quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

As Pieguices

Sempre gostei da palavra “Piegas” e agradeço sinceramente ao Sr. Primeiro-Ministro por a ter trazido para a ordem do dia. É muito mais agradável ler dezenas de vezes a palavra “Piegas” do que palavras como “mercados”, “juros”, “défice” ou mesmo “Buraco”. Pieguices minhas….

De Do Do Do, De Da Da Da - The Police

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Europa

A Grécia continua a estar no epicentro do vulcão europeu. A grave situação portuguesa pouco tem a ver com a calamidade grega. Estruturalmente a sociedade grega consegue ser mais clientelar que a nossa, por difícil que isso possa parecer. Mas se não houver um fim à vista para a derrocada da economia europeia podemos acabar ainda pior do que estamos.
Entretanto, Merkel refere os túneis e autoestradas da Madeira como péssimo exemplo de aplicação dos fundos europeus. Definitivamente, acabou o Carnaval de Jardim. O último a sair que apague as luzes do túnel. Alberto João é um cadáver político…

A Marginal

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Consolo

De desilusão Leonina em desilusão Leonina, quer-me cá parecer que a única alegria que vou ter esta época é ver o Yannick Djaló de águia ao peito e a Floribela nos camarotes da luz…

O pão

Há pessoas que amam
Com os dedos todos sobre a mesa.
Aquecem o pão com o suor do rosto
E quando as perdemos estão sempre
Ao nosso lado.
Por enquanto não nos tocam:
A lua encontra o pão caiado que comemos
Enquanto o riso das promessas destila
Na solidão da erva.
Estas pessoas são o chão
Onde erguemos o sol que nos falhou os dedos
E pôs um fruto negro no lugar do coração.
Estas pessoas são o chão
Que não precisa de voar.

Rui Costa

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Deus da Carnificina

Realizado por Roman Polanski, uma comédia dramática sobre os estranhos caminhos que norteiam a natureza humana, baseada na aclamada peça da dramaturga francesa Yasmina Reza escrita, como sempre por ela, com uma sublime inteligência.
Os casais Longstreet (Jodie Foster e John C. Reilly) e Cowan (Kate Winslet e Christoph Waltz) juntam-se para resolver uma desavença entre os seus filhos de 11 anos. Porém, se ao princípio tudo parece correr civilizadamente, à medida que a conversa se desenvolve, a discussão começa a tomar proporções pouco dignas com os quatro a revelarem maior infantilidade que os seus próprios filhos.
Depois de uma brilhante aparição em sacanas sem lei de Tarantino, Christoph Waltz oferece-nos novamente uma estrondosa interpretação fazendo o papel de cínico de serviço. O casal composto por Jodie Foster e John C. Reilly não lhe fica nada atrás ao nível interpretativo.
A única fragilidade que o filme de Polanski possui é que estamos de facto perante uma peça teatral. A adaptação para cinema podia ter ido mais longe, evitando por exemplo aquelas constantes saídas e entradas da casa onde decorre todo o filme. Ou seja, a narrativa funciona com toda a certeza melhor em palco do que em tela.
Roman Polanski, fiel à sua imagem, continua contudo a lapidar de forma magistral as imperfeições do ser humano. Sem ser uma obra-prima, este casamento do seu talento com o génio de Yasmina Reza é um dos acontecimentos cinematográficos mais significativos dos últimos tempos…

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Carvalho

Carvalho da Silva foi-se. Sucede-lhe um jovem lobo de quem ainda não fixei o nome a que todos auguram um grande futuro. Neste contexto específico do sindicalismo a denominação de jovem promessa é relativa. A jovem promessa pode ter perto de sessenta anos, por exemplo, o que não deixa de ser um valente contributo para a justa valorização de uma classe etária mal compreendida e até para o retardamento da idade da reforma.
Mas o que interessa verdadeiramente nesta discussão à volta da CGTP é que o sindicalismo que preconizam está caduco. Perguntem às pessoas na rua o que pensam deles? É simples. E perceberão imediatamente que a insatisfação que as pessoas sentem não é de nenhuma forma enquadrável nas suas ancestrais formas de combate. Pensem na adesão que os movimentos de cidadãos apolíticos estão a conseguir e talvez comecem a perceber o que já deviam ter percebido há muito.
Reunir centenas de delegados em congresso utilizando as mesmas bandeiras, proferindo as mesmas palavras de ordem, e entoando os mesmos hinos dos anos 80 (altura em que também houve uma intervenção do FMI em Portugal) é um exercício que não faz qualquer tipo de sentido. O sindicalismo, tal como o conhecemos, está morto. A Sociedade mudou. Ao nível laboral, a realidade está presentemente a sofrer profundas alterações que marcarão indelevelmente as gerações futuras. A associação de pessoas com interesses comuns em salvaguardar os seus direitos continuarão a existir, e farão sempre sentido, até porque a liberdade foi a mais preciosa conquista de todas. Agora, as formas de intervenção sofrem adaptações inevitáveis que não passam pelas atuais bases do sindicalismo que temos. Não perceber isto, é caminhar para uma sala escura à prova de ruído…

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Cineasta

Sucumbiu um dos melhores cineastas da atualidade. Apesar de filmar pouco, Théo Angelopoulos era dos mais brilhantes da sua geração. Num país em cacos como é hoje a Grécia, morreu na sequência de um atropelamento nos arredores de Atenas. Dificilmente haveria melhor analogia para o declínio da Europa.
A propósito desde desaparecimento, ouçam aqui o magnífico Sinais de hoje na TSF com a habitual assinatura de Fernando Alves, recordando a emblemática obra do Realizador Grego - O Olhar de Ulisses - onde Angelopoulos exacerbava de forma magistral a sua paixão pelo Cinema. 


Angelopoulos foi-se num dia cinzento, mas o seu cinema de um outro mundo fica para a eternidade....

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

As Despesas do Professor

Cavaco numa daquelas suas recorrentes paragens cerebrais confessou que as verbas que aufere de reforma nem sequer dão para as despesas. No passado, já nos tinha brindado com a importante informação de que a sua mulher recebia 800 € de reforma por ter sido professora. Com todo o respeito que tenho pelas Senhoras que vendem peixe, é uma conversa de Peixeiras. Mas o nível intelectual do professor cavaco fica em demasiadas coisas aquém do das Senhoras do Peixe. Esta é que é a verdade. Ainda para mais, num segundo mandato onde já não tem de estar preocupado com a reeleição, estes atestados de senilidade por parte do professor serão certamente mais frequentes.

O Presidente da República relativamente ao assunto em questão só tem que fazer duas coisas:
1) Exige uma mudança da lei para que, excecionalmente, o vencimento do mais alto representante da nação seja objeto de uma imediata revisão para valores consentâneos com a dignidade a que a função obriga. Essa revisão permitirá que o Chefe de Estado em exercício não tenha de optar por receber pensões mais elevadas do que o próprio salário de Presidente. Por exemplo, uma remuneração mensal na ordem dos 20 000 € mais despesas de representação não me pareceria desajustado face aquilo que é na generalidade a realidade das remunerações auferidas por Chefes de Estado por esse mundo fora.
2) Informa o País que como consequência da alteração da lei - até deixar as funções de Presidente da República - ficam congeladas as reformas que hipoteticamente teria direito como resultado dos descontos que efetuou ao longo da sua carreira contributiva.

Esta é a única abordagem possível para o problema. Não tendo coragem para o assumir, o Presidente da República só pode estar caladinho e meter o rabinho entre as pernas. Dizer aos Portugueses nesta altura que os rendimentos mensais que aufere na ordem dos 9 500 € (a que acrescem 2 500 € de despesas de representação como Presidente) não dão sequer para as suas despesas só pode ser uma brincadeira de mau gosto. Obviamente que a comunicação social agradece o brinde e rejubila com tamanha fantochada proporcionada pelo Palhaço-Mor da Nação….

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A Democracia Representativa

Cada mais gente pensa que a democracia não é o melhor sistema. O que é deveras preocupante. Este facto deveria abrir uma reflexão profunda na opinião pública e na sociedade civil. A distância entre eleitos e eleitores é assustadora e tende a aumentar no atual contexto de grave crise económica que vivemos.
Os círculos uninominais são a alternativa mais sustentável ao sistema parlamentar que temos. Ao votarmos num só candidato estamos a responsabilizá-lo diretamente pelas suas intervenções na esfera pública, o que o obrigará a comportar-se de forma mais condigna no domínio privado. A isto chama-se prestação de contas. E ao mesmo tempo introduz-se transparência num sistema decrépito, onde ninguém sabe verdadeiramente quais são os limites para a indecência no meio desta praga que se chama tráfico de influências que corrói aterradoramente, e de forma progressiva, a sociedade portuguesa…

Andy Warhol

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Animal - Osso Vaidoso

Nova odisseia de Ana Deus e Alexandre Soares que depois de um dos mais conseguidos projetos de música moderna portuguesa dos anos 90 - Três Tristes Tigres – voltam agora num registo minimalista, simplesmente com voz e guitarra, recuperando palavras de gente como Regina Guimarães, Alberto Pimenta ou Valter Hugo Mãe…

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Primeira Volta

Se à décima jornada o Sporting, a um ponto da liderança, estava na corrida ao título, à décima quinta a liga já é uma miragem. Falta estofo de campeão a esta equipa e estas 5 jornadas dizimaram por completo as aspirações leoninas. No fim, quando se fizer o balanço da época há, quanto a mim, um momento decisivo: a derrota na luz. Com o volume de oportunidades criadas e a jogar contra dez quase uma parte inteira, o Sporting não podia ter perdido aquele jogo até porque em jogo jogado não foi em nada inferior ao adversário. E começou aí o descalabro.
As lesões sistemáticas, as oportunidades flagrantes falhadas, a falta de Rinaudo (que também não é nenhum salvador, nem é Deus, apesar de Argentino) ajudam a explicar o decréscimo acentuado de produção. A pressão que Domingos sente para apresentar resultados, porque o Sporting não é o Braga, também levou a algumas escolhas precipitadas como a titularidade do jovem Renato Neto em 2 jogos decisivos, encostar o típico número 10 Matias à direita, ou mais recentemente à subida de Insua para extremo esquerdo com prejuízo para a equipa. Mas o que fica neste momento para a história é que ao fim da primeira volta Domingos tem exatamente os mesmos pontos que tinha Paulo Sérgio na época passada - um dos piores treinadores de sempre da história do clube - com um plantel muito inferior ao atual. Independentemente disso, Domingos não está em causa. Não me revejo nalgumas declarações, principalmente as que precedem os jogos grandes. Aí devia transmitir maior ambição aos jogadores, mas tirando esse aspeto a melhorar, penso que continua a ter condições para fazer um bom trabalho em Alvalade.
Agora, aos Leões deve-se pedir paciência. E muita esperança. A equipa está em construção. Esmagadora maioria dos jogadores são novos. Alguns são nitidamente erros de casting como Bojinov, outros são apostas de risco devido ao historial clínico como Rodriguez e Jéffren. Mas existem apostas de futuro credíveis quer ao nível do retorno financeiro, quer ao nível desportivo. Ainda não é tempo para balanços definitivos da época. Assusta não haver um fio de jogo definido, mas a verdade é que os rivais também não o têm. Atualmente, falta dinâmica e velocidade à equipa e é essa a diferença face à euforia que se vivia há dois meses atrás.
Quanto ao campeonato, para desconsolo da minha alma, o benfica tem tudo na mão para pintar outra vez o país de encarnado. E digo isso, porque o porto depende enormemente de um jogador - Hulk. E, apesar de ainda faltar virar muito frango, o benfica é mais equipa.
O Sporting tem dia 8 no Funchal um difícil jogo com o Nacional para a taça de portugal que é absolutamente decisivo para a época leonina. Convém ganhar e convém começar a recuperar pontos no campeonato senão toda a construção do prédio começa a estar de novo em causa...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O Catroga

Catroga como qualquer cidadão com curriculum adequado tem todo o direito de ser convidado a liderar a EDP, mesmo auferindo de remuneração a obscenidade que se fala. Parece-me um processo normal para os costumes enraizados. São cargos de confiança politica, quer se queira quer não. E o que os governantes eleitos dizem em campanha (não há empregos para amigos) só acredita quem quer. E eu nunca acreditei. A única forma de acabar com este banquete é acabar com as empresas públicas. Mas aí, a esquerda já não se manifestaria de forma tão perentória.

Agora, o que é deveras relevante nesta história é o facto de Catroga ir receber 9 693 € de pensão vitalícia resultante da sua legítima carreira contributiva de muitos anos. Nada a opor ao cálculo efetuado. Mas se houver um simples dia em que acumule essa reforma com a exorbitância que vai receber como líder na EDP é caso para os cidadãos de bem saírem à rua, pegarem em armas, e rumarem a São Bento. Tem de haver limites para a pouca vergonha….

A Estação

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A China

Ainda nem a meio de janeiro vamos, mas o nosso governo já anuncia uma derrapagem previsível no défice do ano, o que obrigará a novas medidas de austeridade a anunciar oportunamente.
Portugal bem que podia tornar-se definitivamente um protetorado da China. Nem que fosse para colocar os comunistas portugueses numa posição deveras inebriante e ao mesmo tempo insólita, pois as suas idiossincrasias ficavam irreversivelmente - se não estão já - completamente desajustadas da realidade contemporânea.
Os Chinocas são trabalhadores incansáveis. Gostam especialmente do nosso sol, da nossa tranquila pequenez e da nossa aparente arte de bem receber. E têm pilim a dar com um pau. Por mim, avancem com isso. Eu sou do Pequim desde pequenino…

Recomeçar

Recomeça….
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O Pingo Doce

O patrão da Jerónimo Martins falou demais em tempos. Defendeu o Patriotismo entre outros lugares-comuns. Nos tempos conturbados que vivemos tem que ser ter muito cuidado com o que se diz. Só por essa incoerência pode ser criticável o facto de mudar a sede da empresa para a Holanda onde tem impostos mais baixos e, no atual contexto, acesso a financiamento mais facilitado. Para mim, se com essa medida conseguir evitar o despedimento de meia-dúzia de funcionários, já valeu a pena. O objetivo de uma entidade privada é gerar lucro salvaguardando sempre o cumprimento integral das leis em vigor. E, ao que consta, tal transferência é legal. Culpem a Merkel e Durão Barroso. Ao mesmo tempo, acho legitimo que haja gente que se sinta indignada e deixe de ir ao Pingo Doce. Eu não vou deixar de ir pelos mesmos motivos quer me fazem nunca ter deixado de pagar impostos....

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Maçonaria

Num país pequeno onde todos frequentam os mesmos círculos, o líder parlamentar do PSD Luís Montenegro não assumiu quando devia a incompatibilidade que resulta do facto de pertencer à Maçonaria. Acontece que da mesma loja maçónica faz parte Jorge Silva Carvalho, o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED). Montenegro é membro da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Liberdades e Garantias, que tem investigado as irregularidades no SIED, que envolvem Jorge Silva Carvalho. Até percebo que numa sinistra organização, predominantemente secreta, onde ninguém sabe muito bem o que por lá se passa, não faça muito sentido os seus membros andarem para aí a vangloriarem-se disto ou daquilo. Mas agora que a coisa é pública, se fosse sério e despido da sede de poder que o levou a integrar a Maçonaria, a Montenegro só lhe restava um caminho: a demissão.
A corja de cretinos que rodeiam passos coelho estão a começar a dar à costa...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Miúdo da Bicicleta

De Jean-Pierre e Luc Dardenne, com Cécile de France e Jérémie Renier nos principais papéis. Mais um filme saído das brilhantes cabeças dos irmãos Dardenne. Conta a história de um miúdo solitário que renegado pelo Pai, vê uma cabeleireira afeiçoar-se a si de forma progressiva e irreversível. Com a habitual sensibilidade social que caracteriza o cinema da dupla belga, é altamente recomendável para quem quiser entrar no novo ano muito bem acompanhado do ponto de vista cinematográfico….

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Homem que tinha uma memória prodigiosa

Havia um Homem que tinha tão boa memória que nunca se esquecia de nada. Até se lembrava de referir que tinha uma memória prodigiosa. Adorava Futebol. O seu Jogador preferido era aquele rapaz da Madeira, formado em Alvalade, o Cristiano Renato...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O Parque Automóvel

Jeremias andava com um carro de 10 anos que se puxasse muito por ele começava a fazer barulhos esquisitos. No entanto, na presente quadra o Pai Natal tinha sido amigo. Jeremias, viu-se de repente rodeado das mais potentes bombas, inclusive um Ferrari topo de gama. 
Das mais variadas marcas e cores, Jeremias possuía agora um parque automóvel de fazer inveja a muitos Ministérios….

Dreams – The Cranberries





Grande Música este "Dreams" de 93 pela voz inconfundível de Dolores O'Riordan dos irlandeses Cranberries. Um ano depois Faye Wong grava uma não menos extraordinária versão chinesa do tema, que integrava então a banda sonora de Chungking Express, filme de culto dos anos 90 realizado por Wong Kar-Wai. Ficam as duas versões, qual delas a melhor?…

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Ano FMI

Apesar do sol continuar a brilhar para alguns (para cada vez menos), Troika deve ter sido das palavras mais escritas em Portugal no último ano. Esta foto sacada na Net funciona na perfeição como síntese de 2011, neste país à beira-mar plantado...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Bigodes

A Passos Coelho fugiu a boca para a verdade, como se costuma dizer em bom português. Devo dizer que não me chocam grandemente as palavras do nosso Primeiro. Não devemos acusar os Políticos por serem hipócritas e pelo seu contrário. Concordo que é uma bela argumentação para ser utilizada em privado, mas que é matéria algo sensível para ser ouvida pela boca do responsável máximo pelo estaminé. Seria uma grande tirada para animar um jantar de amigos nesta quadra natalícia. Mas Passos Coelho mediu bem o que disse e sabia ao que ia. A cartilha liberal paulatinamente vai seguindo o seu rumo e ele continua em estado de graça porque tem gerido bem as suas declarações ao longo destes meses. Tem esse mérito e, quanto a mim, não tem sido tão mau Primeiro-Ministro como eu supunha inicialmente. Obviamente que as minhas expectativas eram abaixo de cão. Agora, apesar de algumas escolhas felizes para pastas-chave, está rodeado de cretinos que mais tarde ou mais cedo vão emergir à superfície. E nesta história dos professores há um dado incontornável: cada vez há menos jovens em idade escolar e cada vez há mais professores saídos das faculdades disto e daquilo, e essa realidade nenhum sindicalista de bigode pode contrapor com argumentos da idade da pedra. Eu que sou de uma Esquerda Indeterminada penso que a Esquerda de Combate precisa de novas ideias e de novos rostos. Com ou sem bigode....

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Inside Job - As Origens da Crise

Na senda do serviço público que caracteriza este blogue deixo um filme, infelizmente cada vez mais actual, do qual já falei aqui. Agora em versão integral com legendas em espanhol…

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Dilema

Portugal vive tempos de completo desnorte. A ficção reina. Num país que vive à beira do precipício sem qualquer fundo de tesouraria que permita aliviar as depuradas contas públicas e, por conseguinte, as carteiras dos contribuintes, perdeu-se imenso tempo a discutir o que se deveria fazer com um famigerado excedente que resulta dos fundos de pensões da banca que o estado vai receber ainda este ano. Aliás, é engraçado como um negócio ruinoso no médio/longo prazo para os cofres do estado dá azo a tanta fantasia. Eu diria que basta esperar pelo surgimento de novo buraco orçamental, o que, atendendo ao nosso histórico recente, não tardará a acontecer. Haverá sempre um BPN num qualquer Jardim do Atlântico para ajudar a resolver o Dilema…

Vincent Van Gogh

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Selva

Jeremias sabia que habitava uma selva onde os animais, devido à escassez de alimento, eram cada vez mais ferozes. Os princípios éticos, qualquer que seja a circunstância, andavam pelas ruas da amargura.
Jeremias, se fosse possível, qual Woody Allen da Bobadela, emigraria para o princípio do século XX. Jeremias era da opinião que ao Euro devia suceder o Cruzado e que Merkel como Rainha do Império devia usar aqueles vestidos faustosos. O problema é que chegando lá, Jeremias não poderia postar o que lhe viesse à cabeça, ver o cinema que o arrebata, presentear-se com os comodismos que devassam a contemporaneidade. O melhor que Jeremias tinha a fazer era adaptar-se ao reino animal e escudar-se com armas e armaduras porque a vida na Selva não é pra meninos….

O Ilusório

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Excedente

Passos Coelho descobriu debaixo do tapete um excedente de dois mil milhões para injectar na economia. Estamos a entrar numa quadra marcada pela fantasia e o nosso Primeiro gosta de brincar com os palhaços que vão no comboio ao circo. A leviandade neste governo vai subindo de tom e antevejo grandes concretizações em 2012 a esse nível. Portugal tem um grupo complicado. O Sorteio foi azarento. Mas temos jogadores de qualidade que nos podem trazer o caneco de campeões da europa da Demagogia….

POST-CARD (Os velhos, os pombos, os gatos)

Alguns habitantes queixam-se dos pombos. Do mal
que fazem às fachadas, às estátuas, à pintura
dos automóveis. Os pombos não voam a gasolina
e têm humaníssimos hábitos como a gula, as
rivalidades do cio, a sede e a urgência
de defecar. Detestam coleiras, gaiolas, amparos
de casota, ausência de jardins
e adornos de penas alheias. E por este divino
despojamento recebem, às vezes,
algum milho displicente dádiva
de crianças para a fotografia, ou de benígnos
velhos reformados. Algumas mulheres continuam
a socorrer os antiquíssimos (e terrestres) gatos
vadios. Gatos da minha infância. Dos muros,
das traseiras, dos quintais - o Sindbad, o Pardoca - com
restos de arroz em papéis engordurados. Carinhosas
velhas, atentas à famélica e materna condição
das ninhadas, enquanto os pombos e os velhos
debicam espaços de pedra onde levavam asas
e entre todos assoma, por instantes,
a decaída aliança entre o Céu e a Terra.

Inês Lourenço

sábado, 3 de dezembro de 2011

Ai "Jasus"

Pedro Martins, técnico do Marítimo, ontem ao despedir-se de Jorge Jesus no fim do jogo do Funchal: Obrigado pela taça e até Domingo para o Campeonato...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Habemus Papam

No seu registo habitual, o Grande Nanni Moretti apresenta-nos uma comédia dramática centrada no interessante ritual inerente à eleição de um qualquer Papa. Ritual esse, que é a única coisa minimamente estimulante que a igreja católica tem para oferecer nos dias que correm.

Moretti continua em grande forma e inclusive já consegue fazer filmes com orçamentos consideráveis. Para filmar este Habemus Papam, por exemplo, criou uma réplica em tamanho real da capela sistina.
O Argumento guia-nos pela habitual clausura que os cardeais de todo o mundo cumprem, depois da morte do Papa, no sentido de eleger o seu sucessor. Enquanto isso, na Praça de São Pedro, milhares de fiéis aguardam ansiosamente a primeira aparição do novo Sumo Pontífice. Contudo, o Papa eleito (Michel Piccoli) esmagado com o peso da responsabilidade entra numa espécie de pânico, recusando-se a aparecer em público. Os seus conselheiros decidem chamar um dos mais reconhecidos psicanalista do país (Moretti, claro está) para o ajudar a ultrapassar a crise que pode muito bem passar por um recorrente défice paternal.

Em algumas cenas nota-se uma certa euforia no actor Moretti, certamente enfeitiçado com o facto de estar a afrontar a Santa Madre Igreja. No fim apesar de contrariar a vontade de Deus, fico com a sensação que Moretti podia ter trabalhado de forma diferente o epílogo face ao ritmo burlesco entretanto criado. Por exemplo, os cardeais para passar o tempo jogam empolgantes partidas de Voleibol…

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Contágio

Até a Alemanha começa a ser pressionada pelos mercados. Ao menos o raio da velha também há de ir ao fundo, pensam muitos. Por seu turno, a Espanha virou à direita numa tentativa de fugir ao inevitável.
Em Portugal discutem-se migalhas nos subsídios dos funcionários públicos com o objectivo único de ficar bem na fotografia final do Orçamento. Seguro politicamente não passa de um interlúdio pastoral. Otelo está senil e Soares tenta usar o que resta da sua legítima e merecida margem de influência democrática para tentar suavizar os danos. A Europa que Mário Soares ajudou a criar está decrépita e sem rumo. Ninguém o ouve porque, além de não apresentar alternativas válidas, é personagem que já não pertence a este filme…

José Malhoa

sábado, 26 de novembro de 2011

O Derby do Povo

Hoje é dia de Benfica-Sporting. Hoje é dia do Derby dos Derbys. De há uns anos para cá, com a explosão futebolística do Porto, os duelos entre portistas e benfiquistas talvez se tenham tornado mais intensos. Mas o verdadeiro derby do futebol português, o que exacerba mais as emoções dos adeptos, nunca deixou de ser este. Clubes que vivem separados por apenas umas centenas de metros, partilham umas das mais belas cidades do mundo. De um lado vermelhos de ardor, do outro lado verdes de esperança. Hoje é dia de emoção, picardias várias e cafés a abarrotar com gritos efusivos por tudo o mundo português. Hoje é dia de casos de arbitragem e espectáculo garantido. Hoje não se fala de outra coisa. No fim, qualquer que seja o resultado, continuarão as rivalidades, as discussões e as provocações entre colegas, amigos e vizinhos. Hoje é dia de Paixão em Portugal. A Crise que se lixe. Os mercados que se danem. Hoje é dia do ópio do povo. Hoje é dia de Derby…

Tema do Melancómico – B Fachada



Numa interpretação muito bem regada...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O Desconforto

Jeremias sempre sentiu admiração por quem chama as coisas pelos nomes. Talvez fosse uma questão de identificação pessoal. Inúmeras vezes se sentiu prejudicado por essa idiossincrasia que gostava de alimentar. Mas estranhamente, talvez porque vivia numa sociedade de pacotilha, havia verdades que lhe provocavam um inesperado desconforto...

A Borboleta

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A Banca

O capitalismo selvagem dos tempos modernos mergulhou a sociedade num ciclo vicioso que demorará anos a ser invertido. Portugal endividou-se à custa das campanhas dos principais bancos que ofereciam dinheiro a quem lhes entrasse pela porta, muitas vezes nem era preciso tanto, bastava um telefonema. Obviamente que os banqueiros enriqueceram imenso à conta disso e sobredimensionaram as instituições que lideram a um volume de negócios que não era sustentável a longo-prazo. Ao mesmo tempo, financiavam as famosas parcerias público-privadas, ficando credores em muitos milhões do próprio Estado. Com o sistema em declínio como resultado da deterioração dos tais “mercados” que os Banqueiros idolatravam, e com o avolumar da pressão internacional para que os rácios financeiros do sistema bancário apresentem valores razoáveis de solvabilidade, a Banca portuguesa está entre a espada e a parede. Convém também salientar que os principais bancos empregam milhares e milhares de pessoas para os quais pura e simplesmente vai deixar de haver trabalho. É impossível fugir a esta realidade, porque o crescimento dos bancos foi sendo construído debaixo de alicerces frágeis, frágeis como uma bola de neve. Semearam a ilusão de uma vida de sonho aos clientes e agora pagam o preço. O facilitismo acaba sempre mal.
A tendência, a começar pelo fundo de pensões dos bancários, é os recursos humanos da banca passarem gradualmente para a esfera pública, o que torna todo este jogo de interesses ainda mais surreal para o bolso do contribuinte.
Recapitalizar a banca sem contrapartidas, resolveria alguns problemas da Economia a curto-prazo, mas provavelmente o problema de fundo manter-se-ia e até se agravaria. Convém também esclarecer que nem todos os banqueiros são iguais a Oliveira e Costa e nem todos os bancos são o BPN. Existe ainda algum fundo de responsabilidade em alguns dos poderosos. Aliás em França e nos Estados Unidos alguns dos milionários até acham que devem pagar mais impostos.
Resumindo, os banqueiros beneficiaram de uma pervertida supervisão por parte do Estado para crescerem e multiplicarem dividendos. Em contrapartida, financiavam investimentos públicos que permitiram algumas realizações ao País. Com a explosão da crise, nem o Estado tem condições para amortizar os avultados financiamentos que a banca lhe concedeu, nem os bancos têm margem para libertar capital para revitalizar a economia.
O Mundo muda cada vez mais depressa...

Lisboa, Calçada de S. Francisco

Subindo pelas cinco horas a Calçada de S. Francisco,
em tarde de bruma e versos na Calçada de S. Francisco,
partindo do que não sei na Calçada de S. Francisco,
e sabendo onde não chego na Calçada de S. Francisco,
subindo na tarde deserta a Calçada de S. Francisco,
só eléctricos e pombas na Calçada de S. Francisco,
estranhando o que não estranho na Calçada de S. Francisco,
e pensando no que não penso na Calçada de S. Francisco,
subindo pelas cinco horas a Calçada de S. Francisco,
subindo e ninguém descendo a Calçada de S. Francisco,
sem eventos para as metáforas na Calçada de S. Francisco,
tiro do bolso a própria tarde.
Na Calçada de S. Francisco,
onde a realidade mudou e já nada acontece,
e já não é a Calçada de S. Francisco mas a Rua Ivens
ou outra rua do Chiado sem meditação ou moralidade.

Pedro Mexia

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Lima

Duarte Lima foi detido por estar associado às negociatas do BPN que nos continuam a custar os olhos da cara. Depois de Oliveira e Costa e Dias Loureiro, a entourage do professor Cavaco continua a dar cartas no Europeu da trafulhice…

O Infante

Francisco José Viegas demitiu Diogo Infante da Direcção artística do D. Maria II. Pode-se discordar profundamente das prioridades políticas estabelecidas pelo Governo, e eu discordo, como já escrevi aqui mais que uma vez, mas não posso deixar de salientar pela positiva a prontidão da resposta do Secretário de Estado. Sem hipocrisias pelo meio, e perante uma figura a todos os níveis consensual como é Diogo Infante, Francisco José Viegas fez o que um Governante responsável tem que fazer…

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

War In Peace - Wim Wenders

Na continuação da apresentação das curtas que integraram “cada um o seu cinema”, filme comemorativo dos 60 anos do festival de Cannes, deixo a participação do dinossauro Wim Wenders através de uma apaixonada e desconcertante visão da vida em Kabalo, cidade situada na republica democrática do Congo, depois de terminada uma guerra que causou 5 milhões de mortes…

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Assador

Portugal joga amanhã com a Bósnia partida decisiva no apuramento para o próximo Europeu. O empate a zero em terras bósnias não é bom, como muita da imprensa insinua, nem é mau. Deixa tudo em aberto para decidir amanhã na luz contra uma equipa que também tem os seus trunfos, num jogo onde certamente haverá golos para ambos os lados.

Cristiano Ronaldo é um extraordinário futebolista, um grandíssimo profissional, um jogador do mais completo que vi jogar e que tem o azar de ser contemporâneo de Messi. Mas as suas intervenções deviam ficar única e exclusivamente restritas ao relvado porque já demonstrou várias vezes que tem dificuldades em lidar com situações de extrema pressão. É humano, é verdade, mas não pactuo com uma certa condescendência que existe face aos seus actos e palavras. Aliás, Gilberto Madaíl levou a selecção a patamares talvez impensáveis há décadas atrás, mas aquela postura tão pacóvia de actuar sempre de acordo com as conveniências do momento, fazem da sua despedida uma extraordinária notícia para o futebol português. A actual Federação Portuguesa de Futebol é desde há muito o reflexo do pior que existe na Sociedade Portuguesa.

Paulo Bento, um homem que me levou quase ao desespero em Alvalade, tem algumas boas características de liderança e de carácter. Ao nível táctico, continua limitado, mas tem de facto um discurso motivador para as tropas. Os afastamentos de Bosingwa e Ricardo Carvalho, em casos em que todos têm parte da razão e em que faltou bom senso e flexibilidade na gestão, provam que o facto de ser boa pessoa, um tipo integro, com coluna vertebral como manifestamente é, pode não resultar necessariamente num bom treinador de futebol. Tem a carne no assador, muito por culpa própria…

Joan Miró

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O Lego

Jeremias comparava o declínio do estilo de vida ocidental com o desmoronar de um lego nas mãos de uma fascinada criança. Nação a Nação, peça a peça. Com uma pequeníssima diferença: até ver, a felicidade das crianças ainda não paga juros...

Balada da Rita – Sérgio Godinho

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

As Diferenças

Depois da renúncia de Papandreou na Grécia, segue-se a de Berlusconi em Itália. É uma boa notícia para a Humanidade mas má para a Europa porque significa que os mercados começam também a castigar os países mais poderosos, o que dificultará a recuperação global. Obviamente que a crise em Itália nunca assumirá as proporções da Portuguesa. Apesar de no carácter portugueses e italianos não serem tão diferentes quanto isso, em termos económicos as realidades são muitíssimo distintas. Itália possui uma Indústria visível e vigorosa bem como uma administração pública, no geral, eficaz. Para perceber isso, basta comparar a celeridade de decisão dos tribunais de ambos os países. Isaltino, Vara e outros que tais, escolheram muito bem o país onde viver…

A Manhã

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Décima Jornada

Ontem houve estrelinha de campeão em Alvalade e isso pode ser muito bom sinal. O resultado justo talvez fosse o empate neste encontro com a União de Leiria. Aliás, a interrupção para os jogos da selecção vem na melhor altura para recuperar a espinha dorsal da defesa. A estrela de Domingos que se mantenha por muito tempo. A entrada do puto Tiago Ilori a central foi uma decisão medonha. Jogamos com 10 a maior parte do tempo. É uma posição demasiado crucial para tão grande risco. Face às inúmeras indisponibilidades, a melhor opção para mim seria ter metido a central Evaldo que, apesar de todos as limitações técnicas é um jogador experiente e relativamente rápido, puxando o versátil Pereirinha (a sua melhor característica, talvez a única) para defesa-esquerdo. Mas o que interessa é a conquista dos 3 pontos, e o objectivo está alcançado num jogo onde era imperioso ganhar.

Em Janeiro na minha óptica de treinador de bancada devíamos contratar um central (essencial) e mais um desequilibrador lá para a frente. Isto, partindo do princípio que Rinaudo - lesionado recentemente - estará disponível em Janeiro. A época é longa e a propensão que este plantel tem para lesões obriga à existência de mais alternativas. A verdade é que houve jogadores que vieram a preço de saldo, tais como Jeffrén, Bojinov e Luís Aguiar (que já foi à sua vida) derivado ao facto dos próprios clubes vendedores duvidarem da sua consistência física.
Jeffrén e Izmailov, sejamos claros, só os veremos a espaços. Já me convenci disso. Mas esperemos que possam ainda ser importantes porque são belíssimos jogadores e bastante competitivos. Aliás, o que me preocupa mais é que temos contratos válidos por vários anos com ambos.
Relativamente a Bojinov, parece-me um jogador sabido e manhoso QB, mas algo lento. Faz-me lembrar o Acosta da primeira época. Mas como já não tem grande valor de mercado temos de tentar aproveitar ao máximo a sua experiência, até porque tem um bom espírito de equipa.
Acredito que André Carrillo e Diego Rubio ainda possam rebentar esta época. O primeiro tem deixado algumas boas indicações e o segundo não tem estado ao nível demonstrado na pré-epoca. Talvez o emprestado Wilson Eduardo que está a fazer uma boa época no Olhanense e na Selecção de Sub 21 possa também vir a ser mais uma solução disponível para a frente.
Elias começa-me, aos poucos, a convencer. Com a bola nos pés não é muito dotado, mas é inteligente na forma como aproveita os espaços concedidos pelas defesas contrárias.
A aposta em jogadores holandeses tinha tudo para dar certo. Schaars é patrão mais pela atitude. Tem que começar a brilhar nas bolas paradas, o que não tem acontecido. Mas a minha predilecção no actual plantel vai toda para o jovem de 22 anos, Rick Van Wolfswinkel. O Sporting que lhe melhore as condições salariais daqui a uns meses e suba a respectiva cláusula de rescisão. É jogador completo que tem todas as características que fazem um ponta de lança valer dinheiro a sério. É frio, letal, jogador de equipa, tem margem de progressão e joga sempre com o descomplicador (palavra que nem sequer existe, acabei de inventar) ligado.

Estarmos a um ponto da frente no fim do primeiro terço do campeonato é animador. Se vencermos ao Porto em casa, e empatarmos na Luz, começamos a ser encarados de outra forma. E a equipa deverá estar preparada para isso.
O Porto é líder sem derrotas e sem jogar absolutamente nada. No início teve os habituais empurrões amigos, e ultimamente vai sobrevivendo (até com goleadas) sem se perceber muito bem como. Nesta fase, pelo que não joga, seria normal já estar atrás do Sporting, mas é a classificação que temos e não podemos menosprezar a sua condição. Se ficarem fora das competições europeias cedo, como acho que irá acontecer, vão tentar a tudo o custo revalidar o título, com ou sem Vítor Pereira.
O Benfica tem um plantel recheado de bons jogadores, superior ao nosso. Não pondo em causa a competência técnico/táctica de Jorge Jesus, porque essa é inquestionável, possui um discurso de uma pobreza confrangedora que mistura arrogância com imbecilidade a rodos. Ao fim de 3 meses duvido que os próprios jogadores não estejam completamente saturados dele e das suas surreais palestras, mas que tem opções em catadupa, isso tem.

Domingos tem gerido bem o balneário. As saídas cirúrgicas de Postiga e Djaló facilitaram as opções. Aos 76 minutos de Paços de Ferreira já tinha a cabeça no prego, mas tem sabido através de uma serenidade inspiradora liderar o balneário, apoiado numa direcção que sabe o que quer e para onde caminha.
No fim da primeira volta depois de jogarmos com Benfica, Porto e Braga já deve dar para ter uma ideia mais precisa do que pode fazer este Sporting no campeonato, mas que eu acredito, acredito…

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Último Romântico

Georgios Papandreou teve na Grécia uma ascensão sinistra num país que vive dominado pela hegemonia de duas famílias. Durante a actual crise europeia, despoletada em grande parte em território grego, nunca negou as evidências e nunca fugiu às suas responsabilidades. Curiosamente, vai sair de cena como o último Governante de verdadeira dimensão na política europeia. A Democracia na actual europa é encarada como um Romantismo sem sentido…

Mas que sei eu

Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?
Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono
Nenhum súbito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu sei que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha

Ruy Belo

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Linha de Passe

Linha de Passe é um filme de 2008 dos Realizadores Walter Salles e Daniela Thomas que somente agora visionei. O Argumento é de Bráulio Mantovani e George Moura. É um belíssimo filme. Altamente recomendável, e que mostra que existe fora dos circuitos comerciais das tropas de elite e afins, cinema de qualidade criado por Brasileiros com vista para o Mundo.
O filme narra a história de quatro meio-irmãos que habitam em Cidade Líder localizada na periferia de São Paulo. Vivem com a ausência de um pai e lutam pelos sonhos que perseguem insistentemente. São todos filhos de Mãe solteira que se encontra novamente grávida. Mulher que ama os seus filhos e que gosta de beber, não mantendo qualquer relacionamento com nenhum dos pais dos rapazes. Um deles, Dário, vê no seu talento como jogador de futebol a esperança de uma vida melhor, tal como acontece com milhares e milhares de jovens brasileiros. Um outro, o mais novo, adora conduzir autocarros e procura incessantemente o Pai. Um terceiro, vive entre as interrogações da fé, mergulhado na vida real. E um último que já é Pai, tende para uma vida criminosa, na ânsia de proporcionar meios de subsistência ao seu filho recém-nascido.
É uma história de vidas sobressaltadas, guiada por uma câmara competente que traz identidade e sustentabilidade ao drama. E é o retrato cruel de uma sociedade que vive no fio da navalha.
No fim tudo o que pode correr mal, acaba por correr mal. Numa cidade sufocante como São Paulo em que sobreviver é o único verbo a conjugar…

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Democracia

Percebo que face à encruzilhada em que a Grécia lançou a Europa, os principais lideres europeus se julguem traídos com a possível marcação de um referendo à ajuda europeia em terras helénicas. Provavelmente atendendo às suas peculiares características, a Grécia nunca devia ter entrado no Euro. O declínio Grego numa certa medida até era uma catástrofe anunciada. Mas a verdade é que na altura todos concordaram.
Agora, o que retenho, é que a hipotética marcação de um Referendo se trata de uma decisão acertadíssima. Num processo de perda progressiva de soberania os Povos devem ser ouvidos. Custe a quem custar. Ao contrário do que defendem economistas e a generalidade dos comentadores, a Democracia não pode ser uma prática cingida somente a cimeiras e jogos de gabinetes. As Pessoas estão Primeiro. Puta que pariu os mercados…

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Os 25 Mil Milhões

Passos Coelho já admite pedir mais dinheiro à troika. E reza para que as decisões da cimeira europeia suavizem o futuro. Acontece que as medidas anunciadas na passada semana não são mais que um bálsamo de curto-prazo e não alteram o essencial.
Os actuais políticos portugueses assemelham-se a fantoches ilusionistas que todos os dias lançam novos truques. A Sócrates sucedeu Passos, a Teixeira dos Santos sucedeu Vítor Gaspar. Relvas não se assemelha a coisa alguma. Serve somente para preencher a vaga de Idiota de serviço. Papel que cumpre com inegável talento.
Vivemos reféns dos mercados. O que é hoje uma necessidade premente, amanhã já está desajustado face à forma como a realidade avança. Vamos acabar de joelhos a soluçar aos pés de Angela Merkel…

Tarsila do Amaral

sábado, 29 de outubro de 2011

O Elogio Conveniente

Num episódio sem paralelo no Portugal democrático, parece que o ministro Relvas disse que Seguro é "equilibrado e muito sensato".
Efectivamente tem alguma razão. É uma oposição equilibrada porque inexiste sempre. E isso não tem nada a ver com o acordo da Troika. Na noite em que Seguro ganhou as eleições no PS, aposto que Passos e Relvas abriram uma garrafa do melhor espumante (importado, claro está)…

Video Games – Lana Del Rio

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Os Culpados

A Crise, como nunca antes vista por esta geração que está agora na flor da vida, veio levantar a questão que assombra o país. Quem são mesmo os culpados do triste estado a que chegamos? Existem tertúlias à volta do tema. Diferentes perspectivas que visam reflectir sobre as reais causas da problemática.
Relegando os fanatismos partidários para o lugar que merecem - a obscuridade – importa perceber os reais alcances da coisa: Portugal é um pequeno país periférico que funcionou sempre por reacção à conjuntura económica internacional. A crise na Europa rebentou, e face aos interesses fortemente instalados e à nossa histórica dependência, caímos que nem patinhos no lamaçal. Fomos incapazes de nos prepararmos para o que aí vinha, mergulhados na ilusão de uma vida a crédito, valorizando o hoje e esquecendo o amanhã. Começando pelo próprio Estado que se endividou como se fosse um país poderoso que manifestamente não é.

E quem contribuiu politicamente para isto, ou seja quem são os principais culpados?
Começando pelo “princípio”, Cavaco Silva, o nosso professor (não meu) beneficiou de invulgares e apelativas condições para reformar Portugal. Os seus principais defensores sempre se agarraram à ideia que as suas políticas seriam valorizadas e até endeusadas a longo-prazo. Pois bem, Cavaco em tudo o que era estratégia de relevo para a sustentabilidade do país errou. Desde a fraudulenta aplicação de fundos comunitários sem supervisão, à excessiva e deficitária política do betão e auto-estradas, passando por um modelo de educação entregue aos privados sem ligação às necessidades da economia, Cavaco foi quem mais cavou a sepultura. Por outro lado, a única estratégia que levou a bom porto com inegável sucesso e calculismo, foi a da sua carreira política.
Depois de Cavaco houve Guterres que viveu num prolongado estado de graça, nunca antes visto. Deixou algumas marcas positivas na Saúde, no Ambiente e até na Cultura. Aumentou, imagine-se, os funcionários públicos em quase 5 % só num ano e continuou o desbarato de dinheiros públicos em auto-estradas e afins. Nada me move contra as auto-estradas e a necessária mobilidade para os territórios localizados no interior. Agora, o investimento deveria ter sido mais comedido e repartido por outras áreas. Por exemplo, ao nível das linhas-férreas. Guterres alimentou também uma empregabilidade fictícia, meramente estatística, tão frágil que deu no que deu. Foi incapaz de valorizar políticas económicas que fomentassem mais indústria. Do que nos serve ter auto-estradas que ligam ao interior, se depois não há lá empregos, e há lá cada vez menos pessoas como demonstram os Censos de 2011? O mesmo se passa com outras infra-estruturas criadas que andam por aí ao abandono, não só na fantasiosa ilha de Jardim. O mais recente é o aeroporto de Beja, que só faz sentido para os autarcas locais e para os 2 ou 3 empresários que têm ali negócios. Por mais que nos custe admitir, é esta a realidade do Portugal que foi ganhando forma ao longo do tempo.
Durão Barroso foi o mais inteligente de todos, reconheça-se. No meio do pântano que começava a alargar-se, serviu-se do País para alcançar a sua cadeira de sonho. E de Santana Lopes, nem vale a pena falar, tal o absurdo da sua actuação. A sua inarrável ascensão ao poder simplesmente serviu para humilhar ainda mais o nosso amargurado ego.
De Sócrates, já tudo foi escrito. Conseguiu incrementar algumas boas práticas. Fez um bom diagnóstico dos problemas reais mas, asfixiado por uma sociedade mediática que com laivos de intolerância sempre pretendeu controlar, enterrou-se com o declínio definitivo das contas públicas e com a necessidade de o país clamar por um bode expiatório para o assalto vigente às suas carteiras.
Presentemente temos Passos Coelho. Este, na ânsia de chegar ao poder, pressionado pelas suas hostes, comprometeu-se com coisas que não devia. Essas incongruências vão inevitavelmente persegui-lo até ao fim da legislatura, até porque Paulo Portas, já percebeu, que vai acabar por ganhar com o pobre e subalterno papel que lhe foi determinado na coligação. Não tenho dúvidas que Passos hoje ganharia as eleições novamente. O seu discurso coberto de alguma autenticidade beneficia de um Seguro que inexiste (foi invenção não se sabe muito bem de quem, talvez do próprio) e de uma atávica resignação dos portugueses que Passos Coelho tenta eficazmente alimentar. A última cartada é a do fatal empobrecimento da população. Tem dado, até com alguma surpresa para mim, alguns sinais de liderança. Escolheu alguns bons ministros, errando contudo em algumas pastas fulcrais como a Economia. Com a apresentação do orçamento para 2012 cumpriu alguma da cartilha imposta pelo seu liberalismo ao privatizar em larga escala a Cultura, institucionalizando a estupidificação do Povo.

Em síntese, os culpados somos todos. Pactuamos em relativo silêncio com as políticas que nos desgovernaram. Pedir a criminalização dos governantes por terem tomado opções erradas, tem tanto de inverosímil, como de tacanho. Agora sem dúvida, que há uns que são mais culpados que outros. Quer ao nível da responsabilidade efectiva pela governação, quer pela legitimidade democrática que lhes foi proporcionada. Eu, dos acima referidos, só votei num, e uma só vez: Em Guterres, no primeiro mandato, porque era imprescindível ver-me livre do autoritarismo pacóvio do professor cavaco...

O Corredor

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Caça às Bruxas

A Caça às Bruxas ainda agora vai no adro, mas está a começar bem. Como é possível gente que ganhou prestígio e notoriedade ao serviço do país, e depois foi ganhar balúrdios para o privado, continuar a receber pensões vitalícias do Estado? É simples. Basta pedir-lhes a declaração de IRS e estabelecer níveis de rendimento para estipular se tem ou não esse direito. Atenção, que eu até concordo que possa haver quem, depois de terminadas as suas funções e em caso de serviços relevantes, possa ter direito a uma pensão estatal. Agora, o que é inconcebível é somar essa pensão a montantes exorbitantes que possam auferir no privado. Muitas vezes, como resultado de relações promíscuas estabelecidos quando eram servidores do Estado. Nesses casos, mais uma vez, prova-se que o crime neste país à beira-mar plantado tem compensado…

O Pessoa

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…

Fernando Pessoa

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Álvaro

O Amigo Álvaro da Economia deverá perceber assim, finalmente, onde se veio meter. Desde já registo que o seu suicídio não é para mim a melhor opção. Sugiro que emigre, de preferência para o Canadá, onde segundo o que consta era feliz...
Este Portugal, dos dias que correm, é só rir....

Uivo

Em 1956, Allen Ginsberg lança o livro de poesia "Howl and Other Poems" - um ano antes de Kerouac pôr cá pra fora o lendário “On the Road” - e estabelece os alicerces daquilo que ficaria para a história como a Geração Beat que antecedeu os loucos anos 60. A narrativa segue o decorrer do julgamento que a editora da obra (a célebre City Lights Books de San Francisco) foi sujeita acusada de promover a obscenidade.

James Franco interpreta de forma soberba o jovem Allen Ginsberg, neste filme realizado pela dupla Jeffrey Friedman e Rob Epstein. Na sua faceta mais estimulante, o filme assenta numa entrevista ficcionada ao escritor intercalada com a declamação da poesia pelo próprio numa muitíssimo bem interpretada sessão de apresentação do livro maldito.

Para muitos, este simples livro de Ginsberg, que morreu com 70 anos em 1997, foi o embrião para o movimento hippie e para todas as revoluções que se seguiram. Só por esse interesse histórico vale a pena ver, ler e ouvir as poderosas palavras deste “Uivo” de Ginsberg…


Eu vi os expoentes da minha geração destruídos
pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de
madrugada em busca uma dose violenta de qualquer coisa
"hipsters" com cabeça de anjo ansiando pelo
antigo contacto celestial com o dínamo estrelado da
maquinaria da noite, que pobres, esfarrapados e
olheiras fundas, viajaram fumando sentados na
sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos
sem água quente, flutuando sobre os tectos das
cidades contemplando jazz, que desnudaram os seus
Cérebros ao céu sob o Elevador e viram anjos maometanos
cambaleando iluminados nos telhados das casas dos
cómodos que passaram por universidades com olhos frios
e radiantes alucinando Arkansas e tragédias à luz de
William Blake entre os estudiosos da guerra, que
foram expulsos das universidades por serem loucos
& publicarem odes obscenas nas janelas do crânio,
que se refugiaram em quartos de paredes de pintura
descascada em roupa de baixo queimando seu dinheiro
em cestas de papel, escutando o Terror
através da parede.

Allen Ginsberg (tradução brasileira)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O Iberismo

A unificação política entre Portugal e Espanha, profetizada por José Saramago e amplamente rejeitada e censurada por todos, mais tarde ou mais cedo vai voltar à ordem do dia. Numa nova e inevitável Europa talvez a própria delimitação de fronteiras venha a ser posta em causa. Desde que se preserve a identidade cultural e o idioma, que se respeite os costumes locais, como acontece aliás em muitas das actuais regiões espanholas, é solução que não me levanta especial pavor. Agora, seria efectivamente um grande choque para alguns sectores. Que todavia traria vantagens competitivas aos mais diversos níveis, disso não tenho dúvidas.
Neste momento a questão só não está já nas bocas do mundo porque a economia espanhola também atravessa uma intensa crise, com reflexos muito visíveis ao nível do desemprego…

Alfred Gockel

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Smells Like Teen Spirit - Nirvana



Havia coisas que Jeremias não conseguia ficar indiferente. E aquele cesto de basket ao fundo consumia-o. Não porque alguma vez tivesse jogado basquetebol, mas porque este vídeo representava uma certa manifestação de niilismo que desde aí nunca foi verdadeiramente abandonado. Algo semelhante a uma exuberante consumação de uma utopia.
A Jeremias, até lhe vinha a lágrima ao olho, o que não significava objectivamente que fosse de lágrima fácil.

Jeremias brinda à saúde do camarada Kurt, onde quer que ele esteja….

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A Bicicleta

Jeremias assistia à desintegração social do País. Observava impávido a uma indignação que prometia florescer. Quem sabe, dar novos mundos ao mundo. Caso os senhores da Europa assim o permitam.
Agora, o Postiga marcar de bicicleta, isso é que era absolutamente inesperado e não lembrava nem ao Diabo… 

O Peixe

domingo, 16 de outubro de 2011

O Lunático

Era tão zeloso das suas obrigações contributivas que pedia recibo ao dealer do bairro quando comprava cocaína. O Dealer obviamente negava, utilizando uma fundamentação filosófica para o fazer. Entre outros argumentos, dizia que era um profissional da economia paralela. Só para lixar o lunático do Passos Coelho….

Esta Gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
Dum país liberto
Duma vida limpa
E dum tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A Ingovernabilidade

Alguém ainda acredita que este País tem solução e que é governável? Comecem a contar as semanas para o anúncio do segundo pacote de ajuda. A cova está cada vez mais funda e uma hipotética perda de parte da nossa soberania, poderá não ser tão irreal quanto isso a médio prazo. Acho piada aos iluminados que continuam a pedir a criminalização de Sócrates e dos seus pares. Então e as mentiras e as contínuas derrapagens de Passos Coelho? Nessa perspectiva, as cadeias não tinham espaço para tanto criminoso. Gerir mal o erário público é o desporto nacional de eleição. A Leviandade não tem limites...

Sangue do meu Sangue

Na sequência de uma já relevante obra anterior João Canijo traz-nos Sangue do meu Sangue. Reconheço “Ganhar a Vida” como ponto alto da carreira do realizador e numa segunda linha talvez “Sapatos Pretos” e “Noite Escura” como obras de referência. Canijo faz, sem pestanejar e com algum brilhantismo, verdadeiro cinema de autor. A sua obra segue um fio condutor interessantíssimo. Conta histórias de vida, com alma de marinheiro de águas profundas. Só não é um dos meus realizadores preferidos porque utiliza maioritariamente um realismo exacerbado onde a morte e o homicídio estão presentes em excesso, ao contrário do mago Mike Leigh, com quem muitas vezes é exageradamente comparado. Isto, apesar de utilizar um método de trabalho com os actores inspirado no enormíssimo Realizador inglês. 

O filme é totalmente preenchido pela mãe-coragem, Rita Blanco que enche o ecrã com o seu talento e acutilância. A sua carreira tem sido pautada pelos mais diversos papéis e tem especial inclinação para figuras tutelares. A sua experiência televisiva, que Canijo faz menção de demonstrar no próprio filme com o surgimento da voz de Rita Blanco a representar numa novela, é factor decisivo para a composição da personagem.
O filme tem alguns desequilíbrios. Assisti à sua versão longa. Canijo foi demasiado ambicioso. Quis ir longe demais face aos recursos que tinha ao dispor. O argumento tem fragilidades e algumas das interpretações ficam, na minha óptica, aquém do desejado.

Do ponto de vista puramente cinematográfico o mais relevante são as conversas cruzadas que o realizador faz questão de apresentar durante todo o tempo, como se simultaneamente decorressem dois filmes independentes. O espectador, apanhado de surpresa, num exercício curioso, segue a conversa que mais valoriza.
É também cativante no filme a perspectiva crua e extraordinariamente bem datada da Lisboa retratada pelo Bairro Padre Cruz em meados de 2010 com o mundial de futebol em pano de fundo. Poucas vezes, a cidade foi filmada com tal intensidade e pureza.

É acima de todas as possíveis apreciações um filme sobre o amor incondicional (feliz e inteligente expressão escolhida para a promoção do mesmo) de uma mãe pela sua filha, e de uma tia pelo seu sobrinho. Márcia (Rita Blanco) é a mãe solteira de Cláudia (Cleia Almeida) e Joca (Rafael Morais) e irmã de Ivete (Anabela Moreira). E de como elas estão dispostas a sacrificar tudo para os salvar.
Canijo consegue agarrar o espectador, deixando-o colado ao ecrã do princípio ao fim. Com um som notabilíssimo, é um filme com algumas lacunas, mas merece sem duvida o destaque que tem tido nos media…

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A TSU

Perderam-se horas e horas a dissertar sobre o assunto. Escreveram-se bíblias com diferentes teses sobre o tema. Havia inclusive correntes que, imagine-se, defendiam uma redução de 8 %. Passos Coelho fez dessa hipotética redução um dos seus mais marcantes compromissos eleitorais. Eu sempre estranhei tamanha generosidade. Agora, conclui-se o óbvio. Que não há margem nas contas do estado nem para diminuir uma migalha nos custos do trabalho. Nos impostos continuamos a ser incapazes de cortar. Pelos últimos desenvolvimentos, começa a ganhar forma a ideia de o País ser ingovernável. A derradeira esperança é acontecer algo semelhante ao que ocorreu com o Manchester City que foi comprado por um Árabe maluco cheio de pilim. O clube Inglês voltou a ser Grande…

Pierre Renoir

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Não Há Nada P'ra Ninguém - Mário Mata



O Hino nacional dos tempos modernos. Assenta-nos que nem uma luva. Retrata a verdadeira essência do ser português nos tempos que correm…

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A Maioria

Não percebo o nosso sistema eleitoral, os métodos que utiliza e a terminologia que lhe está associada. Em grande medida, serve para driblar os princípios inerentes à própria democracia que preconiza. Está obsoleto e carece também de reforma imediata.
Jardim ontem na Madeira, e Cavaco há meses na primeira volta das eleições presidenciais, foram eleitos com os votos expressos de menos de metade dos eleitores que compareceram nas urnas para exercer o seu direito. Utilizar em ambos os casos a expressão maioria absoluta é completamente estúpido. Utilizar a palavra maioria é deveras enganador. A Maioria não votou neles...

sábado, 8 de outubro de 2011

O Francisco

Francisco José Viegas, vulgo secretário de estado da cultura com c pequeno, diz que actualmente somente 36 % das entradas em museus é que são pagas, sendo as restantes gratuitas. Eu até acredito que actualmente a realidade seja essa. O que é inconcebível é que FJV assuma como objectivo que a curto-prazo essa proporção passe para 80 % numa medida que visa claramente um regresso ao passado, e em claro sentido contrário ao que cada vez mais é prática generalizada no mundo civilizado.
O país regride e de que maneira na cultura. Depois, porque gosto de me rir, mostrem-me por favor a evolução do número de visitantes dos museus nacionais dos próximos anos. Portugal caminha para a uma política de perpetuação da ignorância e ainda querem aplausos. É altura, antes de cairmos em definitivo no abismo, de chamarmos as coisas pelos nomes. Pactuar com isto é criminoso...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Epitáfio

Aqui jaz um homem simples que viveu num mundo complexo...

Explicação detalhada que virá na brochura alusiva ao evento a ser entregue aos (às) alegres convidados (as):
Homem esse que também complicou muitas vezes o mundo onde viveu. Que quebrou promessas, fruto de circunstâncias várias. Que pecou muito desde cedo. Que foi muitas vezes injusto nos julgamentos que efectuou. Que levou sempre a ironia ao limite do aceitável. Que magoou pessoas que não mereciam ser magoadas. Que se colocou em situações completamente absurdas por culpa própria. Que meteu os outros em situações absurdas. Mas que foi sempre, sempre fiel ao lugar-comum da sinceridade, mesmo que para isso tenha de faltar à palavra que prometeu antes. E foi Humano, sempre!...

A Visão

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O Contabilista Melancólico

O título deste post foi usurpado a uma das últimas crónicas de Vasco Pulido Valente com quem partilho algumas opiniões, não muitas. Isto, porque o Mundo segue para um lado e VPV segue orgulhosa e solitariamente para o outro. No entanto, sempre que possível, não dispenso as suas cirúrgicas palavras.
Com o Contabilista Melancólico, Pulido Valente refere-se obviamente ao nosso Ministro das Finanças. E até nos vem a vontade de rever Vítor Gaspar a mastigar lentamente as palavras, a pesar meticulosamente a substância dos seus dizeres, a dissecar o alcance das suas preposições financeiras. É uma melancolia épica a do nosso Ministro. Um desencanto, sempre em crescendo, proporcional ao afundamento das nossas contas públicas. O Homem é o perfeito espelho do que representa. Este Gaspar é um Senhor….

Senhora de Londres escolhendo Limões

Não, nem todo o limão é amarelo quando
A mão de alguém o toca e humaniza, pequeno deus
Aos tombos do céu de um pensamento manual e
Exigente. Às vezes, quando a sede não é muita,
Um do fundo é erguido à altura do olhar e então,
Por mágica rotação da sorte que nos astros se reflecte,
Encontra uma outra luz na mão que o recebe e deposita
Em morada assaz prosaica e de plástico. Na vida,
A caminho do futuro que ele nunca saberá onde fica,
O limão continuará a ser inteiro
E o seu sumo continuará a ser sumo,
Pela mesma sábia razão por que a história dos homens
É sempre muito maior do que eles.

Rui Costa

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Acordo Ortográfico

Não é discussão que me entusiasme por aí além, ou que me faça perder o sono. Mas em determinadas circunstâncias sou assaltado por uma dúvida metafísica: Porque é que um povo que no geral sempre escreveu mal (apesar de sermos um país de poetas, essencialmente frustrados) tem agora de seguir os trâmites do novo acordo como se fosse uma coisa absolutamente imprescindível e dela dependesse o futuro da humanidade?
Faz sentido numa determinada perspectiva? Aceito. Diminui gradualmente as assimetrias linguísticas existentes entre quem, para todos os efeitos, fala a mesma língua? É capaz de ser verdade. Agora obrigarem o Povinho, onde orgulhosamente me incluo, a escrever de certa forma a partir de determinada data é conversa de proxenetas insípidos. Preocupem-se em resolver os reais problemas das pessoas que falam a tal língua que tanto enaltecem…

domingo, 2 de outubro de 2011

A Nossa Vida

Um filme italiano com a realização de Daniele Luchetti que me agradou vivamente e cujo argumento reflecte na perfeição este conturbado mundo em que vivemos. É um filme com pessoas dentro, que permite recuperar algum do fulgor inerente ao bom cinema italiano.
Claudio e Elena vivem num bairro periférico de Roma com dois filhos e esperam um terceiro. Ele trabalha na construção civil e ela é mãe a tempo inteiro. Uma inesperada tragédia vem alterar tudo.
O que mais me parece de destacar é a crítica social subjacente. Uma caricatura daquela Itália que vive ostensivamente com base na imagem e valoriza o parecer em detrimento do ser. Com alguma xenofobia implícita, também. É curioso como Italianos e Portugueses, apesar de viverem em realidades muito distintas, passeiam tranquilamente pelos mesmos trilhos de hipocrisia.
Este drama esteve em competição pela Palma de Ouro na edição de 2010 do Festival de Cannes, onde Elio Germano arrebatou o prémio de melhor actor. Independentemente disso, não acho que estejamos perante um filme de grandes actores e de grandes interpretações. Aliás, apesar da evitável redenção final, não consigo simpatizar com Claudio...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Isaltino

Querem prender o bom do Isaltino? Livrem-se disso, seus ingratos. De Oeiras à Suíça, passando pelas belas terras do Mindelo, todos conhecem a sua abnegada generosidade. Mas porquê agora? Pergunto eu.
Porque os Juízes neste país à beira-mar plantado decidem de jornal na mão e de olho no ecrã. Quando a indignação geral cresce, decidem finalmente agir. A grosso modo reina a impunidade mas convém ir ludibriando a pobre ralé. Lembrem-se de Vale e Azevedo, lembrem-se do processo Casa Pia? Isaltino é a primeira vítima das diabruras de Jardim na Madeira. Num sistema onde imperasse a mais banal justiça, Isaltino já estava dentro há pelo menos 5 anos, mas em Portugal a justiça funciona a reboque dos media.
Que o destino nos salve de cair nas mãos desta justiça de mercearia...

Claude Monet

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Homem que Adicionava Amigos

Acordava na esperança de mais um dia risonho. Era um optimista por natureza. A riqueza dos seus momentos era proporcional ao número de likes somados. Cada like funcionava como um novo alento. Fortalecia-lhe a ambição. Alimentava-se da curiosidade alheia porque percebeu que a vida dos outros é sempre mais interessante que a nossa. Adicionava amigos com a superficialidade com que cumprimentava a porteira do prédio. Um dia já envelhecido, depois de uma vida cheia de sumptuosidades, adicionou a palavra morte. 
Nunca chegou a perceber o verdadeiro significado da palavra amizade...

Just Girls - Amarguinhas



As Amarguinhas é uma cena que me assiste. Tenho pena que estas moças não tenham dado o devido seguimento às suas carreiras. Este just girls fazia sentido. Reconheço no entanto que esta predilecção está imensamente condicionada pelo meu gosto por amêndoa amarga com gelo e limão….

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Promessas de Leão

Apesar de continuar a ser cedo para tirar conclusões definitivas relativamente à equipa e aos craques que a compõe (vou aguardar pela décima jornada para fazer uma avaliação mais precisa) é já claro que, ao contrário do passado mais recente, temos matéria-prima de qualidade. Contudo é necessário dar tempo a estes miúdos para se integrarem. E depois, tudo é muito imprevisível. Por exemplo o Diego Rubio, que já todos pensávamos na pré-época que seria o próximo Cristiano Ronaldo, agora nem dá para perceber muito bem o que vale na realidade, pois não tem jogado tempo algum.
André Carrilho aparentemente tem muito potencial e um futebol que entusiasma, mas tem ainda muito que aprender ao nível táctico. É um jogador parecido com Matias, a meu ver, mesmo jogando em posições diferentes.
Wolf é avançado com escola e tem mesmo o tal instinto de Lobo na área. Espero que não se deslumbre com tanto mediatismo, pois tem somente 22 anos. Desejo é que nenhum deles tenha lesões graves que atrapalhe o seu desenvolvimento. Jeffren e o Aguiar já estão no estaleiro há meses. Aí, é que continuamos com galo.
Aqueles inolvidáveis 8 minutos de Paços de Ferreira em que se virou um resultado de 2-0 para 2-3 podem ter sido o início de uma época extraordinária. O Futebol é cheio destes fantásticos episódios que perduram na história. Até a Prometer, somos Grandes e Únicos.

Adenda: Luís Aguiar já era...

O Tambor

domingo, 25 de setembro de 2011

O Umbiguismo

A vontade de punir criminalmente Jardim é tão absurda como absurdo é a dimensão do buraco escondido pelo líder Madeirense. Concordo com a sua punição ao nível penal, se e só se, ficar provado que beneficiou pessoalmente das suas políticas de esbanjamento de fundos públicos.
Nessa perspectiva justiceira, defendida por exemplo também pelo grande Medina Carreira, por uma questão de lucidez todos os governantes deviam ser culpados. Devendo começar a Purga pelo actual Presidente da República que foi quem teve lá mais tempo, e por esse motivo, o que mais tempo pactuou com as escavadoras Jardim.
O ponto crucial desta discussão é perceber como foi possível - num país que viveu debaixo de uma ditadura de 48 anos com os resultados que se conhecem - o sistema político ter permitido que um qualquer individuo se perpetuasse no poder durante 33 anos?

E o mais engraçado é que numa sociedade de fachada, microscópica, onde todos devem favores a todos, demorou-se cerca de 30 e tal anos a perceber que a limitação de mandatos era uma medida essencial para o desenvolvimento do País.
Outros que se deviam também sentar no banco dos réus são os próprios órgãos de comunicação social. Como foi possível, ninguém ter investigado a fundo as contas de Jardim na Madeira? Até porque as televisões e principais jornais têm meios e recursos para isso. Bastava que os Senhores Directores lessem Blogues, por sinal. Era tão óbvio. E nem sequer vou falar de alguma insensatez e até leviandade que existe hoje na comunicação social a abordar o tema. Parece que em cada Madeirense há um perigoso caloteiro. Como se todos os Madeirenses se chamassem Alberto João. Aposto que muitos destes iluminados da justiça a quem de repente se fez luz, votavam sem hesitar em Jardim caso fossem Madeirenses. Estariam-se marimbando para a solidariedade nacional e para as ilegalidades conhecidas. E faziam-no pelos mesmos motivos que levam Isaltino Morais a continuar a ganhar eleições no concelho mais instruído do País - Oeiras. O nosso umbigo (o desses cidadãos) é tão bonito…