segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Clássico

Benfica e Porto preparam-se para a eventualidade de decidirem o campeonato numa sexta à noite: coisas deste futebol dito moderno. Para mim é jogo de 1X. O empate na prática servirá mais o porto que o benfica, mesmo que no plano teórico possa parecer o contrário atendendo ao 2 a 2 da primeira volta.
A equipa de Jesus talvez mereça mais estar à frente da Liga, mas a verdade é que o porto em termos de futebol jogado reequilibrou-se com as contratações de Lucho e Janko, e neste momento as equipas estão bastante próximas uma da outra em termos competitivos. Qualquer que seja o desfecho já ninguém tira a Jorge Jesus o prémio de melhor substituição do campeonato: a entrada de Djaló para o lugar de Aimar neste último jogo em Coimbra. O Braga, que corre por fora, é a equipa mais consistente e talvez merecesse o título derivado à abissal diferença de orçamentos que tem para os outros Grandes. O facto dos jogadores medianos que compõem a equipa jogarem juntos há vários anos, independentemente do mérito dos treinadores que por lá têm passado, merecia ser fator decisivo pela coerência da aposta. Mas é muito difícil, e caso não cheguem ao primeiro lugar, o ideal para o meu Sporting seria entrarem em depressão e caírem do terceiro lugar.
O Grande Sporting
lá vai ganhando de aflitos e jogando pouco, na ressaca de mais uma decisão catastrófica e inexplicável duma direção para as aspirações a médio-prazo do Clube: despedir o treinador que era a rosto do projeto por alguém que apesar dum indesmentível Sportinguismo exacerbado é um completo tiro no escuro ao nível da competência para o lugar. Tenho esperanças que contra a equipa mais rica do mundo - o Machester City - na liga Europa possamos fazer uma grande surpresa, mesmo com Polga a titular…

A Arte na Rua

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Hipocrisia do Consumismo

Porque será que esta notícia teve tão pouco destaque na nossa comunicação social?
Apple. Entre a espada e os chineses
Gostava de convidar políticos de todos os quadrantes, proeminentes jornalistas, ilustres comentadores, e restantes especialistas de tudo e mais alguma coisa a pronunciarem-se sobre esta questão. Quem está disponível para deixar de utilizar os iPhones e iPads com que norteiam as suas vidas fabricados objetivamente com recurso a trabalho escravo?? Pois, uhhmm...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Bandeira

A mediocridade em que Portugal tem caído, fruto grande parte da visão da gente que nos tem governado, tem como consequência a histeria coletiva que rodeia um caso banal - trágico mas banal – do psicopata de Beja.
Aliás Portugal, enquanto escava cada vem mais fundo o buraco onde provavelmente vai acabar enterrado, rejubila com casos grotescos de foro policial como esse de Beja e o que envolve o mítico criador da “Ternura dos 40” - Paco Bandeira. Mas enquanto a primeira novela não tem qualquer tipo de interesse, a situação que envolve o cantor alentejano é importante do ponto de vista sociológico e deveras elucidativa relativamente à suposta e perigosa impunidade que normalmente goza quem tem algum Poder mediático no nosso país. O Poder, na grande maioria dos casos em Portugal, tem sido utilizado para camuflar vícios proibidos e comportamentos deploráveis. Reside aqui em grande parte a origem das nossas atuais agruras…

O vestido cor de salmão

Ai de mim estreei o meu vestido cor de salmão
no primeiro baile a que fui
durante o baile fiquei sentada numa cadeira
ninguém me convidou para dançar
a uma rapariga importuna
que me perguntou porque é que eu
não dançava
respondi eu não sei dançar
ela insistiu comigo para que eu
bebesse uma taça de champagne
eu acedi
mas não foi dessa vez que bebi champagne
pela primeira vez
porque a rapariga entornou a taça
no meu colo
julgo que propositadamente
com a nódoa o vestido deixou de ser para bom
passou a ser para bater
durante uma viagem curta de comboio
uma faúlha do comboio (que era a lenha)
queimou-o no punho
foi fácil substituir o punho
porque no Penim onde a minha mãe tinha comprado
o corte de tecido cor de salmão
ainda havia esse tecido cor de salmão
mas durante um passeio à praia
sentei-me numa rocha
e ao levantar-me precipitadamente
por ver que ia rebentar uma trovoada
o vestido ficou preso à rocha
e rasgou-se irremediavelmente
ao despi-lo vi que o vestido tinha já
a forma do meu corpo
rasguei-o em pedaços
e guardei os pedaços
na cesta dos trapos
de um dos pedaços fez-se um vestido
para a boneca da minha irmã mais nova
e deste mais tarde fez-se um vestido
para a filha da boneca da minha irmã mais nova
que era uma boneca mais pequena
que caiu a um poço

Adília Lopes

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

It's a Dream - Tsai Ming-liang



Mais uma curta retirada de cada um o seu cinema que comemorou os 60 anos do festival de Cannes, desta vez a cargo de Tsai Ming-liang que tem vindo a colocar a Malásia no mapa do cinema universal...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Desacordo

Tem existido grande polémica por aí relativamente à obrigatoriedade do novo acordo ortográfico. Polémica essa que surgiu como resultado da insubmissão de Vasco Graça Moura à aplicação do mesmo nos serviços que agora dirige no CCB.
Primeiro ponto: Se Portugal fosse um País onde imperasse a meritocracia Graça Moura não poderia estar neste momento à frente dos destinos da Instituição. O anterior responsável foi competente, inclusive a gerir a diminuição de recursos que teve ao dispor. Substituir alguém que está a fazer um bom trabalho por razões políticas é estúpido e Francisco José Viegas não fica, de todo, bem na fotografia. Já vi por menos pedirem-se demissões. E o próprio devia refletir bem se não há "relvas" a mais no seu jardim de incongruências.

O Hipocrisias Indígenas utiliza a nova grafia desde o início do ano, não porque ache que seja uma coisa absolutamente indispensável para a felicidade ou sobrevivência do país, mas porque sou um progressista. E tendo um filho ainda petiz tenho a consciência que é nessa escrita que irá aprender a expandir os seus dizeres.

O novo acordo é aceitável na lógica da irreversível globalização, mas não me choca nada que não seja aceite por muita gente. A língua portuguesa é das mais ricas do mundo, e talvez das mais difíceis de dominar na totalidade. Num país de escritores reconhecidos, e muitos frustrados, mexer com umas das coisas que mais nos diferencia é natural que dê azo a diferentes interpretações. Mas Portugal não acaba aqui…

Antoni Tàpies

Barcelona, 13 de dezembro de 1923 - Barcelona, 6 de fevereiro de 2012.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

As Pieguices

Sempre gostei da palavra “Piegas” e agradeço sinceramente ao Sr. Primeiro-Ministro por a ter trazido para a ordem do dia. É muito mais agradável ler dezenas de vezes a palavra “Piegas” do que palavras como “mercados”, “juros”, “défice” ou mesmo “Buraco”. Pieguices minhas….

De Do Do Do, De Da Da Da - The Police

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Europa

A Grécia continua a estar no epicentro do vulcão europeu. A grave situação portuguesa pouco tem a ver com a calamidade grega. Estruturalmente a sociedade grega consegue ser mais clientelar que a nossa, por difícil que isso possa parecer. Mas se não houver um fim à vista para a derrocada da economia europeia podemos acabar ainda pior do que estamos.
Entretanto, Merkel refere os túneis e autoestradas da Madeira como péssimo exemplo de aplicação dos fundos europeus. Definitivamente, acabou o Carnaval de Jardim. O último a sair que apague as luzes do túnel. Alberto João é um cadáver político…

A Marginal

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Consolo

De desilusão Leonina em desilusão Leonina, quer-me cá parecer que a única alegria que vou ter esta época é ver o Yannick Djaló de águia ao peito e a Floribela nos camarotes da luz…

O pão

Há pessoas que amam
Com os dedos todos sobre a mesa.
Aquecem o pão com o suor do rosto
E quando as perdemos estão sempre
Ao nosso lado.
Por enquanto não nos tocam:
A lua encontra o pão caiado que comemos
Enquanto o riso das promessas destila
Na solidão da erva.
Estas pessoas são o chão
Onde erguemos o sol que nos falhou os dedos
E pôs um fruto negro no lugar do coração.
Estas pessoas são o chão
Que não precisa de voar.

Rui Costa

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Deus da Carnificina

Realizado por Roman Polanski, uma comédia dramática sobre os estranhos caminhos que norteiam a natureza humana, baseada na aclamada peça da dramaturga francesa Yasmina Reza escrita, como sempre por ela, com uma sublime inteligência.
Os casais Longstreet (Jodie Foster e John C. Reilly) e Cowan (Kate Winslet e Christoph Waltz) juntam-se para resolver uma desavença entre os seus filhos de 11 anos. Porém, se ao princípio tudo parece correr civilizadamente, à medida que a conversa se desenvolve, a discussão começa a tomar proporções pouco dignas com os quatro a revelarem maior infantilidade que os seus próprios filhos.
Depois de uma brilhante aparição em sacanas sem lei de Tarantino, Christoph Waltz oferece-nos novamente uma estrondosa interpretação fazendo o papel de cínico de serviço. O casal composto por Jodie Foster e John C. Reilly não lhe fica nada atrás ao nível interpretativo.
A única fragilidade que o filme de Polanski possui é que estamos de facto perante uma peça teatral. A adaptação para cinema podia ter ido mais longe, evitando por exemplo aquelas constantes saídas e entradas da casa onde decorre todo o filme. Ou seja, a narrativa funciona com toda a certeza melhor em palco do que em tela.
Roman Polanski, fiel à sua imagem, continua contudo a lapidar de forma magistral as imperfeições do ser humano. Sem ser uma obra-prima, este casamento do seu talento com o génio de Yasmina Reza é um dos acontecimentos cinematográficos mais significativos dos últimos tempos…

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Carvalho

Carvalho da Silva foi-se. Sucede-lhe um jovem lobo de quem ainda não fixei o nome a que todos auguram um grande futuro. Neste contexto específico do sindicalismo a denominação de jovem promessa é relativa. A jovem promessa pode ter perto de sessenta anos, por exemplo, o que não deixa de ser um valente contributo para a justa valorização de uma classe etária mal compreendida e até para o retardamento da idade da reforma.
Mas o que interessa verdadeiramente nesta discussão à volta da CGTP é que o sindicalismo que preconizam está caduco. Perguntem às pessoas na rua o que pensam deles? É simples. E perceberão imediatamente que a insatisfação que as pessoas sentem não é de nenhuma forma enquadrável nas suas ancestrais formas de combate. Pensem na adesão que os movimentos de cidadãos apolíticos estão a conseguir e talvez comecem a perceber o que já deviam ter percebido há muito.
Reunir centenas de delegados em congresso utilizando as mesmas bandeiras, proferindo as mesmas palavras de ordem, e entoando os mesmos hinos dos anos 80 (altura em que também houve uma intervenção do FMI em Portugal) é um exercício que não faz qualquer tipo de sentido. O sindicalismo, tal como o conhecemos, está morto. A Sociedade mudou. Ao nível laboral, a realidade está presentemente a sofrer profundas alterações que marcarão indelevelmente as gerações futuras. A associação de pessoas com interesses comuns em salvaguardar os seus direitos continuarão a existir, e farão sempre sentido, até porque a liberdade foi a mais preciosa conquista de todas. Agora, as formas de intervenção sofrem adaptações inevitáveis que não passam pelas atuais bases do sindicalismo que temos. Não perceber isto, é caminhar para uma sala escura à prova de ruído…

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Cineasta

Sucumbiu um dos melhores cineastas da atualidade. Apesar de filmar pouco, Théo Angelopoulos era dos mais brilhantes da sua geração. Num país em cacos como é hoje a Grécia, morreu na sequência de um atropelamento nos arredores de Atenas. Dificilmente haveria melhor analogia para o declínio da Europa.
A propósito desde desaparecimento, ouçam aqui o magnífico Sinais de hoje na TSF com a habitual assinatura de Fernando Alves, recordando a emblemática obra do Realizador Grego - O Olhar de Ulisses - onde Angelopoulos exacerbava de forma magistral a sua paixão pelo Cinema. 


Angelopoulos foi-se num dia cinzento, mas o seu cinema de um outro mundo fica para a eternidade....

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

As Despesas do Professor

Cavaco numa daquelas suas recorrentes paragens cerebrais confessou que as verbas que aufere de reforma nem sequer dão para as despesas. No passado, já nos tinha brindado com a importante informação de que a sua mulher recebia 800 € de reforma por ter sido professora. Com todo o respeito que tenho pelas Senhoras que vendem peixe, é uma conversa de Peixeiras. Mas o nível intelectual do professor cavaco fica em demasiadas coisas aquém do das Senhoras do Peixe. Esta é que é a verdade. Ainda para mais, num segundo mandato onde já não tem de estar preocupado com a reeleição, estes atestados de senilidade por parte do professor serão certamente mais frequentes.

O Presidente da República relativamente ao assunto em questão só tem que fazer duas coisas:
1) Exige uma mudança da lei para que, excecionalmente, o vencimento do mais alto representante da nação seja objeto de uma imediata revisão para valores consentâneos com a dignidade a que a função obriga. Essa revisão permitirá que o Chefe de Estado em exercício não tenha de optar por receber pensões mais elevadas do que o próprio salário de Presidente. Por exemplo, uma remuneração mensal na ordem dos 20 000 € mais despesas de representação não me pareceria desajustado face aquilo que é na generalidade a realidade das remunerações auferidas por Chefes de Estado por esse mundo fora.
2) Informa o País que como consequência da alteração da lei - até deixar as funções de Presidente da República - ficam congeladas as reformas que hipoteticamente teria direito como resultado dos descontos que efetuou ao longo da sua carreira contributiva.

Esta é a única abordagem possível para o problema. Não tendo coragem para o assumir, o Presidente da República só pode estar caladinho e meter o rabinho entre as pernas. Dizer aos Portugueses nesta altura que os rendimentos mensais que aufere na ordem dos 9 500 € (a que acrescem 2 500 € de despesas de representação como Presidente) não dão sequer para as suas despesas só pode ser uma brincadeira de mau gosto. Obviamente que a comunicação social agradece o brinde e rejubila com tamanha fantochada proporcionada pelo Palhaço-Mor da Nação….

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A Democracia Representativa

Cada mais gente pensa que a democracia não é o melhor sistema. O que é deveras preocupante. Este facto deveria abrir uma reflexão profunda na opinião pública e na sociedade civil. A distância entre eleitos e eleitores é assustadora e tende a aumentar no atual contexto de grave crise económica que vivemos.
Os círculos uninominais são a alternativa mais sustentável ao sistema parlamentar que temos. Ao votarmos num só candidato estamos a responsabilizá-lo diretamente pelas suas intervenções na esfera pública, o que o obrigará a comportar-se de forma mais condigna no domínio privado. A isto chama-se prestação de contas. E ao mesmo tempo introduz-se transparência num sistema decrépito, onde ninguém sabe verdadeiramente quais são os limites para a indecência no meio desta praga que se chama tráfico de influências que corrói aterradoramente, e de forma progressiva, a sociedade portuguesa…