quarta-feira, 22 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Viagem a Portugal
Viagem a Portugal é um filme de Sérgio Tréfaut que aborda as contingências, por vezes desumanas, do controle de estrangeiros nos aeroportos europeus.
Maria, uma médica ucraniana interpretada por Maria de Medeiros, aterra no aeroporto de Faro em Portugal, com visto de turismo, e com o objectivo de se juntar ao marido senegalês que trabalha nas obras da Expo, decorria então o ano de 1997. Maria vai embater de frente com a inflexibilidade de um sistema cego cujo principal rosto é assumido por uma inspectora preconceituosa interpretada por Isabel Ruth.
Tréfaut parte de uma abordagem original com cenários minimalistas rodados a preto e branco. O filme baseado num caso verídico conta a história com precisão, sem entrar por outros caminhos que o podiam tornar mais interessante. É de realçar no entanto o fio condutor e a extrema coerência de toda a obra do realizador que tem tido o mérito de pôr o país a pensar sobre as prementes questões da imigração…
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Nobre Day
Qualquer que seja o desfecho final da votação de Fernando Nobre para presidente do parlamento há um derrotado à partida: o próprio. Mesmo que vença, o povo cá fora não o quer lá certamente. E fica como um excelente estudo de caso para o futuro. Como é que um tipo com uma actividade de cidadania activa, meritória e respeitável perde toda a credibilidade num abrir e fechar de olhos?...
Só dos Mortos Devemos Ter Ciúmes
Só dos mortos devemos ter ciúmes; acordar
de entre as pedras doentes dolorosos
que da beira das arribas nos atirem ao porto
onde enfim se encontre a nossa angústia.
Só eles lutam palmo a palmo pelo espaço
em que já vertical erguemos nosso braço
em busca de que sumo ou de que céu. É que só eles
nos retiram da cama de que por nós foi feita
a escolha: a macieza intensa que julgámos
eterna, que nos parecia tão cordatamente
entregue à nossa própria suma sumaúma.
Só os mortos, horror, inda que vivos, vivem
paredes meias com os nossos dedos, logo afastam
os momentos ferozes que tocássemos, e as nuvens
por sobre o mar dos olhos: é bem feito,
dizem os meninos. Pois que dos vivos vivos
a vida nos desvia e nisso nos conduz, assaz
encaminhados pelo que vamos querendo.
Só os mortos nos mordem, nos apontam
a dedo frio e tenso, entorpecem desejos
e, pois pior, só eles nos expulsam
do vero som dos sinos numa entrega
às palavras baldadas do comércio.
A luta clara que sonhada fosse
pela mão dada e limpa que nos dessem
tropeça, polvo, com misérias nossas
e enterra-te na pérfida, agoniada leira
onde dominam eles nossas bocas e o sangue
que nelas perpassasse. Só os mortos,
invisíveis, letais, pesados entes,
nos disputam a vida, e só por fim nos matam.
Pedro Tamen
de entre as pedras doentes dolorosos
que da beira das arribas nos atirem ao porto
onde enfim se encontre a nossa angústia.
Só eles lutam palmo a palmo pelo espaço
em que já vertical erguemos nosso braço
em busca de que sumo ou de que céu. É que só eles
nos retiram da cama de que por nós foi feita
a escolha: a macieza intensa que julgámos
eterna, que nos parecia tão cordatamente
entregue à nossa própria suma sumaúma.
Só os mortos, horror, inda que vivos, vivem
paredes meias com os nossos dedos, logo afastam
os momentos ferozes que tocássemos, e as nuvens
por sobre o mar dos olhos: é bem feito,
dizem os meninos. Pois que dos vivos vivos
a vida nos desvia e nisso nos conduz, assaz
encaminhados pelo que vamos querendo.
Só os mortos nos mordem, nos apontam
a dedo frio e tenso, entorpecem desejos
e, pois pior, só eles nos expulsam
do vero som dos sinos numa entrega
às palavras baldadas do comércio.
A luta clara que sonhada fosse
pela mão dada e limpa que nos dessem
tropeça, polvo, com misérias nossas
e enterra-te na pérfida, agoniada leira
onde dominam eles nossas bocas e o sangue
que nelas perpassasse. Só os mortos,
invisíveis, letais, pesados entes,
nos disputam a vida, e só por fim nos matam.
Pedro Tamen
sexta-feira, 17 de junho de 2011
A Grandeza
A Enormidade de um Clube vê-se nestes pormenores. Reparem bem na forma como este jovem adepto Sportiguista resolveu dar as boas-vindas ao novo reforço holandês apresentado ontem à noite, o quase impronunciável Stijn Schaars...
O Acordo
O Governo muda mas os mercados continuam a castigar severamente a nobre nação imortal. Curiosamente a situação até se agravou nos últimos dias. Mais preocupante que o descalabro grego é os indícios de que a Espanha pode também cair nas malhas do resgate externo e, nesse cenário, as complicações assumiriam para nós repercussões incalculáveis. O nosso futuro a médio-prazo dependerá bastante do nosso vizinho ibérico onde o desemprego assume hoje taxas inacreditáveis. E o tempo é bem capaz de confirmar esta mera suposição.
Numa análise serena, a nova aliança maioritária de direita (Passos-Portas) tem tudo para se manter no poder durante 8 anos no mínimo. Passos Coelho com um perfil mais humano e menos politico que Sócrates - o que obviamente o favorece - terá de início alguma benevolência da população em geral, sem no entanto atingir o habitual estado de graça dos primeiros tempos de outros governantes. Isto também um pouco por força das circunstâncias. Imporá medidas duríssimas de entrada e passados os dois primeiros anos de austeridade começa a trabalhar para a reeleição com a bênção de Cavaco. Agora, isto acontecerá no plano teórico. Por vezes, a realidade prega partidas e entra sem pedir licença…
quarta-feira, 15 de junho de 2011
O Despertar do Leão
Uma olhadela de Leão pelos últimos tempos na vida do Grande Sporting.
Positivo:
- O Futsal - grande equipa. Seria uma tremenda injustiça se não fossem campeões com um verdadeiro Leão (João Benedito) como estandarte. É importante também para alimentar as paixões numa época catastrófica em que nem o habitual futebol de formação ou o andebol conseguiram trazer alegrias;
- A descrição na contratação do holandês Van Wolfswinkel e o assumir de Luís Duque como chefe à antiga do futebol, ainda para mais com poderes reforçados. Mérito de Godinho Lopes. Competência é pôr quem sabe a tratar das coisas importantes. O resto são balelas;
- A saída de Couceiro. Tenho pena mas é positivo. Prestou serviços de relevo e é um grande sportinguista mas a verdade é que era gente a mais na estrutura com tendência para se atropelarem uns aos outros e por isso contribuírem para a destabilização. Espero que Couceiro regresse um dia pela porta grande porque merece;
- Aceito e até acho bom sinal que Domingos queira continuar com Polga (nunca como titular). Prova que sabe o que quer e que necessita de experiência no balneário e gente com anos de casa. As grandes equipas constroem-se assim.
Negativo:
- Perceber que continuamos atrás dos rivais ao nível do poderio financeiro que permite fechar contratações com rapidez. É um facto. Obviamente que agora temos gente com critério a tratar do assunto, o que não acontecia até aqui. Gente que vai tentar diminuir o fosso para os adversários mais directos, mas esse fosso financeiro parece-me que continua a existir, infelizmente para nós;
- A situações de Maniche, Caneira, Vuckevic e Grimi que tardam em ser resolvidas. A meu ver nenhum deles tem perfil para ser enquadrado neste novo ciclo;
- Reforça-se o Departamento Médico mas mantém-se o líder do mesmo, como se não fosse ele o principal responsável pelas asneiras todas cometidas ao longo das últimas épocas.
A sensação que tenho é que para esta direcção conseguir levantar definitivamente o gigante adormecido, o Sporting tem nos próximos anos, além de ser Campeão claro, ganhar uma liga europa ou ir longe numa Champions. Estamos a entrar numa fase crucial para a afirmação do clube. Corremos o risco de perder o comboio dos outros dois concorrentes. Por isso, mãos à obra rapaziada...
Positivo:
- O Futsal - grande equipa. Seria uma tremenda injustiça se não fossem campeões com um verdadeiro Leão (João Benedito) como estandarte. É importante também para alimentar as paixões numa época catastrófica em que nem o habitual futebol de formação ou o andebol conseguiram trazer alegrias;
- A descrição na contratação do holandês Van Wolfswinkel e o assumir de Luís Duque como chefe à antiga do futebol, ainda para mais com poderes reforçados. Mérito de Godinho Lopes. Competência é pôr quem sabe a tratar das coisas importantes. O resto são balelas;
- A saída de Couceiro. Tenho pena mas é positivo. Prestou serviços de relevo e é um grande sportinguista mas a verdade é que era gente a mais na estrutura com tendência para se atropelarem uns aos outros e por isso contribuírem para a destabilização. Espero que Couceiro regresse um dia pela porta grande porque merece;
- Aceito e até acho bom sinal que Domingos queira continuar com Polga (nunca como titular). Prova que sabe o que quer e que necessita de experiência no balneário e gente com anos de casa. As grandes equipas constroem-se assim.
Negativo:
- Perceber que continuamos atrás dos rivais ao nível do poderio financeiro que permite fechar contratações com rapidez. É um facto. Obviamente que agora temos gente com critério a tratar do assunto, o que não acontecia até aqui. Gente que vai tentar diminuir o fosso para os adversários mais directos, mas esse fosso financeiro parece-me que continua a existir, infelizmente para nós;
- A situações de Maniche, Caneira, Vuckevic e Grimi que tardam em ser resolvidas. A meu ver nenhum deles tem perfil para ser enquadrado neste novo ciclo;
- Reforça-se o Departamento Médico mas mantém-se o líder do mesmo, como se não fosse ele o principal responsável pelas asneiras todas cometidas ao longo das últimas épocas.
A sensação que tenho é que para esta direcção conseguir levantar definitivamente o gigante adormecido, o Sporting tem nos próximos anos, além de ser Campeão claro, ganhar uma liga europa ou ir longe numa Champions. Estamos a entrar numa fase crucial para a afirmação do clube. Corremos o risco de perder o comboio dos outros dois concorrentes. Por isso, mãos à obra rapaziada...
domingo, 12 de junho de 2011
As Bodas
A Platina é só para quem a merece. A dádiva não é para quem quer, é para quem sabe. Apesar de por vezes a Anciã parecer alheada da própria vida.
Jeremias, que sabia não poder ambicionar grandes concretizações ao nível das bodas, curvava-se perante tamanha façanha. A vidinha não é para todos…
Jeremias, que sabia não poder ambicionar grandes concretizações ao nível das bodas, curvava-se perante tamanha façanha. A vidinha não é para todos…
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Carlos
Filme de Olivier Assayas.sobre o lendário terrorista, Carlos o chagal, figura chave na história dos anos 70 e 80.
Diga-se desde já que Carlos não era uma pessoa particularmente interessante. Apareceu associado à extrema-esquerda marxista e acabou como um mercenário oportunista ao serviço de quem lhe pagasse melhor. Começou pela defesa da causa palestiniana e depois deambulou como colaboracionista de inúmeras ditaduras (no médio oriente e não só) até ser capturado no Sudão onde estava exilado.
O filme feito originalmente para televisão tem ritmo, mas pouco mais que isso. É entretido mas não desperta curiosidade por aí além. Atendendo a que o argumento do filme é ficcionado, apesar de baseado no percurso de vida do terrorista venezuelano, podia ter ido mais além ao nível da exploração das potencialidades que o projecto à partida oferecia.
Não me engano muito ao afirmar que Carlos não perdia nada se tivesse ficado simplesmente como projecto televisivo (um série de 5 episódios com 100 minutos cada) sem os necessários cortes que a adaptação cinematográfica foi alvo. Talvez apresentado nesse formato o projecto seja mais conseguido...
Diga-se desde já que Carlos não era uma pessoa particularmente interessante. Apareceu associado à extrema-esquerda marxista e acabou como um mercenário oportunista ao serviço de quem lhe pagasse melhor. Começou pela defesa da causa palestiniana e depois deambulou como colaboracionista de inúmeras ditaduras (no médio oriente e não só) até ser capturado no Sudão onde estava exilado.
O filme feito originalmente para televisão tem ritmo, mas pouco mais que isso. É entretido mas não desperta curiosidade por aí além. Atendendo a que o argumento do filme é ficcionado, apesar de baseado no percurso de vida do terrorista venezuelano, podia ter ido mais além ao nível da exploração das potencialidades que o projecto à partida oferecia.
Não me engano muito ao afirmar que Carlos não perdia nada se tivesse ficado simplesmente como projecto televisivo (um série de 5 episódios com 100 minutos cada) sem os necessários cortes que a adaptação cinematográfica foi alvo. Talvez apresentado nesse formato o projecto seja mais conseguido...
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Portugal, que futuro?
Portugal é um antiquíssimo submarino que permanece encalhado mas que agora é liderado por um comandante liberal.
O submarino, a cair de podre, anda com súbitas preocupações sociais e o comandante, qual Che Guevara de Massamá, acha-se Africano até ao tutano...
O submarino, a cair de podre, anda com súbitas preocupações sociais e o comandante, qual Che Guevara de Massamá, acha-se Africano até ao tutano...
Poema do Futuro
Conscientemente escrevo e, consciente,
medito o meu destino.
No declive do tempo os anos correm,
deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.
Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.
António Gedeão – Pseudónimo de Rómulo de Carvalho
medito o meu destino.
No declive do tempo os anos correm,
deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.
Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.
António Gedeão – Pseudónimo de Rómulo de Carvalho
terça-feira, 7 de junho de 2011
A Sucessão
O PS prepara-se para a inevitável travessia do deserto, habitual, quando existe uma mudança de ciclo. Entretanto começam a ser conhecidos os presumíveis candidatos à liderança e as movimentações inerentes à corrida que se avizinha. O triste fado português que caracterizou as sucessivas governações começa a ser traçado precisamente nestes momentos de contagem de espingardas no interior dos principais partidos. As bases, os boys, as conspirações, os favores que mais tarde serão pagos pelo contribuinte; tudo isso ajuda a compreender com clareza o deplorável estado a que chegaram as finanças do Estado. A noção de serviço público desta gente é zero. Passos Coelho é o perfeito exemplo acabado deste folclore…
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Agora, Aguentem-se!
O injustiçado Sócrates sai de cena perante a alegria generalizada do País. Passos entra com a graça do Senhor Cavaco. Portas sonhava com voos mais altos, mas assim também lhe serve perfeitamente. Jerónimo mantém o patriotismo de esquerda e Louça caiu na própria armadilha.
As diferenças entre PS e PSD no governo são relativas. Com o PS a austeridade continuaria, mas de forma menos dolorosa. Com este PSD no poder, as medidas serão menos equilibradas e drasticamente cegas. Mas a magnitude dos ventos da mudança são implacáveis. Portugal - num rasgo de esperança ingénua que acompanha sempre os moribundos - acordou bem disposto. Até no declínio, encontramos poesia...
domingo, 5 de junho de 2011
E vão 3
Já fez 1, 2, e hoje o Hipocrisias Indígenas faz 3 anos, curiosamente no dia em que o seu amado povo vai a votos.
Muito a propósito, continua pois o Hipocrisias com o branco como pano de fundo que é para condizer com o meu voto. Quem sabe se no quarto aniversário não voltará a cores mais festivas, como o verde do meu Sporting?
Por enquanto, com perto de 30 mil visitas, vai muito bem assim. E sinceramente não consigo contabilizar com exactidão quantos desses 30 000 vieram cá parar pela pesquisa das palavras “indígenas nuas”, mas garanto que foram certamente muitos.
Escrevo pois para uma imensa minoria que me faz o obséquio de quando em vez por aqui aparecer. Um agradecimento especial e um grande bem hajam para todos os Indígenas que por aqui vão passando...
Muito a propósito, continua pois o Hipocrisias com o branco como pano de fundo que é para condizer com o meu voto. Quem sabe se no quarto aniversário não voltará a cores mais festivas, como o verde do meu Sporting?
Por enquanto, com perto de 30 mil visitas, vai muito bem assim. E sinceramente não consigo contabilizar com exactidão quantos desses 30 000 vieram cá parar pela pesquisa das palavras “indígenas nuas”, mas garanto que foram certamente muitos.
Escrevo pois para uma imensa minoria que me faz o obséquio de quando em vez por aqui aparecer. Um agradecimento especial e um grande bem hajam para todos os Indígenas que por aqui vão passando...
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Eu Voto Branco (parte V)
Depois de em termos eleitorais ter resolvido nas últimas presidenciais interromper a minha brancura angélica para sacar da cartola um voto de protesto num apalhaçado Coelho, posso declarar que no próximo Domingo retomarei a minha saga pelo voto em branco.
A campanha tem sido aquilo que se esperava. O espectro do hipotético empate técnico faz com que os principais partidos façam uma marcação serrada e diária uns aos outros, recorrendo para isso a episódios frívolos sem qualquer significado político.
O Professor Cavaco mantém-se silencioso na esperança que floresça uma óbvia solução governativa. Apesar de o próprio merecer o contrário, porque foi ele um dos principais propulsores da crise política, as coisas tendencialmente caminharão para uma maioria de direita que lhe tirará a pressão de cima. Agora, se por acaso acontecer o contrário, Cavaco deveria assumir um tremendo erro de cálculo e seria engraçado ver tão desastrada personagem a chafurdar na lama que criou, e a ser obrigado a nomear Sócrates como Primeiro-Ministro. Ao menos, era cenário com piada.
Quanto aos partidos propriamente ditos, pois é de uma escolha democrática que se trata, anoto as seguintes constatações:
Sócrates, no qual ponderei inclusivamente votar pela primeira vez, é um sobrevivente por excelência. Adapta-se às circunstâncias como ninguém. É peixe dentro de água e se por acaso vencer as eleições, nem que seja por um voto, estamos perante um facto absolutamente singular na história das democracias europeias. Contra si, tem praticamente toda a opinião pública. Não o convidaria para um café, mas reconheço-lhe uma determinação invulgar e uma noção de serviço público que ao contrário do que se pensa não abunda por aí. Não voto nele, porque apesar de ter corrigido em parte a doença, sempre se preocupou em demasia com os soundbytes mediáticos. Valorizou vezes sem conta a fantochada em detrimento da resolução efectiva dos problemas das pessoas. Hoje está a pagar por isso, mas afirmar que os Magalhães ou as novas oportunidades foram medidas nefastas é de rir. Isto, num país onde sabe ler e escrever é ainda em grande parte uma ciência desconhecida.
O PSD de Passos Coelho aparece assim como uma espécie de criança indesejada. Não faz rejuvenescer a tão propagada esperança. Enrola-se num mar de contradições. Apresenta um Programa, ao que dizem coerente e em sintonia com o FMI (admito que sim), mais depois apresenta-o de forma atabalhoada mudando de estratégia todos os dias. Mas o mais preocupante neste PSD são as inutilidades pensantes que rodeiam Passos Coelho. Gente que não faz a mais pequena ideia do que é governar um país cheio de interesses corporativos. Ficaria mais descansado se essa gente, mesmo sem competência para o efeito, quisesse realmente afrontar as conveniências instaladas mas o problema central é que essa gentinha o que quer mesmo é alimentar novos tentáculos de poder, começando por se servir a si própria.
O CDS de Portas vai ter uma histórica subida como já há muitos meses é previsível. Provavelmente vai ser parte da solução. Ver Paulo Portas a deambular pelo terreno histórico da esquerda é uma das excentricidades desta campanha. Quem votar nele - e serão muitos os descontentes que o irão fazer pelo que me tenho apercebido - não se esqueça de levar nos bolsos uns submarinozitos de 832,9 milhões de euros para defender a inexpugnável nação de presumíveis invasores que, como se sabe, deverão ser às dúzias.
Da CDU e Jerónimo de Sousa não há grande coisa a acrescentar. São iguais a eles próprios. Um governo patriótico de esquerda como defendem só existe mesmo na cabeça de alguns deles (poucos, cada vez menos). Os outros vão atrás porque já não estão a tempo de mudar. Relativamente à campanha é a coerência habitual, o que cada vez vale menos diga-se, porque a conjuntura mundial vai no sentido contrário à clarividência dos cérebros comunistas.
Do Bloco de Esquerda espera-se uma descida acentuada. Justa aliás, face a episódios deploráveis como, entre outros, a invenção de uma moção de censura inexplicável ao governo. Poderá eventualmente a descida não ser tão drástica como se chegou a temer porque Louça em campanha gera sempre simpatias, fazendo uso de um discurso articulado, bem direccionado e até popularucho aqui ou ali. Mas independentemente dos números da queda, este BÉ já perdeu todas as oportunidades para ganhar asas para outros voos. Entrou muito provavelmente em declínio e dificilmente se levantará.
Resumindo, o cenário mais provável a sair das eleições do próximo domingo é a maioria de direita com Passos Coelho – esse herói português de Massamá – a liderar o governo. Aliás, na sequência do que tem vindo a acontecer por essa Europa fora. Apesar de não ser de todo a melhor opção, até posso aceitar que talvez seja a solução mais apaziguadora ao nível económico de momento, face à encruzilhada em que o País se encontra e aos compromissos que terá de assumir a curto-prazo. E claro porque a alternância democrática também é uma conquista de Abril. Agora, preparem-se para a incompetência despudorada e para a destruição progressiva de uma estado social, já por si debilitado, com os custos que isso acarretará para todos. E não se pense que as medidas serão implementadas rapidamente mesmo estando a direita no poder. A confusão reinará porque uma coisa é prometer, outra diferente, é ter de meter mãos à obra sem conhecer os problemas em profundidade. Mas a verdade é que o FMI obriga a que sejam tomadas no imediato medidas que se encontram há décadas na gaveta, por falta de coragem politica e de um planeamento sustentado. Sócrates talvez seja o que menos merecia estar no banco dos réus porque mexeu pela primeira vez em muito tempo em áreas sensíveis mas Cavaco, Guterres e Durão Barroso já tiveram os castigos devidos. Basta ver por onde andam...
A campanha tem sido aquilo que se esperava. O espectro do hipotético empate técnico faz com que os principais partidos façam uma marcação serrada e diária uns aos outros, recorrendo para isso a episódios frívolos sem qualquer significado político.
O Professor Cavaco mantém-se silencioso na esperança que floresça uma óbvia solução governativa. Apesar de o próprio merecer o contrário, porque foi ele um dos principais propulsores da crise política, as coisas tendencialmente caminharão para uma maioria de direita que lhe tirará a pressão de cima. Agora, se por acaso acontecer o contrário, Cavaco deveria assumir um tremendo erro de cálculo e seria engraçado ver tão desastrada personagem a chafurdar na lama que criou, e a ser obrigado a nomear Sócrates como Primeiro-Ministro. Ao menos, era cenário com piada.
Quanto aos partidos propriamente ditos, pois é de uma escolha democrática que se trata, anoto as seguintes constatações:
Sócrates, no qual ponderei inclusivamente votar pela primeira vez, é um sobrevivente por excelência. Adapta-se às circunstâncias como ninguém. É peixe dentro de água e se por acaso vencer as eleições, nem que seja por um voto, estamos perante um facto absolutamente singular na história das democracias europeias. Contra si, tem praticamente toda a opinião pública. Não o convidaria para um café, mas reconheço-lhe uma determinação invulgar e uma noção de serviço público que ao contrário do que se pensa não abunda por aí. Não voto nele, porque apesar de ter corrigido em parte a doença, sempre se preocupou em demasia com os soundbytes mediáticos. Valorizou vezes sem conta a fantochada em detrimento da resolução efectiva dos problemas das pessoas. Hoje está a pagar por isso, mas afirmar que os Magalhães ou as novas oportunidades foram medidas nefastas é de rir. Isto, num país onde sabe ler e escrever é ainda em grande parte uma ciência desconhecida.
O PSD de Passos Coelho aparece assim como uma espécie de criança indesejada. Não faz rejuvenescer a tão propagada esperança. Enrola-se num mar de contradições. Apresenta um Programa, ao que dizem coerente e em sintonia com o FMI (admito que sim), mais depois apresenta-o de forma atabalhoada mudando de estratégia todos os dias. Mas o mais preocupante neste PSD são as inutilidades pensantes que rodeiam Passos Coelho. Gente que não faz a mais pequena ideia do que é governar um país cheio de interesses corporativos. Ficaria mais descansado se essa gente, mesmo sem competência para o efeito, quisesse realmente afrontar as conveniências instaladas mas o problema central é que essa gentinha o que quer mesmo é alimentar novos tentáculos de poder, começando por se servir a si própria.
O CDS de Portas vai ter uma histórica subida como já há muitos meses é previsível. Provavelmente vai ser parte da solução. Ver Paulo Portas a deambular pelo terreno histórico da esquerda é uma das excentricidades desta campanha. Quem votar nele - e serão muitos os descontentes que o irão fazer pelo que me tenho apercebido - não se esqueça de levar nos bolsos uns submarinozitos de 832,9 milhões de euros para defender a inexpugnável nação de presumíveis invasores que, como se sabe, deverão ser às dúzias.
Da CDU e Jerónimo de Sousa não há grande coisa a acrescentar. São iguais a eles próprios. Um governo patriótico de esquerda como defendem só existe mesmo na cabeça de alguns deles (poucos, cada vez menos). Os outros vão atrás porque já não estão a tempo de mudar. Relativamente à campanha é a coerência habitual, o que cada vez vale menos diga-se, porque a conjuntura mundial vai no sentido contrário à clarividência dos cérebros comunistas.
Do Bloco de Esquerda espera-se uma descida acentuada. Justa aliás, face a episódios deploráveis como, entre outros, a invenção de uma moção de censura inexplicável ao governo. Poderá eventualmente a descida não ser tão drástica como se chegou a temer porque Louça em campanha gera sempre simpatias, fazendo uso de um discurso articulado, bem direccionado e até popularucho aqui ou ali. Mas independentemente dos números da queda, este BÉ já perdeu todas as oportunidades para ganhar asas para outros voos. Entrou muito provavelmente em declínio e dificilmente se levantará.
Resumindo, o cenário mais provável a sair das eleições do próximo domingo é a maioria de direita com Passos Coelho – esse herói português de Massamá – a liderar o governo. Aliás, na sequência do que tem vindo a acontecer por essa Europa fora. Apesar de não ser de todo a melhor opção, até posso aceitar que talvez seja a solução mais apaziguadora ao nível económico de momento, face à encruzilhada em que o País se encontra e aos compromissos que terá de assumir a curto-prazo. E claro porque a alternância democrática também é uma conquista de Abril. Agora, preparem-se para a incompetência despudorada e para a destruição progressiva de uma estado social, já por si debilitado, com os custos que isso acarretará para todos. E não se pense que as medidas serão implementadas rapidamente mesmo estando a direita no poder. A confusão reinará porque uma coisa é prometer, outra diferente, é ter de meter mãos à obra sem conhecer os problemas em profundidade. Mas a verdade é que o FMI obriga a que sejam tomadas no imediato medidas que se encontram há décadas na gaveta, por falta de coragem politica e de um planeamento sustentado. Sócrates talvez seja o que menos merecia estar no banco dos réus porque mexeu pela primeira vez em muito tempo em áreas sensíveis mas Cavaco, Guterres e Durão Barroso já tiveram os castigos devidos. Basta ver por onde andam...
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