segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Tubarão de Baltimore





























Michael Phelps depois de cilindrar todos os recordes olímpicos diz que a partir de agora nadar só no mar. Depois de na minha modesta opinião se ter tornado no melhor atleta de todos os tempos - dificilmente superável nas próximas décadas - com 27 aninhos dá por terminada a carreira. O rotineiro pequeno-almoço deste rapaz é composto por três sandes de ovos fritos com queijo, alface, tomate, cebola e maionese, duas chávenas de café, uma omelete de cinco ovos, uma tigela de papas de milho, três torradas barradas com açúcar e três panquecas de chocolate. Os tubarões que se cuidem...

terça-feira, 31 de julho de 2012

O Olimpismo

Ontem perante uma questão um bocado estúpida de um jornalista - diga-se - que lhe perguntava o que destacava de positivo e negativo na participação portuguesa do dia (como se houvesse algo digno de destaque na hecatombe) o ex-medalha olímpica Nélson Évora destacou a vitória de uma jovem do badminton sobre uma adversária do Sri Lanka e nomeou-o como feito histórico. Quando o politicamente correto se sobrepõe a todos os possíveis resquícios de alguma racionalidade na análise da prestação dos atletas, está tudo dito relativamente aos critérios de exigência que proliferam na representação portuguesa nos Jogos e no país em geral.

Vicente Moura, que por acaso até é do meu Clube, é personagem principal há demasiado tempo deste filme de mau gosto. Há muito que devia ter havido uma renovação na classe dirigente do comité olímpico. Isto, independentemente dos resultados alcançados, porque o seu discurso há demasiado tempo que é de uma pobreza confrangedora para o pobre do contribuinte.
Ganhar em jogos olímpicos nunca será fácil para um atleta português por razões culturais (gostamos demasiado de futebol) e estruturais. Relativamente às condições de treino penso que os atletas já não terão as razões de queixa do passado. O problema reside mais no desaproveitamento desses mesmos recursos já existentes, e na falta de dinamização dos mesmos. Hoje não há paróquia em Portugal que não tenha uma piscina e um polidesportivo. Agora falta o essencial: motivar os jovens e incutir-lhes uma mentalidade competitiva desde cedo. E basta olhar aqui para o lado para Espanha para perceber como se faz: trabalho sério e consistente nas escolas desde tenra idade resulta em campeões praticamente em todas as modalidades.

Felizmente que o Rei futebol em termos desportivos ainda nos vai dando algumas compensações mas, convém realçar, graças a êxitos pontuais que nada resultam de uma aposta com cabeça, tronco e membros por parte do Estado. Mourinho foi criação do próprio (o mérito é todo dele) e a fábrica de talentos de Alvalade é uma exceção à regra.

Agora, para a foto final não ser absolutamente desoladora, resta-nos esperar por uma medalhinha na Vela ou no Atletismo. Se vier pintada de verde, tanto melhor…

O Alive II

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Inconstestado

Incontestável, só se for em casa dele, e mesmo aí não tenho grandes certezas, mas nesse caso tenho de dar o benefício da dúvida.
Este rapaz é o grau zero da política. O Miguel Relvas do PS. Mal está o País se este personagem chegar a primeiro-ministro, mas atendendo ao estado a que as coisas chegaram já não digo nada...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A Pureza

Como tive oportunidade de constatar ontem os Radiohead, numa época de folclores diversos, excessos comerciais e devaneios sem sentido, continuam iguais a eles próprios: super-profissionais, militantes, empenhados e talentosos. Thom Yorke já não canta os clássicos mas ainda sabe como se faz rock puro saído das profundezas da alma. Surpreendeu-me a extraordinária organização do evento. Estão de parabéns, ou então sou mesmo eu que estou completamente desatualizado pois já não ia a estas coisas há imenso tempo. Uma nota para a atuação de B. Fachada que agradeceu muitas vezes a todos, apesar de ninguém estar ali para o ver - referiu - dado que quando foi convidado já a lotação estava esgotada...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Miguel e a Igualdade

Na Lusófona, como ao longo de toda a sua vida, em cada esquina um amigo, em cada rosto desigualdade. Aguardo serenamente novo acórdão do Tribunal Constitucional relativamente à violação do propagado Princípio….

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Constituição

O Tribunal Constitucional falou e entendeu que o Governo ao cortar os subsídios aos funcionários públicos entra em conflito com o princípio da igualdade. É uma decisão acertada. Quem diz que os Juízes defendem causa própria com esta  medida é um bocado troglodita. Se não confiarmos nas instituições que zelam pela democracia, temos que estar preparados para pôr tudo em causa.
O acórdão tem a tal dose de absurdo que é sempre obrigatória em Portugal porque proíbe mas consente, contudo concedo que se optou pela decisão mais equilibrada: Nada a dizer relativamente a isso. Agora há algo que para mim é evidente: quer grande parte da Constituição, quer a generalidade da legislação laboral em Portugal estão caducas e carecem de reformas profundas e não de cosmética. A Troika com todos os seus defeitos percebeu isso, mas o Governo começou pelo fim. Passou por cima dos preliminares determinado a atingir a ejaculação rapidamente. E se havia algum Governo com margem para fazer as reformas necessárias seria certamente este.

Entretanto, Passos Coelho já indiciou o novo e inevitável caminho: os cortes nos subsídios vão também chegar aos privados. Para a função pública é uma aparente boa notícia pois a perda dos subsídios não fica desta forma institucionalizada como parecia inevitável acontecer, no entanto não deverão esperar pela demora. Este Governo já há muito identificou os alvos a abater. Os despedimentos na função pública vão ser liberalizados. É somente uma questão de tempo...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Meditação na Pastelaria

«Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece.
Nunca se sabe quando começa a insolência!
Que tempo este, meu Deus, uma senhora
Está sempre em perigo e o perigo
Em cada rua, em cada olhar,
Em cada sorriso ou gesto
De boa-educação!
A inspecção irónica das pernas,
Eis o que os homens sabem oferecer-nos,
Inspecção demorada e ascendente,
Acompanhada de assobios
E de sorrisos que se abrem e se fecham
Procurando uma fresta, uma fraqueza
Qualquer da nossa parte…
Mas uma senhora é uma senhora.
Só vê a malícia quem a tem.
Uma senhora passa
E ladrar é o seu dever – se tanto for preciso!
O pó de arroz:
Horrível!
O bâton:
Igual!
O amor de Raul é já uma saudade,
Foi sempre uma saudade…
(O escritório
Toma-lhe o tempo todo?
Desconfio que não…)
Filhos tivemos um:
Desapareceu…
E já nem sei chorar!
Chorar…
Como eu queria poder chorar!
Chorar encostada a uma saudade
Bem maior do que eu,
Que não fosse esta tristeza
Absurda de cada dia:
Unha
Quebrada de melancolia…
Perdi tudo, quase tudo…
Hoje,
Resta-me a devoção
E este pequeno inteligente cão.
Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece. »

Alexandre O'Neill

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Adiar

Portugal é um País de concretizações continuamente adiadas. De aventuras que não chegam a ser aventuras. Até para o cumprimento do défice, vamos ter de pedir mais tempo. No Futebol a seleção irá ganhar é em 2014 e por aí fora, num contínuo empurrar para terras do nunca daquilo que estava ali ao nosso alcance.

Jeremias no meio da sua habitual loucura pensava para com os seus botões que se 1% dos projetos idealizados à mesa do café,  e que acabam irremediavelmente proscritos na gaveta (ou na Pastelaria de O´Neill), pudessem ser incorporados no PIB não havia cá Alemanha que nos fizesse frente….

Endless Road – Time Bandits

 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O Fadinho

Acabou o sonho do Europeu. Passos Coelho ainda chegou a pensar que lhe tinha saído a lotaria e o euromilhões numa única jogada, mas a saga mediática com a bola acabou por ser um mero interlúdio para o inevitável anúncio de mais austeridade.

É todavia engraçado perceber (mais uma vez) que as pessoas são o que são, e que ninguém consegue fugir ao que na realidade é, apesar de se esforçarem para aparentar o contrário. Parece um lugar-comum mas não é. Por exemplo, Paulo Bento mantém as virtudes e defeitos que tinha como treinador do meu Grande Sporting. E isto nem sequer é uma crítica ao seu trabalho que foi bastante meritório. Com uma esmagadora maioria de jogadores medianos, um super-craque e 4/5 jogadores de verdadeira elite (não mais) seria complicado exigir outro destino que não este. E teve o azar de este ser um Europeu sem grandes surpresas, ao contrário do que acontece frequentemente, com as habituais equipas mais fortes a atingirem todas as meias-finais da prova.

O País pode agora voltar com tranquilidade a enfiar a cabeça no buraco que cavou. Somos o aluno mais bem comportado da europa, disciplinado e voluntarioso, apesar de intelectualmente revoltado. Esta realidade é a mesma em Portugal há décadas e décadas. Encontra-se enraizada nas relações laborais, nas instituições, nos partidos políticos, nos clubes de futebol. Esta é a sina do ser português que viveu, convém lembrar, uma das revoluções políticas mais pacíficas do mundo. Não havendo mais nada para cortar, voltaremos todos a viver da terra. A única diferença é que veremos a bola em imponentes plasmas…

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Nepal

Perante a mesquinhez mais ignorante, Jeremias silenciava a sua revolta. Os silêncios esforçados de Jeremias ecoavam nas montanhas do Nepal... 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O Varela

Varela marcou um golo um pouco ridículo mas decisivo para as aspirações desta seleção no Europeu. A façanha de Varela é um bom retrato do Portugal atual: um jogador mediano que em tempo de vacas magras (a grande estrela CR7 apagada) faz das suas fraquezas, forças, e num estilo algo desajeitado consegue evitar que o país se enterre definitivamente numa depressão profunda. Merece o prémio pela sua abnegação e beneficia do facto de Paulo Bento não gostar do estilo Quaresma que, quanto a mim, acrescentaria bem mais à equipa.
O Grande Patrício tem apanhado com jogos um pouco traiçoeiros mas estou convicto que ainda vai ser decisivo. Cristiano Ronaldo ontem levou um banho de humildade. Vive, muito por culpa própria, com a pressão e o desejo de ser novamente considerado o melhor do mundo mas ainda vai a tempo de ser uma das grandes figuras do Europeu…

Pablo Picasso


quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Folcore

Com o Circo em andamento a Grande Juíza disse de sua Suprema Justiça, não obstante a habitualmente louca (mas brilhante) ironia numa das formas escolhidas para demonstrar a sua vontade...

terça-feira, 29 de maio de 2012

A Promiscuidade

Talvez haja coisas mais graves que infelizmente passam incólumes do que este episódio dos SMS’s e das pressões e chantagens sobre jornalistas, mas convém perceber que Miguel Relvas é um indivíduo perigoso, sem qualquer característica especialmente relevante que mereça qualquer elogio. Falamos de um tipo completamente vulgar, um fura-vidas que vindo da província ribatejana tem pautado a sua carreira política pelo domínio dos jogos de bastidores de um partido completamente cego pelo poder como é o PPD/PSD, como demonstra, aliás, a sua história e a nata dos seus militantes.
Enquanto este tipo de promiscuidade (agora nas bocas do mundo) não começar a ser visto como uma ameaça latente a combater ferozmente, e a ser punido criminalmente de forma severa, não vamos a lado nenhum.
Passos Coelho demonstra verdadeiramente pela primeira vez a superficialidade das suas convicções ao não ser capaz de abdicar do homem do partido, apesar das fortes vozes de contestação. A incompetência atávica que mina o PPD/PSD começa a fazer das suas como, aliás era previsível, sendo que a procissão ainda vai no adro. Existem secretários de estado deste governo que dificilmente passariam num rudimentar teste de inteligência…

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Mon 6 Mai

Maria de Medeiros realizou uma curta em Paris na noite em que François Hollande ganhou as eleições que afastaram Sarkozi do espectro político europeu. Interessante, Documental e Livre... 
 

terça-feira, 22 de maio de 2012

A Resignação

Não me resigno com o estado a que chegou o meu Sporting. E por muito que me custe, são figuras de outros clubes as únicas que conseguem com clarividência analisar o problema. Esta apatia generalizada, esta normalização da derrota corrói o clube por dentro e paulatinamente atira-o para uma posição secundária no futebol português. Cada vez me convenço mais: o Sporting é gerido por amadores e mentecaptos.

Agora, Godinho vai aparecer com dinheiro chinês ou árabe, compram-se meia dúzia de jogadores em que 50 % corresponderão às expetativas e os outros só servirão para enterrar (ainda mais) o clube. Honra seja feita a Carlos Freitas que na minha ótica é o menos culpado disto. É impossível acertar em todos os jogadores contratados. Os nossos rivais têm levado com barretes bem mais caros que nós, saliente-se.

O resultado da final da taça é o reflexo de sucessivas direções sem o mínimo de visão para gerirem o clube. Não votei nesta direção, mas até começou bem. A partir do momento que despediu domingos, (que com os bolsos cheios todos os meses deve-se estar a rir em grande estilo com isto até porque foi o único treinador do universo Sporting que passou uma meia-final esta época) Godinho lopes perdeu a pouca credibilidade que lhe restava e comprometeu, com essa decisão a próxima época, como escrevi também aqui na altura. Enquanto se continuar a fazer experiências com treinadores e direções agregadoras de ódios diversos não vamos a lado nenhum. Por causa desta decisões tomadas com os pés de Godinho e Duque acabamos o fim de semana com a humilhação de termos perdido uma final da taça das mais fáceis de ganhar da história e ainda de termos visto Paulo Sérgio (um dos piores treinadores que passou pelo Clube) com uma equipa 1000 vezes pior que a nossa, vencer a taça da escócia. Para o ano vai ser mais do mesmo: umas alturas em que até vamos andar animados com umas vitórias com estilo mas no fim o resultado vai ser o mesmo.

O Sporting é um clube muito especial e o seu futebol precisa de há anos a esta parte de um grande líder de balneário que possa incutir experiência, traquejo, serenidade e confiança na cabeça dos jogadores. Esse líder pela nossa conjuntura financeira só pode ser o treinador.
Sá Pinto tem futuro na profissão e tem demonstrado um discurso muito meritório, mas no contexto muito especifico de um clube instável como o nosso até um cego percebia que dificilmente bateria certo. O meu destino é continuar a bater nesta tecla durante anos: Invistam num treinador estrangeiro sério, competente, com curriculum e com experiência para um projeto de 3 anos em detrimento de gastar rios de dinheiro em jogadores. Jogadores só se compra se conseguirmos vender. Na minha cabeça, esta é a única aposta que faz sentido atendendo à situação em que o Clube se encontra.

Nunca pensei ter saudades do paulo bento. Desejei muito a saída dele porque o seu tempo e o seu modelo de jogo estavam esgotados e mais nada tinha para ganhar mas Godinho, tem esse mérito, faz-me ter saudade de paulo bento.

E só para que fique claro: quem precisar de uma assinatura de sócio com quotas em dia para convocar assembleia geral para marcar eleições e afastar definitivamente esta corja, estou ao dispor...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Os Sinais

Não acredito, como já escrevi aqui há muito tempo, que Portugal siga o declínio Grego. Só quem nunca esteve na Grécia pode pensar semelhante coisa. Mas com a presumível saída do euro, a vida não acaba no berço da civilização. Se tal se concretizar, a Grécia passará por uma fase extraordinariamente complicada com o grande capital a fugir todo do país. Mas depois de um período de adaptação bastante duro (reconheça-se) começará novamente, partindo quase do zero, a crescer com naturalidade à conta de novas politicas porventura de cariz mais humano e menos economicista. Mas 2/3 anos de grandes dificuldades (maiores do que as que estão a atravessar atualmente) ninguém lhes poderá tirar, caso se confirme o pior cenário. 

Portugal continua com indicadores pouco consistentes relativamente ao futuro. Se por um lado a economia dá sinais de querer abrandar o pessimismo reinante, por outro o desemprego continua a galopar para níveis impressionantes face ao que estávamos habituados. Saliento que na minha ótica os 14 % apresentados são meramente estatísticos e os 20 % indicativos apresentados por alguns são uma simples estimativa. Na verdade, o desemprego real em Portugal considerando pessoas ativas que não têm trabalho, ou nunca tiveram, rondará certamente os 25 %. Não tenho grandes dúvidas relativamente a isso. E um quarto de pessoas sem emprego é muita fruta para uma economia frágil como a nossa. Os espanhóis quando tiverem que recuperar será num ápice, como seguramente se perceberá. 

Reconheço alguma legitimidade numa certa Esquerda para apregoar o desbravar de novos caminhos. Se Merkel não reinasse na Europa, certamente que a austeridade sentida pelas gentes do sul não seria tão drástica como se está a verificar. Possivelmente até poderão florescer alguns bálsamos para a doença resultantes do novo quadro político na Europa, que aos poucos começa a ser invertido. As populações quando sentem que lhes vão ao bolso desejam sempre a mudança. Agora há um factor que é indesmentível e que ninguém pode negar, a não ser os fundamentalistas que existem em todas as áreas políticas: A recuperação em Portugal tem que ser efetuada à conta de investimento privado e não do erário público. Ao Governo cabe proporcionar condições para que esse investimento, fora da esfera pública, seja uma realidade, o que também não é fácil derivado às notícias apocalípticas que caiem de forma constante e que incentivam o pessimismo generalizado. 

No entanto a grande verdade é que este Governo tem implementado medidas completamente desequilibradas tomadas com os pés como por exemplo: a repentina execução de medidas draconianas no domínio da saúde; o desinvestimento desproporcionado na cultura face a outras áreas; uma evidente falta de sensibilidade política para controlar as repercussões que as subidas leoninas do IVA têm, quer ao nível do decréscimo acentuado do consumo, quer nas perdas de receitas fiscais e no consequente aumento dos custos do Estado com o desemprego, e por aí fora. 
Portugal para não ir ao fundo necessita nesta fase de muita prudência nas análises, algum pragmatismo, e gente capaz de perceber a verdadeira dimensão dos problemas, o que não tem acontecido até aqui…

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Anuus Horribilis

2012 ainda nem vai a meio e já ameaça ser um anuus horribilis para a arte de saber pensar no nosso país. E isto numa época em que necessitamos impreterivelmente de gente com mentes esclarecidas o que, como se sabe, não abundam num portugal culturalmente miserável. Depois de Miguel Portas, um exemplo de coerência na sua vida pública e privada, e do consagrado cineasta com uma obra imensa - Fernando Lopes - deixa-nos agora de forma totalmente inesperada, e no auge da sua carreira repleta de virtuosismo, Bernardo Sassetti, de quem mais que uma vez tive oportunidade de assistir à demonstração inequívoca do seu brilhantismo. Vão-se almas singulares, deixam um legado de vida bem vivida para quem fica….

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Tabu

Miguel Gomes depois do extraordinário Aquele Querido Mês de Agosto está de volta com Tabu. Não sendo na minha ótica um filme tão conseguido como o que o precedeu confirma que estamos na presença de um grande Cineasta. Gomes prova que o cinema de autor em Portugal também pode ter público, numa época de grandes dificuldades para o mercado da Cultura, o que ainda valoriza mais o feito. 
Tabu tem um Argumento pujante e uma estrutura pouco comum que sobrepõe duas realidades temporais distintas com as suas idiossincrasias próprias. Uma idosa temperamental, a sua empregada cabo-verdiana e uma vizinha dedicada a causas sociais partilham o andar na Lisboa contemporânea que podia perfeitamente ser o nosso prédio. Quando a primeira morre, as outras duas passam a conhecer um episódio do seu passado: uma história de amor e crime passada numa África de outros tempos dominada pela colonização. Com Ana Moreira, bem dirigida, a caminhar no seu terreno natural é com satisfação que vejo filme e cineasta premiados em festivais de cinema do mundo…
 

O Déjà Vu

O Socialista François Hollande é o novo Presidente de França depois derrotar Nicolas Sarkozy por margem mínima. O político já apelidado de “Homem normal” promete combater a austeridade e o desemprego na Europa fazendo frente às políticas cegas da Senhora Merkel. 
Acho sempre piada ao chauvinismo exacerbado do Franceses porque é uma característica muito particular dos mesmos. São megalómanos por natureza e num discurso de um qualquer politico francês a palavra “França” é sempre repetida vezes sem conta. Infelizmente, para mim isto representa que o crescimento eleitoral progressivo da dinastia Le Pen ainda vai dar muito que falar com consequências imprevisíveis num futuro próximo. 
Hollande, tal como foi Obama, é a nova coqueluche da esquerda europeia. Tal como aconteceu com o presidente americano as expetativas vão sair goradas. Não é tempo para heróis anunciados. Todos os Homens são normais até se tornarem Políticos. Daqui a 6 meses, todos perceberão o inevitável. Já vimos este filme antes…

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Dia do Consumismo

Como por magia, o Dia do Trabalhador transformou-se numa corrida desenfreada à cadeia de supermercados Pingo Doce por força da campanha levada a cabo pelo Grupo Jerónimo Martins que consistia em descontos de 50 % aos clientes que totalizassem compras superiores a 100 €. E o que tenho a dizer de toda esta fantochada?
Foi um acontecimento triste num país economicamente à deriva. A ironia da data escolhida pelo patrão da Jerónimo Martins tem obviamente como objetivo pôr a nu as fragilidades de um país de plástico assente em pilares de hipocrisia e de uma megalomania destrutiva. Parece-me que existe aqui matéria para investigação pelos órgãos próprios, designadamente a prática de algo muito semelhante a dumping, sendo que dificilmente se chegará a qualquer conclusão válida ou castigo justo. Para fazer o que fez, o Pingo Doce deve estar devidamente salvaguardado a esse nível, o que vem comprovar a margem brutal de lucro que tem em muito dos produtos que vende normalmente. Em tudo o resto, não se pode pôr em causa a estratégia do empresário que como é evidente tenta dinamizar o seu negócio.

Nestas circunstâncias, já se sabe que existe como habitual um extremar de posições pouco racional. Há quem diga que foi um golpe de génio de Soares dos Santos, o que me parece manifestamente exagerado. Por outro lado, a Esquerda militante, cada vez mais isolada num país falido sem contemplações para sindicalismos caducos, insurge-se contra o Zé Povinho que com a corda na garganta correu para as enormes filas para comprar coisas que muito provavelmente nem necessitava. As cenas televisivas que elucidaram o pagode são, para muita gente, dignas de um país de terceiro mundo.

Eu não consigo criticar as pessoas que com os bolsos cheios no princípio do mês aderiram em massa a esta campanha, mas há uma coisa que para mim é evidente. Portugal na sua essência, nunca deixou de pertencer ao terceiro mundo. Uma imagem mais atraente; uns cursos superiores com nomes sofisticados; uns tiques permanentes de ostentação embrulhados em putativos atos de cidadania e umas cirurgias faciais muito eficazes para esconder a podridão, não mudaram o essencial. E o essencial é que em Portugal a Ignorância e a boçalidade mais primária continua a fazer escola e a denominada Cultura de um Povo - Cultura essa, sem direito a ministério na actual composição governativa - está patente em cada virar de esquina para quem realmente quiser ver….

Fly – Ludovico Einaudi

terça-feira, 24 de abril de 2012

O Protagonismo

Mário Soares, Manuel Alegre e a associação 25 de Abril anunciaram que não vão estar presentes nas comemorações oficiais do dia da Liberdade. Eventualmente, numa determinada perspetiva até pode ser considerada uma decisão vagamente incendiária atendendo ao difícil período que o país atravessa. Mas na prática, a ausência deles, não tem grande importância porque seria sempre meramente simbólica.
Por outro lado, Passos Coelho, na senda da arrogância militante que caracteriza algumas das declarações de membros deste seu governo, afirma que os visados são figuras que procuram protagonismo. Esquece-se o nosso Primeiro, que falamos de figuras políticas que com todos os seus defeitos e virtudes, foram de facto protagonistas dum momento inolvidável da nossa História. Momento esse que só pecou por tardio. A sua geração - a de Passos, que também é a minha mais ano menos ano - o único verdadeiro combate que teve de travar foi a luta com os respetivos progenitores no sentido de obter da parte deles uma maior tolerância relativamente às liberdades recém-conquistadas.
O protagonismo atual de Passos Coelho é fruto da ousadia e coragem que outros tiveram arriscando tudo o que tinham por um ideal de sociedade melhor. Passos e Seguro são filhos duma execrável lógica partidária de jantares para militantes no meio de palmadinhas e facadas nas costas. Nunca lutaram verdadeiramente por coisa nenhuma, a não ser pelas respetivas carreiras políticas. Não perceber isto, é assumir definitivamente o fracasso de toda uma geração…

Autobiografia

Não preciso mas tu sabes como eu sou
Encaminho-me pouco divirto-me assim nas copas
Das árvores soprando pensamentos para o mundo que há de noite.
As pessoas quando acordam são outras, já sabias,
Essa névoa contemporânea do medo miudinho
Que perdemos nas cidades e nos corpos, tu entraste
Antes de mim nos jogos, o enxofre da música e o
Lago do feitiço, inocente homem breve que sonha
Tu bem sabes.
Depois aluguei a bruxa por uma vasta noite.
E a minha vida mudou, a noite cresceu,
A vertigem ardeu-me nos braços até a sangria
Do tédio quando para sempre julguei que te perdia.
Na luta perdi um ou dois braços,
Mais do que o que tinha. Mas esta memória é um palácio,
São corais no pensamento. Jardins e fantasmas,
O gume nas mãos sorvendo, criança estratosférica
E profunda: sem braços e agora sem mais nada.
Não me percebeste, enchi-me de fúria.
É uma arte, queria eu dizer, matar sem retrocesso e
Atraso – ah aqueles braços para apoiar as mãos - ,
Ceifando. Saturno.e.o.vento.na.proa.erguendo.
O: navio:no:mar:parado:parado: completamente.
Parado.como dizer? Não dizer, eu sou.uma vida
Medonha e múltipla. E agora descanso
Deitado nestas mãos que mexem
Sem apoio, sabes, nascendo dos teus olhos
P’la manhã.


Rui Costa

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Enter The Void

Com o título de Viagem Alucinante na versão portuguesa (prefiro o nome original) e com Realização do polémico Gaspar Nóe, este magnífico ovni cinematográfico passou pelas salas de cinema de forma discreta. Quase 10 anos depois de Irreversível, Enter the Void centra-se na vida de Óscar e da sua irmã Linda acabados de chegar a Tóquio.
Óscar é um modesto traficante de droga e Linda trabalha num clube noturno como striper. Uma noite, Óscar é apanhado numa rusga e é morto pela polícia. À medida que morre, o seu espírito fiel à promessa que fez à sua irmã enquanto criança – que nunca a deixaria – recusa-se a abandonar o mundo dos vivos e passa pelos vários estágios da morte, conforme descritos no “Livro Tibetano da Morte” cuja explicação nos é apresentada na parte inicial do filme por um amigo de Óscar que se sente atraído pela sua irmã.
Das visões distorcidas do morto nasce um grande filme cheio de grandes pormenores, onde o passado, o presente e o futuro se fundem numa espécie de terramoto alucinogénico, deixando-nos agarrados ao ecrã do princípio ao fim.
Uma sala de cinema fantasma, só com um espectador (no caso, eu), aproxima-se muito do cenário perfeito para apreciar o exigente cinema de Nóe. O cariz impetuoso do cinema do Realizador atinge-nos até às vísceras. Concedo que possa haver alguma violência gratuita nos seus filmes, alguma dose excessiva no querer chocar, mas a realidade focada pelo realizador está sempre presente no limbo das nossas existências.
A crítica especializada pode saber muito de cinema desvalorizando sempre o que não é inovador, mas de emoções, mesmo que trágicas, sabe pouco. E o que é o cinema sem emoção??..

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O Rescaldo

O Sporting teve uma justa vitória. A agremiação de carnide começou a perder o jogo no sábado em braga com a vitória do porto. Para quem já teve 5 pontos de avanço, a pressão de correr atrás do prejuízo foi demasiado pesada. O benfica quando entrou em Alvalade já estava a perder. Os erros da arbitragem que ocorreram para os dois lados não têm influência direta no resultado como por exemplo no Sporting-Olhanense da primeira jornada em que com o resultado empatado, e a pouco tempo do fim do jogo, foi anulado um golo limpo a Hélder Postiga.
O terceiro lugar não é impossível de alcançar, se o Sporting ganhar os 4 jogos que faltam. Acredito que nas próximas 3 jornadas o Braga perde 5 pontos. O problema é que não acredito que ganhemos no nacional e no dragão, até porque a nossa prioridade atual é a Liga Europa.
Jorge Jesus é um pateta sem estilo e por isso cai facilmente no ridículo. Sábado vai lutar pela salvação da época na taça da cerveja. Apesar de tudo, o futebol espetáculo que incute à equipa tem dado muito a ganhar ao benfica: presenças na champions, boas receitas de bilheteira, valorização de jogadores. O problema dele é a falta de racionalidade psíquica. Tem muito coração e sabe de futebol a rodos, mas falta-lhe aquele sexto sentido, cada vez mais importante no mundo do futebol, para tirar dividendos dos mind games.
Ao Sporting faltam mais 3 ou 4 jogadores para ter uma grande equipa, mas a base está lá. No entanto isso são contas para fazer mais tarde no defeso, até porque não acredito que não saia ninguém.
Sem querer tirar mérito ao Sá Pinto, o banho tático que deu a Jesus era previsível. Até porque atualmente o Sporting só é uma verdadeira equipa quando não tem a necessidade de assumir o jogo, o que é muito perigoso para o futuro.
Elias foi muito destacado pela sua exibição no derby. É bom jogador, sem ser um craque. Só se destaca quando os solistas que o acompanham fazem a diferença. E foi isso que aconteceu com as exibições de Matias Fernández e do Czar Izmailov. Elias tem dificuldades em pôr a bola em condições nos homens da frente, mas corre que se farta e isso também é importante, sem ser decisivo. Por seu turno, o holandes Schaars também ainda não me convenceu totalmente. É competitivo, mas o tal pé esquerdo de quem diziam maravilhas ainda não me seduziu.
O nosso Van Wolf foi uma grande contratação (ponto). Tem um potencial incrível. Tem que começar a dosear melhor o esforço. Compará-lo com Liedson, que neste jogo faria facilmente 2/3 golos, não é honesto. A experiência acumulada do levezinho não pode ser a mesma de um jogador ainda em formação.
Agora é esgotar Alvalade para a receção ao Bilbao. Não somos favoritos, mas acredito numa presença na final onde reencontraremos o Valência que estragou nesta época o jogo de apresentação aos sócios….

Salvador Dalí

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O Ano

Um ano depois da Troika os juros subiram, o desemprego disparou e a economia regrediu perigosamente. Deve ser isto a que chamam austeridade. Os Mercados (essa ignóbil instituição) nos últimos tempos deram sinais de alguma estabilização, mas não passam de ténues sintomas que podem não passar de um mero interlúdio para o abismo.
Passos Coelho pensa vagamente em repor parte dos subsídios de férias e natal aos funcionários públicos em 2015 – precisamente o ano das próximas eleições legislativas. Há cada coincidência. Não se pode pedir a este Governo que faça milagres. Obviamente que na atual conjuntura um dos piores trabalhos do mundo é ser ministro da economia, num país que não tem cheta nem para fazer cantar um cego. Mas aí é que está o cerne da questão. A Espanha pode ter piores indicadores ao nível do desemprego, pode ter ainda mais dificuldades que nós do ponto de vista das necessidades de tesouraria mas quando tiver que se levantar, levanta-se num ápice, porque tem uma estrutura económica forte, autossustentável que não precisa de suportes governativos de nomeada.
Esta seria a altura ideal para o ministro Álvaro voltar a acompanhar com detalhe as temporadas desportivas de hóquei no gelo…

O Pássaro Vigilante

quarta-feira, 28 de março de 2012

O Homem que comeu rojões ao Jantar

O Homem que foi profissional de excelência na indústria da restauração comeu rojões ao jantar que lhe caíram mal. Parece que me estavam a atirar pedras ao estômago, foram as suas palavras. Por uma questão de cortesia para com o restaurante onde jantava (ele, que tratava todas as minúcias do negócio por tu) não quis fazer uma suprema desconsideração ao seu humilde servidor. Fez um esforço e comeu a refeição até ao fim. Como resultado do seu benevolente ato, levantou-se várias vezes durante a noite. O day after foi penoso para o Homem que tinha comido rojões ao jantar…

People are Strange -The Doors

terça-feira, 20 de março de 2012

O Estranho

Jeremias olhava para as sombras do passado na ânsia de projectar o futuro. Jeremias tinha dificuldade em gostar de pessoas, mas a verdade é que também nunca gostou de animais. Como diria o velho James Douglas Morrison as pessoas são estranhas quando nós somos estranhos…

Cavalo à solta

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

José Carlos Ary dos Santos

quinta-feira, 15 de março de 2012

A Dama de Ferro

O filme acaba e nasce uma curiosa sensação de desapontamento no espetador. A vida de Margaret Thatcher, quer se concorde quer não com as matrizes que politicamente preconizou, daria para algo bem mais arrojado do que o resultado final alcançado pela obra de Phyllida Lloyd.
Meryl Streep soma mais uma boa interpretação à sua já longínqua carreira. Contudo já a vimos fazer melhor, e esta obsessão com os óscares que norteia a produção cinematográfica norte-americana já enoja o mais cândido dos cinéfilos. É uma Atriz que sem dúvida alguma marca uma geração mas este capricho com os Óscares, menorizando porventura outras experiências mais enriquecedoras para quem tem tanto talento, prejudica a sua imagem.
Phyllida Lloyd aborda os acontecimentos mais marcantes dos 11 anos de poder da dama de ferro, sem se centrar em nada especificamente. Aqui ou ali consegue transmitir algumas das dificuldades que uma mulher sentia nos já distantes anos 80, para se impor numa sociedade ainda muito preconceituosa relativamente à ascensão feminina na esfera pública. Mas fica por aí. Discorre sobre a vida de Thatcher de forma superficial. Bem sabemos que os projectos biográficos têm determinadas condicionantes mas, a meu ver, fica uma sabor amargo no fim tal a riqueza da vida política da biografada. O melhor momento do filme é precisamente o seu início onde uma mulher envelhecida e quase senil – o retrato da Thatcher atual – arrisca sair de casa para comprar leite….

segunda-feira, 12 de março de 2012

Assim, sim...

Ainda dizem que os jogadores da bola não sabem falar...

A Recuperação

Há gente em Portugal que fala em Recuperação Económica e que garante a pés juntos que 2013 é que vai ser, inclusive proeminentes Governantes.
Meus amigos, andamos a ouvir essa lenga-lenga há pelo menos 4 anos, e os factos vêm provando o contrário. Ano após ano, a derrocada ganha contornos cada vez mais assustadores para o cidadão comum. E que tal, mudar o discurso….

quarta-feira, 7 de março de 2012

A Saudação

Jeremias gostava de prestar atenção às diferentes formas com que as pessoas se saudavam habitualmente. Daí, surgiam sempre preciosos indicadores relativamente à personalidade das mesmas. De todas as possíveis variâncias a mais curiosa para Jeremias era a utilizada por um vizinho metafórico: "Cá vamos, neste Vale de Lágrimas"...

Jackson Pollock

sexta-feira, 2 de março de 2012

Le Havre

O Finlandês Aki Kaurismäki volta ao mapa da grande cinematografia europeia, donde nunca esteve verdadeiramente afastado, com uma fábula alusiva aos tempos modernos em que a imigração ilegal é uma realidade indesmentível.
Marcel Marx (André Wilms), um ex-escritor nada pessimista asilado em Le Havre - uma pequena cidade portuária da Normandia no norte de França - faz a sua vida como engraxador de sapatos. Querem profissão mais digna que essa? O pormenor de andar sempre a olhar para os pés dos transeuntes é delicioso. Marcel conhece Idrissa (Blondin Miguel), uma criança africana refugiada que planeia chegar a Londres para encontrar a sua Mãe. Sem saber o que fazer àquela criança, um rapaz delicado e amistoso, decide levá-lo consigo para casa e tornar-se seu protetor. E mesmo contra as adversidades que encontra pelo caminho não desiste de lutar para desbravar um caminho para o rapaz. Marcel tem, inclusive, de fazer frente à doença que ameaça a vida da sua mulher que perante a afirmação do médico de que por vezes existem milagres, responde que não: que no seu bairro não acontecem milagres! Os Homens e as Mulheres do cinema de Aki Kaurismäki falam sempre pouco. Soltam frases secas mas cheias de sentido, o que faz com o que o seu cinema não esteja ao alcance de todas as sensibilidades. Com algum burlesco pelo meio, Le Havre demonstra que por vezes a humanidade pode surgir donde menos se espera, como exemplifica a personagem do inspetor da polícia que carrega todo o simbolismo do filme. Quando assim é, como alguém diz no filme: Eu amo a sociedade…

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Clássico

Benfica e Porto preparam-se para a eventualidade de decidirem o campeonato numa sexta à noite: coisas deste futebol dito moderno. Para mim é jogo de 1X. O empate na prática servirá mais o porto que o benfica, mesmo que no plano teórico possa parecer o contrário atendendo ao 2 a 2 da primeira volta.
A equipa de Jesus talvez mereça mais estar à frente da Liga, mas a verdade é que o porto em termos de futebol jogado reequilibrou-se com as contratações de Lucho e Janko, e neste momento as equipas estão bastante próximas uma da outra em termos competitivos. Qualquer que seja o desfecho já ninguém tira a Jorge Jesus o prémio de melhor substituição do campeonato: a entrada de Djaló para o lugar de Aimar neste último jogo em Coimbra. O Braga, que corre por fora, é a equipa mais consistente e talvez merecesse o título derivado à abissal diferença de orçamentos que tem para os outros Grandes. O facto dos jogadores medianos que compõem a equipa jogarem juntos há vários anos, independentemente do mérito dos treinadores que por lá têm passado, merecia ser fator decisivo pela coerência da aposta. Mas é muito difícil, e caso não cheguem ao primeiro lugar, o ideal para o meu Sporting seria entrarem em depressão e caírem do terceiro lugar.
O Grande Sporting
lá vai ganhando de aflitos e jogando pouco, na ressaca de mais uma decisão catastrófica e inexplicável duma direção para as aspirações a médio-prazo do Clube: despedir o treinador que era a rosto do projeto por alguém que apesar dum indesmentível Sportinguismo exacerbado é um completo tiro no escuro ao nível da competência para o lugar. Tenho esperanças que contra a equipa mais rica do mundo - o Machester City - na liga Europa possamos fazer uma grande surpresa, mesmo com Polga a titular…

A Arte na Rua

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Hipocrisia do Consumismo

Porque será que esta notícia teve tão pouco destaque na nossa comunicação social?
Apple. Entre a espada e os chineses
Gostava de convidar políticos de todos os quadrantes, proeminentes jornalistas, ilustres comentadores, e restantes especialistas de tudo e mais alguma coisa a pronunciarem-se sobre esta questão. Quem está disponível para deixar de utilizar os iPhones e iPads com que norteiam as suas vidas fabricados objetivamente com recurso a trabalho escravo?? Pois, uhhmm...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Bandeira

A mediocridade em que Portugal tem caído, fruto grande parte da visão da gente que nos tem governado, tem como consequência a histeria coletiva que rodeia um caso banal - trágico mas banal – do psicopata de Beja.
Aliás Portugal, enquanto escava cada vem mais fundo o buraco onde provavelmente vai acabar enterrado, rejubila com casos grotescos de foro policial como esse de Beja e o que envolve o mítico criador da “Ternura dos 40” - Paco Bandeira. Mas enquanto a primeira novela não tem qualquer tipo de interesse, a situação que envolve o cantor alentejano é importante do ponto de vista sociológico e deveras elucidativa relativamente à suposta e perigosa impunidade que normalmente goza quem tem algum Poder mediático no nosso país. O Poder, na grande maioria dos casos em Portugal, tem sido utilizado para camuflar vícios proibidos e comportamentos deploráveis. Reside aqui em grande parte a origem das nossas atuais agruras…

O vestido cor de salmão

Ai de mim estreei o meu vestido cor de salmão
no primeiro baile a que fui
durante o baile fiquei sentada numa cadeira
ninguém me convidou para dançar
a uma rapariga importuna
que me perguntou porque é que eu
não dançava
respondi eu não sei dançar
ela insistiu comigo para que eu
bebesse uma taça de champagne
eu acedi
mas não foi dessa vez que bebi champagne
pela primeira vez
porque a rapariga entornou a taça
no meu colo
julgo que propositadamente
com a nódoa o vestido deixou de ser para bom
passou a ser para bater
durante uma viagem curta de comboio
uma faúlha do comboio (que era a lenha)
queimou-o no punho
foi fácil substituir o punho
porque no Penim onde a minha mãe tinha comprado
o corte de tecido cor de salmão
ainda havia esse tecido cor de salmão
mas durante um passeio à praia
sentei-me numa rocha
e ao levantar-me precipitadamente
por ver que ia rebentar uma trovoada
o vestido ficou preso à rocha
e rasgou-se irremediavelmente
ao despi-lo vi que o vestido tinha já
a forma do meu corpo
rasguei-o em pedaços
e guardei os pedaços
na cesta dos trapos
de um dos pedaços fez-se um vestido
para a boneca da minha irmã mais nova
e deste mais tarde fez-se um vestido
para a filha da boneca da minha irmã mais nova
que era uma boneca mais pequena
que caiu a um poço

Adília Lopes

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

It's a Dream - Tsai Ming-liang



Mais uma curta retirada de cada um o seu cinema que comemorou os 60 anos do festival de Cannes, desta vez a cargo de Tsai Ming-liang que tem vindo a colocar a Malásia no mapa do cinema universal...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Desacordo

Tem existido grande polémica por aí relativamente à obrigatoriedade do novo acordo ortográfico. Polémica essa que surgiu como resultado da insubmissão de Vasco Graça Moura à aplicação do mesmo nos serviços que agora dirige no CCB.
Primeiro ponto: Se Portugal fosse um País onde imperasse a meritocracia Graça Moura não poderia estar neste momento à frente dos destinos da Instituição. O anterior responsável foi competente, inclusive a gerir a diminuição de recursos que teve ao dispor. Substituir alguém que está a fazer um bom trabalho por razões políticas é estúpido e Francisco José Viegas não fica, de todo, bem na fotografia. Já vi por menos pedirem-se demissões. E o próprio devia refletir bem se não há "relvas" a mais no seu jardim de incongruências.

O Hipocrisias Indígenas utiliza a nova grafia desde o início do ano, não porque ache que seja uma coisa absolutamente indispensável para a felicidade ou sobrevivência do país, mas porque sou um progressista. E tendo um filho ainda petiz tenho a consciência que é nessa escrita que irá aprender a expandir os seus dizeres.

O novo acordo é aceitável na lógica da irreversível globalização, mas não me choca nada que não seja aceite por muita gente. A língua portuguesa é das mais ricas do mundo, e talvez das mais difíceis de dominar na totalidade. Num país de escritores reconhecidos, e muitos frustrados, mexer com umas das coisas que mais nos diferencia é natural que dê azo a diferentes interpretações. Mas Portugal não acaba aqui…

Antoni Tàpies

Barcelona, 13 de dezembro de 1923 - Barcelona, 6 de fevereiro de 2012.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

As Pieguices

Sempre gostei da palavra “Piegas” e agradeço sinceramente ao Sr. Primeiro-Ministro por a ter trazido para a ordem do dia. É muito mais agradável ler dezenas de vezes a palavra “Piegas” do que palavras como “mercados”, “juros”, “défice” ou mesmo “Buraco”. Pieguices minhas….

De Do Do Do, De Da Da Da - The Police

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Europa

A Grécia continua a estar no epicentro do vulcão europeu. A grave situação portuguesa pouco tem a ver com a calamidade grega. Estruturalmente a sociedade grega consegue ser mais clientelar que a nossa, por difícil que isso possa parecer. Mas se não houver um fim à vista para a derrocada da economia europeia podemos acabar ainda pior do que estamos.
Entretanto, Merkel refere os túneis e autoestradas da Madeira como péssimo exemplo de aplicação dos fundos europeus. Definitivamente, acabou o Carnaval de Jardim. O último a sair que apague as luzes do túnel. Alberto João é um cadáver político…

A Marginal

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Consolo

De desilusão Leonina em desilusão Leonina, quer-me cá parecer que a única alegria que vou ter esta época é ver o Yannick Djaló de águia ao peito e a Floribela nos camarotes da luz…

O pão

Há pessoas que amam
Com os dedos todos sobre a mesa.
Aquecem o pão com o suor do rosto
E quando as perdemos estão sempre
Ao nosso lado.
Por enquanto não nos tocam:
A lua encontra o pão caiado que comemos
Enquanto o riso das promessas destila
Na solidão da erva.
Estas pessoas são o chão
Onde erguemos o sol que nos falhou os dedos
E pôs um fruto negro no lugar do coração.
Estas pessoas são o chão
Que não precisa de voar.

Rui Costa

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Deus da Carnificina

Realizado por Roman Polanski, uma comédia dramática sobre os estranhos caminhos que norteiam a natureza humana, baseada na aclamada peça da dramaturga francesa Yasmina Reza escrita, como sempre por ela, com uma sublime inteligência.
Os casais Longstreet (Jodie Foster e John C. Reilly) e Cowan (Kate Winslet e Christoph Waltz) juntam-se para resolver uma desavença entre os seus filhos de 11 anos. Porém, se ao princípio tudo parece correr civilizadamente, à medida que a conversa se desenvolve, a discussão começa a tomar proporções pouco dignas com os quatro a revelarem maior infantilidade que os seus próprios filhos.
Depois de uma brilhante aparição em sacanas sem lei de Tarantino, Christoph Waltz oferece-nos novamente uma estrondosa interpretação fazendo o papel de cínico de serviço. O casal composto por Jodie Foster e John C. Reilly não lhe fica nada atrás ao nível interpretativo.
A única fragilidade que o filme de Polanski possui é que estamos de facto perante uma peça teatral. A adaptação para cinema podia ter ido mais longe, evitando por exemplo aquelas constantes saídas e entradas da casa onde decorre todo o filme. Ou seja, a narrativa funciona com toda a certeza melhor em palco do que em tela.
Roman Polanski, fiel à sua imagem, continua contudo a lapidar de forma magistral as imperfeições do ser humano. Sem ser uma obra-prima, este casamento do seu talento com o génio de Yasmina Reza é um dos acontecimentos cinematográficos mais significativos dos últimos tempos…

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Carvalho

Carvalho da Silva foi-se. Sucede-lhe um jovem lobo de quem ainda não fixei o nome a que todos auguram um grande futuro. Neste contexto específico do sindicalismo a denominação de jovem promessa é relativa. A jovem promessa pode ter perto de sessenta anos, por exemplo, o que não deixa de ser um valente contributo para a justa valorização de uma classe etária mal compreendida e até para o retardamento da idade da reforma.
Mas o que interessa verdadeiramente nesta discussão à volta da CGTP é que o sindicalismo que preconizam está caduco. Perguntem às pessoas na rua o que pensam deles? É simples. E perceberão imediatamente que a insatisfação que as pessoas sentem não é de nenhuma forma enquadrável nas suas ancestrais formas de combate. Pensem na adesão que os movimentos de cidadãos apolíticos estão a conseguir e talvez comecem a perceber o que já deviam ter percebido há muito.
Reunir centenas de delegados em congresso utilizando as mesmas bandeiras, proferindo as mesmas palavras de ordem, e entoando os mesmos hinos dos anos 80 (altura em que também houve uma intervenção do FMI em Portugal) é um exercício que não faz qualquer tipo de sentido. O sindicalismo, tal como o conhecemos, está morto. A Sociedade mudou. Ao nível laboral, a realidade está presentemente a sofrer profundas alterações que marcarão indelevelmente as gerações futuras. A associação de pessoas com interesses comuns em salvaguardar os seus direitos continuarão a existir, e farão sempre sentido, até porque a liberdade foi a mais preciosa conquista de todas. Agora, as formas de intervenção sofrem adaptações inevitáveis que não passam pelas atuais bases do sindicalismo que temos. Não perceber isto, é caminhar para uma sala escura à prova de ruído…

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Cineasta

Sucumbiu um dos melhores cineastas da atualidade. Apesar de filmar pouco, Théo Angelopoulos era dos mais brilhantes da sua geração. Num país em cacos como é hoje a Grécia, morreu na sequência de um atropelamento nos arredores de Atenas. Dificilmente haveria melhor analogia para o declínio da Europa.
A propósito desde desaparecimento, ouçam aqui o magnífico Sinais de hoje na TSF com a habitual assinatura de Fernando Alves, recordando a emblemática obra do Realizador Grego - O Olhar de Ulisses - onde Angelopoulos exacerbava de forma magistral a sua paixão pelo Cinema. 


Angelopoulos foi-se num dia cinzento, mas o seu cinema de um outro mundo fica para a eternidade....

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

As Despesas do Professor

Cavaco numa daquelas suas recorrentes paragens cerebrais confessou que as verbas que aufere de reforma nem sequer dão para as despesas. No passado, já nos tinha brindado com a importante informação de que a sua mulher recebia 800 € de reforma por ter sido professora. Com todo o respeito que tenho pelas Senhoras que vendem peixe, é uma conversa de Peixeiras. Mas o nível intelectual do professor cavaco fica em demasiadas coisas aquém do das Senhoras do Peixe. Esta é que é a verdade. Ainda para mais, num segundo mandato onde já não tem de estar preocupado com a reeleição, estes atestados de senilidade por parte do professor serão certamente mais frequentes.

O Presidente da República relativamente ao assunto em questão só tem que fazer duas coisas:
1) Exige uma mudança da lei para que, excecionalmente, o vencimento do mais alto representante da nação seja objeto de uma imediata revisão para valores consentâneos com a dignidade a que a função obriga. Essa revisão permitirá que o Chefe de Estado em exercício não tenha de optar por receber pensões mais elevadas do que o próprio salário de Presidente. Por exemplo, uma remuneração mensal na ordem dos 20 000 € mais despesas de representação não me pareceria desajustado face aquilo que é na generalidade a realidade das remunerações auferidas por Chefes de Estado por esse mundo fora.
2) Informa o País que como consequência da alteração da lei - até deixar as funções de Presidente da República - ficam congeladas as reformas que hipoteticamente teria direito como resultado dos descontos que efetuou ao longo da sua carreira contributiva.

Esta é a única abordagem possível para o problema. Não tendo coragem para o assumir, o Presidente da República só pode estar caladinho e meter o rabinho entre as pernas. Dizer aos Portugueses nesta altura que os rendimentos mensais que aufere na ordem dos 9 500 € (a que acrescem 2 500 € de despesas de representação como Presidente) não dão sequer para as suas despesas só pode ser uma brincadeira de mau gosto. Obviamente que a comunicação social agradece o brinde e rejubila com tamanha fantochada proporcionada pelo Palhaço-Mor da Nação….

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A Democracia Representativa

Cada mais gente pensa que a democracia não é o melhor sistema. O que é deveras preocupante. Este facto deveria abrir uma reflexão profunda na opinião pública e na sociedade civil. A distância entre eleitos e eleitores é assustadora e tende a aumentar no atual contexto de grave crise económica que vivemos.
Os círculos uninominais são a alternativa mais sustentável ao sistema parlamentar que temos. Ao votarmos num só candidato estamos a responsabilizá-lo diretamente pelas suas intervenções na esfera pública, o que o obrigará a comportar-se de forma mais condigna no domínio privado. A isto chama-se prestação de contas. E ao mesmo tempo introduz-se transparência num sistema decrépito, onde ninguém sabe verdadeiramente quais são os limites para a indecência no meio desta praga que se chama tráfico de influências que corrói aterradoramente, e de forma progressiva, a sociedade portuguesa…

Andy Warhol

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Animal - Osso Vaidoso

Nova odisseia de Ana Deus e Alexandre Soares que depois de um dos mais conseguidos projetos de música moderna portuguesa dos anos 90 - Três Tristes Tigres – voltam agora num registo minimalista, simplesmente com voz e guitarra, recuperando palavras de gente como Regina Guimarães, Alberto Pimenta ou Valter Hugo Mãe…

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Primeira Volta

Se à décima jornada o Sporting, a um ponto da liderança, estava na corrida ao título, à décima quinta a liga já é uma miragem. Falta estofo de campeão a esta equipa e estas 5 jornadas dizimaram por completo as aspirações leoninas. No fim, quando se fizer o balanço da época há, quanto a mim, um momento decisivo: a derrota na luz. Com o volume de oportunidades criadas e a jogar contra dez quase uma parte inteira, o Sporting não podia ter perdido aquele jogo até porque em jogo jogado não foi em nada inferior ao adversário. E começou aí o descalabro.
As lesões sistemáticas, as oportunidades flagrantes falhadas, a falta de Rinaudo (que também não é nenhum salvador, nem é Deus, apesar de Argentino) ajudam a explicar o decréscimo acentuado de produção. A pressão que Domingos sente para apresentar resultados, porque o Sporting não é o Braga, também levou a algumas escolhas precipitadas como a titularidade do jovem Renato Neto em 2 jogos decisivos, encostar o típico número 10 Matias à direita, ou mais recentemente à subida de Insua para extremo esquerdo com prejuízo para a equipa. Mas o que fica neste momento para a história é que ao fim da primeira volta Domingos tem exatamente os mesmos pontos que tinha Paulo Sérgio na época passada - um dos piores treinadores de sempre da história do clube - com um plantel muito inferior ao atual. Independentemente disso, Domingos não está em causa. Não me revejo nalgumas declarações, principalmente as que precedem os jogos grandes. Aí devia transmitir maior ambição aos jogadores, mas tirando esse aspeto a melhorar, penso que continua a ter condições para fazer um bom trabalho em Alvalade.
Agora, aos Leões deve-se pedir paciência. E muita esperança. A equipa está em construção. Esmagadora maioria dos jogadores são novos. Alguns são nitidamente erros de casting como Bojinov, outros são apostas de risco devido ao historial clínico como Rodriguez e Jéffren. Mas existem apostas de futuro credíveis quer ao nível do retorno financeiro, quer ao nível desportivo. Ainda não é tempo para balanços definitivos da época. Assusta não haver um fio de jogo definido, mas a verdade é que os rivais também não o têm. Atualmente, falta dinâmica e velocidade à equipa e é essa a diferença face à euforia que se vivia há dois meses atrás.
Quanto ao campeonato, para desconsolo da minha alma, o benfica tem tudo na mão para pintar outra vez o país de encarnado. E digo isso, porque o porto depende enormemente de um jogador - Hulk. E, apesar de ainda faltar virar muito frango, o benfica é mais equipa.
O Sporting tem dia 8 no Funchal um difícil jogo com o Nacional para a taça de portugal que é absolutamente decisivo para a época leonina. Convém ganhar e convém começar a recuperar pontos no campeonato senão toda a construção do prédio começa a estar de novo em causa...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O Catroga

Catroga como qualquer cidadão com curriculum adequado tem todo o direito de ser convidado a liderar a EDP, mesmo auferindo de remuneração a obscenidade que se fala. Parece-me um processo normal para os costumes enraizados. São cargos de confiança politica, quer se queira quer não. E o que os governantes eleitos dizem em campanha (não há empregos para amigos) só acredita quem quer. E eu nunca acreditei. A única forma de acabar com este banquete é acabar com as empresas públicas. Mas aí, a esquerda já não se manifestaria de forma tão perentória.

Agora, o que é deveras relevante nesta história é o facto de Catroga ir receber 9 693 € de pensão vitalícia resultante da sua legítima carreira contributiva de muitos anos. Nada a opor ao cálculo efetuado. Mas se houver um simples dia em que acumule essa reforma com a exorbitância que vai receber como líder na EDP é caso para os cidadãos de bem saírem à rua, pegarem em armas, e rumarem a São Bento. Tem de haver limites para a pouca vergonha….

A Estação

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A China

Ainda nem a meio de janeiro vamos, mas o nosso governo já anuncia uma derrapagem previsível no défice do ano, o que obrigará a novas medidas de austeridade a anunciar oportunamente.
Portugal bem que podia tornar-se definitivamente um protetorado da China. Nem que fosse para colocar os comunistas portugueses numa posição deveras inebriante e ao mesmo tempo insólita, pois as suas idiossincrasias ficavam irreversivelmente - se não estão já - completamente desajustadas da realidade contemporânea.
Os Chinocas são trabalhadores incansáveis. Gostam especialmente do nosso sol, da nossa tranquila pequenez e da nossa aparente arte de bem receber. E têm pilim a dar com um pau. Por mim, avancem com isso. Eu sou do Pequim desde pequenino…

Recomeçar

Recomeça….
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O Pingo Doce

O patrão da Jerónimo Martins falou demais em tempos. Defendeu o Patriotismo entre outros lugares-comuns. Nos tempos conturbados que vivemos tem que ser ter muito cuidado com o que se diz. Só por essa incoerência pode ser criticável o facto de mudar a sede da empresa para a Holanda onde tem impostos mais baixos e, no atual contexto, acesso a financiamento mais facilitado. Para mim, se com essa medida conseguir evitar o despedimento de meia-dúzia de funcionários, já valeu a pena. O objetivo de uma entidade privada é gerar lucro salvaguardando sempre o cumprimento integral das leis em vigor. E, ao que consta, tal transferência é legal. Culpem a Merkel e Durão Barroso. Ao mesmo tempo, acho legitimo que haja gente que se sinta indignada e deixe de ir ao Pingo Doce. Eu não vou deixar de ir pelos mesmos motivos quer me fazem nunca ter deixado de pagar impostos....

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Maçonaria

Num país pequeno onde todos frequentam os mesmos círculos, o líder parlamentar do PSD Luís Montenegro não assumiu quando devia a incompatibilidade que resulta do facto de pertencer à Maçonaria. Acontece que da mesma loja maçónica faz parte Jorge Silva Carvalho, o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED). Montenegro é membro da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Liberdades e Garantias, que tem investigado as irregularidades no SIED, que envolvem Jorge Silva Carvalho. Até percebo que numa sinistra organização, predominantemente secreta, onde ninguém sabe muito bem o que por lá se passa, não faça muito sentido os seus membros andarem para aí a vangloriarem-se disto ou daquilo. Mas agora que a coisa é pública, se fosse sério e despido da sede de poder que o levou a integrar a Maçonaria, a Montenegro só lhe restava um caminho: a demissão.
A corja de cretinos que rodeiam passos coelho estão a começar a dar à costa...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Miúdo da Bicicleta

De Jean-Pierre e Luc Dardenne, com Cécile de France e Jérémie Renier nos principais papéis. Mais um filme saído das brilhantes cabeças dos irmãos Dardenne. Conta a história de um miúdo solitário que renegado pelo Pai, vê uma cabeleireira afeiçoar-se a si de forma progressiva e irreversível. Com a habitual sensibilidade social que caracteriza o cinema da dupla belga, é altamente recomendável para quem quiser entrar no novo ano muito bem acompanhado do ponto de vista cinematográfico….

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Homem que tinha uma memória prodigiosa

Havia um Homem que tinha tão boa memória que nunca se esquecia de nada. Até se lembrava de referir que tinha uma memória prodigiosa. Adorava Futebol. O seu Jogador preferido era aquele rapaz da Madeira, formado em Alvalade, o Cristiano Renato...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O Parque Automóvel

Jeremias andava com um carro de 10 anos que se puxasse muito por ele começava a fazer barulhos esquisitos. No entanto, na presente quadra o Pai Natal tinha sido amigo. Jeremias, viu-se de repente rodeado das mais potentes bombas, inclusive um Ferrari topo de gama. 
Das mais variadas marcas e cores, Jeremias possuía agora um parque automóvel de fazer inveja a muitos Ministérios….

Dreams – The Cranberries





Grande Música este "Dreams" de 93 pela voz inconfundível de Dolores O'Riordan dos irlandeses Cranberries. Um ano depois Faye Wong grava uma não menos extraordinária versão chinesa do tema, que integrava então a banda sonora de Chungking Express, filme de culto dos anos 90 realizado por Wong Kar-Wai. Ficam as duas versões, qual delas a melhor?…

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Ano FMI

Apesar do sol continuar a brilhar para alguns (para cada vez menos), Troika deve ter sido das palavras mais escritas em Portugal no último ano. Esta foto sacada na Net funciona na perfeição como síntese de 2011, neste país à beira-mar plantado...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Bigodes

A Passos Coelho fugiu a boca para a verdade, como se costuma dizer em bom português. Devo dizer que não me chocam grandemente as palavras do nosso Primeiro. Não devemos acusar os Políticos por serem hipócritas e pelo seu contrário. Concordo que é uma bela argumentação para ser utilizada em privado, mas que é matéria algo sensível para ser ouvida pela boca do responsável máximo pelo estaminé. Seria uma grande tirada para animar um jantar de amigos nesta quadra natalícia. Mas Passos Coelho mediu bem o que disse e sabia ao que ia. A cartilha liberal paulatinamente vai seguindo o seu rumo e ele continua em estado de graça porque tem gerido bem as suas declarações ao longo destes meses. Tem esse mérito e, quanto a mim, não tem sido tão mau Primeiro-Ministro como eu supunha inicialmente. Obviamente que as minhas expectativas eram abaixo de cão. Agora, apesar de algumas escolhas felizes para pastas-chave, está rodeado de cretinos que mais tarde ou mais cedo vão emergir à superfície. E nesta história dos professores há um dado incontornável: cada vez há menos jovens em idade escolar e cada vez há mais professores saídos das faculdades disto e daquilo, e essa realidade nenhum sindicalista de bigode pode contrapor com argumentos da idade da pedra. Eu que sou de uma Esquerda Indeterminada penso que a Esquerda de Combate precisa de novas ideias e de novos rostos. Com ou sem bigode....

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Inside Job - As Origens da Crise

Na senda do serviço público que caracteriza este blogue deixo um filme, infelizmente cada vez mais actual, do qual já falei aqui. Agora em versão integral com legendas em espanhol…

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Dilema

Portugal vive tempos de completo desnorte. A ficção reina. Num país que vive à beira do precipício sem qualquer fundo de tesouraria que permita aliviar as depuradas contas públicas e, por conseguinte, as carteiras dos contribuintes, perdeu-se imenso tempo a discutir o que se deveria fazer com um famigerado excedente que resulta dos fundos de pensões da banca que o estado vai receber ainda este ano. Aliás, é engraçado como um negócio ruinoso no médio/longo prazo para os cofres do estado dá azo a tanta fantasia. Eu diria que basta esperar pelo surgimento de novo buraco orçamental, o que, atendendo ao nosso histórico recente, não tardará a acontecer. Haverá sempre um BPN num qualquer Jardim do Atlântico para ajudar a resolver o Dilema…

Vincent Van Gogh

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Selva

Jeremias sabia que habitava uma selva onde os animais, devido à escassez de alimento, eram cada vez mais ferozes. Os princípios éticos, qualquer que seja a circunstância, andavam pelas ruas da amargura.
Jeremias, se fosse possível, qual Woody Allen da Bobadela, emigraria para o princípio do século XX. Jeremias era da opinião que ao Euro devia suceder o Cruzado e que Merkel como Rainha do Império devia usar aqueles vestidos faustosos. O problema é que chegando lá, Jeremias não poderia postar o que lhe viesse à cabeça, ver o cinema que o arrebata, presentear-se com os comodismos que devassam a contemporaneidade. O melhor que Jeremias tinha a fazer era adaptar-se ao reino animal e escudar-se com armas e armaduras porque a vida na Selva não é pra meninos….

O Ilusório

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Excedente

Passos Coelho descobriu debaixo do tapete um excedente de dois mil milhões para injectar na economia. Estamos a entrar numa quadra marcada pela fantasia e o nosso Primeiro gosta de brincar com os palhaços que vão no comboio ao circo. A leviandade neste governo vai subindo de tom e antevejo grandes concretizações em 2012 a esse nível. Portugal tem um grupo complicado. O Sorteio foi azarento. Mas temos jogadores de qualidade que nos podem trazer o caneco de campeões da europa da Demagogia….

POST-CARD (Os velhos, os pombos, os gatos)

Alguns habitantes queixam-se dos pombos. Do mal
que fazem às fachadas, às estátuas, à pintura
dos automóveis. Os pombos não voam a gasolina
e têm humaníssimos hábitos como a gula, as
rivalidades do cio, a sede e a urgência
de defecar. Detestam coleiras, gaiolas, amparos
de casota, ausência de jardins
e adornos de penas alheias. E por este divino
despojamento recebem, às vezes,
algum milho displicente dádiva
de crianças para a fotografia, ou de benígnos
velhos reformados. Algumas mulheres continuam
a socorrer os antiquíssimos (e terrestres) gatos
vadios. Gatos da minha infância. Dos muros,
das traseiras, dos quintais - o Sindbad, o Pardoca - com
restos de arroz em papéis engordurados. Carinhosas
velhas, atentas à famélica e materna condição
das ninhadas, enquanto os pombos e os velhos
debicam espaços de pedra onde levavam asas
e entre todos assoma, por instantes,
a decaída aliança entre o Céu e a Terra.

Inês Lourenço

sábado, 3 de dezembro de 2011

Ai "Jasus"

Pedro Martins, técnico do Marítimo, ontem ao despedir-se de Jorge Jesus no fim do jogo do Funchal: Obrigado pela taça e até Domingo para o Campeonato...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Habemus Papam

No seu registo habitual, o Grande Nanni Moretti apresenta-nos uma comédia dramática centrada no interessante ritual inerente à eleição de um qualquer Papa. Ritual esse, que é a única coisa minimamente estimulante que a igreja católica tem para oferecer nos dias que correm.

Moretti continua em grande forma e inclusive já consegue fazer filmes com orçamentos consideráveis. Para filmar este Habemus Papam, por exemplo, criou uma réplica em tamanho real da capela sistina.
O Argumento guia-nos pela habitual clausura que os cardeais de todo o mundo cumprem, depois da morte do Papa, no sentido de eleger o seu sucessor. Enquanto isso, na Praça de São Pedro, milhares de fiéis aguardam ansiosamente a primeira aparição do novo Sumo Pontífice. Contudo, o Papa eleito (Michel Piccoli) esmagado com o peso da responsabilidade entra numa espécie de pânico, recusando-se a aparecer em público. Os seus conselheiros decidem chamar um dos mais reconhecidos psicanalista do país (Moretti, claro está) para o ajudar a ultrapassar a crise que pode muito bem passar por um recorrente défice paternal.

Em algumas cenas nota-se uma certa euforia no actor Moretti, certamente enfeitiçado com o facto de estar a afrontar a Santa Madre Igreja. No fim apesar de contrariar a vontade de Deus, fico com a sensação que Moretti podia ter trabalhado de forma diferente o epílogo face ao ritmo burlesco entretanto criado. Por exemplo, os cardeais para passar o tempo jogam empolgantes partidas de Voleibol…

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Contágio

Até a Alemanha começa a ser pressionada pelos mercados. Ao menos o raio da velha também há de ir ao fundo, pensam muitos. Por seu turno, a Espanha virou à direita numa tentativa de fugir ao inevitável.
Em Portugal discutem-se migalhas nos subsídios dos funcionários públicos com o objectivo único de ficar bem na fotografia final do Orçamento. Seguro politicamente não passa de um interlúdio pastoral. Otelo está senil e Soares tenta usar o que resta da sua legítima e merecida margem de influência democrática para tentar suavizar os danos. A Europa que Mário Soares ajudou a criar está decrépita e sem rumo. Ninguém o ouve porque, além de não apresentar alternativas válidas, é personagem que já não pertence a este filme…

José Malhoa

sábado, 26 de novembro de 2011

O Derby do Povo

Hoje é dia de Benfica-Sporting. Hoje é dia do Derby dos Derbys. De há uns anos para cá, com a explosão futebolística do Porto, os duelos entre portistas e benfiquistas talvez se tenham tornado mais intensos. Mas o verdadeiro derby do futebol português, o que exacerba mais as emoções dos adeptos, nunca deixou de ser este. Clubes que vivem separados por apenas umas centenas de metros, partilham umas das mais belas cidades do mundo. De um lado vermelhos de ardor, do outro lado verdes de esperança. Hoje é dia de emoção, picardias várias e cafés a abarrotar com gritos efusivos por tudo o mundo português. Hoje é dia de casos de arbitragem e espectáculo garantido. Hoje não se fala de outra coisa. No fim, qualquer que seja o resultado, continuarão as rivalidades, as discussões e as provocações entre colegas, amigos e vizinhos. Hoje é dia de Paixão em Portugal. A Crise que se lixe. Os mercados que se danem. Hoje é dia do ópio do povo. Hoje é dia de Derby…

Tema do Melancómico – B Fachada



Numa interpretação muito bem regada...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O Desconforto

Jeremias sempre sentiu admiração por quem chama as coisas pelos nomes. Talvez fosse uma questão de identificação pessoal. Inúmeras vezes se sentiu prejudicado por essa idiossincrasia que gostava de alimentar. Mas estranhamente, talvez porque vivia numa sociedade de pacotilha, havia verdades que lhe provocavam um inesperado desconforto...