Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?
Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono
Nenhum súbito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu sei que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha
Ruy Belo
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Linha de Passe
Linha de Passe é um filme de 2008 dos Realizadores Walter Salles e Daniela Thomas que somente agora visionei. O Argumento é de Bráulio Mantovani e George Moura. É um belíssimo filme. Altamente recomendável, e que mostra que existe fora dos circuitos comerciais das tropas de elite e afins, cinema de qualidade criado por Brasileiros com vista para o Mundo.
O filme narra a história de quatro meio-irmãos que habitam em Cidade Líder localizada na periferia de São Paulo. Vivem com a ausência de um pai e lutam pelos sonhos que perseguem insistentemente. São todos filhos de Mãe solteira que se encontra novamente grávida. Mulher que ama os seus filhos e que gosta de beber, não mantendo qualquer relacionamento com nenhum dos pais dos rapazes. Um deles, Dário, vê no seu talento como jogador de futebol a esperança de uma vida melhor, tal como acontece com milhares e milhares de jovens brasileiros. Um outro, o mais novo, adora conduzir autocarros e procura incessantemente o Pai. Um terceiro, vive entre as interrogações da fé, mergulhado na vida real. E um último que já é Pai, tende para uma vida criminosa, na ânsia de proporcionar meios de subsistência ao seu filho recém-nascido.
É uma história de vidas sobressaltadas, guiada por uma câmara competente que traz identidade e sustentabilidade ao drama. E é o retrato cruel de uma sociedade que vive no fio da navalha.
No fim tudo o que pode correr mal, acaba por correr mal. Numa cidade sufocante como São Paulo em que sobreviver é o único verbo a conjugar…
O filme narra a história de quatro meio-irmãos que habitam em Cidade Líder localizada na periferia de São Paulo. Vivem com a ausência de um pai e lutam pelos sonhos que perseguem insistentemente. São todos filhos de Mãe solteira que se encontra novamente grávida. Mulher que ama os seus filhos e que gosta de beber, não mantendo qualquer relacionamento com nenhum dos pais dos rapazes. Um deles, Dário, vê no seu talento como jogador de futebol a esperança de uma vida melhor, tal como acontece com milhares e milhares de jovens brasileiros. Um outro, o mais novo, adora conduzir autocarros e procura incessantemente o Pai. Um terceiro, vive entre as interrogações da fé, mergulhado na vida real. E um último que já é Pai, tende para uma vida criminosa, na ânsia de proporcionar meios de subsistência ao seu filho recém-nascido.
É uma história de vidas sobressaltadas, guiada por uma câmara competente que traz identidade e sustentabilidade ao drama. E é o retrato cruel de uma sociedade que vive no fio da navalha.
No fim tudo o que pode correr mal, acaba por correr mal. Numa cidade sufocante como São Paulo em que sobreviver é o único verbo a conjugar…
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
A Democracia
Percebo que face à encruzilhada em que a Grécia lançou a Europa, os principais lideres europeus se julguem traídos com a possível marcação de um referendo à ajuda europeia em terras helénicas. Provavelmente atendendo às suas peculiares características, a Grécia nunca devia ter entrado no Euro. O declínio Grego numa certa medida até era uma catástrofe anunciada. Mas a verdade é que na altura todos concordaram.
Agora, o que retenho, é que a hipotética marcação de um Referendo se trata de uma decisão acertadíssima. Num processo de perda progressiva de soberania os Povos devem ser ouvidos. Custe a quem custar. Ao contrário do que defendem economistas e a generalidade dos comentadores, a Democracia não pode ser uma prática cingida somente a cimeiras e jogos de gabinetes. As Pessoas estão Primeiro. Puta que pariu os mercados…
Agora, o que retenho, é que a hipotética marcação de um Referendo se trata de uma decisão acertadíssima. Num processo de perda progressiva de soberania os Povos devem ser ouvidos. Custe a quem custar. Ao contrário do que defendem economistas e a generalidade dos comentadores, a Democracia não pode ser uma prática cingida somente a cimeiras e jogos de gabinetes. As Pessoas estão Primeiro. Puta que pariu os mercados…
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Os 25 Mil Milhões
Passos Coelho já admite pedir mais dinheiro à troika. E reza para que as decisões da cimeira europeia suavizem o futuro. Acontece que as medidas anunciadas na passada semana não são mais que um bálsamo de curto-prazo e não alteram o essencial.
Os actuais políticos portugueses assemelham-se a fantoches ilusionistas que todos os dias lançam novos truques. A Sócrates sucedeu Passos, a Teixeira dos Santos sucedeu Vítor Gaspar. Relvas não se assemelha a coisa alguma. Serve somente para preencher a vaga de Idiota de serviço. Papel que cumpre com inegável talento.
Vivemos reféns dos mercados. O que é hoje uma necessidade premente, amanhã já está desajustado face à forma como a realidade avança. Vamos acabar de joelhos a soluçar aos pés de Angela Merkel…
Os actuais políticos portugueses assemelham-se a fantoches ilusionistas que todos os dias lançam novos truques. A Sócrates sucedeu Passos, a Teixeira dos Santos sucedeu Vítor Gaspar. Relvas não se assemelha a coisa alguma. Serve somente para preencher a vaga de Idiota de serviço. Papel que cumpre com inegável talento.
Vivemos reféns dos mercados. O que é hoje uma necessidade premente, amanhã já está desajustado face à forma como a realidade avança. Vamos acabar de joelhos a soluçar aos pés de Angela Merkel…
sábado, 29 de outubro de 2011
O Elogio Conveniente
Num episódio sem paralelo no Portugal democrático, parece que o ministro Relvas disse que Seguro é "equilibrado e muito sensato".
Efectivamente tem alguma razão. É uma oposição equilibrada porque inexiste sempre. E isso não tem nada a ver com o acordo da Troika. Na noite em que Seguro ganhou as eleições no PS, aposto que Passos e Relvas abriram uma garrafa do melhor espumante (importado, claro está)…
Efectivamente tem alguma razão. É uma oposição equilibrada porque inexiste sempre. E isso não tem nada a ver com o acordo da Troika. Na noite em que Seguro ganhou as eleições no PS, aposto que Passos e Relvas abriram uma garrafa do melhor espumante (importado, claro está)…
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Os Culpados
A Crise, como nunca antes vista por esta geração que está agora na flor da vida, veio levantar a questão que assombra o país. Quem são mesmo os culpados do triste estado a que chegamos? Existem tertúlias à volta do tema. Diferentes perspectivas que visam reflectir sobre as reais causas da problemática.
Relegando os fanatismos partidários para o lugar que merecem - a obscuridade – importa perceber os reais alcances da coisa: Portugal é um pequeno país periférico que funcionou sempre por reacção à conjuntura económica internacional. A crise na Europa rebentou, e face aos interesses fortemente instalados e à nossa histórica dependência, caímos que nem patinhos no lamaçal. Fomos incapazes de nos prepararmos para o que aí vinha, mergulhados na ilusão de uma vida a crédito, valorizando o hoje e esquecendo o amanhã. Começando pelo próprio Estado que se endividou como se fosse um país poderoso que manifestamente não é.
E quem contribuiu politicamente para isto, ou seja quem são os principais culpados?
Começando pelo “princípio”, Cavaco Silva, o nosso professor (não meu) beneficiou de invulgares e apelativas condições para reformar Portugal. Os seus principais defensores sempre se agarraram à ideia que as suas políticas seriam valorizadas e até endeusadas a longo-prazo. Pois bem, Cavaco em tudo o que era estratégia de relevo para a sustentabilidade do país errou. Desde a fraudulenta aplicação de fundos comunitários sem supervisão, à excessiva e deficitária política do betão e auto-estradas, passando por um modelo de educação entregue aos privados sem ligação às necessidades da economia, Cavaco foi quem mais cavou a sepultura. Por outro lado, a única estratégia que levou a bom porto com inegável sucesso e calculismo, foi a da sua carreira política.
Depois de Cavaco houve Guterres que viveu num prolongado estado de graça, nunca antes visto. Deixou algumas marcas positivas na Saúde, no Ambiente e até na Cultura. Aumentou, imagine-se, os funcionários públicos em quase 5 % só num ano e continuou o desbarato de dinheiros públicos em auto-estradas e afins. Nada me move contra as auto-estradas e a necessária mobilidade para os territórios localizados no interior. Agora, o investimento deveria ter sido mais comedido e repartido por outras áreas. Por exemplo, ao nível das linhas-férreas. Guterres alimentou também uma empregabilidade fictícia, meramente estatística, tão frágil que deu no que deu. Foi incapaz de valorizar políticas económicas que fomentassem mais indústria. Do que nos serve ter auto-estradas que ligam ao interior, se depois não há lá empregos, e há lá cada vez menos pessoas como demonstram os Censos de 2011? O mesmo se passa com outras infra-estruturas criadas que andam por aí ao abandono, não só na fantasiosa ilha de Jardim. O mais recente é o aeroporto de Beja, que só faz sentido para os autarcas locais e para os 2 ou 3 empresários que têm ali negócios. Por mais que nos custe admitir, é esta a realidade do Portugal que foi ganhando forma ao longo do tempo.
Durão Barroso foi o mais inteligente de todos, reconheça-se. No meio do pântano que começava a alargar-se, serviu-se do País para alcançar a sua cadeira de sonho. E de Santana Lopes, nem vale a pena falar, tal o absurdo da sua actuação. A sua inarrável ascensão ao poder simplesmente serviu para humilhar ainda mais o nosso amargurado ego.
De Sócrates, já tudo foi escrito. Conseguiu incrementar algumas boas práticas. Fez um bom diagnóstico dos problemas reais mas, asfixiado por uma sociedade mediática que com laivos de intolerância sempre pretendeu controlar, enterrou-se com o declínio definitivo das contas públicas e com a necessidade de o país clamar por um bode expiatório para o assalto vigente às suas carteiras.
Presentemente temos Passos Coelho. Este, na ânsia de chegar ao poder, pressionado pelas suas hostes, comprometeu-se com coisas que não devia. Essas incongruências vão inevitavelmente persegui-lo até ao fim da legislatura, até porque Paulo Portas, já percebeu, que vai acabar por ganhar com o pobre e subalterno papel que lhe foi determinado na coligação. Não tenho dúvidas que Passos hoje ganharia as eleições novamente. O seu discurso coberto de alguma autenticidade beneficia de um Seguro que inexiste (foi invenção não se sabe muito bem de quem, talvez do próprio) e de uma atávica resignação dos portugueses que Passos Coelho tenta eficazmente alimentar. A última cartada é a do fatal empobrecimento da população. Tem dado, até com alguma surpresa para mim, alguns sinais de liderança. Escolheu alguns bons ministros, errando contudo em algumas pastas fulcrais como a Economia. Com a apresentação do orçamento para 2012 cumpriu alguma da cartilha imposta pelo seu liberalismo ao privatizar em larga escala a Cultura, institucionalizando a estupidificação do Povo.
Em síntese, os culpados somos todos. Pactuamos em relativo silêncio com as políticas que nos desgovernaram. Pedir a criminalização dos governantes por terem tomado opções erradas, tem tanto de inverosímil, como de tacanho. Agora sem dúvida, que há uns que são mais culpados que outros. Quer ao nível da responsabilidade efectiva pela governação, quer pela legitimidade democrática que lhes foi proporcionada. Eu, dos acima referidos, só votei num, e uma só vez: Em Guterres, no primeiro mandato, porque era imprescindível ver-me livre do autoritarismo pacóvio do professor cavaco...
Relegando os fanatismos partidários para o lugar que merecem - a obscuridade – importa perceber os reais alcances da coisa: Portugal é um pequeno país periférico que funcionou sempre por reacção à conjuntura económica internacional. A crise na Europa rebentou, e face aos interesses fortemente instalados e à nossa histórica dependência, caímos que nem patinhos no lamaçal. Fomos incapazes de nos prepararmos para o que aí vinha, mergulhados na ilusão de uma vida a crédito, valorizando o hoje e esquecendo o amanhã. Começando pelo próprio Estado que se endividou como se fosse um país poderoso que manifestamente não é.
E quem contribuiu politicamente para isto, ou seja quem são os principais culpados?
Começando pelo “princípio”, Cavaco Silva, o nosso professor (não meu) beneficiou de invulgares e apelativas condições para reformar Portugal. Os seus principais defensores sempre se agarraram à ideia que as suas políticas seriam valorizadas e até endeusadas a longo-prazo. Pois bem, Cavaco em tudo o que era estratégia de relevo para a sustentabilidade do país errou. Desde a fraudulenta aplicação de fundos comunitários sem supervisão, à excessiva e deficitária política do betão e auto-estradas, passando por um modelo de educação entregue aos privados sem ligação às necessidades da economia, Cavaco foi quem mais cavou a sepultura. Por outro lado, a única estratégia que levou a bom porto com inegável sucesso e calculismo, foi a da sua carreira política.
Depois de Cavaco houve Guterres que viveu num prolongado estado de graça, nunca antes visto. Deixou algumas marcas positivas na Saúde, no Ambiente e até na Cultura. Aumentou, imagine-se, os funcionários públicos em quase 5 % só num ano e continuou o desbarato de dinheiros públicos em auto-estradas e afins. Nada me move contra as auto-estradas e a necessária mobilidade para os territórios localizados no interior. Agora, o investimento deveria ter sido mais comedido e repartido por outras áreas. Por exemplo, ao nível das linhas-férreas. Guterres alimentou também uma empregabilidade fictícia, meramente estatística, tão frágil que deu no que deu. Foi incapaz de valorizar políticas económicas que fomentassem mais indústria. Do que nos serve ter auto-estradas que ligam ao interior, se depois não há lá empregos, e há lá cada vez menos pessoas como demonstram os Censos de 2011? O mesmo se passa com outras infra-estruturas criadas que andam por aí ao abandono, não só na fantasiosa ilha de Jardim. O mais recente é o aeroporto de Beja, que só faz sentido para os autarcas locais e para os 2 ou 3 empresários que têm ali negócios. Por mais que nos custe admitir, é esta a realidade do Portugal que foi ganhando forma ao longo do tempo.
Durão Barroso foi o mais inteligente de todos, reconheça-se. No meio do pântano que começava a alargar-se, serviu-se do País para alcançar a sua cadeira de sonho. E de Santana Lopes, nem vale a pena falar, tal o absurdo da sua actuação. A sua inarrável ascensão ao poder simplesmente serviu para humilhar ainda mais o nosso amargurado ego.
De Sócrates, já tudo foi escrito. Conseguiu incrementar algumas boas práticas. Fez um bom diagnóstico dos problemas reais mas, asfixiado por uma sociedade mediática que com laivos de intolerância sempre pretendeu controlar, enterrou-se com o declínio definitivo das contas públicas e com a necessidade de o país clamar por um bode expiatório para o assalto vigente às suas carteiras.
Presentemente temos Passos Coelho. Este, na ânsia de chegar ao poder, pressionado pelas suas hostes, comprometeu-se com coisas que não devia. Essas incongruências vão inevitavelmente persegui-lo até ao fim da legislatura, até porque Paulo Portas, já percebeu, que vai acabar por ganhar com o pobre e subalterno papel que lhe foi determinado na coligação. Não tenho dúvidas que Passos hoje ganharia as eleições novamente. O seu discurso coberto de alguma autenticidade beneficia de um Seguro que inexiste (foi invenção não se sabe muito bem de quem, talvez do próprio) e de uma atávica resignação dos portugueses que Passos Coelho tenta eficazmente alimentar. A última cartada é a do fatal empobrecimento da população. Tem dado, até com alguma surpresa para mim, alguns sinais de liderança. Escolheu alguns bons ministros, errando contudo em algumas pastas fulcrais como a Economia. Com a apresentação do orçamento para 2012 cumpriu alguma da cartilha imposta pelo seu liberalismo ao privatizar em larga escala a Cultura, institucionalizando a estupidificação do Povo.
Em síntese, os culpados somos todos. Pactuamos em relativo silêncio com as políticas que nos desgovernaram. Pedir a criminalização dos governantes por terem tomado opções erradas, tem tanto de inverosímil, como de tacanho. Agora sem dúvida, que há uns que são mais culpados que outros. Quer ao nível da responsabilidade efectiva pela governação, quer pela legitimidade democrática que lhes foi proporcionada. Eu, dos acima referidos, só votei num, e uma só vez: Em Guterres, no primeiro mandato, porque era imprescindível ver-me livre do autoritarismo pacóvio do professor cavaco...
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
A Caça às Bruxas
A Caça às Bruxas ainda agora vai no adro, mas está a começar bem. Como é possível gente que ganhou prestígio e notoriedade ao serviço do país, e depois foi ganhar balúrdios para o privado, continuar a receber pensões vitalícias do Estado? É simples. Basta pedir-lhes a declaração de IRS e estabelecer níveis de rendimento para estipular se tem ou não esse direito. Atenção, que eu até concordo que possa haver quem, depois de terminadas as suas funções e em caso de serviços relevantes, possa ter direito a uma pensão estatal. Agora, o que é inconcebível é somar essa pensão a montantes exorbitantes que possam auferir no privado. Muitas vezes, como resultado de relações promíscuas estabelecidos quando eram servidores do Estado. Nesses casos, mais uma vez, prova-se que o crime neste país à beira-mar plantado tem compensado…
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
O Álvaro
O Amigo Álvaro da Economia deverá perceber assim, finalmente, onde se veio meter. Desde já registo que o seu suicídio não é para mim a melhor opção. Sugiro que emigre, de preferência para o Canadá, onde segundo o que consta era feliz...
Este Portugal, dos dias que correm, é só rir....
Uivo
Em 1956, Allen Ginsberg lança o livro de poesia "Howl and Other Poems" - um ano antes de Kerouac pôr cá pra fora o lendário “On the Road” - e estabelece os alicerces daquilo que ficaria para a história como a Geração Beat que antecedeu os loucos anos 60. A narrativa segue o decorrer do julgamento que a editora da obra (a célebre City Lights Books de San Francisco) foi sujeita acusada de promover a obscenidade.
James Franco interpreta de forma soberba o jovem Allen Ginsberg, neste filme realizado pela dupla Jeffrey Friedman e Rob Epstein. Na sua faceta mais estimulante, o filme assenta numa entrevista ficcionada ao escritor intercalada com a declamação da poesia pelo próprio numa muitíssimo bem interpretada sessão de apresentação do livro maldito.
Para muitos, este simples livro de Ginsberg, que morreu com 70 anos em 1997, foi o embrião para o movimento hippie e para todas as revoluções que se seguiram. Só por esse interesse histórico vale a pena ver, ler e ouvir as poderosas palavras deste “Uivo” de Ginsberg…
James Franco interpreta de forma soberba o jovem Allen Ginsberg, neste filme realizado pela dupla Jeffrey Friedman e Rob Epstein. Na sua faceta mais estimulante, o filme assenta numa entrevista ficcionada ao escritor intercalada com a declamação da poesia pelo próprio numa muitíssimo bem interpretada sessão de apresentação do livro maldito.
Para muitos, este simples livro de Ginsberg, que morreu com 70 anos em 1997, foi o embrião para o movimento hippie e para todas as revoluções que se seguiram. Só por esse interesse histórico vale a pena ver, ler e ouvir as poderosas palavras deste “Uivo” de Ginsberg…
Eu vi os expoentes da minha geração destruídos
pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de
madrugada em busca uma dose violenta de qualquer coisa
"hipsters" com cabeça de anjo ansiando pelo
antigo contacto celestial com o dínamo estrelado da
maquinaria da noite, que pobres, esfarrapados e
olheiras fundas, viajaram fumando sentados na
sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos
sem água quente, flutuando sobre os tectos das
cidades contemplando jazz, que desnudaram os seus
Cérebros ao céu sob o Elevador e viram anjos maometanos
cambaleando iluminados nos telhados das casas dos
cómodos que passaram por universidades com olhos frios
e radiantes alucinando Arkansas e tragédias à luz de
William Blake entre os estudiosos da guerra, que
foram expulsos das universidades por serem loucos
& publicarem odes obscenas nas janelas do crânio,
que se refugiaram em quartos de paredes de pintura
descascada em roupa de baixo queimando seu dinheiro
em cestas de papel, escutando o Terror
através da parede.
Allen Ginsberg (tradução brasileira)
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
O Iberismo
A unificação política entre Portugal e Espanha, profetizada por José Saramago e amplamente rejeitada e censurada por todos, mais tarde ou mais cedo vai voltar à ordem do dia. Numa nova e inevitável Europa talvez a própria delimitação de fronteiras venha a ser posta em causa. Desde que se preserve a identidade cultural e o idioma, que se respeite os costumes locais, como acontece aliás em muitas das actuais regiões espanholas, é solução que não me levanta especial pavor. Agora, seria efectivamente um grande choque para alguns sectores. Que todavia traria vantagens competitivas aos mais diversos níveis, disso não tenho dúvidas.
Neste momento a questão só não está já nas bocas do mundo porque a economia espanhola também atravessa uma intensa crise, com reflexos muito visíveis ao nível do desemprego…
Neste momento a questão só não está já nas bocas do mundo porque a economia espanhola também atravessa uma intensa crise, com reflexos muito visíveis ao nível do desemprego…
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Smells Like Teen Spirit - Nirvana
Havia coisas que Jeremias não conseguia ficar indiferente. E aquele cesto de basket ao fundo consumia-o. Não porque alguma vez tivesse jogado basquetebol, mas porque este vídeo representava uma certa manifestação de niilismo que desde aí nunca foi verdadeiramente abandonado. Algo semelhante a uma exuberante consumação de uma utopia.
A Jeremias, até lhe vinha a lágrima ao olho, o que não significava objectivamente que fosse de lágrima fácil.
Jeremias brinda à saúde do camarada Kurt, onde quer que ele esteja….
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
A Bicicleta
Jeremias assistia à desintegração social do País. Observava impávido a uma indignação que prometia florescer. Quem sabe, dar novos mundos ao mundo. Caso os senhores da Europa assim o permitam.
Agora, o Postiga marcar de bicicleta, isso é que era absolutamente inesperado e não lembrava nem ao Diabo…
Agora, o Postiga marcar de bicicleta, isso é que era absolutamente inesperado e não lembrava nem ao Diabo…
domingo, 16 de outubro de 2011
O Lunático
Era tão zeloso das suas obrigações contributivas que pedia recibo ao dealer do bairro quando comprava cocaína. O Dealer obviamente negava, utilizando uma fundamentação filosófica para o fazer. Entre outros argumentos, dizia que era um profissional da economia paralela. Só para lixar o lunático do Passos Coelho….
Esta Gente
Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
Dum país liberto
Duma vida limpa
E dum tempo justo
Sophia de Mello Breyner Andresen
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
Dum país liberto
Duma vida limpa
E dum tempo justo
Sophia de Mello Breyner Andresen
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