolhe donzela discreta
com os três no seu lugar.
Examina-lhe bem a greta,
não te vá ela enganar...
XXII
E depois de veres o bicho
e as maneiras que tem
a funcionar a capricho,
já sabes se te convém.
XXIII
Mulher calma, é estimá-la
como a santa no altar.
Cabra douda, é rifá-la...
- Que não venhas cá parar.
XXIV
Este conselho te dão,
e não te levam dinheiro...
os cornudos que aqui estão
com São Pedro hospitaleiro.
XXV
Invejosos quase todos
dos conos que o mundo guarda.
Fazem mais um bocado de lamentação.
(Nota do autor: «Quase», porque entretanto brincavam uns com os outros.
«Rabolices!» )
Mas se fornicas a rodos
tua vinda aqui não tarda!
Recomeça a moralidade,
estilo estão verdes, não prestam. Alguns bêbados,
cornudos despeitados ou amargurados.
Vozes pastosas. Deve ler-se: viiinho... velhiiinho...
XXVI
Melhor que a mulher é o vinho
que faz esquecer a mulher...
que faz dum amor já velhinho
ressurgir novo prazer.
Finale, muito católico
XXVII
Assim termina o lamento
pois recordar é sofrer.
Ama e fode. É bom sustento!
E por nós reza um pater.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
O Perfeito Clone
José Manuel Coelho categórico joga ao ataque. O candidato da Nova Democracia às presidenciais afirma perentoriamente que é o José Mourinho da politica portuguesa. Bem precisamos. Mourinho representa mais e melhor Portugal no mundo que Cavaco, Sócrates, Alegre e Durão Barroso juntos.....
domingo, 9 de janeiro de 2011
Eu Voto Branco (parte IV)
No dia em que arranca a campanha eleitoral, para terminar a saga das três eleições ocorridas em 2009 (europeias, legislativas e autárquicas) só falta mesmo declarar a minha irrepreensível brancura também ao nível das Presidenciais.
O lugar de Presidente da República é em si mesmo ambíguo e um pouco vazio. Se por exemplo nestes tempos de vacas magras aparecesse algum qualquer iluminado a reivindicar uma revisão constitucional que pura e simplesmente acabasse com a figura e o séquito que a rodeia, não me pareceria completamente disparatado. Além do necessário controlo efectivo que é efectuado aos governos, não me ocorre mais nenhuma atribuição essencial subjacente ao cargo que não pudesse ser levada a cabo pelos próprios Executivos.
Nas últimas presidenciais votei Soares e acho que foi a última vez que não votei branco. Fi-lo por uma questão de dívida de gratidão. Coisas da minha geração, sendo que a recandidatura de Soares foi preconceituosamente mal interpretada pela população portuguesa que acha que uma pessoa aos 80 anos tem que ir para casa cuidar da lenha para a lareira, tal como o Manuel de Oliveira faz, só para dar um exemplo.
Relativamente aos actuais candidatos, há desilusões, confirmações e surpresas:
Cavaco é igual a Cavaco. Anda há trinta anos em lugares de topo e acha (e pelos vistos o povo também) que não tem qualquer responsabilidade no estado a que isto chegou. No período de dez anos em que não teve funções de Estado entreteve-se a multiplicar os seus rendimentos (seus e dos familiares directos, assinale-se) através de negociatas promovidas por aqueles a quem tinha anteriormente facultado acesso aos corredores do poder. Cavaco é portanto um exemplo da Portugalidade mais genuína. É amigo do seu amigo. Em público gosta de aparentar um carácter muito austero, muito rigoroso, bem exemplificado pela jogada inteligente de abdicar dos onerosos outdoors de campanha. Em privado, bora lá comprar as acções a preço de amigo ao companheiro Oliveira e Costa.
De Manuel Alegre já falei diversas vezes. É figura a quem para mim falta credibilidade. Falta um fio condutor no seu percurso e por isso não me inspira confiança. É um aristocrata severo com laivos de humildade. Sempre teve peso a mais dentro do PS e não merece a relevância que tem na opinião pública. O seu lirismo quando confrontado com o instinto político de Cavaco perde aos pontos. Mas entre Alegre e Cavaco preferia claramente o poeta, mesmo que a sua poesia me cheire a intrujice.
Fernando Nobre é um bom candidato. Aliás se votasse em alguém, votaria provavelmente nele. Tem um argumento quanto a mim imbatível. Não tem ligações profissionais a esta corja que nos tem desgovernado ao longo dos anos e que fez do tráfico de influências a razão de ser de um País. Tem experiência de vida assinalável debaixo de condições difíceis. Conhece os problemas reais das pessoas. É corajoso. Não se acobardaria diante dos poderes instituídos. Contudo, a sua campanha está a deixar um pouco a desejar. Tem falhado num aspecto essencial que é a adequação do seu discurso ao lugar a que se candidata. Dá a entender que conhece mal as funções - essencialmente decorativas é verdade - que estão destinadas a um Presidente da República. O seu discurso faria mais sentido se tivesse na génese de um novo partido político.
Do candidato da CDU não há muito a dizer. Francisco Lopes faz o papel que outro qualquer militante faria. O facto de se sair razoavelmente bem em televisão poderá abrir-lhe no futuro algumas portas na organização comunista.
Defensor de Moura cumpre provavelmente um sonho de criança e no fundo usufrui de um direito consignado a qualquer cidadão maior de 35 anos. E no distrito de Viana do Castelo é bem capaz de ter meia-dúzia de votos.
José Manuel Coelho é o candidato surpresa e vale bem a pena ouvi-lo. Não traz nada de novo no discurso, é verdade, mas só o facto de ser uma voz permanentemente incómoda no reinado de João Jardim na Madeira já é suficiente para ser merecedor de respeito. E depois, como não tem quaisquer amarras ao politicamente correcto que nos tem enterrado ao longo dos anos, sempre vai espetando algumas farpas bem direccionadas.
No fim de tudo isto como há muito enunciei ganha Cavaco, porque o Portugal Real continua a gostar de gente assim. Triste e sem chama. Para o Portugal Real aquele discurso sorumbático continua a ser inspirador e referência de confiança. O Portugal Real continua a imaginar que fica mais seguro se o presidente da república manter o discurso, a pose, o conservadorismo e a aparente honestidade do pacato funcionário da repartição de finanças local que já lá trabalha vai para 30 anos....
O lugar de Presidente da República é em si mesmo ambíguo e um pouco vazio. Se por exemplo nestes tempos de vacas magras aparecesse algum qualquer iluminado a reivindicar uma revisão constitucional que pura e simplesmente acabasse com a figura e o séquito que a rodeia, não me pareceria completamente disparatado. Além do necessário controlo efectivo que é efectuado aos governos, não me ocorre mais nenhuma atribuição essencial subjacente ao cargo que não pudesse ser levada a cabo pelos próprios Executivos.
Nas últimas presidenciais votei Soares e acho que foi a última vez que não votei branco. Fi-lo por uma questão de dívida de gratidão. Coisas da minha geração, sendo que a recandidatura de Soares foi preconceituosamente mal interpretada pela população portuguesa que acha que uma pessoa aos 80 anos tem que ir para casa cuidar da lenha para a lareira, tal como o Manuel de Oliveira faz, só para dar um exemplo.
Relativamente aos actuais candidatos, há desilusões, confirmações e surpresas:
Cavaco é igual a Cavaco. Anda há trinta anos em lugares de topo e acha (e pelos vistos o povo também) que não tem qualquer responsabilidade no estado a que isto chegou. No período de dez anos em que não teve funções de Estado entreteve-se a multiplicar os seus rendimentos (seus e dos familiares directos, assinale-se) através de negociatas promovidas por aqueles a quem tinha anteriormente facultado acesso aos corredores do poder. Cavaco é portanto um exemplo da Portugalidade mais genuína. É amigo do seu amigo. Em público gosta de aparentar um carácter muito austero, muito rigoroso, bem exemplificado pela jogada inteligente de abdicar dos onerosos outdoors de campanha. Em privado, bora lá comprar as acções a preço de amigo ao companheiro Oliveira e Costa.
De Manuel Alegre já falei diversas vezes. É figura a quem para mim falta credibilidade. Falta um fio condutor no seu percurso e por isso não me inspira confiança. É um aristocrata severo com laivos de humildade. Sempre teve peso a mais dentro do PS e não merece a relevância que tem na opinião pública. O seu lirismo quando confrontado com o instinto político de Cavaco perde aos pontos. Mas entre Alegre e Cavaco preferia claramente o poeta, mesmo que a sua poesia me cheire a intrujice.
Fernando Nobre é um bom candidato. Aliás se votasse em alguém, votaria provavelmente nele. Tem um argumento quanto a mim imbatível. Não tem ligações profissionais a esta corja que nos tem desgovernado ao longo dos anos e que fez do tráfico de influências a razão de ser de um País. Tem experiência de vida assinalável debaixo de condições difíceis. Conhece os problemas reais das pessoas. É corajoso. Não se acobardaria diante dos poderes instituídos. Contudo, a sua campanha está a deixar um pouco a desejar. Tem falhado num aspecto essencial que é a adequação do seu discurso ao lugar a que se candidata. Dá a entender que conhece mal as funções - essencialmente decorativas é verdade - que estão destinadas a um Presidente da República. O seu discurso faria mais sentido se tivesse na génese de um novo partido político.
Do candidato da CDU não há muito a dizer. Francisco Lopes faz o papel que outro qualquer militante faria. O facto de se sair razoavelmente bem em televisão poderá abrir-lhe no futuro algumas portas na organização comunista.
Defensor de Moura cumpre provavelmente um sonho de criança e no fundo usufrui de um direito consignado a qualquer cidadão maior de 35 anos. E no distrito de Viana do Castelo é bem capaz de ter meia-dúzia de votos.
José Manuel Coelho é o candidato surpresa e vale bem a pena ouvi-lo. Não traz nada de novo no discurso, é verdade, mas só o facto de ser uma voz permanentemente incómoda no reinado de João Jardim na Madeira já é suficiente para ser merecedor de respeito. E depois, como não tem quaisquer amarras ao politicamente correcto que nos tem enterrado ao longo dos anos, sempre vai espetando algumas farpas bem direccionadas.
No fim de tudo isto como há muito enunciei ganha Cavaco, porque o Portugal Real continua a gostar de gente assim. Triste e sem chama. Para o Portugal Real aquele discurso sorumbático continua a ser inspirador e referência de confiança. O Portugal Real continua a imaginar que fica mais seguro se o presidente da república manter o discurso, a pose, o conservadorismo e a aparente honestidade do pacato funcionário da repartição de finanças local que já lá trabalha vai para 30 anos....
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
O Optimista
A perspectiva optimista/pessimista do copo meio cheio/meio vazio no início de mais um ano tornou-se corriqueira, aborrecida e demasiado simplista.
Para mim, o pessimista é o gajo que bebe uma garrafa do melhor rum cubano e no fim lamenta ter acabado. O optimista bebe igualmente toda a garrafa, contudo consegue manter a sobriedade suficiente para a imaginar ainda cheia.....
Para mim, o pessimista é o gajo que bebe uma garrafa do melhor rum cubano e no fim lamenta ter acabado. O optimista bebe igualmente toda a garrafa, contudo consegue manter a sobriedade suficiente para a imaginar ainda cheia.....
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Anna
Na sequência desta empreitada cinematográfica, deixo mais uma pujante Curta que integrou "Cada um o seu cinema" composto por 32 filmes com a duração de 3 minutos que serviu de homenagem aos 60 anos do festival de Cannes.
Desta vez fica “Anna”, a singular contribuição de Alejandro González Iñarritu para a celebração do festival francês. E os alicerces da sua visão de cinema estão todos aqui. É um pequeno filme intensíssimo, no mínimo….
Desta vez fica “Anna”, a singular contribuição de Alejandro González Iñarritu para a celebração do festival francês. E os alicerces da sua visão de cinema estão todos aqui. É um pequeno filme intensíssimo, no mínimo….
No Barrote...
Não sou um adepto de Paulo Sérgio, das desculpabilizações inusitadas, e muito menos do nível exibicional patenteado por este Sporting, mas a tendência para acertar nos barrotes das balizas é deveras impressionante. A estatística diz que só Postiga já leva 7 bolas nos postes e barras esta época, contra apenas 6 golos marcados curiosamente. Ou seja acerta mais vezes nos ferros do que na baliza, o que é bem mais difícil. No total o Sporting já leva com 20 bolas nos barrotes (em jogos oficiais, não contando com jogos particulares) das quais 10 foram no Campeonato. E pelo que deu para ver do jogo de ontem contra a Naval, a saga é para continuar em 2011....
domingo, 2 de janeiro de 2011
Os Votos
Jeremias deseja um Bom Ano Novo para quem vá continuando a cometer a insensatez de passar por aqui....
O 2011
As previsões mais optimistas variam entre a catástrofe, a hecatombe e o apocalipse. Jeremias como nunca foi homem de verdades absoluta paga para ver.....
As casas
As casas habitadas são belas
se parecem ainda uma casa vazia
sem a pretensão de ocupá-las
tornam-se ténues disposições
os sinais da nossa presença:
um livro
a roupa que chegou da lavandaria
por arrumar em cima da cama
o modo como toda a tarde a luz foi
entregue ao seu silêncio
Em certos dias, nem sabemos porquê
sentimo-nos estranhamente perto
daquelas coisas que buscamos muito
e continuam, no entanto, perdidas
dentro da nossa casa
José Tolentino Mendonça
se parecem ainda uma casa vazia
sem a pretensão de ocupá-las
tornam-se ténues disposições
os sinais da nossa presença:
um livro
a roupa que chegou da lavandaria
por arrumar em cima da cama
o modo como toda a tarde a luz foi
entregue ao seu silêncio
Em certos dias, nem sabemos porquê
sentimo-nos estranhamente perto
daquelas coisas que buscamos muito
e continuam, no entanto, perdidas
dentro da nossa casa
José Tolentino Mendonça
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
A Ladroagem
Jeremias preparava-se para o ano de todas as crises com o afinco possível. De qualquer das maneiras já estava habituado a que lhe fossem ao bolso. Contudo, face ao aumento considerável em 2011 dos focos originários da roubalheira, temia pela banalização do conceito.
Jeremias, como cidadão responsável que era, preocupava-se com a sobrevivência de toda uma classe profissional representada pelos ladrões verdadeiros….
Jeremias, como cidadão responsável que era, preocupava-se com a sobrevivência de toda uma classe profissional representada pelos ladrões verdadeiros….
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
O Natal da Pouca-Vergonha
O Natal de muitos dos que vão embrulhando os nossos presentes, funcionários de algumas das mais badaladas empresas e que são remunerados a 4 €uros por cada hora extraordinária. Acrescentando-se que esse processamento é efectuado como reembolso de despesas com combustíveis em viaturas pessoais. Este expediente utilizado por inúmeras grandes empresas, além de ser uma maciça e escandalosa fuga ao Fisco, contraria as mais elementares leis laborais ao remunerar da mesma formas todas as horas extraordinárias, independentemente do dia da semana, e do período do dia em que são efectuadas. Pena é que os administradores dessas empresas não sejam obrigados a trabalhar nas mesmíssimas condições de forma ininterrupta, pelo menos, até ao próximo natal….
sábado, 25 de dezembro de 2010
Close–up
Um filme de Abbas Kiarostami datado de 1990 que só agora visionei e que me agradou sobremaneira. Após ler uma reportagem jornalística sobre um homem chamado Hossain Sabzian, que se fez passar pelo realizador Mohsen Makhmalbaf junto de uma pacata família Iraniana e por esse motivo foi acusado de fraude, Kiarostami percebeu que tinha matéria para um grande filme. E se bem o pensou, melhor o executou.
Na fronteira entre o documentário e a ficção, com os reais protagonistas da história como actores não profissionais, Close-up junta-se para mim a “O Sabor da Cereja” como obras-primas absolutas na cinematografia do Iraniano.
Em Close-up o espectador entrega-se completamente nas mãos do Realizador que maneja a narrativa (mais real que ficcionada) com mestria.
As dissertações do acusado durante o julgamento sobre o cinema, sobre o seu papel na sociedade, sobre a nobre arte de representar, sobre as razões que o levaram a cometer o delito são de um sublime humanismo e de um esplendor sem limites.....
Na fronteira entre o documentário e a ficção, com os reais protagonistas da história como actores não profissionais, Close-up junta-se para mim a “O Sabor da Cereja” como obras-primas absolutas na cinematografia do Iraniano.
Em Close-up o espectador entrega-se completamente nas mãos do Realizador que maneja a narrativa (mais real que ficcionada) com mestria.
As dissertações do acusado durante o julgamento sobre o cinema, sobre o seu papel na sociedade, sobre a nobre arte de representar, sobre as razões que o levaram a cometer o delito são de um sublime humanismo e de um esplendor sem limites.....
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
O Embuste Natalício
No intervalo da chuva os corpos correm sôfregos pelos destroços dos dias. A quadra é propícia à solidariedade mais fraternal contudo é a falsidade que alimenta os espíritos....
Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos
detidos: hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado
em cada espelho. O próprio
movimento o entenebrece. Mas chamejam os lábios
dos animais. Deixarei as constelações panorâmicas destes dias
internos.
Vou morrer assim, arfando
entre o mar fotográfico
e côncavo
e as paredes com as pérolas afundadas. E a lua desencadeia nas grutas
o sangue que se agrava.
Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança
contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio
que soprou nos estúdios cavados. É a cólera que me leva
aos precipícios de agosto, e a mansidão
traz-me às janelas. São únicas as colinas como o ar
palpitante fechado num espelho. É a estação dos planetas.
Cada dia é um abismo atómico.
E o leite faz-se tenro durante
os eclipses. Bate em mim cada pancada do pedreiro
que talha no calcário a rosa congenital.
A carne, asfixiam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.
É em nós que se encurva o nervo do arco
contra a flecha. Deus ataca-me
na candura. Fica, fria,
esta rede de jardins diante dos incêndios. E uma criança
dá a volta à noite, acesa completamente
pelas mãos.
Herberto Hélder
detidos: hei-de partir quando as flores chegarem
à sua imagem. Este verão concentrado
em cada espelho. O próprio
movimento o entenebrece. Mas chamejam os lábios
dos animais. Deixarei as constelações panorâmicas destes dias
internos.
Vou morrer assim, arfando
entre o mar fotográfico
e côncavo
e as paredes com as pérolas afundadas. E a lua desencadeia nas grutas
o sangue que se agrava.
Está cheio de candeias, o verão de onde se parte,
ígneo nessa criança
contemplada. Eu abandono estes jardins
ferozes, o génio
que soprou nos estúdios cavados. É a cólera que me leva
aos precipícios de agosto, e a mansidão
traz-me às janelas. São únicas as colinas como o ar
palpitante fechado num espelho. É a estação dos planetas.
Cada dia é um abismo atómico.
E o leite faz-se tenro durante
os eclipses. Bate em mim cada pancada do pedreiro
que talha no calcário a rosa congenital.
A carne, asfixiam-na os astros profundos nos casulos.
O verão é de azulejo.
É em nós que se encurva o nervo do arco
contra a flecha. Deus ataca-me
na candura. Fica, fria,
esta rede de jardins diante dos incêndios. E uma criança
dá a volta à noite, acesa completamente
pelas mãos.
Herberto Hélder
Velho Capitão 0 - Sporting 3
A questão que se coloca hoje é porque é que não entramos assim no jogo da taça que até era mais decisivo que este? A resposta é simples, porque não temos treinador. A equipa só rende quando sente os calos apertados pela direcção e é esse motivo que tem evitado a terceira derrota consecutiva. Já esteve duas vezes à beira de acontecer. O treinador, que nem é mau rapaz, não tem mão na equipa. Qualquer atrasado percebe isso, até o bom do Djaló. Basta fazer uma sondagem aos adeptos a perguntar se com Paulo Sérgio ao leme alguém acredita que o Sporting vai ganhar algum título? E os clubes, para o bem e para o mal, vivem de títulos....
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
O Sentido da Crise
Parece que na presente época natalícia está-se a gastar mais que o ano passado.
Jeremias, para não fugir à tendência geral, estava a pensar este ano oferecer um presente também a um tal de FMI......
Jeremias, para não fugir à tendência geral, estava a pensar este ano oferecer um presente também a um tal de FMI......
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Inside Job - A Verdade da Crise
Um documentário de Charles Ferguson que revela alguns dos motivos para o despoletar da grande crise mundial de 2008, que de resto ainda sentimos na pele em Portugal. E de que maneira.
Com narração de Matt Damon o que quer se queira quer não ajuda a credibilizar a coisa é um documentário que, com as devidas distâncias, faz lembrar Michael Moore. A associação com o Realizador de Fahrenheit 9/11 faz mais sentido nas partes em que Ferguson arrasa alguns dos poderosos com responsabilidades na altura dos factos. Por exemplo o ainda presidente da reserva federal americana, Ben Bernanke, que muito estranhamente no início do corrente ano foi reconduzido no cargo. Dá que pensar esta recondução de Bernanke por Obama. Pessoalmente nunca me iludi extraordinariamente com Obama, mas não deixa de ser um ângulo interessante esta primeira abordagem cinematográfica menos positiva ao desempenho do Presidente Americano.
Outra perspectiva possível para Inside Job é a realidade assustadora que apresenta, mas aí só se chocará quem acreditava que o capitalismo mais selvagem não tinha um lado B, bem menos idílico do que os prazeres subjacentes à sociedade de consumo.
Nos tempos do Wikileaks, das revelações à escala mundial dos podres escondidos nas relações diplomáticas e da discussão generalizada da existência ou não de limites para a liberdade de expressão, não deixa de ser esclarecedor o visionamento deste documentário no sentido de percebermos como "os governos de Wall Street" controlam o mundo em que vivemos…
Com narração de Matt Damon o que quer se queira quer não ajuda a credibilizar a coisa é um documentário que, com as devidas distâncias, faz lembrar Michael Moore. A associação com o Realizador de Fahrenheit 9/11 faz mais sentido nas partes em que Ferguson arrasa alguns dos poderosos com responsabilidades na altura dos factos. Por exemplo o ainda presidente da reserva federal americana, Ben Bernanke, que muito estranhamente no início do corrente ano foi reconduzido no cargo. Dá que pensar esta recondução de Bernanke por Obama. Pessoalmente nunca me iludi extraordinariamente com Obama, mas não deixa de ser um ângulo interessante esta primeira abordagem cinematográfica menos positiva ao desempenho do Presidente Americano.
Outra perspectiva possível para Inside Job é a realidade assustadora que apresenta, mas aí só se chocará quem acreditava que o capitalismo mais selvagem não tinha um lado B, bem menos idílico do que os prazeres subjacentes à sociedade de consumo.
Nos tempos do Wikileaks, das revelações à escala mundial dos podres escondidos nas relações diplomáticas e da discussão generalizada da existência ou não de limites para a liberdade de expressão, não deixa de ser esclarecedor o visionamento deste documentário no sentido de percebermos como "os governos de Wall Street" controlam o mundo em que vivemos…
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
GIN SEM TÓNICA
Uma garrafa de gin
estava a preocupar
o pescador
a garoupa e o rodovalho
não tinham aparecido
pró jantar
que fazer?
telefonou ao ministro
da Pesca e do Trabalho
mas o ministro
estava a trabalhar na cama
com a mulher
foi então
que a garrafa de gin
sugeriu discretamente
porque não
telefonar ao presidente?
telefonaram
o presidente da nação
estava em acção
na cama
com a mulher
nessa altura
até que enfim
encontraram a solução
o pescador
foi para a cama
com a garrafa de gin
Mário-Henrique Leiria
estava a preocupar
o pescador
a garoupa e o rodovalho
não tinham aparecido
pró jantar
que fazer?
telefonou ao ministro
da Pesca e do Trabalho
mas o ministro
estava a trabalhar na cama
com a mulher
foi então
que a garrafa de gin
sugeriu discretamente
porque não
telefonar ao presidente?
telefonaram
o presidente da nação
estava em acção
na cama
com a mulher
nessa altura
até que enfim
encontraram a solução
o pescador
foi para a cama
com a garrafa de gin
Mário-Henrique Leiria
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
O Lutador
Já há algum tempo que este Blogue não andava às voltas com o inefável John Garden, personagem que abomino mas em quem reconheço excelentes qualidades humorísticas. Aqui fica serviço público ao mais alto nível. A celestial inspiração de um verdadeiro Lutador nestes tempos difíceis em que vivemos….
sábado, 11 de dezembro de 2010
Subtilezas Porno-Populares + Esta Vida + Canto aos Peixes – Ex Votos
Tripla recordação dos Ex Votos, a Banda de Zé Leonel, um dos fundadores dos Xutos…
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
A Divina Hipocrisia
Sustentam-se decisões com base em critérios inexplicáveis. Investem-se fortunas para elevar o que não é digno sequer de registo. Evocam-se solidariedades como se a merda fosse transparente.
O importante para os vampiros é ir salvando o umbigo….
O importante para os vampiros é ir salvando o umbigo….
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
José e Pilar
Filme de Miguel Gonçalves Mendes que já tinha realizado Autografia dedicado a Mário Cesariny. São documentários diferentes. Pessoalmente, identifico-me mais com a obra sobre Cesariny. Autografia transpirava genuinidade. Em José e Pilar existe alguma artificialidade camuflada. Nota-se que existe por parte do casal, na minha modesta perspectiva, uma ténue mas visível vontade de manipular o resultado final. Isto, por mais que o realizador o negue. Existe também aqui ou ali sinais de uma produção demasiado estilizada a cair para o televisivo. A esse propósito, saliente-se que a SIC era um dos parceiros do projecto. Durante o visionamento torna-se evidente que Saramago estava imbuído do espírito de querer deixar um legado. E este filme era um bom veículo para esse fim.
Não se pense pelas minhas palavras que não estamos perante um grande e recomendável filme. Pessoalmente, não me interessa o julgamento positivo ou negativo que se possa fazer do papel de Pilar na vida de Saramago. O mais fascinante é a cadência narrativa imposta por Miguel Gonçalves Mendes que consegue levar o filme através de uma emotividade congruente.
Com uma soberba montagem, José e Pilar revela com exactidão os segredos para a complementaridade harmoniosa entre duas pessoas. A melancolia de um português triste, por mais genial que possa ter sido, cruzada com a energia e a vivacidade de uma andaluza espontânea e electrizante só pode resultar num argumento acutilante.
Para além de todas as conhecidas virtudes, José Saramago era senhor de uma invulgar coerência e de uma notável sobriedade que o levou à melhor definição de sempre para a velhice. Algo como: «A velhice é sentir cada fim do dia como uma perda irreparável».
A não perder, José e Pilar, que podia muito bem ser Pilar e José...
Não se pense pelas minhas palavras que não estamos perante um grande e recomendável filme. Pessoalmente, não me interessa o julgamento positivo ou negativo que se possa fazer do papel de Pilar na vida de Saramago. O mais fascinante é a cadência narrativa imposta por Miguel Gonçalves Mendes que consegue levar o filme através de uma emotividade congruente.
Com uma soberba montagem, José e Pilar revela com exactidão os segredos para a complementaridade harmoniosa entre duas pessoas. A melancolia de um português triste, por mais genial que possa ter sido, cruzada com a energia e a vivacidade de uma andaluza espontânea e electrizante só pode resultar num argumento acutilante.
Para além de todas as conhecidas virtudes, José Saramago era senhor de uma invulgar coerência e de uma notável sobriedade que o levou à melhor definição de sempre para a velhice. Algo como: «A velhice é sentir cada fim do dia como uma perda irreparável».
A não perder, José e Pilar, que podia muito bem ser Pilar e José...
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
A Quadra
O Alvoroço Natalício apodera-se progressivamente das ruas. Jeremias - um Ateu inveterado - habituou-se ao longo dos tempos a encarar o natal como uma espécie de evento gastronómico…...
Peso de Outono
Eu vi o Outono desprender suas folhas,
cair no regaço de mulheres muito loucas.
Cem duzentas pessoas num café cheio de fumo
na cidade de Heidelberg pronta para a neve
saboreavam tepidamente a sua ignorância.
Eu vi as amantes ensandecerem
com esse peso de Outono. Perderam as forças
com o Outono masculino e sangrento.
Os gritos a meio da noite
das amantes a meio da loucura voavam
como facas para o meu peito.
Alguns poetas li-os melhor no Outono,
certos amores só poderia tê-los,
como tive, nos dias doces da vindima.
Fernando Assis Pacheco
cair no regaço de mulheres muito loucas.
Cem duzentas pessoas num café cheio de fumo
na cidade de Heidelberg pronta para a neve
saboreavam tepidamente a sua ignorância.
Eu vi as amantes ensandecerem
com esse peso de Outono. Perderam as forças
com o Outono masculino e sangrento.
Os gritos a meio da noite
das amantes a meio da loucura voavam
como facas para o meu peito.
Alguns poetas li-os melhor no Outono,
certos amores só poderia tê-los,
como tive, nos dias doces da vindima.
Fernando Assis Pacheco
domingo, 5 de dezembro de 2010
O Objectivo
Ainda mais absurdo que a actual situação em que o Grande Sporting se encontra são as declarações do nosso pequeno (pequenino) treinador que no Record de hoje afirma que o objectivo ainda é o primeiro lugar. Muito justamente, face ao insólito das mesmas, essas declarações são chamadas para a primeira página. A que será que Paulo Sérgio (futuro treinador do Moreirense ou desempregado no activo como Carvalhal) se estava a referir:
- Ao campeonato do berlinde do bairro do lumiar?
- Ao campeonato de tiro à carica de Alvalade?
- À pesca do Besugo?
Com um treinador com estes níveis de sobriedade, mesmo assim não estamos muito mal, e temos boas hipóteses de chegar a um digno terceiro lugar.
A equipa não é má de todo mas depois de se perder a hipótese de em confronto directo com o líder diminuir a desvantagem para 10, repito 10 pontos, continuado a uns escassos 13, repito 13 pontos, vir dizer que o objectivo ainda é o primeiro lugar, diz muito acerca da desorientação generalizada que floresce em Alvalade.
E posso estar enganado, mas para nosso azar, vamos andar com esta apatia conformista até ao fim da época. Mesmo com a contestação crescente. Porque a equipa agora até vai ganhar uns joguitos, beneficiando do facto de alguns dos principais jogadores estarem recuperados de lesões, e até é capaz de consolidar o terceiro lugar. Sendo que com esta equipa técnica tenho sérias dúvidas que possamos ganhar alguma das taças ainda em disputa, mas se as coisas correrem normalmente isso só se decidirá lá mais para o fim da época. Ou seja, o problema será adiado mas a inevitável saída de Paulo Sérgio é uma mera questão de tempo.
Costinha não é de todo o principal culpado. Estou mesmo convencido que se começasse a sua carreira de director desportivo num clube mais estável certamente que teria sucesso. Sendo que no caso Izmailov (ainda hoje mal explicado) tem de facto também ele culpa no cartório porque tem sido um processo pessimamente gerido por toda a estrutura.
Quanto a José Eduardo Bettencourt tenho muita pena das coisas não estarem a resultar até porque tenho a certeza, tal como eu, trata-se de um sportinguista apaixonado. Mas na gestão do futebol (o mais importante) tem-se revelado um autêntico flop com muitos laivos de incompetência pelo meio.
Relativamente ao futuro, posso estar muito enganado mas cheira-me que vão aparecer muitas alternativas ao lugar de Bettencourt. Agora se existirão soluções credíveis ou não, só o tempo o dirá. Até porque já há imenso tempo que anda muita gente a cheirar a podridão e hoje a presidência do Sporting é bem mais apelativa do que era há uns meses atrás. Isto por duas razões:
1) Fazer pior do que nas duas últimas épocas é difícil, e então escolher um treinador para a equipa de futebol menos capacitado dos que os escolhidos por Bettencourt é praticamente impossível.
2) A casa agora encontra-se mais arrumada e menos endividada. Mérito deste presidente (honra lhe seja feita) que tirando o mais importante - o futebol - até tem feito um trabalho meritório a outros níveis......
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
O Bandido
Jeremias achava que o tempo era um perigoso bandido de asas levantadas. Derrubava tudo o que o rodeava com a maior das facilidades. Para Jeremias, alguém devia algemar o tempo…..
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A Crónica do Triste Fado
Portugal é hoje o que sempre foi e o que sempre será. Mesmo com as crescentes inovações tecnológicas tendencialmente “globalizantes” o fado português perdurará inalterável. Aliás, o fado é o nosso único grande desígnio. Cada nação tem a sorte que merece. O Brasil tem o samba. Querem lá coisa mais alegre? A nós calhou-nos o mais pesaroso dos estilos de música. Mais que uma maneira de ser esta tendência para o sombrio está-nos nos genes, corre-nos no sangue, atravessa-nos a pele. Por norma, para um brasileiro está tudo jóia, mas para um macambúzio de origem lusa vai-se andando, está-se assim-assim. Raramente, muito raramente, está tudo bem.
Como resultado desta apregoada taciturnidade em cada exemplar Tuga encontra-se um putativo escritor. Adaptando a emblemática letra revolucionária de Zeca Afonso: em cada esquina um poeta, em cada rosto sisudo uma inspiração. A poesia passeia pelas ruas de mãos dadas com a melancolia reinante.
País de navegadores e aventureiros, de ancestrais conquistadores, vivemos sempre - como agora - à beira do abismo. É verdade que partimos com frequência à aventura na esperança de um futuro mais risonho. A história de Portugal está cheia de períodos em que houve enormes níveis de emigração. No entanto, curiosamente, essa fuga somente se concretiza quando não existem mais alternativas. Muitas vezes a vontade de partir termina à mesa do café de Bairro numa avalanche contínua de lamentações e indignações. Reagimos somente em último recurso, quando não existe mais chão para pisar. Sempre foi assim, até nas graves crises económicas. Mais FMI, menos FMI, continuaremos eternamente com a nossa irrepreensível letargia. O comodismo é uma espécie de desporto nacional de eleição. Quando resolvemos fazer, normalmente até não nos saímos mal, contudo mantemos uma atávica resistência à mudança.
A incapacidade para planear minimamente o futuro e a falta de memória são outras idiossincrasias lusas. Com a mesma facilidade que trucidamos determinada personagem, amanhã colocamo-la no pedestal. É uma grave esquizofrenia, sem dúvida, mas funciona ao mesmo tempo como estimulo e alavanca social, designadamente ao nível das cabeleireiras de bairro.
Cada País tem os cidadãos que merece. O Brasil tem actualmente como Presidente um Lula, o que aparenta desde logo alguma vivacidade. Portugal tem como presidente uma espécie de múmia ressuscitada (mas pouco) de nome Cavaco, o que é francamente elucidativo....
Como resultado desta apregoada taciturnidade em cada exemplar Tuga encontra-se um putativo escritor. Adaptando a emblemática letra revolucionária de Zeca Afonso: em cada esquina um poeta, em cada rosto sisudo uma inspiração. A poesia passeia pelas ruas de mãos dadas com a melancolia reinante.
País de navegadores e aventureiros, de ancestrais conquistadores, vivemos sempre - como agora - à beira do abismo. É verdade que partimos com frequência à aventura na esperança de um futuro mais risonho. A história de Portugal está cheia de períodos em que houve enormes níveis de emigração. No entanto, curiosamente, essa fuga somente se concretiza quando não existem mais alternativas. Muitas vezes a vontade de partir termina à mesa do café de Bairro numa avalanche contínua de lamentações e indignações. Reagimos somente em último recurso, quando não existe mais chão para pisar. Sempre foi assim, até nas graves crises económicas. Mais FMI, menos FMI, continuaremos eternamente com a nossa irrepreensível letargia. O comodismo é uma espécie de desporto nacional de eleição. Quando resolvemos fazer, normalmente até não nos saímos mal, contudo mantemos uma atávica resistência à mudança.
A incapacidade para planear minimamente o futuro e a falta de memória são outras idiossincrasias lusas. Com a mesma facilidade que trucidamos determinada personagem, amanhã colocamo-la no pedestal. É uma grave esquizofrenia, sem dúvida, mas funciona ao mesmo tempo como estimulo e alavanca social, designadamente ao nível das cabeleireiras de bairro.
Cada País tem os cidadãos que merece. O Brasil tem actualmente como Presidente um Lula, o que aparenta desde logo alguma vivacidade. Portugal tem como presidente uma espécie de múmia ressuscitada (mas pouco) de nome Cavaco, o que é francamente elucidativo....
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Copie Conforme
Num dos mais aguardados filmes dos últimos tempos, o Iraniano Abbas Kiarostami aterra na Europa para criar mais uma das suas singulares obras desta vez com a tentadora companhia de Juliette Binoche no papel principal.
Binoche, qual vinho do porto, está cada vez melhor actriz. O seu rosto não é um poema, é um compêndio da mais excepcional poesia. Um dia ainda hei de escrever um cabrão dum texto sobre o rosto de Binoche...
Binoche, qual vinho do porto, está cada vez melhor actriz. O seu rosto não é um poema, é um compêndio da mais excepcional poesia. Um dia ainda hei de escrever um cabrão dum texto sobre o rosto de Binoche...
domingo, 28 de novembro de 2010
Acorda Sporting
O empate era para mim era o pior resultado possível para este escaldante Sporting-Porto. Por um lado não recuperamos terreno. Por outro, o revés não é suficiente para que a cabeça de Paulo Sérgio role e possa finalmente ir treinar o Moreirense. A sua continuidade, como já se percebeu, compromete quaisquer aspirações de ganhar algo esta época. E continuo a insistir, o Sporting não tem tão má equipa como parece. Além do mais continuamos atrás do Guimarães, ao qual fomos contratar este fabuloso treinador por 600 000 Euros. Em outros tempos, estar a 13 pontos da liderança no decorrer ainda da primeira volta do campeonato, com a possibilidade de ficar a cinco do segundo (ou seja, a depender de terceiros mesmo para o 2.ºlugar) seria motivo mais que suficiente para um levantamento em Alvalade.
Mas infelizmente o Sporting nos dias que correm não é mais que isto. É todavia de louvar os mais de 36 000 adeptos que, mesmo assim, se deslocaram a Alvalade (sendo que 5 000 ou mais eram do Porto) para apoiar uma equipa que durante 90 minutos não consegue fazer um cruzamento em condições para a área adversária (volta Abel, estás perdoado) e que a jogar contra dez, precisando impreterivelmente de vencer, não consegue efectuar um lançamento lateral de acordo com as leis do jogo.
A claque mais representativa do clube já nem sequer põe as habituais tarjas identificativas. Se por acaso foi uma forma de protesto contra um treinador de terceira categoria que até a fazer uma simples substituição demora uma eternidade, acho que fizeram muito bem.
Dizem que rematamos sempre muito. Sim, mas e daí? Em 10 remates o André Santos ou o Postiga acertam uma vez na baliza, sendo que normalmente esse remate não dá golo. A equipa remata de longe porque é desequilibrada emocionalmente. Ainda ontem houve duas, três situações em que jogadores nossos podiam ficar isolados, caso os companheiros não tomassem a péssima opção de rematar de longe.
Bettencourt com as declarações imbecis de meio da semana teve o que semeou e hoje foi o principal culpado do sporting não ter ganho. Fomos uma equipa de totós em solidariedade com o nosso presidente. O enxovalho de estar sentado ao lado de Pinto da Costa na tribuna em Alvalade foi a cereja em cima do bolo.
No fim de tudo isto, há sportinguistas por essa blogosfera a exultarem por termos ganho um ponto ao Guimarães, o que diz tudo relativamente ao estado a que o nosso Grande clube chegou.....
Mas infelizmente o Sporting nos dias que correm não é mais que isto. É todavia de louvar os mais de 36 000 adeptos que, mesmo assim, se deslocaram a Alvalade (sendo que 5 000 ou mais eram do Porto) para apoiar uma equipa que durante 90 minutos não consegue fazer um cruzamento em condições para a área adversária (volta Abel, estás perdoado) e que a jogar contra dez, precisando impreterivelmente de vencer, não consegue efectuar um lançamento lateral de acordo com as leis do jogo.
A claque mais representativa do clube já nem sequer põe as habituais tarjas identificativas. Se por acaso foi uma forma de protesto contra um treinador de terceira categoria que até a fazer uma simples substituição demora uma eternidade, acho que fizeram muito bem.
Dizem que rematamos sempre muito. Sim, mas e daí? Em 10 remates o André Santos ou o Postiga acertam uma vez na baliza, sendo que normalmente esse remate não dá golo. A equipa remata de longe porque é desequilibrada emocionalmente. Ainda ontem houve duas, três situações em que jogadores nossos podiam ficar isolados, caso os companheiros não tomassem a péssima opção de rematar de longe.
Bettencourt com as declarações imbecis de meio da semana teve o que semeou e hoje foi o principal culpado do sporting não ter ganho. Fomos uma equipa de totós em solidariedade com o nosso presidente. O enxovalho de estar sentado ao lado de Pinto da Costa na tribuna em Alvalade foi a cereja em cima do bolo.
No fim de tudo isto, há sportinguistas por essa blogosfera a exultarem por termos ganho um ponto ao Guimarães, o que diz tudo relativamente ao estado a que o nosso Grande clube chegou.....
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Não foi um diário intimista,
não foi um exercício de estilo,
não foi um livro de memórias.
Foi o que foi!
Sem uma carta
de intenções determinada.
Actualidades,
politica sem partidarismos,
arte de excepção,
temporalidades e
intemporalidades,
devaneios diversos,
o Grande Sporting
e outras amarguras,
foram assuntos recorrentes.
Foram 5 anos!...
Obrigado a todos os que
passaram por aqui.
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