quarta-feira, 8 de junho de 2011

Portugal, que futuro?

Portugal é um antiquíssimo submarino que permanece encalhado mas que agora é liderado por um comandante liberal.
O submarino, a cair de podre, anda com súbitas preocupações sociais e o comandante, qual Che Guevara de Massamá, acha-se Africano até ao tutano...

Poema do Futuro

Conscientemente escrevo e, consciente,
medito o meu destino.

No declive do tempo os anos correm,
deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.

Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.

António Gedeão – Pseudónimo de Rómulo de Carvalho

terça-feira, 7 de junho de 2011

A Sucessão

O PS prepara-se para a inevitável travessia do deserto, habitual, quando existe uma mudança de ciclo. Entretanto começam a ser conhecidos os presumíveis candidatos à liderança e as movimentações inerentes à corrida que se avizinha. O triste fado português que caracterizou as sucessivas governações começa a ser traçado precisamente nestes momentos de contagem de espingardas no interior dos principais partidos. As bases, os boys, as conspirações, os favores que mais tarde serão pagos pelo contribuinte; tudo isso ajuda a compreender com clareza o deplorável estado a que chegaram as finanças do Estado. A noção de serviço público desta gente é zero. Passos Coelho é o perfeito exemplo acabado deste folclore…

Impressões Digitais – GNR

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Agora, Aguentem-se!

O injustiçado Sócrates sai de cena perante a alegria generalizada do País. Passos entra com a graça do Senhor Cavaco. Portas sonhava com voos mais altos, mas assim também lhe serve perfeitamente. Jerónimo mantém o patriotismo de esquerda e Louça caiu na própria armadilha.
As diferenças entre PS e PSD no governo são relativas. Com o PS a austeridade continuaria, mas de forma menos dolorosa. Com este PSD no poder, as medidas serão menos equilibradas e drasticamente cegas. Mas a magnitude dos ventos da mudança são implacáveis. Portugal - num rasgo de esperança ingénua que acompanha sempre os moribundos - acordou bem disposto. Até no declínio, encontramos poesia...

Edgar Degas

domingo, 5 de junho de 2011

E vão 3

Já fez 1, 2, e hoje o Hipocrisias Indígenas faz 3 anos, curiosamente no dia em que o seu amado povo vai a votos.
Muito a propósito, continua pois o Hipocrisias com o branco como pano de fundo que é para condizer com o meu voto. Quem sabe se no quarto aniversário não voltará a cores mais festivas, como o verde do meu Sporting?
Por enquanto, com perto de 30 mil visitas, vai muito bem assim. E sinceramente não consigo contabilizar com exactidão quantos desses 30 000 vieram cá parar pela pesquisa das palavras “indígenas nuas”, mas garanto que foram certamente muitos.
Escrevo pois para uma imensa minoria que me faz o obséquio de quando em vez por aqui aparecer. Um agradecimento especial e um grande bem hajam para todos os Indígenas que por aqui vão passando...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Eu Voto Branco (parte V)

Depois de em termos eleitorais ter resolvido nas últimas presidenciais interromper a minha brancura angélica para sacar da cartola um voto de protesto num apalhaçado Coelho, posso declarar que no próximo Domingo retomarei a minha saga pelo voto em branco.

A campanha tem sido aquilo que se esperava. O espectro do hipotético empate técnico faz com que os principais partidos façam uma marcação serrada e diária uns aos outros, recorrendo para isso a episódios frívolos sem qualquer significado político.
O Professor Cavaco mantém-se silencioso na esperança que floresça uma óbvia solução governativa. Apesar de o próprio merecer o contrário, porque foi ele um dos principais propulsores da crise política, as coisas tendencialmente caminharão para uma maioria de direita que lhe tirará a pressão de cima. Agora, se por acaso acontecer o contrário, Cavaco deveria assumir um tremendo erro de cálculo e seria engraçado ver tão desastrada personagem a chafurdar na lama que criou, e a ser obrigado a nomear Sócrates como Primeiro-Ministro. Ao menos, era cenário com piada.

Quanto aos partidos propriamente ditos, pois é de uma escolha democrática que se trata, anoto as seguintes constatações:
Sócrates, no qual ponderei inclusivamente votar pela primeira vez, é um sobrevivente por excelência. Adapta-se às circunstâncias como ninguém. É peixe dentro de água e se por acaso vencer as eleições, nem que seja por um voto, estamos perante um facto absolutamente singular na história das democracias europeias. Contra si, tem praticamente toda a opinião pública. Não o convidaria para um café, mas reconheço-lhe uma determinação invulgar e uma noção de serviço público que ao contrário do que se pensa não abunda por aí. Não voto nele, porque apesar de ter corrigido em parte a doença, sempre se preocupou em demasia com os soundbytes mediáticos. Valorizou vezes sem conta a fantochada em detrimento da resolução efectiva dos problemas das pessoas. Hoje está a pagar por isso, mas afirmar que os Magalhães ou as novas oportunidades foram medidas nefastas é de rir. Isto, num país onde sabe ler e escrever é ainda em grande parte uma ciência desconhecida.

O PSD de Passos Coelho aparece assim como uma espécie de criança indesejada. Não faz rejuvenescer a tão propagada esperança. Enrola-se num mar de contradições. Apresenta um Programa, ao que dizem coerente e em sintonia com o FMI (admito que sim), mais depois apresenta-o de forma atabalhoada mudando de estratégia todos os dias. Mas o mais preocupante neste PSD são as inutilidades pensantes que rodeiam Passos Coelho. Gente que não faz a mais pequena ideia do que é governar um país cheio de interesses corporativos. Ficaria mais descansado se essa gente, mesmo sem competência para o efeito, quisesse realmente afrontar as conveniências instaladas mas o problema central é que essa gentinha o que quer mesmo é alimentar novos tentáculos de poder, começando por se servir a si própria.

O CDS de Portas vai ter uma histórica subida como já há muitos meses é previsível. Provavelmente vai ser parte da solução. Ver Paulo Portas a deambular pelo terreno histórico da esquerda é uma das excentricidades desta campanha. Quem votar nele - e serão muitos os descontentes que o irão fazer pelo que me tenho apercebido - não se esqueça de levar nos bolsos uns submarinozitos de 832,9 milhões de euros para defender a inexpugnável nação de presumíveis invasores que, como se sabe, deverão ser às dúzias.

Da CDU e Jerónimo de Sousa não há grande coisa a acrescentar. São iguais a eles próprios. Um governo patriótico de esquerda como defendem só existe mesmo na cabeça de alguns deles (poucos, cada vez menos). Os outros vão atrás porque já não estão a tempo de mudar. Relativamente à campanha é a coerência habitual, o que cada vez vale menos diga-se, porque a conjuntura mundial vai no sentido contrário à clarividência dos cérebros comunistas.

Do Bloco de Esquerda espera-se uma descida acentuada. Justa aliás, face a episódios deploráveis como, entre outros, a invenção de uma moção de censura inexplicável ao governo. Poderá eventualmente a descida não ser tão drástica como se chegou a temer porque Louça em campanha gera sempre simpatias, fazendo uso de um discurso articulado, bem direccionado e até popularucho aqui ou ali. Mas independentemente dos números da queda, este BÉ já perdeu todas as oportunidades para ganhar asas para outros voos. Entrou muito provavelmente em declínio e dificilmente se levantará.

Resumindo, o cenário mais provável a sair das eleições do próximo domingo é a maioria de direita com Passos Coelho – esse herói português de Massamá – a liderar o governo. Aliás, na sequência do que tem vindo a acontecer por essa Europa fora. Apesar de não ser de todo a melhor opção, até posso aceitar que talvez seja a solução mais apaziguadora ao nível económico de momento, face à encruzilhada em que o País se encontra e aos compromissos que terá de assumir a curto-prazo. E claro porque a alternância democrática também é uma conquista de Abril. Agora, preparem-se para a incompetência despudorada e para a destruição progressiva de uma estado social, já por si debilitado, com os custos que isso acarretará para todos. E não se pense que as medidas serão implementadas rapidamente mesmo estando a direita no poder. A confusão reinará porque uma coisa é prometer, outra diferente, é ter de meter mãos à obra sem conhecer os problemas em profundidade. Mas a verdade é que o FMI obriga a que sejam tomadas no imediato medidas que se encontram há décadas na gaveta, por falta de coragem politica e de um planeamento sustentado. Sócrates talvez seja o que menos merecia estar no banco dos réus porque mexeu pela primeira vez em muito tempo em áreas sensíveis mas Cavaco, Guterres e Durão Barroso já tiveram os castigos devidos. Basta ver por onde andam...

terça-feira, 31 de maio de 2011

O Pepino que matava indiscriminadamente

Não me sai da cabeça a ideia de um pepino de coldre e pistola, qual frio assassino, à espreita em cada supermercado, em cada banca de legumes. Este mundo é um sítio demasiado perigoso para se viver. Aceitam-se Permutas….

O Teatro dos Sonhos

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Árvore da Vida

Terrence Malick, o realizador do aclamado "A Barreira Invisível" de 1998 leva-nos numa inolvidável viagem pela Palma de Ouro em Cannes deste ano.
The tree of life é uma épica odisseia de imagem, cor e som. Um filme imenso e intrinsecamente original na abordagem. Apesar do argumento não ser tão pujante como em a barreira invisível, continua a andar às voltas com os fantasmas da morte, aqui explorados com especial misticismo.
O filme conta com Brad Pitt no papel de pai austero de um complexo adolescente, mas nunca foram os actores a marcar o compasso na cabeça do Realizador americano. Terrence Malick é um dos últimos Samurais do cinema de Autor. As árvores que obsessivamente filma crescem muito para além do óbvio. Resistem a todas as tempestades e representam as raízes de um enorme prazer em fazer Cinema com C Grande…


sábado, 28 de maio de 2011

O Zombie

Jeremias não era apologista de grandes ficções mas havia determinadas denominações que, por vezes, lhe assentavam na perfeição...

Peso do Mundo

A poesia não é, nunca foi
uma enumeração ou composto
de exuberância, bondade,
altitude, nem arado
ou dádiva sobre chão
prenhe de mortos.

Nem o arrependimento
de Deus por ter criado o homem
com o rosto da sua memória,
ao lado dos seus vermes.

Tão-pouco fôlego dos que amam
abrindo a porta límpida
do corpo e chovendo sobre a terra,
ou carregam como tartarugas
o peso do mundo.

Nem reverência por um tigre,
pela leveza maligna de todas as patas,
pela sonolência junto à estirpe
aprisionada também
na dureza de ser tigre.

É o milagre de uma arma
total, de uma só palavra
reduzindo o átomo à completa inocência.

António Osório

quarta-feira, 25 de maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

A Ansiedade Mediática

As televisões dos opinion makers da Nação não são definitivamente iguais à minha. O normal resultado de um debate entre Sócrates e Passos Coelho seria 9 a 1. Como acabou 7 a 3 para Sócrates, que mesmo assim venceu de goleada, toda a gente se acha com legitimidade para deturpar o que viu.
Se esta imbecil análise dos Media conta para alguma coisa importante? Não creio, mas diz muito acerca da psicologia dominante na opinião pública. Sócrates não pode, nem merece ganhar as eleições. A partir daí vale tudo, na ansiedade mediática que se vive para consumar o fecho de um ciclo e, por conseguinte, velar o moribundo...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Gato

Ao gato que mia nas minhas costas
à vida que se escapa nas palmas das mãos
ao vento que sopra na fronteira do dia
no imenso miar de cio reprimido.

Ao pássaro indelével que reclama poesia
às luzes apagadas que fundem rimas
ao estridente acordar do cão vagabundo
no brinde desesperado do dobrar da noite.

Um país que se afoga sem saber porquê
num lugar estranho que esconde a razão
livrem-nos das maldições de trazer por casa
recordem-nos façanhas que outrora alcançamos…

O Plágio

Presidente do PSD anunciou que vai acabar com o Ministério da Cultura, caso ganhe as eleições e Paulo Portas, entretanto não tenha prometido o lugar ao Barbeiro. A Cultura ficará na dependência directa do primeiro-ministro, diz Passos Coelho, que lhe dedicará o espaço disponível para livros na sua mesa-de-cabeceira, entre o despertador em forma de okapi e o telefone vermelho directo para Ângelo Correia. As notícias de que o Ministério da Cultura laranja seria deslocado para a marquise de Vasco Pulido Valente, ou para o iPad de Pacheco Pereira, não têm fundamento (MB, Mário Botequilha in Inimigo Público)....