sexta-feira, 8 de julho de 2011

O Leão Búlgaro

Bojinov é sem dúvida o jogador mais sonante que o Sporting contratou. É uma figura que certamente ira vender muitos jornais e revistas, até porque vem acompanhado da sua namorada: uma escultural e famosa modelo internacional. Como jogador, é um gajo de grandes golos e que dá sempre espectáculo, o que também é importante para entusiasmar. No entanto, parece também ser irregular como tudo.
Independentemente da sua faceta mais mediática, na apresentação foi correctíssimo na mensagem que passou. Já se percebeu que está habituado a lidar com a imprensa. Isto, porque foi uma das maiores promessas do futebol mundial, sendo que estagnou um pouco a sua evolução nos últimos tempos. Aposto que falará português em 3 tempos.
Quanto a outros dois jogadores apresentados nos últimos dias (Luís Aguiar e o jovem chileno de nome Rubio) confesso que não me entusiasmam por aí além, mas espero estar enganado.
Era muito importante a contratação de mais um extremo. Até porque Izmailov é sempre aquela incógnita. Cada vez que vai ao chão, pensamos logo que pode não se levantar. A renovação do seu contrato foi um grande risco, sendo que as suas qualidades são inegáveis.
Por outro lado, já me convenci que não vem nenhuma Truta, ou seja, um daqueles jogadores de créditos firmados que se impõem logo à partida só pelo nome. Gostava de estar enganado mas para mim isso é claro neste momento, sendo que também gosto de ser surpreendido. A questão é que o perfil de Domingos também desaconselha tais aventuras. Não acredito que ele queira uma vedeta com estatuto de tal no balneário. Basta analisar a forma como está a gerir a equipa. Dispensou todos os que podiam destabilizar (e bem) como Maniche, Caneira, Vuckevic, etc…

Yellow – Coldplay



Não fui ao concerto mas fica aqui a recordação com um tema do, talvez, melhor álbum deles: Parachutes…

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Lixo

Somos considerados Lixo nos mercados internacionais, o que para o cidadão comum não devia aquecer nem arrefecer, diga-se. Mas que é mais um mau sintoma, disso não tenhamos dúvidas. E como dá na televisão, a malta fica aflita. O mais preocupante no diagnóstico da Moody’s é a antevisão que fazem da necessidade de um segundo pacote de ajuda, o que a acontecer, seria catastrófico para Portugal.
Se a Espanha também cair nas malhas do FMI é meio caminho andado para a nossa bancarrota. Mais que a Grécia que, continuo a achar, tem uma situação incomparável à nossa, importa perceber como se vão aguentando os nossos vizinhos do lado…

Edward Hopper

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A Independência

Amigo Álvaro (visto que é assim que gostas de ser tratado) estou contigo. Por mim, podes avançar sem contemplações. E quando dizes que a nossa taxa de desemprego é assustadora também estou contigo, mas olha compete-te a ti invertê-la, percebes? E convém que alguém te lembre, antes de abrires a boca, que isto não é bem o Canadá…

O Golfe

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Hadewijch

Um filme de Bruno Dumont que percorre os caminhos da fé de uma jovem rapariga de nome Céline que vive apaixonadamente as suas convicções religiosas. Quando a jovem, filha de uma abastada e respeitada família, trava amizade com um grupo de jovens muçulmanos radicais embarca num perigoso mundo que vem complicar ainda mais a sua desordenada mente.
Dumont , do qual nunca tinha visto nenhum filme anteriormente, vacila aqui ou ali, mas consegue com um fim libertador justificar a sua aposta. De um ex-presidiário nasce a improvável redenção para a jovem Céline….

E vão 105



O Sporting Clube de Portugal faz hoje 105 anos e nada melhor para enaltecer a sua Grandeza que a mítica voz da mulher de cabelo verde….

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O Programa

No meio de muitas medidas avulsas, sem aplicação prática, e que ficam muito bem no papel (problema de todos os programas de governo desde que me conheço) há opções de matéria essencial que tendencialmente concordo e outras que tendencialmente discordo no documento agora tornado público:

Concordo com a obrigação de um exame para os candidatos a professores independentemente da sua formação académica (agora, muito cuidado com o conteúdo e coerência dessa prova); concordo com o princípio das rescisões por mútuo acordo na administração pública; concordo com a privatização do canal 1 da RTP mantendo o segundo canal (concordo somente se for esta a opção) e concordo com a ideia de os Ministérios serem penalizados por gastarem mais que o orçamentado no ano anterior.

Discordo linearmente da privatização total da TAP e do fim das golden shares em instituições de crucial sensibilidade para a economia do País como a PT ou CGD, por exemplo; discordo da escandalosa linha de pensamento - própria de vulgares filisteus - que sustenta que o apoio ao cinema e ao teatro devem ficar dependente das receitas de bilheteira (Francisco José Viegas, pira-te enquanto antes), e discordo absolutamente da suspensão do TGV Lisboa-Madrid, pois num país periférico como o nosso é uma obra de importância estratégica fundamental, e que assim nos manterá por tempo indeterminado no terceiro mundo das linhas férreas...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Os Motoristas

Continuando na senda do serviço público que sempre caracterizou este blogue, sugiro o extermínio imediato da categoria de motoristas que proliferam na administração pública em Portugal. É aproveitar a pedalada proveniente da extinção dos Governos Civis para acabar de vez com esse atentado. Um mero assessor de um secretário de estado tem direito a um motorista, um sub-secretário de estado tem direito a outro motorista e, por aí adiante num delapidar contínuo do erário público. Em qualquer instituto público há no mínimo dois motoristas. Porque é que um qualquer assessor (de um ministro ou secretário de estado) não pode andar de transportes públicos ou na sua viatura pessoal? Não confia na fiabilidade dos transportes do Estado – o seu omnipresente empregador? O seu tempo é mais precioso que de um outro qualquer cidadão que contribua para o Produto Interno Bruto Nacional de forma efectiva?
Imagino que os motoristas na função pública serão aos milhares, sem falar nas autarquias que cada uma deve ter no mínimo dois, dependendo claro está do tamanho do município. Obviamente que nada me move contra tais profissionais cujas funções passam por zelar pelas viaturas, além claro,  de conduzirem as eminências pardas aos respectivos destinos muitas vezes fora do horário normal de trabalho; situações que, importa salientar, acarretam o pagamento de horas extraordinárias aos diligentes funcionários. Agora, que se poupava muito, muito, disso não tenho dúvidas. É mandá-los para casa, pagar-lhes as respectivas indemnizações pela lei actual e salvaguardar-lhes todos os direitos no sentido de poderem refazer a sua vida. Neste hipotético cenário, começava a acreditar que Passos Coelho teria a coragem para mudar alguma coisa de relevante. Até aqui, tudo não passa de fogo de vista. Chamem-lhe estado de graça se quiserem, mas eu já vi este filme demasiadas vezes….

Este homem que esperou

Este homem que esperou
humilde em sua casa
que o sol lavasse a cara
ao seu desgosto

Este homem que esperou
à sombra de uma árvore
mudar a direcção
ao seu pobre destino

Este homem que pensou
com uma pedra na mão
transformá-la num pão
transformá-la num beijo

Este homem que parou
no meio da sua vida
e se sentiu mais leve
que a sua própria sombra

António Ramos Rosa

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A Estupefacção

O Futebol Português não para de surpreender e prova que tudo, mesmo tudo, é possível no mundo da bola. A manutenção de Villas-Boas como treinador do porto para a próxima época era para mim um dado adquirido. A única explicação que encontro é que Vilas-Boas na ânsia de seguir as pisadas de Mourinho pensa efectivamente que tem mais hipóteses de ganhar a Champions no Chelsea do que no porto e, relembre-se, no clube inglês Mourinho não foi campeão europeu. Isto e mais o contrato milionário, claro está, que não deve ser negligenciado para quem deseja ter uma carreira curta. O gajo achou que vencer a Champions no porto (que é a ambição natural dos adeptos porque estão habituados a isso – mérito de pinto da costa) seria inconcretizável e resolveu partir. E assim fica com mais hipóteses de ganhar na comparação com o The Special One. No porto, o máximo que poderia atingir era igualá-lo, e mesmo isso seria altamente improvável.
Assim, será uma excelente época para o meu Sporting surpreender tudo e todos. O porto vai estar em transição e não acredito que, pelo menos, Falcão fique. E o benfica de Jesus à primeira derrota vai entrar certamente em ebulição…

Through The Barricades - Spandau Ballet



Uma das baladas mais marcantes dos gloriosos anos 80...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Sol da Aurora

Temos uma mulher a presidir ao Parlamento. Menos mau.
Temos um Governo recém-empossado que acaba com os dezoito Governos Civis. Medida que só peca por tardia, sendo que as críticas e os pedidos de demissão dos governadores civis ainda em exercício são legítimas e até compreensíveis. A verdade é que as funções que lhes competem – algumas importantes ao nível da prevenção – podem sem dificuldades, e seguindo critérios de razoabilidade, serem efectuadas por outras entidades já existentes. Em termos práticos, a maior utilidade dos mesmos para quem estava no poder era alimentar o clientelismo e silenciar quem não tinha lugar no Governo, servindo assim como uma espécie de prémio de consolo para os contemplados.
Mas isto é só o início. A moral de Passos Coelho termina aqui. Agora é começar a nomear os laranjinhas para tudo o que é empresa pública e afins. Portugal não muda assim. Os ingleses chamar-lhe-iam Morning Glory...

A Óptica

terça-feira, 21 de junho de 2011

Viagem a Portugal

Viagem a Portugal é um filme de Sérgio Tréfaut que aborda as contingências, por vezes desumanas, do controle de estrangeiros nos aeroportos europeus.
Maria, uma médica ucraniana interpretada por Maria de Medeiros, aterra no aeroporto de Faro em Portugal, com visto de turismo, e com o objectivo de se juntar ao marido senegalês que trabalha nas obras da Expo, decorria então o ano de 1997. Maria vai embater de frente com a inflexibilidade de um sistema cego cujo principal rosto é assumido por uma inspectora preconceituosa interpretada por Isabel Ruth.
Tréfaut parte de uma abordagem original com cenários minimalistas rodados a preto e branco. O filme baseado num caso verídico conta a história com precisão, sem entrar por outros caminhos que o podiam tornar mais interessante. É de realçar no entanto o fio condutor e a extrema coerência de toda a obra do realizador que tem tido o mérito de pôr o país a pensar sobre as prementes questões da imigração…

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Nobre Day

Qualquer que seja o desfecho final da votação de Fernando Nobre para presidente do parlamento há um derrotado à partida: o próprio. Mesmo que vença, o povo cá fora não o quer lá certamente. E fica como um excelente estudo de caso para o futuro. Como é que um tipo com uma actividade de cidadania activa, meritória e respeitável perde toda a credibilidade num abrir e fechar de olhos?...

Só dos Mortos Devemos Ter Ciúmes

Só dos mortos devemos ter ciúmes; acordar
de entre as pedras doentes dolorosos
que da beira das arribas nos atirem ao porto
onde enfim se encontre a nossa angústia.
Só eles lutam palmo a palmo pelo espaço
em que já vertical erguemos nosso braço
em busca de que sumo ou de que céu. É que só eles
nos retiram da cama de que por nós foi feita
a escolha: a macieza intensa que julgámos
eterna, que nos parecia tão cordatamente
entregue à nossa própria suma sumaúma.
Só os mortos, horror, inda que vivos, vivem
paredes meias com os nossos dedos, logo afastam
os momentos ferozes que tocássemos, e as nuvens
por sobre o mar dos olhos: é bem feito,
dizem os meninos. Pois que dos vivos vivos
a vida nos desvia e nisso nos conduz, assaz
encaminhados pelo que vamos querendo.
Só os mortos nos mordem, nos apontam
a dedo frio e tenso, entorpecem desejos
e, pois pior, só eles nos expulsam
do vero som dos sinos numa entrega
às palavras baldadas do comércio.
A luta clara que sonhada fosse
pela mão dada e limpa que nos dessem
tropeça, polvo, com misérias nossas
e enterra-te na pérfida, agoniada leira
onde dominam eles nossas bocas e o sangue
que nelas perpassasse. Só os mortos,
invisíveis, letais, pesados entes,
nos disputam a vida, e só por fim nos matam.

Pedro Tamen