Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento
Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal
Mário Cesariny
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
A Saúde
Este Governo prepara-se a Passos largos para dar um valente safanão no Serviço Nacional de Saúde, que como se depreende facilmente, tem os dias contados. É hipócrita afirmar que é o seu fim, mas é também irrealista refutar a actual tendência para a degradação que, aliás, encobre uma gritante incongruência inconstitucional. Pode-se não gostar da mistura explosiva de um gestor rigoroso com provas dadas como Paulo Macedo e um ministério essencial para a sobrevivência e dignidade humana como a Saúde. A mim provoca-me especial pavor. Mas reconheço que num tempo de vacas esqueléticas foi das poucas cartadas inteligentes de Passos Coelho. O low profile de Macedo e os seus antecedentes na obtenção de resultados nos impostos permitem ir justificando, paulatinamente, perante o país algo que à partida seria injustificável. É o princípio do fim do Estado Social. A social-democracia deve ser isto….
With A Little Help From My Friends - Joe Cocker
Um original dos Beatles interpretado pelo eterno Joe Cocker...
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Os Modelos
Veraneantes estendidos nas toalhas de praia com os corpos ao sol. As únicas palavras trocadas servem para articular idas ao banho. Ou então saídas ao café para enganar o estômago. Têm corpos bonitos e vigorosos mas o cérebro permanece vazio...
domingo, 4 de setembro de 2011
Os Mal-Amados
Hélder Postiga é por todos os motivos e mais algum um jogador fora do comum. Muito curiosamente, ou talvez não, tem sido também ao longo da carreira um autêntico agregador de ódios. O Sporting vendeu-o definitivamente ao Saragoça recebendo uns míseros 500 000 € quando o tinha comprado por 2 milhões e meio. É o negócio possível. Muito fraquito na perspectiva de estarmos perante um titular de uma prestigiada selecção nacional. Mas a verdade é que Postiga só muito ocasionalmente marca, e isso não é atractivo como cartão de visita de um qualquer ponta de lança.
Quanto a Djaló, ou à Floribela, como carinhosamente...é tratado em Alvalade é produto da casa mas tirando alguns fogachos ocasionais nunca soube ser consistente. Atendendo aos 25 anos de idade e aos custos inerentes à formação do jogador, os hipotéticos 4 milhões e meio por 75% do passe (valores ainda não confirmados) não se pode dizer que seja um negócio por ai além. O Nice vai pagar-lhe de ordenado uma exorbitância face ao que recebia em Alvalade. E esta mudança é boa para ele. E sempre foi um jogador com uma postura correcta, apesar de tudo. Boa sorte para ele, sendo que não acredito que singre de forma categórica.
Percebe-se agora claramente a insistência de Domingos, instruído pela direcção, na titularidade de Postiga e Djaló. Numa primeira fase pensei que a pressão para que tal acontecesse era evidente com o objectivo legítimo de valorizar os jogadores. Ultimamente, face a exibições tão confrangedoras dos jogadores, a sua repetida utilização já me parecia pura teimosia de Domingos. Conclusão que agora se percebe errada.
No entanto face aos resultados (perda de 7 pontos no campeonato em apenas 3 jogos) e às parcas quantias resultantes dos negócios a estratégia utilizada não foi a mais acertada. Obviamente que podemos sempre especular que caso não fossem actualmente titulares, o seu valor de mercado ainda seria menor. Mas atendendo às pobres exibições que rubricaram o que fica para a história é a irritação geral que foram provocando aos adeptos, e claro, os pontos perdidos para o Campeonato. Duque e Freitas parece saber o que estão a fazer, mas é natural que comece a haver uma desconfiança acerca da real capacidade da equipa...
Quanto a Djaló, ou à Floribela, como carinhosamente...é tratado em Alvalade é produto da casa mas tirando alguns fogachos ocasionais nunca soube ser consistente. Atendendo aos 25 anos de idade e aos custos inerentes à formação do jogador, os hipotéticos 4 milhões e meio por 75% do passe (valores ainda não confirmados) não se pode dizer que seja um negócio por ai além. O Nice vai pagar-lhe de ordenado uma exorbitância face ao que recebia em Alvalade. E esta mudança é boa para ele. E sempre foi um jogador com uma postura correcta, apesar de tudo. Boa sorte para ele, sendo que não acredito que singre de forma categórica.
Percebe-se agora claramente a insistência de Domingos, instruído pela direcção, na titularidade de Postiga e Djaló. Numa primeira fase pensei que a pressão para que tal acontecesse era evidente com o objectivo legítimo de valorizar os jogadores. Ultimamente, face a exibições tão confrangedoras dos jogadores, a sua repetida utilização já me parecia pura teimosia de Domingos. Conclusão que agora se percebe errada.
No entanto face aos resultados (perda de 7 pontos no campeonato em apenas 3 jogos) e às parcas quantias resultantes dos negócios a estratégia utilizada não foi a mais acertada. Obviamente que podemos sempre especular que caso não fossem actualmente titulares, o seu valor de mercado ainda seria menor. Mas atendendo às pobres exibições que rubricaram o que fica para a história é a irritação geral que foram provocando aos adeptos, e claro, os pontos perdidos para o Campeonato. Duque e Freitas parece saber o que estão a fazer, mas é natural que comece a haver uma desconfiança acerca da real capacidade da equipa...
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
O Tempo
O Tuga queixa-se pelas esquinas. Reclama que este Agosto foi fraquito. Que não houve bom tempo três dias seguidos. Que mesmo o Sol já não é o que era. Que a chuva estragou os planos.
A verdade, meus amigos, é que também devemos dinheiro ao São Pedro....
A verdade, meus amigos, é que também devemos dinheiro ao São Pedro....
AURORA
A poesia não é voz – é uma inflexão.
Dizer, diz tudo a prosa. No verso
nada se acrescenta a nada, somente
um jeito impalpável dá figura
ao sonho da cada um, a expectativa
das formas por achar. No verso nasce
à palavra uma verdade que não acha
entre os escombros da prosa o seu caminho.
E aos homens um sentido que não há
nos gestos nem nas coisas:
voo sem pássaro dentro.
Adolfo Casais Monteiro
Dizer, diz tudo a prosa. No verso
nada se acrescenta a nada, somente
um jeito impalpável dá figura
ao sonho da cada um, a expectativa
das formas por achar. No verso nasce
à palavra uma verdade que não acha
entre os escombros da prosa o seu caminho.
E aos homens um sentido que não há
nos gestos nem nas coisas:
voo sem pássaro dentro.
Adolfo Casais Monteiro
domingo, 28 de agosto de 2011
Relvas de Ouro
Com tantos jornalistas e bloggers ainda disponíveis para serem devidamente amordaçados, é coisa para não ficar por aqui…
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Autobiografia de Nicolae Ceausescu
Andrei Ujica arriscou na realização de um projecto que exigiu pela certa uma exaustiva dedicação: a biografia do líder Romeno Nicolae Ceausescu. É um filme com uma abordagem totalmente inesperada, quer na forma de apresentação, quer no conteúdo. E logo por aí, é merecedor de amplos elogios.
O filme que dura 3 horas é completamente produzido através de imagens reais, recorrendo somente a material de arquivo. Entre outros momentos históricos registados destacam-se: os sui generis congressos do partido comunista romeno, as visitas de estado de Ceauscescu à China de Mao, à América de Carter, à Inglaterra onde é recebido com grandes honras pela Rainha e a uma muito curiosa recepção ao ortodoxo republicano Richard Nixon na Roménia.
Provavelmente a tendência mais óbvia seria demonizar a figura do ditador assassino que, além de tudo o mais, exibia um extravagante culto de personalidade. Mas o realizador, inteligentemente, não entrou por aí. Apresenta a biografia de forma cronológica, escalpelizando com rigor os 24 anos de poder de Ceauşescu. O espectador que tire as suas próprias conclusões. Começa com a ascensão ao poder e termina com o insólito julgamento sumário que resultou na execução imediata do casal Ceauşescu.
Apesar de nos meios políticos internacionais da altura ser considerado um líder de grande envergadura, a ideia que retiro do filme que tinha grande curiosidade em ver (ainda para mais concebido por um realizador romeno) é que Ceauşescu não possuía o tal carisma que se falava. Foi um funcionário carreirista que serviu com abnegação os dogmas do partido comunista romeno. Se não fosse ele, era outro qualquer. O próprio culto da personalidade era reflexo dos tempos, e as visitas à China de Mao e Coreia agudizaram-lhe ainda mais essa faceta. Conseguiu incrementar períodos de algum desenvolvimento no País, mas como todos os ditadores perpetuou-se no poder e esse apego obsessivo tornou-o intolerante. É a história da Humanidade.
Nos anos 80, com a pressão da divida externa acumulada, ordenou a exportação de grande parte da produção agrícola e industrial da Roménia. O resultado foi a escassez de comida, energia e cuidados médicos, tornando a vida das pessoas numa infernal luta pela sobrevivência. Ao mesmo tempo, as relações com Gorbatchov – o ideólogo da dissolução soviética - estavam algo tensas (nota-se no filme) ainda que aparentemente parecessem normais. A queda do muro de Berlim foi outro catalisador natural para generalizar o descontentamento. Daí à revolta popular, foi um pequeno passo….
O filme que dura 3 horas é completamente produzido através de imagens reais, recorrendo somente a material de arquivo. Entre outros momentos históricos registados destacam-se: os sui generis congressos do partido comunista romeno, as visitas de estado de Ceauscescu à China de Mao, à América de Carter, à Inglaterra onde é recebido com grandes honras pela Rainha e a uma muito curiosa recepção ao ortodoxo republicano Richard Nixon na Roménia.
Provavelmente a tendência mais óbvia seria demonizar a figura do ditador assassino que, além de tudo o mais, exibia um extravagante culto de personalidade. Mas o realizador, inteligentemente, não entrou por aí. Apresenta a biografia de forma cronológica, escalpelizando com rigor os 24 anos de poder de Ceauşescu. O espectador que tire as suas próprias conclusões. Começa com a ascensão ao poder e termina com o insólito julgamento sumário que resultou na execução imediata do casal Ceauşescu.
Apesar de nos meios políticos internacionais da altura ser considerado um líder de grande envergadura, a ideia que retiro do filme que tinha grande curiosidade em ver (ainda para mais concebido por um realizador romeno) é que Ceauşescu não possuía o tal carisma que se falava. Foi um funcionário carreirista que serviu com abnegação os dogmas do partido comunista romeno. Se não fosse ele, era outro qualquer. O próprio culto da personalidade era reflexo dos tempos, e as visitas à China de Mao e Coreia agudizaram-lhe ainda mais essa faceta. Conseguiu incrementar períodos de algum desenvolvimento no País, mas como todos os ditadores perpetuou-se no poder e esse apego obsessivo tornou-o intolerante. É a história da Humanidade.
Nos anos 80, com a pressão da divida externa acumulada, ordenou a exportação de grande parte da produção agrícola e industrial da Roménia. O resultado foi a escassez de comida, energia e cuidados médicos, tornando a vida das pessoas numa infernal luta pela sobrevivência. Ao mesmo tempo, as relações com Gorbatchov – o ideólogo da dissolução soviética - estavam algo tensas (nota-se no filme) ainda que aparentemente parecessem normais. A queda do muro de Berlim foi outro catalisador natural para generalizar o descontentamento. Daí à revolta popular, foi um pequeno passo….
terça-feira, 23 de agosto de 2011
A Velha do Bairro
Acenava para o pequeno pimpolho na esperança de uma retribuição. Quando o petiz, no meio da sua inconsciente generosidade, resolvia contemplá-la com um estimulante adeus, sorria, transbordando felicidade.
Olhava para o desfiar dos dias pendurada no parapeito da janela. Possuía um olhar meigo, apanágio dos mais idosos. Um sinal de quem já pouco espera das fortunas da vida.
Angustiava-se com a possibilidade de poder ser este um dos últimos verões da sua cruzada. As estações do ano eram a única coisa que condicionava a sua existência. No verão desabrochava à janela e de quando em vez, muito raramente, dava dois dedos de conversa com as vizinhas. No Inverno, o passar do tempo era certamente doloroso e o surgimento das maleitas mais frequente.
O pimpolho apreciava estranhamente aquele misterioso ritual. Jeremias não gostava de interferir naquela excepcional forma de comunicação porque ali, a simbiose era perfeita. Cada um, pelos seus motivos, valorizava aquele momento de modo diferente. A Velha há de chegar ao próximo Verão...
Olhava para o desfiar dos dias pendurada no parapeito da janela. Possuía um olhar meigo, apanágio dos mais idosos. Um sinal de quem já pouco espera das fortunas da vida.
Angustiava-se com a possibilidade de poder ser este um dos últimos verões da sua cruzada. As estações do ano eram a única coisa que condicionava a sua existência. No verão desabrochava à janela e de quando em vez, muito raramente, dava dois dedos de conversa com as vizinhas. No Inverno, o passar do tempo era certamente doloroso e o surgimento das maleitas mais frequente.
O pimpolho apreciava estranhamente aquele misterioso ritual. Jeremias não gostava de interferir naquela excepcional forma de comunicação porque ali, a simbiose era perfeita. Cada um, pelos seus motivos, valorizava aquele momento de modo diferente. A Velha há de chegar ao próximo Verão...
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Em Trípoli
Muammar Khadafi, o Ditador com que praticamente todos os países desenvolvidos fizeram negociatas, está prestes a cair finalmente do poder. Por razões que a razão conhece, a Líbia tem demorado mais tempo que as suas congéneres do Norte de África a caminhar pelos complexos trilhos da Democracia. A partir de agora, talvez se comece a perceber melhor a amplitude dos Podres escondidos por tão inusitada personagem. Como alguém diria, basta seguir o rasto do dinheiro…
sábado, 20 de agosto de 2011
O Lodo
O Campeonato começou e o Porto de Pinto da Costa já vai lançado na frente com duas vitórias polémicas. Ontem, contra o Gil Vicente em casa, voltou novamente a beneficiar da mão amiga de um árbitro que, espantem-se, esteve quase 2 anos suspenso por causa do processo apito dourado.
O mesmíssimo e incompreensível critério de nomeação dos árbitros foi aplicado para a nomeação do Beira-Mar vs Sporting em que após uma primeira jornada super-polémica um dos juízes de linha nomeados seria o cegueta que ofereceu uma taça da liga ao Benfica em parceria com Lucílio Baptista, no famoso lance de Pedro Silva. Ao que parece a equipa de arbitragem que seria chefiada por João Ferreira – outro incompetente de carreira – recusou a nomeação alegando pressão excessiva. E ainda querem estes gajos serem profissionais. No Porto não sentem qualquer tipo de pressão, como ainda ontem se viu. Num País a sério o chefe dos árbitros, Victor Pereira, já se tinha demitido. E este João Ferreira, obviamente, que não apitaria mais nenhum jogo profissional na vida por causa da pressão….
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
A Prática
Não é que a notícia em si seja propriamente uma surpresa, mas é indiciadora de filme a que já estamos habituados. De momento, adia-se a apresentação das medidas de redução na despesa. Mais tarde, tornam-se públicos os cortes mas como de costume ficam muito aquém do pretendido. E no fim, aumentam-se mais impostos.
Talvez, por esta altura, o amigo Álvaro da Economia já tenha tido tempo suficiente para perceber porque é que o Canadá é o Canadá e Portugal é Portugal. A Teoria emanada dos livros de economia é deveras inebriante...
Talvez, por esta altura, o amigo Álvaro da Economia já tenha tido tempo suficiente para perceber porque é que o Canadá é o Canadá e Portugal é Portugal. A Teoria emanada dos livros de economia é deveras inebriante...
O Farol
Na luz, o mar é espuma
Alegria no Sol intenso
À noite, é coisa nenhuma
Só voz no escuro imenso!
Cresce então o Farol
Astro de quem navega
O outro lado do sol
O conforto de quem chega!
Com a cor em rodopio
O clarão cresce no escuro...
É o leme do navio
Corda em porto seguro!
O Farol é um amigo
Com quem se pode contar
É abraço, é abrigo
Na liberdade do mar!
António Castro
Alegria no Sol intenso
À noite, é coisa nenhuma
Só voz no escuro imenso!
Cresce então o Farol
Astro de quem navega
O outro lado do sol
O conforto de quem chega!
Com a cor em rodopio
O clarão cresce no escuro...
É o leme do navio
Corda em porto seguro!
O Farol é um amigo
Com quem se pode contar
É abraço, é abrigo
Na liberdade do mar!
António Castro
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