Não, nem todo o limão é amarelo quando
A mão de alguém o toca e humaniza, pequeno deus
Aos tombos do céu de um pensamento manual e
Exigente. Às vezes, quando a sede não é muita,
Um do fundo é erguido à altura do olhar e então,
Por mágica rotação da sorte que nos astros se reflecte,
Encontra uma outra luz na mão que o recebe e deposita
Em morada assaz prosaica e de plástico. Na vida,
A caminho do futuro que ele nunca saberá onde fica,
O limão continuará a ser inteiro
E o seu sumo continuará a ser sumo,
Pela mesma sábia razão por que a história dos homens
É sempre muito maior do que eles.
Rui Costa
terça-feira, 4 de outubro de 2011
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
O Acordo Ortográfico
Não é discussão que me entusiasme por aí além, ou que me faça perder o sono. Mas em determinadas circunstâncias sou assaltado por uma dúvida metafísica: Porque é que um povo que no geral sempre escreveu mal (apesar de sermos um país de poetas, essencialmente frustrados) tem agora de seguir os trâmites do novo acordo como se fosse uma coisa absolutamente imprescindível e dela dependesse o futuro da humanidade?
Faz sentido numa determinada perspectiva? Aceito. Diminui gradualmente as assimetrias linguísticas existentes entre quem, para todos os efeitos, fala a mesma língua? É capaz de ser verdade. Agora obrigarem o Povinho, onde orgulhosamente me incluo, a escrever de certa forma a partir de determinada data é conversa de proxenetas insípidos. Preocupem-se em resolver os reais problemas das pessoas que falam a tal língua que tanto enaltecem…
Faz sentido numa determinada perspectiva? Aceito. Diminui gradualmente as assimetrias linguísticas existentes entre quem, para todos os efeitos, fala a mesma língua? É capaz de ser verdade. Agora obrigarem o Povinho, onde orgulhosamente me incluo, a escrever de certa forma a partir de determinada data é conversa de proxenetas insípidos. Preocupem-se em resolver os reais problemas das pessoas que falam a tal língua que tanto enaltecem…
domingo, 2 de outubro de 2011
A Nossa Vida
Um filme italiano com a realização de Daniele Luchetti que me agradou vivamente e cujo argumento reflecte na perfeição este conturbado mundo em que vivemos. É um filme com pessoas dentro, que permite recuperar algum do fulgor inerente ao bom cinema italiano.
Claudio e Elena vivem num bairro periférico de Roma com dois filhos e esperam um terceiro. Ele trabalha na construção civil e ela é mãe a tempo inteiro. Uma inesperada tragédia vem alterar tudo.
O que mais me parece de destacar é a crítica social subjacente. Uma caricatura daquela Itália que vive ostensivamente com base na imagem e valoriza o parecer em detrimento do ser. Com alguma xenofobia implícita, também. É curioso como Italianos e Portugueses, apesar de viverem em realidades muito distintas, passeiam tranquilamente pelos mesmos trilhos de hipocrisia.
Este drama esteve em competição pela Palma de Ouro na edição de 2010 do Festival de Cannes, onde Elio Germano arrebatou o prémio de melhor actor. Independentemente disso, não acho que estejamos perante um filme de grandes actores e de grandes interpretações. Aliás, apesar da evitável redenção final, não consigo simpatizar com Claudio...
Claudio e Elena vivem num bairro periférico de Roma com dois filhos e esperam um terceiro. Ele trabalha na construção civil e ela é mãe a tempo inteiro. Uma inesperada tragédia vem alterar tudo.
O que mais me parece de destacar é a crítica social subjacente. Uma caricatura daquela Itália que vive ostensivamente com base na imagem e valoriza o parecer em detrimento do ser. Com alguma xenofobia implícita, também. É curioso como Italianos e Portugueses, apesar de viverem em realidades muito distintas, passeiam tranquilamente pelos mesmos trilhos de hipocrisia.
Este drama esteve em competição pela Palma de Ouro na edição de 2010 do Festival de Cannes, onde Elio Germano arrebatou o prémio de melhor actor. Independentemente disso, não acho que estejamos perante um filme de grandes actores e de grandes interpretações. Aliás, apesar da evitável redenção final, não consigo simpatizar com Claudio...
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
O Isaltino
Querem prender o bom do Isaltino? Livrem-se disso, seus ingratos. De Oeiras à Suíça, passando pelas belas terras do Mindelo, todos conhecem a sua abnegada generosidade. Mas porquê agora? Pergunto eu.
Porque os Juízes neste país à beira-mar plantado decidem de jornal na mão e de olho no ecrã. Quando a indignação geral cresce, decidem finalmente agir. A grosso modo reina a impunidade mas convém ir ludibriando a pobre ralé. Lembrem-se de Vale e Azevedo, lembrem-se do processo Casa Pia? Isaltino é a primeira vítima das diabruras de Jardim na Madeira. Num sistema onde imperasse a mais banal justiça, Isaltino já estava dentro há pelo menos 5 anos, mas em Portugal a justiça funciona a reboque dos media.
Que o destino nos salve de cair nas mãos desta justiça de mercearia...
Porque os Juízes neste país à beira-mar plantado decidem de jornal na mão e de olho no ecrã. Quando a indignação geral cresce, decidem finalmente agir. A grosso modo reina a impunidade mas convém ir ludibriando a pobre ralé. Lembrem-se de Vale e Azevedo, lembrem-se do processo Casa Pia? Isaltino é a primeira vítima das diabruras de Jardim na Madeira. Num sistema onde imperasse a mais banal justiça, Isaltino já estava dentro há pelo menos 5 anos, mas em Portugal a justiça funciona a reboque dos media.
Que o destino nos salve de cair nas mãos desta justiça de mercearia...
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
O Homem que Adicionava Amigos
Acordava na esperança de mais um dia risonho. Era um optimista por natureza. A riqueza dos seus momentos era proporcional ao número de likes somados. Cada like funcionava como um novo alento. Fortalecia-lhe a ambição. Alimentava-se da curiosidade alheia porque percebeu que a vida dos outros é sempre mais interessante que a nossa. Adicionava amigos com a superficialidade com que cumprimentava a porteira do prédio. Um dia já envelhecido, depois de uma vida cheia de sumptuosidades, adicionou a palavra morte.
Nunca chegou a perceber o verdadeiro significado da palavra amizade...
Nunca chegou a perceber o verdadeiro significado da palavra amizade...
Just Girls - Amarguinhas
As Amarguinhas é uma cena que me assiste. Tenho pena que estas moças não tenham dado o devido seguimento às suas carreiras. Este just girls fazia sentido. Reconheço no entanto que esta predilecção está imensamente condicionada pelo meu gosto por amêndoa amarga com gelo e limão….
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Promessas de Leão
Apesar de continuar a ser cedo para tirar conclusões definitivas relativamente à equipa e aos craques que a compõe (vou aguardar pela décima jornada para fazer uma avaliação mais precisa) é já claro que, ao contrário do passado mais recente, temos matéria-prima de qualidade. Contudo é necessário dar tempo a estes miúdos para se integrarem. E depois, tudo é muito imprevisível. Por exemplo o Diego Rubio, que já todos pensávamos na pré-época que seria o próximo Cristiano Ronaldo, agora nem dá para perceber muito bem o que vale na realidade, pois não tem jogado tempo algum.
André Carrilho aparentemente tem muito potencial e um futebol que entusiasma, mas tem ainda muito que aprender ao nível táctico. É um jogador parecido com Matias, a meu ver, mesmo jogando em posições diferentes.
Wolf é avançado com escola e tem mesmo o tal instinto de Lobo na área. Espero que não se deslumbre com tanto mediatismo, pois tem somente 22 anos. Desejo é que nenhum deles tenha lesões graves que atrapalhe o seu desenvolvimento. Jeffren e o Aguiar já estão no estaleiro há meses. Aí, é que continuamos com galo.
Aqueles inolvidáveis 8 minutos de Paços de Ferreira em que se virou um resultado de 2-0 para 2-3 podem ter sido o início de uma época extraordinária. O Futebol é cheio destes fantásticos episódios que perduram na história. Até a Prometer, somos Grandes e Únicos.
Adenda: Luís Aguiar já era...
André Carrilho aparentemente tem muito potencial e um futebol que entusiasma, mas tem ainda muito que aprender ao nível táctico. É um jogador parecido com Matias, a meu ver, mesmo jogando em posições diferentes.
Wolf é avançado com escola e tem mesmo o tal instinto de Lobo na área. Espero que não se deslumbre com tanto mediatismo, pois tem somente 22 anos. Desejo é que nenhum deles tenha lesões graves que atrapalhe o seu desenvolvimento. Jeffren e o Aguiar já estão no estaleiro há meses. Aí, é que continuamos com galo.
Aqueles inolvidáveis 8 minutos de Paços de Ferreira em que se virou um resultado de 2-0 para 2-3 podem ter sido o início de uma época extraordinária. O Futebol é cheio destes fantásticos episódios que perduram na história. Até a Prometer, somos Grandes e Únicos.
Adenda: Luís Aguiar já era...
domingo, 25 de setembro de 2011
O Umbiguismo
A vontade de punir criminalmente Jardim é tão absurda como absurdo é a dimensão do buraco escondido pelo líder Madeirense. Concordo com a sua punição ao nível penal, se e só se, ficar provado que beneficiou pessoalmente das suas políticas de esbanjamento de fundos públicos.
Nessa perspectiva justiceira, defendida por exemplo também pelo grande Medina Carreira, por uma questão de lucidez todos os governantes deviam ser culpados. Devendo começar a Purga pelo actual Presidente da República que foi quem teve lá mais tempo, e por esse motivo, o que mais tempo pactuou com as escavadoras Jardim.
Nessa perspectiva justiceira, defendida por exemplo também pelo grande Medina Carreira, por uma questão de lucidez todos os governantes deviam ser culpados. Devendo começar a Purga pelo actual Presidente da República que foi quem teve lá mais tempo, e por esse motivo, o que mais tempo pactuou com as escavadoras Jardim.
O ponto crucial desta discussão é perceber como foi possível - num país que viveu debaixo de uma ditadura de 48 anos com os resultados que se conhecem - o sistema político ter permitido que um qualquer individuo se perpetuasse no poder durante 33 anos?
E o mais engraçado é que numa sociedade de fachada, microscópica, onde todos devem favores a todos, demorou-se cerca de 30 e tal anos a perceber que a limitação de mandatos era uma medida essencial para o desenvolvimento do País.
E o mais engraçado é que numa sociedade de fachada, microscópica, onde todos devem favores a todos, demorou-se cerca de 30 e tal anos a perceber que a limitação de mandatos era uma medida essencial para o desenvolvimento do País.
Outros que se deviam também sentar no banco dos réus são os próprios órgãos de comunicação social. Como foi possível, ninguém ter investigado a fundo as contas de Jardim na Madeira? Até porque as televisões e principais jornais têm meios e recursos para isso. Bastava que os Senhores Directores lessem Blogues, por sinal. Era tão óbvio. E nem sequer vou falar de alguma insensatez e até leviandade que existe hoje na comunicação social a abordar o tema. Parece que em cada Madeirense há um perigoso caloteiro. Como se todos os Madeirenses se chamassem Alberto João. Aposto que muitos destes iluminados da justiça a quem de repente se fez luz, votavam sem hesitar em Jardim caso fossem Madeirenses. Estariam-se marimbando para a solidariedade nacional e para as ilegalidades conhecidas. E faziam-no pelos mesmos motivos que levam Isaltino Morais a continuar a ganhar eleições no concelho mais instruído do País - Oeiras. O nosso umbigo (o desses cidadãos) é tão bonito…
Uma bala perdida
Um soldado perdeu uma bala
E
Que nem um tiro
O cabo disparou
A levar a notícia ao furriel
Que
De imediato
A transmitiu ao sargento
e estava na latrina a latrinar
mas puxou as calças correu a informar
o oficial de dia
embora fosse de noite
o capitão
ciente da má nova
foi acordar o major
que estava a sonhar
com as mamas da Sofia Loren
e praguejou
porra
o que é que se passa
que horas são
já um gajo não
foi ele quem alertou o tenente-coronel
que via rádio comunicou
meu coronel
há uma bala perdida não se sabe
exactamente onde nem porquê
nem por quem nem quando
eu até penso que
chega
o que é preciso é avisar o nosso brigadeiro
disse o coronel em pijama de flanela
às riscas
vai ser o bom e o bonito
quando o nosso general souber
uma ba-la per-di-da
uma ba-la per-di-da
gritou o general
procurem-na imediatamente
mensagem urgente
a todos os comandos
encontrem-me essa bala
viva ou morta
está em causa a honra do nosso batalhão
a minha carreira
a minha condecoração
quem perde uma bala
também perde uma guerra
faça-se um inquérito
levante-se um auto
vírgula
palavras do general
convoque-se o conselho de guerra
cancelem-se todas as saídas
as licenças as guias de marcha
apaguem-se as luzes das casernas
constitua-se o tribunal militar
decrete-se o alerta geral
e o estado de sítio
em que sítio meu general
perguntou o alferes
aqui minha besta onde é que havia de ser
quero sentinelas reforçadas
até ordem em contrário está tudo proibido
excepto o que não está
que a filha da puta dessa bala
há-de aparecer
a senha é
cherchez la balle
e a contra-senha é
a contra-senha é sei lá
que se lixe
agora não há tempo para essas merdas
dias depois
a bala
foi finalmente encontrada
dentro da cabeça do soldado.
José Niza
E
Que nem um tiro
O cabo disparou
A levar a notícia ao furriel
Que
De imediato
A transmitiu ao sargento
e estava na latrina a latrinar
mas puxou as calças correu a informar
o oficial de dia
embora fosse de noite
o capitão
ciente da má nova
foi acordar o major
que estava a sonhar
com as mamas da Sofia Loren
e praguejou
porra
o que é que se passa
que horas são
já um gajo não
foi ele quem alertou o tenente-coronel
que via rádio comunicou
meu coronel
há uma bala perdida não se sabe
exactamente onde nem porquê
nem por quem nem quando
eu até penso que
chega
o que é preciso é avisar o nosso brigadeiro
disse o coronel em pijama de flanela
às riscas
vai ser o bom e o bonito
quando o nosso general souber
uma ba-la per-di-da
uma ba-la per-di-da
gritou o general
procurem-na imediatamente
mensagem urgente
a todos os comandos
encontrem-me essa bala
viva ou morta
está em causa a honra do nosso batalhão
a minha carreira
a minha condecoração
quem perde uma bala
também perde uma guerra
faça-se um inquérito
levante-se um auto
vírgula
palavras do general
convoque-se o conselho de guerra
cancelem-se todas as saídas
as licenças as guias de marcha
apaguem-se as luzes das casernas
constitua-se o tribunal militar
decrete-se o alerta geral
e o estado de sítio
em que sítio meu general
perguntou o alferes
aqui minha besta onde é que havia de ser
quero sentinelas reforçadas
até ordem em contrário está tudo proibido
excepto o que não está
que a filha da puta dessa bala
há-de aparecer
a senha é
cherchez la balle
e a contra-senha é
a contra-senha é sei lá
que se lixe
agora não há tempo para essas merdas
dias depois
a bala
foi finalmente encontrada
dentro da cabeça do soldado.
José Niza
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Meia-Noite Em Paris
Um qualquer frágil apreciador de cinema já viu pelo menos uma dezena de filmes de Woody Allen e eu não fujo à regra. Falamos de uma figura incontornável. Quando se escrever a história do cinema dos finais do século XX, inícios do século XXI, o seu nome será muito justamente referência obrigatória. Pessoalmente, gosto mais da sua faceta de argumentista e actor do que propriamente a de realizador, sendo que nele essas componentes são difíceis de dissociar. Mas habituei-me a vê-lo acima de tudo como um extraordinário contador de histórias.
Dos últimos filmes, reti o assombroso Match Point como ponto alto desta última fase da sua carreira. Curiosamente, filme passado em Londres. Nestas suas deambulações por grandes cidades europeias fixou-se desta vez na capital francesa. E este Meia-Noite em Paris, sem ser tão brilhante como o referido Match Point é filme de relevo que fica bem na cinematografia de Allen.
A estonteante ideia de grande parte da acção se passar nos loucos e prósperos anos 20 retira alguma carga da convencionalidade para que o filme podia facilmente caminhar. Até porque não se pode afirmar que o Realizador tenha inovado por aí além ao longo dos últimos anos. Como exemplo mais lapidar dessa feliz reconstrução histórica destaco as orientações deixadas a Luis Buñuel para aquilo que viria a ser o fio condutor do Anjo Exterminador que o realizador espanhol faria anos depois.
Com boas interpretações de Owen Wilson e Marion Cotillard – o primeiro sempre confortável num registo mais de comédia - Meia-Noite Em Paris é mais um filme bem conseguido (sem ser genial) na interminável lista de Woody Allen que conta ainda com as participações de Léa Seydoux, Carla Bruni, Michael Sheen, Kurt Fuller, Kathy Bates e Adrien Brody, o que vem provar que toda a gente quer trabalhar com ele.
Num certo sentido, ocorre-me que todos temos um pouco daquela nostalgia rebelde e daquela insatisfação permanente que Gil (o protagonista) tem. E o que sempre me agradou mais no Cinema do americano é precisamente essa visão desencantada do mundo…
Dos últimos filmes, reti o assombroso Match Point como ponto alto desta última fase da sua carreira. Curiosamente, filme passado em Londres. Nestas suas deambulações por grandes cidades europeias fixou-se desta vez na capital francesa. E este Meia-Noite em Paris, sem ser tão brilhante como o referido Match Point é filme de relevo que fica bem na cinematografia de Allen.
A estonteante ideia de grande parte da acção se passar nos loucos e prósperos anos 20 retira alguma carga da convencionalidade para que o filme podia facilmente caminhar. Até porque não se pode afirmar que o Realizador tenha inovado por aí além ao longo dos últimos anos. Como exemplo mais lapidar dessa feliz reconstrução histórica destaco as orientações deixadas a Luis Buñuel para aquilo que viria a ser o fio condutor do Anjo Exterminador que o realizador espanhol faria anos depois.
Com boas interpretações de Owen Wilson e Marion Cotillard – o primeiro sempre confortável num registo mais de comédia - Meia-Noite Em Paris é mais um filme bem conseguido (sem ser genial) na interminável lista de Woody Allen que conta ainda com as participações de Léa Seydoux, Carla Bruni, Michael Sheen, Kurt Fuller, Kathy Bates e Adrien Brody, o que vem provar que toda a gente quer trabalhar com ele.
Num certo sentido, ocorre-me que todos temos um pouco daquela nostalgia rebelde e daquela insatisfação permanente que Gil (o protagonista) tem. E o que sempre me agradou mais no Cinema do americano é precisamente essa visão desencantada do mundo…
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
O Primeiro
O nosso Primeiro falou ao povo e o povo vai apertando o cinto até não haver mais furos.
Independentemente de tudo o resto, temos que admitir que Passos Coelho está confiante na forma como representa o papel. Para essa constatação contribuem sobremaneira dois factores:
- Passos sucede a alguém que, além de ter a imagem totalmente desgastada por anos difíceis de governação, tinha como característica mais relevante uma espécie de artificialidade mecânica. Sócrates assumia muitas vezes uma robotização quase doentia. Em contraste, a aparente humanidade de Passos valerá pontos enquanto as pessoas se lembrarem que existiu Sócrates;
- O facto de Seguro ter ganho as eleições no PS permite a Passos Coelho continuar sem grande oposição dentro do país. Esta ascensão do inenarrável António José Seguro no interior do partido socialista vem provar que é mesmo tudo possível em política. Talvez o parceiro Paulo Portas, a espaços e sorrateiramente, porque está nitidamente enfraquecido, possa cumprir com eficiência essa função.
Depois, falando do conteúdo da entrevista propriamente dito, o Primeiro-Ministro pouco tem a transmitir aos portugueses que justificasse ser ouvido. Diz que a Grécia é bem capaz de ir ao fundo. Admite pedir mais ajuda e privatizar por dá cá aquela palha. Diz que Jardim é um malandro, mas só agora há pouco tempo é que percebeu. Diz que a austeridade é inevitável e que se prolongará por mais tempo que previsto.
Mas o que eu gostava mesmo era que alguém lhe perguntasse porque corta a eito na Cultura, mantendo generais, coronéis, tanques e submarinos? E até aceito que haja mais investimento na Administração Interna. Estranho face à tendência geral, mas aceito, porque os Polícias trabalham em condições difíceis, mal pagos, e muitas vezes sem equipamento apropriado. Agora, a defesa? Para que serve mesmo um submarino ou um general no activo, senhor Primeiro-Ministro?...
Independentemente de tudo o resto, temos que admitir que Passos Coelho está confiante na forma como representa o papel. Para essa constatação contribuem sobremaneira dois factores:
- Passos sucede a alguém que, além de ter a imagem totalmente desgastada por anos difíceis de governação, tinha como característica mais relevante uma espécie de artificialidade mecânica. Sócrates assumia muitas vezes uma robotização quase doentia. Em contraste, a aparente humanidade de Passos valerá pontos enquanto as pessoas se lembrarem que existiu Sócrates;
- O facto de Seguro ter ganho as eleições no PS permite a Passos Coelho continuar sem grande oposição dentro do país. Esta ascensão do inenarrável António José Seguro no interior do partido socialista vem provar que é mesmo tudo possível em política. Talvez o parceiro Paulo Portas, a espaços e sorrateiramente, porque está nitidamente enfraquecido, possa cumprir com eficiência essa função.
Depois, falando do conteúdo da entrevista propriamente dito, o Primeiro-Ministro pouco tem a transmitir aos portugueses que justificasse ser ouvido. Diz que a Grécia é bem capaz de ir ao fundo. Admite pedir mais ajuda e privatizar por dá cá aquela palha. Diz que Jardim é um malandro, mas só agora há pouco tempo é que percebeu. Diz que a austeridade é inevitável e que se prolongará por mais tempo que previsto.
Mas o que eu gostava mesmo era que alguém lhe perguntasse porque corta a eito na Cultura, mantendo generais, coronéis, tanques e submarinos? E até aceito que haja mais investimento na Administração Interna. Estranho face à tendência geral, mas aceito, porque os Polícias trabalham em condições difíceis, mal pagos, e muitas vezes sem equipamento apropriado. Agora, a defesa? Para que serve mesmo um submarino ou um general no activo, senhor Primeiro-Ministro?...
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
O Paraíso da Trafulhice
Debaixo da asa do Professor Cavaco repousam os escombros do regime. Quanto do défice da república (e já agora das actuais agruras do Povo) resulta das tropelias dos Oliveiras e Costas e Dias Loureiros no BPN e das aventuras de Jardim na Madeira?
Portugal é um paraíso para os difusores do Crime. Em vez de os castigar, dá-lhes prémios. Estão à espera de quê para promover turisticamente o reino da inimputabilidade? Sejam bem-vindos ao Éden das Vigarices….
Portugal é um paraíso para os difusores do Crime. Em vez de os castigar, dá-lhes prémios. Estão à espera de quê para promover turisticamente o reino da inimputabilidade? Sejam bem-vindos ao Éden das Vigarices….
domingo, 18 de setembro de 2011
O Paradoxo
A Política que Jardim preconiza para a Madeira assemelha-se muito à trajectória seguida pelos países do ex-bloco comunista. Assenta precisamente nos mesmos fundamentos, por estranho que isto possa parecer.....
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
O PREMAC
Depois do PRACE I e II, com resultados praticamente inexistentes aos olhos da opinião pública (parece que houve meia dúzia de funcionários da agricultura que foram considerados excedentários) chega agora o PREMAC, pomposamente designado com o Plano de Redução e Melhoria da Administração Central do Estado, que implica (dizem eles) uma redução de 38% de estruturas da administração central directa e indirecta. Sendo eliminados 1712 cargos (dizem eles) contribuindo todos os ministérios para esta razia.
Estava capaz de apostar que parte considerável das extinções de organismos públicos agora anunciadas, bem como parte considerável das chefias a reduzir, já estavam na prática extintas e esvaziadas de funções pelo anterior governo. Outra figura que os nossos Governantes gostam de evocar por tudo e por nada nos tempos que correm é a Fusão de Entidades. Sistema que funciona mais ou menos nos seguintes termos: de duas entidades, uma perde o nome e a respectiva personalidade jurídica, mas ambas continuam a funcionar nas mesmas instalações diferenciadas mantendo os mesmíssimos recursos podendo até, recorrendo a adjudicações externas, aumentar o custo com subcontratações diversas. É o emagrecimento à Portuguesa.
Independentemente destes jogos florais, existe alguém que continua a empreender porque o País precisa de investimento sensato, como aliás sempre foi seu apanágio:
Estava capaz de apostar que parte considerável das extinções de organismos públicos agora anunciadas, bem como parte considerável das chefias a reduzir, já estavam na prática extintas e esvaziadas de funções pelo anterior governo. Outra figura que os nossos Governantes gostam de evocar por tudo e por nada nos tempos que correm é a Fusão de Entidades. Sistema que funciona mais ou menos nos seguintes termos: de duas entidades, uma perde o nome e a respectiva personalidade jurídica, mas ambas continuam a funcionar nas mesmas instalações diferenciadas mantendo os mesmíssimos recursos podendo até, recorrendo a adjudicações externas, aumentar o custo com subcontratações diversas. É o emagrecimento à Portuguesa.
Independentemente destes jogos florais, existe alguém que continua a empreender porque o País precisa de investimento sensato, como aliás sempre foi seu apanágio:
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
A Consciência
Jeremias consultava amiúde o calendário das revoluções. Depois da Líbia e das convulsões na Grécia, Jeremias suspirava pela maior revolução de todas: a da sua consciência...
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
A Palermice
O Tozé subiu as escadas rodeado de assessores (para a comunicação, presumo) com o objectivo de, segundo ele, perceber como a comunicação social trabalhava, mostrando-se espantado com a parafernália de meios utilizado por jornalistas e técnicos num dos mais rocambolescos momentos televisivos dos últimos tempos.
Nunca podemos afirmar que já vimos de tudo, mas esta original operação de charme do novo líder socialista deixou-me espantado. Quer dizer, um tipo que chegou onde chegou através de uma mera estratégia de marketing mediático não sabe como se processa e operacionaliza a informação? Este Seguro é a prova viva que há sempre alguém ainda mais idiota que o maior dos idiotas. Ainda hei de ver este Tozé perplexo ao perceber que existem telepontos e gajos que até sabem escrever discursos….
Nunca podemos afirmar que já vimos de tudo, mas esta original operação de charme do novo líder socialista deixou-me espantado. Quer dizer, um tipo que chegou onde chegou através de uma mera estratégia de marketing mediático não sabe como se processa e operacionaliza a informação? Este Seguro é a prova viva que há sempre alguém ainda mais idiota que o maior dos idiotas. Ainda hei de ver este Tozé perplexo ao perceber que existem telepontos e gajos que até sabem escrever discursos….
VOZ NUMA PEDRA
Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento
Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal
Mário Cesariny
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento
Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal
Mário Cesariny
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
A Saúde
Este Governo prepara-se a Passos largos para dar um valente safanão no Serviço Nacional de Saúde, que como se depreende facilmente, tem os dias contados. É hipócrita afirmar que é o seu fim, mas é também irrealista refutar a actual tendência para a degradação que, aliás, encobre uma gritante incongruência inconstitucional. Pode-se não gostar da mistura explosiva de um gestor rigoroso com provas dadas como Paulo Macedo e um ministério essencial para a sobrevivência e dignidade humana como a Saúde. A mim provoca-me especial pavor. Mas reconheço que num tempo de vacas esqueléticas foi das poucas cartadas inteligentes de Passos Coelho. O low profile de Macedo e os seus antecedentes na obtenção de resultados nos impostos permitem ir justificando, paulatinamente, perante o país algo que à partida seria injustificável. É o princípio do fim do Estado Social. A social-democracia deve ser isto….
With A Little Help From My Friends - Joe Cocker
Um original dos Beatles interpretado pelo eterno Joe Cocker...
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Os Modelos
Veraneantes estendidos nas toalhas de praia com os corpos ao sol. As únicas palavras trocadas servem para articular idas ao banho. Ou então saídas ao café para enganar o estômago. Têm corpos bonitos e vigorosos mas o cérebro permanece vazio...
domingo, 4 de setembro de 2011
Os Mal-Amados
Hélder Postiga é por todos os motivos e mais algum um jogador fora do comum. Muito curiosamente, ou talvez não, tem sido também ao longo da carreira um autêntico agregador de ódios. O Sporting vendeu-o definitivamente ao Saragoça recebendo uns míseros 500 000 € quando o tinha comprado por 2 milhões e meio. É o negócio possível. Muito fraquito na perspectiva de estarmos perante um titular de uma prestigiada selecção nacional. Mas a verdade é que Postiga só muito ocasionalmente marca, e isso não é atractivo como cartão de visita de um qualquer ponta de lança.
Quanto a Djaló, ou à Floribela, como carinhosamente...é tratado em Alvalade é produto da casa mas tirando alguns fogachos ocasionais nunca soube ser consistente. Atendendo aos 25 anos de idade e aos custos inerentes à formação do jogador, os hipotéticos 4 milhões e meio por 75% do passe (valores ainda não confirmados) não se pode dizer que seja um negócio por ai além. O Nice vai pagar-lhe de ordenado uma exorbitância face ao que recebia em Alvalade. E esta mudança é boa para ele. E sempre foi um jogador com uma postura correcta, apesar de tudo. Boa sorte para ele, sendo que não acredito que singre de forma categórica.
Percebe-se agora claramente a insistência de Domingos, instruído pela direcção, na titularidade de Postiga e Djaló. Numa primeira fase pensei que a pressão para que tal acontecesse era evidente com o objectivo legítimo de valorizar os jogadores. Ultimamente, face a exibições tão confrangedoras dos jogadores, a sua repetida utilização já me parecia pura teimosia de Domingos. Conclusão que agora se percebe errada.
No entanto face aos resultados (perda de 7 pontos no campeonato em apenas 3 jogos) e às parcas quantias resultantes dos negócios a estratégia utilizada não foi a mais acertada. Obviamente que podemos sempre especular que caso não fossem actualmente titulares, o seu valor de mercado ainda seria menor. Mas atendendo às pobres exibições que rubricaram o que fica para a história é a irritação geral que foram provocando aos adeptos, e claro, os pontos perdidos para o Campeonato. Duque e Freitas parece saber o que estão a fazer, mas é natural que comece a haver uma desconfiança acerca da real capacidade da equipa...
Quanto a Djaló, ou à Floribela, como carinhosamente...é tratado em Alvalade é produto da casa mas tirando alguns fogachos ocasionais nunca soube ser consistente. Atendendo aos 25 anos de idade e aos custos inerentes à formação do jogador, os hipotéticos 4 milhões e meio por 75% do passe (valores ainda não confirmados) não se pode dizer que seja um negócio por ai além. O Nice vai pagar-lhe de ordenado uma exorbitância face ao que recebia em Alvalade. E esta mudança é boa para ele. E sempre foi um jogador com uma postura correcta, apesar de tudo. Boa sorte para ele, sendo que não acredito que singre de forma categórica.
Percebe-se agora claramente a insistência de Domingos, instruído pela direcção, na titularidade de Postiga e Djaló. Numa primeira fase pensei que a pressão para que tal acontecesse era evidente com o objectivo legítimo de valorizar os jogadores. Ultimamente, face a exibições tão confrangedoras dos jogadores, a sua repetida utilização já me parecia pura teimosia de Domingos. Conclusão que agora se percebe errada.
No entanto face aos resultados (perda de 7 pontos no campeonato em apenas 3 jogos) e às parcas quantias resultantes dos negócios a estratégia utilizada não foi a mais acertada. Obviamente que podemos sempre especular que caso não fossem actualmente titulares, o seu valor de mercado ainda seria menor. Mas atendendo às pobres exibições que rubricaram o que fica para a história é a irritação geral que foram provocando aos adeptos, e claro, os pontos perdidos para o Campeonato. Duque e Freitas parece saber o que estão a fazer, mas é natural que comece a haver uma desconfiança acerca da real capacidade da equipa...
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
O Tempo
O Tuga queixa-se pelas esquinas. Reclama que este Agosto foi fraquito. Que não houve bom tempo três dias seguidos. Que mesmo o Sol já não é o que era. Que a chuva estragou os planos.
A verdade, meus amigos, é que também devemos dinheiro ao São Pedro....
A verdade, meus amigos, é que também devemos dinheiro ao São Pedro....
AURORA
A poesia não é voz – é uma inflexão.
Dizer, diz tudo a prosa. No verso
nada se acrescenta a nada, somente
um jeito impalpável dá figura
ao sonho da cada um, a expectativa
das formas por achar. No verso nasce
à palavra uma verdade que não acha
entre os escombros da prosa o seu caminho.
E aos homens um sentido que não há
nos gestos nem nas coisas:
voo sem pássaro dentro.
Adolfo Casais Monteiro
Dizer, diz tudo a prosa. No verso
nada se acrescenta a nada, somente
um jeito impalpável dá figura
ao sonho da cada um, a expectativa
das formas por achar. No verso nasce
à palavra uma verdade que não acha
entre os escombros da prosa o seu caminho.
E aos homens um sentido que não há
nos gestos nem nas coisas:
voo sem pássaro dentro.
Adolfo Casais Monteiro
domingo, 28 de agosto de 2011
Relvas de Ouro
Com tantos jornalistas e bloggers ainda disponíveis para serem devidamente amordaçados, é coisa para não ficar por aqui…
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Autobiografia de Nicolae Ceausescu
Andrei Ujica arriscou na realização de um projecto que exigiu pela certa uma exaustiva dedicação: a biografia do líder Romeno Nicolae Ceausescu. É um filme com uma abordagem totalmente inesperada, quer na forma de apresentação, quer no conteúdo. E logo por aí, é merecedor de amplos elogios.
O filme que dura 3 horas é completamente produzido através de imagens reais, recorrendo somente a material de arquivo. Entre outros momentos históricos registados destacam-se: os sui generis congressos do partido comunista romeno, as visitas de estado de Ceauscescu à China de Mao, à América de Carter, à Inglaterra onde é recebido com grandes honras pela Rainha e a uma muito curiosa recepção ao ortodoxo republicano Richard Nixon na Roménia.
Provavelmente a tendência mais óbvia seria demonizar a figura do ditador assassino que, além de tudo o mais, exibia um extravagante culto de personalidade. Mas o realizador, inteligentemente, não entrou por aí. Apresenta a biografia de forma cronológica, escalpelizando com rigor os 24 anos de poder de Ceauşescu. O espectador que tire as suas próprias conclusões. Começa com a ascensão ao poder e termina com o insólito julgamento sumário que resultou na execução imediata do casal Ceauşescu.
Apesar de nos meios políticos internacionais da altura ser considerado um líder de grande envergadura, a ideia que retiro do filme que tinha grande curiosidade em ver (ainda para mais concebido por um realizador romeno) é que Ceauşescu não possuía o tal carisma que se falava. Foi um funcionário carreirista que serviu com abnegação os dogmas do partido comunista romeno. Se não fosse ele, era outro qualquer. O próprio culto da personalidade era reflexo dos tempos, e as visitas à China de Mao e Coreia agudizaram-lhe ainda mais essa faceta. Conseguiu incrementar períodos de algum desenvolvimento no País, mas como todos os ditadores perpetuou-se no poder e esse apego obsessivo tornou-o intolerante. É a história da Humanidade.
Nos anos 80, com a pressão da divida externa acumulada, ordenou a exportação de grande parte da produção agrícola e industrial da Roménia. O resultado foi a escassez de comida, energia e cuidados médicos, tornando a vida das pessoas numa infernal luta pela sobrevivência. Ao mesmo tempo, as relações com Gorbatchov – o ideólogo da dissolução soviética - estavam algo tensas (nota-se no filme) ainda que aparentemente parecessem normais. A queda do muro de Berlim foi outro catalisador natural para generalizar o descontentamento. Daí à revolta popular, foi um pequeno passo….
O filme que dura 3 horas é completamente produzido através de imagens reais, recorrendo somente a material de arquivo. Entre outros momentos históricos registados destacam-se: os sui generis congressos do partido comunista romeno, as visitas de estado de Ceauscescu à China de Mao, à América de Carter, à Inglaterra onde é recebido com grandes honras pela Rainha e a uma muito curiosa recepção ao ortodoxo republicano Richard Nixon na Roménia.
Provavelmente a tendência mais óbvia seria demonizar a figura do ditador assassino que, além de tudo o mais, exibia um extravagante culto de personalidade. Mas o realizador, inteligentemente, não entrou por aí. Apresenta a biografia de forma cronológica, escalpelizando com rigor os 24 anos de poder de Ceauşescu. O espectador que tire as suas próprias conclusões. Começa com a ascensão ao poder e termina com o insólito julgamento sumário que resultou na execução imediata do casal Ceauşescu.
Apesar de nos meios políticos internacionais da altura ser considerado um líder de grande envergadura, a ideia que retiro do filme que tinha grande curiosidade em ver (ainda para mais concebido por um realizador romeno) é que Ceauşescu não possuía o tal carisma que se falava. Foi um funcionário carreirista que serviu com abnegação os dogmas do partido comunista romeno. Se não fosse ele, era outro qualquer. O próprio culto da personalidade era reflexo dos tempos, e as visitas à China de Mao e Coreia agudizaram-lhe ainda mais essa faceta. Conseguiu incrementar períodos de algum desenvolvimento no País, mas como todos os ditadores perpetuou-se no poder e esse apego obsessivo tornou-o intolerante. É a história da Humanidade.
Nos anos 80, com a pressão da divida externa acumulada, ordenou a exportação de grande parte da produção agrícola e industrial da Roménia. O resultado foi a escassez de comida, energia e cuidados médicos, tornando a vida das pessoas numa infernal luta pela sobrevivência. Ao mesmo tempo, as relações com Gorbatchov – o ideólogo da dissolução soviética - estavam algo tensas (nota-se no filme) ainda que aparentemente parecessem normais. A queda do muro de Berlim foi outro catalisador natural para generalizar o descontentamento. Daí à revolta popular, foi um pequeno passo….
terça-feira, 23 de agosto de 2011
A Velha do Bairro
Acenava para o pequeno pimpolho na esperança de uma retribuição. Quando o petiz, no meio da sua inconsciente generosidade, resolvia contemplá-la com um estimulante adeus, sorria, transbordando felicidade.
Olhava para o desfiar dos dias pendurada no parapeito da janela. Possuía um olhar meigo, apanágio dos mais idosos. Um sinal de quem já pouco espera das fortunas da vida.
Angustiava-se com a possibilidade de poder ser este um dos últimos verões da sua cruzada. As estações do ano eram a única coisa que condicionava a sua existência. No verão desabrochava à janela e de quando em vez, muito raramente, dava dois dedos de conversa com as vizinhas. No Inverno, o passar do tempo era certamente doloroso e o surgimento das maleitas mais frequente.
O pimpolho apreciava estranhamente aquele misterioso ritual. Jeremias não gostava de interferir naquela excepcional forma de comunicação porque ali, a simbiose era perfeita. Cada um, pelos seus motivos, valorizava aquele momento de modo diferente. A Velha há de chegar ao próximo Verão...
Olhava para o desfiar dos dias pendurada no parapeito da janela. Possuía um olhar meigo, apanágio dos mais idosos. Um sinal de quem já pouco espera das fortunas da vida.
Angustiava-se com a possibilidade de poder ser este um dos últimos verões da sua cruzada. As estações do ano eram a única coisa que condicionava a sua existência. No verão desabrochava à janela e de quando em vez, muito raramente, dava dois dedos de conversa com as vizinhas. No Inverno, o passar do tempo era certamente doloroso e o surgimento das maleitas mais frequente.
O pimpolho apreciava estranhamente aquele misterioso ritual. Jeremias não gostava de interferir naquela excepcional forma de comunicação porque ali, a simbiose era perfeita. Cada um, pelos seus motivos, valorizava aquele momento de modo diferente. A Velha há de chegar ao próximo Verão...
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Em Trípoli
Muammar Khadafi, o Ditador com que praticamente todos os países desenvolvidos fizeram negociatas, está prestes a cair finalmente do poder. Por razões que a razão conhece, a Líbia tem demorado mais tempo que as suas congéneres do Norte de África a caminhar pelos complexos trilhos da Democracia. A partir de agora, talvez se comece a perceber melhor a amplitude dos Podres escondidos por tão inusitada personagem. Como alguém diria, basta seguir o rasto do dinheiro…
sábado, 20 de agosto de 2011
O Lodo
O Campeonato começou e o Porto de Pinto da Costa já vai lançado na frente com duas vitórias polémicas. Ontem, contra o Gil Vicente em casa, voltou novamente a beneficiar da mão amiga de um árbitro que, espantem-se, esteve quase 2 anos suspenso por causa do processo apito dourado.
O mesmíssimo e incompreensível critério de nomeação dos árbitros foi aplicado para a nomeação do Beira-Mar vs Sporting em que após uma primeira jornada super-polémica um dos juízes de linha nomeados seria o cegueta que ofereceu uma taça da liga ao Benfica em parceria com Lucílio Baptista, no famoso lance de Pedro Silva. Ao que parece a equipa de arbitragem que seria chefiada por João Ferreira – outro incompetente de carreira – recusou a nomeação alegando pressão excessiva. E ainda querem estes gajos serem profissionais. No Porto não sentem qualquer tipo de pressão, como ainda ontem se viu. Num País a sério o chefe dos árbitros, Victor Pereira, já se tinha demitido. E este João Ferreira, obviamente, que não apitaria mais nenhum jogo profissional na vida por causa da pressão….
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
A Prática
Não é que a notícia em si seja propriamente uma surpresa, mas é indiciadora de filme a que já estamos habituados. De momento, adia-se a apresentação das medidas de redução na despesa. Mais tarde, tornam-se públicos os cortes mas como de costume ficam muito aquém do pretendido. E no fim, aumentam-se mais impostos.
Talvez, por esta altura, o amigo Álvaro da Economia já tenha tido tempo suficiente para perceber porque é que o Canadá é o Canadá e Portugal é Portugal. A Teoria emanada dos livros de economia é deveras inebriante...
Talvez, por esta altura, o amigo Álvaro da Economia já tenha tido tempo suficiente para perceber porque é que o Canadá é o Canadá e Portugal é Portugal. A Teoria emanada dos livros de economia é deveras inebriante...
O Farol
Na luz, o mar é espuma
Alegria no Sol intenso
À noite, é coisa nenhuma
Só voz no escuro imenso!
Cresce então o Farol
Astro de quem navega
O outro lado do sol
O conforto de quem chega!
Com a cor em rodopio
O clarão cresce no escuro...
É o leme do navio
Corda em porto seguro!
O Farol é um amigo
Com quem se pode contar
É abraço, é abrigo
Na liberdade do mar!
António Castro
Alegria no Sol intenso
À noite, é coisa nenhuma
Só voz no escuro imenso!
Cresce então o Farol
Astro de quem navega
O outro lado do sol
O conforto de quem chega!
Com a cor em rodopio
O clarão cresce no escuro...
É o leme do navio
Corda em porto seguro!
O Farol é um amigo
Com quem se pode contar
É abraço, é abrigo
Na liberdade do mar!
António Castro
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Os Suspeitos do Costume
Recomeçou a Liga Portuguesa. O porto arrancou a vencer com um penalty hiper-duvidoso e já segue na frente. O Grande Sporting foi espoliado em dois pontos na sua própria casa. Um roubo sem paralelo na história do novo estádio. A habitual dualidade de critérios nas arbitragens tem tanto de natural como de revoltante. O inimputável Jorge Nuno Pinto da Costa - para quem Hulk é melhor que Cristiano Ronaldo - continua por aí a distribuir fruta na maior das impunidades.
Postiga, de quem hoje se diz poder estar na mira do Besiktas da Turquia, o que independentemente dos valores envolvidos seria o negócio do século, continua a dar bons argumentos de estudo para psicanalistas, filósofos, antropólogos, etc e tal.
Quanto a mim, limito-me a constatar que estaríamos perante o melhor jogador do mundo, se no futebol não houvesse balizas. Convém também salientar que falamos de um Tipo com um azar incomparável. Quando finalmente resolve acertar na baliza, depois de 10 esforçadas tentativas o árbitro, sabe-se lá condicionado por qual Divindade, resolve anular o golo limpinho como a água. O Postiga é aquele tótó que joga há 40 anos com a mesma chave no euromilhões. Numa única semana, sem exemplo, esquece-se de registar o boletim. Pois, seria precisamente nessa malfadada semana que teria a chave vencedora. Um gajo assim não serve para o Sporting. Melhor, um gajo destes, não serve para nada...
Postiga, de quem hoje se diz poder estar na mira do Besiktas da Turquia, o que independentemente dos valores envolvidos seria o negócio do século, continua a dar bons argumentos de estudo para psicanalistas, filósofos, antropólogos, etc e tal.
Quanto a mim, limito-me a constatar que estaríamos perante o melhor jogador do mundo, se no futebol não houvesse balizas. Convém também salientar que falamos de um Tipo com um azar incomparável. Quando finalmente resolve acertar na baliza, depois de 10 esforçadas tentativas o árbitro, sabe-se lá condicionado por qual Divindade, resolve anular o golo limpinho como a água. O Postiga é aquele tótó que joga há 40 anos com a mesma chave no euromilhões. Numa única semana, sem exemplo, esquece-se de registar o boletim. Pois, seria precisamente nessa malfadada semana que teria a chave vencedora. Um gajo assim não serve para o Sporting. Melhor, um gajo destes, não serve para nada...
domingo, 14 de agosto de 2011
A Viagem do Director
O Director de Recursos Humanos de uma grande padaria de Jerusalém é posto perante uma situação de risco. É acusado de não ter participado o desaparecimento de uma das suas subordinadas, morta num ataque suicida, e cujo corpo permanece na morgue por identificar. Acontece que o pobre homem nem sequer conhecia a vítima que era protegida por um supervisor de direcção intermédia. Numa tentativa de restaurar a sua credibilidade junto do patronato, o director de recursos humanos segue numa viagem de redenção até à Roménia acompanhado pelo jornalista que levantou o caso, à procura da família da vítima com o nobre objectivo de entregar o corpo aos familiares.
Um filme de Eran Riklis que persegue também o registo da comédia sem contudo atingir grande relevo a esse nível. O mais interessante é a sobreposição de duas culturas diferentes mas com mais pontos em comum do que muitos julgam: o estado hebraico de Israel e uma Roménia saída dos escombros do Comunismo. Sem deslumbrar no seu todo, fica até, aqui ou ali, aquém das expectativas iniciais face ao potencial do argumento. É um filme de pormenores, como por exemplo a fotografia…
Um filme de Eran Riklis que persegue também o registo da comédia sem contudo atingir grande relevo a esse nível. O mais interessante é a sobreposição de duas culturas diferentes mas com mais pontos em comum do que muitos julgam: o estado hebraico de Israel e uma Roménia saída dos escombros do Comunismo. Sem deslumbrar no seu todo, fica até, aqui ou ali, aquém das expectativas iniciais face ao potencial do argumento. É um filme de pormenores, como por exemplo a fotografia…
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
A Boa Nova
Entre crises e tumultos, esta é para mim a melhor notícia do dia.
Já eram casos a mais em Alvalade com lesões mal explicadas. Assim de repente lembro-me de Carlos Martins (que logo que saiu do Sporting deixou de ter lesões com a frequência que tinha), e mais recentemente das recuperações hiper-prolongadas de Pedro Mendes e Matías Fernández, e claro do gritante caso Izmailov. Podia ser bom Médico há onze anos, quando foi contratado. Hoje não. Na Medicina como no Futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira.....
terça-feira, 9 de agosto de 2011
O Caldeirão
Quem conhece bem a região de Londres sabe que se trata de uma zona que vive mergulhada num caldeirão efervescente. Com um número de habitantes semelhante a todo o Portugal, o que favorece o anonimato, possui tal densidade populacional que a explosão social que agora ocorre era de alguma forma previsível. Isto, atendendo a que a cidade nunca parou de crescer para as zonas limítrofes, o que tornou os actuais focos de insegurança absolutamente incontroláveis. Aliás, é curioso que somente nestas alturas é que se valoriza a importância das forças de segurança.
Tal como Paris, há uns anos atrás, os actuais desacatos (sabe-se lá com que repercussões no caso de Londres) são reflexo de um crescimento dos limites da cidade muito para além do razoável, fruto em grande parte da especulação imobiliária e de um capitalismo desenfreado. É mais um sinal para os Governos repensarem seriamente a política de investimentos que preconizam. O Urbanismo também é uma ciência….
Tal como Paris, há uns anos atrás, os actuais desacatos (sabe-se lá com que repercussões no caso de Londres) são reflexo de um crescimento dos limites da cidade muito para além do razoável, fruto em grande parte da especulação imobiliária e de um capitalismo desenfreado. É mais um sinal para os Governos repensarem seriamente a política de investimentos que preconizam. O Urbanismo também é uma ciência….
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
O Ir e Voltar
Na Crise da dívida, há mar e mar, há ir e voltar. E quem se lixa são sempre os mesmos…
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
O Cristiano Ronaldo dos Motoristas
Secretário de Estado da Cultura
2011-07-18
Cargo: Motorista
Nome: ......................
Idade: 21 Anos
Vencimento mensal bruto: 1.866,73 €
Nota de redacção - Retirei o nome da jovem promessa por uma questão de higiene mental...
2011-07-18
Cargo: Motorista
Nome: ......................
Idade: 21 Anos
Vencimento mensal bruto: 1.866,73 €
Nota de redacção - Retirei o nome da jovem promessa por uma questão de higiene mental...
terça-feira, 2 de agosto de 2011
O Trágico-Cómico
Na sequência do apaixonante passatempo que o Governo de Portugal resolveu proporcionar aos seus devotos concidadãos em pleno Agosto (o mês das tolices por excelência) observo que o Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto tem à sua disposição (atenção, muita atenção, deixem-me ver bem para não me enganar) precisamente.... 3 (três) Adjuntos.
Não menos interessante é verificar que esse mesmo Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto tem como chefe de gabinete um valoroso ponta de lança que aufere de remuneração base 4 542 €, praticamente o mesmo do Chefe de Gabinete do Primeiro-Ministro de Portugal....
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
O Pacifismo Luso
Em Agosto, a austeridade avança. A malta anda toda a engonhar e quando dá pela vidinha está a pagar transportes em média 15 % mais caros. Além, claro, dos brutais preços dos combustíveis. Upa, Upa!
Mas o nosso pacifismo não tem limites. Um povo que tem a consciência que andou anos e anos a gastar mais do que devia, tolera tudo e mais alguma coisa. Agora, esta nossa ancestral condescendência também tem efeitos nefastos. A agressividade social aumenta, a insegurança galopa, e a pequena corrupção alastra. Talvez fosse benéfico para a alma lusa sair novamente à rua e protestar de forma sincera, desprovida dos oportunistas cordões ideológicos. Chamem-lhe o que quiserem. Funcionaria como descompressão social e mal não faria certamente. A tolerância em demasia redunda muitas vezes em perigosas complicações...
Mas o nosso pacifismo não tem limites. Um povo que tem a consciência que andou anos e anos a gastar mais do que devia, tolera tudo e mais alguma coisa. Agora, esta nossa ancestral condescendência também tem efeitos nefastos. A agressividade social aumenta, a insegurança galopa, e a pequena corrupção alastra. Talvez fosse benéfico para a alma lusa sair novamente à rua e protestar de forma sincera, desprovida dos oportunistas cordões ideológicos. Chamem-lhe o que quiserem. Funcionaria como descompressão social e mal não faria certamente. A tolerância em demasia redunda muitas vezes em perigosas complicações...
Um Poema
Um poema
é a reza dum rosário
imaginário.
Um esquema
dorido.
Um teorema
que se contradiz.
Uma súplica.
Uma esmola.
Dores,
vividas umas, sonhadas outras...
(Inútil destrinçar.)
Um poema
é a pedra duma escola
com palavras a giz
para a gente apagar ou guardar...
Saúl Dias
é a reza dum rosário
imaginário.
Um esquema
dorido.
Um teorema
que se contradiz.
Uma súplica.
Uma esmola.
Dores,
vividas umas, sonhadas outras...
(Inútil destrinçar.)
Um poema
é a pedra duma escola
com palavras a giz
para a gente apagar ou guardar...
Saúl Dias
sexta-feira, 29 de julho de 2011
As Nomeações
Pôr online todas as nomeações governativas, bem como os respectivos nomes dos contemplados, pode ser uma coisa apelativa do ponto de vista parlamentar e até mediático. Compreendo tal presunção. Mas convém verificar; é uma decisão completamente estúpida do ponto de vista do bom senso. E com uma população com as nossas características (um pouco mesquinhos, não?) é exercício particularmente sensível.
Um motorista do primeiro-ministro com o nome de Victor ou Eugénio pode ganhar 600 euros de remuneração-base conforme indicado, e depois levar 2 ou 3 vezes mais para casa ao fim do mês por horas extraordinárias e afins o que, como é óbvio, não aparece discriminado. Tal informação não é para mim relevante, nem imagino que seja para os restantes cidadãos. Mas acontece que está disponível e podemos consultar. Ao mesmo tempo ficamos a saber que uma mera colaboradora-especialista (seja lá o que isso for) de um despromovido secretário de estado da cultura ganha 3 163 € de remuneração-base mais despesas de representação (seguramente acima de 500 € e do salário mínimo nacional), e não muito longe da remuneração-base do Primeiro-Ministro de Portugal, que por sua vez ganha menos que muitos gestores de empresas públicas, o que se torna numa constatação de bradar aos céus.
A Democracia não pode ser isto. Não é suposto ficarmos entregues a um bando de lunáticos sem um mínimo de sentido de estado e, já agora, de respeito pelos próprios subordinados.
Perante isto, Senhores Governantes, vão para à puta que os pariu porque já me faltam palavras…
A Democracia não pode ser isto. Não é suposto ficarmos entregues a um bando de lunáticos sem um mínimo de sentido de estado e, já agora, de respeito pelos próprios subordinados.
Perante isto, Senhores Governantes, vão para à puta que os pariu porque já me faltam palavras…
quarta-feira, 27 de julho de 2011
A Banhos (e aos meus amigos)
Portugal está prestes a ir para Banhos. Jeremias pensava para com os seus botões que o País há muito que anda a meter água por todos os lados. O ir a banhos funciona em Portugal como um pleonasmo….
Nesta fase do ano, Jeremias lembrava-se sempre obrigatoriamente da música de uns tais de Xutos, celebrada com a irreverência de quem na altura ainda não tinha cedido aos comodismos do capitalismo:
É amanhã dia 1 de Agosto
E tudo em mim é um fogo posto
Sacola ás costas, cantante na mão
Enterro os pés no calor do chão
E é tanto o sol pelo caminho
Que vendo um não me sinto sozinho
Todos os anos em praias diferentes
Se buscam corpos sedosos e quentes.
Adoro ver a praia dourada
O estranho brilho da areia molhada
Mergulho verde nas ondas do mar
Procuro o fundo pra lhe tocar
Estendido ao sol, sem nada a dizer
Sorriso aberto de puro prazer
Todos os anos em praias diferentes
Se buscam corpos sedosos e quentes...
E tudo em mim é um fogo posto
Sacola ás costas, cantante na mão
Enterro os pés no calor do chão
E é tanto o sol pelo caminho
Que vendo um não me sinto sozinho
Todos os anos em praias diferentes
Se buscam corpos sedosos e quentes.
Adoro ver a praia dourada
O estranho brilho da areia molhada
Mergulho verde nas ondas do mar
Procuro o fundo pra lhe tocar
Estendido ao sol, sem nada a dizer
Sorriso aberto de puro prazer
Todos os anos em praias diferentes
Se buscam corpos sedosos e quentes...
segunda-feira, 25 de julho de 2011
A Indecência
Há sempre gente muito preocupada em perceber se o louco mentor de um massacre que vitimou uma centena de almas, na sua maioria ainda adolescentes, é de esquerda ou de direita? Como se valesse de algo para os jovens barbaramente assassinados que o mentecapto assassino levasse o capital ou o mein kampf no bolso das calças. É um louco desprezível. E para essa conclusão não é necessário ideologia alguma…
domingo, 24 de julho de 2011
O Clube dos 27
A cantora britânica Amy Winehouse é a mais recente aquisição no panteão dos 27. Foi encontrada sem vida no seu apartamento londrino. Não tem a magia e o percurso consolidado das Lendas que a precederam. Comparar, por exemplo, a sua carreira com a de Janis Joplin seria quase criminoso. Viveu contudo no mesmo mundo de excessos, caminhou sempre pelas bermas mais estreitas do precipício. Porventura, até foi mais longe na exposição das suas fragilidades que todos os outros. É mais por essa genuína demonstração da sua própria decadência que merece entrar no restrito grupo dos 27. Como todos os outros que compõem o Clube, morreu jovem e viveu depressa. Paz à sua alma…
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Confissões de Uma Namorada de Serviço
Steven Soderbergh é dos realizadores americanos que mais me fascinam. Filma sempre com astúcia e sem procurar refúgios nas superficialidades habituais de hollyood. Tem filmes maiores intercalados com outros menos interessantes. Mas é dono de Obra relevante. De quando em vez aparece com uns filme de baixo orçamento, como este intitulado The Girlfriend Experience na versão original. Filmado em apenas 14 dias mostra o dia a dia de uma prostituta de luxo que deambula por uma sofisticada Nova York entre clientes preocupados com a crise económica e um namorado personal trainer. A ideia para o argumento e caracterização das personagens é extraordinária. Os constantes flashbacks talvez sejam excessivos, mas atendendo a que os actores não são profissionais, foi esta a técnica encontrada por Soderbergh para controlar melhor o filme. Contudo, fica a sensação que havia potencial no guião para fazer melhor. Na cena final, a dramatização de uma ejaculação precoce, é uma boa analogia para a impressão que o espectador fica….
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Impressões Leoninas
Aqui vão as primeiras ilações do Sporting 2011/12 - o ano da graça do Leão, sendo que tudo ainda é muito prematuro:
- Os jogadores mais entusiasmantes: Rinaldo e Diego Rubio. Este segundo com 18 anos apenas, parece-me ser a melhor contratação do ponto de vista da rentabilização do investimento.
- Os patrões: Schaars e vamos ver se Izmailov se aguenta ao longo da época. Quando está bem e em alta-rotação, como parece ser agora o caso, é insubstituível.
- Wolfswinkel é o típico avançado da escola holandesa. Pouco agressivo mas com bons pés e apurado sentido de baliza. Se não começar logo a marcar vai ter dificuldades de afirmação porque tem sobre si o peso de ser a contratação mais cara.
- Postiga é um gajo imenso. É daqueles jogadores sobre os quais todos têm uma opinião firmada. Inspira teses de doutoramento e discussões acaloradas. Contudo, Postiga resume-se a um razoável jogador, esforçado e dedicado, tecnicamente acima da média mas com um azar colossal, indisciplinado e excessivamente faltoso. O mais natural é começar a apagar-se com o início dos jogos a doer. Não é tão mau como muitos dizem (os jogos na selecção provam-no) mas também não é tão bom como alguns querem. Seria um grande jogador se tivesse sido desde jovem orientado para jogar em posições mais recuadas. A partir de determinada altura é complicado para um jogador que gosta de jogar a avançado começar a jogar no meio, por exemplo. Mas o grande entrave à sua afirmação foi mesmo esse erro de apreciação na formação dele como jogador. Obviamente que o jogador confrontado com isto, iria sempre dizer que se sente ponta de lança, etc e tal. Postiga não é, nem pode ser ponta de lança, apesar de por vezes conseguir fazer uma série de bons jogos. Teve uma boa fase com Mourinho no passado. Pode ser que se repita agora com Domingos.
- Por vezes os adeptos são injustos com Evaldo e com Polga. O primeiro apesar de algumas evidentes fragilidades nunca se esconde. Faz o flanco esquerdo todo. Agora precisamos de um extremo como de água para a boca. Alguém como este Diego Capel pode ser fundamental. Esperemos que se afirme.
Polga parece concentrado e empenhado em fazer uma boa época. Agora, a dupla natural de centrais serão Onyewu e Rodriguez. O Peruano não entusiasma ninguém mas tem de facto um sentido posicional notável. É esse o seu ponto forte. E essa característica num central é importante. O Grandalhão Americano continua a ser uma incógnita mas como parece mau como as cobras deve jogar sempre. Tem é que ser bem integrado.
Polga parece concentrado e empenhado em fazer uma boa época. Agora, a dupla natural de centrais serão Onyewu e Rodriguez. O Peruano não entusiasma ninguém mas tem de facto um sentido posicional notável. É esse o seu ponto forte. E essa característica num central é importante. O Grandalhão Americano continua a ser uma incógnita mas como parece mau como as cobras deve jogar sempre. Tem é que ser bem integrado.
- Relativamente a Matías Fernández tem que chegar e lutar pelo lugar. É simples. Tem que ser regular e estar bem fisicamente. O que não aconteceu nestas duas épocas. Continua a ter um potencial incrível como provam as suas habituais exibições na selecção chilena.
André Santos aparentemente não tem lugar no 11. Mas tudo depende dele. Não é um jogador fenomenal ao contrário do que alguns pensam, mas tem margem de progressão e por isso é importante estar numa grande equipa. Não pode é amuar se não jogar.
André Santos aparentemente não tem lugar no 11. Mas tudo depende dele. Não é um jogador fenomenal ao contrário do que alguns pensam, mas tem margem de progressão e por isso é importante estar numa grande equipa. Não pode é amuar se não jogar.
- Bojinov é a grande ponto de interrogação neste momento. Parece estar com problemas físicos e peso a mais. Iremos perceber a curto-prazo se o mediático jogador búlgaro veio para construir algo ou simplesmente para fazer turismo…
Quando morava na cidade
Quando morava na cidade,
sempre que acordava,
a primeira coisa que fazia
era apagar todos os sonhos da pele.
Tomava umas vitaminas,
aplicava-se na adequação
do corpo à combustão.
Ameaçado pelo ruído, pelos gases,
pelos rostos contraídos, circunspectos,
punha-se a salvo num sorriso encenado.
Depois, concentrava-se nesse sorriso
até ao final do dia.
Era muito talentoso
na forma como fazia valer
as suas proposições.
Alguns exercícios de relaxação
facilitavam-lhe, em grande medida,
o sucesso. Era um sucesso
de pasta na mão, transportes públicos,
passado em fuga, futuro à vista.
Era sucesso de economista.
Quando morava na cidade,
tinha sempre de prevenção
um airbag enfiado no peito.
Uma vez, no metropolitano,
aconteceu-lhe ser insultado
por um desses falhados na vida.
Embateu contra o insulto,
accionando o balão da indiferença.
Regressou a casa sem mazelas no corpo,
à excepção de um buraco na língua.
Cantava canções e ria e corria,
estava sempre pronto para mais um dia.
Às vezes julgava-se cobarde,
mas depois sentava-se a escrever
e crescia dentro de si
um senso de heroísmo quase histérico.
Tinha a sensação de que
quando morava na cidade,
os sentimentos estavam
mais devidamente engarrafados
nos músculos, nos nervos, nas articulações.
Isto foi antes de olhar para os pés
como quem olha para o céu,
antes da coluna se ter quebrado
de modo irreversível.
Isto foi antes dum muro de cansaço
se erguer à sua volta.
Antes da dor lhe ter obstruído
a vista para o rio, antes de ter escorregado
no mais glorioso dos seus dias.
Isto foi antes do dia em que a sorte
lhe bateu à porta da fome.
Hoje, mora numa espécie de dança
parada. Numa queda sem fim.
Olha para trás do corpo e vê:
um coração acelerado num homem lento,
um pulmão com setenta vezes sete
metros de fundura. Vê um poço vazio.
Henrique Manuel Bento Fialho
sempre que acordava,
a primeira coisa que fazia
era apagar todos os sonhos da pele.
Tomava umas vitaminas,
aplicava-se na adequação
do corpo à combustão.
Ameaçado pelo ruído, pelos gases,
pelos rostos contraídos, circunspectos,
punha-se a salvo num sorriso encenado.
Depois, concentrava-se nesse sorriso
até ao final do dia.
Era muito talentoso
na forma como fazia valer
as suas proposições.
Alguns exercícios de relaxação
facilitavam-lhe, em grande medida,
o sucesso. Era um sucesso
de pasta na mão, transportes públicos,
passado em fuga, futuro à vista.
Era sucesso de economista.
Quando morava na cidade,
tinha sempre de prevenção
um airbag enfiado no peito.
Uma vez, no metropolitano,
aconteceu-lhe ser insultado
por um desses falhados na vida.
Embateu contra o insulto,
accionando o balão da indiferença.
Regressou a casa sem mazelas no corpo,
à excepção de um buraco na língua.
Cantava canções e ria e corria,
estava sempre pronto para mais um dia.
Às vezes julgava-se cobarde,
mas depois sentava-se a escrever
e crescia dentro de si
um senso de heroísmo quase histérico.
Tinha a sensação de que
quando morava na cidade,
os sentimentos estavam
mais devidamente engarrafados
nos músculos, nos nervos, nas articulações.
Isto foi antes de olhar para os pés
como quem olha para o céu,
antes da coluna se ter quebrado
de modo irreversível.
Isto foi antes dum muro de cansaço
se erguer à sua volta.
Antes da dor lhe ter obstruído
a vista para o rio, antes de ter escorregado
no mais glorioso dos seus dias.
Isto foi antes do dia em que a sorte
lhe bateu à porta da fome.
Hoje, mora numa espécie de dança
parada. Numa queda sem fim.
Olha para trás do corpo e vê:
um coração acelerado num homem lento,
um pulmão com setenta vezes sete
metros de fundura. Vê um poço vazio.
Henrique Manuel Bento Fialho
segunda-feira, 18 de julho de 2011
O Desvio
Como forma de justificar as inevitáveis medidas de austeridade adicionais, Passos falou no enorme desvio que encontrou nas contas públicas. Bastou ser ligeiramente pressionado pela opinião pública, como resultado do doloroso corte no subsídio de natal, para se começar a revelar verdadeiramente.
Não foi ele que disse que conhecia a situação económica do País em pormenor? Quem é que negociou directamente com o FMI o plano de resgate? Os senhores do Troika que tanto endeusou afinal não sabem fazer contas? Não foi Passos Coelho que anunciou solenemente ao país que com ele as queixas relativamente ao passado tinham acabado? Sr. Primeiro-Ministro faça o que tem a fazer e deixe-se de merdas.
No meio de tudo isto não posso deixar de simpatizar com o estilo desajeitado do novo Ministro das Finanças, o tal Gaspar. Tal como o anterior Teixeira dos Santos aliás, que também me merecia apreço. Só mesmo gajos muito malucos e como elevados níveis de masoquismo é que aceitam ir para aquele lugar...
Não foi ele que disse que conhecia a situação económica do País em pormenor? Quem é que negociou directamente com o FMI o plano de resgate? Os senhores do Troika que tanto endeusou afinal não sabem fazer contas? Não foi Passos Coelho que anunciou solenemente ao país que com ele as queixas relativamente ao passado tinham acabado? Sr. Primeiro-Ministro faça o que tem a fazer e deixe-se de merdas.
No meio de tudo isto não posso deixar de simpatizar com o estilo desajeitado do novo Ministro das Finanças, o tal Gaspar. Tal como o anterior Teixeira dos Santos aliás, que também me merecia apreço. Só mesmo gajos muito malucos e como elevados níveis de masoquismo é que aceitam ir para aquele lugar...
sábado, 16 de julho de 2011
A Previsibilidade
A natureza humana consegue ser tão previsível como o beijo apaixonado de um casal de namorados no despertar da Primavera….
quinta-feira, 14 de julho de 2011
O Seguro
A não ser que haja um volte-face de última hora absolutamente surpreendente, António José Seguro caminha a passos largos para ser o próximo secretário-geral do PS, o que significa mais coisa menos coisa que o PS se prepara com afinco para uma justa, merecida e longa travessia no deserto.
Seguro é o grau zero da política. Um depósito de lugares-comuns que construiu totalmente a sua imagem na hipocrisia reinante que domina os corredores dos principais partidos políticos. É um Idiota sem ideias próprias e com a mania do politicamente correcto. Toda a gente que priva com ele diz que é um gentleman, muito afável e receptivo. Descrições que para mim só provam a sua absoluta inutilidade e a sua impreparação para o lugar.
Comparativamente a Passos Coelho, que não é nem de perto nem de longe um líder carismático, Seguro perde aos pontos. O único aspecto em que leva vantagem face ao actual Primeiro-Ministro é ao nível da formação ideológica. Mas mesmo isso serve de pouco quando a mente que está associada a tal posicionamento (porventura ajustado face à realidade) é de uma limitação confrangedora. E, claro, as agências de comunicação não conseguem resolver todos os problemas...
Seguro é o grau zero da política. Um depósito de lugares-comuns que construiu totalmente a sua imagem na hipocrisia reinante que domina os corredores dos principais partidos políticos. É um Idiota sem ideias próprias e com a mania do politicamente correcto. Toda a gente que priva com ele diz que é um gentleman, muito afável e receptivo. Descrições que para mim só provam a sua absoluta inutilidade e a sua impreparação para o lugar.
Comparativamente a Passos Coelho, que não é nem de perto nem de longe um líder carismático, Seguro perde aos pontos. O único aspecto em que leva vantagem face ao actual Primeiro-Ministro é ao nível da formação ideológica. Mas mesmo isso serve de pouco quando a mente que está associada a tal posicionamento (porventura ajustado face à realidade) é de uma limitação confrangedora. E, claro, as agências de comunicação não conseguem resolver todos os problemas...
terça-feira, 12 de julho de 2011
O Livro
Jeremias olhava para passado com uma selecta nostalgia. Tinha memórias ricas e encantadoras. Podia sempre escrever um livro, mas não havia nenhuma editora chamada Misantropia…
A Europa do Sul
Já me tinha ocorrido diversas vezes como é que um país com os níveis de corrupção e os vícios estruturais da Itália estava a conseguir passar entre os pingos da chuva da crise. Berlusconi é um Charlatão sabido mas não consegue fazer milagres. Era inevitável a derrapagem e a proximidade geográfica da Grécia também não ajuda. O que vem reforçar para nós a absoluta necessidade da Espanha se aguentar firme à pressão dos mercados internacionais.
Obviamente que a Itália – um dos mais extraordinários e versáteis países do mundo – possui recursos para sobreviver à escalada dos juros mas a Europa pode não voltar a ser a mesma...
Obviamente que a Itália – um dos mais extraordinários e versáteis países do mundo – possui recursos para sobreviver à escalada dos juros mas a Europa pode não voltar a ser a mesma...
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Pequenas Mentiras Entre Amigos
Pequenas Mentiras Entre Amigos vem comprovar que uma banal crónica de costumes pode resultar num belíssimo filme. A narrativa anda às voltas com as angústias afectivas de um grupo de velhos amigos de classe média.
Com um naipe de grandes actores como François Cluzet, Gilles Lellouche, Benoit Magimel e Marion Cotillard este filme realizado pelo jovem realizador francês Guillaume Canet merece ser devidamente apreciado. O entretenimento que o argumento desponta talvez faça lembrar, aqui ou ali, estarmos perante um produto mais televisivo que cinematográfico, mas essa versatilidade de públicos é também um dos grandes mérito do filme. E, num tempo em que têm escasseado aquelas grandes realizações possíveis de ser comparáveis a verdadeiras obras-primas, este projecto 100 % francês ainda é do melhorzinho que anda por essas salas de cinema…
Com um naipe de grandes actores como François Cluzet, Gilles Lellouche, Benoit Magimel e Marion Cotillard este filme realizado pelo jovem realizador francês Guillaume Canet merece ser devidamente apreciado. O entretenimento que o argumento desponta talvez faça lembrar, aqui ou ali, estarmos perante um produto mais televisivo que cinematográfico, mas essa versatilidade de públicos é também um dos grandes mérito do filme. E, num tempo em que têm escasseado aquelas grandes realizações possíveis de ser comparáveis a verdadeiras obras-primas, este projecto 100 % francês ainda é do melhorzinho que anda por essas salas de cinema…
Eu
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem sorte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte,
Sou a crucificada...a dolorida...
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca
Eu sou a que na vida não tem sorte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte,
Sou a crucificada...a dolorida...
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca
sexta-feira, 8 de julho de 2011
O Leão Búlgaro
Bojinov é sem dúvida o jogador mais sonante que o Sporting contratou. É uma figura que certamente ira vender muitos jornais e revistas, até porque vem acompanhado da sua namorada: uma escultural e famosa modelo internacional. Como jogador, é um gajo de grandes golos e que dá sempre espectáculo, o que também é importante para entusiasmar. No entanto, parece também ser irregular como tudo.
Independentemente da sua faceta mais mediática, na apresentação foi correctíssimo na mensagem que passou. Já se percebeu que está habituado a lidar com a imprensa. Isto, porque foi uma das maiores promessas do futebol mundial, sendo que estagnou um pouco a sua evolução nos últimos tempos. Aposto que falará português em 3 tempos.
Quanto a outros dois jogadores apresentados nos últimos dias (Luís Aguiar e o jovem chileno de nome Rubio) confesso que não me entusiasmam por aí além, mas espero estar enganado.
Era muito importante a contratação de mais um extremo. Até porque Izmailov é sempre aquela incógnita. Cada vez que vai ao chão, pensamos logo que pode não se levantar. A renovação do seu contrato foi um grande risco, sendo que as suas qualidades são inegáveis.
Por outro lado, já me convenci que não vem nenhuma Truta, ou seja, um daqueles jogadores de créditos firmados que se impõem logo à partida só pelo nome. Gostava de estar enganado mas para mim isso é claro neste momento, sendo que também gosto de ser surpreendido. A questão é que o perfil de Domingos também desaconselha tais aventuras. Não acredito que ele queira uma vedeta com estatuto de tal no balneário. Basta analisar a forma como está a gerir a equipa. Dispensou todos os que podiam destabilizar (e bem) como Maniche, Caneira, Vuckevic, etc…
Independentemente da sua faceta mais mediática, na apresentação foi correctíssimo na mensagem que passou. Já se percebeu que está habituado a lidar com a imprensa. Isto, porque foi uma das maiores promessas do futebol mundial, sendo que estagnou um pouco a sua evolução nos últimos tempos. Aposto que falará português em 3 tempos.
Quanto a outros dois jogadores apresentados nos últimos dias (Luís Aguiar e o jovem chileno de nome Rubio) confesso que não me entusiasmam por aí além, mas espero estar enganado.
Era muito importante a contratação de mais um extremo. Até porque Izmailov é sempre aquela incógnita. Cada vez que vai ao chão, pensamos logo que pode não se levantar. A renovação do seu contrato foi um grande risco, sendo que as suas qualidades são inegáveis.
Por outro lado, já me convenci que não vem nenhuma Truta, ou seja, um daqueles jogadores de créditos firmados que se impõem logo à partida só pelo nome. Gostava de estar enganado mas para mim isso é claro neste momento, sendo que também gosto de ser surpreendido. A questão é que o perfil de Domingos também desaconselha tais aventuras. Não acredito que ele queira uma vedeta com estatuto de tal no balneário. Basta analisar a forma como está a gerir a equipa. Dispensou todos os que podiam destabilizar (e bem) como Maniche, Caneira, Vuckevic, etc…
Yellow – Coldplay
Não fui ao concerto mas fica aqui a recordação com um tema do, talvez, melhor álbum deles: Parachutes…
quarta-feira, 6 de julho de 2011
O Lixo
Somos considerados Lixo nos mercados internacionais, o que para o cidadão comum não devia aquecer nem arrefecer, diga-se. Mas que é mais um mau sintoma, disso não tenhamos dúvidas. E como dá na televisão, a malta fica aflita. O mais preocupante no diagnóstico da Moody’s é a antevisão que fazem da necessidade de um segundo pacote de ajuda, o que a acontecer, seria catastrófico para Portugal.
Se a Espanha também cair nas malhas do FMI é meio caminho andado para a nossa bancarrota. Mais que a Grécia que, continuo a achar, tem uma situação incomparável à nossa, importa perceber como se vão aguentando os nossos vizinhos do lado…
Se a Espanha também cair nas malhas do FMI é meio caminho andado para a nossa bancarrota. Mais que a Grécia que, continuo a achar, tem uma situação incomparável à nossa, importa perceber como se vão aguentando os nossos vizinhos do lado…
segunda-feira, 4 de julho de 2011
A Independência
Amigo Álvaro (visto que é assim que gostas de ser tratado) estou contigo. Por mim, podes avançar sem contemplações. E quando dizes que a nossa taxa de desemprego é assustadora também estou contigo, mas olha compete-te a ti invertê-la, percebes? E convém que alguém te lembre, antes de abrires a boca, que isto não é bem o Canadá…
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Hadewijch
Um filme de Bruno Dumont que percorre os caminhos da fé de uma jovem rapariga de nome Céline que vive apaixonadamente as suas convicções religiosas. Quando a jovem, filha de uma abastada e respeitada família, trava amizade com um grupo de jovens muçulmanos radicais embarca num perigoso mundo que vem complicar ainda mais a sua desordenada mente.
Dumont , do qual nunca tinha visto nenhum filme anteriormente, vacila aqui ou ali, mas consegue com um fim libertador justificar a sua aposta. De um ex-presidiário nasce a improvável redenção para a jovem Céline….
Dumont , do qual nunca tinha visto nenhum filme anteriormente, vacila aqui ou ali, mas consegue com um fim libertador justificar a sua aposta. De um ex-presidiário nasce a improvável redenção para a jovem Céline….
E vão 105
O Sporting Clube de Portugal faz hoje 105 anos e nada melhor para enaltecer a sua Grandeza que a mítica voz da mulher de cabelo verde….
quarta-feira, 29 de junho de 2011
O Programa
No meio de muitas medidas avulsas, sem aplicação prática, e que ficam muito bem no papel (problema de todos os programas de governo desde que me conheço) há opções de matéria essencial que tendencialmente concordo e outras que tendencialmente discordo no documento agora tornado público:
Concordo com a obrigação de um exame para os candidatos a professores independentemente da sua formação académica (agora, muito cuidado com o conteúdo e coerência dessa prova); concordo com o princípio das rescisões por mútuo acordo na administração pública; concordo com a privatização do canal 1 da RTP mantendo o segundo canal (concordo somente se for esta a opção) e concordo com a ideia de os Ministérios serem penalizados por gastarem mais que o orçamentado no ano anterior.
Discordo linearmente da privatização total da TAP e do fim das golden shares em instituições de crucial sensibilidade para a economia do País como a PT ou CGD, por exemplo; discordo da escandalosa linha de pensamento - própria de vulgares filisteus - que sustenta que o apoio ao cinema e ao teatro devem ficar dependente das receitas de bilheteira (Francisco José Viegas, pira-te enquanto antes), e discordo absolutamente da suspensão do TGV Lisboa-Madrid, pois num país periférico como o nosso é uma obra de importância estratégica fundamental, e que assim nos manterá por tempo indeterminado no terceiro mundo das linhas férreas...
Concordo com a obrigação de um exame para os candidatos a professores independentemente da sua formação académica (agora, muito cuidado com o conteúdo e coerência dessa prova); concordo com o princípio das rescisões por mútuo acordo na administração pública; concordo com a privatização do canal 1 da RTP mantendo o segundo canal (concordo somente se for esta a opção) e concordo com a ideia de os Ministérios serem penalizados por gastarem mais que o orçamentado no ano anterior.
Discordo linearmente da privatização total da TAP e do fim das golden shares em instituições de crucial sensibilidade para a economia do País como a PT ou CGD, por exemplo; discordo da escandalosa linha de pensamento - própria de vulgares filisteus - que sustenta que o apoio ao cinema e ao teatro devem ficar dependente das receitas de bilheteira (Francisco José Viegas, pira-te enquanto antes), e discordo absolutamente da suspensão do TGV Lisboa-Madrid, pois num país periférico como o nosso é uma obra de importância estratégica fundamental, e que assim nos manterá por tempo indeterminado no terceiro mundo das linhas férreas...
terça-feira, 28 de junho de 2011
Os Motoristas
Continuando na senda do serviço público que sempre caracterizou este blogue, sugiro o extermínio imediato da categoria de motoristas que proliferam na administração pública em Portugal. É aproveitar a pedalada proveniente da extinção dos Governos Civis para acabar de vez com esse atentado. Um mero assessor de um secretário de estado tem direito a um motorista, um sub-secretário de estado tem direito a outro motorista e, por aí adiante num delapidar contínuo do erário público. Em qualquer instituto público há no mínimo dois motoristas. Porque é que um qualquer assessor (de um ministro ou secretário de estado) não pode andar de transportes públicos ou na sua viatura pessoal? Não confia na fiabilidade dos transportes do Estado – o seu omnipresente empregador? O seu tempo é mais precioso que de um outro qualquer cidadão que contribua para o Produto Interno Bruto Nacional de forma efectiva?
Imagino que os motoristas na função pública serão aos milhares, sem falar nas autarquias que cada uma deve ter no mínimo dois, dependendo claro está do tamanho do município. Obviamente que nada me move contra tais profissionais cujas funções passam por zelar pelas viaturas, além claro, de conduzirem as eminências pardas aos respectivos destinos muitas vezes fora do horário normal de trabalho; situações que, importa salientar, acarretam o pagamento de horas extraordinárias aos diligentes funcionários. Agora, que se poupava muito, muito, disso não tenho dúvidas. É mandá-los para casa, pagar-lhes as respectivas indemnizações pela lei actual e salvaguardar-lhes todos os direitos no sentido de poderem refazer a sua vida. Neste hipotético cenário, começava a acreditar que Passos Coelho teria a coragem para mudar alguma coisa de relevante. Até aqui, tudo não passa de fogo de vista. Chamem-lhe estado de graça se quiserem, mas eu já vi este filme demasiadas vezes….
Este homem que esperou
Este homem que esperou
humilde em sua casa
que o sol lavasse a cara
ao seu desgosto
Este homem que esperou
à sombra de uma árvore
mudar a direcção
ao seu pobre destino
Este homem que pensou
com uma pedra na mão
transformá-la num pão
transformá-la num beijo
Este homem que parou
no meio da sua vida
e se sentiu mais leve
que a sua própria sombra
António Ramos Rosa
humilde em sua casa
que o sol lavasse a cara
ao seu desgosto
Este homem que esperou
à sombra de uma árvore
mudar a direcção
ao seu pobre destino
Este homem que pensou
com uma pedra na mão
transformá-la num pão
transformá-la num beijo
Este homem que parou
no meio da sua vida
e se sentiu mais leve
que a sua própria sombra
António Ramos Rosa
segunda-feira, 27 de junho de 2011
A Estupefacção
O Futebol Português não para de surpreender e prova que tudo, mesmo tudo, é possível no mundo da bola. A manutenção de Villas-Boas como treinador do porto para a próxima época era para mim um dado adquirido. A única explicação que encontro é que Vilas-Boas na ânsia de seguir as pisadas de Mourinho pensa efectivamente que tem mais hipóteses de ganhar a Champions no Chelsea do que no porto e, relembre-se, no clube inglês Mourinho não foi campeão europeu. Isto e mais o contrato milionário, claro está, que não deve ser negligenciado para quem deseja ter uma carreira curta. O gajo achou que vencer a Champions no porto (que é a ambição natural dos adeptos porque estão habituados a isso – mérito de pinto da costa) seria inconcretizável e resolveu partir. E assim fica com mais hipóteses de ganhar na comparação com o The Special One. No porto, o máximo que poderia atingir era igualá-lo, e mesmo isso seria altamente improvável.
Assim, será uma excelente época para o meu Sporting surpreender tudo e todos. O porto vai estar em transição e não acredito que, pelo menos, Falcão fique. E o benfica de Jesus à primeira derrota vai entrar certamente em ebulição…
domingo, 26 de junho de 2011
A Demagogia
Passos não poupou dinheiro porque o Governo não paga bilhetes na TAP
Apesar de tudo Senhor Primeiro-Ministro, vale pela intenção. Eu diria mesmo que já começou a aprender umas coisas com o seu parceiro de coligação....
quarta-feira, 22 de junho de 2011
O Sol da Aurora
Temos uma mulher a presidir ao Parlamento. Menos mau.
Temos um Governo recém-empossado que acaba com os dezoito Governos Civis. Medida que só peca por tardia, sendo que as críticas e os pedidos de demissão dos governadores civis ainda em exercício são legítimas e até compreensíveis. A verdade é que as funções que lhes competem – algumas importantes ao nível da prevenção – podem sem dificuldades, e seguindo critérios de razoabilidade, serem efectuadas por outras entidades já existentes. Em termos práticos, a maior utilidade dos mesmos para quem estava no poder era alimentar o clientelismo e silenciar quem não tinha lugar no Governo, servindo assim como uma espécie de prémio de consolo para os contemplados.
Mas isto é só o início. A moral de Passos Coelho termina aqui. Agora é começar a nomear os laranjinhas para tudo o que é empresa pública e afins. Portugal não muda assim. Os ingleses chamar-lhe-iam Morning Glory...
Temos um Governo recém-empossado que acaba com os dezoito Governos Civis. Medida que só peca por tardia, sendo que as críticas e os pedidos de demissão dos governadores civis ainda em exercício são legítimas e até compreensíveis. A verdade é que as funções que lhes competem – algumas importantes ao nível da prevenção – podem sem dificuldades, e seguindo critérios de razoabilidade, serem efectuadas por outras entidades já existentes. Em termos práticos, a maior utilidade dos mesmos para quem estava no poder era alimentar o clientelismo e silenciar quem não tinha lugar no Governo, servindo assim como uma espécie de prémio de consolo para os contemplados.
Mas isto é só o início. A moral de Passos Coelho termina aqui. Agora é começar a nomear os laranjinhas para tudo o que é empresa pública e afins. Portugal não muda assim. Os ingleses chamar-lhe-iam Morning Glory...
terça-feira, 21 de junho de 2011
Viagem a Portugal
Viagem a Portugal é um filme de Sérgio Tréfaut que aborda as contingências, por vezes desumanas, do controle de estrangeiros nos aeroportos europeus.
Maria, uma médica ucraniana interpretada por Maria de Medeiros, aterra no aeroporto de Faro em Portugal, com visto de turismo, e com o objectivo de se juntar ao marido senegalês que trabalha nas obras da Expo, decorria então o ano de 1997. Maria vai embater de frente com a inflexibilidade de um sistema cego cujo principal rosto é assumido por uma inspectora preconceituosa interpretada por Isabel Ruth.
Tréfaut parte de uma abordagem original com cenários minimalistas rodados a preto e branco. O filme baseado num caso verídico conta a história com precisão, sem entrar por outros caminhos que o podiam tornar mais interessante. É de realçar no entanto o fio condutor e a extrema coerência de toda a obra do realizador que tem tido o mérito de pôr o país a pensar sobre as prementes questões da imigração…
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Nobre Day
Qualquer que seja o desfecho final da votação de Fernando Nobre para presidente do parlamento há um derrotado à partida: o próprio. Mesmo que vença, o povo cá fora não o quer lá certamente. E fica como um excelente estudo de caso para o futuro. Como é que um tipo com uma actividade de cidadania activa, meritória e respeitável perde toda a credibilidade num abrir e fechar de olhos?...
Só dos Mortos Devemos Ter Ciúmes
Só dos mortos devemos ter ciúmes; acordar
de entre as pedras doentes dolorosos
que da beira das arribas nos atirem ao porto
onde enfim se encontre a nossa angústia.
Só eles lutam palmo a palmo pelo espaço
em que já vertical erguemos nosso braço
em busca de que sumo ou de que céu. É que só eles
nos retiram da cama de que por nós foi feita
a escolha: a macieza intensa que julgámos
eterna, que nos parecia tão cordatamente
entregue à nossa própria suma sumaúma.
Só os mortos, horror, inda que vivos, vivem
paredes meias com os nossos dedos, logo afastam
os momentos ferozes que tocássemos, e as nuvens
por sobre o mar dos olhos: é bem feito,
dizem os meninos. Pois que dos vivos vivos
a vida nos desvia e nisso nos conduz, assaz
encaminhados pelo que vamos querendo.
Só os mortos nos mordem, nos apontam
a dedo frio e tenso, entorpecem desejos
e, pois pior, só eles nos expulsam
do vero som dos sinos numa entrega
às palavras baldadas do comércio.
A luta clara que sonhada fosse
pela mão dada e limpa que nos dessem
tropeça, polvo, com misérias nossas
e enterra-te na pérfida, agoniada leira
onde dominam eles nossas bocas e o sangue
que nelas perpassasse. Só os mortos,
invisíveis, letais, pesados entes,
nos disputam a vida, e só por fim nos matam.
Pedro Tamen
de entre as pedras doentes dolorosos
que da beira das arribas nos atirem ao porto
onde enfim se encontre a nossa angústia.
Só eles lutam palmo a palmo pelo espaço
em que já vertical erguemos nosso braço
em busca de que sumo ou de que céu. É que só eles
nos retiram da cama de que por nós foi feita
a escolha: a macieza intensa que julgámos
eterna, que nos parecia tão cordatamente
entregue à nossa própria suma sumaúma.
Só os mortos, horror, inda que vivos, vivem
paredes meias com os nossos dedos, logo afastam
os momentos ferozes que tocássemos, e as nuvens
por sobre o mar dos olhos: é bem feito,
dizem os meninos. Pois que dos vivos vivos
a vida nos desvia e nisso nos conduz, assaz
encaminhados pelo que vamos querendo.
Só os mortos nos mordem, nos apontam
a dedo frio e tenso, entorpecem desejos
e, pois pior, só eles nos expulsam
do vero som dos sinos numa entrega
às palavras baldadas do comércio.
A luta clara que sonhada fosse
pela mão dada e limpa que nos dessem
tropeça, polvo, com misérias nossas
e enterra-te na pérfida, agoniada leira
onde dominam eles nossas bocas e o sangue
que nelas perpassasse. Só os mortos,
invisíveis, letais, pesados entes,
nos disputam a vida, e só por fim nos matam.
Pedro Tamen
sexta-feira, 17 de junho de 2011
A Grandeza
A Enormidade de um Clube vê-se nestes pormenores. Reparem bem na forma como este jovem adepto Sportiguista resolveu dar as boas-vindas ao novo reforço holandês apresentado ontem à noite, o quase impronunciável Stijn Schaars...
O Acordo
O Governo muda mas os mercados continuam a castigar severamente a nobre nação imortal. Curiosamente a situação até se agravou nos últimos dias. Mais preocupante que o descalabro grego é os indícios de que a Espanha pode também cair nas malhas do resgate externo e, nesse cenário, as complicações assumiriam para nós repercussões incalculáveis. O nosso futuro a médio-prazo dependerá bastante do nosso vizinho ibérico onde o desemprego assume hoje taxas inacreditáveis. E o tempo é bem capaz de confirmar esta mera suposição.
Numa análise serena, a nova aliança maioritária de direita (Passos-Portas) tem tudo para se manter no poder durante 8 anos no mínimo. Passos Coelho com um perfil mais humano e menos politico que Sócrates - o que obviamente o favorece - terá de início alguma benevolência da população em geral, sem no entanto atingir o habitual estado de graça dos primeiros tempos de outros governantes. Isto também um pouco por força das circunstâncias. Imporá medidas duríssimas de entrada e passados os dois primeiros anos de austeridade começa a trabalhar para a reeleição com a bênção de Cavaco. Agora, isto acontecerá no plano teórico. Por vezes, a realidade prega partidas e entra sem pedir licença…
quarta-feira, 15 de junho de 2011
O Despertar do Leão
Uma olhadela de Leão pelos últimos tempos na vida do Grande Sporting.
Positivo:
- O Futsal - grande equipa. Seria uma tremenda injustiça se não fossem campeões com um verdadeiro Leão (João Benedito) como estandarte. É importante também para alimentar as paixões numa época catastrófica em que nem o habitual futebol de formação ou o andebol conseguiram trazer alegrias;
- A descrição na contratação do holandês Van Wolfswinkel e o assumir de Luís Duque como chefe à antiga do futebol, ainda para mais com poderes reforçados. Mérito de Godinho Lopes. Competência é pôr quem sabe a tratar das coisas importantes. O resto são balelas;
- A saída de Couceiro. Tenho pena mas é positivo. Prestou serviços de relevo e é um grande sportinguista mas a verdade é que era gente a mais na estrutura com tendência para se atropelarem uns aos outros e por isso contribuírem para a destabilização. Espero que Couceiro regresse um dia pela porta grande porque merece;
- Aceito e até acho bom sinal que Domingos queira continuar com Polga (nunca como titular). Prova que sabe o que quer e que necessita de experiência no balneário e gente com anos de casa. As grandes equipas constroem-se assim.
Negativo:
- Perceber que continuamos atrás dos rivais ao nível do poderio financeiro que permite fechar contratações com rapidez. É um facto. Obviamente que agora temos gente com critério a tratar do assunto, o que não acontecia até aqui. Gente que vai tentar diminuir o fosso para os adversários mais directos, mas esse fosso financeiro parece-me que continua a existir, infelizmente para nós;
- A situações de Maniche, Caneira, Vuckevic e Grimi que tardam em ser resolvidas. A meu ver nenhum deles tem perfil para ser enquadrado neste novo ciclo;
- Reforça-se o Departamento Médico mas mantém-se o líder do mesmo, como se não fosse ele o principal responsável pelas asneiras todas cometidas ao longo das últimas épocas.
A sensação que tenho é que para esta direcção conseguir levantar definitivamente o gigante adormecido, o Sporting tem nos próximos anos, além de ser Campeão claro, ganhar uma liga europa ou ir longe numa Champions. Estamos a entrar numa fase crucial para a afirmação do clube. Corremos o risco de perder o comboio dos outros dois concorrentes. Por isso, mãos à obra rapaziada...
Positivo:
- O Futsal - grande equipa. Seria uma tremenda injustiça se não fossem campeões com um verdadeiro Leão (João Benedito) como estandarte. É importante também para alimentar as paixões numa época catastrófica em que nem o habitual futebol de formação ou o andebol conseguiram trazer alegrias;
- A descrição na contratação do holandês Van Wolfswinkel e o assumir de Luís Duque como chefe à antiga do futebol, ainda para mais com poderes reforçados. Mérito de Godinho Lopes. Competência é pôr quem sabe a tratar das coisas importantes. O resto são balelas;
- A saída de Couceiro. Tenho pena mas é positivo. Prestou serviços de relevo e é um grande sportinguista mas a verdade é que era gente a mais na estrutura com tendência para se atropelarem uns aos outros e por isso contribuírem para a destabilização. Espero que Couceiro regresse um dia pela porta grande porque merece;
- Aceito e até acho bom sinal que Domingos queira continuar com Polga (nunca como titular). Prova que sabe o que quer e que necessita de experiência no balneário e gente com anos de casa. As grandes equipas constroem-se assim.
Negativo:
- Perceber que continuamos atrás dos rivais ao nível do poderio financeiro que permite fechar contratações com rapidez. É um facto. Obviamente que agora temos gente com critério a tratar do assunto, o que não acontecia até aqui. Gente que vai tentar diminuir o fosso para os adversários mais directos, mas esse fosso financeiro parece-me que continua a existir, infelizmente para nós;
- A situações de Maniche, Caneira, Vuckevic e Grimi que tardam em ser resolvidas. A meu ver nenhum deles tem perfil para ser enquadrado neste novo ciclo;
- Reforça-se o Departamento Médico mas mantém-se o líder do mesmo, como se não fosse ele o principal responsável pelas asneiras todas cometidas ao longo das últimas épocas.
A sensação que tenho é que para esta direcção conseguir levantar definitivamente o gigante adormecido, o Sporting tem nos próximos anos, além de ser Campeão claro, ganhar uma liga europa ou ir longe numa Champions. Estamos a entrar numa fase crucial para a afirmação do clube. Corremos o risco de perder o comboio dos outros dois concorrentes. Por isso, mãos à obra rapaziada...
domingo, 12 de junho de 2011
As Bodas
A Platina é só para quem a merece. A dádiva não é para quem quer, é para quem sabe. Apesar de por vezes a Anciã parecer alheada da própria vida.
Jeremias, que sabia não poder ambicionar grandes concretizações ao nível das bodas, curvava-se perante tamanha façanha. A vidinha não é para todos…
Jeremias, que sabia não poder ambicionar grandes concretizações ao nível das bodas, curvava-se perante tamanha façanha. A vidinha não é para todos…
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