Com tantos jornalistas e bloggers ainda disponíveis para serem devidamente amordaçados, é coisa para não ficar por aqui…
domingo, 28 de agosto de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Autobiografia de Nicolae Ceausescu
Andrei Ujica arriscou na realização de um projecto que exigiu pela certa uma exaustiva dedicação: a biografia do líder Romeno Nicolae Ceausescu. É um filme com uma abordagem totalmente inesperada, quer na forma de apresentação, quer no conteúdo. E logo por aí, é merecedor de amplos elogios.
O filme que dura 3 horas é completamente produzido através de imagens reais, recorrendo somente a material de arquivo. Entre outros momentos históricos registados destacam-se: os sui generis congressos do partido comunista romeno, as visitas de estado de Ceauscescu à China de Mao, à América de Carter, à Inglaterra onde é recebido com grandes honras pela Rainha e a uma muito curiosa recepção ao ortodoxo republicano Richard Nixon na Roménia.
Provavelmente a tendência mais óbvia seria demonizar a figura do ditador assassino que, além de tudo o mais, exibia um extravagante culto de personalidade. Mas o realizador, inteligentemente, não entrou por aí. Apresenta a biografia de forma cronológica, escalpelizando com rigor os 24 anos de poder de Ceauşescu. O espectador que tire as suas próprias conclusões. Começa com a ascensão ao poder e termina com o insólito julgamento sumário que resultou na execução imediata do casal Ceauşescu.
Apesar de nos meios políticos internacionais da altura ser considerado um líder de grande envergadura, a ideia que retiro do filme que tinha grande curiosidade em ver (ainda para mais concebido por um realizador romeno) é que Ceauşescu não possuía o tal carisma que se falava. Foi um funcionário carreirista que serviu com abnegação os dogmas do partido comunista romeno. Se não fosse ele, era outro qualquer. O próprio culto da personalidade era reflexo dos tempos, e as visitas à China de Mao e Coreia agudizaram-lhe ainda mais essa faceta. Conseguiu incrementar períodos de algum desenvolvimento no País, mas como todos os ditadores perpetuou-se no poder e esse apego obsessivo tornou-o intolerante. É a história da Humanidade.
Nos anos 80, com a pressão da divida externa acumulada, ordenou a exportação de grande parte da produção agrícola e industrial da Roménia. O resultado foi a escassez de comida, energia e cuidados médicos, tornando a vida das pessoas numa infernal luta pela sobrevivência. Ao mesmo tempo, as relações com Gorbatchov – o ideólogo da dissolução soviética - estavam algo tensas (nota-se no filme) ainda que aparentemente parecessem normais. A queda do muro de Berlim foi outro catalisador natural para generalizar o descontentamento. Daí à revolta popular, foi um pequeno passo….
O filme que dura 3 horas é completamente produzido através de imagens reais, recorrendo somente a material de arquivo. Entre outros momentos históricos registados destacam-se: os sui generis congressos do partido comunista romeno, as visitas de estado de Ceauscescu à China de Mao, à América de Carter, à Inglaterra onde é recebido com grandes honras pela Rainha e a uma muito curiosa recepção ao ortodoxo republicano Richard Nixon na Roménia.
Provavelmente a tendência mais óbvia seria demonizar a figura do ditador assassino que, além de tudo o mais, exibia um extravagante culto de personalidade. Mas o realizador, inteligentemente, não entrou por aí. Apresenta a biografia de forma cronológica, escalpelizando com rigor os 24 anos de poder de Ceauşescu. O espectador que tire as suas próprias conclusões. Começa com a ascensão ao poder e termina com o insólito julgamento sumário que resultou na execução imediata do casal Ceauşescu.
Apesar de nos meios políticos internacionais da altura ser considerado um líder de grande envergadura, a ideia que retiro do filme que tinha grande curiosidade em ver (ainda para mais concebido por um realizador romeno) é que Ceauşescu não possuía o tal carisma que se falava. Foi um funcionário carreirista que serviu com abnegação os dogmas do partido comunista romeno. Se não fosse ele, era outro qualquer. O próprio culto da personalidade era reflexo dos tempos, e as visitas à China de Mao e Coreia agudizaram-lhe ainda mais essa faceta. Conseguiu incrementar períodos de algum desenvolvimento no País, mas como todos os ditadores perpetuou-se no poder e esse apego obsessivo tornou-o intolerante. É a história da Humanidade.
Nos anos 80, com a pressão da divida externa acumulada, ordenou a exportação de grande parte da produção agrícola e industrial da Roménia. O resultado foi a escassez de comida, energia e cuidados médicos, tornando a vida das pessoas numa infernal luta pela sobrevivência. Ao mesmo tempo, as relações com Gorbatchov – o ideólogo da dissolução soviética - estavam algo tensas (nota-se no filme) ainda que aparentemente parecessem normais. A queda do muro de Berlim foi outro catalisador natural para generalizar o descontentamento. Daí à revolta popular, foi um pequeno passo….
terça-feira, 23 de agosto de 2011
A Velha do Bairro
Acenava para o pequeno pimpolho na esperança de uma retribuição. Quando o petiz, no meio da sua inconsciente generosidade, resolvia contemplá-la com um estimulante adeus, sorria, transbordando felicidade.
Olhava para o desfiar dos dias pendurada no parapeito da janela. Possuía um olhar meigo, apanágio dos mais idosos. Um sinal de quem já pouco espera das fortunas da vida.
Angustiava-se com a possibilidade de poder ser este um dos últimos verões da sua cruzada. As estações do ano eram a única coisa que condicionava a sua existência. No verão desabrochava à janela e de quando em vez, muito raramente, dava dois dedos de conversa com as vizinhas. No Inverno, o passar do tempo era certamente doloroso e o surgimento das maleitas mais frequente.
O pimpolho apreciava estranhamente aquele misterioso ritual. Jeremias não gostava de interferir naquela excepcional forma de comunicação porque ali, a simbiose era perfeita. Cada um, pelos seus motivos, valorizava aquele momento de modo diferente. A Velha há de chegar ao próximo Verão...
Olhava para o desfiar dos dias pendurada no parapeito da janela. Possuía um olhar meigo, apanágio dos mais idosos. Um sinal de quem já pouco espera das fortunas da vida.
Angustiava-se com a possibilidade de poder ser este um dos últimos verões da sua cruzada. As estações do ano eram a única coisa que condicionava a sua existência. No verão desabrochava à janela e de quando em vez, muito raramente, dava dois dedos de conversa com as vizinhas. No Inverno, o passar do tempo era certamente doloroso e o surgimento das maleitas mais frequente.
O pimpolho apreciava estranhamente aquele misterioso ritual. Jeremias não gostava de interferir naquela excepcional forma de comunicação porque ali, a simbiose era perfeita. Cada um, pelos seus motivos, valorizava aquele momento de modo diferente. A Velha há de chegar ao próximo Verão...
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Em Trípoli
Muammar Khadafi, o Ditador com que praticamente todos os países desenvolvidos fizeram negociatas, está prestes a cair finalmente do poder. Por razões que a razão conhece, a Líbia tem demorado mais tempo que as suas congéneres do Norte de África a caminhar pelos complexos trilhos da Democracia. A partir de agora, talvez se comece a perceber melhor a amplitude dos Podres escondidos por tão inusitada personagem. Como alguém diria, basta seguir o rasto do dinheiro…
sábado, 20 de agosto de 2011
O Lodo
O Campeonato começou e o Porto de Pinto da Costa já vai lançado na frente com duas vitórias polémicas. Ontem, contra o Gil Vicente em casa, voltou novamente a beneficiar da mão amiga de um árbitro que, espantem-se, esteve quase 2 anos suspenso por causa do processo apito dourado.
O mesmíssimo e incompreensível critério de nomeação dos árbitros foi aplicado para a nomeação do Beira-Mar vs Sporting em que após uma primeira jornada super-polémica um dos juízes de linha nomeados seria o cegueta que ofereceu uma taça da liga ao Benfica em parceria com Lucílio Baptista, no famoso lance de Pedro Silva. Ao que parece a equipa de arbitragem que seria chefiada por João Ferreira – outro incompetente de carreira – recusou a nomeação alegando pressão excessiva. E ainda querem estes gajos serem profissionais. No Porto não sentem qualquer tipo de pressão, como ainda ontem se viu. Num País a sério o chefe dos árbitros, Victor Pereira, já se tinha demitido. E este João Ferreira, obviamente, que não apitaria mais nenhum jogo profissional na vida por causa da pressão….
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
A Prática
Não é que a notícia em si seja propriamente uma surpresa, mas é indiciadora de filme a que já estamos habituados. De momento, adia-se a apresentação das medidas de redução na despesa. Mais tarde, tornam-se públicos os cortes mas como de costume ficam muito aquém do pretendido. E no fim, aumentam-se mais impostos.
Talvez, por esta altura, o amigo Álvaro da Economia já tenha tido tempo suficiente para perceber porque é que o Canadá é o Canadá e Portugal é Portugal. A Teoria emanada dos livros de economia é deveras inebriante...
Talvez, por esta altura, o amigo Álvaro da Economia já tenha tido tempo suficiente para perceber porque é que o Canadá é o Canadá e Portugal é Portugal. A Teoria emanada dos livros de economia é deveras inebriante...
O Farol
Na luz, o mar é espuma
Alegria no Sol intenso
À noite, é coisa nenhuma
Só voz no escuro imenso!
Cresce então o Farol
Astro de quem navega
O outro lado do sol
O conforto de quem chega!
Com a cor em rodopio
O clarão cresce no escuro...
É o leme do navio
Corda em porto seguro!
O Farol é um amigo
Com quem se pode contar
É abraço, é abrigo
Na liberdade do mar!
António Castro
Alegria no Sol intenso
À noite, é coisa nenhuma
Só voz no escuro imenso!
Cresce então o Farol
Astro de quem navega
O outro lado do sol
O conforto de quem chega!
Com a cor em rodopio
O clarão cresce no escuro...
É o leme do navio
Corda em porto seguro!
O Farol é um amigo
Com quem se pode contar
É abraço, é abrigo
Na liberdade do mar!
António Castro
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Os Suspeitos do Costume
Recomeçou a Liga Portuguesa. O porto arrancou a vencer com um penalty hiper-duvidoso e já segue na frente. O Grande Sporting foi espoliado em dois pontos na sua própria casa. Um roubo sem paralelo na história do novo estádio. A habitual dualidade de critérios nas arbitragens tem tanto de natural como de revoltante. O inimputável Jorge Nuno Pinto da Costa - para quem Hulk é melhor que Cristiano Ronaldo - continua por aí a distribuir fruta na maior das impunidades.
Postiga, de quem hoje se diz poder estar na mira do Besiktas da Turquia, o que independentemente dos valores envolvidos seria o negócio do século, continua a dar bons argumentos de estudo para psicanalistas, filósofos, antropólogos, etc e tal.
Quanto a mim, limito-me a constatar que estaríamos perante o melhor jogador do mundo, se no futebol não houvesse balizas. Convém também salientar que falamos de um Tipo com um azar incomparável. Quando finalmente resolve acertar na baliza, depois de 10 esforçadas tentativas o árbitro, sabe-se lá condicionado por qual Divindade, resolve anular o golo limpinho como a água. O Postiga é aquele tótó que joga há 40 anos com a mesma chave no euromilhões. Numa única semana, sem exemplo, esquece-se de registar o boletim. Pois, seria precisamente nessa malfadada semana que teria a chave vencedora. Um gajo assim não serve para o Sporting. Melhor, um gajo destes, não serve para nada...
Postiga, de quem hoje se diz poder estar na mira do Besiktas da Turquia, o que independentemente dos valores envolvidos seria o negócio do século, continua a dar bons argumentos de estudo para psicanalistas, filósofos, antropólogos, etc e tal.
Quanto a mim, limito-me a constatar que estaríamos perante o melhor jogador do mundo, se no futebol não houvesse balizas. Convém também salientar que falamos de um Tipo com um azar incomparável. Quando finalmente resolve acertar na baliza, depois de 10 esforçadas tentativas o árbitro, sabe-se lá condicionado por qual Divindade, resolve anular o golo limpinho como a água. O Postiga é aquele tótó que joga há 40 anos com a mesma chave no euromilhões. Numa única semana, sem exemplo, esquece-se de registar o boletim. Pois, seria precisamente nessa malfadada semana que teria a chave vencedora. Um gajo assim não serve para o Sporting. Melhor, um gajo destes, não serve para nada...
domingo, 14 de agosto de 2011
A Viagem do Director
O Director de Recursos Humanos de uma grande padaria de Jerusalém é posto perante uma situação de risco. É acusado de não ter participado o desaparecimento de uma das suas subordinadas, morta num ataque suicida, e cujo corpo permanece na morgue por identificar. Acontece que o pobre homem nem sequer conhecia a vítima que era protegida por um supervisor de direcção intermédia. Numa tentativa de restaurar a sua credibilidade junto do patronato, o director de recursos humanos segue numa viagem de redenção até à Roménia acompanhado pelo jornalista que levantou o caso, à procura da família da vítima com o nobre objectivo de entregar o corpo aos familiares.
Um filme de Eran Riklis que persegue também o registo da comédia sem contudo atingir grande relevo a esse nível. O mais interessante é a sobreposição de duas culturas diferentes mas com mais pontos em comum do que muitos julgam: o estado hebraico de Israel e uma Roménia saída dos escombros do Comunismo. Sem deslumbrar no seu todo, fica até, aqui ou ali, aquém das expectativas iniciais face ao potencial do argumento. É um filme de pormenores, como por exemplo a fotografia…
Um filme de Eran Riklis que persegue também o registo da comédia sem contudo atingir grande relevo a esse nível. O mais interessante é a sobreposição de duas culturas diferentes mas com mais pontos em comum do que muitos julgam: o estado hebraico de Israel e uma Roménia saída dos escombros do Comunismo. Sem deslumbrar no seu todo, fica até, aqui ou ali, aquém das expectativas iniciais face ao potencial do argumento. É um filme de pormenores, como por exemplo a fotografia…
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
A Boa Nova
Entre crises e tumultos, esta é para mim a melhor notícia do dia.
Já eram casos a mais em Alvalade com lesões mal explicadas. Assim de repente lembro-me de Carlos Martins (que logo que saiu do Sporting deixou de ter lesões com a frequência que tinha), e mais recentemente das recuperações hiper-prolongadas de Pedro Mendes e Matías Fernández, e claro do gritante caso Izmailov. Podia ser bom Médico há onze anos, quando foi contratado. Hoje não. Na Medicina como no Futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira.....
terça-feira, 9 de agosto de 2011
O Caldeirão
Quem conhece bem a região de Londres sabe que se trata de uma zona que vive mergulhada num caldeirão efervescente. Com um número de habitantes semelhante a todo o Portugal, o que favorece o anonimato, possui tal densidade populacional que a explosão social que agora ocorre era de alguma forma previsível. Isto, atendendo a que a cidade nunca parou de crescer para as zonas limítrofes, o que tornou os actuais focos de insegurança absolutamente incontroláveis. Aliás, é curioso que somente nestas alturas é que se valoriza a importância das forças de segurança.
Tal como Paris, há uns anos atrás, os actuais desacatos (sabe-se lá com que repercussões no caso de Londres) são reflexo de um crescimento dos limites da cidade muito para além do razoável, fruto em grande parte da especulação imobiliária e de um capitalismo desenfreado. É mais um sinal para os Governos repensarem seriamente a política de investimentos que preconizam. O Urbanismo também é uma ciência….
Tal como Paris, há uns anos atrás, os actuais desacatos (sabe-se lá com que repercussões no caso de Londres) são reflexo de um crescimento dos limites da cidade muito para além do razoável, fruto em grande parte da especulação imobiliária e de um capitalismo desenfreado. É mais um sinal para os Governos repensarem seriamente a política de investimentos que preconizam. O Urbanismo também é uma ciência….
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
O Ir e Voltar
Na Crise da dívida, há mar e mar, há ir e voltar. E quem se lixa são sempre os mesmos…
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
O Cristiano Ronaldo dos Motoristas
Secretário de Estado da Cultura
2011-07-18
Cargo: Motorista
Nome: ......................
Idade: 21 Anos
Vencimento mensal bruto: 1.866,73 €
Nota de redacção - Retirei o nome da jovem promessa por uma questão de higiene mental...
2011-07-18
Cargo: Motorista
Nome: ......................
Idade: 21 Anos
Vencimento mensal bruto: 1.866,73 €
Nota de redacção - Retirei o nome da jovem promessa por uma questão de higiene mental...
terça-feira, 2 de agosto de 2011
O Trágico-Cómico
Na sequência do apaixonante passatempo que o Governo de Portugal resolveu proporcionar aos seus devotos concidadãos em pleno Agosto (o mês das tolices por excelência) observo que o Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto tem à sua disposição (atenção, muita atenção, deixem-me ver bem para não me enganar) precisamente.... 3 (três) Adjuntos.
Não menos interessante é verificar que esse mesmo Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto tem como chefe de gabinete um valoroso ponta de lança que aufere de remuneração base 4 542 €, praticamente o mesmo do Chefe de Gabinete do Primeiro-Ministro de Portugal....
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
O Pacifismo Luso
Em Agosto, a austeridade avança. A malta anda toda a engonhar e quando dá pela vidinha está a pagar transportes em média 15 % mais caros. Além, claro, dos brutais preços dos combustíveis. Upa, Upa!
Mas o nosso pacifismo não tem limites. Um povo que tem a consciência que andou anos e anos a gastar mais do que devia, tolera tudo e mais alguma coisa. Agora, esta nossa ancestral condescendência também tem efeitos nefastos. A agressividade social aumenta, a insegurança galopa, e a pequena corrupção alastra. Talvez fosse benéfico para a alma lusa sair novamente à rua e protestar de forma sincera, desprovida dos oportunistas cordões ideológicos. Chamem-lhe o que quiserem. Funcionaria como descompressão social e mal não faria certamente. A tolerância em demasia redunda muitas vezes em perigosas complicações...
Mas o nosso pacifismo não tem limites. Um povo que tem a consciência que andou anos e anos a gastar mais do que devia, tolera tudo e mais alguma coisa. Agora, esta nossa ancestral condescendência também tem efeitos nefastos. A agressividade social aumenta, a insegurança galopa, e a pequena corrupção alastra. Talvez fosse benéfico para a alma lusa sair novamente à rua e protestar de forma sincera, desprovida dos oportunistas cordões ideológicos. Chamem-lhe o que quiserem. Funcionaria como descompressão social e mal não faria certamente. A tolerância em demasia redunda muitas vezes em perigosas complicações...
Um Poema
Um poema
é a reza dum rosário
imaginário.
Um esquema
dorido.
Um teorema
que se contradiz.
Uma súplica.
Uma esmola.
Dores,
vividas umas, sonhadas outras...
(Inútil destrinçar.)
Um poema
é a pedra duma escola
com palavras a giz
para a gente apagar ou guardar...
Saúl Dias
é a reza dum rosário
imaginário.
Um esquema
dorido.
Um teorema
que se contradiz.
Uma súplica.
Uma esmola.
Dores,
vividas umas, sonhadas outras...
(Inútil destrinçar.)
Um poema
é a pedra duma escola
com palavras a giz
para a gente apagar ou guardar...
Saúl Dias
sexta-feira, 29 de julho de 2011
As Nomeações
Pôr online todas as nomeações governativas, bem como os respectivos nomes dos contemplados, pode ser uma coisa apelativa do ponto de vista parlamentar e até mediático. Compreendo tal presunção. Mas convém verificar; é uma decisão completamente estúpida do ponto de vista do bom senso. E com uma população com as nossas características (um pouco mesquinhos, não?) é exercício particularmente sensível.
Um motorista do primeiro-ministro com o nome de Victor ou Eugénio pode ganhar 600 euros de remuneração-base conforme indicado, e depois levar 2 ou 3 vezes mais para casa ao fim do mês por horas extraordinárias e afins o que, como é óbvio, não aparece discriminado. Tal informação não é para mim relevante, nem imagino que seja para os restantes cidadãos. Mas acontece que está disponível e podemos consultar. Ao mesmo tempo ficamos a saber que uma mera colaboradora-especialista (seja lá o que isso for) de um despromovido secretário de estado da cultura ganha 3 163 € de remuneração-base mais despesas de representação (seguramente acima de 500 € e do salário mínimo nacional), e não muito longe da remuneração-base do Primeiro-Ministro de Portugal, que por sua vez ganha menos que muitos gestores de empresas públicas, o que se torna numa constatação de bradar aos céus.
A Democracia não pode ser isto. Não é suposto ficarmos entregues a um bando de lunáticos sem um mínimo de sentido de estado e, já agora, de respeito pelos próprios subordinados.
Perante isto, Senhores Governantes, vão para à puta que os pariu porque já me faltam palavras…
A Democracia não pode ser isto. Não é suposto ficarmos entregues a um bando de lunáticos sem um mínimo de sentido de estado e, já agora, de respeito pelos próprios subordinados.
Perante isto, Senhores Governantes, vão para à puta que os pariu porque já me faltam palavras…
quarta-feira, 27 de julho de 2011
A Banhos (e aos meus amigos)
Portugal está prestes a ir para Banhos. Jeremias pensava para com os seus botões que o País há muito que anda a meter água por todos os lados. O ir a banhos funciona em Portugal como um pleonasmo….
Nesta fase do ano, Jeremias lembrava-se sempre obrigatoriamente da música de uns tais de Xutos, celebrada com a irreverência de quem na altura ainda não tinha cedido aos comodismos do capitalismo:
É amanhã dia 1 de Agosto
E tudo em mim é um fogo posto
Sacola ás costas, cantante na mão
Enterro os pés no calor do chão
E é tanto o sol pelo caminho
Que vendo um não me sinto sozinho
Todos os anos em praias diferentes
Se buscam corpos sedosos e quentes.
Adoro ver a praia dourada
O estranho brilho da areia molhada
Mergulho verde nas ondas do mar
Procuro o fundo pra lhe tocar
Estendido ao sol, sem nada a dizer
Sorriso aberto de puro prazer
Todos os anos em praias diferentes
Se buscam corpos sedosos e quentes...
E tudo em mim é um fogo posto
Sacola ás costas, cantante na mão
Enterro os pés no calor do chão
E é tanto o sol pelo caminho
Que vendo um não me sinto sozinho
Todos os anos em praias diferentes
Se buscam corpos sedosos e quentes.
Adoro ver a praia dourada
O estranho brilho da areia molhada
Mergulho verde nas ondas do mar
Procuro o fundo pra lhe tocar
Estendido ao sol, sem nada a dizer
Sorriso aberto de puro prazer
Todos os anos em praias diferentes
Se buscam corpos sedosos e quentes...
segunda-feira, 25 de julho de 2011
A Indecência
Há sempre gente muito preocupada em perceber se o louco mentor de um massacre que vitimou uma centena de almas, na sua maioria ainda adolescentes, é de esquerda ou de direita? Como se valesse de algo para os jovens barbaramente assassinados que o mentecapto assassino levasse o capital ou o mein kampf no bolso das calças. É um louco desprezível. E para essa conclusão não é necessário ideologia alguma…
domingo, 24 de julho de 2011
O Clube dos 27
A cantora britânica Amy Winehouse é a mais recente aquisição no panteão dos 27. Foi encontrada sem vida no seu apartamento londrino. Não tem a magia e o percurso consolidado das Lendas que a precederam. Comparar, por exemplo, a sua carreira com a de Janis Joplin seria quase criminoso. Viveu contudo no mesmo mundo de excessos, caminhou sempre pelas bermas mais estreitas do precipício. Porventura, até foi mais longe na exposição das suas fragilidades que todos os outros. É mais por essa genuína demonstração da sua própria decadência que merece entrar no restrito grupo dos 27. Como todos os outros que compõem o Clube, morreu jovem e viveu depressa. Paz à sua alma…
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Confissões de Uma Namorada de Serviço
Steven Soderbergh é dos realizadores americanos que mais me fascinam. Filma sempre com astúcia e sem procurar refúgios nas superficialidades habituais de hollyood. Tem filmes maiores intercalados com outros menos interessantes. Mas é dono de Obra relevante. De quando em vez aparece com uns filme de baixo orçamento, como este intitulado The Girlfriend Experience na versão original. Filmado em apenas 14 dias mostra o dia a dia de uma prostituta de luxo que deambula por uma sofisticada Nova York entre clientes preocupados com a crise económica e um namorado personal trainer. A ideia para o argumento e caracterização das personagens é extraordinária. Os constantes flashbacks talvez sejam excessivos, mas atendendo a que os actores não são profissionais, foi esta a técnica encontrada por Soderbergh para controlar melhor o filme. Contudo, fica a sensação que havia potencial no guião para fazer melhor. Na cena final, a dramatização de uma ejaculação precoce, é uma boa analogia para a impressão que o espectador fica….
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Impressões Leoninas
Aqui vão as primeiras ilações do Sporting 2011/12 - o ano da graça do Leão, sendo que tudo ainda é muito prematuro:
- Os jogadores mais entusiasmantes: Rinaldo e Diego Rubio. Este segundo com 18 anos apenas, parece-me ser a melhor contratação do ponto de vista da rentabilização do investimento.
- Os patrões: Schaars e vamos ver se Izmailov se aguenta ao longo da época. Quando está bem e em alta-rotação, como parece ser agora o caso, é insubstituível.
- Wolfswinkel é o típico avançado da escola holandesa. Pouco agressivo mas com bons pés e apurado sentido de baliza. Se não começar logo a marcar vai ter dificuldades de afirmação porque tem sobre si o peso de ser a contratação mais cara.
- Postiga é um gajo imenso. É daqueles jogadores sobre os quais todos têm uma opinião firmada. Inspira teses de doutoramento e discussões acaloradas. Contudo, Postiga resume-se a um razoável jogador, esforçado e dedicado, tecnicamente acima da média mas com um azar colossal, indisciplinado e excessivamente faltoso. O mais natural é começar a apagar-se com o início dos jogos a doer. Não é tão mau como muitos dizem (os jogos na selecção provam-no) mas também não é tão bom como alguns querem. Seria um grande jogador se tivesse sido desde jovem orientado para jogar em posições mais recuadas. A partir de determinada altura é complicado para um jogador que gosta de jogar a avançado começar a jogar no meio, por exemplo. Mas o grande entrave à sua afirmação foi mesmo esse erro de apreciação na formação dele como jogador. Obviamente que o jogador confrontado com isto, iria sempre dizer que se sente ponta de lança, etc e tal. Postiga não é, nem pode ser ponta de lança, apesar de por vezes conseguir fazer uma série de bons jogos. Teve uma boa fase com Mourinho no passado. Pode ser que se repita agora com Domingos.
- Por vezes os adeptos são injustos com Evaldo e com Polga. O primeiro apesar de algumas evidentes fragilidades nunca se esconde. Faz o flanco esquerdo todo. Agora precisamos de um extremo como de água para a boca. Alguém como este Diego Capel pode ser fundamental. Esperemos que se afirme.
Polga parece concentrado e empenhado em fazer uma boa época. Agora, a dupla natural de centrais serão Onyewu e Rodriguez. O Peruano não entusiasma ninguém mas tem de facto um sentido posicional notável. É esse o seu ponto forte. E essa característica num central é importante. O Grandalhão Americano continua a ser uma incógnita mas como parece mau como as cobras deve jogar sempre. Tem é que ser bem integrado.
Polga parece concentrado e empenhado em fazer uma boa época. Agora, a dupla natural de centrais serão Onyewu e Rodriguez. O Peruano não entusiasma ninguém mas tem de facto um sentido posicional notável. É esse o seu ponto forte. E essa característica num central é importante. O Grandalhão Americano continua a ser uma incógnita mas como parece mau como as cobras deve jogar sempre. Tem é que ser bem integrado.
- Relativamente a Matías Fernández tem que chegar e lutar pelo lugar. É simples. Tem que ser regular e estar bem fisicamente. O que não aconteceu nestas duas épocas. Continua a ter um potencial incrível como provam as suas habituais exibições na selecção chilena.
André Santos aparentemente não tem lugar no 11. Mas tudo depende dele. Não é um jogador fenomenal ao contrário do que alguns pensam, mas tem margem de progressão e por isso é importante estar numa grande equipa. Não pode é amuar se não jogar.
André Santos aparentemente não tem lugar no 11. Mas tudo depende dele. Não é um jogador fenomenal ao contrário do que alguns pensam, mas tem margem de progressão e por isso é importante estar numa grande equipa. Não pode é amuar se não jogar.
- Bojinov é a grande ponto de interrogação neste momento. Parece estar com problemas físicos e peso a mais. Iremos perceber a curto-prazo se o mediático jogador búlgaro veio para construir algo ou simplesmente para fazer turismo…
Quando morava na cidade
Quando morava na cidade,
sempre que acordava,
a primeira coisa que fazia
era apagar todos os sonhos da pele.
Tomava umas vitaminas,
aplicava-se na adequação
do corpo à combustão.
Ameaçado pelo ruído, pelos gases,
pelos rostos contraídos, circunspectos,
punha-se a salvo num sorriso encenado.
Depois, concentrava-se nesse sorriso
até ao final do dia.
Era muito talentoso
na forma como fazia valer
as suas proposições.
Alguns exercícios de relaxação
facilitavam-lhe, em grande medida,
o sucesso. Era um sucesso
de pasta na mão, transportes públicos,
passado em fuga, futuro à vista.
Era sucesso de economista.
Quando morava na cidade,
tinha sempre de prevenção
um airbag enfiado no peito.
Uma vez, no metropolitano,
aconteceu-lhe ser insultado
por um desses falhados na vida.
Embateu contra o insulto,
accionando o balão da indiferença.
Regressou a casa sem mazelas no corpo,
à excepção de um buraco na língua.
Cantava canções e ria e corria,
estava sempre pronto para mais um dia.
Às vezes julgava-se cobarde,
mas depois sentava-se a escrever
e crescia dentro de si
um senso de heroísmo quase histérico.
Tinha a sensação de que
quando morava na cidade,
os sentimentos estavam
mais devidamente engarrafados
nos músculos, nos nervos, nas articulações.
Isto foi antes de olhar para os pés
como quem olha para o céu,
antes da coluna se ter quebrado
de modo irreversível.
Isto foi antes dum muro de cansaço
se erguer à sua volta.
Antes da dor lhe ter obstruído
a vista para o rio, antes de ter escorregado
no mais glorioso dos seus dias.
Isto foi antes do dia em que a sorte
lhe bateu à porta da fome.
Hoje, mora numa espécie de dança
parada. Numa queda sem fim.
Olha para trás do corpo e vê:
um coração acelerado num homem lento,
um pulmão com setenta vezes sete
metros de fundura. Vê um poço vazio.
Henrique Manuel Bento Fialho
sempre que acordava,
a primeira coisa que fazia
era apagar todos os sonhos da pele.
Tomava umas vitaminas,
aplicava-se na adequação
do corpo à combustão.
Ameaçado pelo ruído, pelos gases,
pelos rostos contraídos, circunspectos,
punha-se a salvo num sorriso encenado.
Depois, concentrava-se nesse sorriso
até ao final do dia.
Era muito talentoso
na forma como fazia valer
as suas proposições.
Alguns exercícios de relaxação
facilitavam-lhe, em grande medida,
o sucesso. Era um sucesso
de pasta na mão, transportes públicos,
passado em fuga, futuro à vista.
Era sucesso de economista.
Quando morava na cidade,
tinha sempre de prevenção
um airbag enfiado no peito.
Uma vez, no metropolitano,
aconteceu-lhe ser insultado
por um desses falhados na vida.
Embateu contra o insulto,
accionando o balão da indiferença.
Regressou a casa sem mazelas no corpo,
à excepção de um buraco na língua.
Cantava canções e ria e corria,
estava sempre pronto para mais um dia.
Às vezes julgava-se cobarde,
mas depois sentava-se a escrever
e crescia dentro de si
um senso de heroísmo quase histérico.
Tinha a sensação de que
quando morava na cidade,
os sentimentos estavam
mais devidamente engarrafados
nos músculos, nos nervos, nas articulações.
Isto foi antes de olhar para os pés
como quem olha para o céu,
antes da coluna se ter quebrado
de modo irreversível.
Isto foi antes dum muro de cansaço
se erguer à sua volta.
Antes da dor lhe ter obstruído
a vista para o rio, antes de ter escorregado
no mais glorioso dos seus dias.
Isto foi antes do dia em que a sorte
lhe bateu à porta da fome.
Hoje, mora numa espécie de dança
parada. Numa queda sem fim.
Olha para trás do corpo e vê:
um coração acelerado num homem lento,
um pulmão com setenta vezes sete
metros de fundura. Vê um poço vazio.
Henrique Manuel Bento Fialho
segunda-feira, 18 de julho de 2011
O Desvio
Como forma de justificar as inevitáveis medidas de austeridade adicionais, Passos falou no enorme desvio que encontrou nas contas públicas. Bastou ser ligeiramente pressionado pela opinião pública, como resultado do doloroso corte no subsídio de natal, para se começar a revelar verdadeiramente.
Não foi ele que disse que conhecia a situação económica do País em pormenor? Quem é que negociou directamente com o FMI o plano de resgate? Os senhores do Troika que tanto endeusou afinal não sabem fazer contas? Não foi Passos Coelho que anunciou solenemente ao país que com ele as queixas relativamente ao passado tinham acabado? Sr. Primeiro-Ministro faça o que tem a fazer e deixe-se de merdas.
No meio de tudo isto não posso deixar de simpatizar com o estilo desajeitado do novo Ministro das Finanças, o tal Gaspar. Tal como o anterior Teixeira dos Santos aliás, que também me merecia apreço. Só mesmo gajos muito malucos e como elevados níveis de masoquismo é que aceitam ir para aquele lugar...
Não foi ele que disse que conhecia a situação económica do País em pormenor? Quem é que negociou directamente com o FMI o plano de resgate? Os senhores do Troika que tanto endeusou afinal não sabem fazer contas? Não foi Passos Coelho que anunciou solenemente ao país que com ele as queixas relativamente ao passado tinham acabado? Sr. Primeiro-Ministro faça o que tem a fazer e deixe-se de merdas.
No meio de tudo isto não posso deixar de simpatizar com o estilo desajeitado do novo Ministro das Finanças, o tal Gaspar. Tal como o anterior Teixeira dos Santos aliás, que também me merecia apreço. Só mesmo gajos muito malucos e como elevados níveis de masoquismo é que aceitam ir para aquele lugar...
sábado, 16 de julho de 2011
A Previsibilidade
A natureza humana consegue ser tão previsível como o beijo apaixonado de um casal de namorados no despertar da Primavera….
quinta-feira, 14 de julho de 2011
O Seguro
A não ser que haja um volte-face de última hora absolutamente surpreendente, António José Seguro caminha a passos largos para ser o próximo secretário-geral do PS, o que significa mais coisa menos coisa que o PS se prepara com afinco para uma justa, merecida e longa travessia no deserto.
Seguro é o grau zero da política. Um depósito de lugares-comuns que construiu totalmente a sua imagem na hipocrisia reinante que domina os corredores dos principais partidos políticos. É um Idiota sem ideias próprias e com a mania do politicamente correcto. Toda a gente que priva com ele diz que é um gentleman, muito afável e receptivo. Descrições que para mim só provam a sua absoluta inutilidade e a sua impreparação para o lugar.
Comparativamente a Passos Coelho, que não é nem de perto nem de longe um líder carismático, Seguro perde aos pontos. O único aspecto em que leva vantagem face ao actual Primeiro-Ministro é ao nível da formação ideológica. Mas mesmo isso serve de pouco quando a mente que está associada a tal posicionamento (porventura ajustado face à realidade) é de uma limitação confrangedora. E, claro, as agências de comunicação não conseguem resolver todos os problemas...
Seguro é o grau zero da política. Um depósito de lugares-comuns que construiu totalmente a sua imagem na hipocrisia reinante que domina os corredores dos principais partidos políticos. É um Idiota sem ideias próprias e com a mania do politicamente correcto. Toda a gente que priva com ele diz que é um gentleman, muito afável e receptivo. Descrições que para mim só provam a sua absoluta inutilidade e a sua impreparação para o lugar.
Comparativamente a Passos Coelho, que não é nem de perto nem de longe um líder carismático, Seguro perde aos pontos. O único aspecto em que leva vantagem face ao actual Primeiro-Ministro é ao nível da formação ideológica. Mas mesmo isso serve de pouco quando a mente que está associada a tal posicionamento (porventura ajustado face à realidade) é de uma limitação confrangedora. E, claro, as agências de comunicação não conseguem resolver todos os problemas...
terça-feira, 12 de julho de 2011
O Livro
Jeremias olhava para passado com uma selecta nostalgia. Tinha memórias ricas e encantadoras. Podia sempre escrever um livro, mas não havia nenhuma editora chamada Misantropia…
A Europa do Sul
Já me tinha ocorrido diversas vezes como é que um país com os níveis de corrupção e os vícios estruturais da Itália estava a conseguir passar entre os pingos da chuva da crise. Berlusconi é um Charlatão sabido mas não consegue fazer milagres. Era inevitável a derrapagem e a proximidade geográfica da Grécia também não ajuda. O que vem reforçar para nós a absoluta necessidade da Espanha se aguentar firme à pressão dos mercados internacionais.
Obviamente que a Itália – um dos mais extraordinários e versáteis países do mundo – possui recursos para sobreviver à escalada dos juros mas a Europa pode não voltar a ser a mesma...
Obviamente que a Itália – um dos mais extraordinários e versáteis países do mundo – possui recursos para sobreviver à escalada dos juros mas a Europa pode não voltar a ser a mesma...
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Pequenas Mentiras Entre Amigos
Pequenas Mentiras Entre Amigos vem comprovar que uma banal crónica de costumes pode resultar num belíssimo filme. A narrativa anda às voltas com as angústias afectivas de um grupo de velhos amigos de classe média.
Com um naipe de grandes actores como François Cluzet, Gilles Lellouche, Benoit Magimel e Marion Cotillard este filme realizado pelo jovem realizador francês Guillaume Canet merece ser devidamente apreciado. O entretenimento que o argumento desponta talvez faça lembrar, aqui ou ali, estarmos perante um produto mais televisivo que cinematográfico, mas essa versatilidade de públicos é também um dos grandes mérito do filme. E, num tempo em que têm escasseado aquelas grandes realizações possíveis de ser comparáveis a verdadeiras obras-primas, este projecto 100 % francês ainda é do melhorzinho que anda por essas salas de cinema…
Com um naipe de grandes actores como François Cluzet, Gilles Lellouche, Benoit Magimel e Marion Cotillard este filme realizado pelo jovem realizador francês Guillaume Canet merece ser devidamente apreciado. O entretenimento que o argumento desponta talvez faça lembrar, aqui ou ali, estarmos perante um produto mais televisivo que cinematográfico, mas essa versatilidade de públicos é também um dos grandes mérito do filme. E, num tempo em que têm escasseado aquelas grandes realizações possíveis de ser comparáveis a verdadeiras obras-primas, este projecto 100 % francês ainda é do melhorzinho que anda por essas salas de cinema…
Eu
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem sorte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte,
Sou a crucificada...a dolorida...
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca
Eu sou a que na vida não tem sorte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte,
Sou a crucificada...a dolorida...
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca
sexta-feira, 8 de julho de 2011
O Leão Búlgaro
Bojinov é sem dúvida o jogador mais sonante que o Sporting contratou. É uma figura que certamente ira vender muitos jornais e revistas, até porque vem acompanhado da sua namorada: uma escultural e famosa modelo internacional. Como jogador, é um gajo de grandes golos e que dá sempre espectáculo, o que também é importante para entusiasmar. No entanto, parece também ser irregular como tudo.
Independentemente da sua faceta mais mediática, na apresentação foi correctíssimo na mensagem que passou. Já se percebeu que está habituado a lidar com a imprensa. Isto, porque foi uma das maiores promessas do futebol mundial, sendo que estagnou um pouco a sua evolução nos últimos tempos. Aposto que falará português em 3 tempos.
Quanto a outros dois jogadores apresentados nos últimos dias (Luís Aguiar e o jovem chileno de nome Rubio) confesso que não me entusiasmam por aí além, mas espero estar enganado.
Era muito importante a contratação de mais um extremo. Até porque Izmailov é sempre aquela incógnita. Cada vez que vai ao chão, pensamos logo que pode não se levantar. A renovação do seu contrato foi um grande risco, sendo que as suas qualidades são inegáveis.
Por outro lado, já me convenci que não vem nenhuma Truta, ou seja, um daqueles jogadores de créditos firmados que se impõem logo à partida só pelo nome. Gostava de estar enganado mas para mim isso é claro neste momento, sendo que também gosto de ser surpreendido. A questão é que o perfil de Domingos também desaconselha tais aventuras. Não acredito que ele queira uma vedeta com estatuto de tal no balneário. Basta analisar a forma como está a gerir a equipa. Dispensou todos os que podiam destabilizar (e bem) como Maniche, Caneira, Vuckevic, etc…
Independentemente da sua faceta mais mediática, na apresentação foi correctíssimo na mensagem que passou. Já se percebeu que está habituado a lidar com a imprensa. Isto, porque foi uma das maiores promessas do futebol mundial, sendo que estagnou um pouco a sua evolução nos últimos tempos. Aposto que falará português em 3 tempos.
Quanto a outros dois jogadores apresentados nos últimos dias (Luís Aguiar e o jovem chileno de nome Rubio) confesso que não me entusiasmam por aí além, mas espero estar enganado.
Era muito importante a contratação de mais um extremo. Até porque Izmailov é sempre aquela incógnita. Cada vez que vai ao chão, pensamos logo que pode não se levantar. A renovação do seu contrato foi um grande risco, sendo que as suas qualidades são inegáveis.
Por outro lado, já me convenci que não vem nenhuma Truta, ou seja, um daqueles jogadores de créditos firmados que se impõem logo à partida só pelo nome. Gostava de estar enganado mas para mim isso é claro neste momento, sendo que também gosto de ser surpreendido. A questão é que o perfil de Domingos também desaconselha tais aventuras. Não acredito que ele queira uma vedeta com estatuto de tal no balneário. Basta analisar a forma como está a gerir a equipa. Dispensou todos os que podiam destabilizar (e bem) como Maniche, Caneira, Vuckevic, etc…
Yellow – Coldplay
Não fui ao concerto mas fica aqui a recordação com um tema do, talvez, melhor álbum deles: Parachutes…
quarta-feira, 6 de julho de 2011
O Lixo
Somos considerados Lixo nos mercados internacionais, o que para o cidadão comum não devia aquecer nem arrefecer, diga-se. Mas que é mais um mau sintoma, disso não tenhamos dúvidas. E como dá na televisão, a malta fica aflita. O mais preocupante no diagnóstico da Moody’s é a antevisão que fazem da necessidade de um segundo pacote de ajuda, o que a acontecer, seria catastrófico para Portugal.
Se a Espanha também cair nas malhas do FMI é meio caminho andado para a nossa bancarrota. Mais que a Grécia que, continuo a achar, tem uma situação incomparável à nossa, importa perceber como se vão aguentando os nossos vizinhos do lado…
Se a Espanha também cair nas malhas do FMI é meio caminho andado para a nossa bancarrota. Mais que a Grécia que, continuo a achar, tem uma situação incomparável à nossa, importa perceber como se vão aguentando os nossos vizinhos do lado…
segunda-feira, 4 de julho de 2011
A Independência
Amigo Álvaro (visto que é assim que gostas de ser tratado) estou contigo. Por mim, podes avançar sem contemplações. E quando dizes que a nossa taxa de desemprego é assustadora também estou contigo, mas olha compete-te a ti invertê-la, percebes? E convém que alguém te lembre, antes de abrires a boca, que isto não é bem o Canadá…
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Hadewijch
Um filme de Bruno Dumont que percorre os caminhos da fé de uma jovem rapariga de nome Céline que vive apaixonadamente as suas convicções religiosas. Quando a jovem, filha de uma abastada e respeitada família, trava amizade com um grupo de jovens muçulmanos radicais embarca num perigoso mundo que vem complicar ainda mais a sua desordenada mente.
Dumont , do qual nunca tinha visto nenhum filme anteriormente, vacila aqui ou ali, mas consegue com um fim libertador justificar a sua aposta. De um ex-presidiário nasce a improvável redenção para a jovem Céline….
Dumont , do qual nunca tinha visto nenhum filme anteriormente, vacila aqui ou ali, mas consegue com um fim libertador justificar a sua aposta. De um ex-presidiário nasce a improvável redenção para a jovem Céline….
E vão 105
O Sporting Clube de Portugal faz hoje 105 anos e nada melhor para enaltecer a sua Grandeza que a mítica voz da mulher de cabelo verde….
quarta-feira, 29 de junho de 2011
O Programa
No meio de muitas medidas avulsas, sem aplicação prática, e que ficam muito bem no papel (problema de todos os programas de governo desde que me conheço) há opções de matéria essencial que tendencialmente concordo e outras que tendencialmente discordo no documento agora tornado público:
Concordo com a obrigação de um exame para os candidatos a professores independentemente da sua formação académica (agora, muito cuidado com o conteúdo e coerência dessa prova); concordo com o princípio das rescisões por mútuo acordo na administração pública; concordo com a privatização do canal 1 da RTP mantendo o segundo canal (concordo somente se for esta a opção) e concordo com a ideia de os Ministérios serem penalizados por gastarem mais que o orçamentado no ano anterior.
Discordo linearmente da privatização total da TAP e do fim das golden shares em instituições de crucial sensibilidade para a economia do País como a PT ou CGD, por exemplo; discordo da escandalosa linha de pensamento - própria de vulgares filisteus - que sustenta que o apoio ao cinema e ao teatro devem ficar dependente das receitas de bilheteira (Francisco José Viegas, pira-te enquanto antes), e discordo absolutamente da suspensão do TGV Lisboa-Madrid, pois num país periférico como o nosso é uma obra de importância estratégica fundamental, e que assim nos manterá por tempo indeterminado no terceiro mundo das linhas férreas...
Concordo com a obrigação de um exame para os candidatos a professores independentemente da sua formação académica (agora, muito cuidado com o conteúdo e coerência dessa prova); concordo com o princípio das rescisões por mútuo acordo na administração pública; concordo com a privatização do canal 1 da RTP mantendo o segundo canal (concordo somente se for esta a opção) e concordo com a ideia de os Ministérios serem penalizados por gastarem mais que o orçamentado no ano anterior.
Discordo linearmente da privatização total da TAP e do fim das golden shares em instituições de crucial sensibilidade para a economia do País como a PT ou CGD, por exemplo; discordo da escandalosa linha de pensamento - própria de vulgares filisteus - que sustenta que o apoio ao cinema e ao teatro devem ficar dependente das receitas de bilheteira (Francisco José Viegas, pira-te enquanto antes), e discordo absolutamente da suspensão do TGV Lisboa-Madrid, pois num país periférico como o nosso é uma obra de importância estratégica fundamental, e que assim nos manterá por tempo indeterminado no terceiro mundo das linhas férreas...
terça-feira, 28 de junho de 2011
Os Motoristas
Continuando na senda do serviço público que sempre caracterizou este blogue, sugiro o extermínio imediato da categoria de motoristas que proliferam na administração pública em Portugal. É aproveitar a pedalada proveniente da extinção dos Governos Civis para acabar de vez com esse atentado. Um mero assessor de um secretário de estado tem direito a um motorista, um sub-secretário de estado tem direito a outro motorista e, por aí adiante num delapidar contínuo do erário público. Em qualquer instituto público há no mínimo dois motoristas. Porque é que um qualquer assessor (de um ministro ou secretário de estado) não pode andar de transportes públicos ou na sua viatura pessoal? Não confia na fiabilidade dos transportes do Estado – o seu omnipresente empregador? O seu tempo é mais precioso que de um outro qualquer cidadão que contribua para o Produto Interno Bruto Nacional de forma efectiva?
Imagino que os motoristas na função pública serão aos milhares, sem falar nas autarquias que cada uma deve ter no mínimo dois, dependendo claro está do tamanho do município. Obviamente que nada me move contra tais profissionais cujas funções passam por zelar pelas viaturas, além claro, de conduzirem as eminências pardas aos respectivos destinos muitas vezes fora do horário normal de trabalho; situações que, importa salientar, acarretam o pagamento de horas extraordinárias aos diligentes funcionários. Agora, que se poupava muito, muito, disso não tenho dúvidas. É mandá-los para casa, pagar-lhes as respectivas indemnizações pela lei actual e salvaguardar-lhes todos os direitos no sentido de poderem refazer a sua vida. Neste hipotético cenário, começava a acreditar que Passos Coelho teria a coragem para mudar alguma coisa de relevante. Até aqui, tudo não passa de fogo de vista. Chamem-lhe estado de graça se quiserem, mas eu já vi este filme demasiadas vezes….
Este homem que esperou
Este homem que esperou
humilde em sua casa
que o sol lavasse a cara
ao seu desgosto
Este homem que esperou
à sombra de uma árvore
mudar a direcção
ao seu pobre destino
Este homem que pensou
com uma pedra na mão
transformá-la num pão
transformá-la num beijo
Este homem que parou
no meio da sua vida
e se sentiu mais leve
que a sua própria sombra
António Ramos Rosa
humilde em sua casa
que o sol lavasse a cara
ao seu desgosto
Este homem que esperou
à sombra de uma árvore
mudar a direcção
ao seu pobre destino
Este homem que pensou
com uma pedra na mão
transformá-la num pão
transformá-la num beijo
Este homem que parou
no meio da sua vida
e se sentiu mais leve
que a sua própria sombra
António Ramos Rosa
segunda-feira, 27 de junho de 2011
A Estupefacção
O Futebol Português não para de surpreender e prova que tudo, mesmo tudo, é possível no mundo da bola. A manutenção de Villas-Boas como treinador do porto para a próxima época era para mim um dado adquirido. A única explicação que encontro é que Vilas-Boas na ânsia de seguir as pisadas de Mourinho pensa efectivamente que tem mais hipóteses de ganhar a Champions no Chelsea do que no porto e, relembre-se, no clube inglês Mourinho não foi campeão europeu. Isto e mais o contrato milionário, claro está, que não deve ser negligenciado para quem deseja ter uma carreira curta. O gajo achou que vencer a Champions no porto (que é a ambição natural dos adeptos porque estão habituados a isso – mérito de pinto da costa) seria inconcretizável e resolveu partir. E assim fica com mais hipóteses de ganhar na comparação com o The Special One. No porto, o máximo que poderia atingir era igualá-lo, e mesmo isso seria altamente improvável.
Assim, será uma excelente época para o meu Sporting surpreender tudo e todos. O porto vai estar em transição e não acredito que, pelo menos, Falcão fique. E o benfica de Jesus à primeira derrota vai entrar certamente em ebulição…
domingo, 26 de junho de 2011
A Demagogia
Passos não poupou dinheiro porque o Governo não paga bilhetes na TAP
Apesar de tudo Senhor Primeiro-Ministro, vale pela intenção. Eu diria mesmo que já começou a aprender umas coisas com o seu parceiro de coligação....
quarta-feira, 22 de junho de 2011
O Sol da Aurora
Temos uma mulher a presidir ao Parlamento. Menos mau.
Temos um Governo recém-empossado que acaba com os dezoito Governos Civis. Medida que só peca por tardia, sendo que as críticas e os pedidos de demissão dos governadores civis ainda em exercício são legítimas e até compreensíveis. A verdade é que as funções que lhes competem – algumas importantes ao nível da prevenção – podem sem dificuldades, e seguindo critérios de razoabilidade, serem efectuadas por outras entidades já existentes. Em termos práticos, a maior utilidade dos mesmos para quem estava no poder era alimentar o clientelismo e silenciar quem não tinha lugar no Governo, servindo assim como uma espécie de prémio de consolo para os contemplados.
Mas isto é só o início. A moral de Passos Coelho termina aqui. Agora é começar a nomear os laranjinhas para tudo o que é empresa pública e afins. Portugal não muda assim. Os ingleses chamar-lhe-iam Morning Glory...
Temos um Governo recém-empossado que acaba com os dezoito Governos Civis. Medida que só peca por tardia, sendo que as críticas e os pedidos de demissão dos governadores civis ainda em exercício são legítimas e até compreensíveis. A verdade é que as funções que lhes competem – algumas importantes ao nível da prevenção – podem sem dificuldades, e seguindo critérios de razoabilidade, serem efectuadas por outras entidades já existentes. Em termos práticos, a maior utilidade dos mesmos para quem estava no poder era alimentar o clientelismo e silenciar quem não tinha lugar no Governo, servindo assim como uma espécie de prémio de consolo para os contemplados.
Mas isto é só o início. A moral de Passos Coelho termina aqui. Agora é começar a nomear os laranjinhas para tudo o que é empresa pública e afins. Portugal não muda assim. Os ingleses chamar-lhe-iam Morning Glory...
terça-feira, 21 de junho de 2011
Viagem a Portugal
Viagem a Portugal é um filme de Sérgio Tréfaut que aborda as contingências, por vezes desumanas, do controle de estrangeiros nos aeroportos europeus.
Maria, uma médica ucraniana interpretada por Maria de Medeiros, aterra no aeroporto de Faro em Portugal, com visto de turismo, e com o objectivo de se juntar ao marido senegalês que trabalha nas obras da Expo, decorria então o ano de 1997. Maria vai embater de frente com a inflexibilidade de um sistema cego cujo principal rosto é assumido por uma inspectora preconceituosa interpretada por Isabel Ruth.
Tréfaut parte de uma abordagem original com cenários minimalistas rodados a preto e branco. O filme baseado num caso verídico conta a história com precisão, sem entrar por outros caminhos que o podiam tornar mais interessante. É de realçar no entanto o fio condutor e a extrema coerência de toda a obra do realizador que tem tido o mérito de pôr o país a pensar sobre as prementes questões da imigração…
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Nobre Day
Qualquer que seja o desfecho final da votação de Fernando Nobre para presidente do parlamento há um derrotado à partida: o próprio. Mesmo que vença, o povo cá fora não o quer lá certamente. E fica como um excelente estudo de caso para o futuro. Como é que um tipo com uma actividade de cidadania activa, meritória e respeitável perde toda a credibilidade num abrir e fechar de olhos?...
Só dos Mortos Devemos Ter Ciúmes
Só dos mortos devemos ter ciúmes; acordar
de entre as pedras doentes dolorosos
que da beira das arribas nos atirem ao porto
onde enfim se encontre a nossa angústia.
Só eles lutam palmo a palmo pelo espaço
em que já vertical erguemos nosso braço
em busca de que sumo ou de que céu. É que só eles
nos retiram da cama de que por nós foi feita
a escolha: a macieza intensa que julgámos
eterna, que nos parecia tão cordatamente
entregue à nossa própria suma sumaúma.
Só os mortos, horror, inda que vivos, vivem
paredes meias com os nossos dedos, logo afastam
os momentos ferozes que tocássemos, e as nuvens
por sobre o mar dos olhos: é bem feito,
dizem os meninos. Pois que dos vivos vivos
a vida nos desvia e nisso nos conduz, assaz
encaminhados pelo que vamos querendo.
Só os mortos nos mordem, nos apontam
a dedo frio e tenso, entorpecem desejos
e, pois pior, só eles nos expulsam
do vero som dos sinos numa entrega
às palavras baldadas do comércio.
A luta clara que sonhada fosse
pela mão dada e limpa que nos dessem
tropeça, polvo, com misérias nossas
e enterra-te na pérfida, agoniada leira
onde dominam eles nossas bocas e o sangue
que nelas perpassasse. Só os mortos,
invisíveis, letais, pesados entes,
nos disputam a vida, e só por fim nos matam.
Pedro Tamen
de entre as pedras doentes dolorosos
que da beira das arribas nos atirem ao porto
onde enfim se encontre a nossa angústia.
Só eles lutam palmo a palmo pelo espaço
em que já vertical erguemos nosso braço
em busca de que sumo ou de que céu. É que só eles
nos retiram da cama de que por nós foi feita
a escolha: a macieza intensa que julgámos
eterna, que nos parecia tão cordatamente
entregue à nossa própria suma sumaúma.
Só os mortos, horror, inda que vivos, vivem
paredes meias com os nossos dedos, logo afastam
os momentos ferozes que tocássemos, e as nuvens
por sobre o mar dos olhos: é bem feito,
dizem os meninos. Pois que dos vivos vivos
a vida nos desvia e nisso nos conduz, assaz
encaminhados pelo que vamos querendo.
Só os mortos nos mordem, nos apontam
a dedo frio e tenso, entorpecem desejos
e, pois pior, só eles nos expulsam
do vero som dos sinos numa entrega
às palavras baldadas do comércio.
A luta clara que sonhada fosse
pela mão dada e limpa que nos dessem
tropeça, polvo, com misérias nossas
e enterra-te na pérfida, agoniada leira
onde dominam eles nossas bocas e o sangue
que nelas perpassasse. Só os mortos,
invisíveis, letais, pesados entes,
nos disputam a vida, e só por fim nos matam.
Pedro Tamen
sexta-feira, 17 de junho de 2011
A Grandeza
A Enormidade de um Clube vê-se nestes pormenores. Reparem bem na forma como este jovem adepto Sportiguista resolveu dar as boas-vindas ao novo reforço holandês apresentado ontem à noite, o quase impronunciável Stijn Schaars...
O Acordo
O Governo muda mas os mercados continuam a castigar severamente a nobre nação imortal. Curiosamente a situação até se agravou nos últimos dias. Mais preocupante que o descalabro grego é os indícios de que a Espanha pode também cair nas malhas do resgate externo e, nesse cenário, as complicações assumiriam para nós repercussões incalculáveis. O nosso futuro a médio-prazo dependerá bastante do nosso vizinho ibérico onde o desemprego assume hoje taxas inacreditáveis. E o tempo é bem capaz de confirmar esta mera suposição.
Numa análise serena, a nova aliança maioritária de direita (Passos-Portas) tem tudo para se manter no poder durante 8 anos no mínimo. Passos Coelho com um perfil mais humano e menos politico que Sócrates - o que obviamente o favorece - terá de início alguma benevolência da população em geral, sem no entanto atingir o habitual estado de graça dos primeiros tempos de outros governantes. Isto também um pouco por força das circunstâncias. Imporá medidas duríssimas de entrada e passados os dois primeiros anos de austeridade começa a trabalhar para a reeleição com a bênção de Cavaco. Agora, isto acontecerá no plano teórico. Por vezes, a realidade prega partidas e entra sem pedir licença…
quarta-feira, 15 de junho de 2011
O Despertar do Leão
Uma olhadela de Leão pelos últimos tempos na vida do Grande Sporting.
Positivo:
- O Futsal - grande equipa. Seria uma tremenda injustiça se não fossem campeões com um verdadeiro Leão (João Benedito) como estandarte. É importante também para alimentar as paixões numa época catastrófica em que nem o habitual futebol de formação ou o andebol conseguiram trazer alegrias;
- A descrição na contratação do holandês Van Wolfswinkel e o assumir de Luís Duque como chefe à antiga do futebol, ainda para mais com poderes reforçados. Mérito de Godinho Lopes. Competência é pôr quem sabe a tratar das coisas importantes. O resto são balelas;
- A saída de Couceiro. Tenho pena mas é positivo. Prestou serviços de relevo e é um grande sportinguista mas a verdade é que era gente a mais na estrutura com tendência para se atropelarem uns aos outros e por isso contribuírem para a destabilização. Espero que Couceiro regresse um dia pela porta grande porque merece;
- Aceito e até acho bom sinal que Domingos queira continuar com Polga (nunca como titular). Prova que sabe o que quer e que necessita de experiência no balneário e gente com anos de casa. As grandes equipas constroem-se assim.
Negativo:
- Perceber que continuamos atrás dos rivais ao nível do poderio financeiro que permite fechar contratações com rapidez. É um facto. Obviamente que agora temos gente com critério a tratar do assunto, o que não acontecia até aqui. Gente que vai tentar diminuir o fosso para os adversários mais directos, mas esse fosso financeiro parece-me que continua a existir, infelizmente para nós;
- A situações de Maniche, Caneira, Vuckevic e Grimi que tardam em ser resolvidas. A meu ver nenhum deles tem perfil para ser enquadrado neste novo ciclo;
- Reforça-se o Departamento Médico mas mantém-se o líder do mesmo, como se não fosse ele o principal responsável pelas asneiras todas cometidas ao longo das últimas épocas.
A sensação que tenho é que para esta direcção conseguir levantar definitivamente o gigante adormecido, o Sporting tem nos próximos anos, além de ser Campeão claro, ganhar uma liga europa ou ir longe numa Champions. Estamos a entrar numa fase crucial para a afirmação do clube. Corremos o risco de perder o comboio dos outros dois concorrentes. Por isso, mãos à obra rapaziada...
Positivo:
- O Futsal - grande equipa. Seria uma tremenda injustiça se não fossem campeões com um verdadeiro Leão (João Benedito) como estandarte. É importante também para alimentar as paixões numa época catastrófica em que nem o habitual futebol de formação ou o andebol conseguiram trazer alegrias;
- A descrição na contratação do holandês Van Wolfswinkel e o assumir de Luís Duque como chefe à antiga do futebol, ainda para mais com poderes reforçados. Mérito de Godinho Lopes. Competência é pôr quem sabe a tratar das coisas importantes. O resto são balelas;
- A saída de Couceiro. Tenho pena mas é positivo. Prestou serviços de relevo e é um grande sportinguista mas a verdade é que era gente a mais na estrutura com tendência para se atropelarem uns aos outros e por isso contribuírem para a destabilização. Espero que Couceiro regresse um dia pela porta grande porque merece;
- Aceito e até acho bom sinal que Domingos queira continuar com Polga (nunca como titular). Prova que sabe o que quer e que necessita de experiência no balneário e gente com anos de casa. As grandes equipas constroem-se assim.
Negativo:
- Perceber que continuamos atrás dos rivais ao nível do poderio financeiro que permite fechar contratações com rapidez. É um facto. Obviamente que agora temos gente com critério a tratar do assunto, o que não acontecia até aqui. Gente que vai tentar diminuir o fosso para os adversários mais directos, mas esse fosso financeiro parece-me que continua a existir, infelizmente para nós;
- A situações de Maniche, Caneira, Vuckevic e Grimi que tardam em ser resolvidas. A meu ver nenhum deles tem perfil para ser enquadrado neste novo ciclo;
- Reforça-se o Departamento Médico mas mantém-se o líder do mesmo, como se não fosse ele o principal responsável pelas asneiras todas cometidas ao longo das últimas épocas.
A sensação que tenho é que para esta direcção conseguir levantar definitivamente o gigante adormecido, o Sporting tem nos próximos anos, além de ser Campeão claro, ganhar uma liga europa ou ir longe numa Champions. Estamos a entrar numa fase crucial para a afirmação do clube. Corremos o risco de perder o comboio dos outros dois concorrentes. Por isso, mãos à obra rapaziada...
domingo, 12 de junho de 2011
As Bodas
A Platina é só para quem a merece. A dádiva não é para quem quer, é para quem sabe. Apesar de por vezes a Anciã parecer alheada da própria vida.
Jeremias, que sabia não poder ambicionar grandes concretizações ao nível das bodas, curvava-se perante tamanha façanha. A vidinha não é para todos…
Jeremias, que sabia não poder ambicionar grandes concretizações ao nível das bodas, curvava-se perante tamanha façanha. A vidinha não é para todos…
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Carlos
Filme de Olivier Assayas.sobre o lendário terrorista, Carlos o chagal, figura chave na história dos anos 70 e 80.
Diga-se desde já que Carlos não era uma pessoa particularmente interessante. Apareceu associado à extrema-esquerda marxista e acabou como um mercenário oportunista ao serviço de quem lhe pagasse melhor. Começou pela defesa da causa palestiniana e depois deambulou como colaboracionista de inúmeras ditaduras (no médio oriente e não só) até ser capturado no Sudão onde estava exilado.
O filme feito originalmente para televisão tem ritmo, mas pouco mais que isso. É entretido mas não desperta curiosidade por aí além. Atendendo a que o argumento do filme é ficcionado, apesar de baseado no percurso de vida do terrorista venezuelano, podia ter ido mais além ao nível da exploração das potencialidades que o projecto à partida oferecia.
Não me engano muito ao afirmar que Carlos não perdia nada se tivesse ficado simplesmente como projecto televisivo (um série de 5 episódios com 100 minutos cada) sem os necessários cortes que a adaptação cinematográfica foi alvo. Talvez apresentado nesse formato o projecto seja mais conseguido...
Diga-se desde já que Carlos não era uma pessoa particularmente interessante. Apareceu associado à extrema-esquerda marxista e acabou como um mercenário oportunista ao serviço de quem lhe pagasse melhor. Começou pela defesa da causa palestiniana e depois deambulou como colaboracionista de inúmeras ditaduras (no médio oriente e não só) até ser capturado no Sudão onde estava exilado.
O filme feito originalmente para televisão tem ritmo, mas pouco mais que isso. É entretido mas não desperta curiosidade por aí além. Atendendo a que o argumento do filme é ficcionado, apesar de baseado no percurso de vida do terrorista venezuelano, podia ter ido mais além ao nível da exploração das potencialidades que o projecto à partida oferecia.
Não me engano muito ao afirmar que Carlos não perdia nada se tivesse ficado simplesmente como projecto televisivo (um série de 5 episódios com 100 minutos cada) sem os necessários cortes que a adaptação cinematográfica foi alvo. Talvez apresentado nesse formato o projecto seja mais conseguido...
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Portugal, que futuro?
Portugal é um antiquíssimo submarino que permanece encalhado mas que agora é liderado por um comandante liberal.
O submarino, a cair de podre, anda com súbitas preocupações sociais e o comandante, qual Che Guevara de Massamá, acha-se Africano até ao tutano...
O submarino, a cair de podre, anda com súbitas preocupações sociais e o comandante, qual Che Guevara de Massamá, acha-se Africano até ao tutano...
Poema do Futuro
Conscientemente escrevo e, consciente,
medito o meu destino.
No declive do tempo os anos correm,
deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.
Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.
António Gedeão – Pseudónimo de Rómulo de Carvalho
medito o meu destino.
No declive do tempo os anos correm,
deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.
Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.
António Gedeão – Pseudónimo de Rómulo de Carvalho
terça-feira, 7 de junho de 2011
A Sucessão
O PS prepara-se para a inevitável travessia do deserto, habitual, quando existe uma mudança de ciclo. Entretanto começam a ser conhecidos os presumíveis candidatos à liderança e as movimentações inerentes à corrida que se avizinha. O triste fado português que caracterizou as sucessivas governações começa a ser traçado precisamente nestes momentos de contagem de espingardas no interior dos principais partidos. As bases, os boys, as conspirações, os favores que mais tarde serão pagos pelo contribuinte; tudo isso ajuda a compreender com clareza o deplorável estado a que chegaram as finanças do Estado. A noção de serviço público desta gente é zero. Passos Coelho é o perfeito exemplo acabado deste folclore…
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Agora, Aguentem-se!
O injustiçado Sócrates sai de cena perante a alegria generalizada do País. Passos entra com a graça do Senhor Cavaco. Portas sonhava com voos mais altos, mas assim também lhe serve perfeitamente. Jerónimo mantém o patriotismo de esquerda e Louça caiu na própria armadilha.
As diferenças entre PS e PSD no governo são relativas. Com o PS a austeridade continuaria, mas de forma menos dolorosa. Com este PSD no poder, as medidas serão menos equilibradas e drasticamente cegas. Mas a magnitude dos ventos da mudança são implacáveis. Portugal - num rasgo de esperança ingénua que acompanha sempre os moribundos - acordou bem disposto. Até no declínio, encontramos poesia...
domingo, 5 de junho de 2011
E vão 3
Já fez 1, 2, e hoje o Hipocrisias Indígenas faz 3 anos, curiosamente no dia em que o seu amado povo vai a votos.
Muito a propósito, continua pois o Hipocrisias com o branco como pano de fundo que é para condizer com o meu voto. Quem sabe se no quarto aniversário não voltará a cores mais festivas, como o verde do meu Sporting?
Por enquanto, com perto de 30 mil visitas, vai muito bem assim. E sinceramente não consigo contabilizar com exactidão quantos desses 30 000 vieram cá parar pela pesquisa das palavras “indígenas nuas”, mas garanto que foram certamente muitos.
Escrevo pois para uma imensa minoria que me faz o obséquio de quando em vez por aqui aparecer. Um agradecimento especial e um grande bem hajam para todos os Indígenas que por aqui vão passando...
Muito a propósito, continua pois o Hipocrisias com o branco como pano de fundo que é para condizer com o meu voto. Quem sabe se no quarto aniversário não voltará a cores mais festivas, como o verde do meu Sporting?
Por enquanto, com perto de 30 mil visitas, vai muito bem assim. E sinceramente não consigo contabilizar com exactidão quantos desses 30 000 vieram cá parar pela pesquisa das palavras “indígenas nuas”, mas garanto que foram certamente muitos.
Escrevo pois para uma imensa minoria que me faz o obséquio de quando em vez por aqui aparecer. Um agradecimento especial e um grande bem hajam para todos os Indígenas que por aqui vão passando...
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Eu Voto Branco (parte V)
Depois de em termos eleitorais ter resolvido nas últimas presidenciais interromper a minha brancura angélica para sacar da cartola um voto de protesto num apalhaçado Coelho, posso declarar que no próximo Domingo retomarei a minha saga pelo voto em branco.
A campanha tem sido aquilo que se esperava. O espectro do hipotético empate técnico faz com que os principais partidos façam uma marcação serrada e diária uns aos outros, recorrendo para isso a episódios frívolos sem qualquer significado político.
O Professor Cavaco mantém-se silencioso na esperança que floresça uma óbvia solução governativa. Apesar de o próprio merecer o contrário, porque foi ele um dos principais propulsores da crise política, as coisas tendencialmente caminharão para uma maioria de direita que lhe tirará a pressão de cima. Agora, se por acaso acontecer o contrário, Cavaco deveria assumir um tremendo erro de cálculo e seria engraçado ver tão desastrada personagem a chafurdar na lama que criou, e a ser obrigado a nomear Sócrates como Primeiro-Ministro. Ao menos, era cenário com piada.
Quanto aos partidos propriamente ditos, pois é de uma escolha democrática que se trata, anoto as seguintes constatações:
Sócrates, no qual ponderei inclusivamente votar pela primeira vez, é um sobrevivente por excelência. Adapta-se às circunstâncias como ninguém. É peixe dentro de água e se por acaso vencer as eleições, nem que seja por um voto, estamos perante um facto absolutamente singular na história das democracias europeias. Contra si, tem praticamente toda a opinião pública. Não o convidaria para um café, mas reconheço-lhe uma determinação invulgar e uma noção de serviço público que ao contrário do que se pensa não abunda por aí. Não voto nele, porque apesar de ter corrigido em parte a doença, sempre se preocupou em demasia com os soundbytes mediáticos. Valorizou vezes sem conta a fantochada em detrimento da resolução efectiva dos problemas das pessoas. Hoje está a pagar por isso, mas afirmar que os Magalhães ou as novas oportunidades foram medidas nefastas é de rir. Isto, num país onde sabe ler e escrever é ainda em grande parte uma ciência desconhecida.
O PSD de Passos Coelho aparece assim como uma espécie de criança indesejada. Não faz rejuvenescer a tão propagada esperança. Enrola-se num mar de contradições. Apresenta um Programa, ao que dizem coerente e em sintonia com o FMI (admito que sim), mais depois apresenta-o de forma atabalhoada mudando de estratégia todos os dias. Mas o mais preocupante neste PSD são as inutilidades pensantes que rodeiam Passos Coelho. Gente que não faz a mais pequena ideia do que é governar um país cheio de interesses corporativos. Ficaria mais descansado se essa gente, mesmo sem competência para o efeito, quisesse realmente afrontar as conveniências instaladas mas o problema central é que essa gentinha o que quer mesmo é alimentar novos tentáculos de poder, começando por se servir a si própria.
O CDS de Portas vai ter uma histórica subida como já há muitos meses é previsível. Provavelmente vai ser parte da solução. Ver Paulo Portas a deambular pelo terreno histórico da esquerda é uma das excentricidades desta campanha. Quem votar nele - e serão muitos os descontentes que o irão fazer pelo que me tenho apercebido - não se esqueça de levar nos bolsos uns submarinozitos de 832,9 milhões de euros para defender a inexpugnável nação de presumíveis invasores que, como se sabe, deverão ser às dúzias.
Da CDU e Jerónimo de Sousa não há grande coisa a acrescentar. São iguais a eles próprios. Um governo patriótico de esquerda como defendem só existe mesmo na cabeça de alguns deles (poucos, cada vez menos). Os outros vão atrás porque já não estão a tempo de mudar. Relativamente à campanha é a coerência habitual, o que cada vez vale menos diga-se, porque a conjuntura mundial vai no sentido contrário à clarividência dos cérebros comunistas.
Do Bloco de Esquerda espera-se uma descida acentuada. Justa aliás, face a episódios deploráveis como, entre outros, a invenção de uma moção de censura inexplicável ao governo. Poderá eventualmente a descida não ser tão drástica como se chegou a temer porque Louça em campanha gera sempre simpatias, fazendo uso de um discurso articulado, bem direccionado e até popularucho aqui ou ali. Mas independentemente dos números da queda, este BÉ já perdeu todas as oportunidades para ganhar asas para outros voos. Entrou muito provavelmente em declínio e dificilmente se levantará.
Resumindo, o cenário mais provável a sair das eleições do próximo domingo é a maioria de direita com Passos Coelho – esse herói português de Massamá – a liderar o governo. Aliás, na sequência do que tem vindo a acontecer por essa Europa fora. Apesar de não ser de todo a melhor opção, até posso aceitar que talvez seja a solução mais apaziguadora ao nível económico de momento, face à encruzilhada em que o País se encontra e aos compromissos que terá de assumir a curto-prazo. E claro porque a alternância democrática também é uma conquista de Abril. Agora, preparem-se para a incompetência despudorada e para a destruição progressiva de uma estado social, já por si debilitado, com os custos que isso acarretará para todos. E não se pense que as medidas serão implementadas rapidamente mesmo estando a direita no poder. A confusão reinará porque uma coisa é prometer, outra diferente, é ter de meter mãos à obra sem conhecer os problemas em profundidade. Mas a verdade é que o FMI obriga a que sejam tomadas no imediato medidas que se encontram há décadas na gaveta, por falta de coragem politica e de um planeamento sustentado. Sócrates talvez seja o que menos merecia estar no banco dos réus porque mexeu pela primeira vez em muito tempo em áreas sensíveis mas Cavaco, Guterres e Durão Barroso já tiveram os castigos devidos. Basta ver por onde andam...
A campanha tem sido aquilo que se esperava. O espectro do hipotético empate técnico faz com que os principais partidos façam uma marcação serrada e diária uns aos outros, recorrendo para isso a episódios frívolos sem qualquer significado político.
O Professor Cavaco mantém-se silencioso na esperança que floresça uma óbvia solução governativa. Apesar de o próprio merecer o contrário, porque foi ele um dos principais propulsores da crise política, as coisas tendencialmente caminharão para uma maioria de direita que lhe tirará a pressão de cima. Agora, se por acaso acontecer o contrário, Cavaco deveria assumir um tremendo erro de cálculo e seria engraçado ver tão desastrada personagem a chafurdar na lama que criou, e a ser obrigado a nomear Sócrates como Primeiro-Ministro. Ao menos, era cenário com piada.
Quanto aos partidos propriamente ditos, pois é de uma escolha democrática que se trata, anoto as seguintes constatações:
Sócrates, no qual ponderei inclusivamente votar pela primeira vez, é um sobrevivente por excelência. Adapta-se às circunstâncias como ninguém. É peixe dentro de água e se por acaso vencer as eleições, nem que seja por um voto, estamos perante um facto absolutamente singular na história das democracias europeias. Contra si, tem praticamente toda a opinião pública. Não o convidaria para um café, mas reconheço-lhe uma determinação invulgar e uma noção de serviço público que ao contrário do que se pensa não abunda por aí. Não voto nele, porque apesar de ter corrigido em parte a doença, sempre se preocupou em demasia com os soundbytes mediáticos. Valorizou vezes sem conta a fantochada em detrimento da resolução efectiva dos problemas das pessoas. Hoje está a pagar por isso, mas afirmar que os Magalhães ou as novas oportunidades foram medidas nefastas é de rir. Isto, num país onde sabe ler e escrever é ainda em grande parte uma ciência desconhecida.
O PSD de Passos Coelho aparece assim como uma espécie de criança indesejada. Não faz rejuvenescer a tão propagada esperança. Enrola-se num mar de contradições. Apresenta um Programa, ao que dizem coerente e em sintonia com o FMI (admito que sim), mais depois apresenta-o de forma atabalhoada mudando de estratégia todos os dias. Mas o mais preocupante neste PSD são as inutilidades pensantes que rodeiam Passos Coelho. Gente que não faz a mais pequena ideia do que é governar um país cheio de interesses corporativos. Ficaria mais descansado se essa gente, mesmo sem competência para o efeito, quisesse realmente afrontar as conveniências instaladas mas o problema central é que essa gentinha o que quer mesmo é alimentar novos tentáculos de poder, começando por se servir a si própria.
O CDS de Portas vai ter uma histórica subida como já há muitos meses é previsível. Provavelmente vai ser parte da solução. Ver Paulo Portas a deambular pelo terreno histórico da esquerda é uma das excentricidades desta campanha. Quem votar nele - e serão muitos os descontentes que o irão fazer pelo que me tenho apercebido - não se esqueça de levar nos bolsos uns submarinozitos de 832,9 milhões de euros para defender a inexpugnável nação de presumíveis invasores que, como se sabe, deverão ser às dúzias.
Da CDU e Jerónimo de Sousa não há grande coisa a acrescentar. São iguais a eles próprios. Um governo patriótico de esquerda como defendem só existe mesmo na cabeça de alguns deles (poucos, cada vez menos). Os outros vão atrás porque já não estão a tempo de mudar. Relativamente à campanha é a coerência habitual, o que cada vez vale menos diga-se, porque a conjuntura mundial vai no sentido contrário à clarividência dos cérebros comunistas.
Do Bloco de Esquerda espera-se uma descida acentuada. Justa aliás, face a episódios deploráveis como, entre outros, a invenção de uma moção de censura inexplicável ao governo. Poderá eventualmente a descida não ser tão drástica como se chegou a temer porque Louça em campanha gera sempre simpatias, fazendo uso de um discurso articulado, bem direccionado e até popularucho aqui ou ali. Mas independentemente dos números da queda, este BÉ já perdeu todas as oportunidades para ganhar asas para outros voos. Entrou muito provavelmente em declínio e dificilmente se levantará.
Resumindo, o cenário mais provável a sair das eleições do próximo domingo é a maioria de direita com Passos Coelho – esse herói português de Massamá – a liderar o governo. Aliás, na sequência do que tem vindo a acontecer por essa Europa fora. Apesar de não ser de todo a melhor opção, até posso aceitar que talvez seja a solução mais apaziguadora ao nível económico de momento, face à encruzilhada em que o País se encontra e aos compromissos que terá de assumir a curto-prazo. E claro porque a alternância democrática também é uma conquista de Abril. Agora, preparem-se para a incompetência despudorada e para a destruição progressiva de uma estado social, já por si debilitado, com os custos que isso acarretará para todos. E não se pense que as medidas serão implementadas rapidamente mesmo estando a direita no poder. A confusão reinará porque uma coisa é prometer, outra diferente, é ter de meter mãos à obra sem conhecer os problemas em profundidade. Mas a verdade é que o FMI obriga a que sejam tomadas no imediato medidas que se encontram há décadas na gaveta, por falta de coragem politica e de um planeamento sustentado. Sócrates talvez seja o que menos merecia estar no banco dos réus porque mexeu pela primeira vez em muito tempo em áreas sensíveis mas Cavaco, Guterres e Durão Barroso já tiveram os castigos devidos. Basta ver por onde andam...
terça-feira, 31 de maio de 2011
O Pepino que matava indiscriminadamente
Não me sai da cabeça a ideia de um pepino de coldre e pistola, qual frio assassino, à espreita em cada supermercado, em cada banca de legumes. Este mundo é um sítio demasiado perigoso para se viver. Aceitam-se Permutas….
segunda-feira, 30 de maio de 2011
A Árvore da Vida
Terrence Malick, o realizador do aclamado "A Barreira Invisível" de 1998 leva-nos numa inolvidável viagem pela Palma de Ouro em Cannes deste ano.
The tree of life é uma épica odisseia de imagem, cor e som. Um filme imenso e intrinsecamente original na abordagem. Apesar do argumento não ser tão pujante como em a barreira invisível, continua a andar às voltas com os fantasmas da morte, aqui explorados com especial misticismo.
O filme conta com Brad Pitt no papel de pai austero de um complexo adolescente, mas nunca foram os actores a marcar o compasso na cabeça do Realizador americano. Terrence Malick é um dos últimos Samurais do cinema de Autor. As árvores que obsessivamente filma crescem muito para além do óbvio. Resistem a todas as tempestades e representam as raízes de um enorme prazer em fazer Cinema com C Grande…
The tree of life é uma épica odisseia de imagem, cor e som. Um filme imenso e intrinsecamente original na abordagem. Apesar do argumento não ser tão pujante como em a barreira invisível, continua a andar às voltas com os fantasmas da morte, aqui explorados com especial misticismo.
O filme conta com Brad Pitt no papel de pai austero de um complexo adolescente, mas nunca foram os actores a marcar o compasso na cabeça do Realizador americano. Terrence Malick é um dos últimos Samurais do cinema de Autor. As árvores que obsessivamente filma crescem muito para além do óbvio. Resistem a todas as tempestades e representam as raízes de um enorme prazer em fazer Cinema com C Grande…
sábado, 28 de maio de 2011
O Zombie
Jeremias não era apologista de grandes ficções mas havia determinadas denominações que, por vezes, lhe assentavam na perfeição...
Peso do Mundo
A poesia não é, nunca foi
uma enumeração ou composto
de exuberância, bondade,
altitude, nem arado
ou dádiva sobre chão
prenhe de mortos.
Nem o arrependimento
de Deus por ter criado o homem
com o rosto da sua memória,
ao lado dos seus vermes.
Tão-pouco fôlego dos que amam
abrindo a porta límpida
do corpo e chovendo sobre a terra,
ou carregam como tartarugas
o peso do mundo.
Nem reverência por um tigre,
pela leveza maligna de todas as patas,
pela sonolência junto à estirpe
aprisionada também
na dureza de ser tigre.
É o milagre de uma arma
total, de uma só palavra
reduzindo o átomo à completa inocência.
António Osório
uma enumeração ou composto
de exuberância, bondade,
altitude, nem arado
ou dádiva sobre chão
prenhe de mortos.
Nem o arrependimento
de Deus por ter criado o homem
com o rosto da sua memória,
ao lado dos seus vermes.
Tão-pouco fôlego dos que amam
abrindo a porta límpida
do corpo e chovendo sobre a terra,
ou carregam como tartarugas
o peso do mundo.
Nem reverência por um tigre,
pela leveza maligna de todas as patas,
pela sonolência junto à estirpe
aprisionada também
na dureza de ser tigre.
É o milagre de uma arma
total, de uma só palavra
reduzindo o átomo à completa inocência.
António Osório
sexta-feira, 27 de maio de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
O Estado de Graça
Passos Coelho diz que nunca meteu uma cunha para nomear ninguém. Posso estar enganado mas no caso dele, o tradicional estado de graça de um Primeiro-Ministro, durará para aí duas semanas...
terça-feira, 24 de maio de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
A Ansiedade Mediática
As televisões dos opinion makers da Nação não são definitivamente iguais à minha. O normal resultado de um debate entre Sócrates e Passos Coelho seria 9 a 1. Como acabou 7 a 3 para Sócrates, que mesmo assim venceu de goleada, toda a gente se acha com legitimidade para deturpar o que viu.
Se esta imbecil análise dos Media conta para alguma coisa importante? Não creio, mas diz muito acerca da psicologia dominante na opinião pública. Sócrates não pode, nem merece ganhar as eleições. A partir daí vale tudo, na ansiedade mediática que se vive para consumar o fecho de um ciclo e, por conseguinte, velar o moribundo...
Se esta imbecil análise dos Media conta para alguma coisa importante? Não creio, mas diz muito acerca da psicologia dominante na opinião pública. Sócrates não pode, nem merece ganhar as eleições. A partir daí vale tudo, na ansiedade mediática que se vive para consumar o fecho de um ciclo e, por conseguinte, velar o moribundo...
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O Gato
Ao gato que mia nas minhas costas
à vida que se escapa nas palmas das mãos
ao vento que sopra na fronteira do dia
no imenso miar de cio reprimido.
Ao pássaro indelével que reclama poesia
às luzes apagadas que fundem rimas
ao estridente acordar do cão vagabundo
no brinde desesperado do dobrar da noite.
Um país que se afoga sem saber porquê
num lugar estranho que esconde a razão
livrem-nos das maldições de trazer por casa
recordem-nos façanhas que outrora alcançamos…
à vida que se escapa nas palmas das mãos
ao vento que sopra na fronteira do dia
no imenso miar de cio reprimido.
Ao pássaro indelével que reclama poesia
às luzes apagadas que fundem rimas
ao estridente acordar do cão vagabundo
no brinde desesperado do dobrar da noite.
Um país que se afoga sem saber porquê
num lugar estranho que esconde a razão
livrem-nos das maldições de trazer por casa
recordem-nos façanhas que outrora alcançamos…
O Plágio
Presidente do PSD anunciou que vai acabar com o Ministério da Cultura, caso ganhe as eleições e Paulo Portas, entretanto não tenha prometido o lugar ao Barbeiro. A Cultura ficará na dependência directa do primeiro-ministro, diz Passos Coelho, que lhe dedicará o espaço disponível para livros na sua mesa-de-cabeceira, entre o despertador em forma de okapi e o telefone vermelho directo para Ângelo Correia. As notícias de que o Ministério da Cultura laranja seria deslocado para a marquise de Vasco Pulido Valente, ou para o iPad de Pacheco Pereira, não têm fundamento (MB, Mário Botequilha in Inimigo Público)....
quinta-feira, 19 de maio de 2011
O Domingos
O anúncio oficial da contratação de Domingos Paciência para treinador principal do Sporting está por dias. A minha preferência sempre foi para um treinador estrangeiro. Os perfis de Rijkard ou Zico, treinadores anunciados por candidatos derrotados à presidência do clube, cumpriam à priori os requisitos necessários mas a realidade é outra e é essa agora que interessa. Foi pena a derrota do Braga nesta final da Liga Europa pois abriria um precedente importante – o de bater o pé ao todo poderoso Dragão. No entanto, Domingos definitivamente não é Paulo Sérgio. Fez coisas importantes no Braga apesar da ausência de títulos e da perda do terceiro lugar na última jornada, onde saliente-se um jogador como Miguel Garcia é titular indiscutível, o que diz muito acerca do mérito do seu trabalho.
Esperemos que em Alvalade deixe de ser o quase para passar a ser mesmo Campeão. Entrará com alguma margem de confiança por ter chegado à final da Liga Europa eliminando vários colossos, mas os níveis de exigência em Alvalade serão outros e Domingos não é Mourinho e o Sporting não é o Porto. A meu ver, ainda não se desmarcou suficientemente de Pinto da Costa para poder ter um ascendente maior sobre a massa associativa leonina, e podia ter aproveitado esta final para o fazer, mas optou por não incomodar a eminência papal talvez na esperança de um dia ainda voltar à casa que o notabilizou.
Obviamente que a vinda dele para o Sporting é um risco também para a sua carreira, sempre ascendente até ao momento. Fá-lo nitidamente por confiar no trabalho da dupla Luís Duque-Carlos Freitas. Digamos que a coisa até pode dar certo. Eu, sem morrer de amores por Domingos, quero vê-lo a trabalhar e essencialmente quero perceber os alicerces por onde ele vai começar a construir a equipa. Depois desses primeiros tempos, já vai dar para perceber melhor o efectivo potencial dele para treinar um Gigante adormecido como é o actual Sporting...
Esperemos que em Alvalade deixe de ser o quase para passar a ser mesmo Campeão. Entrará com alguma margem de confiança por ter chegado à final da Liga Europa eliminando vários colossos, mas os níveis de exigência em Alvalade serão outros e Domingos não é Mourinho e o Sporting não é o Porto. A meu ver, ainda não se desmarcou suficientemente de Pinto da Costa para poder ter um ascendente maior sobre a massa associativa leonina, e podia ter aproveitado esta final para o fazer, mas optou por não incomodar a eminência papal talvez na esperança de um dia ainda voltar à casa que o notabilizou.
Obviamente que a vinda dele para o Sporting é um risco também para a sua carreira, sempre ascendente até ao momento. Fá-lo nitidamente por confiar no trabalho da dupla Luís Duque-Carlos Freitas. Digamos que a coisa até pode dar certo. Eu, sem morrer de amores por Domingos, quero vê-lo a trabalhar e essencialmente quero perceber os alicerces por onde ele vai começar a construir a equipa. Depois desses primeiros tempos, já vai dar para perceber melhor o efectivo potencial dele para treinar um Gigante adormecido como é o actual Sporting...
terça-feira, 17 de maio de 2011
A Pré-Campanha
Passos declara-se Africano e os Africanos, assustados, temem o pior. Sócrates só trabalha com o FMI. Portas ama os pensionistas. Jerónimo disserta sobre o patriotismo de esquerda, seja lá o que isso for, e Louça alucina com a renegociação da dívida…
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Pina
Uma homenagem a Pina Bausch (1940-2009) por um dos realizadores provavelmente mais indicados para o efeito; Wim Wenders. Além de terem nacionalidade alemã, ambos deambulam por universos contíguos onde a arte é considerada um meio e não um fim, e onde a liberdade criativa é uma questão de princípio, sendo por esse motivo considerada inegociável.
É um filme com uma banda sonora notável. O trabalho da coreógrafa alemã é escalpelizado por actores, colaboradores e companheiros de muitas batalhas. Poderei não ser a pessoa mais indicada para fazer uma crítica minimamente decente às obras mais conhecidas de Pina Bush como o extraordinário "Café Müller" - obras essas que o filme aborda exaustivamente – mas sei descortinar que estamos perante uma figura incontornável que servirá de referência a uma geração de coreógrafos e dançarinos.
É um filme com uma banda sonora notável. O trabalho da coreógrafa alemã é escalpelizado por actores, colaboradores e companheiros de muitas batalhas. Poderei não ser a pessoa mais indicada para fazer uma crítica minimamente decente às obras mais conhecidas de Pina Bush como o extraordinário "Café Müller" - obras essas que o filme aborda exaustivamente – mas sei descortinar que estamos perante uma figura incontornável que servirá de referência a uma geração de coreógrafos e dançarinos.
«Amo dançar porque sempre tive medo de falar»...
Pina Bausch
Pina Bausch
domingo, 15 de maio de 2011
Obrigado José Couceiro
No rescaldo da merecida vitória em Braga que nos garantiu o pódio há que analisar com frieza a péssima época realizada e planear com rigor e determinação a próxima. No cômputo geral o Braga talvez até merecesse mais o terceiro lugar que nós mas fomos mais eficazes nos confrontos directos. Agora, a cereja em cima do bolo era o Domingos ganhar a Liga Europa. E tem mais hipóteses de o conseguir do que muita gente pensa.
Este resultado é também importante para uma nova direcção que está motivada e a fazer um trabalho louvável, e que tinha fixado este objectivo como fundamental. Agora, têm a obrigação de construir uma grande equipa à volta de Matias Fernandez e André Santos, jogadores que face ao binómio idade-potencial podem constituir parte importante da espinha dorsal de uma grande equipa no futuro.
Uma palavra para a dupla Patrício-Djaló que foram preponderantes neste fim de época, sendo que se aparecerem boas propostas não me oponho à venda de nenhum dos dois, mas ficaria igualmente contente se o guarda-redes ficar em Alvalade.
Um especial agradecimento a Couceiro que teve o Sportinguismo suficiente e a necessária serenidade para levar o barco a bom porto. Que pena aquele golo sofrido nos descontos finais na Luz, que nos poderia ter conduzido à conquista da taça da liga...
Este resultado é também importante para uma nova direcção que está motivada e a fazer um trabalho louvável, e que tinha fixado este objectivo como fundamental. Agora, têm a obrigação de construir uma grande equipa à volta de Matias Fernandez e André Santos, jogadores que face ao binómio idade-potencial podem constituir parte importante da espinha dorsal de uma grande equipa no futuro.
Uma palavra para a dupla Patrício-Djaló que foram preponderantes neste fim de época, sendo que se aparecerem boas propostas não me oponho à venda de nenhum dos dois, mas ficaria igualmente contente se o guarda-redes ficar em Alvalade.
Um especial agradecimento a Couceiro que teve o Sportinguismo suficiente e a necessária serenidade para levar o barco a bom porto. Que pena aquele golo sofrido nos descontos finais na Luz, que nos poderia ter conduzido à conquista da taça da liga...
sexta-feira, 13 de maio de 2011
O Pentelho
Catroga já é um must desta pré-campanha eleitoral tal a voracidade com que mete água. Teve contudo o mérito de pôr Portugal a discutir como se escreve a mágica palavrinha que significa pêlo púbico, o que até é de louvar.
Segundo rezam as crónicas, Catroga saiu-se bem na televisão quando foi o acordo para aprovação do orçamento. Vai daí, para recuperar nas sondagens, Passos Coelho lembrou-se de inundar jornais e televisões com entrevistas do seu putativo Ministro das Finanças com os resultados que se conhecem.
Pedro Passos Coelho é um estratega de vanguarda e sem dúvida que Portugal precisa de gente com esta clarividência intelectual...
Segundo rezam as crónicas, Catroga saiu-se bem na televisão quando foi o acordo para aprovação do orçamento. Vai daí, para recuperar nas sondagens, Passos Coelho lembrou-se de inundar jornais e televisões com entrevistas do seu putativo Ministro das Finanças com os resultados que se conhecem.
Pedro Passos Coelho é um estratega de vanguarda e sem dúvida que Portugal precisa de gente com esta clarividência intelectual...
No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
Carlos Drummond de Andrade
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
Carlos Drummond de Andrade
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HIPOCRISIAS INDÍGENAS
Não foi um diário intimista,
não foi um exercício de estilo,
não foi um livro de memórias.
Foi o que foi!
Sem uma carta
de intenções determinada.
Actualidades,
politica sem partidarismos,
arte de excepção,
temporalidades e
intemporalidades,
devaneios diversos,
o Grande Sporting
e outras amarguras,
foram assuntos recorrentes.
Foram 5 anos!...
Obrigado a todos os que
passaram por aqui.
não foi um exercício de estilo,
não foi um livro de memórias.
Foi o que foi!
Sem uma carta
de intenções determinada.
Actualidades,
politica sem partidarismos,
arte de excepção,
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Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar...
Mário Cesariny
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