Perderam-se horas e horas a dissertar sobre o assunto. Escreveram-se bíblias com diferentes teses sobre o tema. Havia inclusive correntes que, imagine-se, defendiam uma redução de 8 %. Passos Coelho fez dessa hipotética redução um dos seus mais marcantes compromissos eleitorais. Eu sempre estranhei tamanha generosidade. Agora, conclui-se o óbvio. Que não há margem nas contas do estado nem para diminuir uma migalha nos custos do trabalho. Nos impostos continuamos a ser incapazes de cortar. Pelos últimos desenvolvimentos, começa a ganhar forma a ideia de o País ser ingovernável. A derradeira esperança é acontecer algo semelhante ao que ocorreu com o Manchester City que foi comprado por um Árabe maluco cheio de pilim. O clube Inglês voltou a ser Grande…
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Não Há Nada P'ra Ninguém - Mário Mata
O Hino nacional dos tempos modernos. Assenta-nos que nem uma luva. Retrata a verdadeira essência do ser português nos tempos que correm…
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
A Maioria
Não percebo o nosso sistema eleitoral, os métodos que utiliza e a terminologia que lhe está associada. Em grande medida, serve para driblar os princípios inerentes à própria democracia que preconiza. Está obsoleto e carece também de reforma imediata.
Jardim ontem na Madeira, e Cavaco há meses na primeira volta das eleições presidenciais, foram eleitos com os votos expressos de menos de metade dos eleitores que compareceram nas urnas para exercer o seu direito. Utilizar em ambos os casos a expressão maioria absoluta é completamente estúpido. Utilizar a palavra maioria é deveras enganador. A Maioria não votou neles...
Jardim ontem na Madeira, e Cavaco há meses na primeira volta das eleições presidenciais, foram eleitos com os votos expressos de menos de metade dos eleitores que compareceram nas urnas para exercer o seu direito. Utilizar em ambos os casos a expressão maioria absoluta é completamente estúpido. Utilizar a palavra maioria é deveras enganador. A Maioria não votou neles...
sábado, 8 de outubro de 2011
O Francisco
Francisco José Viegas, vulgo secretário de estado da cultura com c pequeno, diz que actualmente somente 36 % das entradas em museus é que são pagas, sendo as restantes gratuitas. Eu até acredito que actualmente a realidade seja essa. O que é inconcebível é que FJV assuma como objectivo que a curto-prazo essa proporção passe para 80 % numa medida que visa claramente um regresso ao passado, e em claro sentido contrário ao que cada vez mais é prática generalizada no mundo civilizado.
O país regride e de que maneira na cultura. Depois, porque gosto de me rir, mostrem-me por favor a evolução do número de visitantes dos museus nacionais dos próximos anos. Portugal caminha para a uma política de perpetuação da ignorância e ainda querem aplausos. É altura, antes de cairmos em definitivo no abismo, de chamarmos as coisas pelos nomes. Pactuar com isto é criminoso...
O país regride e de que maneira na cultura. Depois, porque gosto de me rir, mostrem-me por favor a evolução do número de visitantes dos museus nacionais dos próximos anos. Portugal caminha para a uma política de perpetuação da ignorância e ainda querem aplausos. É altura, antes de cairmos em definitivo no abismo, de chamarmos as coisas pelos nomes. Pactuar com isto é criminoso...
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
O Epitáfio
Aqui jaz um homem simples que viveu num mundo complexo...
Explicação detalhada que virá na brochura alusiva ao evento a ser entregue aos (às) alegres convidados (as):
Homem esse que também complicou muitas vezes o mundo onde viveu. Que quebrou promessas, fruto de circunstâncias várias. Que pecou muito desde cedo. Que foi muitas vezes injusto nos julgamentos que efectuou. Que levou sempre a ironia ao limite do aceitável. Que magoou pessoas que não mereciam ser magoadas. Que se colocou em situações completamente absurdas por culpa própria. Que meteu os outros em situações absurdas. Mas que foi sempre, sempre fiel ao lugar-comum da sinceridade, mesmo que para isso tenha de faltar à palavra que prometeu antes. E foi Humano, sempre!...
Explicação detalhada que virá na brochura alusiva ao evento a ser entregue aos (às) alegres convidados (as):
Homem esse que também complicou muitas vezes o mundo onde viveu. Que quebrou promessas, fruto de circunstâncias várias. Que pecou muito desde cedo. Que foi muitas vezes injusto nos julgamentos que efectuou. Que levou sempre a ironia ao limite do aceitável. Que magoou pessoas que não mereciam ser magoadas. Que se colocou em situações completamente absurdas por culpa própria. Que meteu os outros em situações absurdas. Mas que foi sempre, sempre fiel ao lugar-comum da sinceridade, mesmo que para isso tenha de faltar à palavra que prometeu antes. E foi Humano, sempre!...
terça-feira, 4 de outubro de 2011
O Contabilista Melancólico
O título deste post foi usurpado a uma das últimas crónicas de Vasco Pulido Valente com quem partilho algumas opiniões, não muitas. Isto, porque o Mundo segue para um lado e VPV segue orgulhosa e solitariamente para o outro. No entanto, sempre que possível, não dispenso as suas cirúrgicas palavras.
Com o Contabilista Melancólico, Pulido Valente refere-se obviamente ao nosso Ministro das Finanças. E até nos vem a vontade de rever Vítor Gaspar a mastigar lentamente as palavras, a pesar meticulosamente a substância dos seus dizeres, a dissecar o alcance das suas preposições financeiras. É uma melancolia épica a do nosso Ministro. Um desencanto, sempre em crescendo, proporcional ao afundamento das nossas contas públicas. O Homem é o perfeito espelho do que representa. Este Gaspar é um Senhor….
Com o Contabilista Melancólico, Pulido Valente refere-se obviamente ao nosso Ministro das Finanças. E até nos vem a vontade de rever Vítor Gaspar a mastigar lentamente as palavras, a pesar meticulosamente a substância dos seus dizeres, a dissecar o alcance das suas preposições financeiras. É uma melancolia épica a do nosso Ministro. Um desencanto, sempre em crescendo, proporcional ao afundamento das nossas contas públicas. O Homem é o perfeito espelho do que representa. Este Gaspar é um Senhor….
Senhora de Londres escolhendo Limões
Não, nem todo o limão é amarelo quando
A mão de alguém o toca e humaniza, pequeno deus
Aos tombos do céu de um pensamento manual e
Exigente. Às vezes, quando a sede não é muita,
Um do fundo é erguido à altura do olhar e então,
Por mágica rotação da sorte que nos astros se reflecte,
Encontra uma outra luz na mão que o recebe e deposita
Em morada assaz prosaica e de plástico. Na vida,
A caminho do futuro que ele nunca saberá onde fica,
O limão continuará a ser inteiro
E o seu sumo continuará a ser sumo,
Pela mesma sábia razão por que a história dos homens
É sempre muito maior do que eles.
Rui Costa
A mão de alguém o toca e humaniza, pequeno deus
Aos tombos do céu de um pensamento manual e
Exigente. Às vezes, quando a sede não é muita,
Um do fundo é erguido à altura do olhar e então,
Por mágica rotação da sorte que nos astros se reflecte,
Encontra uma outra luz na mão que o recebe e deposita
Em morada assaz prosaica e de plástico. Na vida,
A caminho do futuro que ele nunca saberá onde fica,
O limão continuará a ser inteiro
E o seu sumo continuará a ser sumo,
Pela mesma sábia razão por que a história dos homens
É sempre muito maior do que eles.
Rui Costa
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
O Acordo Ortográfico
Não é discussão que me entusiasme por aí além, ou que me faça perder o sono. Mas em determinadas circunstâncias sou assaltado por uma dúvida metafísica: Porque é que um povo que no geral sempre escreveu mal (apesar de sermos um país de poetas, essencialmente frustrados) tem agora de seguir os trâmites do novo acordo como se fosse uma coisa absolutamente imprescindível e dela dependesse o futuro da humanidade?
Faz sentido numa determinada perspectiva? Aceito. Diminui gradualmente as assimetrias linguísticas existentes entre quem, para todos os efeitos, fala a mesma língua? É capaz de ser verdade. Agora obrigarem o Povinho, onde orgulhosamente me incluo, a escrever de certa forma a partir de determinada data é conversa de proxenetas insípidos. Preocupem-se em resolver os reais problemas das pessoas que falam a tal língua que tanto enaltecem…
Faz sentido numa determinada perspectiva? Aceito. Diminui gradualmente as assimetrias linguísticas existentes entre quem, para todos os efeitos, fala a mesma língua? É capaz de ser verdade. Agora obrigarem o Povinho, onde orgulhosamente me incluo, a escrever de certa forma a partir de determinada data é conversa de proxenetas insípidos. Preocupem-se em resolver os reais problemas das pessoas que falam a tal língua que tanto enaltecem…
domingo, 2 de outubro de 2011
A Nossa Vida
Um filme italiano com a realização de Daniele Luchetti que me agradou vivamente e cujo argumento reflecte na perfeição este conturbado mundo em que vivemos. É um filme com pessoas dentro, que permite recuperar algum do fulgor inerente ao bom cinema italiano.
Claudio e Elena vivem num bairro periférico de Roma com dois filhos e esperam um terceiro. Ele trabalha na construção civil e ela é mãe a tempo inteiro. Uma inesperada tragédia vem alterar tudo.
O que mais me parece de destacar é a crítica social subjacente. Uma caricatura daquela Itália que vive ostensivamente com base na imagem e valoriza o parecer em detrimento do ser. Com alguma xenofobia implícita, também. É curioso como Italianos e Portugueses, apesar de viverem em realidades muito distintas, passeiam tranquilamente pelos mesmos trilhos de hipocrisia.
Este drama esteve em competição pela Palma de Ouro na edição de 2010 do Festival de Cannes, onde Elio Germano arrebatou o prémio de melhor actor. Independentemente disso, não acho que estejamos perante um filme de grandes actores e de grandes interpretações. Aliás, apesar da evitável redenção final, não consigo simpatizar com Claudio...
Claudio e Elena vivem num bairro periférico de Roma com dois filhos e esperam um terceiro. Ele trabalha na construção civil e ela é mãe a tempo inteiro. Uma inesperada tragédia vem alterar tudo.
O que mais me parece de destacar é a crítica social subjacente. Uma caricatura daquela Itália que vive ostensivamente com base na imagem e valoriza o parecer em detrimento do ser. Com alguma xenofobia implícita, também. É curioso como Italianos e Portugueses, apesar de viverem em realidades muito distintas, passeiam tranquilamente pelos mesmos trilhos de hipocrisia.
Este drama esteve em competição pela Palma de Ouro na edição de 2010 do Festival de Cannes, onde Elio Germano arrebatou o prémio de melhor actor. Independentemente disso, não acho que estejamos perante um filme de grandes actores e de grandes interpretações. Aliás, apesar da evitável redenção final, não consigo simpatizar com Claudio...
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
O Isaltino
Querem prender o bom do Isaltino? Livrem-se disso, seus ingratos. De Oeiras à Suíça, passando pelas belas terras do Mindelo, todos conhecem a sua abnegada generosidade. Mas porquê agora? Pergunto eu.
Porque os Juízes neste país à beira-mar plantado decidem de jornal na mão e de olho no ecrã. Quando a indignação geral cresce, decidem finalmente agir. A grosso modo reina a impunidade mas convém ir ludibriando a pobre ralé. Lembrem-se de Vale e Azevedo, lembrem-se do processo Casa Pia? Isaltino é a primeira vítima das diabruras de Jardim na Madeira. Num sistema onde imperasse a mais banal justiça, Isaltino já estava dentro há pelo menos 5 anos, mas em Portugal a justiça funciona a reboque dos media.
Que o destino nos salve de cair nas mãos desta justiça de mercearia...
Porque os Juízes neste país à beira-mar plantado decidem de jornal na mão e de olho no ecrã. Quando a indignação geral cresce, decidem finalmente agir. A grosso modo reina a impunidade mas convém ir ludibriando a pobre ralé. Lembrem-se de Vale e Azevedo, lembrem-se do processo Casa Pia? Isaltino é a primeira vítima das diabruras de Jardim na Madeira. Num sistema onde imperasse a mais banal justiça, Isaltino já estava dentro há pelo menos 5 anos, mas em Portugal a justiça funciona a reboque dos media.
Que o destino nos salve de cair nas mãos desta justiça de mercearia...
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
O Homem que Adicionava Amigos
Acordava na esperança de mais um dia risonho. Era um optimista por natureza. A riqueza dos seus momentos era proporcional ao número de likes somados. Cada like funcionava como um novo alento. Fortalecia-lhe a ambição. Alimentava-se da curiosidade alheia porque percebeu que a vida dos outros é sempre mais interessante que a nossa. Adicionava amigos com a superficialidade com que cumprimentava a porteira do prédio. Um dia já envelhecido, depois de uma vida cheia de sumptuosidades, adicionou a palavra morte.
Nunca chegou a perceber o verdadeiro significado da palavra amizade...
Nunca chegou a perceber o verdadeiro significado da palavra amizade...
Just Girls - Amarguinhas
As Amarguinhas é uma cena que me assiste. Tenho pena que estas moças não tenham dado o devido seguimento às suas carreiras. Este just girls fazia sentido. Reconheço no entanto que esta predilecção está imensamente condicionada pelo meu gosto por amêndoa amarga com gelo e limão….
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Promessas de Leão
Apesar de continuar a ser cedo para tirar conclusões definitivas relativamente à equipa e aos craques que a compõe (vou aguardar pela décima jornada para fazer uma avaliação mais precisa) é já claro que, ao contrário do passado mais recente, temos matéria-prima de qualidade. Contudo é necessário dar tempo a estes miúdos para se integrarem. E depois, tudo é muito imprevisível. Por exemplo o Diego Rubio, que já todos pensávamos na pré-época que seria o próximo Cristiano Ronaldo, agora nem dá para perceber muito bem o que vale na realidade, pois não tem jogado tempo algum.
André Carrilho aparentemente tem muito potencial e um futebol que entusiasma, mas tem ainda muito que aprender ao nível táctico. É um jogador parecido com Matias, a meu ver, mesmo jogando em posições diferentes.
Wolf é avançado com escola e tem mesmo o tal instinto de Lobo na área. Espero que não se deslumbre com tanto mediatismo, pois tem somente 22 anos. Desejo é que nenhum deles tenha lesões graves que atrapalhe o seu desenvolvimento. Jeffren e o Aguiar já estão no estaleiro há meses. Aí, é que continuamos com galo.
Aqueles inolvidáveis 8 minutos de Paços de Ferreira em que se virou um resultado de 2-0 para 2-3 podem ter sido o início de uma época extraordinária. O Futebol é cheio destes fantásticos episódios que perduram na história. Até a Prometer, somos Grandes e Únicos.
Adenda: Luís Aguiar já era...
André Carrilho aparentemente tem muito potencial e um futebol que entusiasma, mas tem ainda muito que aprender ao nível táctico. É um jogador parecido com Matias, a meu ver, mesmo jogando em posições diferentes.
Wolf é avançado com escola e tem mesmo o tal instinto de Lobo na área. Espero que não se deslumbre com tanto mediatismo, pois tem somente 22 anos. Desejo é que nenhum deles tenha lesões graves que atrapalhe o seu desenvolvimento. Jeffren e o Aguiar já estão no estaleiro há meses. Aí, é que continuamos com galo.
Aqueles inolvidáveis 8 minutos de Paços de Ferreira em que se virou um resultado de 2-0 para 2-3 podem ter sido o início de uma época extraordinária. O Futebol é cheio destes fantásticos episódios que perduram na história. Até a Prometer, somos Grandes e Únicos.
Adenda: Luís Aguiar já era...
domingo, 25 de setembro de 2011
O Umbiguismo
A vontade de punir criminalmente Jardim é tão absurda como absurdo é a dimensão do buraco escondido pelo líder Madeirense. Concordo com a sua punição ao nível penal, se e só se, ficar provado que beneficiou pessoalmente das suas políticas de esbanjamento de fundos públicos.
Nessa perspectiva justiceira, defendida por exemplo também pelo grande Medina Carreira, por uma questão de lucidez todos os governantes deviam ser culpados. Devendo começar a Purga pelo actual Presidente da República que foi quem teve lá mais tempo, e por esse motivo, o que mais tempo pactuou com as escavadoras Jardim.
Nessa perspectiva justiceira, defendida por exemplo também pelo grande Medina Carreira, por uma questão de lucidez todos os governantes deviam ser culpados. Devendo começar a Purga pelo actual Presidente da República que foi quem teve lá mais tempo, e por esse motivo, o que mais tempo pactuou com as escavadoras Jardim.
O ponto crucial desta discussão é perceber como foi possível - num país que viveu debaixo de uma ditadura de 48 anos com os resultados que se conhecem - o sistema político ter permitido que um qualquer individuo se perpetuasse no poder durante 33 anos?
E o mais engraçado é que numa sociedade de fachada, microscópica, onde todos devem favores a todos, demorou-se cerca de 30 e tal anos a perceber que a limitação de mandatos era uma medida essencial para o desenvolvimento do País.
E o mais engraçado é que numa sociedade de fachada, microscópica, onde todos devem favores a todos, demorou-se cerca de 30 e tal anos a perceber que a limitação de mandatos era uma medida essencial para o desenvolvimento do País.
Outros que se deviam também sentar no banco dos réus são os próprios órgãos de comunicação social. Como foi possível, ninguém ter investigado a fundo as contas de Jardim na Madeira? Até porque as televisões e principais jornais têm meios e recursos para isso. Bastava que os Senhores Directores lessem Blogues, por sinal. Era tão óbvio. E nem sequer vou falar de alguma insensatez e até leviandade que existe hoje na comunicação social a abordar o tema. Parece que em cada Madeirense há um perigoso caloteiro. Como se todos os Madeirenses se chamassem Alberto João. Aposto que muitos destes iluminados da justiça a quem de repente se fez luz, votavam sem hesitar em Jardim caso fossem Madeirenses. Estariam-se marimbando para a solidariedade nacional e para as ilegalidades conhecidas. E faziam-no pelos mesmos motivos que levam Isaltino Morais a continuar a ganhar eleições no concelho mais instruído do País - Oeiras. O nosso umbigo (o desses cidadãos) é tão bonito…
Uma bala perdida
Um soldado perdeu uma bala
E
Que nem um tiro
O cabo disparou
A levar a notícia ao furriel
Que
De imediato
A transmitiu ao sargento
e estava na latrina a latrinar
mas puxou as calças correu a informar
o oficial de dia
embora fosse de noite
o capitão
ciente da má nova
foi acordar o major
que estava a sonhar
com as mamas da Sofia Loren
e praguejou
porra
o que é que se passa
que horas são
já um gajo não
foi ele quem alertou o tenente-coronel
que via rádio comunicou
meu coronel
há uma bala perdida não se sabe
exactamente onde nem porquê
nem por quem nem quando
eu até penso que
chega
o que é preciso é avisar o nosso brigadeiro
disse o coronel em pijama de flanela
às riscas
vai ser o bom e o bonito
quando o nosso general souber
uma ba-la per-di-da
uma ba-la per-di-da
gritou o general
procurem-na imediatamente
mensagem urgente
a todos os comandos
encontrem-me essa bala
viva ou morta
está em causa a honra do nosso batalhão
a minha carreira
a minha condecoração
quem perde uma bala
também perde uma guerra
faça-se um inquérito
levante-se um auto
vírgula
palavras do general
convoque-se o conselho de guerra
cancelem-se todas as saídas
as licenças as guias de marcha
apaguem-se as luzes das casernas
constitua-se o tribunal militar
decrete-se o alerta geral
e o estado de sítio
em que sítio meu general
perguntou o alferes
aqui minha besta onde é que havia de ser
quero sentinelas reforçadas
até ordem em contrário está tudo proibido
excepto o que não está
que a filha da puta dessa bala
há-de aparecer
a senha é
cherchez la balle
e a contra-senha é
a contra-senha é sei lá
que se lixe
agora não há tempo para essas merdas
dias depois
a bala
foi finalmente encontrada
dentro da cabeça do soldado.
José Niza
E
Que nem um tiro
O cabo disparou
A levar a notícia ao furriel
Que
De imediato
A transmitiu ao sargento
e estava na latrina a latrinar
mas puxou as calças correu a informar
o oficial de dia
embora fosse de noite
o capitão
ciente da má nova
foi acordar o major
que estava a sonhar
com as mamas da Sofia Loren
e praguejou
porra
o que é que se passa
que horas são
já um gajo não
foi ele quem alertou o tenente-coronel
que via rádio comunicou
meu coronel
há uma bala perdida não se sabe
exactamente onde nem porquê
nem por quem nem quando
eu até penso que
chega
o que é preciso é avisar o nosso brigadeiro
disse o coronel em pijama de flanela
às riscas
vai ser o bom e o bonito
quando o nosso general souber
uma ba-la per-di-da
uma ba-la per-di-da
gritou o general
procurem-na imediatamente
mensagem urgente
a todos os comandos
encontrem-me essa bala
viva ou morta
está em causa a honra do nosso batalhão
a minha carreira
a minha condecoração
quem perde uma bala
também perde uma guerra
faça-se um inquérito
levante-se um auto
vírgula
palavras do general
convoque-se o conselho de guerra
cancelem-se todas as saídas
as licenças as guias de marcha
apaguem-se as luzes das casernas
constitua-se o tribunal militar
decrete-se o alerta geral
e o estado de sítio
em que sítio meu general
perguntou o alferes
aqui minha besta onde é que havia de ser
quero sentinelas reforçadas
até ordem em contrário está tudo proibido
excepto o que não está
que a filha da puta dessa bala
há-de aparecer
a senha é
cherchez la balle
e a contra-senha é
a contra-senha é sei lá
que se lixe
agora não há tempo para essas merdas
dias depois
a bala
foi finalmente encontrada
dentro da cabeça do soldado.
José Niza
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Meia-Noite Em Paris
Um qualquer frágil apreciador de cinema já viu pelo menos uma dezena de filmes de Woody Allen e eu não fujo à regra. Falamos de uma figura incontornável. Quando se escrever a história do cinema dos finais do século XX, inícios do século XXI, o seu nome será muito justamente referência obrigatória. Pessoalmente, gosto mais da sua faceta de argumentista e actor do que propriamente a de realizador, sendo que nele essas componentes são difíceis de dissociar. Mas habituei-me a vê-lo acima de tudo como um extraordinário contador de histórias.
Dos últimos filmes, reti o assombroso Match Point como ponto alto desta última fase da sua carreira. Curiosamente, filme passado em Londres. Nestas suas deambulações por grandes cidades europeias fixou-se desta vez na capital francesa. E este Meia-Noite em Paris, sem ser tão brilhante como o referido Match Point é filme de relevo que fica bem na cinematografia de Allen.
A estonteante ideia de grande parte da acção se passar nos loucos e prósperos anos 20 retira alguma carga da convencionalidade para que o filme podia facilmente caminhar. Até porque não se pode afirmar que o Realizador tenha inovado por aí além ao longo dos últimos anos. Como exemplo mais lapidar dessa feliz reconstrução histórica destaco as orientações deixadas a Luis Buñuel para aquilo que viria a ser o fio condutor do Anjo Exterminador que o realizador espanhol faria anos depois.
Com boas interpretações de Owen Wilson e Marion Cotillard – o primeiro sempre confortável num registo mais de comédia - Meia-Noite Em Paris é mais um filme bem conseguido (sem ser genial) na interminável lista de Woody Allen que conta ainda com as participações de Léa Seydoux, Carla Bruni, Michael Sheen, Kurt Fuller, Kathy Bates e Adrien Brody, o que vem provar que toda a gente quer trabalhar com ele.
Num certo sentido, ocorre-me que todos temos um pouco daquela nostalgia rebelde e daquela insatisfação permanente que Gil (o protagonista) tem. E o que sempre me agradou mais no Cinema do americano é precisamente essa visão desencantada do mundo…
Dos últimos filmes, reti o assombroso Match Point como ponto alto desta última fase da sua carreira. Curiosamente, filme passado em Londres. Nestas suas deambulações por grandes cidades europeias fixou-se desta vez na capital francesa. E este Meia-Noite em Paris, sem ser tão brilhante como o referido Match Point é filme de relevo que fica bem na cinematografia de Allen.
A estonteante ideia de grande parte da acção se passar nos loucos e prósperos anos 20 retira alguma carga da convencionalidade para que o filme podia facilmente caminhar. Até porque não se pode afirmar que o Realizador tenha inovado por aí além ao longo dos últimos anos. Como exemplo mais lapidar dessa feliz reconstrução histórica destaco as orientações deixadas a Luis Buñuel para aquilo que viria a ser o fio condutor do Anjo Exterminador que o realizador espanhol faria anos depois.
Com boas interpretações de Owen Wilson e Marion Cotillard – o primeiro sempre confortável num registo mais de comédia - Meia-Noite Em Paris é mais um filme bem conseguido (sem ser genial) na interminável lista de Woody Allen que conta ainda com as participações de Léa Seydoux, Carla Bruni, Michael Sheen, Kurt Fuller, Kathy Bates e Adrien Brody, o que vem provar que toda a gente quer trabalhar com ele.
Num certo sentido, ocorre-me que todos temos um pouco daquela nostalgia rebelde e daquela insatisfação permanente que Gil (o protagonista) tem. E o que sempre me agradou mais no Cinema do americano é precisamente essa visão desencantada do mundo…
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